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dezembro 10, 2017

********************** FAMOSAS SÉRIES de TV

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Algumas SÉRIES de TV ficam na memória. Ainda menino, não perdia o tenso e realista “Combate”. Daí nasceu a paixão por filmes sobre a Segunda Guerra Mundial. Gostava do humor irreverente de “Guerra, Sombra e Água Fresca” e do familiar “Daniel Boone”, embora as minhas favoritas fossem “Túnel do Tempo” e “Havaí 5.O”. A maioria dessas SÉRIES clássicas conta com estrelas de cinema em participações especiais e foi produzida nos anos 1960, considerados pelos especialistas como a era de ouro da televisão. De várias partes do mundo, vieram os primeiros sucessos de ficção-científica em episódios, como o norte-americano Além da Imaginação e o inglês “Thunderbirds”. Com o êxito, muitas outras foram produzidas no mesmo segmento, rendendo clássicos como Viagem ao Fundo do Mar“Jornada nas Estrelas” e Os Invasores. Elas marcaram gerações, misturando fantasia, humor e ação em aventuras inesquecíveis.

O AGENTE 86
(Get Smart)

De 1965 a 1970, em 138 episódios de 24 minutos cada, estrelado por Don Adams, Barbara Feldon e Edward Platt. Criada pelos talentosos comediantes Mel Brooks e Buck Henry, narra as aventuras de um espião trapalhão, ajudado por uma bonita agente, cujo código é 99. Ambos trabalham para uma organização secreta chamada Controle, cuja principal função é combater os vilões da organização secreta e criminosa Kaos.

ALÉM da IMAGINAÇÃO 
(The Twilight Zone)

Há uma quinta dimensão além daquelas conhecidas pelo homem. É uma dimensão tão vasta quanto o espaço e tão desprovida de tempo quanto o infinito. É o espaço intermediário entre a luz e a sombra, entre a ciência e a superstição; e se encontra entre o abismo dos temores do homem e o cume dos seus conhecimentos. É a dimensão da fantasia. Uma região Além da Imaginação. Assim se apresentava a série de Rod Serling, exibida entre 1959 e 1964, em 156 episódios. O público se maravilhava com o mundo paralelo, cheio de fantasia e absurdos. Sem efeitos especiais, apenas bem contada, apresentava histórias de ficção-científica, suspense e terror. O tema musical da primeira temporada tem a assinatura de Bernard Herrmann, dos filmes de Hitchcock. 

BATMAN
(idem)

Exibido entre 1966 e 1968, em 60 estórias, sendo cada uma dividida em duas partes, totalizando 120 episódios, baseia-se nos famosos quadrinhos e narra a luta contra o crime de um herói mascarado acompanhado pelo parceiro Robin e auxiliado pelo mordomo Alfred, o comissário de polícia James Gordon e o chefe de polícia O'Hara. De tom humorístico, protagonizado por Adam West e Burt Ward, tem como vilões atores famosos como Burgess Meredith (“Pinguim”), Cesar Romero (“Coringa”), Vincent Price (“Cabeça de Ovo”), David Wayne (“Chapeleiro Louco”), Julie Newmar (“Mulher-Gato”), Tallulah Bankhead (“Viúva-Negra”), Roddy Mcdowall (“Traça) e George Sanders, Otto Preminger e Eli Wallach revezando como o Sr. Gelo.

A CALDEIRA do DIABO
(Peyton Place)

Baseada no best-seller de Grace Metalious. Apresentada entre 1964 e 1969, num total de 514 episódios, de aproximadamente 30 minutos cada. Fala dos acontecimentos de um pequeno lugarejo chamada Peyton Place, onde se escondem segredos e escândalos de duas gerações de habitantes. Triângulos amorosos e suas conseqüências, mães solteiras, prostituição, adultério e outros assuntos proibidos na época são os temas abordados. Com Dorothy Malone, Mia Farrow e Ryan O´Neal.

CASAL 20
(Hart to Hart)

De 1979 a 1984, totalizando 110 episódios. Criada pelo escritor pop Sidney Sheldon, foi um enorme sucesso. O casal rico e simpático Jonathan (Robert Wagner) e Jennifer Hart (Stefanie Powers), ao invés de aproveitar a vida em sua mansão, viaja combatendo crimes e deixando de lado sua empresa. Além da dupla, participam também da série o mordomo Max (Lionel Stander) e o cachorro Freeway, que viajam pelo mundo solucionando casos de espionagem e assassinatos.

