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outubro 06, 2019

**************************** O PÁTIO das ESTRELAS

marilyn monroe e jane russell
no 
“pátio das estrelas” em 1953

 
Um dos pontos mais visitados de Los Angeles (Califórnia, EUA), o Teatro Chinês (antigamente Grauman’s Chinese Theatre) é bastante conhecido por seu pátio de entrada onde estão as assinaturas e marcas de mãos e pegadas das celebridades. Lá, as celebridades botam mãos e pés no cimento ainda molhado, deixando assim suas marcas imortalizadas em frente a esse símbolo de Hollywood. É importante não confundir com a Calçada da Fama”, que fica logo em frente ao teatro, e é feita de símbolos de estrelas no piso. Essa tradição começou ainda na época de sua construção, quando Sid Grauman, um dos fundadores do teatro, pisou sem querer na calçada que ainda não estava seca. Isso o inspirou a chamar os atores Douglas Fairbanks, Mary Pickford e Norma Talmadge para deixarem as primeiras marcas no cimento no dia de inauguração, em 1927. Desde então mais de 300 celebridades já deixaram suas assinaturas, mãos e pegadas marcadas no PÁTIO das ESTRELAS. Entre elas, estão Frank Sinatra, Marilyn Monroe e os mais recentes Tom Hanks e Denzel Washington. Por ter um espaço limitado, só são adicionadas novas marcas uma ou duas vezes ao ano.
 
Variações dessa antiga tradição são as marcas dos óculos de Harold Lloyd; o charuto de Groucho Marx; as varinhas mágicas de Harry Potter por Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson; o rosto em perfil de John Barrymore; as pernas de Betty Grable; o punho de John Wayne; os joelhos de Al Jolson; as lâminas de patinação de Sonja Henie; e o nariz de Bob Hope; Marilyn Monroe queria que o pingo do i fosse um diamante, mas foi avisada que a pedra seria roubada. Então colocou um dos brincos no cimento.

Localizado na Hollywood Boulevard, o Teatro Chinês é um dos mais bonitos e bem preservados cinemas da época de ouro de Hollywood. Construído ao longo de 18 meses, foi oficialmente aberto com a estreia do épico da Paramount Pictures, “O Rei dos Reis / The King of Kings”, direção de Cecil B. DeMille, desde então, tem sido palco de muitas premières. Em 1968, foi declarado um marco histórico e cultural de Los Angeles. O exterior se assemelha a um típico pagode chinês, uma torre com múltiplas beiradas. Apresenta um enorme dragão na fachada e pequenos dragões dos lados do telhado de cobre. É um dos cinemas mais conhecidos e icônicos do mundo. 

teatro chinês numa premiére em 1930

Confira lendários atores e atrizes deixando seu selo 
no PÁTIO das ESTRELAS
  
joan crawford e douglas fairbanks jr.
mickey rooney e judy garland
carmen miranda
gloria swanson e sid grauman
wallace beery e marie dressler
jean harlow
shirley temple
bing crosby
clark gable
tyrone power e loretta young
fred astaire
ginger rogers
sid grauman e john barrymore
barbara stanwyck e robert taylor
greer garson e sid grauman
henry fonda
gary cooper
sid grauman e gene tierney
humphrey bogart e lauren  bacall
james stewart
sid grauman, irene dunne e rex harrison
linda darnell
marilyn monroe e jane russell

o interior do teatro chinês

agosto 20, 2016

*** DEBORAH KERR: Uma MOÇA Bem COMPORTADA




Ela tinha cabelos ruivos e olhos azul-esverdeados. Atriz versátil, não se encaixava no molde da mocinha típica decorativa da Hollywood da época. Trabalhou com George Cukor, Michael Powell, Elia Kazan, John Huston, Vincente Minnelli, Otto Preminger, Joseph L. Mankiewicz etc. – nos mais distintos papéis. E fez sob direção de Fred Zinnemann uma das cenas icônicas do cinema, nos braços de Burt Lancaster numa praia, em “A Um Passo da Eternidade”. O erotismo discreto e o talento de DEBORAH KERR (1921 - 2007. Helensburgh / Escócia) são fundamentais para o filme. Quando ela diz “Ninguém nunca me beijou como você”, acreditamos nela.

Como a britânica Greer Garson, outra estrela contratada da Metro-Goldwyn-Mayer, elas projetam na tela uma classe difícil de encontrar hoje em dia. Refinadas e delicadas, às vezes certinhas e vulneráveis, jamais frágeis. Sensuais, sem exibição, e naturalmente belas. Ao lado de Garson e Jean Simmons, DEBORAKH KERR foi a “atriz inglesa” por excelência da era de ouro de Hollywood, com o negativo e o positivo que este rótulo implica. Muita gente maldosa contava com um escândalo em sua trajetória. Nunca aconteceu. Nem mesmo quando, casada, teve discreto romance com Burt Lancaster durante as filmagens de “A Um Passo da Eternidade”.

