abril 19, 2021

***** HOLLYWOOD FASHION: VESTINDO ESTRELAS

marilyn monroe veste travilla em “os homens preferem as louras”


dedicado ao amigo Ney Galvão 
(Itabuna, Bahia. 1952 - 1991)


A sétima arte exerce um fascínio no imaginário do público. Os figurinos dos seus filmes são copiados e servem de inspiração para o mundo da moda. Eles enriquecem a trama, ajudam na composição dos personagens, definem a época que a história se passa e ajudam na identificação com o enredo. Desde o princípio do cinema, a moda foi uma aliada, estabelecendo uma lucrativa relação, em que figurinos dão vida às produções cinematográficas, a qual influenciam o público, estimulando o consumo.

Os looks memoráveis das estrelas de cinema ditaram a moda durante décadas, fortalecendo a indústria do ramo. Esse vestuário glamoroso, assinado por habilidosos profissionais, causava um impacto surpreendente. Apesar da evidência de que nem todos os modelos serviam para ser utilizados fora das telas, o mercado sucumbiu ao figurino cinematográfico de forma desenfreada. No cinema mudo já estava claro que o vestuário era importante na popularidade dos filmes e poderia ser comercializado.

robert kalloch e norma shearer

Nos anos 30, figurinos marcantes assinados por talentosos estilistas eram objetos de desejo de milhares de mulheres, despertando identificação imediata. Enlouquecidas pelos looks das estrelas, elas iam assistir aos filmes munidas de prancheta, lápis e papel para desenhar as roupas de Greta Garbo, Jean Harlow, Joan Crawford ou Marlene Dietrich. A seguir, rapidamente, acionavam costureiras e ateliês para copiá-las. Desde então, o cinema lança peças que fazem pessoas comuns se sentirem especiais. E até hoje, roupas usadas por atrizes são copiadas, principalmente para ocasiões como casamentos e formaturas.
 
Na Era de Ouro de Hollywood, cada estúdio tinha seus próprios costureiros. Entre eles, WALTER PLUNKETT na RKO Radio Pictures, ADRIAN na Metro-Goldwyn-Mayer, TRAVIS BANTON na Paramount e ORRY-KELLY na Warner Bros. Usava-se materiais luxuosos (lantejoulas, peles, musselines etc.), valorizando a anatomia das estrelas, desde decotes cavados a transparências. Em 1948, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, criou a categoria de Melhor Figurino. A premiação valorizou um ofício que representa estética e beleza.
 
Os figurinistas sempre foram mestres na arte de camuflar imperfeições ou realçar atributos. Responsável pelo charme extravagante e misterioso da diva Marlene Dietrich, TRAVIS BANTON surpreendeu ao vesti-la com um conjunto de casaco - com ombros largos e ombreiras - e calça, num misto masculino-feminino, em um período de reinado absoluto dos vestidos. Para sua obra mais conhecida, “...E o Vento Levou”, WALTER PLUNKETT viajou um ano pelo sul dos Estados Unidos colhendo informações e visitando lojas, brechós e bazares.
 
Quem não se lembra da calça jeans surrada e da jaqueta vermelha de James Dean em “Juventude Transviada / Rebel Without a Cause” (1955)? Conquistou muitos jovens e até hoje simboliza rebeldia e liberdade. E o vestido branco decotado de Marilyn Monroe em “O Pecado Mora ao Lado / The Seven Year Itch”? Tornou-se um ícone do cinema. Eternizado na cena em que é levantado pela corrente de ar do metrô, foi leiloado em 2011 por US$ 5,6 milhões. Confeccionada em chiffon, WILLIAM TRAVILLA é apontado como o responsável pela criação, mas o livro “Hollywood Costume: Glamour! Glitter! Romance!” diz que ele comprou o vestido pronto.
bette davis e orry-kelly

Uma das mais emblemáticas figurinistas da Meca do cinema, EDITH HEAD, teve 35 indicações ao Oscar e ganhou 8 estatuetas de Melhor Figurino. Ela inventou os sarongues de Dorothy Lamour em “A Princesa da Selva / The Jungle Princess”, de 1936. Também criou o inesquecível vestido tomara que caia usado por Elisabeth Taylor em “Um Lugar ao Sol” e copiado em todo o mundo.