COLUMBO 
(idem)

43 episódios com duração entre 70 e 90 minutos, de 1971 a 1978. Em 1988 a série voltou ao ar com mais 16 episódios de duas horas cada. Entre 1991 e 2003, oito especiais foram produzidos. Com Peter Falk como o Tenente Columbo, desponta como uma das maiores criações da televisão, causando verdadeiro frisson em telespectadores de todo o mundo. O investigador mascara uma mente afiadíssima, participando de jogos de gato e rato com vilões convencidos de que cometeram o crime perfeito. Columbo nunca saca uma arma. Ele tem uma esposa que jamais foi vista na série. Possui também um cachorro chamado de Cão. Dentro de casas ou escritórios dos suspeitos, sempre observa e comenta sobre objetos que lhe chamam a atenção. O episódio de estréia, Um Crime Quase Perfeito, foi dirigido por Steven Spielberg. No decorrer da série, vários vilões foram interpretados por veteranas estrelas como Janet Leigh, Sal Mineo, Roddy McDowall, Vincent Price, Ida Lupino, Ruth Gordon e Faye Dunaway.

COMBATE 
(Combat!)

Apresentada de 1962 a 1967, num total de 152 episódios, de aproximadamente 45 minutos cada.  Centra-se no segundo pelotão da Companhia King, comandada pelo novato Tenente Hanley (Rick Jason) e pelo Sargento Saunders (Vic Morrow), mostrando acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, como a campanha da Normandia, com requinte de detalhes. Pai da atriz Jennifer Jason Leigh, Vic Morrow teve morte trágica, em 1983, durante as filmagens de “No Limite da Realidade / Twilight Zone: The Movie”. Ele intrepretava um militar que, em uma cena de guerra, resgata duas crianças e as leva para o helicóptero. Tudo ia muito bem até que o helicóptero ficou fora de controle e decapitou o ator e uma das crianças. A outra escapou das hélices, mas foi esmagada.

DALLAS
(idem)

Produzida entre 1978 e 1991, levada ao ar dinheiro, vingança, sexo, paixão, poder e intrigas na história de duas famílias rivais, os Ewing e os Barnes, cuja rixa sobrevive a três gerações. Conquistou telespectadores com melodrama e suspense, retratando glamour, poder e riqueza da alta-sociedade norte-americana. Com Larry Hagman, Patrick Duffy, Victoria Principal, a veterana Barbara Bel Geddes e Priscilla Presley.

DANIEL BOONE
(Idem)

Aventura exibida em 165 episódios de 50 minutos de duração, de 1964 a 1970, com Fess Parker, Patricia Blair, Darby Hinton, Ed Ames e Veronica Cartwright. Mostra os problemas enfrentados pelo lendário pioneiro Daniel Boone, no papel de mediador entre colonos e índios (alguns hostis de fato), ou enfrentando caçadores de recompensas, de peles e oportunistas que tentam vender armas aos índios. Também é enfocado valores morais, a relação entre o homem branco e os índios, os métodos utilizados pelos colonizadores e famílias em busca de uma vida melhor. Muitos rostos conhecidos passam pela série, como Michael Rennie, Kurt Russell e Cesar Romero.

DR. KILDARE 
(idem)

De 1961 a 1966, em 132 episódios em preto e branco e 58 episódios coloridos. Protagonizado por Richard Chamberlain e Raymond Massey, segue a trajetória de um jovem médico que trabalha no Blair General Hospital. Chamberlain venceu outros 35 candidatos ao papel. Fez fama, fortuna e depois vários filmes. Recentemente assumiu sua homossexualidade, revelando num programa de tevê que convive com o ator-diretor-produtor Martin Rabbett há mais de 25 anos. A série conta com a participação especial de nomes famosos: Claude Rains, Charles Bronson, Walter Matthau, Lee Marvin, Angie Dickinson, James Mason, Fred Astaire, Ricardo Montalban, Robert Redford etc.

