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agosto 15, 2025

************** JOHN WAYNE, um HERÓI de CINEMA

 

 

Tenho orgulho do meu trabalho,
a ponto de ser o primeiro a chegar
ao set de filmagem. Não sofro
com críticas ruins, o público gosta
dos meus filmes e isso é tudo
o que importa.
 
Sou um patriota honesto,
um conservador de direita.
JOHN WAYNE
 
Altura: 1,93 m
Cabelos: castanho-escuros
Olhos: azuis 
Apelido: Duke e JW
 
para Doutor Antônio, meu pai
 
LEGIÃO INVENCÍVEL


Figura imponente do passado de Hollywood, por mais de trinta anos foi referência na indústria cinematográfica, simbolizando um tipo de masculinidade e estrelando filmes icônicos da Era de Ouro. Na adolescência, na solidão do quarto, eu imitava o seu andar característico de felino. Pegando emprestado armas da coleção de meu pai, fazia de conta que era o glorioso astro dos faroestes, matando sem piedade bandidos e selvagens. Repeti essas cenas durante anos. Nunca ninguém soube, era um segredo. Admirador dos faroestes que via em preto e branco na TV e na matinê de domingo nos cinemas de Itabuna, preferia os mocinhos Glenn Ford, Gary Cooper e Clint Eastwood. Como pai Antônio era fã de JOHN WAYNE (1907 – 1979. Winterset, Iowa / EUA), procurava substituí-lo no imaginário como pistoleiro imbatível. Queria ser como ele. Com a maturidade, terminei por esquecê-lo ao não o considerar um ator sério. Ao resgatar sua trajetória, percebi o engano. Suas performances em “Rio Vermelho” e “Rastro de Ódio”, entre outras, são impactantes. Não há dúvida de que era cativante e talentoso.
 
Ao descobrir que era republicano e sua batalha política conservadora durante décadas, a afeição juvenil pelo astro renasceu com força total. Portanto, este post é um tributo a sua longa e majestosa passagem por Hollywood. Vencedor de Oscar e Globo de Ouro, JOHN WAYNE se tornou o símbolo máximo do faroeste. Seus filmes frequentemente refletem valores tradicionais, são considerados clássicos do gênero, reverenciados e assistidos até os dias atuais. Steve McQueen, Sylvester Stallone, Bruce Willis e Chuck Norris o citaram como uma grande influência para eles, tanto profissional quanto pessoalmente. Assim como o lendário astro, cada um deles alcançou a fama interpretando personagens de ação heroica e apoiando causas de direita e o partido Republicano. Dedicado em seu trabalho, seu verdadeiro nome era Marion Michael Morrison. Fala lenta, voz grave e marcante, sotaque arrastado e olhar semicerrado, é lembrado como a imagem típica do caubói, quase sempre como um admirável herói solitário. Cresceu num rancho na Califórnia e fez 145 filmes, em mais de 40 anos de uma extraordinária carreira.
 
Duke (como os amigos o chamavam) teria sua trajetória ligada ao cineasta John Ford depois que interpretou Ringo Kid no clássico “No Tempo das Diligências”, em 1939. Ao todo, foram 14 filmes com o mestre. Ainda faria boas parcerias com outros importantes diretores, como John Huston, Howard Hawks, William A. Wellman, Raoul Walsh e Henry Hathaway. Crescendo em Iowa, um de seus passatempos favoritos era jogar futebol americano com o pai. Enquanto estudava na USC, juntamente com colegas, trabalhava meio período na Fox Film, carregando adereços de cenário e como figurante ocasional. Em 1930, teve sua oportunidade em “A Grande Jornada. O diretor Raoul Walsh o viu passar no set carregando uma mesa, gostou do seu jeito de se mover e contratou o rapaz inexperiente para o papel protagonista. A empresa depositava esperanças neste faroeste épico, mas ele fracassou nas bilheterias. A seguir, JOHN WAYNE sobreviveu na década de 30 estrelando dezenas de faroestes de baixo orçamento. Alguns levavam apenas oito dias para serem filmados.
 
