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maio 25, 2024

********** O CINEMA ELEGANTE de MAX OPHÜLS

 

 


 
Qual cineasta foi mais ignorado que Max Ophüls? 
Um ostracismo mesquinho e teimoso 
foi praticado em relação ao seu trabalho.
CLAUDE BEYLIE
(1932 - 2001. Sarlat-la-Canéda / França)
crítico e historiador de cinema
 
Ele não era o virtuoso, o esteta ou o cineasta 
decorativo que tem sido chamado. 
Assim como seu amigo Jean Renoir
Ophüls sempre sacrificou a técnica pelo ator. 
Ele fez com que os atores fossem mais naturais 
do que a maioria dos diretores.
FRANÇOIS TRUFFAUT
(1932 - 1984. Paris / França)
cineasta


O cinema sedutor, refinado e barroco do mestre MAX OPHÜLS (1902 – 1957. Saarbrücken / Alemanha) é pouco conhecido no Brasil. Ele foi um exímio narrador de histórias de amor, confirmando sua sensibilidade romântica, sua identificação com a consciência e os apuros das mulheres. Uma das suas características mais notáveis é a importância dada à identidade feminina. Destaco também os extraordinários e vivos jogos de câmera, os travellings absurdos acompanhando a narrativa e a peculiar elegância do diretor. Embora seu cinema também prospere com tramas envolventes, atuações fortes e um manejo hábil de múltiplos temas e concentrações históricas, hipnotiza principalmente pelo profundo fascínio visual. Há algo de mágico em sua obra, algo especial em seu estímulo emocional-sensorial.  Sua filmografia está repleta de uma arte de tirar o fôlego. A câmera gira e faz curvas captando cada faceta da decoração e do figurino. Tal como essas elaboradas manobras que enriquecem a sua trajetória cinematográfica, sua carreira foi de flutuações dinâmicas. Desde seu primeiro longa-metragem em 1932, até o último em 1955, teve momentos de tremenda produtividade, seguidos por adversidades desanimadoras. Ele definhou em períodos de estagnação, se levantando novamente e florescendo com uma série de sucessos sensíveis e aplaudidos.

max ophuls
Nascido Maximillian Oppenheimer, começou sua carreira no show business como ator teatral aos 17 anos, mudando seu sobrenome para não manchar o nome da família rica e tradicional. Em 1924, trabalhou como diretor no prestigioso Bürgtheater de Viena. Em 1926, casou-se com a atriz Hilde Wall, com quem teve Marcel, o futuro documentarista de “A Tristeza e a Piedade / Le Chagrin et la Pitié” (1969).  Em 1930, com cerca de duzentas peças no currículo, iniciou sua arte cinematográfica como assistente de Anatole Litvak na UFA, em Berlim. Dirigiu seu primeiro filme em 1930, o curta-metragem “Prefiro ter Óleo de Fígado de Bacalhau / Dann Schon Lieber Lebertran”, considerado perdido, seguindo-se o longa-metragem, “A Companhia Apaixonada / Die Verliebte Firma” (1932). O sucesso veio com “Uma História de Amor / Liebelei”, em 1933. Nele, seu estilo sofisticado já se define na adaptação de Arthur Schnitzler, em quem mais tarde se inspiraria para criar um dos seus mais importantes filmes, “Conflitos de   Amor”, em 1950. A ascensão de Adolf Hitler ao poder na Alemanha obrigou o diretor judeu a instalar-se na França, onde, de 1934 a 1940, fez sete filmes, intercalados entre uma realização na Itália e outra na Holanda. Em 1938, adquiriu a cidadania francesa.
 