Sua fértil carreira mostra que nela borbulha paixão sob o exterior controlado. Indicada seis vezes ao Oscar de Melhor Atriz, não levou a cobiçada estatueta. Concertando a injustiça, em 1994 a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood lhe deu o Oscar Honorário, em reconhecimento a “uma artista de graça e beleza impecáveis, uma atriz dedicada cuja imagem sempre foi sinônimo de disciplina, perfeição e elegância”. Além da formosura, esta atriz de expressivo talento dramático, entregava-se aos personagens. Desses, a professora Anna Leonowens em “O Rei e Eu / The King and I” (1956), ao lado de Yul Brynner, talvez seja lembrado com mais carinho.

Filha de militar, tímida e insegura, com a ajuda de uma tia, estrela do rádio, estreou no teatro londrino aos dezessete anos, no corpo de baile do espetáculo “Prometheus”. Do primeiro papel no cinema, em 1941, como religiosa do Exército da Salvação em “Major Barbara / Idem”, protagonizado por Rex Harrison, aos três personagens em “Coronel Blimp – Vida e Morte / The Life and Death of Colonel Blimp” (1943), em pouco tempo se tornou uma das principais atrizes do cinema britânico. Em “Narciso Negro” (1947), de Emeric Pressburger e Michael Powell (ele confessou em sua autobiografia a paixão que sentia pela atriz), vive a orgulhosa irmã Clodagh, líder de um grupo de freiras que tenta estabelecer um espaço católico em antigo harém no Himalaia.

Reconhecida pelo Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York como Melhor Atriz do ano por suas performances neste drama religioso e no thriller “Um Estranho na Escuridão / I See a Dark Stranger” (1946), chama a atenção de Louis B. Mayer, poderoso chefão da M-G-M. Impressionado, ele diz que o sobrenome Kerr rima com estrela, levando-a para Hollywood em 1947, com um dos mais altos salários já pagos pelo estúdio. A estreia acontece ao lado de Clark Gable e Ava Gardner em “O Mercador de Ilusões / The Hucksters”. O fraco roteiro desperdiça um elenco de ouro.

Prestigiada como estrela de primeira grandeza, DEBORAH KERR se sentiu constrangida pela sucessão de papéis em que representava mulheres superficiais, honoráveis e reservadas, muitas vezes quase inúteis, em épicos e aventuras. Ganhando a reputação de “lady” – fina, digna, um pouco gélida -, fez uma legião de fãs. Lutando para superar este rótulo, mostrou disposição para outros personagens. 

No clássico “As Minas do Rei Salomão / King Solomon’s Mines” (1950), filmado em locações na África, ela empolga com sexualidade e vulnerabilidade, trazendo novas dimensões para um filme de ação orientado para o público masculino. No decorrer da trama, tem seu guarda-roupa rasgado em tiras e enfrenta perigos. Um divertimento lindamente filmado, captando a atriz em technicolor e cabelo vermelho flamejante ao vento. Ao ser emprestada a Columbia Pictures para “A Um Passo da Eternidade”, substituindo Joan Crawford, provou sua versatilidade, seduzindo os críticos como a infeliz e adúltera esposa de um militar. A cena do beijo apaixonado entre ela e Burt Lancaster na praia do Havaí fez história. A partir daí, deixou um legado de poderosas atuações.

deborah kerr e yul brynner em o rei e eu
Em 1953, estreou na Broadway com a peça “Chá e Simpatia”, de Robert Anderson, fazendo o mesmo papel no cinema sob a direção de Vincente Minnelli: a esposa de professor, simpatizante de um estudante (John Kerr) inseguro da sexualidade. Com discurso homossexual datado, o ousado filme encanta com as performances notáveis de ambos os Kerr (eles não eram parentes). Batendo recordes de bilheteria, ela protagonizou o romântico e charmoso melodrama “Tarde Demais para Esquecer”, ao lado do galã Cary Grant. Remake de “Duas Vidas / Love Affair” (1939), com Charles Boyer e Irene Dunne, inspiraria no futuro outra versão menos bem sucedida, “Segredos do Coração / Love Affair” (1994), com Warren Beatty e Annette Bening.

