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maio 17, 2026

************ QUINZE FILMES sobre o HOLOCAUSTO

campo de concentração de auschwitz, na polônia
 


Aqueles que não recordam o passado,
estão condenados a repeti-lo.
GEORGE SANTAYANA
(1863 – 1952. Madrid / Espanha)
“A Vida da Razão” (1905)
 
Havia uma febre nesta terra. Uma febre de desgraça,
indignidade, fome. Tínhamos uma democracia, sim,
mas ela foi rasgada por elementos dentro dela mesma.
Sobretudo, havia medo.
Ernst Janning
(BURT LANCASTER)
em “Julgamento em Nuremberg” (1961)

 
 
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), enquanto a Alemanha nazista conquistava nações, os judeus eram privados dos seus direitos, forçados a viver em guetos, deportados a campos de concentração e assassinados. O Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), com uma rede de 42 mil campos de concentração, exterminou mais de seis milhões de judeus, o maior genocídio do século XX. Utilizava a sistemática da chacina étnica, que caçava quem fosse de origem ou religião diferente da europeia dominante. Há registros também da carnificina de ciganos, comunistas, homossexuais, deficientes físicos e outros perseguidos. A crueldade foi imensa quando se tratava do desejo de supremacia do ditador Adolf Hitler (1889 - 1945. Braunau am Inn / Áustria). Essa infâmia histórica inspirou diversos filmes que discutem o tema e ajudam a conscientizar sobre o assunto, além de não deixar cair no esquecimento. O cinema é uma poderosa ferramenta para preservar a memória e revelar os horrores da humanidade. De relatos biográficos a dramas humanos ficcionais, dezenas de longas traduziram em imagens o HOLOCAUSTO. Tornou-se parte da experiência cinematográfica de diversos países, inclusive do Brasil, que realizou “Olga”, em 2004. Eu tenho minha lista de preferidos, uma relação de quinze filmes que me ajudaram a entender o Shoah. Nessa seleção, envolvo a qualidade da obra, o meu gosto e a honestidade vigente. Confira como o cinema aborda essa questão sofrida.

01
NOITE e NEBLINA
(Nuit et Brouillard, 1955)

direção de Alain Resnais

 
Prix Jean Vigo de Melhor Curta-Metragem
 
02
ESTRELAS
(Sterne, 1959)

direção de Konrad Wolf
elenco: Sasha Krusharska, Jürgen Frohriep e Erik S. Klein

 
Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes
 
03
KAPÒ: uma HISTÓRIA do HOLOCAUSTO
(Kapò, 1960)

direção de Gillo Pontecorvo
elenco: Susan Strasberg, Laurent Terzieff, Emmanuelle Riva,
Didi Perego, Gianni Garko e Paola Pitagora

 
Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
 
04
JULGAMENTO em NUREMBERG
(Judgment at Nuremberg, 1961)

direção de Stanley Kramer
elenco: Spencer Tracy, Burt Lancaster, Richard Widmark,
Marlene Dietrich, Maximilian Schell, Judy Garland,
Montgomery Clift e William Shatner

 
Indicado ao Oscar de Melhor Filme
David di Donatello de Melhor Filme Estrangeiro
 
05
O HOMEM do PREGO
(The Pawnbroker, 1964)

direção de Sidney Lumet
elenco: Rod Steiger, Geraldine Fitzgerald e Juano Hernandez
 
06
HOLOCAUSTO
(Holocaust, 1978)

direção de Marvin J. Chomsky
elenco: Joseph Bottoms, Tovah Feldshuh, Rosemary Harris,
Michael Moriarty, Robert Stephens, Sam Wanamaker,
David Warner, James Woods, Meryl Streep,
Ian Holm e Marius Goring
 
07
A ESCOLHA de SOFIA
(Sophie's Choice, 1982)

direção de Alan J. Pakula
elenco: Meryl Streep, Kevin Kline e Peter MacNicol 
08
SHOAH
(Shoah, 1985)

direção de Claude Lanzmann

 
Melhor Documentário do Círculo dos Críticos
De Cinema de Nova Iorque
 
09
A LISTA de SCHINDLER
(Schindler's List, 1993)

direção de Steven Spielberg
elenco: Liam Neeson, Ben Kingsley, Ralph Fiennes,
Caroline Goodal, Embeth Davidtz e Andrzej Seweryn

 
Oscar de Melhor Filme
BAFTA de Melhor Filme
Globo de Ouro de Melhor Filme – Drama
Melhor Filme da Associação dos Críticos
de Cinema de Los Angeles
Melhor Filme do National Board of Review
 
