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outubro 25, 2025

*************** AVA GARDNER - FILMES e AMORES

 

 

O animal mais belo do mundo.
JEAN COCTEAU
(1889 – 1963. Maisons-Laffitte / França)
 
Sou uma mulher extremamente bonita
em qualquer idade.
AVA GARDNER
 
apelido: Snowdrop e Angel
altura: 1,68 m
cabelos: negros
olhos: verdes
Algumas estrelas ficaram na história privada de Hollywood como devoradoras de homens. Entre elas, Clara Bow e Louise Brooks, ainda no cinema mudo; Joan Crawford, Vivien Leigh, Lana Turner, Marilyn Monroe, Grace Kelly, Natalie Wood, Jayne Mansfield e Ava Gardner. Suas vidas amorosas estamparam manchetes de jornais e colunas de fofocas, colecionando escândalos mundo afora. A deslumbrante AVA GARDNER (1922- 1990. Grabton, Carolina do Norte / EUA) foi uma espécie de Warren Beatty (grande conquistador até se casar com Annette Bening) de saias. Na sua lista amorosa, sem contar os maridos oficiais – Mickey Rooney, Artie Shaw e Frank Sinatra -, constam o bilionário Howard Hughes, o presidente John F. Kennedy, o ditador Fidel Castro, o cineasta John Huston, o toureiro Luiz Miguel Dominguin e os atores Robert Mitchum, Robert Taylor, George Raft, David Niven e Steve McQueen, numa intimidade tema de inúmeros livros e documentários. Em sua passagem pelo Brasil, em 1954, assediou o cantor Carlos Augusto, da Rádio Nacional, famoso na época. Só que ele era gay.

Disposta a tudo pelos homens que desejava, ela eventualmente enfrentou rivais. Em 1958, uma notória saída noturna em Roma, em amores com Anthony Franciosa, casado então com Shelley Winters, terminou em uma batalha feminina. A esposa do ator não gostou nem um pouco da infidelidade e as duas se esbofetearam publicamente em um hotel. O ator George C. Scott também frequentou seus lençóis durante as filmagens de
“A Bíblia / The Bible in the Beginning...” (1966). Protagonizavam uma relação não exatamente pacífica, costumando resultar em tapas violentos. Antes de ser severamente espancada por ele, ela declarou: “A gente se ama. Ele me bate porque me ama”. Ela bebia vorazmente uísque, conhaque, tequila e o que mais aparecesse. Independente e impetuosa, seus tórridos romances alimentaram o mito de mulher fatal. Em 1955, no auge do sucesso, mudou-se para a Espanha, tornando-se musa de festas intermináveis e de toureiros. O interesse surgiu antes, em 1950, ao filmar “Pandora / Pandora and the Flying Dutchman” (1951), de Albert Lewin, em Tossa de Mar, na Catalunha.

A atriz se encantou com a vida noturna espanhola, a cultura romântica e os sensuais toureiros, estabelecendo uma sincera e duradoura identificação com o país. No bonito filme de Albert Lewin, Pandora destrói tudo e todos a seu redor, até que surge em sua vida o Holandês Voador, personagem enigmático que James Mason dota de aura mística. Na tumultuada visita ao Brasil, no lançamento do icônico “A Condessa Descalça” (1954), foi manchete mundial. Bêbada, em um acesso de fúria, quebrou a mobília e jogou objetos de decoração pela janela do então luxuoso Hotel Glória. Por onde passou, o alcoolismo e as aventuras sexuais deixaram um rastro de excessos. A bebida e o cigarro foram sempre companheiros fiéis. Dizia que morreria com um cigarro na mão e um uísque na outra. Envolveu-se com o toureiro Mario Cabré, que arriscou a vida por ela nas arenas. Em 1953, rodando na África “Mogambo” – sua única indicação ao Oscar – descobriu estar grávida de Frank Sinatra. Ao abortar em Londres, uma escala em Madri a levou aos braços de Dominguín, outro famoso toureiro.