Era um trabalho árduo. Não havia dublês, ele próprio lutava e cavalgava. Em 1933, casou-se com Josephine Alicia Saénz, filha de um poderoso funcionário do governo mexicano. Ela era da alta sociedade e uma mulher bonita. Tiveram quatro filhos, com os quais ele sempre foi muito próximo e afetuoso. Ainda desconhecido, chegava ao set às 6h e, depois de um dia difícil, voltava para casa sujo e cansado às 19h30, com a esposa aristocrática pronta para um jantar fora ou uma festa. A virada profissional veio em 1939 com o sucesso de “No Tempo das Diligências”, que o transformou em uma das estrelas em ascensão mais valiosas. Depois vieram outros filmes importantes. Na época, houve um distanciamento gradual da esposa, pois ele não se adaptava ao estilo elegante dela. Quando os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial, houve movimento de apoio, inclusive em Hollywood. JOHN WAYNE, com lesões no joelho, sofridas na faculdade, foi isento do alistamento. Mesmo assim, ele desejava servir e escreveu várias vezes a John Ford pedindo para se juntar à sua Unidade Fotográfica de Campo do OSS.
 
Em 1943, conheceu a atriz mexicana Esperanza Baur. Alta, esbelta e morena, ela havia trabalhado com Arturo de Córdoba em “O Conde de Monte Cristo / El Conde de Montecristo” (1942). Como JOHN WAYNE, ela gostava de uma vida simples e reuniões com poucos amigos ao redor de uma churrasqueira. Ele se divorciou e se casou com ela em 1946. Ward Bond foi o padrinho e a esposa do falecido Harry Carey, a madrinha. Mas o ator mudou. A partir do final da década de 1940, com os filmes “Sangue de Heróis”, “Rio Vermelho” e “O Céu Mandou Alguém”, ele foi nomeado estrela número um de bilheteria, junto com Doris Day, por três anos consecutivos, pelos donos de cinema do país. Tornou-se uma estrela de altíssima estatura e passou a apreciar a vida social de Hollywood. A esposa tinha temperamento explosivo, bebia muito, e depois de várias brigas, se separaram. No processo de divórcio, ela alegou o caso do marido com a atriz Gail Russell, e ele respondeu que Conrad Hilton Jr., casado com Elizabeth Taylor, havia se tornado hóspede constante da casa deles, enquanto viajava à trabalho.
 
marlene dietrich e john wayne
Ainda nos anos 40, JOHN WAYNE teve um namoro de três anos com Marlene Dietrich, mas seu romance com Maureen O'Hara durou ainda mais, restando uma boa amizade. Estrelaram cinco filmes juntos. Divorciado mais uma vez, casou-se com a peruana Pilar Palette, que conheceu enquanto procurava locações de filmagem no Peru para “O Álamo / The Alamo” (1960). Embora fosse casada, Pilar se divorciou e se mudou imediatamente para Hollywood. Deprimida e estressada pela radical mudança cultural, ela se viciou em pílulas para dormir. Certa noite, enquanto ele filmava na Louisiana, cortou os pulsos durante uma alucinação. O casal teve três filhos. Depois que a terceira esposa o deixou em 1973, ele se envolveu com sua secretária Pat Stacy pelos anos restantes de vida. Na política, ele era um feroz defensor dos republicanos, nacionalista ferrenho e anticomunista ativo. Participou ativamente da criação da Aliança Cinematográfica para a Preservação dos Ideais Americanos (MPA) em 1944 e foi eleito presidente cinco anos depois. Ronald Reagan, Walt Disney, Clark Gable, Robert Taylor, Gary Cooper e outros famosos estavam entre os membros da organização.

