março 31, 2026

**************** KIRK DOUGLAS: o ÚLTIMO DURÃO

 


 
Quando você se torna uma estrela, você não muda.
Todos os outros ao seu redor é que mudam.
 
Eu nunca fui um cara durão.
Eu apenas fingia ser um.
KIRK DOUGLAS
 
Olhos: azuis
Cabelos: castanhos
Altura: 1,75 m
Apelido: Izzy, Spartacus e O durão
 

Sua filmografia é extraordinária. Famoso por protagonizar filmes de guerra, aventuras, faroestes e dramas densos, seus ricos créditos incluem 73 longas, fitas para a televisão, prêmios, nove peças de teatro e oito livros. Protagonista do primeiro filme que vi numa sala de cinema, ainda bem garotinho, numa reprise nos anos 70 de “Ulysses / Idem” (1954). Nunca esqueci da sua presença magnética e da diva italiana Silvana Mangano, sua parceira neste épico. De personalidade forte, queixo partido e papéis de machos dominadores, foi também produtor inovador e viveu até os 103 anos. Indicado três vezes ao Oscar de Melhor Ator, recebeu um Oscar Honorário em 1996, em reconhecimento aos 50 anos como uma força moral e criativa na comunidade cinematográfica. Em 2001, no Festival de Berlim, arrebatou o Urso de Ouro em homenagem à sua carreira. Sedutor, KIRK DOUGLAS (1916 - 2020. Nova York / EUA), além de dois casamentos, também é conhecido por romances fugazes com atrizes famosas como Marlene Dietrich, Gene Tierney, Rita Hayworth, Joan Crawford, Lana Turner, Mia Farrow e Faye Dunaway.

Trilhou uma jornada de superação e coragem. Seu nome verdadeiro era Issur Danielovitz Demsky, membro de uma família de imigrantes judeus russos em Nova Iorque, com pais analfabetos e seis irmãs. Em sua juventude, trabalhou em diversas funções, incluindo jardineiro e lutador profissional, para pagar seus estudos na Universidade de St. Lawrence, onde desenvolveu interesse pelo teatro. Mais tarde, estudou atuação na Academia Americana de Artes Dramáticas em Nova York, conhecendo Lauren Bacall e impulsionando sua carreira na Broadway. Sua estreia nos palcos aconteceu em
“Spring Again”, mas em 1942 teve que interromper a carreira para se alistar no Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, onde serviu como oficial de comunicações na Segunda Guerra Mundial. Seu retorno à Broadway culminou com “The Wind is Ninety”. Casou-se em 1943 com a atriz e modelo Diana Dill, com quem teve Joel e Michael. Depois de se divorciar em 1951, se casou, três anos depois, com Anne Buydens, o amor de sua vida, com quem teve dois filhos: o produtor Peter Vincent Douglas e o ator Eric Douglas.

Com a ajuda da amiga Lauren Bacall, as portas de Hollywood se abriram para ele e estreou em 1946 no drama noir
“O Tempo Não Apaga / The Strange Love of Martha Ivers”, protagonizado por Barbara Stanwyck, com quem não se deu bem. O sucesso chegou com “O Invencível” (1949), no papel de um boxeador, recebendo sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator.  Da covinha famosa ao olhar penetrante e corpo musculoso, KIRK DOUGLAS foi o último herói da era de ouro de Hollywood. Caracterizado como um ator carismático, versátil e de gestos marcantes, conferia aos seus personagens força expressiva e dinamismo. Ao longo da década de 1950, estrelou filmes famosos. Em 1955 fundou a produtora independente Bryna Productions, nomeada em homenagem à sua mãe e administrada por sua esposa Anne. Produziu 18 filmes, entre eles “Glória Feita de Sangue” (1957), “Os Vikings” (1958), “Spartacus” (1960), “O Nono Mandamento / Strangers When We Meet” (1960), “Sua Última Façanha / Lonely Are the Brave” (1962), “Sete Dias de Maio / Seven Days in May” (1964) e “O Segundo Rosto / Seconds”.

