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janeiro 27, 2026

********** MELODRAMA – o CINEMA de LÁGRIMAS

rock hudson e jane wyman em tudo o que o céu permite
 

Eu nunca vou te deixar ir.
Nunca, nunca, nunca.

ELLEN BERENT HARLAND (Gene Tierney)
em “Amar Foi a Minha Ruína”


Por muito tempo menosprezado como um gênero vulgar, destinado ao público feminino que frequentava os cinemas à tarde, enquanto os maridos trabalhavam, para fugir da realidade, sonhar (e chorar) um pouco, o MELODRAMA acabou se generalizando como símbolo de certo tipo de filme que procura efeitos de forte apelo emocional, envolvendo o público em uma teia de sentimentos excessivos e centrando-se numa vítima do destino. Histórias dramáticas, infelizes, marcadas por reviravoltas por vezes inverossímeis, sempre sob o compasso de trilhas sonoras feitas para tocar o coração, esses longas não eram levados a sério – salvo por suas fiéis espectadoras. Ambientados quase sempre em questões familiares e sociais no contexto de um lar privado, na luta de um personagem e suas escolhas. Por exemplo, um homem casado tentado a abandonar esposa dedicada e filhos por uma interesseira bela e sedutora. Figuras típicas incluem também a prostituta, a mãe solteira, o alcoólatra, a filha ingrata ou a solteirona, sempre com desafios externos.

Meu interesse pelo tema começou ao ver clássicos de Hollywood na tevê, aprofundando-me quando conheci, no Rio de Janeiro, o escritor argentino Manuel Puig, o autor de
“O Beijo da Mulher Aranha”. Ele era um aficionado do MELODRAMA e trabalhava elementos do gênero em sua literatura. Juntos, vimos e discutimos muitos filmes, entre eles “Carta de Uma Desconhecida / Letter from an Unknown Woman” (1948), de Max Ophuls. O termo foi usado pela primeira vez em 1782 e veio da palavra francesa mélodrame, que por sua vez foi derivada do grego μέλος (canção ou música) e do francês drame (drama). Nos estudos e na crítica cinematográfica, pode ser usado para se referir a diversos estilos de filmes, desde que se caracterizem pela sua ênfase em emoções e situações intensas. Muitos tratam do abandono, da figura materna, do amor impossível, da doença terminal, da chantagem ou da obsessão amorosa. Certos MELODRAMAS, conhecidos como “filmes para chorar”, são adaptações de romances românticos ou históricos.
Além das questões extremas, há moralismo, maniqueísmo e reviravoltas que comovem o público. Alguns cineastas se tornaram especialistas nesse tipo de drama, dando oportunidade a excelentes atuações de atrizes como Irene Dunne, Bette Davis, Barbara Stanwyck, Joan Crawford, Susan Hayward, Ida Lupino, Eleanor Parker, Lana Turner ou Jane Wyman, entre outras. Competentes, talentosos, injustamente esquecidos e ignorados pelos críticos, muitas de suas fitas são magistrais. Como esquecer, por exemplo, o fabuloso MELODRAMA “Amar Foi a Minha Ruína”, de John M. Stahl, que deu a estrela Gene Tierney o seu melhor papel? Além das vastas emoções esparramadas pelas tramas arrebatadas, feitas sob encomenda para emocionar, havia sutilmente contundentes comentários sobre a condição da mulher, o patriarcalismo, a distinção entre classes e o racismo, entre outras mazelas varridas para baixo dos tapetes das confortáveis residências da classe média privilegiada do pré e do pós-II Guerra Mundial.