Em 1931, o modelo de ADRIAN, de ombros fartos e cintura estreita, feito de organza e em cor branca, para a Joan Crawford de “Redimida / Possessed” (1931), vendeu mais de 50 mil réplicas na Macy’s. Desenhado por JEAN LOUIS, o sensual longo de cetim negro de Rita Hayworth em “Gilda” (1946) também foi um sucesso. Nos anos seguintes, o visual sofisticado de Grace Kelly marcou a moda. A elegância da futura princesa, com saias amplas, cintura marcada, colar de pérolas e bolsa Hermés, enfeitiçou o público. Em 1961, o glamour sóbrio de Audrey Hepburn, vestida no tubinho preto básico de HUBERT de GIVENCHY em “Bonequinha de Luxo / Breakfast at Tiffany’s” tornou-se o look mais famoso do cinema.
 
Por fim, apresento 27 FIGURINISTAS do CINEMA e seus principais filmes.

ADRIAN
(1903 – 1959. Naugatuck, Connecticut / EUA)

Número de Filmes: 267
Tempo de Serviço: (1923 - 1952)

Cinco filmes:
“Grande Hotel / Grand Hotel” (1932)
“A Viúva Alegre / The Merry Widow” (1934)
“A Dama das Camélias / Camille” (1936)
“Núpcias do Escândalo / The Philadelphia Story” (1940)
“Acordes do Coração / Humoresque” (1946)
 
ANNA HILL JOHNSTONE
(1913 – 1992. Greenville, South Carolina / EUA)

Número de Filmes: 52
Tempo de Serviço: (1955 - 1989)

Cinco filmes:
“Vidas Amargas / East of Eden” (1955)
“Clamor do Sexo / Splendor in the Grass” (1961)
“O Poderoso Chefão / The Godfather” (1972)
“O Último Magnata / The Last Tycoon” (1976)
“Na Época do Ragtime / Ragtime” (1981)
 
BILL THOMAS
(1921 – 2000. Chicago, Illinois / EUA)

Número de Filmes: 165
Tempo de Serviço: (1943 - 1985)

Cinco filmes:
“Tudo Que o Céu Permite / All That Heaven Allows” (1955)
“Imitação da Vida / Imitation of Life” (1959)
“Spartacus / Idem” (1960)
Oscar de Melhor Figurino
“A Nau dos Insensatos / Ship of Fools” (1965)
“À Procura do Destino / Inside Daisy Clover” (1965)
 
CECIL BEATON
(1904 – 1980. Londres, Inglaterra / Reino Unido)


Número de Filmes: 12
Tempo de Serviço: (1941 - 1964)

Cinco filmes:
“Anna Karenina / Idem” (1948)
“Gigi / Idem” (1958) - Oscar de Melhor Figurino
“O Dilema do Médico / The Doctor's Dilemma” (1958)
“Minha Bela Dama / My Fair Lady” (1964) - Oscar de Melhor Figurino
“Num Dia Claro de Verão / On a Clear Day You Can See Forever” (1970)
 
DANILO DONATI
(1926 – 2001. Luzzara, Emilia-Romagna / Itália)

Número de Filmes: 56
Tempo de Serviço: (1958 - 2002)

Cinco filmes:
“A Megera Domada / The Taming of the Shrew” (1967)
“Édipo Rei / Edipo Re” (1967)
“Romeu e Julieta / Romeo and Juliet” (1968) – Oscar de Melhor Figurino
“Amarcord / Idem” (1974)
“Casanova de Fellini / Il Casanova di Fellini” (1976) – Oscar de Melhor Figurino
 
DOROTHY JEAKINS
(1914 – 1995. San Diego, Califórnia / EUA)