Filmando na Itália
“A Condessa Descalça”, aprofundou sua relação com Dominguín através de maratonas de sexo. Ao comprar um casarão em La Moraleja, em Madri, estabeleceu um quartel general para festas que duravam um final de semana e incluíam corridas de touros e apresentações de flamenco. Representado o que os ainda provincianos espanhóis censuravam – uma mulher sozinha, sem religião e, além disso, atriz -, passou a ser tratada como uma ameaça para as famílias respeitáveis, sendo vetada em lugares como o Hotel Ritz. Parceira de Ernest Hemingway na farra espanhola (ela protagonizou três adaptações de sua literatura, “Os Assassinos”, “As Neves de Kilimanjaro” e “E Agora Brilha o Sol”), em 1959 visitou Cuba, hospedando-se na casa do escritor, onde se banhava na piscina totalmente nua. Ao conhecer o ditador Fidel Castro no Havana Hilton, se deu muito bem. Castro a tratou com extravagante galanteria e a levou para um passeio em sua moradia. Sentaram-se na varanda com vista para a cidade, beberam Cuba Libre, conversaram sobre a revolução e foram para a cama.

Sempre com a amante e tradutora do ditador de Cuba, Marita Lorenz, em alerta máximo, a atriz começou a cortejar Castro, e as duas mulheres tiveram um confronto violento no saguão do Hilton. Ébria, acusou Lorenz, a quem chamava de
“vadiazinha”, de esconder seu chefe. Então a seguiu até um elevador e lhe deu um tapa no rosto. Um guarda-costas sacou uma arma e a partir daí Castro decidiu se livrar da sedutora turbulenta arranjando um amante bonitão para AVA GARDNER, que a satisfazia em uma suíte no Hotel Nacional, como cortesia de Cuba. Em 1961, aos 39 anos, depois do suicídio do amigo “Papa”, Nobel de literatura, do fracasso da produção “La Maja Desnuda / The Naked Maja” (1958) e de um acidente que deixou incômodas sequelas, a formosa estrela findou a escandalosa e apaixonada relação com a Espanha, mudando-se para o Reino Unido. Por lá ficou até morrer em 1990. Sempre irreverente e atrevida, era, nas palavras de seu segundo marido, Artie Shaw, “a criatura mais linda que já vi”. Ela também era, de acordo com sua colega britânica Deborah Kerr, “engraçada, afetuosa e humana”.

De espírito aventureiro, teve uma existência repleta de luxúria, amores e travessuras noturnas. Nasceu na Carolina do Norte, em uma fazenda de tabaco, filha de agricultores humildes. Aos 18 anos, uma foto sua colocada na vitrine do estúdio fotográfico do seu cunhado, em Nova York, chamou a atenção de um caça talentos da Metro-Goldwyn-Mayer, que a contratou por sua estonteante beleza. Em 1946, emprestada à Universal Pictures, estrelou o clássico policial noir “Os Assassinos” e sua carreira começou a brilhar. Em “Mogambo”, contracenou com Clark Gable e Grace Kelly, tornando-se uma das poderosas estrelas de sua geração. Participou de mais de 40 filmes, passando seus últimos anos reclusa em um apartamento em Londres com a governanta de longa data, Carmen Vargas, e o amado cão Welsh Corgi, Morgan. Dois derrames em 1986 a deixaram parcialmente paralisada. “Estou tão cansada”, disse pouco antes de morrer de pneumonia aos 67 anos. Vargas levou seu corpo para a Carolina do Norte, em um enterro privado. Nenhum de seus ex-maridos compareceram, mas o seu grande amor Frank Sinatra chorou por horas por não estar naquele momento com ela.

PRIMEIRO CASAMENTO: MICKEY ROONEY
(1942 - 1943)

Contratada pela Metro-Goldwyn-Mayer, onde ficaria até 1958, em seu segundo dia em Hollywood ela foi levada para conhecer os estúdios onde trabalharia. Num deles, o astro Mickey Rooney filmava a comédia “Calouros na Broadway / Babes on Broadway” (1941), vestido como Carmen Miranda. Ao vê-la, correu em sua direção com saltos altos. “Tudo em mim parou”, ele escreveria em suas memórias, “Meu coração. Minha respiração. Meu pensamento.” Ao se apresentar, ela se sentiu lisonjeada. Era o astro de maior bilheteria da meca do cinema desde 1939.  Depois de se fazer de difícil por um tempo, AVA GARDNER aceitou um encontro com o ator carismático e persistente. Cinco meses depois eles se casaram com o apoio do produtor Louis B. Mayer em uma cerimônia discreta e sem publicidade, na pequena igreja branca em Ballard, Califórnia, em 10 de janeiro de 1942. Ela usou um tailleur azul, com um buquê de orquídeas Cattaleya em vez de um típico vestido de noiva. Os únicos convidados presentes no casamento foram a irmã de Ava, Bappie, os pais de Mickey e Les Petersen, o assessor pessoal do astro.