Sua carreira está bem refletida em seu primeiro livro autobiográfico,
“O Filho do Trapeiro”, no qual relata situações relacionadas à longa trajetória no cinema. A partir da década de 1980, conciliou o trabalho no cinema com a televisão. A mesma intensidade que demonstrava em sua vida, ele repetia em suas atuações, sempre permeadas pela força explosiva, atlética, robusta... era preciso ter o temperamento de James Cagney, Burt Lancaster ou Anthony Quinn para se igualar a ele. KIRK DOUGLAS comentou que, para ter sucesso no mundo do cinema — afinal, sua abordagem era apaixonada, porém pragmática —, era preciso ter talento alicerçado em energia. Pertencia àquele grupo de atores magnéticos com uma presença imponente. Seu caráter e força moral sempre esteve presente em seus filmes. O telefilme “Amos / Idem” (1985), pelo qual recebeu indicações ao Emmy e ao Globo de Ouro, chamou a atenção para a questão da violência contra idosos. Além disso, escreveu artigos, textos de opinião e participou de programas de televisão demonstrando sinceramente sua preocupação com os mais velhos.
Em 1991, sobreviveu a um acidente de helicóptero que matou duas pessoas. Quase quebrou a coluna. Em 1996, sofreu um derrame que afetou sua fala. Por um tempo, acreditou que sua carreira havia acabado, mas no final de 1998 retornou às telonas em “Em Busca dos Diamantes / Diamonds” (1999), seguido por uma participação especial indicada ao Emmy em “Um Toque de Anjo / Touched by an Angel” (2000). Ele também criou a Fundação Douglas para contribuir com causas sociais, resultando na Missão para Moradores de Rua de Los Angeles, no Centro Feminino Anne Douglas, e na Unidade de Alzheimer da Motion Picture Relief Home. Sua Fundação restaurou playgrounds em escolas de Los Angeles e construiu áreas semelhantes em Israel. Também financiou um teatro em frente ao Muro das Lamentações em Jerusalém e o Teatro KIRK DOUGLAS, na Califórnia, em 2004. Em 1981, o presidente Jimmy Carter concedeu ao ator a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil dos Estados Unidos da América.

Ele recebeu homenagens expressivas de diversos governos e organizações em outros países, incluindo França, Itália, Portugal, Israel e Alemanha. Entre os prêmios internacionais mais importantes que ganhou, destaca-se a Ordem Nacional da Legião de Honra (1990), por seus serviços às artes e letras da França. Em 1991, o American Film Institute (AFI) o homenageou com o cobiçado Prêmio pelo Conjunto da Obra. Em 1995, o Centro John F. Kennedy para as Artes Cênicas o premiou por sua vigorosa e fértil contribuição à cultura norte-americana. O status icônico de KIRK DOUGLAS faz parte da história do cinema, sempre estará presente em nosso imaginário cinematográfico.


kirk em o invencível
DEZ FILMES de KIRK DOUGLAS
(por ordem de preferência)
 
01
ASSIM ESTAVA ESCRITO
(The Bad and the Beautiful, 1952)
direção de Vincente Minnelli
elenco: Lana Turner, Walter Pidgeon, Dick Powell,
Barry Sullivan, Gloria Grahame e Gilbert Roland
 

Indicado ao Oscar de Melhor Ator
 
02
A MONTANHA dos SETE ABUTRES
(Ace in the Hole, 1951)

direção de Billy Wilder
elenco: Jan Sterling

 
03
GLÓRIA FEITA de SANGUE
(Paths of Glory, 1957)

direção de Stanley Kubrick
elenco: Ralph Meeker, Adolphe Menjou e George Macready

 
04
O INVENCÍVEL
(Champion, 1949)

direção de Mark Robson
elenco: Arthur Kennedy, Marilyn Maxwell, Paul Stewart
e Ruth Roman

 
Indicado ao Oscar de Melhor Ator
 
05
SEDE de VIVER
(Lust for Life, 1956)

direção de Vincente Minnelli
elenco: Anthony Quinn, Pamela Brown e Everett Sloane

 
Indicado ao Oscar de Melhor Ator
Globo de Ouro de Melhor Ator – Drama
Melhor Ator do Círculo de Críticos
de Cinema de Nova Iorque
 
06
FUGA do PASSADO
(Out of the Past, 1947)

direção de Jacques Tourneur
elenco: Robert Mitchum, Jane Greer e Rhonda Fleming

 
07
CHAGA de FOGO
(Detective Story, 1951)

direção de William Wyler
elenco: Eleanor Parker, William Bendix, Cathy O'Donnell.
George Macready, Gladys George, Joseph Wiseman
e Lee Grant

 
08
VIKINGS, os CONQUISTADORES
(The Vikings, 1958)

direção de Richard Fleischer
elenco: Tony Curtis, Ernest Borgnine, Janet Leigh,
Alexander Knox e Frank Thring

 
Melhor Ator no Festival de Cinema de San Sebastian
 
09
SPARTACUS
(Idem, 1960)

direção de Stanley Kubrick
elenco: Laurence Olivier, Tony Curtis, Jean Simmons,
Charles Laughton, Peter Ustinov, John Gavin,
Nina Foch, John Ireland e Woody Strode

 
10
EMBRUTECIDOS PELA VIOLÊNCIA
(Along the Great Divide 1951)

direção de Raoul Walsh
elenco: Virginia Mayo, John Agar e Walter Brennan

 
kirk em “a um passo da morte
FONTES
  “O Filho do Trapeiro” (1989)
de Kirk Douglas
 
“Kirk Douglas”
(1976)
de Joseph McBride
 
“Kirk Douglas”
(1985)
de Michael Munn


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