A FEITICEIRA
(Bewitched)

De 1964 a 1972, num total de 248 episódios, com Elizabeth Montgomery (filha dos atores Robert Montgomery e Elizabeth Allen), Dick York e a fantástica Agnes Moorehead como Endora, a comédia gira em torno de uma simpática bruxa, que ao se casar com um mortal promete abandonar a magia, mas não cumpre sua promessa. A identificação com o público foi instantânea e em pouco tempo estava em segundo lugar na audiência, com uma média de 31 pontos, só perdendo na época para “Bonanza”.

O FUGITIVO
(The Fugitive)

De 1963 a 1967, em 120 episódios de 50 minutos. Com David Janssen e Barry Morse. Uma das mais famosas séries de televisão tem como tema a injustiça. Um médico é acusado injustamente de ter assassinado a esposa. Julgado e condenado, embarca num trem, algemado a um tenente de polícia, para ser executado. Durante o percurso, o trem sai dos trilhos e o acidente o livra das algemas. Ao fugir, tenta provar sua inocência, procurando aquele que julga ser o verdadeiro criminoso: o homem que fugiu de sua casa na noite do assassinato. Contra ele está a polícia e, em especial, o obcecado tenente responsável pela sua captura. A  interpretação de Barry Morse como o policial era tão convincente que despertou no público um forte sentimento de repulsa, tornando-se na época o homem mais odiado dos Estados Unidos. O episódio final, O Julgamento, levado ao ar em duas partes, atingiu a marca de 56,7% de audiência.

GUERRA, SOMBRA e ÁGUA FRESCA
(Hogan´s Heroes)

Apresentada de 1965 a 1971, num total de 168 episódios, satiriza a Segunda Guerra Mundial, com um grupo de prisioneiros liderados pelo Coronel Hogan, em campo de concentração conhecido como Campo 13, fazendo de gato e sapato os nazistas, enquanto ajuda os companheiros.  Com Bob Crane, John Banner e Werner Klemperer.

HAVAÍ 5.0 
(Hawaii Five-O)

Policial estrelado por Jack Lord e exibido em 12 temporadas, entre 1968 e 1980, num total de 283 episódios. No clima paradisíaco das ilhas havaianas, um violento submundo precisa ser combatido pela divisão de elite 5-0, a polícia estadual, que enfrenta sabotadores, justiceiros, revolucionários, entre outros criminosos. O tema musical composto por Morton Stevens ainda é popular.

I LOVE LUCY 
(idem)

Uma das mais aclamadas sitcoms, estrelada pela hilária Lucille Ball e Desi Arnaz, foi exibida de 1951 a 1960, num total de 194 episódios. É o programa mais assistido da televisão norte-americana de todos os tempos, Recebeu 22 indicações aos prêmios Emmys e venceu cinco vezes. Em 2002, foi eleito o segundo Melhor Programa de TV pela revista TV Guide. Em 2007, apareceu numa lista da revista Time entre 100 melhores programas da televisão mundial. Conta o cotidiano maluco e humorado de um casal. No segundo episódio da primeira temporada, Seja um Amigo, Lucille imita e dubla Carmen Miranda com a famosa marchinha Mamãe Eu Quero Mamá. O episódio Lucy Vai ao Hospital, de 1953, atingiu a audiência recorde de 71,7 pontos. Até hoje, apenas um episódio de 1956 do “The Ed Sullivan Show, no qual Elvis Presley fez sua primeira aparição televisiva, superou este percentual (82,6% dos televisores ligados).

Os INTOCÁVEIS
(The Untouchables)

De 1959 a 1963, num total de 118 episódios, apresenta Eliott Ness (Robert Stack) e um grupo de agentes do tesouro incorruptíveis, durante a Lei Seca. Eles lutam contra o crime organizado. Atores talentosos participam como convidados: Robert Redford, William Bendix, Lloyd Nolan, J. Carrol Nash, Peter Falk etc.

