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maio 19, 2019

********** ANTHONY PERKINS ou NORMAN BATES?



 
Aprendi mais sobre amor, abnegação e compreensão humana das pessoas que conheci nesta grande aventura no mundo da AIDS do que jamais fiz no mundo competitivo e cruel em que passei minha vida.
[declaração feita poucos dias antes de sua morte]

Apelido: Tony
Altura: 1,88 cm
Olhos: castanhos escuros
Cabelos: negros


Existem atores com uma excelente carreira no cinema que são recordados por causa de um único filme. ANTHONY PERKINS (1932 - 1992. Nova Iorque, EUA) foi um deles. Nasceu no mesmo ano em que o pai, Osgood Perkins, atuou em seu filme de maior sucesso, o clássico “Scarface - A Vergonha de uma Nação / Scarface” (1932). Cinco anos depois, ficou órfão de pai e passou a ser criado pela mãe, a quem definiu como uma pessoa possessiva e problemática. Teve problemas emocionais desde muito novo, o que o levou a submeter-se por várias vezes a tratamentos específicos. Subiu ao palco pela primeira vez aos 14 anos. Após passagem na Broadway, substituindo John Kerr em “Chá e Simpatia”, foi contratado pela Metro-Goldwyn-Mayer para uma comédia de George Cukor. A despeito das críticas favoráveis, só voltou a receber um novo convite para atuar no cinema três anos depois.  Durante esse período participou de séries televisivas.
 
Especializado em personagens neuróticos ou atormentados, conseguiu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo quaker Josh, em crise moral durante a Guerra Civil, no clássico “Sublime Tentação”, de William Wyler. Ao aceitar proposta do mestre do suspense Alfred Hitchcock para fazer o psicopata Norman Bates em “Psicose”, converteu-se em uma celebridade mundial, ficando marcado pelo papel para o bem e para o mal. Esteve tão ligado a esse personagem que o retomaria em mais três sequências.

“Eu acho que é o meu papel favorito. É o Hamlet dos papéis de terror, e você nunca pode se cansar de Norman Bates. É sempre interessante.”, disse o ator. E mais: “Eu tenho afeição por Norman como pessoa. Ele faz o melhor que pode nas circunstâncias diminutas com que sua personalidade o abandonou, e a infância de Norman foi difícil e traumática. Norman é, no fundo, uma alma benevolente, com um lado sombrio, mas a mente consciente de Norman está sempre nas coisas positivas da vida.” Muitos críticos acharam que ele merecia o Oscar, mas não chegou nem a ser indicado ao prêmio.

O livro de Charles Winecoff, “Anthony Perkins: Split Image” (1996), retrata a juventude de ANTHONY PERKINS, sua homossexualidade, seu posterior uso de drogas e a vida familiar. De acordo com a biografia, o ator contraiu o vírus da Aids na época de “Psicose 3 / Psycho III” (1986) e manteve a doença em segredo até o fim, para que pudesse continuar trabalhando e não preocupar seus amigos e filhos. No ano de sua morte participou de dois filmes, sendo um para a TV. A única pessoa que sabia que ele estava doente era a esposa, Berry Berenson, irmã da atriz Marisa Berenson. De sua união com Berry, teve dois filhos: Osgood, ator, e Elvis Perkins, músico. Em 11 de setembro de 2001, a viúva foi uma das 58 vítimas do voo AA-11, de Boston, derrubado por terroristas contra a Torre Norte do World Trade Centre, em Nova York.
 
alfred hitchcock e perkins
Ele foi indicado duas vezes ao Tony Award de teatro. Em 1958, como Melhor Ator (Dramático) por “Look Homeward, Angel”, e em 1960, como Melhor Ator (Musical) por “Greenwillow”. Sua performance como Norman Bates está em 4º lugar na lista dos 100 Melhores Personagens de Todos os Tempos da revista “Premiere”. ANTHONY PERKINS não fez sexo com uma mulher até os 39 anos de idade, perdendo a virgindade - segundo a revista “People” – com a atriz Victoria Principal em 1971. “Eu tinha fantasias loucas, mas minha experiência erótica era em grande parte solitária. Ao longo do caminho tive encontros homossexuais, mas esse tipo de sexo sempre me pareceu irreal e insatisfatório. E eu nunca havia feito sexo com uma mulher - o simples pensamento disso me aterrorizava.”, confessou em entrevista.

De acordo com a autobiografia do astro Tab Hunter, eles tiveram um relacionamento em meados da década de 1950. Os dois saíam no mesmo carro para jantar, cada qual com sua garota, e tão logo se viam longe dos olhares curiosos, dispensavam as moças e iam para casa juntos. Além de Tab, ANTHONY PERKINS teve casos com uma longa lista de celebridades do sexo masculino: Rock Hudson, Troy Donahue, Rudolf Nureyev, Leonard Bernstein, James Dean, Stephen Sondheim etc. Viveu com o dançarino-coreógrafo Grover Dale por seis anos. Em Hollywood nunca foi novidade que o astro era gay.
 
