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maio 31, 2022

**************** DAVID LEAN: ÉPICO e ROMÂNTICO


 
Há três filmes de David Lean que me influenciaram. Um é Lawrence da Arábia, meu favorito. O outro, A Ponte do Rio Kwai. Mas quando vi Doutor Jivago, achei-o uma obra-prima. Portanto, estes são os três que costumo rever antes de realizar meus filmes.
STEVEN SPIELBERG
(1946. Cincinnati, Ohio / EUA)
 
Sempre quis fazer filmes que gostaria de ver quando fosse ao cinema. Adoro bons filmes. E o fundamental para poder fazer um é contar uma boa história que tenha bons personagens. Talvez por isso tenha dirigido apenas 16 longas-metragens. Passei parte da vida lendo histórias, escolhendo cuidadosamente projetos e trabalhando em roteiros.
DAVID LEAN
 
 
Para diretores como Steven Spielberg, Francis Ford Coppola ou Bernardo Bertolucci, DAVID LEAN (1908 - 1991. Croydon, Surrey, Inglaterra / Reino Unido) é uma referência fundamental. A obstinação do cineasta britânico, numa busca inabalável pela perfeição, resultou em épicos arrebatadores e dramas íntimos. Suas imagens fazem parte da história do cinema pelo senso inspirado de contar histórias. Seu excepcional talento pictórico e dramático, a grandiloquência e sofisticação técnica, a densidade psicológica, a construção realista dos personagens e a montagem precisa, impressionaram o mundo. Por causa do perfeccionismo, realizou apenas 16 filmes, mas conseguiu o respeito e a admiração da crítica e do público. “Gosto de uma boa história, bem consistente, com começo, meio e fim. A maioria dos filmes novos não têm construção dramática. E devo dizer que gosto de uma boa construção dramática. Gosto de me emocionar quando vou ao cinema”, afirmou o cineasta. Ele construiu uma carreira marcada pela busca de qualidade. Descrito como bastante frio e obsessivo, mergulhava de corpo e alma em uma filmagem. Tinha pouca paciência com os atores e estava sempre em conflito com seu ator favorito, Alec Guinness, com quem rodou cinco filmes e cuja carreira lançou.

david lean nos anos 40
Possuía um domínio profundo das técnicas cinematográficas, interessado, sobretudo, em contar uma história e comunicar sentimentos. “Gosto de manter um controle rígido sobre todos os elementos de um filme. Acho que ser diretor é isso: estimular o talento dos outros e extrair deles todas as coisas que imaginou quando estava trabalhando no roteiro. Nesse sentido, acho que sou um bom ditador”, disse numa entrevista. 

Ele construiu um estilo próprio e uma perspectiva de mundo única, desenvolvendo uma linguagem de planos gerais grandiosos e elaborados movimentos de câmera. Lutava para fazer os filmes a seu modo e sem interferências. Nascido filho de um contador no elegante subúrbio londrino de Croydon, cresceu como o mais velho de dois irmãos em uma rigorosa família que olhava o cinema com desaprovação. Sempre que podia, ele se refugiava no cinema local, onde se entusiasmava com os filmes silenciosos norte-americanos, impressionando-se fortemente com “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse / The Four Horsemen of the Apocalypse” (1921) e “Mare Nostrum” (1926), ambos de Rex Ingram, diretor que admirava. 

Em 1927, aos 19 anos, embarcou na carreira cinematográfica, depois de um ano sem sucesso na firma de contabilidade de seu pai. Foi contratado sem remuneração no Gaumont Studios, de Londres, onde sua principal funções era servir chá. Depois de curto período de tempo neste e em outros serviços, incluindo assistente de câmera, tornou-se o terceiro assistente de direção. Queria aprender tudo e começou a assistir ao trabalho na sala de montagem. Em 1930, foi nomeado editor-chefe e logo se tornou o editor mais bem pago da Inglaterra. Da edição, voltou a atenção para a direção. Recebeu várias propostas para dirigir filmes, porém rejeitou-as, temendo que produções medíocres prejudicassem o seu futuro. Finalmente a oportunidade esperada surgiu, quando o consagrado teatrólogo de comédias sofisticadas, Noel Coward, resolveu realizar “Nosso Barco, Nossa Alma” e ofereceu a DAVID LEAN o cargo de co-diretor.