O avanço das tropas nazistas levou-o à Suíça, mas a falta de autorização de trabalho (que só lhe seria concedida caso se declarasse desertor do exército francês, o que ele recusou) resultou no fim do seu projeto de filmar a comédia “Escola de Mulheres”, de Molière, com Louis Jouvet, e na sua expulsão do país. Antes, em Zurique, dirigiu com sucesso duas peças. Em seguida, em 1941, mudou para os Estados Unidos. Os primeiros anos em Hollywood foram difíceis. Ele vivia graças à ajuda dos amigos refugiados. Desempregado até 1946, aproveitou para escrever sua autobiografia. Preston Sturges, impressionado com “Uma História de Amor”, conseguiu que dirigisse “Vendetta / Idem” para a RKO Radio Pictures. Porém a filmagem foi conturbada pelas interferências do produtor Howard Hughes. Uma discordância causou a demissão do diretor e de Sturges. Mel Ferrer terminou assinando o filme inexpressivo.  A oportunidade de MAX OPHÜLS sentar atrás das câmeras em Hollywood chegou com o auxílio do cineasta alemão Robert Siodmak, que sugeriu seu nome a Douglas Fairbanks. Jr. para “O Exilado” (1947), aventura histórica que o próprio astro produziu. Seguiram-se três outros filmes, todos com receitas medianas. Após “Na Teia do Destino”, seu último trabalho nos EUA, o produtor Walter Wanger decidiu confiar ao diretor a possibilidade de concretização de um dos seus sonhos mais desejados: a adaptação do famoso romance de Honoré de Balzac, “A Duquesa de Langeais”. Balzac era um dos escritores preferidos do cineasta e ele encarou o projeto com muito entusiasmo. A obra seria rodada em Paris, onde regressou em 1949, após nove anos de ausência. Greta Garbo e James Mason seriam os protagonistas. Infelizmente, a adaptação não se concretizou por falta de dinheiro.

max ophuls e joan fontaine
Em 1950, reiniciou sua filmografia na França com o prestígio de ter sido descoberto pela nova crítica da revista “Cahiers du Cinéma”. Com uma carreira marcada por fracassos críticos e comerciais, por projetos iniciados e abandonados, mas também por conquistas renomadas, MAX OPHÜLS certamente conhecia a natureza precária do negócio do entretenimento. Seu último filme, o magnífico “Lola Montès”, uma coprodução internacional, foi recebido com hostilidade desenfreada. Sua linha do tempo inovadora levou a cortes e reorganizações narrativas, resultando em uma versão provisória de 91 minutos em ordem cronológica, retirando exatamente o que melhor caracterizava a originalidade da técnica empregada pelo diretor. 
 
A obra-prima “Lola Montès” só foi visto integralmente, como hoje conhecemos, muito mais tarde. Na época do lançamento, indignados, famosos diretores e críticos da França – entre eles, François Truffaut, Jean Cocteau, Roberto Rossellini e Jacques Tati – publicaram uma carta aberta em defesa das inovações e audácia do filme e elogiando seu diretor como um artista de vanguarda.  A mutilação da obra abalou MAX OPHÜLS que – afetado por problemas cardíacos – morreu em 1957, aos 54 anos. Suas cinzas estão no Père-Lachaise, em Paris. Ele trabalhava em “Os Amantes de Montparnasse/ Les Amants de Montparnasse” (1958), cinebiografia sobre o pintor italiano Amedeo Modigliani, que foi concluído por Jacques Becker. Seu último trabalho completo, a encenação em Hamburgo de “As Bodas de Fígaro”, no Schauspiel Theater, resultou num sucesso extraordinário. Na estreia, os intérpretes tiveram 46 chamadas ao palco.
 
FONTES
“Max Ophüls: Visão Magistral e a Figura da Mulher” (1995) 
de Susan M. White

“Max Ophüls nos Estúdios de Hollywood” (1996)
de Lutz Bacher

“O Prazer de Ver Max Ophüls” (1991)
de Klaus Vetter e Carlos Augusto Calil

“desejos proibidos”

DEZ FILMES de MAX OPHÜLS
(por ordem de preferência)
 
01
DESEJOS PROIBIDOS
(Madame De..., 1953)

elenco: Charles Boyer, Danielle Darrieux, Vittorio De Sica e Jean Debucourt
 
Baseado no romance de Louise de Vilmorin. Da frivolidade à tragédia amorosa, a trajetória de mulher superficial e, por fim, apaixonada, e suas relações com o marido e o amante. Clássico, oferece uma representação de amplo espectro de uma estrutura social. Começa como uma inteligente comédia, eleva-se às alturas de um romance, e resolve-se em tragédia. Um dos filmes que constituem a expressão mais alta do estilo do diretor. Combina os ingredientes típicos e interesses temáticos que ocuparam sua carreira, relacionando os sofisticados elementos cinematográficos numa complexa tensão dramática. Interpretação impecável do trio central, despontando Danielle Darrieux, que cria com inteligência uma personagem atraente e fútil.
 