Entre 1962 e 1971, desenvolveu uma bela carreira na Europa, atuando sob a direção de cineastas do porte de Claude Chabrol, André Cayatte, René Clèment, Anatole Litvak, Jules Dassin, Orson Welles, entre outros. Em 1973, co-escreveu o roteiro de “O Fim de Sheila / The Last of Sheila”, juntamente com seu namorado Stephen Sondheim, tendo sido agraciado com o Prêmio Edgar Allan Poe. Em 1974, apareceu na Broadway ao lado de Mia Farrow, na peça “Romantic Comedy”, de Bernard Slade. Na década de 80, sua carreira decaiu, protagonizando filmes medíocres, sendo exceção “Crimes de Paixão / Crimes of Passion” (1985), de Ken Russell. 

No final da vida, passou a ser notícia nos tabloides de escândalos, devido a boatos sobre a sua sexualidade. O ator sofria duramente com sua homossexualidade e tinha ataques de pânico ao contracenar com atrizes em cenas sensuais. Mergulhado em drogas, foi preso no aeroporto de Heathrow, em Londres, em 1984, por posse de oito gramas de maconha e três pontos de LSD. Em 1989, foi preso novamente no Angel Hotel, em Cardiff, por importar ilegalmente 1,3 gramas de maconha. Era também criticado por frequentar lojas de pornografia e cinemas gays de sexo descartável. Sensível e inteligente, ANTHONY PERKINS sofreu bastante ao longo da vida, quer no campo pessoal quer no profissional, no qual foi usado (e abusado) pelos tubarões de Hollywood que o obrigaram a desempenhar papeis que ele sabia de antemão não terem qualquer valor artístico, conforme desabafou mais tarde numa entrevista.

tuesday weld e perkins em “o despertar amargo”

15 PERSONAGENS
(por ordem de preferência)

01
Norman Bates em
PSICOSE
(Psycho, 1960)
 

direção de Alfred Hitchcock
elenco: Vera Miles, John Gavin, Janet Leigh 
e Martin Balsam

02
Jim Piersall em
VENCENDO o MEDO
(Fear Strikes Out, 1957)
 

direção de Robert Mulligan
elenco: Karl Malden e Norma Monroe

03
Sargento Warren em
PARIS ESTÁ em CHAMAS?
(Paris Brûle-t-il?, 1966)

direção de René Clément
elenco: Jean-Paul Belmondo, Charles Boyer, Leslie Caron, 
Alain Delon, Kirk Douglas, Glenn Ford, 
Yves Montand, Simone Signoret, Michel Piccoli, 
Jean-Louis Trintignant e Orson Welles

04
Alexis em
PROFANAÇÃO
(Phaedra, 1962)
 

direção de Jules Dassin
elenco: Melina Mercouri e Raf Vallone

05
Josh Birdwell em
SUBLIME TENTAÇÃO
(Friendly Persuasion, 1956)
 

direção de William Wyler
elenco: Gary Cooper e Dorothy McGuire,

06
Josef K. em
O PROCESSO
(The Trial, 1962)
 

direção de Orson Welles
elenco: Jeanne Moreau, Romy Schneider, Elsa Martinelli 
e Akim Tamiroff.

07
Philip Van der Besh em
MAIS uma VEZ ADEUS
(Goodbye Again, 1961)
 

direção de Anatole Litvak
elenco: Ingrid Bergman, Yves Montand, Jessie Joyce Landis, 
Michèle Mercier e Diahann Carroll

Melhor Ator no Festival de Cannes

08
Eben em 
DESEJO
(Desire Under the Elms, 1957)
 

direção de Delbert Mann
elenco: Sophia Loren e Burl Ives

09
Joseph Dufresne em
TERRA CRUEL
(This Angry Age, 1957)
 

direção de René Clément
elenco: Silvana Mangano, Richard Conte, Jo Van Fleet, 
Alida Valli e Yvonne Samson

10
Dennis Pitt em
O DESPERTAR AMARGO
(Pretty Poison, 1968)

direção de Noel Black
elenco: Tuesday Weld

11
Xerife Ben Owens em
O HOMEM dos OLHOS FRIOS
(The Tin Star, 1957)

direção de Anthony Mann
elenco: Henry Fonda e Betsy Palmer

12
Neil Curry em
LEMBRE meu NOME
(Remember My Name, 1978)

direção de Alan Rudolph
elenco: Geraldine Chaplin, Berry Berenson, Jeff Goldblum 
e Alfre Woodard

13
B. Z. em
O DESTINO que DEUS me DEU
(Play It As It Lays, 1972)

direção de Frank Perry
elenco: Tuesday Weld

14
Christopher Belling em
O ESCÂNDALO
(Le Scandale, 1967)

direção de Claude Chabrol
elenco: Maurice Ronet, Yvonne Furneaux e Stéphane Audran

15
Fred Whitmarsh em
PAPAI NÃO QUER
(The Actress, 1953)

direção de George Cukor
elenco: Spencer Tracy, Jean Simmons e Teresa Wright

GALERIA de FOTOS

 
 
 
 
 
 
 
 

janeiro 24, 2016

***************** HOLLYWOOD SAI do ARMÁRIO

gilbert roland

 
Um dos posts mais populares deste blog, “The Hollywood Lesbians”, publicado em 22 de março de 2012, nunca saiu da lista dos dez mais acessados. Diversos leitores escreveram pedindo o equivalente masculino. Já foi escrito e publicado, também em 2012, e terminou se perdendo nos quase dois anos que o blog ficou fora do ar por problemas técnicos. Na época, gerou polêmica, alguns cinéfilos não suportam revelações da vida privada de seus astros mais queridos. Sem preconceito ou sensacionalismo, e respeitando a sexualidade de todos, acredito que a homossexualidade de famosos quando revelada ajuda – e muito – a jovens reprimidos ou acossados pela homofobia.