 
Defensor do Comitê de Atividades Antiamericanas (HUAC), expressou seu apoio contra o maldito comunismo no filme de ação “Uma Aventura Perigosa / Big Jim McLain” (1952) e incluindo traidores da pátria na Lista Negra de Hollywood. Promoveu a guerra do Vietnã, produzindo e estrelando “Os Boinas Verdes / The Green Berets” (1968). Por ser a estrela republicana mais proeminente de Hollywood, foi cotado por texanos republicanos a concorrer a um cargo nacional em 1968. Ele recusou dizendo que era “um homem de Richard Nixon”. Apoiou Ronald Reagan nas campanhas para governador da Califórnia em 1966 e 1970. Também rejeitou um convite para ser vice na candidatura presidencial de George Wallace, preferindo fazer campanha por Nixon, inclusive discursando na Convenção Nacional Republicana de 1968. O ditador soviético Joseph Stalin, indignado com o seu anticomunismo, encomendou seu assassinato. Na primeira tentativa, dois matadores russos se fizeram passar por agentes do FBI e tentaram assassiná-lo em seu escritório, na Warner Brothers, em Hollywood, mas foram capturados.
 
As conspirações soviéticas foram canceladas após a morte de Stalin, em 1953, por seu sucessor, Nikita Krushchev, que era fã do astro. “Essa foi uma decisão de Stalin nos últimos cinco anos loucos de sua vida. Quando ele morreu, eu revoguei a ordem”, teria dito Kruschev a JOHN WAYNE em um encontro entre os dois em 1958. No entanto, grupos comunistas norte-americanos assumiram a conspiração e tentaram assassiná-lo no México, nas filmagens de “Caminhos Ásperos / Hondo” (1953). Ele sobreviveu a essa tentativa de assassinato e a outra cometida por um franco-atirador durante visita que fez às tropas dos EUA no Vietnã, em 1966. Carismático e convincente, atuou em faroestes, aventuras, melodramas e filmes de guerra. Em 1956, ao protagonizar “Sangue de Bárbaros / The Conqueror”, resultou em uma tragédia futura. Rodado por treze semanas no Parque Estadual de Snow Canyon, em Utah, o set estava situado a apenas 220 km da área de testes de Nevada, um local para a realização de bombardeamos nucleares ao ar livre com perigos decorrentes da radiação.
 
O pó radioativo – levado pelo vento – se precipitou justamente sobre o local da filmagem. As consequências, porém, viriam anos depois, quando a maior parte do elenco e da equipe começaram a desenvolver câncer numa escala assustadora. O próprio astro, Susan Hayward e Agnes Moorehead padeceram de câncer nas décadas de 60 e 70. Na seguinte, 90 membros da equipe de 220 pessoas desenvolveram tumores malignos e 46 morreram. Já em 1991, seria a vez de John Hoyt, que veio a óbito após adquirir câncer no pulmão. Segundo especialistas, a exposição no set de filmagens possivelmente foi a causa do câncer desenvolvidos em 94 profissionais que trabalharam no filme. Em Hollywood, JOHN WAYNE foi um dos atores que mais recusaram oportunidades notáveis e, em alguns casos, prêmios importantes. Recusou a série “Gunsmoke”, que durou 20 temporadas; “Fugindo do Inferno / The Great Escape” (1963), um clássico do cinema de guerra, e o papel foi para Steve McQueen; “Os Doze Condenados / The Dirty Dozen” (1967), com Lee Marvin brilhando como o Major John Reisman, um papel que seria dele.
 
Disse também não para “Rebeldia Indomável / Cool Hand Luke” (1967), resultando em uma das atuações mais aclamadas de Paul Newman; “Perseguidor Implacável / Dirty Harry” (1971), cujo papel foi para Clint Eastwood, que criou um dos personagens mais famosos do cinema; “Um Estranho no Ninho / One Flew Over the Cuckoo's Nest” (1975), que deu o Oscar para Jack Nicholson; “Patton, Rebelde ou Herói? / Patton” (1970), Oscar para George C. Scott; “Apocalypse Now / Idem” (1979), que terminou nas mãos de Martin Sheen. Entre muitos outros. Dos seus muitos personagens no cinema, o favorito era Ethan Edwards em “Rastros de Ódio” (1956). Chegou a dar ao seu filho o nome de Ethan em homenagem a ele. Praticamente calvo, o astro usou peruca em sua ilustre carreira desde “O Rasto da Bruxa Vermelha / Wake of the Red Witch” (1948). Sua vitória de Melhor Ator no Oscar e no Globo de Ouro por “Bravura Indômita / True Grit” (1969) foi vista como prêmios pelo conjunto da obra. Continuou a estrelar filmes de sucesso até 1976, permanecendo entre as dez maiores estrelas de bilheteria dos EUA até 1974.
 
