CLAUDE BEYLIE
(1932 - 2001. Sarlat-la-Canéda / França)
Ele não era o virtuoso, o esteta ou o cineasta
FRANÇOIS TRUFFAUT
(1932 - 1984. Paris / França)
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| max ophuls |
O avanço das tropas nazistas levou-o à Suíça, mas a falta de autorização de trabalho (que só lhe seria concedida caso se declarasse desertor do exército francês, o que ele recusou) resultou no fim do seu projeto de filmar a comédia “Escola de Mulheres”, de Molière, com Louis Jouvet, e na sua expulsão do país. Antes, em Zurique, dirigiu com sucesso duas peças. Em seguida, em 1941, mudou para os Estados Unidos. Os primeiros anos em Hollywood foram difíceis. Ele vivia graças à ajuda dos amigos refugiados. Desempregado até 1946, aproveitou para escrever sua autobiografia. Preston Sturges, impressionado com “Uma História de Amor”, conseguiu que dirigisse “Vendetta / Idem” para a RKO Radio Pictures. Porém a filmagem foi conturbada pelas interferências do produtor Howard Hughes. Uma discordância causou a demissão do diretor e de Sturges. Mel Ferrer terminou assinando o filme inexpressivo. A oportunidade de MAX OPHÜLS sentar atrás das câmeras em Hollywood chegou com o auxílio do cineasta alemão Robert Siodmak, que sugeriu seu nome a Douglas Fairbanks. Jr. para “O Exilado” (1947), aventura histórica que o próprio astro produziu. Seguiram-se três outros filmes, todos com receitas medianas. Após “Na Teia do Destino”, seu último trabalho nos EUA, o produtor Walter Wanger decidiu confiar ao diretor a possibilidade de concretização de um dos seus sonhos mais desejados: a adaptação do famoso romance de Honoré de Balzac, “A Duquesa de Langeais”. Balzac era um dos escritores preferidos do cineasta e ele encarou o projeto com muito entusiasmo. A obra seria rodada em Paris, onde regressou em 1949, após nove anos de ausência. Greta Garbo e James Mason seriam os protagonistas. Infelizmente, a adaptação não se concretizou por falta de dinheiro.
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| max ophuls e joan fontaine |
“Max Ophüls nos Estúdios de Hollywood” (1996)
“O Prazer de Ver Max Ophüls” (1991)
(por ordem de preferência)
Baseado no romance de Louise de Vilmorin. Da frivolidade à tragédia amorosa, a trajetória de mulher superficial e, por fim, apaixonada, e suas relações com o marido e o amante. Clássico, oferece uma representação de amplo espectro de uma estrutura social. Começa como uma inteligente comédia, eleva-se às alturas de um romance, e resolve-se em tragédia. Um dos filmes que constituem a expressão mais alta do estilo do diretor. Combina os ingredientes típicos e interesses temáticos que ocuparam sua carreira, relacionando os sofisticados elementos cinematográficos numa complexa tensão dramática. Interpretação impecável do trio central, despontando Danielle Darrieux, que cria com inteligência uma personagem atraente e fútil.
02
(La Ronde, 1950)
Adaptação livre da peça de Arthur Schnitzler, composta de dez episódios entrelaçados por um narrador, que oferece uma visão satírica e, às vezes, amarga, da libertinagem. Construído sobre uma série de situações em torno de amantes cuja única ou principal relação é a sexual, foi o maior sucesso do diretor, largamente reprimido e até mesmo censurado em certos países, por sua apresentação do erotismo. Representou, à sua época, o compêndio do espirituoso, do sofisticado e do elegante. Com ele, MAX OPHÜLS voltou à sua pátria adotiva, a França. Depois de nove anos de exílio nos EUA, marcou a abertura da última e mais bela fase da errante carreira do diretor.
03
(Le Plaisir, 1952)
elenco: Claude Dauphin, Gaby Morlay, Madeleine Renaud, Danielle Darrieux, Pierre Brasseur, Jean Gabin, Jean Servais, Daniel Gélin, Simone Simon e Paulette Dubost
Baseado em contos de Guy de Maupassant, trata do prazer sensual através de refinadas relações e sutis reflexões em torno de episódios envolvendo um estranho mascarado, o comportamento inusitado de profissionais de um bordel e a modelo de um pintor. Segundo Jean-Luc Godard, “o mais ophulsiano dos filmes do diretor”.