Número de Filmes: 59
Tempo de Serviço: (1948 - 1987)

Cinco filmes:
“Joana D`Arc / Joan of Arc” (1948) – Oscar de Melhor Figurino
“Sansão e Dalila / Samson and Delilah” (1949) – Oscar de Melhor Figurino
“A Noite de Iguana / The Night of the Iguana” (1964) – Oscar de Melhor Figurino
“Nosso Amor de Ontem / The Way We Were” (1973)
“Os Vivos e os Mortos / The Dead” (1987)
 
EDITH HEAD
(1897 – 1981. San Bernardino, Califórnia / EUA)

Número de Filmes: 436
Tempo de Serviço: (1925 - 1982)

Cinco filmes:
“A Malvada / All About Eve” (1950) - Oscar de Melhor Figurino
“Um Lugar ao Sol / A Place in the Sun” (1951) - Oscar de Melhor Figurino
“A Princesa e o Plebeu / Roman Holiday” (1953) - Oscar de Melhor Figurino
“Sabrina / Idem” (1954) - Oscar de Melhor Figurino
“Ladrão de Casaca / To Catch a Thief” (1955)
 
ELIZABETH HAFFENDEN
(1906 – 1976. Croydon, Surrey, Inglaterra / Reino Unido)

Número de Filmes: 59
Tempo de Serviço: (1934 - 1975)

Cinco filmes:
“Mulher Diabólica / The Wicked Lady” (1945)
“O Belo Brummell / Beau Brummell” (1954)
“A Encruzilhada dos Destinos / Bhowani Junction” (1956)
“Ben-Hur / Idem” (1959) – Oscar de Melhor Figurino
“O Homem Que Não Vendeu Sua Alma / A Man for All Seasons” (1966) 
– Oscar de Melhor Figurino
 
GEORGES ANNENKOV
(1889 – 1974. Petropavlovsk, Akmolinsk Oblast / Russian Empire)

Número de Filmes: 45
Tempo de Serviço: (1926 - 1965)

Cinco filmes:
“A Duquesa de Langeais / La Duchesse de Langeais” (1942)
“Conflitos de Amor / La Ronde” (1950)
“O Prazer / Le Plaisir” (1952)
“Desejos Proibidos / Madame de...” (1953)
“Lola Montès / Idem” (1955)
 
HELEN ROSE
(1904 – 1985. Chicago, Illinois / EUA)

Número de Filmes: 119
Tempo de Serviço: (1943 - 1968)

Cinco filmes:
“Assim Estava Escrito / The Bad and the Beautiful” (1952) - Oscar de Melhor Figurino
“A Última Vez Que Vi Paris / The Last Time I saw Paris” (1954)
“Eu Chorarei Amanhã / I’ll Cry Tomorrow” (1955) - Oscar de Melhor Figurino
“Alta Sociedade / High Society” (1956)
“Gata em Teto de Zinco Quente / Cat on a Hot Tin Roof” (1958)
 
IRENE SHARAFF
(1910 – 1993. Boston, Massachusetts / EUA)

Número de Filmes: 25
Tempo de Serviço: (1944 - 1981)

Cinco filmes:
“Sinfonia em Paris / Na American in Paris” (1951) - Oscar de Melhor Figurino
“O Rei e Eu / The King and I” (1956) - Oscar de Melhor Figurino
“Amor, Sublime Amor / West Side Story” (1961) - Oscar de Melhor Figurino
 “Cleópatra / Idem” (1963) - Oscar de Melhor Figurino
“Quem Tem Medo de Virgínia Woolf? / Who’s Afraid of a Virginia Woolf?” (1966) 
- Oscar de Melhor Figurino
 
MARCEL ESCOFFIER
(1910 – 2001. Monte Carlo / Mônaco)

Número de Filmes: 51
Tempo de Serviço: (1939 - 1979)