wayne com o oscar e barbra streisand
Seu álbum falado “America: Why I Love Her” foi indicado ao Grammy quando lançado em 1973. Relançado em CD em 2001, teve êxito novamente. Junto com Humphrey Bogart, JOHN WAYNE era considerado o fumante mais inveterado da meca do cinema, fumando cinco maços de Camel sem filtro até sua primeira batalha contra o câncer em 1964. Ele passou por uma cirurgia bem-sucedida para remover o pulmão esquerdo. Apesar de seus sócios quererem manter a doença em segredo, tornou pública a situação e incentivou o público a fazer exames preventivos. A doença o fez amargar 15 anos de sofrimento, que o levaram até a pensar em suicídio.  Dirigiu os filmes “O Álamo” e “Os Boinas Verdes”. Este último causou-lhe problemas. O roteiro, pró-guerra do Vietnã, alimentou a fúria da esquerda, que realizou vários protestos contra a exibição. Católico, leal aos amigos, fez o elogio fúnebre nos funerais de Ward Bond, John Ford e Howard Hawks. Tinha fama de beber bastante, e os diretores filmavam suas cenas pela manhã, com ele ainda sóbrio.
 
Junto com seu amigo de longa data, Louis Johnson, era dono de uma fazenda de gado Hereford puro-sangue com 63 quilômetros de extensão no Arizona, a 26 Bar Ranch. A fazenda criava mais de 400 touros, frequentemente vencendo nas grandes feiras de gado. O astro comparecia com frequência aos leilões e fazia o discurso de boas-vindas na abertura dos eventos. Em 1976, estrelou “O Último Pistoleiro / The Shootist”, dirigido por Don Siegel e ao lado de Lauren Bacall e James Stewart. Nesse seu último papel, morre de câncer, condição à qual o próprio sucumbiu três anos depois. O faroeste foi um sucesso de bilheteria e crítica, nomeado como um dos Dez Melhores Filmes de 1976 pelo National Board of Review. Faleceu em 11 de junho de 1979, aos 72 anos. Enterrado em segredo, o túmulo permaneceu sem identificação até 1999, para o caso de manifestantes da guerra do Vietnã não o profanarem. Vinte anos após sua morte, finalmente recebeu uma lápide de bronze. Vários locais públicos nos EUA foram nomeados em homenagem a JOHN WAYNE, refletindo seu status como ícone cultural.
 
Graças à sua coragem, dignidade, integridade, talento, honestidade política e à sua cordialidade como ser humano ao longo de sua poderosa carreira, ele tem um lugar único em nossos corações e mentes. Receberia postumamente a Medalha Presidencial da Liberdade em 1980, concedida pelo presidente Jimmy Carter. Em 1998, foi homenageado com o prêmio de Herança Naval pela Fundação Memorial da Marinha dos EUA, reconhecendo seu apoio às forças armadas. Em 1999, o Instituto Americano de Cinema (AFI) o classificou como a 13ª maior lenda masculina do cinema clássico de Hollywood. Continua sendo um dos atores mais intimamente associados não apenas à grandeza do cinema, mas também à grandeza do povo norte-americano. É uma verdadeira lenda, comove as massas, o público o adora. Poucos capturaram melhor o homem durão e corajoso, patriota e dedicado à família, conservador e leal, transbordando integridade e valores de direita: a imagem do herói cinematográfico inesquecível.
 
 
RIO VERMELHO
“O Oeste é o triunfo da coragem pessoal
sobre qualquer obstáculo, seja a natureza ou o homem.”