Há poucos atores bem-sucedidos abertamente gays. Lembro-me de Rupert Everett (garante que não consegue bons papéis por sua sexualidade), Derek Jacobi, Stephen Fry, Ian McKellen, Kevin Spacey, Luke McFarlane, Billy Zane, entre outros. No entanto, são minoria, muitos temem a rejeição do público. E é real. Astros românticos (ou de ação) como Matt Damon, Tom Cruise, John Travolta, George Clooney, Keanu Reeves, Leonardo DiCaprio, Hugh Jackman, James Franco, Ben Affleck ou Ewan McGregor, brigam com a imprensa, negando que são gays.

james dean e sal mineo
Antigamente era pior. Numa época em que os direitos dos homossexuais não eram sequer discutidos, alguns atores foram obrigados a casar, passando a imagem de pessoas “adequadas” a uma sociedade religiosa e heterossexual (pelo menos diante dos holofotes). Os homossexuais envolvidos com o cinema na época áurea dos grandes estúdios viviam em pânico. Aqueles que trabalhavam atrás das câmeras, dirigindo, cuidando dos figurinos ou da direção de arte, não eram perseguidos, mas os astros e estrelas eram vigiados pelos paparazzi. Revelar-se gay era fim de carreira na certa.

Hollywood sempre se orgulhou de ser livre de preconceitos. Mesmo quando alguma história de homossexualidade se tornava notória dentro da comunidade muito raramente chegava na imprensa sensacionalista. Os casamentos arranjados e as aparições públicas que sugeriam romances entre astros e estrelas eram parte do esforço publicitário para esconder a condição gay ou a bissexualidade de seus astros, como é o caso de Erroll Flynn (que não ocultava suas relações homossexuais, sendo uma delas com o produtor Ross Hunter), Gary Cooper (no início de carreira, ao dividir o teto e a cama com o ator Anderson Lawler, deixou seus agentes em desespero), Spencer Tracy, Michael Redgrave, Burt Lancaster, Marlon Brando (um sujeito confuso que gostava de tratar as mulheres como objeto, enquanto se apaixonava por homens mais velhos), Jack Palance, Mel Ferrer etc.

rock hudson e george nader
Dos roteiros, afastava-se qualquer referência explícita ao homossexualismo. Liberal nos círculos internos, nos filmes tratavam a homossexualidade como tabu. Mas o julgamento que se fazia não era moral. Na intimidade dos estúdios e das festas, Hollywood era avançada. Os negócios estavam à parte e, em se tratando de dinheiro, a indústria não brinca. Os correspondentes de Hollywood não eram cegos. Sabiam quem era gay e quem não era. Faziam o jogo da indústria cinematográfica. Esse jogo, do qual a imprensa é uma engrenagem, partia de uma regra: não era uma indústria normal, mas uma indústria baseada na ilusão, no sonho. Não cabiam homossexuais.

Desde sempre os estúdios, que detinham o passe dos astros e tinham um poder considerável sobre suas carreiras, exigiam que eles se mantivessem dentro de limites estreitos. Não se podia ir a eventos sociais sem um acompanhante do sexo oposto. Permanecer solteiro por muito tempo era imprudente. Um dos primeiros astros do cinema, Jack Kerrigan, infernizado por sua condição de solteirão, publicou um anúncio numa revista: “Até agora eu não encontrei nenhuma moça que quisesse se casar comigo. Mas vou arranjar uma, vocês vão ver só!”, prometeu o mocinho. Ninguém acreditou e sua carreira desandou pra sempre. A partir dos anos 1930, com a entrada em vigor do Código Hays, estabelecendo a censura prévia evitar atentados contra a suposta moral e os bons costumes, a homofobia tornou-se ainda mais cruel.

cary grant e randolph scott
Continua sendo um acontecimento quando um astro de Hollywood proclama sua homossexualidade. Mesmo que o assumido não seja da primeira grandeza de estrelas. Além disso, revistas, colunas de fofoca, jornais, livros e filmes decidiram tirar definitivamente do armário veteranos astros gays.  Muitos deles surpreendem.

ASTROS no ARMÁRIO

01
ALFRED LUNT
(1892 - 1977. Milwaukee, Eisconsin / EUA)

Atores lendários na Broadway, Lunt e Lynn Fontanne atuaram em alguns filmes e inventaram um casamento de fachada por mais de 50 anos. Ele era gay, ela lésbica.

02
ANTHONY PERKINS
(1932 - 1992. Nova Iorque / EUA) 

Em Hollywood nunca foi novidade que o astro do clássico “Psicose / Psycho” (1960) se relacionava com homens. Ainda bem jovem, foi fotografado passeando de mãos dadas com Tab Hunter numa praia da Califórnia. Os dois saíam no mesmo carro para jantar, cada qual com sua garota, e tão dispensavam as moças iam para casa juntos. Além de Tab, teve casos com uma longa lista de celebridades do sexo masculino: Rock Hudson, Troy Donahue, Rudolf Nureyev, Leonard Bernstein, James Dean e Stephen Sondheim. O único que durou, no entanto, foi com o dançarino e coreógrafo Grover Dale, com quem teve um relacionamento de seis anos. Ele sofria duramente com sua homossexualidade e tinha ataques de pânico ao contracenar com atrizes em cenas sensuais. Casou-se com a irmã de Marisa Berenson e teve dois filhos. Era conhecido por frequentar lojas de pornografia e cinemas gays. Morreu aos 60 anos, de complicações da AIDS.