Passaram a lua de mel no Del Monte Hotel, perto de Carmel, na Península de Monterey. Logo após, ela o acompanhou em uma turnê de guerra que incluiu paradas em Boston, Nova York, Fort Bragg e Washington DC. A nova Sra. Mickey Rooney ainda estava nos estágios iniciais de sua carreira, então era ele a estrela em todos os lugares que iam.  AVA GARD
NER tinha apenas 19 anos quando se casou com Mickey Rooney, de 21, e o casamento rapidamente fracassou e começou a ruir. Mesmo apaixonado pela esposa, ele parecia se esquecer que era casado, e tinha diversos casos com outras mulheres. Ela não suportou por muito tempo as constantes infidelidades do marido e, depois de pouco mais de um ano, pediu o divórcio, que foi oficializado em 21 de maio de 1943.

SEGUNDO CASAMENTO: ARTIE SHAW
(1945 - 1946)
Pouco tempos depois, conheceu o músico de jazz Artie Shaw, acreditando ser o amor de sua vida. O artista era culto e podia falar de qualquer coisa com profundo conhecimento, encantando a amada por essa característica. No entanto, ele resolveu transformá-la numa erudita. Se ela não acompanhasse seus assuntos, a humilhava em frente a seus amigos. Assim, a relação não tardou a ter problemas. Ao conhecê-lo, ele havia acabado de retornar da Segunda Guerra Mundial e era um músico popular. Ela depois escreveria em sua autobiografia, “Ava: Minha História”: “Meu Deus, que homem lindo! Artie era bonito, bronzeado, muito seguro de si e não parava de falar. Era tão caloroso e charmoso que me apaixonei por ele. Foi o primeiro intelectual que conheci, e ele me conquistou.” Os dois namoraram por vários meses, antes dela se mudar para a casa dele em Beverly Hills, no verão de 1944. Na época, AVA GARDNER ainda fazia pequenos papéis e tinha tempo para viajar com ele e sua banda pelo país. Aos 22 anos, e ele, aos 35, casaram-se em 17 de outubro de 1945 na mansão em Beverly Hills, na Bedford Drive.

O quinto casamento dele. Em outro casamento modesto, ela usou um terninho azul com um buquê de orquídeas. Passaram a lua de mel no Lago Tahoe por uma semana. Embora brigassem muito, também tinham muito romance. Ele a incentivou a ler e aprender sobre temas que iam da literatura ao xadrez. Para agradá-lo, ela matriculou-se em cursos na UCLA e estudava durante o tempo livre. No fim das contas, o desejo dele de transformá-la em uma intelectual azedou o romance. Ele tentou despertar nela um interesse duradouro por literatura, arte, música clássica, filosofia e política. Ela ficou magoada e se mudou de casa. Então se divorciaram no México e ele logo se casou com sua sexta esposa, a escritora Kathleen Winsor. Eles ficaram casados por um ano. Segundo ela,
“Artie foi uma das dores mais profundas da minha vida. Eu estava apaixonada, eu o venerava, e acho que ele nunca entendeu o dano que causou ao me menosprezar... Mesmo assim, permanecemos próximos. Ele me ensinou a estudar, a pensar, a ler... É impossível conviver com ele, mas é um homem extraordinário.”

TERCEIRO CASAMENTO: FRANK SINATRA
(1951 - 1957)

A lendária história de amor de AVA GARDNER e Frank Sinatra começou no outono de 1949. Casado e bêbado, ele a convenceu, igualmente embriagada, a deixar uma festa em Palm Springs oferecida pelo chefe do estúdio, Darryl F. Zanuck. Eles encheram a cara noite adentro, até chegarem à pacata cidade de Indio. Depois de alguns amassos, ele sacou uma arma e atirou em postes de luz. Excitada, ela juntou-se a ele e atirou na vitrine de uma loja de ferragens. Terminaram em uma delegacia, que depois seria subornada pelo estúdio. Ambos se apaixonaram perdidamente um pelo outro, em um relacionamento intenso, com brigas públicas e privadas. O que começou com uma aventura extraconjugal, tornou-se um escândalo que as revistas de mexericos estampavam nas manchetes. Quando Frank e Nancy Sinatra iniciaram um longo processo de divórcio, AVA GARDNER foi acusada de “destruidora de lares”, recebendo ameaças do público enfurecido. Finalmente livres em outubro de 1951, não perderam tempo e se casaram em 7 de novembro de 1951 na Filadélfia, Pensilvânia. 