Nos anos 1960 e 1970, cinéfilos e pesquisadores de cinema, na esteira do movimento crítico iniciado pela revista francesa
“Cahiers du Cinéma”, começaram a olhar para esses filmes como retratos críticos da sociedade de seu tempo. A partir daí, alguns dos antigos diretores passaram a influenciar diversos cineastas modernos. Na década de 1970, o alemão Rainer Werner Fassbinder, encantado com Douglas Sirk, contribuiu para o gênero. Pedro Almodóvar e Todd Haynes também se inspiraram no melodramático. Pois é, assunto tratado, vamos aos meus diretores de MELODRAMA favoritos.
DEZ MESTRES do MELODRAMA

01
CLARENCE BROWN
(1890 – 1987. Clinton, Massachusetts / EUA)

Conhecido por MELODRAMAS refinados na Metro-Goldwyn-Mayer, onde se tornou um dos principais cineastas, dirigindo mais de 50 filmes, frequentemente dirigiu Greta Garbo (sete vezes) e Joan Crawford (seis vezes), acumulando 6 indicações ao Oscar de Melhor Diretor. Ganhou o prêmio BAFTA por “O Mundo não Perdoa / Intruder in the Dust” (1949), uma denúncia contra o racismo. Conhecido por seu estilo visual elegante e habilidade em extrair grandes atuações de suas estrelas, consolidou-se como um dos diretores mais prestigiados nas décadas de 1930 e 1940. Seu último filme, de 1952, “O Veleiro da Aventura / Plymouth Adventure”, tem no elenco Spencer Tracy e Gene Tierney.

Cinco Melodramas:
ANNA CHRISTIE
(Idem, 1930)
Elenco: Greta Garbo, Charles Bickford e Marie Dressler

Uma ALMA LIVRE
(A Free Soul, 1931)
Elenco: Norma Shearer, Leslie Howard, Lionel Barrymore,
Clark Gable e James Gleason

REDIMIDA
(Letty Lynton, 1932)

Elenco: Joan Crawford, Robert Montgomery, Nils Asther
e Lewis Stone

ACORRENTADA
(Chained, 1934)
Elenco: Joan Crawford, Clark Gable, Otto Kruger,
Una O'Connor, Akim Tamiroff e Ward Bond

ANNA KARENINA
(Idem, 1935)
Elenco: Greta Garbo, Fredric March, Freddie Bartholomew,
Maureen O'Sullivan, May Robson e Basil Rathbone


02
CURTIS BERNHARDT
(1899 – 1981. Worms, Grand Duchy of Hesse / Alemanha)

Sua carreira atravessou décadas e continentes, fugindo da perseguição nazista para se tornar um diretor de destaque na Warner Bros. e Metro-Goldwyn-Mayer. Iniciou a trajetória artística como ator de teatro, antes de se tornar diretor de cinema em 1926. Rodou doze filmes na Alemanha, mas foi forçado a escapar para a França em 1933, onde produziu e dirigiu filmes, após ser preso pela Gestapo devido à sua herança judaica. Chegou a Hollywood em 1940 e rapidamente assinou contratos com poderosos estúdios. Destacou-se conduzindo magníficas atrizes em filmes dramáticos e trazendo um toque do expressionismo alemão e do realismo europeu para as produções dos EUA.

Cinco Melodramas:
Uma VIDA ROUBADA
(A Stolen Life, 1946)
Elenco: Bette Davis, Glenn Ford, Dane Clark,
Walter Brennan, Charles Ruggles e Bruce Bennett

FOGUEIRA de PAIXÃO
(Possessed, 1947)
Elenco:  Joan Crawford, Van Heflin, Raymond Massey
e Geraldine Brooks

AINDA HÁ SOL em MINHA VIDA
(The Blue Veil, 1951)

Elenco: Jane Wyman, Charles Laughton, Joan Blondell,
Richard Carlson, Agnes Moorehead, Audrey Totter,
Everett Sloane e Natalie Wood

DEPOIS da TORMENTA
(Payment on Demand, 1951)
Elenco: Bette Davis, Barry Sullivan, Frances Dee
e Otto Kruger

MELODIA INTERROMPIDA
(Interrupted Melody, 1955)
Elenco: Glenn Ford, Eleanor Parker, Roger Moore
e Cecil Kellaway

03
DOUGLAS SIRK
(1897 – 1987. Hamburgo / Alemanha)

Era um historiador da arte antes de iniciar como diretor no teatro alemão dos anos 1920 e, mais tarde, essa formação teve impacto em seus trabalhos como cineasta. Devido à perseguição nazista a sua esposa judia, emigrou em 1937 para os Estados Unidos, trabalhando inicialmente em comédias e faroestes de baixo orçamento. Obteve sucesso na Universal nos anos 50. Depois do êxito de
“Imitação da Vida”, aposentou-se e voltou a morar na Europa. Um dos mestres do MELODRAMAS, deu dignidade ao gênero e influenciou outros diretores. Seus dramas são marcados por um visual luxuoso, mise-en-scène complexa e crítica à hipocrisia da classe média alta norte-americana.