Os INVASORES
(The Invaders)

Exibida por uma temporada e meia, entre 1967 e 1968. Estrelada por Roy Thiennes como o arquiteto David Vincent, que casualmente descobre uma invasão alienígena em andamento e conseqüentemente tenta frustrar os planos dos alienígenas e alertar a Terra do perigo. Gradualmente ele convence um pequeno grupo de pessoas a ajudá-lo, entre eles o milionário Edgar Scoville (Kent Smith). Os invasores não têm nome, nem se sabe seu planeta. Nem sequer são mostrados em sua forma alienígena, sua aparência humana é um disfarce, mas se não consumirem grande quantidade de energia elétrica revertem automaticamente à misteriosa fisionomia alienígena.

JEANNIE é um GÊNIO 
(I Dream of Jeannie)

De 1965 a 1970, em 139 episódios de 25 minutos cada, criado e produzido por Sidney Sheldon. No elenco, Barbara Eden (“Jeannie”), Larry Hagman (“Major Nelson”) e Bill Daily (“Major Healey”). Um capitão da NASA testa um novo foguete, que apresenta problemas e cai numa ilha do Oceano Pacífico. Enquanto aguarda socorro, ele acha uma garrafa, libertando um gênio com dois mil anos de idade. O gênio se declara sua servidora e o chama de amo, indo para sua residência, em Cocoa Beach. Vários atores famosos passaram por esta comédia, entre eles, Sammy Davis Jr e Groucho Marx. 

MAGNUM
(idem)

Com o símbolo sexual Tom Selleck no papel-título, fez sucesso nos anos 1980, finalizando em 1988. Série de ação, bem-humorada, tem como cenário as praias do Havaí e exalta o hedonismo do protagonista, um apaixonado por belas mulheres, camisas floridas, cerveja e vôlei. Centra-se no personagem principal, um investigador, e nos seus três amigos, dois veteranos do Vietnã e um ex-oficial do Exército Britânico.

MISSÃO IMPOSSÍVEL 
(Mission Impossible)

Durante sete temporadas de 172 episódios, de 1966 a 1972, apresentou uma equipe de agentes secretos envolvida em missões que tem o planejamento descrito passo a passo até a execução do plano. A atração maior é o suspense dos planos mirabolantes. Como destaque, o tema de abertura de Lalo Schifrin. Com Steven Hill, Peter Graves, Barbara Bain, Martin Landau, Leonard Nimoy e Lesley Ann Warren.

Os MONSTROS
(The Munsters)



De 1964 a 1966, com Fred Gwynne (Frankenstein Herman”), Yvonne De Carlo (“Lily”, vampira dona-de-casa), Butch Patrick (lobisomem “Eddie”) e Al Lewis (vampiro “Vovô”), num total de 70 episódios de duração de 30 minutos cada. Uma família formada por criaturas horripilantes, mas de bom coração e muito engraçada. Humor-negro que não mete medo algum, apenas diverte. A família possui animais de estimação que esporadicamente aparecem: um gato (que ao invés de miar, ruge), um morcego e um outro animal que vive debaixo da escada, mas que nunca aparece, apenas é  ouvido - não se sabe qual sua espécie. Humor inteligente, satirizando o american way of life.

A NOVIÇA VOADORA 
(The Flying Nun)

Produzido de 1967 a 1970, em 82 episódios coloridos, centra-se nas aventuras de um grupo de freiras em Porto Rico. A parte cômica é provida pela inexplicável habilidade de uma noviça que voa, Irmã Bertrille, interpretada por  Sally Field. Seu talento voador causa problemas e soluções inesperadas. Madeleine Sherwood interpreta a Madre Superiora.

PERDIDOS no ESPAÇO
(Lost in Space)

De 1965 a 1968, em 83 episódios de 50 minutos. No elenco, Guy Williams, June Lockhart, Billy Mumy, Angela Cartwright, Jonathan Harris (como o inesquecível “Dr. Zachary Smith”) e Bob May (o “Robô B9”). Com problema de superpopulação, o governo norte-americano lança a poderosa nave Júpiter 2 com uma primeira família selecionada e treinada para iniciar colonização no espaço sideral. A nave sai de curso e se perde, com o grupo enfrentando histórias fantásticas e formas de vida extraterrestres inteligentes e bizarras, que são ameaças constantes. O sucesso do personagem de Jonathan Harris fez com que a trama fosse modificada a ponto do ator especialmente convidado para alguns episódios se transformasse no protagonista e permanecesse na série até o final. Com o passar dos episódios, o covarde e hipócrita Smith fica cada vez mais perturbado, fazendo inúmeras tentativas de voltar à Terra ou obter riquezas e poder por meio de ajuda alienígena. Termina vítima de sua ganância.