JOHN WAYNE
 

DEZ FAROESTES de JOHN WAYNE
(por ordem de preferência)
 
01
RIO VERMELHO
(Red River, 1948) 

direção de Howard Hawks
elenco: Montgomery Clift, Joanne Dru, Walter Brennan,
Coleen Gray, Harry Carey e John Ireland
 
02
RASTROS de ÓDIO
(The Searchers, 1956)
 

direção de John Ford
elenco: Jeffrey Hunter, Vera Miles, Ward Bond,
Natalie Wood e Antonio Moreno
 
03
No TEMPO das DILIGÊNCIAS
(Stagecoach, 1939)
 

direção de John Ford
elenco: Claire Trevor, Andy Devine, John Carradine,
Thomas Mitchell, George Bancroft e Tim Holt

04
LEGIÃO INVENCÍVEL
(She Wore a Yellow Ribbon, 1949) 

direção de John Ford
elenco: Joanne Dru, John Agar, Ben Johnson,
Victor McLaglen, Mildred Natwick e George O´Brien
 
05
A GRANDE JORNADA
(The Big Trail, 1930)
 

direção de Raoul Walsh
elenco: Marguerite Churchill, Tully Marshall e Ward Bond
 
06
SANGUE de HERÓIS
(Fort Apache, 1948)

direção de John Ford
elenco: Henry Fonda, Shirley Temple, Pedro Armendáriz,
Ward Bond, George O´Brien, Victor McLaglen,
Anna Lee e Movita
 
07
O CÉU MANDOU ALGUÉM
(3 Godfathers, 1948)

direção de John Ford
elenco: Pedro Armendáriz, Harry Carey Jr., Ward Bond,
Mae Marsh, Mildred Natwick, Jane Darwell
e Ben Johnson
 
08
RIO BRAVO
(Rio Grande, 1950)

direção de John Ford
elenco: Maureen O'Hara, Ben Johnson, Claude Jarman Jr.,
Harry Carey Jr., Chill Willis, J. Carrol Naish,
e Victor McLaglen
 
09
ONDE COMEÇA o INFERNO
(Rio Bravo, 1959)

direção de Howard Hawks
elenco: Dean Martin, Ricky Nelson, Angie Dickinson,
Walter Brennan e Ward Bond
 
10
O HOMEM QUE MATOU o FACÍNORA
(The Man Who Shot Liberty Valance, 1962)

direção de John Ford
elenco: James Stewart, Vera Miles, Lee Marvin,
Edmond O´Brien, Andy Devine, John Carradine,
Jeanette Nolan, Woody Strode e Lee Van Cleef
 

FONTES
JOHN WAYNE: a VIDA e a LENDA (2014)
John Wayne: The Life and Legend
de Scott Eyman
 
JOHN WAYNE – o HOMEM por TRÁS do MITO (2001)
John Wayne - The man behind the myth
de Michael Munn
 
O TITÃ AMERICANO:
PROCURANDO por JOHN WAYNE (2014)
American Titan: Searching for John Wayne
de Marc Eliot
 
“Não apareço em filmes que envergonhem o público. Podem levar a família para ver um dos meus filmes e nunca se sentirão envergonhados ou constrangidos”
JOHN WAYNE
 
GALERIA de FOTOS
  

RASTROS de ÓDIO
FAROESTE NESTE BLOG

maio 28, 2015

******************************* BEBENDO até CAIR

lee remick e jack lemmon em "vício maldito"