Cinco filmes:
“A Bela e a Fera / La Belle et la Bête” (1946)
“Entre o Amor e Trono / Ruy Blas” (1948)
“Águia de Duas Cabeças / L'aigle à Deux Têtes” (1948)
“Sedução da Carne / Senso” (1954)
“Lola Montès / Idem” (1955)
 
MARGARET FURSE
(1911 – 1974. Inglaterra / Reino Unido)

Número de Filmes: 32
Tempo de Serviço: (1948 - 1975)

Cinco filmes:
“Henrique V / Idem” (1944)
“Becket, o Favorito do Rei / Beckett” (1964)
“Leão no Inverno / The Lion in Winter” (1968)
“Ana dos Mil Dias / Anne of the Thousand Days” (1969) – Oscar de Melhor Figurino
“Mary Stuart, Rainha da Escócia / Mary, Queen of Scots” (1971)
 
MARIA de MATTEIS
(1898 – 1988, Florença, Toscana / Itália)
 
Número de Filmes: 90
Tempo de Serviço: (1939 - 1985)

Cinco filmes:

“A Carruagem de Ouro / Le Carrosse d'or” (1952)
“Othello / Idem” (1952)
“Terra Cruel / This Angry Age” (1957)
“Tempestade / La Tempesta” (1958)
“Waterloo / Idem” (1970)
 
MILO ANDERSON
(1910 – 1984. Illinois / EUA)

Número de Filmes: 171
Tempo de Serviço: (1932 - 1956)

Cinco filmes:
“As Aventuras de Robin Hood / The Adventures of Robin Hood” (1938) 
“Uma Aventura na Martinica / To Have and Have Not” (1944)
“Almas em Suplício / Mildred Pierce” (1945)
“Belinda / Idem” (1948)
“Vontade Indômita / The Fountainhead” (1949)
 
JEAN LOUIS
(1907 – 1997. Paris / França)

Número de Filmes: 175
Tempo de Serviço: (1944 - 1974)

Cinco filmes:
“Gilda / Idem” (1946)
“A Um Passo da Eternidade / From Here to Eternity” (1953)
“Férias de Amor / Picnic” (1955)
“O Cadilac de Ouro / The Solis Gold Cadillac” (1956) - Oscar de Melhor Figurino
“Imitação da Vida / Imitation of Life” (1959)
 
OMAR KIAM
(1894 – 1954. Monterrey, Nuevo Leon / México)

Número de Filmes: 31
Tempo de Serviço: (1934 - 1939)

Cinco filmes:
“Os Miseráveis / Les Misérables” (1935)
“Nasce Uma Estrela / A Star Is Born” (1937)
“Argélia / Algiers” (1938)
“As Aventuras de Marco Polo / The Adventures of Marco Polo” (1938)
“O Morro dos Ventos Uivantes / Wuthering Heights” (1939)
 
ORRY-KELLY
(1897 – 1964. Kiama, New South Wales / Austrália)

Número de Filmes: 298
Tempo de Serviço: (1930 - 1963)

Cinco filmes:
“A Estranha Passageira / Now, Voyager” (1942)
“Casablanca / Idem” (1943)
“Sinfonia em Paris / Na American in Paris” (1951) - Oscar de Melhor Figurino
“Les Girls / Idem” (1957) - Oscar de Melhor Figurino
“Quanto Mais Quente Melhor / Some Like It Hot” (1959) - Oscar de Melhor Figurino
 
PHYLLIS DALTON
(1925. Londres, Inglaterra / Reino Unido)

Número de Filmes: 39
Tempo de Serviço: (1951 - 1993)

Cinco filmes:
“Lawrence da Arábia / Lawrence of Arabia” (1962)
“Doutor Jivago / Doctor Zhivago” (1965) – Oscar de Melhor Figurino
“Oliver! / Idem” (1968)
“O Assalariado / The Hireling” (1973)
“Henrique V / Henry V” (1989) – Oscar de Melhor Figurino
 
PIERO GHERARDI
(1909 – 1971. Poppi, Toscana / Itália)