02
CONFLITOS de AMOR
(La Ronde, 1950)

elenco: Anton Walbrook, Simone Signoret, Serge Reggiani, Simone Simon, Daniel Gélin, Danielle Darrieux, Jean-Louis Barrault, Isa Miranda e Gérard Philipe
 
Adaptação livre da peça de Arthur Schnitzler, composta de dez episódios entrelaçados por um narrador, que oferece uma visão satírica e, às vezes, amarga, da libertinagem. Construído sobre uma série de situações em torno de amantes cuja única ou principal relação é a sexual, foi o maior sucesso do diretor, largamente reprimido e até mesmo censurado em certos países, por sua apresentação do erotismo. Representou, à sua época, o compêndio do espirituoso, do sofisticado e do elegante. Com ele, MAX OPHÜLS voltou à sua pátria adotiva, a França. Depois de nove anos de exílio nos EUA, marcou a abertura da última e mais bela fase da errante carreira do diretor.
 
03
O PRAZER
(Le Plaisir, 1952)

elenco: Claude Dauphin, Gaby Morlay, Madeleine Renaud, Danielle Darrieux, Pierre Brasseur, Jean Gabin, Jean Servais, Daniel Gélin, Simone Simon e Paulette Dubost
 
Baseado em contos de Guy de Maupassant, trata do prazer sensual através de refinadas relações e sutis reflexões em torno de episódios envolvendo um estranho mascarado, o comportamento inusitado de profissionais de um bordel e a modelo de um pintor. Segundo Jean-Luc Godard, “o mais ophulsiano dos filmes do diretor”.
 
04
LOLA MONTÈS
(Idem, 1955)

elenco: Martine Carol, Peter Ustinov, Anton Walbrook, Lise Delamare, Paulette Dubost, Oskar Werner e Ivan Desny
 
A vida e amores de notória aventureira, cortesã e dançarina de cabaré, que acabou contratada por um circo para um espetáculo baseado em sua biografia. O filme trabalha o tema da aniquilação pessoal face aos cruéis e imorais artifícios da indústria do escândalo, sob a forma de uma condenação vigorosa do mundo decadente retratado de maneira luxuosa. Desde sua estreia, criou grande controvérsia. Depois de lançado em versão mutilada, criou-se uma aura ao seu redor. Com novas abordagens, tem o substrato fundamental para o desenvolvimento do cinema moderno. Em 1968 foi relançado numa versão integral de 140 minutos.
 
05
CARTA de uma DESCONHECIDA
(Letter from an Unknown Woman, 1948)

elenco: Joan Fontaine, Louis Jourdan e Mady Christians
 
Comovente e melancólica história poeticamente fotografada por Franz Planer. Na Viena do começo do século XX, a narração em flashback a partir do drama de um pianista de concerto, transformado em playboy, que recebe carta de uma mulher morta relatando a breve relação entre eles. O filme arma o contraste entre a leitura (do homem), que desconhece os motivos e as intenções, e a consciência (da câmera e da mulher) que domina e manipula a ação. Um melodrama exemplar. Irrepreensível nos aspectos técnicos e perfeito do começo até o seu inesquecível final.
 
06
WERTHER
(Le Roman de Werther, 1938)

elenco: Pierre Richard-Willm, Annie Vernay e Jean Galland
 
Inspirado no clássico romance de Goethe, apresenta os sofrimentos de jovem, que, apaixonado por uma mulher comprometida, não consegue conter a idealização de seu amor, tornando-se obcecado pela ideia do suicídio. Um drama sensível e bem interpretado. Os aspectos mais marcantes são a cinematografia e a direção. Há um uso de iluminação muito interessante, com focos de luz chamando a atenção para partes específicas do cenário e as emoções dos personagens.
 
07
O EXILADO
(The Exile, 1947)

elenco: Douglas Fairbanks Jr., Maria Montez, Henry Daniell e Nigel Bruce
 
Alegre fantasia sobre as aventuras do Rei Charles Stuart na Holanda. O diretor aproveita a oportunidade para mostrar a Hollywood o que ele sabia fazer com a câmera. A força do filme vem de suas composições, da intricada mise-en-scène, do movimento permanente e do carisma de Fairbanks Jr., que homenageia seu pai.
 
