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junho 09, 2011

********* SALA VIP: “VICKY CRISTINA BARCELONA”

 


W
OODY ALLEN e o ETERNO RETORNO


Desde o seu surpreendente, e, por isso mesmo, maravilhoso “Ponto Final – Match Point / Match Point” (2005), WOODY ALLEN tem nos mostrado possuir uma capacidade pouco comum em cineastas veteranos, por melhor que eles sejam, a de “renovação”, e isso aconteceu justamente quando Woody era acusado por muitos de não se cansar de New York, de Jazz, de comédias e de outros temas tão comuns à sua obra cinematográfica... aí aparece “Ponto Final”, onde New York é trocada por uma Londres sem estereótipos, onde o jazz dá lugar à ópera e a comédia é envolvida por uma tragédia sem precedentes. Seguindo esta mesma receita, vieram “Scoop – O Grande Furo / Scoop”, de 2006 (a partir daí, ninguém mais teve dúvidas de seu casamento profissional com a e-xu-be-ran-te Scarlett Johansson), e o não compreendido “O Sonho de Cassandra / Cassandras Dream” (2007). Mas é com seu sucesso “Vicky Cristina Barcelona / idem” (Espanha / Estados Unidos, 2008), com Rebecca Hall, Scarlett Johansson, Penélope Cruz, Javier Bardem, Christopher Evan Welch, Chris Messina, Patricia Clarkson, Kevin Dunn, Julio Perillán e Josep Maria Domènech... que WOODY ALLEN nos mostra que, aos 72 anos, sua mente e seu talento estão mais maduros e criativos do que nunca.

rebecca hall e scarlett johansson 
Num filme onde tudo, aparentemente, parece se dirigir para o óbvio e para o lugar-comum, a aparente ordem dos fatos se subverte e o que antes parecia racional, se entrega quase que inteiramente ao romantismo intenso, a um Carpe Dien impulsionado pelo desejo de felicidade incondicional, que é o caso da personagem Vicky, vivido pela talentosíssima Rebecca Hall (mais que merecedora de um Oscar), e o que antes era apenas impulso e desejo de descoberta, se deixa arrebatar por situações incontroláveis e impossíveis de se fugir, que se aplica à Cristina, personagem de Scarlett Johansson. Vicky aproveitará o impulso para se construir uma nova rota para sua vida; Cristina declinará e se envolverá em um círculo e voltará ao mesmo ponto de partida, porém triste, insatisfeita e angustiada, principalmente por descobrir que a vida pode conter inúmeras coisas em que lhe falta a coragem e a sabedoria para abraçá-las.

No centro desde dilema, estão as figuras do sedutor Juan Antonio, muito bem interpretado por Javier Bardem, e da caótica e sensual Maria Elena, a quem Penélope Cruz empresta toda a sua força e beleza. Segundo Isabela Boscov, “trata-se, enfim, quase de um jogo de salão, em que cada espectador deve decidir, ao final, se é mais Vicky ou mais Cristina”“Vicky Cristina...” mergulha profundamente no universo de Barcelona, e o seu diretor parece se absorver (e também querer que experimentemos tamanha sensação), da arte, da música, da cultura e do calor catalão. Mostrando-se um profundo conhecedor do ambiente cinematográfico europeu, WOODY ALLEN tem nesse filme vários momentos de Pedro Almodóvar, capitando, deste, suas cores fortes e sua visão feminilizada da vida; aliás, desde “Hannah e suas Irmãs / Hannah and Her Sisters”, de 1986, que WOODY ALLEN o se entregava tanto às suas personagens femininas, nem fazia um filme tão marcado pelo sabor e pela imagem do desejo...

texto de 
SILVÉRIO DUQUE
poeta

javier bardem

VICKY CRISTINA BARCELONA
(Idem, 2008)

País: EUA e Espanha
Duração: 96 mins.
Cor
Produção: Letty Aronson, Stephen Tenenbaum e 
Gareth Wiley (Mediapro & Gravier Productions/Antena 3/Dumaine)
Direção e Roteiro: Woody Allen
Fotografia: Javier Aguirresarobe
Edição: Alisa Lepselter
Cenografia: Alain Bainée (des. prod.) Iñigo Navarro (d.a.)
Sol Caramilloni e Silvia Steinbrecht (déc.)
Vestuário: Sonia Grande
Elenco: Rebecca Hall (“Vicky”), Scarlett Johansson (“Cristina”), 
Javier Bardem (“Juan Antonio”), Penélope Cruz (“Maria Elena”),
 Patricia Clarkson, Kevin Dunn e Carrie Preston