Número de Filmes: 43
Tempo de Serviço: (1948 - 1971)

Cinco filmes:
“Noites de Cabíria / Le Notti di Cabiria” (1957)
“A Doce Vida / La Doce Vita” (1959) – Oscar de Melhor Figurino
“A Grande Guerra / La Grande Guerra” (1959)
“Fellini Oito e Meio / 8½” (1963) – Oscar de Melhor Figurino
“Julieta dos Espíritos / Giulietta degli Spiriti” (1965)
 
PIERO TOSI
(1927 – 2019. Sesto Fiorentino, Toscana / Itália)

Número de Filmes: 65
Tempo de Serviço: (1951 - 2004)

Cinco filmes:
“Sedução da Carne / Senso” (1954)
“O Leopardo / Il Gattopardo” (1963)
“Medéia, a Feiticeira do Amor / Medea” (1969)
“Morte em Veneza / Morte a Venezia” (1971)
“Ludwig, a Paixão de um Rei / Ludwig” (1972)
 
RENÉ HUBERT
(1895 – 1976. Frauenfeld / Suíça)

Número de Filmes: 127
Tempo de Serviço: (1925 - 1964)

Cinco filmes:
“As Deliciosas Mentiras de Nina Petrowna / Die Wunderbare Lüge der Nina Petrowna” (1929)
“Lady Hamilton, a Divina Dama / That Hamilton Woman” (1941)
“O Diabo Disse Não / Heaven Can Wait” (1943)
“Entre o Amor e o Pecado / Forever Amber” (1947)
“Anastásia, a Princesa Esquecida / Anastasia” (1956)
 
ROBERT KALLOCH
(1893 – 1947. Nova York / EUA)

Número de Filmes: 152
Tempo de Serviço: (1932 - 1947)

Cinco filmes:
“Cupido é Moleque Teimoso / The Awful Truth” (1937)
“A Mulher Faz o Homem / Mr. Smith Goes to Washington” (1939)
“Jejum de Amor / His Girl Friday” (1940)
“Estrada Proibida / Johnny Eager” (1941)
“Rosa de Esperança / Mrs. Miniver” (1942)
 
ROSINE DELAMARE
(1911 – 2013. Colombes, Seine / França)

Número de Filmes: 115
Tempo de Serviço: (1938 - 1984)

Cinco filmes:
“Esta Noite é Minha / Les Belles de Nuit” (1952)
“Essas Mulheres / Adorables Créatures” (1952)
“O Vermelho e o Negro / Le Rouge et le Noir” (1954)
“O Homem que Vendeu a Alma / Marguerite de la nuit” (1955)
“Maxime / Idem” (1958)
 
TRAVIS BANTON
(1894 – 1958. Waco, Texas / EUA)

Número de Filmes: 258
Tempo de Serviço: (1925 - 1951)

Cinco filmes:
“O Expresso de Shanghai / Shanghai Express” (1932)
“Cleópatra / Idem” (1934)
“Sangue e Areia / Blood and Sand” (1941)
“À Noite Sonhamos / A Song to Remember” (1945)
“Carta de Uma Desconhecida / Letter From na Unknown Woman” (1948)
 
VITTORIO NINO NOVARESE
(1907 – 1983. Roma, Lazio / Itália)

Número de Filmes: 63
Tempo de Serviço: (1933 - 1981)

Cinco filmes:
“O Favorito dos Bórgias / Prince of Foxes” (1949)
“Messalina / Idem” (1951)
“Cleópatra / Idem” (1963) – Oscar de Melhor Figurino
“A Maior História de Todos os Tempos / The Greatest Story Ever Told” (1965)
“Cromwell, o Chanceler de Ferro / Cromwell” (1970) – Oscar de Melhor Figurino
 
WALTER PLUNKETT
(1902 – 1982. Oakland, Califórnia / EUA)

Número de Filmes: 268
Tempo de Serviço: (1926 - 1966)