TERRA de GIGANTES
(Land of the Giants)

Produzida de 1968 a 1970, em 51 episódios, fala de uma nave espacial atingida por uma misteriosa névoa e envolvida em uma tempestade magnética que a joga em um planeta povoado por gigantes. Os tripulantes tentam sobreviver e encontrar uma maneira de voltarem à Terra. Com Gary Conway, Don Matheson e Kurt Kasznar.

TÚNEL do TEMPO
(The Time Tunnel)

Produzido por Irwin Allen, de 1966 a 1967, narra a trajetória de dois cientistas - Robert Colbert como Doug Phillips e James Darren como Tony Newman - monitorados por profissionais que os seguem em seus deslocamentos no tempo. A equipe tenta encontrar um meio de trazê-los de volta. Quando tudo falha, tira-os de uma época e os envia para outra data incerta do passado ou do futuro, dando início a um novo episódio. Devido ao elevado custo de produção, durou apenas uma temporada, com 30 episódios.

setembro 09, 2012

************** “CASABLANCA”: o MELHOR FILME



 
O drama romântico de Michael Curtiz, CASABLANCA, ficou no topo da seleção dos melhores filmes de todos os tempos deste blog.  A pesquisa foi realizada entre mais de sessenta leitores. Clássico absoluto, a escolha reflete que os cinéfilos parecem não ser tão ligados em filmes que se esforçam para ter um grande potencial artístico, como “Rashomon / Idem” (1951) de Akira Kurosawa; mas sim, a trabalhos que têm um significado pessoal maior. CASABLANCA arrebatou 15 votos. Entre os mais votados não espere encontrar sucessos de bilheteria recentes. O filme mais novo é “O Poderoso Chefão / The Godfather” de Francis Ford Coppola, lançado em 1972. Todos os vencedores são produções norte-americanas. Do Brasil, foi lembrado apenas “Cidade de Deus” (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund. Da Europa, entre os dez mais votados, “Morangos Silvestres / Smultronstallet” (1955) de Ingmar Bergman, com 9 votos, e “Fellini Oito e Meio / 8 1/2” (1963) de Federico Fellini, com 7 votos. Veja o resultado:

1º 
(15 votos)
CASABLANCA

2º 
(13 votos)
Um CORPO QUE CAI

3º 
(12 votos)
CIDADÃO KANE

4º 
(11 votos)
E o VENTO LEVOU 
(Gone With the Wind, 1939)

O PODEROSO CHEFÃO

5º 
(10 votos)
CREPÚSCULO dos DEUSES 
(Sunset Boulevard, 1950)



CASABLANCA
Título original: CASABLANCA
País: EUA
Ano de lançamento: 1943
Duração: 102 minutos
Direção: Michael Curtiz
Produção: Hal B. Wallis (Warner Bros.)
Roteiro: Julius J. & Philip G. Epstein e Howard Koch,
baseado na peça de Murray Burnett e Joan Alison
Elenco: Humphrey Bogart (“Rick Blaine”), Ingrid Bergman (“Ilsa”), Paul Henreid (“Victor Lazslo”), Claude Rains (“Capitão Louis Renault”), Conrad Veidt (“Major Heinrich Strasser”), Sydney Greenstreet (“Señor Ferrari”), Peter Lorre (“Ugarte”), S. Z. Sakall, Dooley Wilson (“Sam”), Helmut Dantine, Marcel Dalio (“Croupier”) e Curt Bois
Fotografia: Arthur Edeson
Edição: Owen Marks
Trilha Sonora: Max Seiner
Cenografia: Carl Jules Weyl
Figurino: Max Steiner