Cinco Melodramas:
SUBLIME OBSESSÃO
(Magnificent Obsession, 1954)
Elenco: Jane Wyman, Rock Hudson, Agnes Moorehead,
Otto Kruger e Barbara Rush

TUDO o QUE o CÉU PERMITE
(All that Heaven Allows, 1955)
Elenco: Jane Wyman, Rock Hudson, Agnes Moorehead,
Conrad Nagel e Virginia Grey

CHAMAS que NÃO se APAGAM
(There's Always Tomorrow, 1956)
Elenco: Barbara Stanwyck, Fred MacMurray, Joan Bennett
e Jane Darwell

PALAVRAS ao VENTO
(Written on the Wind, 1956)

Elenco: Rock Hudson, Lauren Bacall, Dorothy Malone,
Robert Stack e Robert Keith

IMITAÇÃO da VIDA
(Imitation of Life, 1959)
Elenco: Lana Turner, John Gavin, Sandra Dee,
Susan Kohner, Dan O'Herlihy, Juanita Moore
e Troy Donahue


04
EDMUND GOULDING
(1891 – 1959. Feltham, Middlesex, Inglaterra / Reino Unido)

Tornou-se diretor em 1925, trabalhando na M-G-M, Warner e Fox, onde deu a Tyrone Power seus melhores papéis. Sabia aproveitar ao máximo os astros e estrelas. Não somente dirigiu alguns dos melhores dramas dos anos 30-40, mas assumiu múltiplas funções na realização de cada um deles, escrevendo roteiros e produzindo. Porém não deixou a marca de um estilo pessoal, adaptando-se sempre a cada estúdio no qual trabalhava. Na vida particular, suas orgias notórias, bissexualidade, alcoolismo e dependência de drogas foram muito faladas nos bastidores de Hollywood. Entretanto, ele fazia uma distinção entre seu comportamento privado e o que deveria mostrar ao público.

Cinco Melodramas:
VITÓRIA AMARGA
(Dark Victory, 1939)

Elenco: Bette Davis, George Brent, Humphrey Bogart,
Geraldine Fitzgerald, Ronald Reagan e Henry Travers

O ÚLTIMO ENCONTRO
('Til We Meet Again, 1940)
Elenco: Merle Oberon, George Brent, Pat O'Brien,
Geraldine Fitzgerald e Binnie Barnes

A GRANDE MENTIRA
(The Great Lie, 1941)
Elenco: Bette Davis, George Brent, Mary Astor,
Lucile Watson e Hattie McDaniel

De AMOR TAMBÉM se MORRE
(The Constant Nymph, 1943)
Elenco:  Charles Boyer, Joan Fontaine, Brenda Marshall,
Alexis Smith, Charles Corburn, Dame May Whitty,
Peter Lorre, Eduardo Ciannelli e Marcel Dalio

ESCRAVO de uma PAIXÃO
(Of Human Bondage, 1946)
Elenco: Paul Henreid, Eleanor Parker, Alexis Smith,
Edmund Gwenn, Patrick Knowles e Una O'Connor


05
FRANK BORZAGE
(1894 – 1962. Salt Lake City, Utah / EUA)

Pioneiro do cinema mudo, venceu o primeiro Oscar de Melhor Diretor por “Sétimo Céu” (1927), destacando-se por dramas românticos. Iniciou atuando em trupes teatrais itinerantes na adolescência, passando para o cinema em 1912 como ator (atuou em mais de 100 curtas-metragens) e a dirigir em 1915. Na Fox Film Corporation, a partir de 1925, estabeleceu um estilo lírico que consolidou sua carreira. Adaptou-se bem ao cinema sonoro, mantendo o foco em romances profundos e MELODRAMAS. Seus filmes retratam muitas vezes a força do amor contra a adversidade, a pobreza e a guerra, vez ou outra com um toque espiritual. Continuou a dirigir até o final dos anos 50.