10
BENT
(Bent, 1997)

direção de Sean Mathias
elenco:  Clive Owen, Mick Jagger, Nikolaj Coster-Waldau,
Jude Law, Ian McKellen, Lothaire Bluteau.
Rupert Graves, Paul Bettany e Rachel Weisz
 
11
AMÉM
(Amen., 2002)

direção de Costa-Gavras
elenco: Mathieu Kassovitz, Ulrich Tukur, Ulrich Mühe,
Michel Duchaussoy e Sebastian Koch
 
12
O PIANISTA
(The Pianist, 2002)

direção de Roman Polanski
elenco: Adrien Brody, Emilia Fox, Michal Zebrowski,
Ed Stoppard e Frank Finlay

 
Indicado ao Oscar de Melhor Filme
BAFTA de Melhor Filme
Palma de Ouro (Melhor Filme) no Festival de Cannes
César de Melhor Filme
David di Donatello de Melhor Filme Estrangeiro
Goya de Melhor Filme Europeu
 
13
Os FALSÁRIOS
(Die Fälscher, 2007)

direção de Stefan Ruzowitzky
elenco: Karl Markovics, August Diehl e Devid Striesow
 
Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
 
14
O FILHO de SAUL
(Saul Fia, 2015)

direção de László Nemes
elenco: Géza Röhrig, Levente Molnár e Urs Rechn

 
Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
BAFTA de Melhor Filme Estrangeiro
Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro
Melhor Filme Estrangeiro da Associação
dos Críticos de Cinema de Los Angeles
Melhor Filme Estrangeiro do National Board of Review
Melhor Filme Estrangeiro dos Críticos
de Cinema de Nova Iorque
 
15
ZONA de INTERESSE
(The Zone of Interest, 2023)


direção de Jonathan Glazer
elenco: Christian Friedel, Sandra Hüller e Johann Karthaus

 
Oscar de Melhor Filme Internacional
Indicado ao Oscar de Melhor Filme
BAFTA de Melhor Filme Estrangeiro
César de Melhor Filme Estrangeiro
Melhor Filme da Associação de Críticos
de Cinema de Los Angeles





julho 18, 2012

******** O CINEMA político ITALIANO (1960 - 1979)

gian-maria volonté


O CINEMA POLÍTICO teve na Itália o seu ápice, superando inclusive a Rússia dos anos 20 de Sergei Eisenstein e Vsevolod Pudovkin. Conheceu seu período áureo entre 1960 e 1979 e com empenho social e político denunciou as mazelas da sociedade de seu país, procurando ecoar pelo mundo os sonhos embutidos nos movimentos ideológicos daquelas décadas. Esse punhado de cineastas se empenhou em filtrar a realidade sob um ponto de vista extremamente ético. Sucessores do neo-realismo de Roberto Rossellini, Cesare Zavattini e Vittorio De Sica, movimento que trata dos temas sociais decorrentes da destruição provocada pela Segunda Guerra Mundial, eles passaram a buscar novas histórias e modos narrativos apropriados àquele início dos anos 1960, marcando profundamente, com suas obras, o panorama cultural da Itália. Embora iniciado no começo dos 60, o movimento adquire seu ápice com “Investigação de Um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita”, de Elio Petri, lançado em 1970.

a batalha de argel”
O CINEMA POLÍTICO ITALIANO está umbilicalmente ligado ao sentimento de vazio e desesperança nascido do pós-guerra. Mas seu discurso por vezes virulento e sua urgência narrativa são produto de um período de ebulição muito específico: as décadas de 60 e 70. Naquele momento, quando o legado fascista já havia sido soterrado, eram outras as urgências: casos escabrosos de corrupção generalizada e atentados terroristas.

Além do legado neo-realista, esses cineastas também foram fortemente influenciados pela linguagem do documentário e do jornalismo investigativo. Daí, em grande parte, a ausência de maiores arroubos estéticos. Ao contrário da Nouvelle Vague, que explodira pouco antes na França, o movimento italiano nunca se alicerçou na forma, até porque seus cineastas estavam mais preocupados em retratar sem filtros o que se descortinava à sua frente, fazendo filmes nos quais a política e a denúncia social se situaram como registro fílmico. De uma cinematografia que já se revelou como uma das maiores do mundo, com expoentes como Luchino Visconti, Michelangelo Antonioni e Pier Paolo Pasolini, depois do período fértil politizado,  o cinema italiano entrou em crise e nela persiste até hoje. Não resistiu às pressões do sistema hollywoodiano. Fervilhante de ideias e participação, o cinema tratado nesse post ficou na história.

bertolucci

Os DIRETORES e seus FILMES POLÍTICOS

BERNARDO BERTOLUCCI
(1940. Parma / Itália)

Aos 19 anos trabalhou com Pier Paolo Pasolini. Três anos depois, em 1964, obteve o primeiro sucesso como diretor. Consagrou-se em Hollywood com “O Último Imperador / The Last Emperor” (1987), ganhando nove Oscars.