Um dos mais populares filmes da história do cinema, ganhou três Oscars da Academia, o de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro. Concorreu também aos Oscars de Melhor Fotografia, Trilha Sonora, Edição, Ator (Bogart) e Ator Coadjuvante (Rains). A crítica da época elogiou as performances carismáticas de Bogart e Bergman, junto à profundidade das caracterizações, a fotografia poética, a sagacidade do roteiro e do impacto emocional do trabalho. A história se passa durante a Segunda Guerra Mundial, em Casablanca, capital do Marrocos. Rota obrigatória de quem fugia das atrocidades dos nazistas, será em Casablanca que Rick Blane (Humphrey Bogart), dono de um  bar local, irá reencontrar Ilsa Lund (Ingrid Bergman), anos depois de terem se apaixonado em Paris. Ela surge acompanhada pelo marido, o herói da resistência tcheca Victor Laszlo (Paul Henreid). Um enredo comovente e uma trama empolgante. Inesquecível.

A Warner Bros. comprou os direitos por US$ 20.000, o preço mais alto já pago por uma peça que não havia sido encenada. As filmagens começaram em 25 de maio de 1942 e terminaram em 03 de agosto do mesmo ano, atingindo um custo de produção de US$ 1.039 milhões. 

O roteiro teve alguns problemas quando Joseph Breen, um membro da censura da indústria de Hollywood, expressou sua oposição ao personagem do capitão Renault (Claude Rains), que pedia favores sexuais homossexuais em troca de vistos, e a cena em que Rick e Ilsa dormem juntos em Paris. Ambos os pontos, no entanto, praticamente desapareceram na versão final. Criado em cima de um caos absoluto, o roteiro foi finalizado em plena locação, na noite anterior em que as cenas seriam gravadas, confundindo os atores, que não sabiam o resultado final da história que se contava. Feito sem ambições artísticas e dirigido por Michael Curtiz, um especialista em sucessos de aventuras, de filmografia mediana, contrariou todas as expectativas, tornando-se um clássico e um dos maiores triunfos do cinema.

O primeiro cineasta convidado para dirigir o drama, o fantástico William Wyler (“Ben-Hur / Ben-Hur”, 1959), no auge do prestígio, declinou ao convite. Hedy Lamarr foi escalada para Ilsa Lund, mas recusou o acordo financeiro oferecido. George Raft descartou fazer Rick Blaine, abrindo caminho para o estrelato de Bogart e para sua decadência. 

Os produtores pensaram também em Ronald Reagan, Ann Sheridan e Dennis Morgan para os papéis protagonistas. Finalmente optaram por Bogart, um contratado do estúdio que vinha dos sucessos “O Falcão Maltês / The Maltese Falcon (1940)  e “O Último Refúgio / High Sierra” (1941), e Ingrid Bergman, sueca da trupe de David O. Selznick. Ingrid, no esplendor da sua beleza, comove o espectador com sensibilidade discreta. Humphrey Bogart, cínico e aparente frio, constrói um personagem que repetiria inúmeras outras vezes. A química entre ambos é total, levando a plateia às lágrimas quando um Bogart apaixonado abre mão do seu amor para que ela siga ao lado do marido, dizendo: “Nós sempre teremos Paris”. Ainda no elenco, poderosos coadjuvantes: o eslovaco Peter Lorre, os alemães Conrad Veidt e Curt Bois, os ingleses Sydney Greenstreet e Claude Rains, o francês Marcel Dalio, o italiano Paul Henreid e o tcheco S. Z. Sakall. Em 2005, CASABLANCA foi nomeado um dos 100 melhores filmes dos últimos 80 anos pela revista “Time”. Foi também reconhecido várias vezes pelo American Film Institute (AFI) em suas listas.


Um CORPO que CAI
Título original: VERTIGO
País: EUA
Ano de lançamento: 1958
Duração: 129 minutos
Direção: Alfred Hitchcock
Produção: Alfred Hitchcock (Paramount Pictures)
Roteiro: Alec Coppel e Samuel Taylor,
baseado no romance de Pierre Boileau e Thomas Narcejac
Elenco: James Stewart (“John 'Scottie' Ferguson”), Kim Novak (“Madeleine Elster/Judy”), Barbara Bel Geddes (“Midge”), Tom Helmore, Ellen Corby e Lee Patrick
Fotografia: Robert Burks
Edição: George Tomasi
Trilha Sonora: Bernard Herrmann
Cenografia: Hal Pereira e Henry Bumstead (d.a.); 
Sam Comer e Frank McKelvy (déc)
Figurino: Edith Head