Nota: *** (bom)

Prêmios: Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Cruz)
BAFTA de Melhor Atriz Coadjuvante (Cruz)
Globo de Ouro de Melhor Comédia/Musical
Goya de Melhor Atriz Coadjuvante (Cruz)
Melhor Atriz Coadjuvante (Cruz) da Associação dos Críticos 
de Cinema de Los Angeles
Melhor Atriz Coadjuvante (Cruz) do National Board of Review
Melhor Atriz Coadjuvante (Cruz) do Círculo dos Críticos 
de Cinema de Nova Iorque



abril 30, 2011

*********** TODAS as MULHERES de CHAPLIN


 

Considerado por muitos o maior comediante da história do cinema, genial no uso de mímica e na comédia pastelão, o inglês
CHARLES CHAPLIN (1889 - 1977. Londres / Reino Unido) conquistou milhões de pessoas com o personagem Carlitos, um vagabundo andarilho, irreverente e sensível, que possui maneiras refinadas, andar errático e ar angelical, usando fraque, calças e sapatos desgastados e mais largos que o seu número, chapéu-coco, bengala e um pequeno bigode. Ele dirigiu, escreveu, atuou, produziu e financiou seus próprios filmes, sendo fortemente influenciado pelo comediante francês Max Linder
. Sua vida pública e privada abrangia adulação, controvérsias e escândalos, pouco se assemelhando ao encantador andarilho das telas. Namorador incorrigível e fascinado por mocinhas, ele se orgulhava de ser bem-dotado, chamando seu pênis de “a oitava maravilha do mundo” e se considerava uma máquina sexual, gabando-se de ser capaz de ter cinco ou seis orgasmos seguidos. Galante e volúvel, envolveu-se com dezenas de mulheres. Listo abaixo seus relacionamentos mais famosos.


EDNA PURVIANCE
(1895 - 1958. Nevada / EUA)

Nos seus primeiros anos em Hollywood, ainda na década de 10, à procura de uma estrela para o seu estúdio, recomendaram a CHAPLIN uma loura de São Francisco. Foi amor à primeira vista. Talentosa, ela estrelou 35 filmes com ele. No entanto, os dois não foram exatamente fiéis e se separaram, mas continuaram amigos e Edna permaneceu na folha de pagamento do ator até sua morte, vítima de câncer.


MIL
DRED HARRIS
(1901 - 1944. Wyoming / EUA)

Ele a conheceu numa festa. A garota tinha 14 anos, mas desde os 10 era atriz e já havia aparecido nua numa cena babilônica de “Intolerância / Intolerance”, de D. W. Griffith. Em 1916, com a sua suposta gravidez, ele se viu obrigado a casar, receoso de ser processado por estupro. Era uma armadilha, Mildred só ficou grávida dele em 1920, gerando uma criança deformada que morreu três dias após o nascimento. No mesmo ano se separaram, num divórcio marcado por acusações de crueldade e de infidelidade.


PEGGY HOPKINS JOYCE
(1983 - 1957. Norfolk, Virginia / EUA)

Depois desse primeiro escândalo, CHAPLIN namorou essa experiente milionária, que havia trabalhado no célebre Ziegfeld Follies, conhecida também por seus golpes do baú. Os banhos que tomavam pelados numa praia na ilha Catalina foram noticiados em jornais de todo o mundo. O breve interlúdio amoroso inspirou o comediante em “Uma Mulher de Paris / A Woman of Paris: A Drama of Fate” (1923).


PO
LA NEGRI

(1894 - 1987. Lipno / Polônia)

CHAPLIN paixonou-se perdidamente pela vamp polonesa ao conhecê-la em Berlim, em 1921, embora ela ainda não falasse inglês. Ficaram quatro dias “in love”, mas só voltaram a se reencontrar no ano seguinte, em Hollywood. Tornaram-se inseparáveis. Na imprensa o caso entre os dois era divulgado como “O Rei da Comédia seduz a Rainha da Tragédia”. Numa entrevista coletiva, anunciaram o noivado e falaram dos planos para o casamento. Cinco semanas depois, tudo estava acabado. Pola mostrou-se arrasada, declarando: “Ele é muito temperamental e tão instável quanto o vento. Dramatiza tudo. E faz experiências com o amor”. A diva faleceu de pneumonia no seu rancho no Texas.