omar sharif e david lean em 1965
Em estilo semi-documentário e tom patriótico, a história de um destroier da Marinha Britânica, desde a sua construção até seu torpedeamento durante a Segunda Guerra Mundial, e dos homens que nele serviam. Concorreu ao Oscar nas categorias Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. Na Inglaterra, foi considerado o longa mais popular do ano. A segunda parceria de Coward-Lean, “Este Povo Alegre”, da peça de Coward, mostra o cotidiano num lar suburbano entre as duas guerras. Evitando o sentimentalismo e o clima de teatro filmado, a crônica familiar de DAVID LEAN foi um êxito na Inglaterra em 1944.
 
Depois da comédia “Uma Mulher do Outro Mundo”, baseada também em peça de Coward, dirigiu “Desencanto”, um dos filmes britânicos românticos mais populares de todos os tempos. Narrando um frustrado romance com sinceridade e sutileza, através de flashbacks e em espaços confinados, o diretor realizou uma obra-prima intimista, recebendo indicação para o Oscar de Melhor Diretor e outra, juntamente com Coward e Havelock-Allan, para o de Melhor Roteiro. Em Cannes, levou o Prix de Critique. Encorajado pelo sucesso, com a Cineguild produziu adaptações de romances de Charles Dickens: “Grandes Esperanças” e “Oliver Twist”.
 
Para o papel título de “Oliver Twist” selecionaram – entre 1.500 candidatos – John Howard Davies. Ao lado do melodrama, o aspecto social foi abordado, evocando-se condições desumanas, a miséria e a sordidez da Londres do século dezenove. Seu filme seguinte, “A História de uma Mulher”, baseado num romance de H. G. Wells, trata das dificuldades afetivas de um triângulo amoroso. Durante a filmagem, o diretor (então casado com Kay Walsh, sua segunda esposa – a primeira foi Isabel Lean, que lhe deu um filho, Peter) apaixonou-se por Ann Todd. Eles se divorciaram de seus respectivos companheiros e se casaram no ano seguinte. DAVID LEAN se casaria pela quarta vez com Leila Matkar, pela quinta vez com Sandra Hotz e pela sexta vez com Sandra Cooke. Apesar de casado, morou muitos anos com Barbara Cole.

lean, sophia loren e o oscar
Novamente com Ann Todd fez “As Cartas de Madeleine”, mas o drama fracassou. Voltaria aos estúdios no final de 1951 quando, a convite de Alexander Korda, rodou “Sem Barreira no Céu”, cuja verdadeira força está nas cenas aéreas fotografadas por Jack Hildyard. Voltou à comédia com “Papai é do Contra”. Cheia de sátira e sentimento, foi o Melhor Filme do Ano da British Film Academy e tem excelente performance de Charles Laughton, como o dono beberrão de uma loja de calçados. Rodado em Veneza, “Quando o Coração Floresce” inaugurou a carreira internacional de DAVID LEAN.
 
Ultrapassando o filme turístico, retrata a evolução de uma mulher que descobre o amor. Katharine Hepburn, em comovente desempenho, refletindo toda a luta interior entre o desejo e o medo de uma secretária de meia-idade frustrada, domina completamente o drama num papel sob medida para seu talento. Foi candidata ao Oscar de Melhor Atriz. “A Ponte do Rio Kwai” marcou a entrada triunfal do cineasta no superespetáculo. O autor do romance que serviu de base para o filme, Pierre Boulle, havia sido procurado pelo cineasta francês Henri-Georges Clouzot e por Alexander Korda. Sam Spiegel, porém, foi quem assinou o contrato, investindo três milhões e meio de dólares na produção. Com locações no Ceilão, a produção levou três anos em preparo. Só a ponte, onde se dá o clímax da narrativa, levou oito meses para ser construída. O roteiro, assinado por Boulle – mas, na realidade, escrito por Carl Foreman e Michael Wilson, ambos então na Lista Negra comunista de Hollywood – traz uma mensagem pacifista, criticando não só a guerra como também o espírito militar exacerbado. O talento do diretor foi finalmente reconhecido com o Oscar. O segundo veio em 1962 com “Lawrence da Arábia”, o longa suntuoso pela qual DAVID LEAN ficou conhecido pelo resto de sua carreira.

