O maior ator francês de todos os tempos, JEAN GABIN (1904 - 1976. Paris / França) era filho de modestos cantores do campo. Rebelde e pouco dado a qualquer estudo ou ocupação, foi obrigado pelo pai a fazer teatro como último recurso. De 1923 a 1930 apareceu em numerosas revistas musicais, inclusive atuando ao lado da célebre Mistinguette. Com o nascimento do cinema falado, debutou na opereta “Chacun as Chance” (1930), fazendo seguidamente uma série de filmes sem importância. Em 1934, apadrinhado por Julien Duvivier, seu talento foi lapidado em “Marie Chapdelaine”, um belo filme pleno de sensibilidade e sutileza. Nunca mais a fama o abandonou. Com Duvivier – considerado por Gabin o seu “criador” – o ator faria “Gólgota / Golgotha” (1935), “A Bandera / La Bandera” (1936), “Camaradas / La Belle Équipe” (1936) e “O Demônio da Algélia / Pépé le Moko” (1937), um sucesso mundial e um dos melhores filme do diretor francês. Sob a direção do mestre Jean Renoir, interpretou “O Submundo / Les Bas-fonds” (1936), “A Grande Ilusão / La Grande Illusion” (1937) e uma das suas máximas interpretações, “A Besta Humana” (1938). Neste momento grandioso do Realismo Poético francês, filmou duas outras obras-primas, “Cais das Sombras / Le Quai des Brumes” (1938) e “Trágico Amanhecer / Le Jour se Lève” (1939), ambos de Marcel Carné. Quando os nazistas invadiram a França, JEAN GABIN partiu para Hollywood, onde fez “Brumas / Moontide” (1942), com Ida Lupino, e “O Impostor / The Impostor” (1943). Ainda em Hollywood, teve um ardente romance com a estrela Marlene Dietrich. Filmaram juntos, já na França, “Mulher Perversa / Martin Roumagnac” (1946), de Georges Lacombe, onde interpreta um empreiteiro que se enamora de uma aventureira.
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| jean gabin e simone simon em “a besta humana” |
Depois da Guerra, retornou ao seu país, disposto a reconquistar o seu público patrício. Filmou com René Clement, Carné, Max Ophuls, Renoir e Jacques Becker, incorporando uma grande variedade de personagens, entre eles o inspetor Maigret das populares novelas policiais de Georges Simenon. Seus filmes dos anos 1950 aos 1970 são dirigidos por artesãos competentes, tornando JEAN GABIN um dos fenômenos de bilheteria da França. O astro investia sua fortuna no campo, criando vacas e apoiando politicamente aos trabalhadores rurais. Ele dizia que não era ator, e sim camponês e pai de família. “O cinema é vento, ilusão, pompa, passa como uma nuvem. O que fica depois de uma filmagem? A glória! Eu não trabalho pensando na glória. Não me interessa. Trabalho pelo dinheiro, que não calculo em francos, mas em vacas para as minhas fazendas. O campo e os animais são a minha vida”, desabafou. Durante cinco décadas foi um grande astro. Honrado, firme, difícil, tinha um sentido de dever profissional que não permitia atrasos ou amadorismos. Dele, disse Jean Renoir: “É um verdadeiro ator de cinema, um Ator com um A maiúsculo. É uma força cinematográfica, é fantástico, é incrível. Tudo isso vem de uma profunda honestidade. É com certeza o homem mais honesto que encontrei em minha vida. Honestidade semelhante somente encontrei em Ingrid Bergman”. Morreu de um infarto fulminante. Seu corpo recebeu honras militares e as cinzas foram espalhadas no mar.



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marlene dietrich e jean gabin
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