03
BEN PIAZZA
(1933 - 1991. Little Rock, Arkansas / EUA) 

Comparado ao jovem Marlon Brando, esteve ao lado de Gary Cooper em “A Árvore dos Enforcados / The Hanging Tree” (1959), mas nunca alcançou o status de protagonista. Em vez disso, fez carreira na TV. Embora casado por um tempo com a atriz Dolores Dorn, viveu 18 anos com Wayne Tripp. Foi uma das vítimas da AIDS.

04
CESAR ROMERO
(1907 - 1994. Nova Iorque / EUA)

Alto, discreto e sofisticado, começou como “latin lover” de musicais e comédias românticas. Na década de 1960, brilhou na TV como o Coringa da série “Batman”. De carreira versátil, assumiu a homossexualidade no final da vida. Teve namoros duradouros com os atores Gene Raymond e Tyrone Power. Viciado em eventos sociais, seu guarda-roupa tinha 30 smokings, 200 casacos esportivos e 500 ternos. Vivia no Coconut Grove, casa noturna do Ambassador Hotel, em Los Angeles, dançando e flertando.

05
CARY GRANT
(1904 - 1986. Bristol / Reino Unido) 

Quando a Paramount descobriu que seu ator mais cobiçado estava disposto a assumir o relacionamento amoroso com o também ator Randolph Scott, providenciou uma esposa para ele. Obrigado a casar com a atriz Virginia Cherrill, Grant se desesperou e tentou o suicídio, ingerindo pílulas para dormir. Depois desse casamento improvisado, morou com Scott e casou outras três vezes. Antes de Hollywood, vivendo em Nova York ainda com seu nome real, Archie Leach, teve relacionamento com o figurinista Orry-Kelly.

06
CHARLES LAUGHTON
(1899 - 1962. Scarborough / Reino Unido)

Famoso no teatro e no cinema, Quasímodo de “O Corcunda de Notre Dame / The Hunchback of Notre Dame” (1939) é o seu papel mais conhecido. Atormentado, sentia-se envergonhado de seus desejos homossexuais. Para superar a solidão, procurava a companhia de belos jovens, muitos dos quais começaram como seu massagista ou assistente pessoal. Com alguns, desenvolveu relacionamentos românticos. Após a sua morte, sua esposa Elsa Lanchester escreveu livro falando da homossexualidade do marido e que eles nunca tiveram relações sexuais.

07
CLAUDE RAINS
(1889 - 1967. Londres / Reino Unido) 

Inglês cuja polidez foi muitas vezes utilizada para obter o máximo de ironia, estava na meia-idade quando sua carreira no cinema decolou. O rosto combinava com a voz cortês, tornando-se um dos mais requisitados coadjuvantes dos anos 1930-40.  

08
CLIFTON WEBB
(1889 - 1966. Indianápolis, Indiana / EUA)

O seu vilão no noir “Laura / Idem” (1944) foi um grande sucesso. Ótimo ator, a carreira no teatro - em operetas, musicais e comédias - fez sombra ao trabalho no cinema. Ainda assim concorreu três vezes ao Oscar. Quando perguntado pelo diretor Jean Negulesco se era gay, respondeu: “Devoto, meu rapaz, devoto. Teve um romance com James Dean e utilizava garotos de programa. Vivia com sua mãe dominadora, Mabelle, levando-a para todo lugar: estreias de filmes, jantares e férias. Eram inseparáveis. Quando ela morreu, em 1960, aos 91 anos, ele se isolou, lamentando a perda da mãe.

09
DANNY KAYE
(1913 - 1987. Nova Iorque / EUA)

Comediante astro da Broadway e do cinema. Seu romance com Sir Laurence Olivier, casado com Vivien Leigh, era conhecido. Viviam juntos viajando pelo mundo.

10
DICK SARGENT
(1930 - 1994. Califórnia / EUA) 

Conhecido por sua participação na série de TV “A Feiticeira”, de 1969 até a última temporada, só veio a se assumir nos anos 1990, em prol de uma campanha para evitar o suicídio entre jovens homossexuais. Teve um parceiro por mais de 20 anos. De 1989 até sua morte, viveu com o escritor negro Albert Williams.

11
DIRK BOGARDE
(1921 - 1999. Londres / Reino Unido)

Depois de se tornar popular na década de 1950, estrelando comédias românticas, deu um passo ousado em “Meu Passado me Condena / Victim” (1961) como um advogado chantageado por sua homossexualidade. Foi o primeiro filme em que a palavra homossexual foi falado na tela, e o primeiro exemplo de um homem dizendo “eu te amo” para outro homem. Em “O Criado / The Servant” (1963) retratou outro personagem ambíguo. Apesar de aceitar tais papéis, não falava sobre sua vida privada. Vivia com seu agente, o escritor Tony Forwood – que deixou aesposa, a atriz Glynis Johns, e o filho, para morar com Bogarde. Nos anos 1960, o ator teve um caso com o cineasta John Schlesinger. Mas se retratava publicamente como heterossexual.