lean nos anos 40
Ele trouxe intensidade para o projeto, que levou três anos para ser produzido e mais de um ano para ser filmado. Superprodução espetacular e, ao mesmo tempo, o retrato de um homem, uma figura histórica complexa e ambígua. Agente secreto, líder militar, agitador, exibicionista, sádico, masoquista, homossexual. Para o papel de Lawrence foi anunciado Marlon Brando, Cary Grant, Kirk Douglas e Albert Finney, mas terminou com Peter O’Toole (então com 28 anos) que se tornou um astro. 12 milhões de dólares foram investidos no filme rodado na Jordânia, Espanha, Egito, Damasco, Jerusalém e Marrocos. Conquistou sete Oscar. O produtor Sam Spiegel disse em entrevista: “Em toda a minha carreira não trabalhei com ninguém que se aproximasse da capacidade de David Lean de colocar imagens na tela”.
 
O próximo assunto a interessar o diretor – “por sua boa história de amor” - foi “Dr. Jivago”, o volumoso romance de Boris Pasternak, laureado com o Prêmio Nobel. Traça a trajetória de Yuri Jivago (Omar Sharif, depois de cogitados Paul Newman, Max Von Sydow e Burt Lancaster), médico e poeta, na Rússia do começo do século vinte, casado, que se apaixona por uma enfermeira também casada. Cinco anos depois, DAVID LEAN voltou à atividade, desta vez usando um argumento original de Robert Bolt, sobre uma jovem em remota aldeia irlandesa durante a Primeira Guerra Mundial. A Filha de Ryan, drama à maneira de Thomas Hardy, foi mal recebido, mas levou dois Oscar: Melhor Ator Coadjuvante (John Mills) e Melhor Fotografia (Freddie A. Young).
 
Na década de 1970, tentou filmar um remake de “O Grande Motim / Mutiny on the Bounty” (1936), um sonho que acalentava há anos, mas não deu certo. Inativo por 14 anos, finalmente rodou um clássico da literatura inglesa, “Passagem para a Índia”, de E. M. Foster.  Nos mostra um drama psicológico entrelaçado com a difícil convivência entre colonizadores e colonizados. Obteve 11 indicações para o Oscar (Lean concorreu em três categorias) e conquistou os de Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Trilha Sonora.  Em 1990, o American Film Institute (AFI) o premiou com o Lifetime Achievement Award.  Em 1999, o British Film Institute fez uma lista com os 100 melhores filmes britânicos. Cinco de DAVID LEAN ficaram entre os trinta primeiros e três entre os cinco primeiros colocados. Ele morreu aos 83 anos de idade, de um câncer na garganta. Estava filmando “Nostromo”, do romance de Joseph Conrad. Provavelmente, seria mais uma grande obra de um cineasta para quem o cinema era fonte de prazer e expressão de beleza.

david lean, alec guinness e sessue hayakawa

TODOS os FILMES de DAVID LEAN
(por ordem de preferência)
 
01
DESENCANTO
(Brief Encounter, 1945)

elenco: Celia Johnson, Trevor Howard e Stanley Holloway
 
Médico e dona de casa se conhecem em uma estação de trem. Ambos são razoavelmente felizes em seus casamentos. Passam a se encontrar todas as quintas-feiras, surgindo uma paixão, apesar de saberem que este amor é impossível.
 
02
A PONTE do RIO KWAI
(The Bridge on the River Kwai, 1957)

elenco: William Holden, Alec Guinness, Jack Hawkins e Sessue Hayakawa
 
Na Segunda Guerra Mundial, soldados ingleses se tornam prisioneiros em um campo de concentração japonês. Este grupo é escolhido para construir uma ponte sobre o rio Kwai, mas um norte-americano que é prisioneiro do mesmo campo, decide destruí-la.
 
03
DOUTOR JIVAGO
(Doctor Zhivago, 1965)

elenco: Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Rod Steiger, Alec Guinness, Tom Courtenay, Siobhan McKenna, Ralph Richardson, Rita Tushingham e Klaus Kinski
 
Durante e após a Revolução Russa, um médico e poeta casado tem um envolvimento com enfermeira que se torna o grande amor da sua vida.
 