Cinco Melodramas:
O SÉTIMO CÉU
(7th Heaven, 1927)
Elenco: Janet Gaynor e Charles Farrell

O ANJO das RUAS
(Street Angel, 1928)
Elenco: Janet Gaynor e Charles Farrell

ADEUS às ARMAS
(A Farewell to Arms, 1932)
Elenco: Gary Cooper, Helen Hayes e Adolphe Menjou

O PARAÍSO de um HOMEM
(Man´s Castle, 1933)

Elenco: Spencer Tracy, Loretta Young, Marjorie Rambeau,
Walter Connolly e Glenda Farrell

LABIRINTOS do DESTINO
(Big City, 1937)
Elenco: Spencer Tracy, Luise Rainer e Charley Grapewin


06
HENRY KING
(1886 – 1982. Christiansburg, Virgínia / EUA)

Um dos fundadores da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, dirigiu mais de 100 filmes. Começou no teatro e no vaudeville antes de entrar para o cinema em 1912 como ator e, logo depois, diretor de curtas. Tornou-se um dos principais diretores da 20th Century-Fox nas décadas de 1920, 30 e 40. Venceu o primeiro Globo de Ouro de Melhor Diretor por “A Canção de Bernadette / The Song of Bernadette” (1943) e recebeu duas indicações ao Oscar de Melhor Direção. Continuou ativo até o início dos anos 60. É lembrado como um dos pilares da indústria cinematográfica hollywoodiana, com uma filmografia exemplar que atravessa cinco décadas com filmes procurados ainda hoje.

Cinco Melodramas:
IRMÃ BRANCA
(The White Sister, 1923)

Elenco: Lillian Gish e Ronald Colman

O SÉTIMO CÉU
(Seventh Heaven, 1937)
Elenco: Simone Simon, James Stewart, Jean Hersholt,
Gregory Ratoff e Gale Sondergaard

SUPLÍCIO de uma SAUDADE
(Love Is a Many-Splendored Thing, 1955)
Elenco: William Holden e Jennifer Jones

O ÍDOLO de CRISTAL
(Beloved Infidel, 1959)
Elenco: Gregory Peck, Deborah Kerr e Eddie Albert

SUAVE é a NOITE
(Tender Is the Night, 1962)
Elenco: Jennifer Jones, Jason Robards, Joan Fontaine,
Tom Ewedll, Jill St. John e Paul Lukas


07
JEAN NEGULESCO
(1900 – 1993. Craiova / Romênia)

Conhecido por sua versatilidade, ganhou destaque inicial com filmes noir sombrios e, posteriormente, consolidou a carreira como um dos mestres do CinemaScope na 20th Century Fox, dirigindo sucessos românticos e MELODRAMAS. Emigrou para os EUA em 1927, trabalhando inicialmente como desenhista de esboços, roteirista e diretor de segunda unidade. Consagrou-se com “Belinda” (1948), ganhando uma indicação ao Oscar de Melhor Diretor e Jane Wyman levou o Oscar de Melhor Atriz. Na década de 50, tornou-se mestre na nova técnica de tela larga e dirigiu vários sucessos. Reconhecido pelo apelo visual, elegante uso de cores e habilidade em destacar atrizes protagonistas.