Baseado no livro D'Entre les Morts, de Pierre Boileau e Thomas Narcejac, escrito especialmente para Hitchcock, após os autores tomarem conhecimento de que o diretor tentara adquirir, sem sucesso, os direitos de adaptação de outro livro deles, “Diabolique”, fala de um detetive aposentado, John 'Scottie' Ferguson (James Stewart), que sofre de um terrível medo de alturas. Certo dia, ele encontra um antigo conhecido, dos tempos de faculdade, que pede que vigie sua esposa, Madeleine Elster (Kim Novak). John aceita a tarefa e a segue por toda a cidade. Ela demonstra atração por lugares altos, levando o detetive a enfrentar medos e a acreditar que ela é louca, com tendências suicidas.

Hitchcock queria a atriz Vera Miles para o papel de Madeleine, mas ela ficou grávida pouco antes das filmagens. Ele e Novak não se deram bem e nunca mais voltaram a trabalhar juntos. O diretor aparece no filme aos onze minutos, vestindo terno cinza e caminhando no estaleiro. Um CORPO que CAI esteve inacessível ao público em geral durante muitos anos. Isto porque o diretor comprou de volta os direitos de cinco de seus longa-metragens e os deixou de legado para sua filha. Estes filmes receberam o apelido de "os cinco filmes perdidos de Hitchcock" e voltaram ao alcance do público em 1984, quando foram relançados. Os demais do pacote eram “Festim Diabólico / Rope” (1948), “Janela Indiscreta / Rear Window” (1954), “O Terceiro Tiro / The Trouble with Harry” (1955) e “O Homem Que Sabia Demais / The Man Who Knew Too Much” (1956). 

Considerado a mais complexa obra de Hitchcock, a história parece banal quando é resumida em uma sinopse. Só que de convencional, esse filme não tem nada, e percebemos isso desde a abertura de Saul Bass, psicodélica e onírica. Filmado em VistaVision, a resposta da Paramount ao CinemaScope da Fox, foi idealizado para ser exibido em um formato grande de tela. Tirando vantagem disso, Hitch filmou sequências grandiosas, preenchendo a tela com suntuosos  enquadramentos, que mostram os pontos de São Francisco onde se passa a trama. O interessante dessas tomadas é que não parecem cartões postais, e sim retratos deprimentes, com espaços vazios, deixando claro como os personagens se sentem – em busca de algo que não vão obter.


A bela Kim Novak nunca chegou a se tornar uma grande estrela, mas neste filme ela está fenomenal, dando conta da aura enigmática de Madeleine e do sofrimento extremo de Judy. O veterano James Stewart está excelente, comovendo com a sua obsessão em recuperar um amor perdido. Por fim, a atriz da Broadway Barbara Bel Geddes cativa o espectador com suas piadinhas e sua paixão abafada por Scotty. Na época do lançamento, Um CORPO que CAI foi um fracasso de público e crítica. Talvez o tema refinado ou o clima sombrio não tenha sido aceito ou compreendido pela sociedade da época. Felizmente, hoje possui a fama que merece: a de um clássico do cinema.


CIDADÃO KANE
Título original: CITIZEN KANE
País: EUA
Ano de lançamento: 1941
Duração: 119 minutos
Direção: Orson Welles
Produção: Orson Welles (Mercury Production / RKO Radio Pictures)
Roteiro: Herman J. Mankiewicz e Orson Welles
Baseado na peça de Murray Burnett e Joan Alison
Elenco: Orson Welles (“Charles Foster Kane”), Joseph Cotten (“Jedediah Leland”), Dorothy Comingore (“Susan Alexander”), Everett Sloane (“Mr. Bernstein”), Ray Collins, George Coulouris (”Walter Parks Thatcher”), Agnes Moorehead (“Mrs. Kane”), Paul Stewart (“Raymond”), Ruth Warrick, Erskine Sanford e Fortunio Bonanova
Fotografia: Gregg Toland
Edição: Robert Wise
Trilha Sonora: Bernard Herrmann
Cenografia:  Van Nest Polglase e Perry Ferguson
Figurino: Edward Stevenson