LITA GREY
(1908 - 1995. Los Angeles, Califórnia / EUA)

Aos 35 anos, durante a rodagem de “Em Busca do Ouro / The Gold Rush (1925), ele seduziu Lita, que tinha apenas 15 anos e interpretava o principal papel feminino do seu filme. A mocinha ficou grávida e ele foi forçado a se casar, em 1924, no México, mesmo tentando de tudo para evitá-lo, desde a sugestão de um aborto a uma oferta de 20 mil dólares. O relacionamento infeliz gerou dois filhos, culminando no divórcio em 1926, com a jovem atriz alegando publicamente que ele havia tentado filmar suas relações sexuais, sugerira uma outra mulher entre eles no leito conjugal e lhe pedira que aceitasse a felação, sendo que o sexo oral era crime na Califórnia. O depoimento cáustico se transformou num popular panfleto, vendido aos montes, e vários filmes pornográficos foram rodados, mostrando sósias de CHARLES CHAPLIN representando os atos que sua esposa descrevera. Ele teve que desembolsar 650 mil dólares para se livrar dela.


MARION DAVIES
(1897 - 1961. Nova Iorque / EUA)

Ele supostamente traía Lita com Marion Davies, carismática atriz amante do magnata da imprensa William Randolph Hearst. Nos piores momentos do seu casamento, ele se consolava com ela. No entanto, o casal infiel terminou por protagonizar um tenebroso caso no iate de Hearst, durante uma festa que resultou no fim trágico do produtor Thomas Ince. Hearst encontrou Marion tendo relações sexuais com CHAPLIN, saiu para buscar uma arma, Marion começou a gritar e seu companheiro aproveitou para escapar. Ince veio consolar a atriz. Retornando, Hearst interpretou equivocadamente a situação, atirou e matou Ince. A história foi abafada na mídia, mas correu de boca em boca. Marion faleceu vítima de câncer, deixando uma fortuna estimada em 30 milhões de dólares.


P
AULETTE GODDARD

(1910 - 1990. Nova Iorque / EUA)

Passado os anos, CHAPLIN voltou a se casar, desta vez secretamente, aos 47 anos, em 1936, com uma milionária de 25 anos que estava decidida a ser uma estrela de cinema. Ele a escalou para trabalhar em duas de suas obras-primas, “Tempos Modernos / Modern Times” (1936) e “O Grande Ditador / The Great Dictador” (1940). Depois de alguns anos felizes, este casamento também terminou em divórcio, em 1942, devido aos terríveis ciúmes que ele sentia da juventude e beleza de sua parceira. Pouco antes, havia tentado com afinco conseguir para ela o papel de Scarlett O’Hara em “...E o Vento Levou / Gone with the Wind” (1939). Como não foi a escolhida, concluiu que seu marido era mais um estorvo do que um auxílio e os dois se separaram. Viúva do escritor Erich Maria Remarque, Paulette morreu de enfisema na Suíça, onde vivia.


JOAN BARRY
(1920 - 1996. Detroit, Michigan / EUA)

Após a separação, ele deu umas saídas com a star Hedy LaMarr, mas terminou por namorar uma jovem aspirante a atriz, de 22 anos (ele tinha 52). Essa relação terminou quando ela passou a perturbá-lo com ciúmes e perseguições. Depois de alguns abortos e inúmeros abusos, como dançar nua no gramado da casa de CHAPLIN a ameaçá-lo com um revólver, Joan levou o ator a julgamento em 1943. Ele foi preso e teve suas impressões digitais registradas. Ela exigia que assumisse a paternidade, mas exames de sangue comprovaram que o comediante não era o pai, porém a lei exigia que, por ele ter sido o último parceiro com quem ela apareceu em público, mesmo não sendo o pai biológico, teria que assumir a criança, sendo condenado a pagar uma pensão de cem dólares por semana para a criança por fim registrada com seu sobrenome. Durante o julgamento, o ator confirmou sua potência sexual excessiva.


O
ONA O'NEILL

(1925 - 1991. Warwick / Bermudas)

Pouco tempo depois, ainda em 1943, casou-se com Oona, não agradando ao pai dela, o famoso dramaturgo Eugene O’Neill. Ele tinha 55 anos e ela somente 17, mas a enorme diferença de idade não afetou negativamente a união. Foram viver na Suíça e tiveram oito filhos, entre eles a atriz Geraldine. O último nasceu quando CHARLES CHAPLIN já estava nos setenta anos. Este casamento feliz durou até o fim da vida do comediante. “Se tivesse conhecido Oona ou alguém como ela há muito tempo, nunca teria tido problemas com as mulheres”, declarou ele. Oona faleceu de um câncer no pâncreas.

FONTE
A Vida Sexual dos Ídolos de Hollywood”, de Nigel Cawthorne

paulette e chaplin