12
FARLEY GRANGER
(1925 - 2011. Califórnia / EUA)

Astro de “Festim Diabólico / Rope” (1948) e “Pacto Sinistro / Strangers on a Train” (1951), ambos de Alfred Hitchcock e com subtexto gay, dividiu o mesmo teto com o namorado, o roteirista e dramaturgo Arthur Laurents. Quando saíam, levavam amigas atrizes: assim, para todos os efeitos, Laurents namorava Geraldine Brooks e Farley, Shelley Winters. Revelou sua homossexualidade numa autobiografia. Teve sua primeira relação homossexual com um oficial da Marinha, na II Guerra Mundial. Namorou os compositores Aaron Copland e Leonard Bernstein. Em 1963, conheceu o escritor Robert Calhoun e permaneceram juntos até a morte de Calhoun, em 2008.

13
FRANK LANGELLA
(1938. Nova Jersey / EUA)

Conhecido por suas interpretações em “Frost / Nixon / Idem” (2008) e “Drácula / Idem” (1979), de discreta vida privada, no seu livro de memórias surpreendeu ao escrever sobre suas relações homossexuais, entre elas com o ator porto-riquenho Raul Julia.

14
GENE RAYMOND
(1908 - 1998. Nova Iorque / EUA)

Ator de teatro, cinema e televisão. Aceitou um casamento arranjado com a atriz e cantora Jeanette MacDonald, mas continuou a ter casos com homens. De fato, em sua lua de mel levou o ator Buddy Rogers. Preso três vezes por ter relações sexuais homossexuais públicas, a última delas na Inglaterra, durante a Segunda Guerra Mundial. Teve casos com Rock Hudson, Cesar Romero e Robert Stack. Viveu com Jeanette até a morte dela. Aposentou-se da Força Aérea em 1968 como coronel.

15
GEORGE MAHARIS
(1928. Nova Iorque / EUA)

Preso em novembro de 1974 acusado de praticar ato sexual com um cabeleireiro em um posto de gasolina, em Los Angeles. Seis anos antes havia sido preso por conduta lasciva no banheiro de um restaurante. Conhecido pelo sucesso “Rota 66”, de 1960 a 1964, abandonou a série de TV pela dificuldade em manter sua atividade sexual longe da imprensa. Cantor, lançou discos e se apresentou em casas noturnas de Las Vegas.

16
GEORGE NADER
(1921 - 2002. Pasadena, Califórnia / EUA)

Para salvar o prestígio de Rock Hudson, sua estrela de maior bilheteira, de chantagem feita pela revista “Confidencial”, a Universal entrou com um acordo sórdido: um bom pagamento em dinheiro e a revelação da homossexualidade de outro contratado do estúdio, Nader. A carreira do ator afundou, mas ele continuou atuando em filmes B e escreveu um popular romance de ficção científica intitulada “Chrome” (1978), em que os personagens principais são gays. Ainda muito jovem namorou Mark Miller, vivendo com ele por 55 anos. Mas só saiu do armário em 1986.

17
GEORGE SANDERS
(1906 - 1972. São Petersburgo / Rússia)

Um dos mais sofisticados vilões do cinema, em “A Malvada / All About Eve” (1950) levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por seu papel de um crítico teatral. Casou-se quatro vezes, mas terminou se suicidando em um quarto de hotel em Barcelona.

18
GILBERT ROLAND
(1905 - 1994. Ciudad Juarez / México)

Um dos atores mais bonitos do cinema mudo cuja carreira continuou no cinema falado. Não só isso, ele foi capaz de manter sua aparência jovem e um bom físico na velhice. Em 1925, em busca do estrelato, mudou de nome e escondeu sua homossexualidade, namorando as estrelas Clara Bow e Norma Talmadge. Nos anos 1940, casou-se com Constance Bennett (irmã de Joan). Trabalhou na televisão e manteve sua carreira no cinema até 1982, sempre casado com mulher e com discreta vida gay.

19
GUY MADISON
(1922 - 1996. Califórnia / EUA)

Um dos garotos do agente gay Henry Wilsson, começou no cinema em “Desde que Partiste / Since You Went Away” (1944). O papel do xerife Wild Bill Hickok na série do mesmo nome, exibida entre 1951 e 1958 na tevê, foi um retumbante sucesso e o levou ao estrelato. Trabalhou no cinema geralmente em faroestes de baixo orçamento. Casou-se duas vezes, mas esses casamentos terminaram em divórcio.

20
HURD HATFIELD
(1918 - 1998. Nova Iorque / EUA)

Fez diversos personagens no cinema, televisão e teatro, mas foi sempre associado ao filme “O Retrato de Dorian Gray / The Picture of Dorian Gray” (1945). Atuando no teatro, teve um caso com um colega depois famoso Yul Brynner. Além do andrógino Dorian Gray, fez mais dois papéis ambíguos: o perseguidor de Billy the Kid no filme de Arthur Penn, “Um de Nós Morrerá / The Left Handed Gun” (1958), e um antiquário homossexual em “O Homem que Odiava as Mulheres / The Boston Strangler” (1968).