04
GRANDES ESPERANÇAS
(Great Expectations, 1946)

elenco: John Mills, Valerie Hobson, Jean Simmons, Martita Hunt e Alec Guinness
 
Criança humilde convive com senhora amargurada pela perda do seu amor. Quando cresce, recebe de um patrocinador misterioso uma chance para viver em Londres.
 
05
LAWRENCE da ARÁBIA
(Lawrence of Arabia, 1962)

elenco: Peter O'Toole, Alec Guinness, Anthony Quinn, Jack Hawkins, Omar Sharif, Jose Ferrer, Anthony Quayle, Claude Rains e Arthur Kennedy
 
Em 1916, na Primeira Guerra Mundial, tenente do exército britânico, admirador do deserto e da vida beduína, se oferece para ajudar os árabes a se libertarem dos turcos.
 
06
OLIVER TWIST
(Idem, 1948)

elenco: John Howard Davies, Robert Newton, Alec Guinness e Francis L. Sullivan
 
Órfão sofrido foge para Londres, onde acaba se unindo a um bando de delinquentes liderados por um vigarista que usa os garotos para cometer pequenos roubos.
 
07
A HISTÓRIA de uma MULHER
(The Passionate Friends, 1949)

elenco: Ann Todd, Trevor Howard e Claude Rains
 
Em busca de segurança financeira, jovem abandona o homem que ama e casa com um rico mais velho. Anos depois, reencontra seu antigo namorado.
 
08
ESTE POVO ALEGRE
(This Happy Breed, 1944)

elenco: John Mills, Celia Johnson e Robert Newton
 
Após a Primeira Guerra Mundial, família operária se muda para subúrbio inglês. Até a Segunda Guerra, o cotidiano deles compõe variação de alegrias e infelicidades.
 
09
A FILHA de RYAN
(Ryan's Daughter, 1970)

elenco: Sarah Miles, Robert Mitchum, Trevor Howard, John Mills e Christoper Jones
 
Na Primeira Guerra Mundial, em cidade irlandesa, deficiente mental expõe para todos que mulher casada tem caso com um oficial britânico, provocando revolta nos habitantes.
 
10
QUANDO o CORAÇÃO FLORESCE
(Summertime, 1955)

elenco: Katharine Hepburn, Rossano Brazzi e Isa Miranda
 
Norte-america en Veneza, apaixona-se por italiano. Sua alegria é abalada quando descobre que ele é casado, mas decide encarar as adversidades.
 
11
PASSAGEM para a ÍNDIA
(A Passage to India, 1984)

elenco: Judy Davis, Victor Banerjee, Peggy Ashcroft, James Fox e Alec Guinness
 
Duas inglesas fazem uma viagem pela Índia nos anos 1920, imersa em intensos problemas raciais. Um médico local lhes serve de guia e, em visita às grutas de Marabar, um incidente se transforma em acusação de estupro.
 
12
As CARTAS de MADELEINE
(Madeleine, 1950)

elenco: Ann Todd, Norman Wooland, Ivan Desny e Leslie Banks
 
No século XIX, uma poderosa e rica família muda-se para uma casa nova. Uma das filhas, menina dos olhos do pai, envolve-se com um jovem humilde.
 
13
NOSSO BARCO, NOSSA ALMA
(In Which We Serve, 1942)

elenco: Noël Coward, John Mills, Bernard Miles, Celia Johnson e Michael Wilding
 
Análise psicológica dos sentimentos e reações de grupo de náufragos, enquanto esperam pelo resgate que talvez não chegue a tempo.
 
14
PAPAI é do CONTRA
(Hobson's Choice, 1954)

elenco: Charles Laughton, John Mills e Brenda de Banzie
 
Alcoólatra viúvo, dono de sapataria que tem uma boa clientela, calunia a filha mais velha para evitar que ela se case e abandone a administração do negócio familiar.
 
15
SEM BARREIRA no CÉU
(The Sound Barrier, 1952)

elenco: Ralph Richardson, Ann Todd, Nigel Patrick e Denholm Elliott
 
Piloto se casa com a herdeira de um magnata da aviação. O sogro está obcecado em romper a barreira do som com seu novo modelo a jato. As habilidades do rapaz facilitam a sua aceitação, sendo que sua esposa passa a temer ficar viúva a qualquer momento.
 
