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fevereiro 11, 2011

**************** SALA VIP: "CINZAS e DIAMANTES"

ewa krzyzewska e zbigniew cybulski 


CINZAS e DIAMANTES
(Popióli i diament, 1958)

País: Polônia
Duração: 103 mins.
Gênero: Guerra/Drama
P & B
Produção: Stanislaw Adler (Janus Films/Kadr)
Direção: Andrzej Wajda
Roteiro: Jerzy Andrzejewiski e Andrzej Wajda
Adaptação do livro de Jerzy Andrzejewiski
Fotografia: Jerzy Wójcik
Edição: Halina Nawrocka
Música: Filip Novak
Cenografia: Roman Mann (d.a.)
Vestuário: Katarzyna Choodorowicz
Elenco:
Zbigniew Cybulski (“Maciek Chelmicki”), Ewa Krzyzewska 
(“Krystyna”), Waclaw Zastrzezynski,
Adam Pawlikowski e Bogumil Kobiela

Nota: ***** (ótimo)

Prêmio: Prêmio Especial no Festival de Veneza
 
O AMOR é MAIS FORTE que a MORTE

O terceiro longa-metragem de Andrzej Wajda, e o último de sua “Trilogia da Guerra” - após “Geração / Pokolenie” (1955) e “Kanal / Idem” (1957) -, é de forte impacto. Traduzido literalmente para o português, o título resume perfeitamente o humanismo do cineasta. As cinzas se referem aos escombros da guerra, à destruição que está perto de acabar; os diamantes são as pessoas. Porque é isso que, no fim das contas, importa para o cineasta: as pessoas. O resto... são cinzas. A ação se concentra em um período de 24 horas, no último dia da Segunda Guerra Mundial, retratando um jovem da resistência polonesa encarregado de eliminar o secretário do partido comunista na capital do país, e deixando claro que, após o fim da ameaça nazista, os poloneses passaram a combater de imediato outra ameaça: o totalitarismo soviético. O problema é que, antes de cumprir a missão, ele conhece uma garçonete e se apaixona perdidamente. Isso muda tudo. De repente, o homem que nunca questionou ordens tem um objetivo pessoal, mais importante do que o desejo dos superiores. Além disso, ele passa a ter medo de morrer. À vontade, quase sempre de óculos escuros, um topete meio grande, jeans, Zbigniew Cybulski é o protagonista. Com jeitão de James Dean, fez muito sucesso, morrendo cedo, aos 40 anos, tragicamente como o próprio Dean. Considerado um dos mais importantes filmes de guerra, CINZAS e DIAMANTES denuncia a violência através da refinada fotografia de Jerzy Lipman. No entanto, a estrela são os diálogos. No passeio dos enamorados por uma cripta semi-arrasada pelos bombardeios, citam um poema e falam sobre a vida e o amor tendo em primeiro plano uma imagem de Jesus Cristo de cabeça para baixo. É um dos belos momentos da história do cinema.


novembro 10, 2010

********* SALA VIP: “O JARDIM dos FINZI CONTINI”

dominique sanda e lino capolicchio
 
 
O JARDIM dos FINZI CONTINI
(Il Giardino dei Finzi Contini, 1970)

País: Itália e Alemanha
Duração: 94 mins.

Gênero: Drama
Cor
Produção: Gianni Hecht Lucari e Arthur Cohn
(Documento Film / CC-Filmkunst)
Direção: Vittorio De Sica
Roteiro: Ugo Pirro e Vittorio Bonicelli
Adaptação do romance de Giorgio Bassani
Fotografia: Ennio Guarnieri
Edição: Adriana Novelli
Música: Manuel De Sica
Cenografia: Giancarlo Bartolini Salimbeni (d.a.);
Franco D’Andria (déc.)
Vestuário: Antonio Randaccio
Elenco:
Lino Capolicchio (“Giorgio”)
Dominique Sanda (“Micòl Finzi Contini”) 
Fabio Testi (“Bruno Malnate”)
Romolo Valli (“Giorgio pai”), 
Helmut Berger (“Alberto”)
Camillo Cesarei
Inna Alexeieff
Katina Morisani
 e Barbara Leonard Pilavin

Nota: **** (muito bom)

Prêmios:
Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
Urso de Ouro (Melhor Diretor) no Festival de Berlin
David di Donatello de Melhor Filme
Melhor Diretor Estrangeiro do Círculo dos Críticos 
de Cinema de Kansas City

AMOR em TEMPO de GUERRA

Adaptação de um tocante romance homônimo de Giorgio Bassani, situado na Segunda Guerra Mundial, segue os avatares de uma rica família judia italiana, na região de Ferrara, em plena opressão fascista. Neste ambiente bélico se situa o mundo irreal de uma classe privilegiada que continua com suas ocupações habituais e enlaces amorosos românticos, como se nada estivesse acontecendo de perverso. Embora bem realizado, lembrando muitas vezes Visconti e Bolognini, está longe dos melhores trabalhos de seu diretor, Vittorio De Sica. Com um emocionante e previsível desfecho trágico (todos os judeus ricos e pobres sofrem o mesmo destino) e intensas interpretações de todo o elenco, desde o Giorgio de Lino Capolicchio a Micol de Dominique Sanda (esplêndida, seu rosto na última sequência nos faz ver tudo o que seu personagem perdeu), Helmut Berger como o irmão tísico de Sanda e Romolo Valli, como o pai judeu e fascista de Capolicchio que vê como todas as suas idéias políticas estavam equivocadas. Destaque para a poética fotografia de Ennio Guarnieri, os falshbacks da juventude dos protagonistas burgueses e a sugerida homossexualidade do Alberto de Berger e seu amor pelo amigo mulherengo interpretado por Fabio Testi. Não é um filme fácil, os personagens demonstram mais os sentimentos pelos olhares e muito pouco pelos diálogos. Esses desejos não são resolvidos: ninguém é amado pela pessoa desejada. Bastante premiado e hoje esquecido, vale também pelo pungente alerta às pessoas que não ousam confessar o amor que sentem e terminam sendo atropoledas pelo destino.