08                                                                
Na TEIA do DESTINO
(The Reckless Moment, 1949)

elenco: James Mason, Joan Bennett, Geraldine Brooks e Shepperd Strudwick
 
Um drama como paródia crítica dos valores tradicionais da classe média. Último filme de MAX OPHÜLS nos EUA e, tal como “Coração Prisioneiro” (que o antecedeu) na sua gênese interveio o ator britânico James Mason, um dos maiores amigos do diretor. Produzido por Walter Wanger, marido de Joan Bennett e um dos mais cultos produtores de Hollywood, se situa num meio social abastado, com Bennett (magnificamente dirigida) chantageada por cafajeste que apaixona-se por ela.
 
09
CORAÇÃO PRISIONEIRO
(Caught, 1949)

elenco: James Mason, Barbara Bel Geddes, Robert Ryan e Curt Bois
 
Insatisfeita com seu marido sádico e milionário, garota vai trabalhar com um médico. Eles se apaixonam. Grávida, ela pede o divórcio, mas o marido exige em troca a custódia da criança. O filme fornece uma clara demonstração das possibilidades críticas inerentes ao melodrama. O diretor mostra-se inteiramente à vontade nas convenções do filme noir, dominante em Hollywood na época.
 
10
SEM PERDÃO
(Sans Lendemain, 1939)

elenco: Edwige Feuillère, Jorge Rigaud e Daniel Lecourtois
 
Artista de cabaré, com um pequeno filho, reencontra um antigo amor, mas está envolvida amorosamente com um rico mafioso. Ela se vê forçada a situações comprometedoras, até que surge uma saída desesperada. Pode ser visto como um ensaio para “Carta de Uma Desconhecida”. No elenco, brilha Edwige Feuillère.
 
GALERIA de FOTOS
 

lola montèz

abril 29, 2023

******* WARNER BROS. 100 ANOS – a HISTÓRIA

 


 
A norte-americana WARNER BROTHERS, uma das maiores produtoras de filmes e séries televisivas do mundo, comemora 100 anos de existência. Fundada em 1923 pelos irmãos Harry, Albert, Sam e Jack Warner, inicialmente trabalhava com a distribuição de longas-metragens. Com o passar dos anos, transformou-se numa produtora poderosa de filmes – em 2022, faturou 33,8 bilhões de dólares.  A companhia criou alguns dos mais amados e reconhecidos filmes de todos os tempos. Para celebrar o marco histórico, agendou uma série de lançamentos, inclusive um documentário que conta sua trajetória. A história da origem dos donos iniciais do estúdio remonta ainda na Polônia, filhos de um sapateiro que tinha 12 filhos e vivia com a sua família em Kransnosielc.

os irmãos warner
Os irmãos Warner (nascidos como Wonskolaser), Harry Warner (nascido Hirsz), Albert Warner (nascido Aaron), Sam Warner (nascido Szmul) e Jack Warner (nascido Itzhak), eram judeus que emigraram para Ontário, Canadá. Tendo adquirido um projetor e uma tela portátil, começaram os negócios exibindo filmes mudos em cidades da Pensilvânia e de Ohio, já nos Estados Unidos. Com o lucro, abriram a sua própria sala de cinema, aumentando esse patrimônio com o mercado da distribuição. Em 1918, na Califórnia, criaram uma produtora, e, graças ao sucesso, conseguiram comprar um estúdio em Hollywood. Harry, o mais velho dos irmãos, assumiu a presidência da empresa, dirigindo-a da sua sede em Nova Iorque, enquanto Albert ficou como tesoureiro e chefe de vendas e distribuição.
 
Sam e Jack dirigiam o estúdio, que gozou de um êxito rápido, com a série de Rin Tin Tin, um cão que havia sido trazido da França, após a primeira guerra, por um soldado. Os filmes do cão esperto se tornaram tão populares que deram origem a uma franquia de 26 longas. Rin Tin Tin se tornou a maior estrela do estúdio, ganhando mil dólares por semana até 1929, quando seu contrato foi rompido.  O prestígio surgiu ao contratar o diretor alemão Ernst Lubitsch. Sua comédia “O Círculo do Casamento / The Marriage Circle” foi a maior bilheteria do estúdio em 1924, e fez parte da lista do “New York Times” dos melhores do ano. Dando continuidade, contrataram o famoso ator da Broadway, John Barrymore, para o papel principal em “Beau Brummell”. O drama foi um sucesso.
 