Cinco Melodramas:
ACORDES do CORAÇÃO
(Humoresque, 1946)

Elenco: Joan Crawford, John Garfield, Oscar Levant
e J. Carrol Naish

O VALE do DESTINO
(Deep Valley, 1947)
Elenco: Ida Lupino, Dane Clark, Wayne Morris
e Fay Bainter

BELINDA
(Johnny Belinda, 1948)
Elenco: Jane Wyman, Lew Ayres, Charles Bickford,
Agnes Moorehead, Stephen McNally e Jan Sterling

RUA PROIBIDA
(Britannia Mews, 1949)
Elenco: Dana Andrews, Maureen O'Hara e Sybil Thorndike

DÁDIVA de AMOR
(The Gift of Love, 1958)
Elenco: Lauren Bacall, Robert Stack e Lorne Greene


08
JOHN CROMWELL
(1887 – 1989. Toledo, Ohio / EUA)

Reconhecido por sua capacidade de extrair excelentes atuações, dirigiu inúmeros clássicos. Iniciou sua carreira na Broadway em 1912 como ator e, posteriormente, diretor e produtor. Em 1928, mudou-se para Hollywood, contratado pela Paramount Pictures. Versátil, trabalhou em diversos gêneros, dando brilho especial a dramas densos e noir. Seu “Escravos do Desejo” foi a plataforma de lançamento para a brilhante carreira de Bette Davis. Sua trajetória foi prejudicada nos anos 1950 quando incluído na lista negra de Hollywood por supostas simpatias comunistas. Voltou a dirigir com “A Deusa / The Goddess” (1958) e continuou no teatro antes de se aposentar do cinema em 1961.  

Cinco Melodramas:
ANN VICKERS
(Idem, 1933)
Elenco: Irene Dunne, Walter Huston, Conrad Nagel,
Bruce Cabot, Edna May Oliver e J. Carrol Naish

ESCRAVOS do DESEJO
(Of Human Bondage, 1934)

Elenco: Bette Davis, Leslie Howard, Frances Dee,
Kay Johnson, Reginald Denny e Alan Hale

ESPOSA SÓ no NOME
(In Name Only, 1939)
Elenco: Cary Grant, Carole Lombard, Kay Francis,
Charles Coburn e Peggy Ann Garner

Seu MILAGRE DE AMOR
(The Enchanted Cottage, 1945)
Elenco: Dorothy McGuire, Robert Young, Herbert Marshall,
Mildred Natwick e Spring Byington

MELODIA da NOITE
(Night Song, 1949)
Elenco: Dana Andrews, Merle Oberon, Ethel Barrymore
e Hoagy Carmichael


09
JOHN M. STAHL
(1886 – 1950. Baki City District / Azerbaijan)

Chamado de mestre do MELODRAMA, ao longo de 43 filmes (um quarto deles perdidos), com uma fluidez e franqueza impressionantes, privilegiou uma certa simplicidade e modernidade, tanto na narrativa quanto no estilo. Sobre seu hábil método de direção, ele disse:
“a emoção toma o lugar da ação”. Começou como ator. Dirigiu seu primeiro longa-metragem em 1914. Trabalhou na Universal, M-G-M e Columbia, antes de se estabelecer na 20th Century Fox, onde permaneceu até morrer. Um dos principais diretores de filmes melodramáticos, obteve vários sucessos, incluindo o espiritualizado “As Chaves do Reino / The Keyes of the Kingdom” (1944), que lançou o jovem Gregory Peck ao estrelato.

Cinco Melodramas:
A ESQUINA do PECADO
(Back Street, 1932)
Elenco: Irene Dunne, John Boles, Zasu Pitts
e Jane Darwell

IMITAÇÃO da VIDA
(Imitation of Life, 1934)
Elenco: Claudette Colbert, Warren William, Rochelle Hudson,
Ned Sparks, Louise Beavers e Alan Hale

SUBLIME OBSESSÃO
(Magnificent Obsession, 1935)
Elenco: Irene Dunne, Robert Taylor e Charles Butterworth

NOITE de PECADO
(When Tomorrow Comes, 1939)
Elenco: Irene Dunne, Charles Boyer e Barbara O'Neil

AMAR FOI a MINHA RUÍNA
(Leave her to Heaven, 1946)

Elenco: Gene Tierney, Cornel Wilde, Jeanne Crain,
Vincent Price, Gene Lockhart e Chill Wills


10
KING VIDOR
(1894 – 1982. Galveston, Texas / EUA)

A maior parte de sua obra é marcada pela luta do homem contra o destino e a natureza. Ele exerceu um maior controle sobre sua carreira a partir dos anos 30, trabalhando também como produtor e com seus projetos oscilando entre dramas intensos, comédias, faroestes, épicos e romances leves. Embora não seja tão reverenciado quanto muitos de seus contemporâneos, é difícil não se impressionar com sua filmografia talentosa. Conservador, sua arte questiona sistemas políticos. Se os homens no seu cinema alcançam o sonho norte-americano, são as mulheres que emergem como as figuras mais fascinantes, mesmo que raramente saiam vitoriosas contra as adversidades da vida.