Cinco filmes:
“Quatro Irmãs / Little Women” (1933)
“...E o Vento Levou / Gone with the Wind” (1939)
“Os Três Mosqueteiros / The Three Musketeers” (1948)
“Madame Bovary / Idem” (1949)
“Sinfonia em Paris / An American in Paris” (1951) - Oscar de Melhor Figurino

DEZ FIGURINOS FAMOSOS do CINEMA
 
AUDREY HEPBURN
veste Hubert de Givenchy em “Bonequinha de Luxo” (1961)

AVA GARDNER
veste Fontana em “A Condessa Descalça” (1954)

ELIZABETH TAYLOR
veste Edith Head em “Um Lugar ao Sol” (1951)

ELIZABETH TAYLOR
veste Helen Rose em “Gata em Teto de Zinco Quente” (1958)

GRACE KELLY
veste Edith Head em “Ladrão de Casaca” (1955)

GRETA GARBO
veste Adrian em “Mata Hari” (1931)

JOAN CRAWFORD
veste Adrian em “Redimida” (1932)

MARILYN MONROE
veste Travilla em “O Pecado Mora ao Lado” (1955)

MARLENE DIETRICH
veste Travis Banton em “Marrocos” (1930)

RITA HAYWORTH
veste Jean Louis em “Gilda” (1946)

GALERIA de FOTOS

norma shearer veste adrian em “quando uma mulher quer / riptide” (1934)


abril 07, 2021

******************** O GALANTE WILLIAM HOLDEN

 



“Eu sou uma prostituta. Todos os atores são prostitutas. Vendemos nossos corpos ao melhor lance.” WILLIAM HOLDEN
 
Apelidos: Bill, The Golden Boy, Golden Holden
Altura: 1,79 m
Cor dos Olhos: azuis
Cor do cabelo: castanho escuro
 
 
De família rica, elegante, charmoso, um dos campeões de bilheteria dos anos 1950. WILLIAM HOLDEN (1918 – 1981. O'Fallon, Illinois / EUA) estreou nos palcos, enveredando pelo cinema com o empurrão da estrela Barbara Stanwyck. Descoberto por um caçador de talentos no Pasadena Workshop Theatre, ele assinou um contrato de seis meses com a Paramount, em 1938, mas estava mofando no estúdio até a atriz simpatizar com ele e o escalar para “Conflito de Duas Almas / Golden Boy” (1939), no papel do violinista dividido entre a música e o pugilismo. Ficou tão grato que durante anos enviou flores para ela no aniversário do primeiro dia das filmagens.
 
Republicano, conservador, amigo do futuro presidente dos EUA Ronald Reagan. Tinha também amizades comunistas, como o roteirista Dalton Trumbo e o ator Larry Parks. Fredric March e Spencer Tracy eram seus atores favoritos. Escolhido em 25° lugar entre as 50 maiores lendas da tela pelo American Film Institute (AFI). Em 1995, a revista “Empire” o listou como uma das 100 estrelas mais sexy da história do cinema. Apareceu seis vezes na relação das dez maiores bilheterias, de acordo com a pesquisa anual da “Quigley Publications”. Liderou em 1956, dois anos depois da sétima posição em 1954. Em 1955, classificou-se em quarto lugar, e então caiu para o sétimo em 1957, antes do sexto lugar em 1958. Após cinco anos no Top 10, caiu fora em 1959 e 1960, mas reapareceu em 1961 no oitavo lugar.
barbara stanwyck e holden em 1939
O estilo viril e masculino de WILLIAM HOLDEN logo chamou a atenção do público feminino, mas em 1942 ele alistou-se na Escola de Oficiais, na Flórida, graduando-se como segundo-tenente da Força Aérea. Passou os três anos seguintes trabalhando em relações públicas e fazendo filmes de treinamento. Um de seus irmãos, um piloto naval, foi abatido e morto no Pacífico em 1943. 