Ela tinha 28 anos e ele, 35. No seu terceiro e último casamento, ela usou um vestido lilás, um colar duplo de pérolas, brincos de pérola e diamantes, e um buquê natural de camélias e cravos em miniatura. Após a cerimônia, partiram para a lua de mel em Miami, procurando escapar dos fotógrafos. Sinatra sempre dizia que a única coisa que importava era sua música, mas quando encontrou AVA GARDNER, ela passou a ser o que ele precisava. Parecia o começo de um conto de fadas, mas logo, a relação começou a deteriorar. Na mira da imprensa internacional, foi um casamento marcado por brigas lendárias, bebedeiras, separações, tapas, drogas, infidelidades, três tentativas de suicídio dele e dois abortos – ela afirmava não querer trazer uma criança para um lar tão selvagem. Tiveram um romance turbulento e apaixonado, com muitos altos e baixos. Eram tensos, possessivos, ciumentos e propensos a explosões temperamentais. A pressão aumentou ainda por Frank Sinatra estar no ponto mais baixo de sua carreira. Ela emprestava dinheiro para ele, que estava falido, pagava até suas passagens aéreas.

Tudo mudou economicamente depois que ele ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por sua atuação no premiado drama de guerra 
“A Um Passo da Eternidade / From Here to Eternity” (1953), de Fred Zinnemann.  Com o casamento em ruínas, eles decidiram se separar em 1953, embora o divórcio só fosse oficializado em 1957. Mesmo após a separação, os dois permaneceram amigos próximos pelo resto da vida. Ela o considerava o maior amor de sua vida. Ele lhe enviava um enorme buquê de flores todos os anos em seu aniversário e ficava de olho para que nada faltasse a sua amada.
10 FILMES de AVA
(por ordem de preferência)

01
A CONDESSA DESCALÇA
(The Barefoot Contessa, 1954)

direção de Joseph L. Mankiewicz
elenco: Humphrey Bogart, Edmond O'Brien,
Valentina Cortese e Rossano Brazzi

02
Os ASSASSINOS
(The Killers, 1946)

direção de Robert Siodmak
elenco: Burt Lancaster, Edmond O'Brien e Albert Dekker

03
A NOITE de IGUANA
(The Night of the Iguana, 1964)

direção de John Huston
elenco: Richard Burton, Deborah Kerr e Sue Lyon

04
MOGAMBO
(Idem, 1953)

direção de John Ford
elenco: Clark Gable e Grace Kelly

05
SETE DIAS de MAIO
(Seven Days in May, 1964)

direção de John Frankenheimer
elenco: Burt Lancaster, Kirk Douglas, Fredric March,
Edmond O'Brien, Martin Balsam e George Macready

06
E AGORA BRILHA o SOL
(The Sun Also Rises, 1957)

direção de Henry King
elenco: Tyrone Power, Mel Ferrer, Errol Flynn,
Eddie Albert, Gregory Ratoff, Juliette Gréco
e Marcel Dalio

07
AS NEVES de KILIMANJARO
(The Snows of Kilimanjaro, 1952)

direção de Henry King
elenco: Gregory Peck, Susan Hayward, Hildegard Knef
e Marcel Dalio

08
A ENCRUZILHADA dos DESTINOS
(Bhowani Junction, 1956)

direção de George Cukor
elenco: Stewart Granger e Bill Travers

09
55 DIAS em PEQUIM
(55 Days at Peking, 1963)

direção de Nicholas Ray
elenco: Charlton Heston, David Niven, Flora Robson,
John Ireland, Leo Genn, Robert Helpmann,
Paul Lukas, Massimo Serato e Jacques Sernas

10
O GRANDE PECADOR
(The Great Sinner, 1949)

direção de Robert Siodmak
elenco: Gregory Peck, Melvyn Douglas, Walter Huston,
Ethel Barrymore, Frank Morgan e Agnes Moorehead    
FONTES
“Ava Gardner: The Secret Conversations” (2016)
de Peter Evans
 