Cinco Melodramas:
O CAMPEÃO
(The Champ, 1931)
Elenco: Wallace Beery, Jackie Cooper e Irene Rich

STELLA DALLAS, MÃE REDENTORA
(Stella Dallas, 1937)
Elenco: Barbara Stanwyck, John Boles, Anne Shirley,
Barbara O'Neil, Alan Hale, Marjorie Main
e Tim Holt

DUELO ao SOL
(Duel in the Sun, 1946)

Elenco: Jennifer Jones, Joseph Cotten, Gregory Peck,
Lionel Barrymore, Herbert Marshall, Lillian Gish,
Walter Huston, Charles Bickford e Harry Carey

A FILHA de SATÃ
(Beyond the Forest, 1949)
Elenco: Bette Davis, Joseph Cotten, David Brian
e Ruth Roman

A FÚRIA do DESEJO
(Ruby Gentry, 1952)
Elenco: Jennifer Jones, Charlton Heston,. Karl Malden
e Josephine Hutchinson

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janeiro 12, 2022

************* DOLORES del RIO: a DIVA MEXICANA


 

 
Cuide de sua beleza interior, sua beleza espiritual, e isso se refletirá em seu rosto. Temos o rosto que criamos ao longo dos anos. Cada má ação, cada atitude velhaca, aparecerá no rosto. Deus pode nos dar beleza, mas se essa beleza permanece ou se transforma é determinado por nossos pensamentos e ações.
DOLORES del RIO
 
Apelido: Lolita
Altura: 1,61 m
Olhos: negros
Cabelos: negros
 
 
Uma das mais belas atrizes de todos os tempos, DOLORES del RIO (1904 - 1983. Durango / México) brilhou em Hollywood no período do silencioso, na fase sonora inicial e, posteriormente, foi uma das mais importantes estrelas do cinema mexicano. Sua carreira de mais de cinquenta anos deu-lhe fama internacional. Filha de um banqueiro, sua rica família perdeu tudo na Revolução Mexicana. Felizmente, por sua bela voz, havia sido enviada, por seus pais, para aprender canto em Paris e depois Madrid. Em 1921, com apenas 16 anos, casou-se com o advogado e escritor Jaime Martinez Del Rio, dezoito anos mais velho do que ela. Pouco anos depois, vista pelo diretor de cinema Edwin Carewe quando dançava um tango em um evento familiar, foi convidada para um papel em seu próximo filme, As Melindrosas / Joanna” (1925). Rapidamente alcançando a popularidade devido ao seu fascínio, chegou ao topo dos créditos de vários filmes de prestígio dirigidos por Raoul Walsh e Clarence Brown, entre outros.
 
Em 1928, DOLORES del RIO se divorciou. Tomado pelo ciúme, o ex-marido foi para a Alemanha e se suicidou. Famosa pelos casos com alguns dos principais atores de Hollywood, dois anos depois do divórcio, após um namoro de nove meses, casou-se com Cedric Gibbons, o chefe do departamento de arte da Metro-Goldwyn-Mayer, um profissional magistral que ganhou 11 Oscars. Amiga de Marlene Dietrich, que a considerava “a mulher mais bonita de Hollywood, era conhecida como a “versão feminina de Rudolph Valentino”