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, voltou a Hollywood. Praticamente esquecido, estrelou longas dos mais diversos estilos, que iam de dramas, comédias, romances, guerra, até faroestes, mas só seria consagrado com o êxito de “Crepúsculo dos Deuses”. Brilhou como Joe Gillis, um roteirista fracassado e gigolô de Norma Desmond (Gloria Swanson), uma diva do cinema mudo que vivia de glórias passadas. O personagem recusado por Montgomery Clift deu a WILLIAM HOLDEN indicação ao Oscar de Melhor Ator. 

Destacando-se pela bela voz e excelente presença de cena, seu nome tornou-se chamariz de público e nessa ótima fase não estrelou nenhum filme que não fosse um sucesso de bilheteria. Dirigido mais uma vez pelo mestre Billy Wilder, levou o Oscar como um prisioneiro cínico e pilantra na sátira de guerra “Inferno Nº 17”. Em 1955, em “Férias de Amor”, interpretou um vagabundo desempregado que perturba as mulheres de uma pequena cidade do Kansas. Nessa época, era um dos atores mais bem pagos, embolsando 750 mil dólares, mais 20% dos lucros, por “Marcha de Heróis / The Horse Soldiers” (1959), uma soma inédita até então. O western, no entanto, fracassou.
 
No contrato de “A Ponte do Rio Kwai” levou 250 mil dólares e 10% dos lucros, tornando-se um multimilionário. Ele investiu parte de seus ganhos em várias empresas, até mesmo uma estação de rádio em Hong Kong. Em 1959, mudou-se para a Suíça por motivos fiscais e não voltou a morar em Hollywood até 1967. Passava cada vez mais tempo viajando pelo mundo. Na década de 1960, WILLIAM HOLDEN fundou o exclusivo “Mount Kenya Safari Club” com o bilionário do petróleo Ray Ryan e o financista suíço Carl Hirschmann. Sua defesa fervorosa da conservação da vida selvagem consumia boa parte de seu tempo. Seus filmes, consequentemente, perdiam qualidade.
billy wilder e holden

O ator afirmou que, em algum momento, perdeu sua paixão por atuar e que acabou se tornando um trabalho para que pudesse se sustentar. Para manter o alto padrão de vida aceitou filmes medíocres apenas pelo cachê milionário. Isso acabou abalando seu prestígio. No começo dos anos 1960 começou a declinar, ao mesmo tempo que seu problema com o alcoolismo se tornou notório. Em vários filmes nota-se o rosto inchado e os olhos nebulosos. No entanto, amado pela comunidade cinematográfica e pelo público, jamais deixou de filmar.
 
No final da carreira, destacou-se em “Inferno na Torre / The Towering Inferno” (1974), “Rede de Intrigas” e “Fedora / idem” (1978) – sua quarta parceria com Billy Wilder. Nomeado ao Oscar de Melhor Ator pelo Max Schumacher de “Rede de Intrigas”, um executivo de uma cadeia televisiva que se envolve numa relação adúltera com Faye Dunaway, era o favorito das apostas. Entretanto, a estatueta foi para o inglês Peter Finch, que concorria pelo mesmo drama e morreu meses antes da cerimônia. Após a premiação, WILLIAM HOLDEN exibiu sua revolta em uma coletiva de imprensa, alegando que a Academia se rendeu ao sentimentalismo, fazendo uma homenagem póstuma a um ator medíocre. Não era verdade. Finch mereceu o prêmio.
 
Enquadrava-se no tipo de galã romântico. Era o sonho de muitas mulheres mundo afora. Considerado um bom profissional, amigo e correto com diretores, colegas atores e produtores. Com fobia de higiene, tomava quatro banhos diariamente. Casou-se com a atriz Brenda Marshall em 1941, que abandonou o cinema por ele e continuaram juntos até 1971, embora vivessem longe um do outro. Apaixonou-se por Capucine, que preferia mulheres. Namorou Audrey Hepburn, Grace Kelly e Stefanie Powers, mas suas desilusões amorosas agravaram ainda mais seu alcoolismo.
grace kelly, holden e o oscar

Não foi sempre um alcoólatra. Inicialmente bebia socialmente. Começou a beber de forma descontrolada nos anos 1960. Passava semanas embriagado, muitas vezes caído no chão em sua elegante mansão em Beverly Hills. Amanhecia bebendo um whisky duplo sem gelo e não parava mais durante todo o dia. Suas bebedeiras se tornaram homéricas e por causa delas envelheceu rápido, aparentando ter mais idade do que realmente tinha. Abatido, cansado, sem energia, farto de Hollywood, passava meses na sua propriedade na África, caçando e se embriagando.
 