 
Do ponto de vista médico, o alcoolismo é uma doença crônica, com aspectos comportamentais vexatórios, caracterizada pelo consumo compulsivo de álcool. No Brasil, dez por cento da população sofre com o alcoolismo. Apesar dos altos índices de dependentes, ainda existe muita dúvida e preconceito em torno da questão, o que dificulta o tratamento. Muita gente enxerga o alcoolismo como fraqueza, e não como uma doença. Hollywood sempre teve uma queda por personagens alcoólatras, premiando-os muitas vezes com o Oscar. Talvez porque na vida real muitos dos seus astros enveredaram pela bebedeira, inclusive arruinando carreiras. Entre eles, John Gilbert, John Barrymore, W. C. Fields, Frances Farmer, Joan Crawford, Errol Flynn, Dana Andrews, Linda Darnell, Robert Taylor, Ava Gardner, Judy Garland, Humphrey Bogart, Lana Turner, John Huston, Rita Hayworth, William Holden, Elizabeth Taylor, Dean Martin, Frank Sinatra, Richard Burton, Spencer Tracy, Vivien Leigh, Marlon Brando e Al Pacino. Selecionei os melhores bêbados que o cinema já nos apresentou. Como sempre aviso, a lista é pessoal. Portanto, devido ao grande número de amantes cinematográficos do álcool, não há como listá-los todos. Espero que aprecie, sem qualquer moderação.

ALBERT FINNEY
Geoffrey Firmin em
À SOMBRA do VULCÃO
(Under the Volcano, 1984)
direção de John Huston

No México, um ex-cônsul britânico torna-se alcoólatra após separar-se da mulher e resolve permanecer morando no país com seu meio-irmão, o pivô da separação. Ele sempre aguarda a volta dela e, no Dia de Finados, ela retorna repentinamente, com a finalidade de reatar seu casamento. Entretanto, as marcas da separação eram maiores do que ela imaginava. Indicado ao Oscar de Melhor Ator.

ANN BLYTH
Helen Morgan em
COM LÁGRIMAS na VOZ
(The Helen Morgan Story, 1957)
direção de Michael Curtiz

Uma cantora parte de um sórdido começo até chegar à fama e à fortuna. Entretanto, perde tudo isso ao se entregar ao álcool e ao fazer escolhas pessoais ruins.

ANNE BAXTER
Sophie MacDonald em
O FIO da NAVALHA
(The Razor's Edge, 1946)
direção de Edmund Goulding

Um próspero morador de Chicago rompe seu noivado com uma socialite e viaja pelo mundo, procurando sua verdade espiritual. Durante uma passagem por Paris, reencontra-se com a ex-noiva, agora casada, e descobre que uma amiga de ambos tinha perdido o marido e sua criança em um trágico acidente e, por causa disso, vive com a ajuda de álcool e drogas. Ele tenta reabilitá-la, mas seus esforços são sabotados pela ex, enciumada. Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

BURT LANCASTER
Doc Delaney em
A CRUZ da MINHA VIDA
(Come Back, Little Sheba, 1952)
direção de Daniel Mann

Um conturbado casal, cujo marido é alcoólatra, sofre uma crise em seu casamento quando alugam um quarto para uma inquilina atraente e ele se apaixona por ela.

CLAIRE BLOOM
Naomi Shields em
A VIDA ÍNTIMAde QUATRO MULHERES
(The Chapman Report, 1962)
direção de George Cukor

Pesquisa de comportamento sexual, em uma comunidade suburbana, afeta a vida de quatro mulheres. Entre elas, uma ninfomaníaca alcoólatra.

ELIZABETH TAYLOR
Martha em
QUEM TEM MEDO de VIRGINIA WOOLF?
(Who's Afraid of Virginia Woolf?, 1966)
direção de Mike Nichols

Um professor universitário e sua esposa, ambos alcoólatras, recebem em casa um jovem professor e sua mulher. À medida que a noite avança, as confissões entre os quatro se tornam mais ácidas e a verdade se torna algo deprimente. Oscar de Melhor Atriz.

FRANK SINATRA
Dave Hirsh em
DEUS SABE QUANTO AMEI
(Some Came Running, 1958)
direção de Vincente Minneli

Escritor alcoólatra retorna para sua cidade natal com prostituta apaixonada por ele.

FREDRIC MARCH
Norman Maine em
NASCE uma ESTRELA
(A Star is Born, 1937)
direção de William A. Wellman

Uma artista deseja se tornar estrela do cinema. Seu sonho se torna realidade quando ela conhece um astro de Hollywood e os dois se apaixonam. Eles se casam, e a carreira dela começa a decolar. Só que enquanto sua fama aumenta, seu marido decai afundado no álcool. Indicado ao Oscar de Melhor Ator.