16
Uma MULHER do OUTRO MUNDO
(Blithe Spirit, 1945)

elenco: Rex Harrison, Constance Cummings, Kay Hammond e Margaret Rutherford
 
Depois de uma sessão de espiritismo, um escritor é atormentado pela visita de sua ex-mulher falecida. No entanto, sua atual esposa se recusa a acreditar nele.


fevereiro 28, 2022

************ DISPONÍVEL para AMAR: 20 FILMES

celia johnson e trevor howard em “desencanto”

 

“Eu sei que jamais terei forças para deixá-lo novamente” 
Ilsa de Ingrid Bergman em “Casablanca”

 
 
Reuni 20 FILMES ROMÂNTICOS. Felizes ou trágicos, têm em comum estarem subordinados ao sortilégio do amor desde o início do cinema. O amor nas telonas, representando a vida real, acende aquela faísca, uma atração instantânea, a sensação de “amor à primeira vista”, para depois brincar com os corações enamorados e parti-los, colá-los e por fim voltar a quebrá-los. Assim como nos filmes, o destino pode nos proporcionar um amor inesquecível quando menos esperamos, seja ele um melodrama ou uma comédia suave. Tudo é misterioso. Confira abaixo narrativas para ver ou rever, pra sonhar ou chorar. Afinal, é difícil resistir à uma história amorosa. As tramas decorrem em diferentes épocas e países. O amor nem sempre triunfa, mas certamente comove.
 

20 FILMES de AMOR
(por ordem de preferência)
 
01
CLAMOR do SEXO
(Splendor in the Grass, 1961)

direção de Elia Kazan
elenco: Natalie Wood, Warren Beatty, Pat Hingle e Barbara Loden
 
Obra-prima que se tornou um símbolo da revolução sociocultural, e sexual, dos anos 60. O enredo se passa no Kansas, em 1928, e acompanha um jovem casal impedido pelas convenções pudicas da época, incluindo a pressão familiar, de consumar carnalmente o seu amor. Essa repressão do desejo acaba por desencadear uma série de conflitos e desilusões. Uma obra carregada de sensualidade que investiga a faceta moralista da sociedade norte-americana. Píncaros de intensidade, perturbação íntima e sofrimento. Além da realização impecável, com seu registro elegante e visualmente arrebatador, Kazan extrai o máximo do elenco. Navegando habilmente entre a intensidade e a sutileza, Natalie Wood talvez atinja aqui o ápice de seu talento. Lírico e dilacerante.
 
02
Os GUARDA-CHUVAS do AMOR
(Les Parapluies de Cherbourg, 1964)

direção de Jacques Demy
elenco: Catherine Deneuve, Nino Castelnuovo e Anne Vernon
 
Uma poeticidade pouco vista e pouco replicada. Palma de Ouro (Melhor Filme) no Festival de Cannes. Neste envolvente melodrama, o diretor Demy incorpora música e dança a serviço do realismo. O efeito é perturbador e comovente. Todos os diálogos são cantados. O amor de uma jovem parte para a guerra da Argélia. Sua mãe, opositora ao namoro somente pelo fato de o rapaz ser pobre, incentiva a filha a aceitar a proposta de casamento de um rico joalheiro. Um clássico inesquecível, com uma Catherine Deneuve mais bela do que nunca. Tudo isto com uma trilha sonora tocante de Michel Legrand.
 
03
DESENCANTO
(Brief Encounter, 1945)

direção de David Lean
elenco: Celia Johnson, Trevor Howard e Stanley Holloway
 
Uma mulher casada, dedicada e insatisfeita. Um médico também casado. Uma forte atração entre eles, uma relação adúltera platônica, uma estação de trem, um derradeiro adeus. Este relacionamento secreto, dividido entre o amor e os costumes tradicionais, tem a Inglaterra do pós-guerra como cenário. Drama delicado e realista do mestre David Lean. Johnson e Howard estão excepcionais. Baseado numa peça do excelente Noel Coward, conta com diálogos repletos de emoções profundas.
 