Principais Filmes:

ANTES da REVOLUÇÃO
(Prima della Rivoluzione, 1964)
elenco: Adriana Asti e Francesco Barilli

O CONFORMISTA
(Il Conformista, 1970)
elenco: Jean-Louis Trintignant, Stefania Sandrelli, Dominique Sanda
e Pierre Clémenti
 
David di Donatello de Melhor Filme


1900
(Novecento, 1976)
elenco: Robert De Niro, Gérard Depardieu, Dominique Sanda,
Stefania Sandrelli, Donald Sutherland, Burt Lancaster
e Alida Valli

DAMIANO DAMIANI
(1922. Pasiano di Pordenone, Friuli-Venezia Giulia / Itália)

Começou como cenógrafo e roteirista. Teve um início promissor e uma fase ruim, mas nunca demonstrou grande talento.

Principais Filmes:

CONFISSÕES de um COMISSÁRIO de POLÍCIA
(Confessione di un Commissario di Polizia 
al Procuratore della Repubblica, 1971)
elenco: Franco Nero e Martin Balsam
 
Melhor Filme do Festival de Cinema de Moscou


SÓ RESTA ESQUECER
(L’Istruttoria è Chiusa: Dimentichi, 1971)
elenco: Franco Nero, Georges Wilson e Riccardo Cucciolla

EU ESTOU com MEDO
(Io Ho Paura, 1977)
elenco: Gian-Maria Volonté, Erland Josephson e Mario Adorf

ELIO PETRI
(1929 - 1982. Roma / Itália)

Um dos mais importantes diretores dos anos 70. Escreveu roteiros, dirigiu documentários e, por fim, foi consagrado pela crítica.

Principais Filmes:

CONDENADO PELA MÁFIA
(A Ciascuno Il Suo, 1967)
elenco: Gian-Maria Volonté, Irene Papas, Gabrielle Ferzetti
e Salvo Randone

INVESTIGAÇÃO de um CIDADÃO ACIMA 
de QUALQUER SUSPEITA 
(Indagine su Un Cittadino al di Sopra di Ogni Sospetto, 1970)
elenco: Gian-Maria Volonté, Florinda Bolkan e Salvo Randone
 
Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
David di Donatello de Melhor Filme
Melhor Filme Estrangeiro do Círculo de Críticos de Cinema de Kansas City


A CLASSE OPERÁRIA VAI ao PARAÍSO
(La Classe Operaia va in Paradiso, 1971)
elenco: Gian-Maria Volonté e Mariangela Melato
 
Palma de Ouro de Melhor Filme no Festival de Cannes
David di Donatello de Melhor Filme

ETTORE SCOLA
(1931. Trevico / Itália)

Entrou para a indústria cinematográfica como roteirista, aos 22 anos. Especializou-se como diretor de comédias, mostrando profundidade social e emocional.

Principais Filmes:

NÓS que nos AMÁVAMOS TANTO
(C'eravamo Tanto Amati, 1974)
elenco: Vittorio Gassman, Nino Manfredi e Stefania Sandrelli
 
César de Melhor Filme Estrangeiro
Melhor Filme no Festival de Cinema de Moscou


FEIOS, SUJOS e MALVADOS
(Brutti, Sporchi e Cattivi, 1976)
elenco: Nino Manfredi e Maria Luisa Santella
 
Melhor Diretor no Festival de Cannes

Um DIA MUITO ESPECIAL
(Una Giornata Particolare, 1977)
elenco: Sophia Loren e Marcello Mastroianni
 
César de Melhor Filme Estrangeiro
David di Donatello de Melhor Diretor
Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro

FRANCESCO ROSI
(1922. Nápole / Itália)

Assistente e colaborador em roteiros de diretores como Visconti e Antonioni, logo alcançou sucesso como diretor, explorando com talento a pobreza e a corrupção.