21
IVOR NOVELLO
(1893 - 1951. Cardiff / Reino Unido)

Um dos artistas mais populares do início do século XX. Notável compositor, cantor, dramaturgo e ator. Sua boa aparência, talento e estilo suave facilitou o sucesso no teatro e no cinema. Primeira grande estrela do cinema britânico, durante 35 anos teve como parceiro o ator Robert (Bobby) Andrews. Morreu repentinamente de trombose coronária, com a idade de 58 anos, em Londres, ao lado do companheiro.

22
JAMES DEAN
(1931 - 1955. Marion, Indiana / EUA)

Eternizado como um símbolo de rebeldia, sabe-se que se iniciou sexualmente com um religioso mais velho e teve casos com Marlon Brando, Montgomery Clift, Clifton Webb, Bill Bast e Jack Simmons. Conhecido por uma agitada vida social, ele não se preocupava em ser discreto, frequentando boates gays sem qualquer receio. Quando morava em Nova York, estudando no Actors Studio, tornou-se amante de Rogers Brackett, um diretor de rádio. Seu caso sexual intenso com Brando durou todo o inverno de 1951. Completamente encantado, Dean o seguia e copiava seu estilo. 

23
KERWIN MATHEWS
(1926 - 2007. Seattle, Washington / EUA)

Após servir no corpo aéreo do Exército durante a Segunda Guerra Mundial, fez cinema e televisão, destacando-se em filmes de ação, aventura e fantasia no final dos anos 1950 e início dos anos 1960. Em 1961, ele conheceu Tom Nicoll, um gerente de uma cadeia de lojas de luxo, e tornaram-se parceiros por 46 anos. Quando aposentou-se, o casal montou uma loja de antiguidades em San Francisco.

24
LAURENCE HARVEY
(1928 - 1973. Joniskis / Lituânia)

Casado três vezes com mulheres, foi amante do produtor de cinema James Wolfe. Fez muitos filmes, mas nunca foi uma estrela. Não era querido nem pelo público nem pelos críticos. Nos bastidores, colecionou antipatias e era considerado pouco profissional. Em sua autobiografia, “Cavaleiro Errante”, Robert Stephens descreveu Harvey como “um homem terrível e, ainda mais imperdoável, um ator terrível.” Outro ator, John Fraser, chamou-o de “uma prostituta” em livro de memórias. Alcoólatra, morreu de câncer no estômago com a idade de quarenta e cinco anos.

25
MAURICE EVANS
(1901 - 1989. Dorchester / Reino Unido)

Reconhecido ator shakespeariano, brilhou nos palcos. Fez também TV e cinema, sendo lembrado pelo Dr. Zaius em “O Planeta dos Macacos / Planet of the Apes” (1968) e “O Bebê de Rosemary / Rosemary's Baby” (1968). Tinha predileção sexual por adolescentes e David “Taffy” Barlow foi seu amante mais duradouro.

26
MONTGOMERY CLIFT
(1920 - 1966. Omaha, Nebraska / EUA)

Esnobe, enrustido, sensível, introspectivo e frágil, vivia em crise existencial, lutando contra sua sexualidade. Disse certa vez: Amo os homens na cama, mas no dia a dia realmente prefiro as mulheres”. Teve casos com o coreógrafo Jerome Robbins e o ator Roddy McDowall, que tentou o suicídio após o rompimento com Monty. Em seus últimos anos, mergulhou profundamente nas drogas, no abuso de álcool e no comportamento sexual selvagem. Seu companheiro Lorenzo James encontrou-o morto de um ataque cardíaco em sua casa, em 1966. Tinha apenas 45 anos.

27
MONTY WOOLLEY
(1888 - 1963. Nova Iorque / EUA)

A barba branca e distinta era sua marca. Fez cinema, teatro, rádio e tevê. Concorreu duas vezes ao Oscar. O compositor Cole Porter era o seu parceiro de aventuras eróticas. Woolley tinha uma atração irresistível por negros.

28
PETER FINCH
(1916 - 1977. Londres / Reino Unido)

Descoberto por Laurence Olivier, que o convenceu a contracenar com ele em clássicos do teatro britânico, morria de medo do palco e logo se transferiu para o cinema. Fez personagens gays em “Os Crimes de Oscar Wilde / The Trials of Oscar Wilde” (1960) e “Domingo Maldito / Sunday Bloody Sunday” (1971). Seu último longa-metragem foi também o mais memorável, interpretando o repórter enlouquecido em “Rede de Intrigas / Network” (1976), recebendo um Oscar póstumo.

29
RAMON NOVARRO
(1899 - 1968. Victoria de Durango / México)

Mexicano atlético e bonito, trabalhou durante cinco anos em Hollywood como garçom e figurante de filmes, até que encontrou a pessoa certa, o diretor irlandês Rex Ingran, que era homossexual assumido e se apaixonou por ele. Em 1925, o ator protagonizou o clássico “Ben-Hur”, tornando-se o ídolo das mulheres do mundo inteiro, que jamais suspeitaram de sua homossexualidade. Ganhava US $ 100.000 por filme, uma fortuna na época. Católico devoto, teve dificuldades em conciliar sua sexualidade com suas profundas convicções religiosas. Ainda assim compartilhava casa e leito com o empresário Herbert Howe. No final de 1968, na sua confortável residência, foi brutalmente torturado e assassinado a facadas pelos irmãos prostitutos Paul e Tom Ferguson, que acreditavam que o ator tinha uma grande soma de dinheiro.