04
NOSSO AMOR de ONTEM
(The Way We Were, 1972)

direção de Sydney Pollack
elenco: Barbra Streisand, Robert Redford, Bradford Dillman e Lois Chiles
 
Militante judia comunista, altamente engajada, vive um romance com um escritor bonitão, protestante e da alta classe, de estilo de vida totalmente diferente do seu. No despertar da Segunda Guerra Mundial, independentemente de suas diferenças, casam-se e se mudam para a Califórnia. Nesta relação complicada, as diferenças ideológicas entram em choque. A química entre a dupla central seduz o público e a memorável trilha sonora de Marvin Hamlisch (vencedor do Oscar, assim como a canção-título gravada por Streisand) capta o senso de nostalgia. O roteiro, escrito por Arthur Laurents, adaptando seu romance homônimo, coloca o casal em meio a furacões políticos - o comunismo, a ameaça do nazismo - mas não politiza a trama, o amor impossível é o eixo. 
 
05
O MORRO dos VENTOS UIVANTES
(Wuthering Heights, 1939)

direção de William Wyler
elenco: Laurence Olivier, Merle Oberon, David Niven, Flora Robson e Donald Crisp
 
Um dos maiores clássicos do cinema. Incomparável conto gótico sobre uma paixão indestrutível, frustrada pelas circunstâncias sociais e pela desgraça. Com magistral direção de Wyler, essa adaptação do famoso romance de Emily Bronte fala de amor, paixão, ciúme, ódio e vingança. No século XIX, um cigano errante se apaixona perdidamente pela filha do seu pai adotivo, mas ela termina casando com um rico vizinho, resultando em tragédia. Obra-prima com poderosa fotografia de Gregg Toland (que levou um merecido Oscar) e atuações notáveis de todo o elenco, principalmente Olivier.
 
06
CASABLANCA
(Idem, 1942)

direção de Michael Curtiz
elenco: Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Henreid, Claude Rains e Peter Lorre
 
Eterno cult cinematográfico muitas vezes imitado, mas jamais igualado. Romântico, altruísta e humanista. Numa história complicada, em plena Segunda Guerra Mundial, o dono de um bar no Marrocos tem um reencontro inesperado com um antigo amor, agora casada com líder da resistência aos nazistas. Eternizado pela frase Nós sempre teremos Paris, o filme foi indicado a oito Oscar e levou três estatuetas: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro. O extenso elenco de coadjuvantes é notável.
 
07
DOUTOR JIVAGO
(Doctor Zhivago, 1965)

direção de David Lean
elenco: Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Rod Steiger e Alec Guinness
 
Um dos maiores épicos produzidos para a tela. Um médico-poeta, casado com namorada de infância, conhece na guerra o grande amor de sua vida, que é também casada. Uma impactante história de amor mais lembrado por suas sequencias magníficas. David Lean esbanja talento e o elenco internacional é magistral. A fotografia de Freddie Young evoca a vastidão e a beleza da paisagem russa e a trilha sonora de Maurice Jarre é admirável, ambos ganharam o Oscar. Personagens memoráveis e ação histórica poderosa.
 
08
TUDO o QUE o CÉU PERMITE
(All That Heaven Allows, 1955)

direção de Douglas Sirk
elenco: Jane Wyman, Rock Hudson, Agnes Moorehead e Conrad Nagel
 
Um dos melhores exemplos dos luxuosos melodramas em Technicolor da década de 50 e talvez o mais famoso dos dirigidos na Universal pelo mestre Douglas Sirk. O amor salta por cima das diferenças sociais e de idade. Uma viúva sofisticada, que vive na Nova Inglaterra, se envolve com afável e inteligente jardineiro. O amor surge entre ambos, mas as pressões sociais dos filhos dela são fortes e insistentes e as fofocas da sociedade local são cruéis. O filme tem um visual encantador, com cores, iluminação, direção de arte, figurino e fotografia maravilhosos. Um melodrama divinamente romântico.
 