Primeiro filme dirigido por Orson Welles, encontrou forte oposição por parte de William Randolph Hearst, pois ele julgava que a obra denegria sua imagem (publicamente, Welles negava qualquer identificação entre o seu personagem e o magnata do jornalismo), e fez história devido às inovações, sobretudo nas técnicas narrativas e nos enquadramentos cinematográficos. Começa com o protagonista já morto, mudando-se a cronologia dos fatos; e a cenografia mostra pela primeira vez o teto dos ambientes. Conta a trajetória de ascensão e queda de grande empresário da mídia e a jornada de um repórter para saber o significado da última palavra que disse pouco antes de morrer: Rosebud. Indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Orson Welles), Melhor Cenografia, Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora e Melhor Som, venceu apenas na categoria de Melhor Roteiro Original. O filme é considerado, por parte da crítica especializada, como o maior da história do cinema, figurando durante em primeiro lugar na lista do American Film Institute (AFI).

Orson Welles era um jovem de apenas 24 anos em 1939, mas já carregava nas costas alguns anos de intensa experiência artística no teatro e no rádio. Sua adaptação de “Macbeth”, em 1936, somente com atores negros e quando tinha 20 anos, é até hoje um marco do palco norte-americano. Em 30 de outubro de 1938, Welles fez sua famosa narração no rádio da clássica obra de H.G Wells “Guerra dos Mundos”. A narração foi tão convincente que muitas pessoas realmente se assustaram achando que era um noticiário sobre uma possível invasão alienígena, e Welles, já reconhecido como uma espécie de prodígio, alcançou imediatamente fama nacional. 

Todas essas atribulações não passaram despercebidas pelo executivo George Schaefer, chefe da RKO Radio Pictures, na época um dos maiores estúdios de Hollywood. Schaefer faria uma série de propostas para Welles migrar para o cinema, sempre recebendo uma recusa como resposta. A cada negativa, Schaefer acrescentava algo para fazer o teimoso jovem mudar de ideia, até que o mais famoso e inimaginável acordo da história do cinema acabou sendo concretizado: Orson Welles, que nunca havia dirigido, receberia algo que até os mais famosos diretores raramente conseguem: poder absoluto. Teria direito a escrever, dirigir e produzir dois filmes, sujeitos a aprovação final da RKO. Poderia escolher seus atores e receberia entre 20 e 25% de toda a renda de suas obras. Ainda mais importante, ele poderia assistir as cenas filmadas em privacidade e poderia editá-las da maneira que quiser.

Após alguns projetos abortados, Welles e o escritor Herman J. Mankiewicz resolveram criar um argumento baseado na vida William Randolph Hearst  (casado então com a atriz Marion Davies), com o título de “American”. Mankiewicz, prolífico roteirista que possuía sérios problemas com bebidas, escreveu um script com mais de 250 páginas que seria bastante alterado por Welles, inclusive seu título. Ambos disputariam até o fim os créditos do texto. Para interpretar, Welles chamou seus companheiros de confiança do teatro - o Mercury Theatre Group -, revelando para o cinema ótimos atores como Agnes Moorehead, Joseph Cotten e Everett Sloane. Em primeiro de maio de 1941, o filme foi lançado, mostrando nos seus 119 minutos uma série de técnicas, muitas já existentes, mas que nunca antes haviam sido reunidas com tanta eficácia. Sua fotografia profunda (do mestre Gregg Toland), seu uso fabuloso da luz, suas técnicas de flashback e de transição foram elogiados. Apesar das críticas positivas no lançamento, acabou causando prejuízo para a RKO devido as ações de Hearst, que buscou boicotar de todas as formas o filme, atacando-o constantemente em seus jornais.


Após CIDADÃO KANE, Welles decaiu. Foi dispensado da RKO, que cortou 43 minutos do seu segundo filme (“Soberba / The Magnificent Ambersons”, 1942), e se viu numa constante luta para financiar novos projetos. No Brasil filmou um documentário que não foi lançado. A história dos bastidores do seu emblemático clássico foi contada em “RKO 281” (1999), dirigido por Benjamin Ross e estrelado por Liev Schreiber (como Welles), James Cromwell, Melanie Griffith, John Malkovich e Roy Scheider.