30
RANDOLPH SCOTT
(1898 - 1987. Condado de Orange, Virginia / EUA)
cary grant e randolph scott
Conhecido pelos filmes do velho oeste, relacionou-se durante anos com Cary Grant, mesmo depois que este se casou. Tratados pela imprensa da época como “o casal feliz”, imagens os mostram na piscina, levantando pesos, fazendo cooper, jogando dama ou jantando à luz de velas. Num flagrante bem íntimo, Scott sentado à mesa olha um documento, como se estivesse fazendo contas, enquanto Grant o observa de pé, a mão apoiada no ombro do amigo. Eles nunca assumiram publicamente nem mesmo uma suposta bissexualidade. Em 1980, aos 76 anos, Grant processou o comediante Chevy Chase, que teria se referido a ele na tevê como “What a gal!” (“Que garota!”). Na velhice, eles eram frequentemente vistos em restaurantes, de mãos dadas. Quando Grant morreu em 1986, Scott foi ao velório, deitou-se sobre o cadáver, beijou-o e chorou por vários minutos, saindo em silêncio sem falar com a imprensa.

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RAYMOND BURR
(1917 - 1993. New Westminster / Canadá)

Ganhou fama, fortuna e inúmeros prêmios retratando “Perry Mason” por nove anos na TV, mas acreditou que poderia esconder sua homossexualidade inventando casamentos imaginários e a paternidade de um filho que morreu de leucemia aos dez anos de idade. Na verdade, viveu 35 anos com Robert Benevides. Juntos, trabalharam na hibridação de orquídeas e abriram uma bem-sucedida galeria de arte.

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RICHARD CHAMBERLAIN
(1934. Califórnia / EUA)

Tornou-se um ídolo com o seriado “Dr. Kildare”, nos anos 1960. A minissérie “Os Pássaros Feridos / The Thorn Birds” também foi sucesso. Estrela de televisão, filmes e teatro, saiu do armário em um livro de memórias de 2003, aos 69 anos, assumindo um romance por quase 40 anos com o agente e produtor Martin Rabett.

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ROBERT PRESTON
(1918 - 1987. Massachusetts / EUA)

Durante quase toda a carreira, foi coadjuvante ou fez papéis principais em filmes B. Depois do sucesso na Broadway, passou a ser respeitado, levando uma indicação ao Oscar por seu personagem gay em Vítor ou Vitória / Victor Victoria” (1982).

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ROCK HUDSON
(1925 - 1985. Illinois / EUA)

Um dos grandes ícones do cinema, símbolo de masculinidade, vivia uma triste realidade: foi obrigado a se casar com sua secretária para não ter a carreira destruída. Protagonista de clássicos como Assim Caminha a Humanidade / Giant” (1956), era homossexual e teve que esconder isso a vida toda. Alto, viril, belo e corpo musculoso, nem de longe passava pela cabeça do público sua homossexualidade. Quando esteve no Rio de Janeiro, Assis Chateaubriand, persuadido pela Universal, montou uma farsa com o ator flagrado numa praia deserta com uma brasileira. 

Após sua morte, amantes e histórias de suas relações sexuais tomaram conta dos jornais. Tinha feroz apetite sexual, fazendo sexo com amantes encontrados nas ruas. Geralmente dava festas só para rapazes em sua mansão nas colinas de Hollywood. Enchia a piscina de aspirantes dispostos a tudo para ganhar um papel em algum de seus filmes. Seu fraco era por jovens loiros e altos, de preferência bronzeados de praia. Gostava de brincar dizendo que nem sabia o nome deles, geralmente chamando os loiros de “Bruce” e os morenos de “Carl”. No fim da tarde todos iam para sua sauna particular onde aconteciam orgias. Sua fama de o “homem preferido da América” valia milhões de dólares. Em sigilo, uma rotina de devassidão sexual.

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RUDOLPH VALENTINO
(1895 - 1926. Castellaneta / Itália)

Primeiro grande galã do cinema, ao morrer mais de cem mil mulheres invadiram o velório, desesperadas. Um mês antes, no entanto, “The Chicago Tribune” o havia chamado de efeminado. Casado com uma lésbica, relacionou-se com muitos homens, entre eles os atores Paul Ivano, Douglas Gerrad e Norman Kerry. Astro de “Dama das Camélias / Camille” (1921) e “Sangue e Areia / Blood and Sand (1922), tinha olhar sedutor, era bem educado e se vestia com ternos impecáveis.

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SAL MINEO
(1939 - 1976. Nova Iorque / EUA)

Primeiro ator a assumir sua homossexualidade, fez sucesso como o Platão de “Juventude Transviada / Rebel Without a Cause” (1955), um drama sobre a alienação e angústia adolescente, onde aparece um subtexto gay na relação entre os personagens retratados por James Dean e Mineo. A dupla sensibilizou gerações de jovens gays. Foi assassinado a facadas num beco por um garoto de programa.