“Ava Gardner: Love is Nothing”
(1990)
de Lee Server
 
“Ava – Minha História”
(1991)
de Ava Gardner
 
“Ava's Men: The Private Life of Ava Gardner”
(1990)
de Jane Ellen Wayne
 
“Conversations with Ava Gardner”
(2014)
de Lawrence Grobel

 
GALERIA de FOTOS



março 06, 2016

************** NORMA SHEARER, RAINHA da MGM




Uma das raras atrizes do cinema mudo a continuar estrela também no sonoro. A Metro-Goldwyn-Mayer a promovia como “A Primeira Dama das Telas” ou “Rainha da M-G-M”no período áureo do estúdio que tinha como slogan “mais estrelas do que as que existem no céu”. Beleza de olhos azulados, esbanja charme no papel-título da extravagante superprodução “Maria Antonieta / Marie Antoinette” (1938). Foi o primeiro filme dela que vi e nunca mais a perdi de vista. Era uma das atrizes mais populares da Hollywood dos anos trinta. Diziam: na M-G-M, Greta Garbo faz a arte, NORMA SHEARER (1902 - 1983. Montreal / Canadá) ganha as produções mais caprichadas, Joan Crawford e Jean Harlow fazem o dinheiro para pagar o prestígio das duas primeiras. De origem escocesa, teve uma infância difícil. Viveu num humilde subúrbio depois da falência dos negócios paternos. Em 1920, mudou com a mãe e a irmã para Nova Iorque, conseguindo emprego como vendedora de pautas musicais num pequeno teatro. Sonhando em subir na vida, figurou em diversos filmes, entre eles, “Horizonte Sombrio / Way Down East” (1020), de D. W. Griffith, aparecendo na sequência em que, numa tempestade noturna, Lillian Gish é expulsa pelos puritanos. Durante as filmagens conheceu o diretor e ele garantiu que ela nunca iria se tornar uma estrela.

casamento com o poderoso 
thalberg
Com a ajuda do produtor Hal Roach, partiu para Hollywood em 1924. Um dia após sua chegada, encontrou casualmente Irving G. Thalberg, jovem produtor da M-G-M (então Companhia Mayer), conhecido como The Boy Wonder (O Menino Prodígio). Ela o confundiu com um office-boy, até vê-lo colocar os pés em cima de uma mesa. Ficaram encantados um pelo outro. Irving pelo carisma dela, ela pelo enorme poder dele. Imediatamente foi convidada para assinar contrato com Louis B. Mayer. O sucesso não foi instantâneo, cresceu a cada filme. Em 1927, com o êxito de “O Príncipe Estudante / The Student Prince in Old Heidelberg”, consagrou-se como estrela.

Ao se casar com o modesto e seguro de si Thalberg, em 1927, passou a escolher papéis e diretores. Muitos acreditavam que era uma oportunista, mas NORMA SHEARER trabalhou duro para provar seu talento. Conseguiu elogios ao estrelar o primeiro filme falado do estúdio, “O Julgamento de Mary Dugan / The Trial of Mary Dugan”. O sotaque canadense foi bem recebido. Aproveitou para deixar de lado personagens ingênuos, que fazia até então, criando uma imagem moderna, elegante e liberada.

oscar de melhor atriz 1930
Em 1930, ganhou o Oscar de Melhor Atriz por “A Divorciada / The Divorcee”, derrotando Greta Garbo e Gloria Swanson. A primeira de uma série de esposas obstinadas que iria interpretar ao longo da carreira. Neste, uma espécie de drama precursor do feminismo, ela procura se igualar à liberdade sexual do marido ao descobrir que ele a está enganando. Concorreu novamente ao Oscar ainda em 1930 por “Ébrios de Amor / Their Own Desire” e também em 1931 (“Uma Alma Livre / A Free Soul”), 1934 (“A Família Barrett / The Barretts of Wimpole Street), 1936 (“Romeu e Julieta / Romeo and Juliet”) e 1938 (“Maria Antonieta). Com o último foi a Melhor Atriz no Festival de Veneza.

Teve dois filhos com o franzino e de coração fraco Thalberg, vivendo com ele até sua morte precoce, em 1936, aos 37 anos, vitimado pela pneumonia. Na cripta foi gravado pela viúva: Meu querido, para sempre. Sua morte abalou a indústria cinematográfica. Com ele, encerrava-se uma era e Hollywood perdia mais que um gênio, perdia quem primeiro entendera o tênue equilíbrio entre arte e comércio, quem estabelecera a equação completa do cinema, quem desenvolveu um estilo administrativo eficiente e flexível, disciplinado sem ser desumano, extravagante mas não esbanjador. Thalberg moldara o estúdio e embora a M-G-M continuasse com invejável sucesso por décadas, nunca mais seria a mesma. F. Scott Fitzgerald o tomou como modelo para O Último Magnata / The Last Tycoon, seu romance inacabado.  