Hostilizado sempre que ficava bêbado, começou a beber às escondidas. Havia se cansado das lições de moral e dos conselhos para parar de beber. Queria encher a cara até não aguentar mais, em paz, sem ninguém por perto perturbando ou chamando a atenção pelo seu estado lamentável. Costumava dizer que era um bebum convicto. No final dos anos 1970, comprou um apartamento em Santa Mônica, onde solitário tomava seus porres. Nesse apartamento, WILLIAM HOLDEN bebia sem parar durante dias. Certa vez, em 1981, ao caminhar da sala para a cozinha, desequilibrou-se e bateu com a cabeça de forma violenta numa mesa de mármore. Sangrou até morrer. Quatro dias antes da estreia da comédia “S.O.B. / idem” (1981), em que atuou ao lado de Julie Andrews e Shelley Winters.

Tinha apenas 63 anos, uma idade abaixo da média de vida do homem norte-americano. Foi um fim tão melancólico quanto o de seu personagem em “Crepúsculo dos Deuses”. Em 1982, Stefanie Powers, com quem mantinha um relacionamento desde 1972, fundou a William Holden Wildlife Foundation e o William Holden Wildlife Education Center no Quênia.
 
Os 10 MELHORES FILMES de WILLIAM HOLDEN
(por ordem de preferência)
 
01
CREPÚSCULO dos DEUSES
(Sunset Boulevard, 1950)

Direção de Billy Wilder
Elenco: Gloria Swanson, Erich von Stroheim e Nancy Olson
 
02
FÉRIAS de AMOR
(Picnic, 1955)

Direção de Joshua Logan
Elenco: Kim Novak, Rosalind Russell, Betty Field, Susan Strasberg e Cliff Robertson
 
03
A PONTE do RIO KWAI
(The Bridge on the River Kwai, 1957)

Direção de David Lean
Elenco: Alec Guinness, Jack Hawkins e Sessue Hayakawa
 
04
SABRINA
(Idem, 1954)

Direção de Billy Wilder
Elenco: Humphrey Bogart, Audrey Hepburn, Martha Hyer e Marcel Dalio
 
05
NASCIDA ONTEM
(Born Yesterday, 1950)

Direção de George Cukor
Elenco: Judy Holliday, Broderick Crawford e Howard St. John
 
06
REDE de INTRIGAS
(Network, 1976)

Direção de Sidney Lumet
Elenco: Faye Dunaway, Peter Finch, Robert Duvall e Beatrice Straight
 
07
INFERNO Nº 17
(Stalag 17, 1953)

Direção de Billy Wilder
Elenco:  Don Taylor, Otto Preminger e Robert Strauss
 
OSCAR de Melhor Ator
 
08
Um HOMEM e DEZ DESTINOS
(Executive Suite, 1954)

Direção de Robert Wise
Elenco: Barbara Stanwyck, June Allyson, Fredric March, Walter Pidgeon, Shelley Winters, Paul Douglas, Louis Calhern e Nina Foch
 
Melhor Ator no Festival de Veneza
 
09
SUPLÍCIO de uma SAUDADE
(Love is a Many-Splendored Thing, 1955)

Direção de Henry King
Elenco: Jennifer Jones
 
10
MEU ÓDIO SERÁ sua HERANÇA
(The Wild Bunch, 1969)

Direção de Sam Peckinpah
Elenco: Ernest Borgnine, Robert Ryan e Edmond O’Brien

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