GERALDINE PAGE
Alexandra Del Lago em
DOCE PÁSSARO da JUVENTUDE
(Sweet Bird of Youth, 1962)
direção de Richard Brooks

Rapaz volta à sua cidade natal após muitos anos. Com ele, uma decadente e bêbada estrela de cinema. Enquanto tenta um teste de cinema, ele procura sua ex-namorada, a filha de um político conservador. Indicada ao Oscar de Melhor Atriz.

GREGORY PECK
F. Scott Fitzgerald em
O ÍDOLO de CRISTAL
(Beloved Infidel, 1959)
direção de Henry King

Famoso escritor, já no fim de sua vida e lutando contra o alcoolismo, escreve roteiros para os estúdios de Hollywood como forma de obter dinheiro para pagar a clínica para doentes mentais onde está internada sua esposa. Neste momento, entra em sua vida uma famosa colunista social que vem a ser apoio e inspiração do trágico autor em sua luta para terminar aquela que seria sua última obra.

JACK LEMMON
Joe Clay em
VÍCIO MALDITO
(Days of Wine and Roses, 1962) 
direção de Blake Edwards

Um publicitário, por causa da pressão profissional, exagera nas doses e, de quebra, ainda leva a esposa ao vício. Indicado ao Oscar de Melhor Ator.

JAMES CAGNEY
Lew Marsh em
DEGRADAÇÃO HUMANA
(Come Fill the Cup, 1951)
direção de Gordon Douglas

Jornalista se cura do alcoolismo e procura libertar do mesmo vício o sobrinho do dono do jornal em que trabalha, um playboy envolvido com gângsteres.

JAMES DUNN
Johnny Nolan em
LAÇOS HUMANOS
(A Tree Grows in Brooklyn, 1945)
direção de Elia Kazan

Uma família vive na pobreza em uma pequena casa do Brooklyn. O pai, um bêbado simpático, constrói castelos de areia que vão de encontro à determinação da esposa forte, prática e realista. Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

JAMES MASON
Norman Maine em
NASCE uma ESTRELA
(A Star is Born, 1954)
direção de George Cukor

Remake da versão de 1937. Uma jovem deseja se tornar famosa no cinema. Ao se casar com um astro, seu desejo se realiza. No entanto ele é um bêbado, complicando a carreira de ambos. Indicado ao Oscar de Melhor Ator.

JANE FONDA
Alex Sternbergen em
A MANHÃ SEGUINTE
(The Morning After, 1986)
direção de Sidney Lumet

Uma atriz esquecida pelo público, que tem problemas com alcoolismo, envolve-se num crime após ter dormido com um fotógrafo. Em meio à confusão, ela conhece um ex-policial que está disposto a ajudá-la. Indicada ao Oscar de Melhor Atriz.

JOAN FONTAINE
Jenny Carey em
NA VORAGEM do VÍCIO
(Something to Live For, 1952)
direção de George Stevens

Uma atriz lutadora, cuja insegurança e pavor do palco a levam à bebida, apaixona-se por um publicitário casado que se recupera do vício e é membro dos alcoólicos anônimos.

JOHN WAYNE
Rooster Cogburn em
BRAVURA INDÔMITA
(True Grit, 1969)
direção de Henry Hathaway

Garota contrata um xerife caolho e beberrão para que capture o assassino de seu pai. Ela exige ir junto à jornada, para ter certeza que a meta foi cumprida. Na perseguição, invadem território índio, tentando alcançar o criminoso. Oscar de Melhor Ator.

LANA TURNER
Georgia Lorrison em
ASSIM ESTAVA ESCRITO
(The Bad and the Beautiful, 1952)
direção de Vincente Minnelli

A ascensão e queda de um poderoso, ambicioso, manipulador e tirânico produtor de cinema a partir do que contam aqueles que conviveram com ele em Hollywood. Entre eles, uma estrela que superou o alcoolismo (excelente atuação de Lana).