Principais Filmes:

O BANDIDO GIULIANO
(Salvatore Giuliano, 1962)
elenco: Salvo Randone e Frank Wolff
 
Urso de Prata de Melhor Diretor no Festival de Berlim

O CASO MATTEI
(Il Caso Mattei, 1972)
elenco: Gian-Maria Volonté
 
Palma de Ouro de Melhor Filme no Festival de Cannes


CADÁVERES ILUSTRES
(Cadaveri Eccellenti, 1976)
elenco: Lino Ventura, Alain Cuny, Renato Salvatori,
Fernando Rey, Max von Sydow e Charles Vanel
 
David di Donatello de Melhor Filme e Melhor Diretor

GILLO PONTECORVO
(1919 - 2006. Pisa / Itália)

Seus filmes foram proibidos no Regime Militar brasileiro. Dirigiu poucos longas, mas “A Batalha de Argel” é considerado uma obra-prima.

Principais Filmes:

A BATALHA de ARGEL
(La Battaglia di Algeri, 1966)
elenco: Brahim Hadjadj e Jean Martin
 
Leão de Ouro de Melhor Filme no Festival de Veneza

QUEIMADA
(Idem, 1969)
elenco: Marlon Brando, Evaristo Márquez e Renato Salvatori
 
David di Donatello de Melhor Diretor


OGRO
(Operación Ogro, 1979)
elenco: Gian-Maria Volonté, Angela Molina e Nicole Garcia
 
David di Donatello de Melhor Diretor

GIULIANO MONTALDO
(1930. Gênova / Itália)

Assistente de Pontecorvo, fez documentários, estreando no cinema com muito sucesso. No final dos anos 70 passou a dirigir principalmente para a tevê.

Principais Filmes:

DILEMA de um BRAVO
(Tiro al Piccione, 1962)
elenco: Jacques Charrier, Francisco Rabal e Eleonora Rossi-Drago

SACCO e VANZETTI
(Idem, 1971)
elenco: Gian-Maria Volonté e Riccardo Cucciolla

GIORDANO BRUNO
(Idem, 1973)
elenco: Gian-Maria Volonté, Charlotte Rampling e Mathieu Carrière


MARCO BELLOCCHIO
(1939. Piacenza / Itália)

Estreou no cinema com uma obra-prima. No final dos anos 70, problemas psicológicos marcaram uma nova e expressiva fase cinematográfica.

Principais Filmes:

De PUNHOS CERRADOS
(I Pugni in Tasca, 1975)
elenco: Lou Castel e Paola Pitagora


SBATTI il MONSTRO in PRIMA PAGINA
(1972)
elenco: Gian-Maria Volonté e Laura Betti

MARCIA TRIONFALE
(1976)
elenco: Michele Placido, Franco Nero, Miou-Miou
e Patrick Dewaere

PAOLO (1931. San Miniato / Itália)
e VITTORIO TAVIANI (1929. San Miniato / Itália)

Verdadeiros poetas visuais, brilham com dramas sociais de beleza austera.

Principais Filmes:

Os SUBVERSIVOS
(I Sovversivi, 1967)
elenco: Maria Cumoni Quasimodo e Lucio Dalla

ALLONSAFAN
(Idem, 1973)
elenco: Marcello Mastroianni, Lea Massari e Mimsy Farmer

PAI PATRÃO
(Padre Padrone, 1977) 
elenco: Omero Antonutti e Saverio Marconi
 
Palma de Ouro de Melhor Filme no Festival de Cannes


VITTORIO de SETA
(1923 - 2011. Palermo / Itália)

Seu primeiro filme foi louvado pela autenticidade, mas nunca alcançou o sucesso. É o mais desconhecido dos expoentes do cinema político italiano.

Principais Filmes:

BANDIDO em ORGOSOLO
(1961)
elenco: Michele Cossu


UN UOMO a METÀ
(1965)
elenco: Jacques Perrin, Lea Padovani e Gianni Garko

L’INVITATA
(1969)
elenco: Joanna Shimkus e Michel Piccoli

ATOR ÍCONE


GIAN-MARIA VOLONTÉ
(933 - 1994. Milão / Itália)

Principais Filmes:

INVESTIGAÇÃO de um CIDADÃO ACIMA 
de QUALQUER SUSPEITA 
(Indagine su un Cittadino al di Sopra di Ogni Sospetto, 1970)
direção de Elio Petri
 
David di Donatello de Melhor Ator

A CLASSE OPERÁRIA VAI ao PARAÍSO
(La Classe Operaia va in Paradiso, 1971)
direção de Elio Petri

O CASO MATTEI
(Il Caso Mattei, 1972)
direção de Francesco Rosi


SUGESTÃO de LEITURA

“Cinema Político Italiano – Anos 60 e 70, 
Entrevistas de Angela Prudenzi e Elisa Resegotti (2006)