jack warner
Em 1927, após “Don Juan” fracassar, a produtora entrou em crise, mas o lançamento de “O Cantor de Jazz / The Jazz Singer”, protagonizado por Al Jolson, foi uma sensação e assinalou o início da era de filmes falados e o crepúsculo do cinema mudo. O musical possuía diálogos sonorizados, além de trechos cantados. No entanto, Sam morreu na noite anterior à estreia. Sua morte teve um impacto em Jack, pois era uma inspiração e seu irmão preferido. Nos anos seguintes, da WARNER BROS. tornou-se uma das principais produtoras cinematográficas, com Jack mantendo um controle rígido. Em 1929, foi pioneira nos filmes coloridos com “A Canção do Deserto / The Desert Song”. No ano seguinte, investiu em animação, iniciando a fama de personagens como Pernalonga, Patolino, Gaguinho, entre outros. Durante os anos 30, produziu perto de 100 filmes por ano.
 
O estúdio lançou filmes realistas de gangsters, um fenômeno iniciado com Edward G. Robinson em “Alma no Lodo / Little Caesar” (1931). O ator, juntamente com James Cagney, Kay Francis, Bette Davis, Paul Muni, Miriam Hopkins, Barbara Stanwyck, George Brent, Warren William, Olivia de Havilland, Errol Flynn, Joan Blondell, Dick Powell e Humphrey Bogart, fazia parte dos contratados de longa duração.  Com o passar dos anos, o estúdio ganhou reputação por produzir filmes de nível artístico conduzidos por diretores competentes ou talentosos como Howard Hawks, William A. Wellman, Alfred E. Green, Mervyn LeRoy, Lloyd Bacon, Roy Del Ruth, Edmund Goulding, Archie L. Mayo, Raoul Walsh, Michael Curtiz, William Dieterle, William Wyler, Anatole Litvak, John Huston, William Keighley, Vincent Sherman, Jean Negulesco, Curtis Bernhardt, Peter Godfrey, John Cromwell etc. Um símbolo da WARNER que nos acompanha até hoje na abertura dos seus filmes, a famosa caixa d’água com a logomarca, foi construída em 1935 como cenário da comédia “Cain e Mabel / Cain and Mabel”, estrelado por Clark Gable.Em 1936, Bette Davis, a principal atriz do estúdio, descontente com os papéis que recebia, foi para a Europa e tentou quebrar seu contrato, mas perdeu o processo e teve que retornar.
 
cena de os crimes do museu (1933)
“A Vida de Emile Zola / The Life of Emile Zola”
(1937) deu ao estúdio o primeiro Oscar de Melhor Filme. Em 1939, o novo contratado George Raft deu dor de cabeça para Jack Warner. Ele não gostava de Humphrey Bogart e se recusava a fazer qualquer filme com o ator. A WARNER liberou Raft de seu contrato e graças a filmes recusados por ele, como “O Último Refúgio” (1941), Bogart se tornou uma grande estrela.  Em 1943, Olivia de Havilland abriu um processo contra o estúdio. Estava insatisfeita com os filmes que fazia e passou a recusar papéis, o que fez com que recebesse suspensões. Quando não aceitou ser emprestada para a Columbia Pictures, teve mais uma vez o seu contrato suspenso. Quando ele venceu, a atriz foi informada de que continuaria trabalhando para compensar os períodos de suspensão.
 
Por fim, De Havilland descobriu que os contratos nos EUA valiam por apenas sete anos e ela estava contratada há oito, desde 1935. Entrou com uma ação e a corte votou a favor dela, que, vitoriosa, pode ser liberada de seu contrato, com a WARNER prometendo nunca mais contratá-la. Mas ela acabou ganhando o respeito da indústria cinematográfica e sendo convidada para excelentes papéis nas telas.  Durante a Segunda Guerra Mundial, a Cruz Vermelha coletou cerca de 5,200 litros de sangue doados pelos empregados da empresa e 763 deles serviram nas Forças Armadas, incluindo o genro de Harry, Milton Sperling, e o filho de Jack, Jack Warner Jr. Após o Oscar de Melhor Filme com o icônico “Casablanca”, os Irmãos Warner ficaram ainda mais ricos do que já eram.
 