Inconformada com a morte de Thalberg, NORMA SHEARER tentou se aposentar, mas o contrato de trabalho não permitiu. Dois anos mais adiante, em 1938, envolveu-se num tórrido romance com o ator Mickey Rooney, um ídolo juvenil então com 18 anos. Louis B. Mayer conseguiu evitar o escândalo, e a história somente foi revelada na autobiografia de Mickey. David O. Selznick lhe ofereceu o papel de Scarlett O`Hara em “...E o Vento Levou / Gone with the Wind, e ela recusou para a glória de Vivien Leigh. “Não gosto de Scarlett. Muito melhor seria interpretar Rhett Butler”, disse para ele.

com o figurino de “romeu e Julieta”
Também não aceitou ser a protagonista do premiado drama “Rosa da Esperança / Mrs. Miniver” (1942), Oscar de Melhor Atriz para Greer Garson. Aos 40 anos, sentindo-se velha para papéis românticos e com o fracasso do seu último filme, a comédia “Idílio a Muque / Her Cardboard Lover” 1942), aposentou-se. Havia contracenado com grandes astros (John Gilbert, Lionel Barrymore, Lon Chaney, Robert Montgomery, Clark Gable, Fredric March, Leslie Howard, John Barrymore, Tyrone Power, Robert Taylor, Melvyn Douglas, George Sanders) e dirigida por cineastas célebres como Victor Sjostrom, Ernst Lubitsch, George Cukor, John M. Stahl, Clarence Brown e Edmund Goulding. 

Deixando de atuar, rica, ela continuou vivendo em Hollywood, onde descobriu e lançou a atriz Janet Leigh. Ao conhecer Martin Arrouge, um instrutor de esqui, 20 anos mais novo que ela, casou-se com ele em 1942. Formavam um par perfeito: ela queria continuar vivendo na intimidade como estrela e ele queria alguém para adorar. Permaneceram casados até a morte dela, em 1983, com ele enfrentando terríveis momentos. A família da atriz tinha um histórico de doença mental. Sua irmã Athole (casada com o cineasta Howard Hawks) passou a vida entrando e saindo de hospitais psiquiátricos, seus pais e o irmão Douglas tinham manias esquisitas.  O mesmo aconteceu com a atriz.

Com dois filhos, NORMA SHEARER não aceitava ser mãe, alegando não ter instinto maternal. Depressiva e alcoólatra, ela se tornou obcecada pela aparência e em idade avançada teve graves problemas de saúde, sucumbindo à deficiência visual e a demência, muitas vezes confundindo seu segundo marido, Martin, com Irving G. Thalberg. Faleceu aos 80 anos, depois de sofrer três derrames. O auge da sua carreira aconteceu entre 1930 e 1936, embora seja mais recordada por dois filmes posteriores, “Maria Antonieta” e “As Mulheres / The Women” (1939).

FONTE
“Norma: The Story of Norma Shearer” (1988)
de Lawrence J. Quirk
 
“The Filmes of Norma Shearer” (1977)
de Jack Jacobs e Myron Braum


  DEZ FILMES de NORMA SHEARER
(por ordem de preferência)

01
As MULHERES
direção de George Cukor
 elenco: Joan Crawford, Rosalind Russell 
e Joan Fontaine

02
ROMEU e JULIETA
direção de Geoge Cukor
  elenco: Leslie Howard, John Barrymore 
e Basil Rathbone

03
MARIA ANTONIETA
direção de W.S. Van Dyke
  elenco: Tyrone Power, John Barrymore 
e Anita Louise

04
Uma ALMA LIVRE
direção de Clarence Brown
  elenco: Leslie Howard, Lionel Barrymore 
e Clark Gable

05
O PRÍNCIPE ESTUDANTE
direção de Ernst Lubitsch
  elenco: Ramon Novarro e Jean Hersholt

06
ESTE MUNDO LOUCO
(Idiot's Delight, 1939)
direção de Clarence Brown
  elenco: Clark Gable, Charles Coburn 
e Burgess Meredith

07
IRONIA da SORTE
(He Who Gets Slapped, 1924)
direção de Victor Sjöström
  elenco: Lon Chaney e John Gilbert

08
VIDAS PARTICULARES
(Private Lives, 1931)
direção de Sidney Franklin
  elenco: Robert Montgmery

09
A DIVORCIADA
direção de Robert Z. Leonard
  elenco: Robert Montgomery, Chester Morris 
e Conrad Nagel

10
A FAMÍLIA BARRETT
direção de Sidney Franklin
  elenco: Fredric March e Charles Laughton

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