09
AURORA
(Sunrise, 1927)

direção de F. W. Murnau
elenco: George O'Brien, Janet Gaynor e Margaret Livingston
 
Um dos filmes mais reverenciados de todos os tempos, concentrando-se em um casal do interior cujas vidas são destruídas por uma sedutora mulher de uma grande cidade. Atraído pela amante insaciável, o camponês planeja o assassinato da inocente esposa, em uma longa cena carregada de suspense e melancolia. A simplicidade da história confere um peso dramático formidável. Imagens mágicas, graciosos e inventivos movimentos de câmera. Sua sofisticação contradiz os recursos da época. A talentosa Janet Gaynor e os dois fotógrafos tiveram Oscars merecidos.
 
10
O SEGREDO de BROKEBACK MOUNTAIN
(Brokeback Mountain, 2005)

direção de Ang Lee
elenco: Heath Ledger, Jake Gyllenhaal, Michelle Williams e Anne Hathaway
 
Ao longo das décadas de 60 e 70, dois cowboys mantêm uma ligação amorosa intermitente, ora relutante, ora ardente, ao mesmo tempo que ambos se casam e têm filhos. Ang Lee descreve com sensibilidade e pudor uma relação complexa entre dois homens que não se assumem claramente como homossexuais, e que é tornada ainda mais problemática pela época e pela região dos EUA em que a história se passa, bem como pelo meio social e profissional em que ambos ganham a vida. Conquistou o Leão de Ouro no Festival de Veneza e três Oscars, incluindo o de Melhor Diretor.
 
11
As PONTES de MADISON
(The Bridges of Madison County, 1995)

direção de Clint Eastwood
elenco: Meryl Streep e Clint Eastwood
 
Indicada ao Oscar de Melhor Atriz por este filme, Meryl Streep interpreta uma dona de casa do interior de Iowa, casada, que tem um caso de apenas quatro dias, porém intenso, com um fotógrafo da National Geographic. A recordação ficará para sempre. Clint Eastwood e Meryl Streep apresentam performances naturalistas, fazendo parecer que estamos testemunhando um belo e verdadeiro romance. Um fato que difere o filme de outros romances é a idade dos protagonistas. Clint estava com seus 65 anos e Meryl passava dos 40. Ou seja, um amor maduro. Louvável, já que boa parte dos filmes do gênero tende a esquecer esta parcela do público. Resumindo, é uma belíssima história, filmada de forma inteligente, com protagonistas apaixonantes.
 
12
Um HOMEM e uma MULHER
(Un Homme et une Femme, 1966)

direção de Claude Lelouch
elenco: Jean-Louis Trintignant e Anouk Aimée
 
Grande sucesso da carreira do diretor Claude Lelouch, vencedor da Palma de Ouro em Cannes e de dois Oscars, entre outros prêmios. Tornou-se sinônimo mundial de “filme romântico”. O despertar do amor entre um solitário convicto e uma mulher precocemente viúva. Ele, piloto de corridas. Ela, roteirista de cinema. Os dois tentam conduzir um relacionamento sincero e bem humorado em meio às insistentes demandas familiares e profissionais. Ótima trilha sonora de Francis Lai. De forma contemplativa, a obra ganha intensidade a partir do senso de urgência daquele amor.
 
13
HOUVE UMA VEZ um VERÃO
(Summer of '42, 1971)

direção de Robert Mulligan
elenco: Gary Grimes, Jennifer O'Neill e Jerry Houser
 
No verão de 1942, adolescente passa férias em uma pequena ilha, em Massachusetts, decidido a transar com garotas, mas termina apaixonando-se por uma mulher mais velha que vive sozinha enquanto o marido luta na Segunda Guerra Mundial. Em caráter autobiográfico, um drama de amadurecimento. Clássico inesquecível, com excelente direção, bela fotografia e trilha sonora tocante, ganhadora do Oscar.
 
14
TARDE DEMAIS para ESQUECER
(An Affair to Remember, 1957)

direção de Leo McCarey
elenco: Cary Grant, Deborah Kerr, Richard Denning e Cathleen Nesbitt
 
Os carismáticos Kerr e Grant se conhecem em um transatlântico, apaixonam-se perdidamente, mas estão comprometidos com outros. Decididos a terminar seus relacionamentos, combinam novo encontro algum tempo depois no Empire State Building, em Nova York. No entanto, há um desencontro. Um dia, ao acaso, se reencontram para um acerto de contas final. Um melodrama que leva às lágrimas.
 