Nos anos 40, a imagem da
WARNER mudou para produções mais atrativas e modernas, graças a atores como Joan Crawford, John Garfield, Ann Sheridan, Paul Henreid, Alexis Smith, Lauren Bacall e Eleanor Parker. O estúdio prosperou após a guerra. Mas a década de 50 foi de desafios. A TV fez com que o cinema enfrentasse dificuldades de sobrevivência.
 
Em 1954, a WARNER BROS. finalmente conseguiu decolar com sua divisão de TV, produzindo algumas séries do gênero faroeste, como “Maverick”, “Bronco” e “Colt 45”. O sucesso ajudou a compensar as perdas cinematográficas. Como resultado, Jack Warner investiu mais em produções de TV. Em 1956, ele deu um golpe nos irmãos e se tornou presidente com 90% das ações. A empresa cresceu novamente no final dos anos 1950. Nos primeiros anos de 1960, os lucros líquidos eram pouco mais que 7 milhões de dólares. Em meados da década, a produção de filmes estrou mundialmente em declínio. Com a idade avançando, Jack vendeu sua parte nos negócios, perdendo a presidência em 1967. Era a primeira vez que a companhia não era comandada por um dos quatro irmãos. Por 32 milhões de dólares, o estúdio passou a ser controlado pelos investidores canadenses Elliot e Kenneth Hyman. Rebatizada de Warner Bros. - Seven Arts. e com o estrondoso sucesso de “Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas”, começou a lucrar novamente. A nova direção apostou em estrelas, assinando acordos de co-produção com Paul Newman, Robert Redford, Barbra Streisand, Clint Eastwood e outros.
 
Seguiu de forma bem sucedida nos anos 70 e 80, realizando diversos filmes lucrativos com personagens como Superman e Batman. A partir de 2001, lançou a famosa série
“Harry Potter”. Em 2009, se tornou o primeiro estúdio da história a faturar mais de 2 bilhões no mercado norte-americano em um único ano. Atualmente, a WARNER BROS. é dona de 10 empresas cinematográficas e televisivas. Seus estúdios estão em Burbank, na Califórnia, numa área de 44,50 hectares e uma área rural de 12,95 hectares. No local, existem 29 estúdios e 12 sub-estúdios. Além disso, há oito salas de projeção e um tanque para cenas aquáticas com capacidade de mais de 7,5 milhões de litros. O local funciona como uma cidade. Existem serviços de energia, correio, bombeiros e polícia. Segundo dados, a WARNER BROS. possui mais de dez mil longas-metragens e 4.500 séries para TV. Uma boa maneira de dimensionar a sua trajetória gloriosa é assistir a alguns dos seus filmes mais expressivos. Confira vinte deles:
 
01
INIMIGO PÚBLICO No. 1
(The Public Enemy, 1931)

direção de William A. Wellman
 
02
As AVENTURAS de ROBIN HOOD
(The Adventures of Robin Hood, 1938)

direção de Michael Curtiz e William Keighley
 
03
A CARTA
(The Letter, 1940)

direção de William Wyler
 
04
O FALCÃO MALTÊS
(The Maltese Falcon, 1941)

direção de John Huston
 
05
O ÚLTIMO REFÚGIO
(High Sierra, 1941)

direção de Raoul Walsh
 
06
SARGENTO YORK
(Sergeant York, 1941)

direção de Howard Hawks
 
07
CASABLANCA
(Idem, 1942)

direção de Michael Curtiz
 
08
Uma AVENTURA na MARTINICA
(To Have and Have Not, 1944)

direção de Howard Hawks
 
09
ALMAS em SUPLÍCIO
(Mildred Pierce, 1945)

direção de Michael Curtiz
 
10
O TESOURO de SIERRA MADRE
(The Treasure of the Sierra Madre, 1948)

direção de John Huston
 
11
FÚRIA SANGUINÁRIA
(White Heat, 1949)

direção de Raoul Walsh
 
12
À MARGEM da VIDA
(Caged, 1950)

direção de John Cromwell
 
13
PACTO SINISTRO
(Strangers on a Train, 1951)

direção de Alfred Hitchcock
 
14
Uma RUA CHAMADA PECADO
(A Streetcar Named Desire, 1951)

direção de Elia Kazan
 
15
JUVENTUDE TRANSVIADA
(Rebel Without a Cause, 1955)

direção de Nicholas Ray
 
16
VIDAS AMARGAS
(East of Eden, 1955)

direção de Elia Kazan
 
17
MINHA BELA DAMA
(My Fair Lady, 1964)

direção de George Cukor
 

18

QUEM TEM MEDO de VIRGINIA WOOLF?
(Who's Afraid of Virginia Woolf?, 1966)