04
(Idem, 1955)
elenco: Martine Carol, Peter Ustinov, Anton Walbrook, Lise Delamare, Paulette Dubost, Oskar Werner e Ivan Desny
A vida e amores de notória aventureira, cortesã e dançarina de cabaré, que acabou contratada por um circo para um espetáculo baseado em sua biografia. O filme trabalha o tema da aniquilação pessoal face aos cruéis e imorais artifícios da indústria do escândalo, sob a forma de uma condenação vigorosa do mundo decadente retratado de maneira luxuosa. Desde sua estreia, criou grande controvérsia. Depois de lançado em versão mutilada, criou-se uma aura ao seu redor. Com novas abordagens, tem o substrato fundamental para o desenvolvimento do cinema moderno. Em 1968 foi relançado numa versão integral de 140 minutos.
05
(Letter from an Unknown Woman, 1948)
elenco: Joan Fontaine, Louis Jourdan e Mady Christians
Comovente e melancólica história poeticamente fotografada por Franz Planer. Na Viena do começo do século XX, a narração em flashback a partir do drama de um pianista de concerto, transformado em playboy, que recebe carta de uma mulher morta relatando a breve relação entre eles. O filme arma o contraste entre a leitura (do homem), que desconhece os motivos e as intenções, e a consciência (da câmera e da mulher) que domina e manipula a ação. Um melodrama exemplar. Irrepreensível nos aspectos técnicos e perfeito do começo até o seu inesquecível final.
06
(Le Roman de Werther, 1938)
elenco: Pierre Richard-Willm, Annie Vernay e Jean Galland
Inspirado no clássico romance de Goethe, apresenta os sofrimentos de jovem, que, apaixonado por uma mulher comprometida, não consegue conter a idealização de seu amor, tornando-se obcecado pela ideia do suicídio. Um drama sensível e bem interpretado. Os aspectos mais marcantes são a cinematografia e a direção. Há um uso de iluminação muito interessante, com focos de luz chamando a atenção para partes específicas do cenário e as emoções dos personagens.
07
(The Exile, 1947)
elenco: Douglas Fairbanks Jr., Maria Montez, Henry Daniell e Nigel Bruce
Alegre fantasia sobre as aventuras do Rei Charles Stuart na Holanda. O diretor aproveita a oportunidade para mostrar a Hollywood o que ele sabia fazer com a câmera. A força do filme vem de suas composições, da intricada mise-en-scène, do movimento permanente e do carisma de Fairbanks Jr., que homenageia seu pai.
08
(The Reckless Moment, 1949)
elenco: James Mason, Joan Bennett, Geraldine Brooks e Shepperd Strudwick
Um drama como paródia crítica dos valores tradicionais da classe média. Último filme de MAX OPHÜLS nos EUA e, tal como “Coração Prisioneiro” (que o antecedeu) na sua gênese interveio o ator britânico James Mason, um dos maiores amigos do diretor. Produzido por Walter Wanger, marido de Joan Bennett e um dos mais cultos produtores de Hollywood, se situa num meio social abastado, com Bennett (magnificamente dirigida) chantageada por cafajeste que apaixona-se por ela.
09
(Caught, 1949)
elenco: James Mason, Barbara Bel Geddes, Robert Ryan e Curt Bois
Insatisfeita com seu marido sádico e milionário, garota vai trabalhar com um médico. Eles se apaixonam. Grávida, ela pede o divórcio, mas o marido exige em troca a custódia da criança. O filme fornece uma clara demonstração das possibilidades críticas inerentes ao melodrama. O diretor mostra-se inteiramente à vontade nas convenções do filme noir, dominante em Hollywood na época.
(Sans Lendemain, 1939)
elenco: Edwige Feuillère, Jorge Rigaud e Daniel Lecourtois
Artista de cabaré, com um pequeno filho, reencontra um antigo amor, mas está envolvida amorosamente com um rico mafioso. Ela se vê forçada a situações comprometedoras, até que surge uma saída desesperada. Pode ser visto como um ensaio para “Carta de Uma Desconhecida”. No elenco, brilha Edwige Feuillère.
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| “lola montèz” |





