15
ROMEU e JULIETA
(Romeo and Juliet, 1968)

direção de Franco Zeffirelli
elenco: Leonard Whiting, Olivia Hussey, Robert Stephens e Michael York
 
Versão da peça de Shakespeare rodada em Itália. Deve parte do seu sucesso ao fato do diretor Zeffirelli ter escolhido dois atores com idades muito próximas dos personagens: Leonard Whiting (Romeu) tinha 17 anos e Olivia Hussey (Julieta), 15. Resultou numa inspirada adaptação do clássico imortal sobre um amor trágico, onde dois adolescentes, filhos de famílias rivais, se apaixonam. Oscar de Melhor Fotografia e Melhor Figurino. 
 
16
A HISTÓRIA de ADELE H.
(L'histoire d'Adèle H., 1975)

direção de François Truffaut
elenco: Isabelle Adjani, Bruce Robinson e Sylvia Marriott
 
No século XIX, a filha do grande escritor francês Victor Hugo viaja em busca de um tenente que não lhe corresponde o amor. Esta situação a deixa em um desespero crescente, ficando perturbada e a levando a um processo de auto-destruição. A paixão obsessiva da personagem emociona. Trágico, tristíssimo, um amor absolutamente insano. A atuação de Isabelle Adjani é extraordinária. Ela entrega-se ao papel. Vemos no rosto dela como a loucura vai tomando conta, como fica cada vez mais longe da realidade. É impressionante. Foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz. 
 
17
CARTA de uma DESCONHECIDA
(Letter from an Unknown Woman, 1948)

direção de Max Ophüls
elenco: Joan Fontaine, Louis Jourdan e Mady Christians
 
Adaptado do romance de Stefan Zweig. Em flashback, na Viena do fim do século XIX, a infeliz existência de uma garota ingênua fascinada por um pianista mulherengo termina num sombrio desenlace. Um drama apaixonante controlado pela direção sensível e elegante de Max Ophüls. De forma implacável e hipnótica, o diretor retira os véus de ilusão que envolvem a protagonista, numa crítica devastadora ao mito e à ideologia do amor romântico. De uma riqueza inesgotável, sublime e dilacerante.
 
18
CAMILLE CLAUDEL
(Idem, 1988)

direção de Bruno Nuytten
elenco: Isabelle Adjani, Gérard Depardieu e Madeleine Robinson
 
“Magnética” e “Hipnotizante” foram alguns dos termos utilizados para descrever a performance de Isabelle Adjani como a estrela desta cinebiografia sobre o grande amor de um dos maiores escultores franceses de todos os tempos: Auguste Rodin. Entre ataques de fúria e de insanidade, a atriz se deixa guiar pelo instinto, não atuando, mas, antes, incorporando por completo a personagem perturbada que tinha em mãos. Um trabalho primoroso, que resultou em sua segunda indicação ao Oscar, além do Urso de Prata no Festival de Berlim e do César de Melhor Atriz na França.
 
19
LOVE STORY – Uma HISTÓRIA de AMOR
(Love Story, 1970)

direção de Arthur Hiller
elenco: Ali MacGraw, Ryan O'Neal, John Marley, Ray Milland e Tommy Lee Jones
 
Há muitos filmes da categoria “amor e doença incurável”, mas esse, escrito por Erich Segal (que só depois publicou o livro homônimo), é o mais famoso e lacrimal de todos. Um rico universitário e uma colega encantadora e sem papas na língua apaixonam-se e casam-se, contrariando os pais dele, que o deserdam.  Parecem destinados a ser felizes, mas ela descobre que tem leucemia. Oscar de Melhor Trilha Sonora.
 
20
SUPLÍCIO de uma SAUDADE
(Love Is a Many-Splendored Thing, 1955)

direção de Henry King
elenco: Jennifer Jones e William Holden
 
Uma das mais comoventes e famosas histórias de amor do cinema. Ambientado em Hong Kong, durante a Guerra da Coréia, trata de um correspondente de guerra norte-americano e seu amor por uma médica eurasiana. À medida que seu amor cresce, surgem problemas para atrapalhar a felicidade. Ele deixou uma esposa em casa, e ela enfrenta a desaprovação de sua família e amigos. A trilha sonora venceu o Oscar, assim como a canção título, uma das mais populares já compostas para o cinema.