direção de Mike Nichols
 
19
BONNIE e CLYDE – Uma RAJADA de BALAS
(Bonnie and Clyde, 1967)

direção de Arthur Penn
 
20
O EXORCISTA
(The Exorcist, 1973)

direção de William Friedkin

 
30 ESTRELAS da WARNER BROS.
 
ALEXIS SMITH
(1921 - 1993. Penticton, Columbia Britânica / Canadá)
 

Dois Filmes na Warner:
CONFLITOS D’ALMA (Conflict, 1945)
A CANÇÃO INESQUECÍVEL (Night and Day, 1946)
 
ANN SHERIDAN
(1915 – 1967. Denton, Texas / EUA)
 

Dois Filmes na Warner:
DENTRO da NOITE (They Drive by Night, 1940)
Em CADA CORAÇÃO um PECADO (Kings Row, 1942)
 
BARBARA STANWYCK
(1907 – 1990. Brooklyn, Nova York / EUA)
 

Dois Filmes na Warner:
SERPENTE de LUXO (Baby Face, 1933)
MINHA REPUTAÇÃO (My Reputation, 1946)
 
BETTE DAVIS
(1908 – 1989. Lowell, Massachusets / EUA)

Dois Filmes na Warner:
VITÓRIA AMARGA (1939)
A CARTA (1940)
 
CLAUDE RAINS
(1889 –1967. Londres, Inglaterra / Reino Unido)
 

Dois Filmes na Warner:
CASABLANCA (Idem, 1942)
VAIDOSA (Mr. Skeffington, 1944)
 
DICK POWELL
(1904 - 1963 Mountain View, Arkansas / EUA)
 

Dois Filmes na Warner:
CAÇADORAS de OURO (Gold Diggers of 1933, 1933)
SONHO de uma NOITE de VERÃO 
(A Midsummer Night's Dream, 1935)
 
DORIS DAY
(1924. Cincinnati, Ohio / EUA)
 

Dois Filmes na Warner:
ÊXITO FUGAZ (Young Man with a Horn, 1949)
ARDIDA como PIMENTA (Calamity Jane, 1953)
 
DOUGLAS FAIRBANKS JR.
(1909 – 2000. Nova Iorque / EUA)
 

Dois Filmes na Warner:
A PATRULHA da MADRUGADA (The Dawn Patrol, 1930)
ALMA no LODO (Little Caesar, 1930)
 
EDWARD G. ROBINSON
(1893 – 1973. Bucareste / Romênia)
 

Dois Filmes na Warner:
ALMA no LODO (Little Caesar, 1930)
CONFISSÕES de um ESPIÃO NAZISTA 
(Confessions of a Nazi Spy, 1939)
 
ELEANOR PARKER
(1922 - 2013. Cedarville, Ohio / EUA)
 

Dois Filmes na Warner:
ESCRAVO de uma PAIXÃO (Of Human Bondage, 1946)
À MARGEM da VIDA (Caged, 1950)
 
ERROL FLYNN
(1909 – 1959. Hobart, Tasmania / Austrália)
 

Dois Filmes na Warner:
CAPITÃO BLOOD (Captain Blood, 1935)
As AVENTURAS de ROBIN HOOD 
(The Adventures of Robin Hood, 1938)
 
GEORGE BRENT
(1904 1979.  Ballinasloe / Irlanda)
 

Dois Filmes na Warner:
JEZEBEL (Idem, 1938)
NASCIDA PARA o MAL (In This Our Life, 1942)
 
HUMPHREY BOGART
 (1899 – 1957. Nova York / EUA)
 

Dois Filmes na Warner:
O ÚLTIMO REFÚGIO (High Sierra, 1941)
CASABLANCA (Idem, 1942)
 
IDA LUPINO
(1918 – 1995. Londres, Inglaterra / Reino Unido)
 

Dois Filmes na Warner:
DENTRO da NOITE (They Drive by Night, 1940)
O ÚLTIMO REFÚGIO (High Sierra, 1941)
 