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STEPHEN BOYD
(1931 - 1977. Glemgormley / Reino Unido)

Britânico, apareceu em cerca de 60 filmes, destacando-se como o Messala de “Ben-Hur / Idem” (1959). Casou-se duas vezes, mas nenhum de seus casamentos durou mais de alguns meses. O escritor Gore Vidal, seu amigo, disse que na intimidade o ator não tinha problemas com sua homossexualidade.

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TAB HUNTER
(1931 - 2018. Nova Iorque / EUA)

Cantor e ídolo teen, atuou em mais de 40 filmes. Em 2006, numa autobiografia, reconheceu sua homossexualidade, confirmando falatórios que circulavam desde o auge de sua carreira. Romances com Debbie Reynolds e Natalie Wood não passaram de invenção do estúdio. “Foi difícil para mim, porque eu vivia duas vidas. Nunca falava a verdade para ninguém”, escreveu. Teve um relacionamento com Anthony Perkins, antes do seu parceiro de 30 anos, Allan Glaser.

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TOM TRYON
(1926 - 1991. Connecticut / EUA)

Fez cinema, teatro e televisão, sendo seu maior momento o filme “O Cardeal / The Cardinal” (1963), de Otto Preminger, onde retrata um padre ambicioso. Apesar de ter sido casado por três anos na década de 1950, relacionou-se com o ator da Broadway, Clive Clerk, e a estrela pornô gay Casey Donovan. Desiludido com Hollywood, deixou de atuar em 1969 e começou uma segunda carreira de sucesso como escritor, escrevendo romances inspirados em lendas de Hollywood.

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TYRONE POWER
(1914 - 1958. Cincinnati, Ohio / EUA)

Um dos mais belos atores do cinema, destacou-se como ídolo romântico ou herói de fitas de aventuras. Casou-se, mas nunca conseguiu ocultar sua homossexualidade. O ator Cesar Romero, também gay, foi seu amante e o melhor amigo de toda a vida, e juntos seduziam garotões. Inclusive no Brasil, onde passaram um carnaval no Rio de Janeiro. Tinha uma queda por jovens latinos. Esteve envolvido com vários homens durante sua carreira, entre eles o compositor Lorenz Hart e o ator Errol Flynn.

Livros e artigos relatam que o grande amor da sua vida foi o set designer Jacques Mapes, da 20th Century Fox, com quem manteve um relacionamento sexual e romântico durante décadas. Ele foi muitas vezes visto em público com homossexuais bem conhecidos. Seu grupo de amigos gays incluíam o diretor George Cukor e os atores Clifton Webb, Lon McCallister (e seu amante William Eythe), Cary Grant, Reginald Gardiner, Van Johnson e o bilionário bissexual Howard Hughes.

enas conversava à respeito com ou trata um padre ambicioso. s Wolfe. 41
VAN JOHNSON
(1916 - 2008. Rhode Island / EUA)

Estrela da Metro-Goldwyn-Mayer nos anos 1940-50, o carismático ruivo era craque como galã romântico. Fora das telas, rabugento e mal-humorado. Flagrado praticando ato homossexual em um banheiro público, viu-se obrigado a casar com a atriz Eva Abbott. Anos depois ela confirmaria que o casamento foi uma farsa criada pela M-G-M “para acabar com os comentários sobre a real preferência sexual de Van”. O divórcio aconteceu 13 anos depois, citando crueldade e sofrimento mental. Aos 69 anos, na Broadway, brilhou no musical gay “Gaiola das Loucas”.

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VINCENT PRICE
(1911 - 1993. San Luis, Missouri / EUA)

O rei do terror nunca escondeu ser homossexual. Apesar de ter se casado três vezes, o último com a atriz lésbica Coral Browne. Fez nome como protagonista romântico em peças na Broadway. No cinema, o arquétipo do vilão. Culto, sofisticado e colecionador obras de artes, procurava encontros homossexuais furtivos com garotos de programa.

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WILLIAM “BILLY” HAINES
(1900 - 1973. Staunton, Virginia / EUA)

Uma das principais estrelas do cinema mudo. Apareceu em mais de cinquenta filmes. No entanto, fofocas sobre sua vida abertamente gay ameaçavam sua imagem, e o chefe da M-G-M, Louis B. Mayer, deu ao ator um ultimato: um falso casamento ou a porta da rua. Recusando-se a mentir, seu contrato não foi renovado. Nunca mais atuou, mas seguiu uma carreira de sucesso como decorador de interiores. Desde os 1920, por quase 50 anos, viveu com Jimmy Shields. Joan Crawford descreveu como o mais feliz casal em Hollywood”. Ao morrer de câncer de pulmão aos 73 anos, seu companheiro se suicidou.

FONTES
“Os Boêmios de Hollywood - Sexualidade Transgressiva 
e a Venda do Sonho da Terra do Cinema” (2008)
de Brett Abrams

“No Sound, No Tell. Gay Cinema in the Silent Era” (2009)
de Eric Brightwell

“Por trás da Tela:  Gays e Lésbicas 
em Hollywood, 1910-1969” (2001)
de William J. Mann

“Serviço Completo: Minhas Aventuras em Hollywood
e o Segredo das Vidas Sexuais das Estrelas” (2012)
de Scotty Bowers e Lionel Friedberg

“The Gossip Columnist” (2010)
de Bill Dakota

“A Vida Sexual dos Ídolos de Hollywood” (2004)
de Nigel Cawthorne

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