Ainda na década de cinquenta, DEBORAH KERR brilha no musical “O Rei e Eu”, dublada por Marian Nixon (Maureen O'Hara foi convidada para o papel, mas Yul Brynner exigiu Deborah), e no drama “Vidas Separadas”, adaptação da peça de Terence Rattigan, como uma solteirona solitária alienada por uma mãe dominadora (fabulosa Gladys Cooper). O desempenho, reservado e discreto, comove. Está também muito bem no intimista “O Céu por Testemunha”, sobre freira e fuzileiro juntos em uma ilha no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial. Neste belo filme, a química entre a atriz e Robert Mitchum, aparentemente díspares, é inquietante. No inicio das filmagens, o astro irreverente se preocupou com a fama de “moça bem comportada” da colega. Depois que ela xingou John Huston durante um take, ele caiu na risada e se tornaram amigos.

deborah e o segundo marido,
peter viertel
“A Noite do Iguana”, de Tennessee Williams, foi outro bom momento da atriz. Faz uma quarentona lésbica, enfrentando Richard Burton, padre depravado e ébrio acusado de seduzir a adolescente Sue Lyon na costa do México. Em 1969, depois de filmar com Elia Kazan e John Frankenheimer, em obras injustamente atacadas pelos críticos, ela decidiu deixar o cinema e morar na Suíça – depois na Espanha -, decepcionada com a sexualidade e a violência em excesso nas telas de então. No período que se seguiu, participou de peças teatrais na Broadway – entre elas, a Prêmio Pulitzer “Seascape” (1975), de Edward Albee - e de um punhado de bem cuidados filmes para a televisão.

Na vida pessoal, casou-se com o inglês Anthony Bartley em 1945, piloto de caça condecorado durante a Segunda Guerra Mundial, divorciando-se em 1959. No ano seguinte, novo casamento com o escritor e roteirista Peter Viertel (Sabotador / Saboteur, de Hitchcock, 1942; Resgate de Sangue / We Were Strangers, de John Huston, 1949; E Agora Brilha o Sol / The Sun Also Rises, de Henry King, 1957), cuja mãe era a melhor amiga de Greta Garbo, ficando com ele o resto da vida. A meiga e inteligente DEBORAH KERR morreu em Suffolk, na Inglaterra, por problemas decorrentes do Mal de Parkinson. Ela, seu marido e o biógrafo dela, Eric Braun, morreram no espaço de cinco semanas, no outono de 2007. Todos aos 86 anos.

a estrela recebendo 
o oscar honorário
A última aparição pública da estrela aconteceu em 1994, ao ser premiada com o Oscar Honorário. Na noite da cerimônia, Glenn Close apresentou a homenagem especial ao seu trabalho, e o público assistiu clipes de seus lendários filmes. DEBORAH KERR apareceu em alinhado modelo azul-turquesa, e recebeu ovação de pé. Timidamente, disse: “Eu nunca estive tão assustada na minha vida, mas me sinto melhor agora, porque eu sei que estou entre amigos. Obrigada por me darem uma vida feliz”. Após a fala emocionada, outra ovação. Foi o adeus oficial a Hollywood. Uma das suas filhas, Francesca Schrapnel, garante que a mãe nunca teve um filme favorito. A família tem predileção por “O Peregrino da Esperança”, premiado drama que se passa no interior australiano.

deborah e as filhas francesca 
e melanie jane

Fontes
Deborah Kerr” (1977)
de Eric Braun
 
“Deborah Kerr – A Biography” (2010)
de Michelangelo Capua

deborah e burt lancaster em a um passo da eternidade

10 FILMES de Miss KERR
(por ordem de preferência)

01
NARCISO NEGRO
(Black Narcissus, 1947)

direção de Michael Powell e Emeric Pressburger
elenco: David Farrar, Flora Robson, Sabu
e Jean Simmons

Melhor Atriz do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York

02
Os INOCENTES
(The Innocents, 1961)

direção de Jack Clayton
elenco: Michael Redgrave, Martin Stephens e Pamela Franklin

03
O CÉU por TESTEMUNHA
(Heaven Knows, Mr. Allison, 1957)

direção de John Huston
elenco: Robert Mitchum

Melhor Atriz do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York

04
TARDE DEMAIS para ESQUECER
(An Affair to Remember, 1957)

direção de Leo McCarey
elenco: Cary Grant e Cathleen Nesbitt

05
A um PASSO da ETERNIDADE
(From Here to Eternity, 1953)

direção de Fred Zinnemann
elenco: Burt Lancaster, Montgomery Clift, Donna Redd
e Frank Sinatra

06
CHÁ e SIMPATIA
(Tea and Sympathy, 1956)

direção de Vincente Minnelli
elenco: John Kerr

07
BOM DIA, TRISTEZA
(Bonjour Tristesse, 1958)

direção de Otto Preminger
elenco: David Niven, Jean Seberg e Walter Chiari

08
VIDAS SEPARADAS
(Separates Tables, 1958)

direção de Delbert Mann
elenco: Rita Hayworth, David Niven, Wendy Hiller
e Burt Lancaster

David di Donatello de Melhor Atriz Estrangeira

09
O PEREGRINO da ESPERANÇA
(The Sundowners, 1960)

direção de Fred Zinnemann
elenco: Robert Mitchum, Peter Ustinov e Glynis Johns
 
Melhor Atriz do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York

10
A NOITE do IGUANA
(The Night of Iguana, 1964)

direção de John Huston
elenco: Richard Burton, Ava Gardner e Sue Lyon

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