JAMES CAGNEY
(1899 - 1986. Nova Iorque / EUA)
 

Dois Filmes na Warner:
HERÓIS ESQUECIDOS (The Roaring Twenties, 1939)
FÚRIA SANGUINÁRIA (White Heat, 1949)
 
JANE WYMAN
(1914 – 2007. St. Josephs, Missouri / EUA)
 

Dois Filmes na Warner:
BELINDA (Johnny Belinda, 1948)
Um BEIJO no ESCURO (A Kiss in the Dark, 1949)
 
JOAN BLONDELL
(1906 - 1979. Nova Iorque / EUA)
 

Dois Filmes na Warner:
O INIMIGO PÚBLICO NO. 1 (The Public Enemy, 1931)
CAÇADORAS de OURO (Gold Diggers of 1933, 1933)
 
JOAN CRAWFORD
(1904 – 1977. San Antonio, Texas / EUA)
 

Dois Filmes na Warner:
ALMA em SUPLÍCIO (Mildred Pierce, 1945)
FOGUEIRA de PAIXÃO (Possessed, 1947)
 
JOHN BARRYMORE
(1882 – 1942. Filadélfia, Pensilvânia / EUA)

Dois Filmes na Warner:
BEAU BRUMMEL (Idem, 1924)
DON JUAN (Idem, 1926)
 
JOHN GARFIELD
(1913 - 1952. Nova Iorque / EUA)
 

Dois Filmes na Warner:
QUANDO a NOITE CAI (Out of the Fog, 1941)
REDENÇÃO SANGRENTA (The Breaking Point, 1950)
 
KAY FRANCIS
(1905 – 1968. Oklahoma City, Oklahoma / EUA)
 

Dois Filmes na Warner:
CAPRICHO BRANCO (Mandalay, 1934)
CONFISSÃO (Confession, 1937)
 
LAUREN BACALL
(1924 - 2014. New York / EUA)
 

Dois Filmes na Warner:
Uma AVENTURA na MARTINICA (To Have and Have Not, 1944)
PRISIONEIRO do PASSADO (Dark Passage, 1947)
 
MIRIAM HOPKINS
(1902 – 1972. Bainbridge, Geórgia / EUA)
 

Dois Filmes na Warner:
CARAVANA do OURO (Virginia City, 1940)
Uma VELHA AMIZADE (Old Acquaintance, 1943)
 
OLIVIA de HAVILLAND
(1916 - 2020. Tóquio / Japão)
 

Dois Filmes na Warner:
As AVENTURAS de ROBIN HOOD 
(The Adventures of Robin Hood, 1938)
NASCIDA PARA o MAL (In This Our Life, 1942)
 
PATRICIA NEAL
(1926 - 2010. Packard, Kentucky / EUA)
 

Dois Filmes na Warner:
VONTADE INDÔMITA (The Fountainhead, 1949)
REDENÇÃO SANGRENTA (The Breaking Point, 1950)
 
PAUL HENREID
(1908 – 1992. Trieste / Itália)
 

Dois Filmes na Warner:
A ESTRANHA PASSAGEIRA (Now, Voyager, 1942)
CASABLANCA (Idem, 1942)
 
PAUL MUNI
(1895 - 1967. Lviv / Ucrânia)

Dois Filmes na Warner:
O FUGITIVO (I Am a Fugitive from a Chain Gang, 1932)
A VIDA de EMILE ZOLA (The Life of Emile Zola, 1937)
 
RONALD REAGAN
(1911 – 2004. Tampico, Illinois / EUA)

Dois Filmes na Warner:
O CAMINHO de SANTA FÉ (Santa Fe Trail, 1940)
Em CADA CORAÇÃO um PECADO (Kings Row, 1942)
 
VIVECA LINDFORS
(1920 – 1995. Uppsala / Suécia)

 Dois Filmes na Warner:
As AVENTURAS de DON JUAN (Adventures of Don Juan, 1948)
ALGUÉM DEIXOU ESTE MUNDO (Backfire, 1950)
 
WARREN WILLIAM
(1894 – 1948. Aitkin, Minnesota / EUA)
 

Dois Filmes na Warner:
CAÇADORAS de OURO (Gold Diggers of 1933, 1933)
CASADOS em SEGREDO (The Secret Bride, 1934)