LEE MARVIN
Shelleen-Strawn em
DÍVIDA de SANGUE
(Cat Ballou, 1965)
direção de Elliot Silverstein

Uma garota resolve lutar contra injustiças cometidas contra o pai, contando com a ajuda de um pistoleiro bêbado. Oscar de Melhor Ator.

LEE REMICK
Kirsten Arnesen Clay em
VÍCIO MALDITO
(Days of Wine and Roses, 1962)
direção de Blake Edwards

Um relações públicas de São Francisco é um bebedor social. Com o passar do tempo, ele leva sua esposa também para o alcoolismo, o que faz com que passem maus momentos. Indicada ao Oscar de Melhor Atriz.

MERYL STREEP
Helen Archer em
IRONWEED
(Idem, 1987)
direção de Hector Babenco

Esquizofrênico e ex-cantora desenvolvem uma relação. Alcoólatras, tentam se ajudar mutuamente e encarar os fantasmas do passado. Indicada ao Oscar de Melhor Atriz.

NICOLAS CAGE
Ben Sanderson em
DESPEDIDA em LAS VEGAS
(Leaving Las Vegas, 1995)
direção de Mike Figgis

Roteirista tem como objetivo na cabeça beber até morrer. Oscar de Melhor Ator.

PAUL NEWMAN
Frank Galvin em
O VEREDITO
(The Verdict, 1982)
direção de Sidney Lumet

Um advogado decadente e alcoólatra ganha a chance de redimir os seus erros ao defender o caso de uma mulher desamparada. Indicado ao Oscar de Melhor Ator.

RAY MILLAND
Don Birman em
FARRAPO HUMANO
(The Lost Weekend, 1945)
direção de Billy Wilder

Em Nova York, escritor não consegue seu objetivo profissional por estar sofrendo de um bloqueio. Assim, completamente dominado pelo álcool, passa a ter como única meta obter dinheiro para continuar se embriagando. Enquanto a namorada, editora de uma revista, tenta ajudá-lo, ele bebe cada vez mais. Oscar de Melhor Ator.

RICHARD BURTON
Rev. Dr. T. Lawrence em
A NOITE do IGUANA
(The Night of the Iguana, 1964)
direção de John Huston

Ex-pastor protestante, alcoólatra, com a fé abalada, ganha a vida conduzindo excursões pelo México. Numa delas, se envolve com uma das turistas numa pousada onde, junto com a dona do lugar, passa por situações que vão testar o seu limite.

ROBERT STACK
Kyle Hadley em
PALAVRAS ao VENTO
(Written on the Wind, 1956)
direção de Douglas Sirk

Playboy alcoólatra, herdeiro de uma grande companhia petrolífera, tem uma difícil relação com o pai. Indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

SHELLEY WINTERS
Rose-Ann D'Arcey em
QUANDO SÓ o CORAÇÃO 
(A Patch of Blue, 1965)
direção de Guy Green

Uma menina cega e branca, pouca escolarizada, faz amizade com um negro, que está determinado a ajudá-la a escapar de sua vida miserável, mas a mãe da garota, uma cruel e alcoólatra prostituta, faz de tudo para afastá-lo. Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

SUSAN HAYWARD
Lillian Roth em
EU CHORAREI AMANHÃ
(I'll Cry Tomorrow, 1955)
direção de Daniel Mann

Privada de uma infância normal por causa da ambição da mãe, garota segue seu próprio rumo e se torna estrela da Broadway. Pouco depois de seu casamento com uma antiga paixão, fica viúva e alcoólatra. Indicada ao Oscar de Melhor Atriz.

THOMAS MITCHELL
Doc Josiah Boone em
No TEMPO das DILIGENCIAS
(Stagecoach, 1939)
direção de John Ford

Nove pessoas em uma perigosa jornada numa carruagem através do Arizona, em território indígena. Entre eles, um médico bêbado. Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.