O seu segundo casamento durou dez anos, até ela o trair com o genial cineasta e ator Orson Welles, que mais tarde afirmou que era “a mulher mais excitante que já conheci”. O romance durou dois anos. Nessa ocasião, ela participou de um thriller noir interessante, roteirizado por Welles e dirigido por Norman Foster, “Jornada do Pavor / Journey into Fear” (1943). Este foi o seu melhor filme na fase final da carreira nos EUA. “Muitas grandes estrelas não sobreviveram a transição dos filmes mudos para os sonoros. Suas vozes soavam estridentes ou elas não falavam suficiente bem o inglês. Eu sobrevivi, mas foi difícil. Tive que trabalhar muito duro no meu inglês”, afirmou numa entrevista. Nos anos 1930, os seus filmes de maior êxito foram Ave do Paraíso” e Voando para o Rio”. Neste último, sua personagem era a brasileira Belinha de Rezende, sucedendo-se outros papéis exóticos menos importantes. 
 
marlene dietrich e dolores
Reclamando que os produtores e diretores norte-americanos não lhe davam papéis interessantes, em 1943 aceitou convite para atuar no México, onde teve grandes oportunidades e filmou pela primeira vez em espanhol. Aos 39 anos, DOLORES del RIO se tornou a estrela mais popular de seu país, só retornando ocasionalmente a Hollywood. Em 1946, atuou no seu maior sucesso, “Maria Candelária”, prêmio de Melhor Filme no Festival de Cannes. Sua associação com o diretor Emilio Fernández, o fotógrafo Gabriel Figueroa e o ator Pedro Armendáriz é responsável pelo que ficou conhecido como “Era de Ouro do Cinema Mexicano”No seu país natal, ganhou o Prêmio Ariel (o Oscar local) de Melhor Atriz em 1946, 1952 e 1954. Em 1959, casou-se com Lewis A. Riley, empresário teatral norte-americano, vivendo com ele até sua morte. 
 
pedro armendáriz e dolores
Sua juventude perene foi motivo de especulação. Ela nunca recorreu à cirurgia plástica, mantendo a aparência por meio de dieta rigorosa, muitas horas de sono, nada de álcool, exercícios físicos e uma vez por semana alimentava-se apenas de cenouras, suco de laranja e limão. De formosura notória, aos 70 anos não tinha rugas, causando inveja. Rica e culta, não quis ter filhos por causa do trabalho. Após doenças crônicas, morreu aos 78 anos. Na sua carreira, fez também teatro e TV. Em seu último filme, “Os Filhos de Sanchez / The Children of Sanchez” (1978), atua ao lado de Anthony Quinn e Katy Jurado.


DEZ FILMES de DOLORES del RIO
(por ordem de preferência)
 
01
DOMÍNIO de BÁRBAROS
(The Fugitive, 1947)

direção de John Ford
elenco: Henry Fonda, Pedro Armendáriz, J. Carrol Naish e Ward Bond
 
02
OURO
(The Trail of '98, 1928)

direção de Clarence Brown
elenco: Ralph Forbes e Harry Carey
 
03
AMORES de CARMEN
(The Loves of Carmen, 1927)

direção de Raoul Walsh
elenco: Don Alvarado e Victor McLaglen
 
04
AVE do PARAÍSO
(Bird of Paradise, 1932)

direção de King Vidor
elenco: Joel McCrea e John Halliday
 
05
MARIA CANDELÁRIA
(María Candelaria - Xochimilco, 1943)

direção de Emilio Fernández
elenco: Pedro Armendáriz
 
06
A DANÇA RUBRA
(The Red Dance, 1928)

direção de Raoul Walsh
elenco: Charles Farrell
 
07
FLOR SILVESTRE
(Idem, 1943)

direção de Emilio Fernández
elenco: Pedro Armendáriz
 
08
ESTRELA de FOGO
(Flaming Star, 1960)

direção de Don Siegel
elenco: Elvis Presley, Barbara Eden e Steve Forrest
 
09
CREPÚSCULO de uma RAÇA
(Cheyenne Autumn, 1964)

direção de John Ford
elenco: Richard Widmark, Carroll Baker, Karl Malden, Sal Mineo, Ricardo Montalban, Gilbert Roland, Arthur Kennedy, James Stewart, Edward. G. Robinson e John Carradine
 
10
VOANDO para o RIO
(Flying Down to Rio, 1933)

direção de Thornton Freeland
elenco: Gene Raymond, Raoul Roulien, Ginger Rogers e Fred Astaire

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