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| scotty bowers |
Não havia
nada de culpado,
não havia
nada de sujo.
Foi a
coisa mais natural
e
maravilhosa do mundo.
HENRY
WILLSON
(1911 –
1978. Lansdowne, Pensilvânia / EUA)
agente de
atores
Scotty
era uma figura central
no underground
gay de Hollywood
e serviu
como um cafetão de confiança
de seus clientes
quando eles não tinham
alternativa
a não ser viver nas sombras.
MATT TYRNAUER
(Los
Angeles, Califórnia / EUA)
cineasta
Acabei de
ler “Full Service: the Secret Sex Lives of Hollywood's Stars” (2012),
as memórias de SCOTTY BOWERS (1923 – 2019. Ottawa, Illinois / EUA), no qual
revela como ele e seus jovens e belos prostitutos tiveram como clientes, durante
décadas, atores, atrizes, produtores, diretores e demais profissionais da
chamada Era de Ouro de Hollywood. Interessei-me pela leitura depois de ver a
minissérie “Hollywood”, de apenas sete capítulos, em que a Cidade dos Sonhos
dos anos 40 e 50 é retratada. Garoto simplório, nascido numa fazenda, na
infância o autor seduzido manteve um caso com o fazendeiro vizinho, amigo de
seu pai, casado e pai de dois filhos. Começa aí a sua saga sexual, que passou
mais tarde, em Chicago, quando adolescente, a fazer dinheiro satisfazendo
senhores respeitáveis e até mesmo padres. Isso seria
abuso aos olhos de todos, menos aos dele. E tudo sem que a mãe ou os irmãos
desconfiassem. Ele foi para a guerra, se alistando na Marinha, lutando na
Batalha de Iwo Jima, no Oceano Pacífico, e perdendo no sangrento conflito um
irmão e dois amigos muito próximos.
Nessa
época, homens e mulheres gays forçados a ser marginais sexuais eram
publicamente evitados e muitas vezes perseguidos, ou pelo menos forçados a
viver vidas duplas. A indústria cinematográfica mantinha em segredo a
verdadeira identidade sexual de muitas de suas maiores estrelas, como Ramon
Novarro ou Greta Garbo. A comunidade LGBTQ+ não tinha muitos lugares seguros
para se conectar na década de 40. A homossexualidade foi ilegal na Califórnia
até os anos 1970. Quando a divisão de narcóticos do Departamento de Polícia de
Los Angeles – “a Gestapo sexual”, como era conhecida –
invadia um bar gay, os frequentadores corriam o risco de serem presos,
extorquidos, internados em um hospício e possivelmente lobotomizados. Esses
policiais tinham como alvo a elite de Hollywood porque tinha carreiras a
proteger e dinheiro de sobra para suborná-los. Foi nesse contexto que o
fuzileiro naval SCOTTY BOWERS veio de anos de guerra para morar em Los Angeles,
em 1946, cidade que conheceu nas folgas da Marinha e onde, obviamente, viveu
aventuras eróticas de farda.
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| o posto de gasolina bordel |
Aos 23
anos, em 1946, ele rapidamente começou a trabalhar em um posto de gasolina em
Hollywood, como atendente, indicado por um amigo da Marinha. O
Richfield Oil ficava em 5777 Hollywood Blvd., na esquina da Van Ness Avenue. Sua
beleza atraiu a atenção de Walter Pidgeon, astro canadense da
Metro-Goldwyn-Mayer, que o convidou para dar uma volta em seu luxuoso carro Lincoln Continental.
O loiro
de covinhas topou sem vacilar, marcando sua entrada para a alta sociedade local.
O assédio rendeu banho de piscina, sexo e 20 dólares de gorjeta, um valor
considerável na época. O mais importante desse encontro erótico foi o início de
uma carreira paralela do veterano de guerra, que passou a oferecer seu corpo e os
de ex-combatentes em dificuldades financeiras para as estrelas de
cinema. Pidgeon recomendou o nome do amante a um círculo de amigos — e logo ele
estava intermediando encontros para ele ou uma rede de profissionais do sexo. A demanda era tão alta, que teve que encaminhá-los para
uma sala de espera — que, na verdade, era só um trailer estacionado.
A notícia
de um jovem fuzileiro naval bonito, discreto e desinibido espalhou-se como fogo
nos bastidores de Hollywood. SCOTTY BOWERS percebeu que a “Cidade dos Sonhos”
era, na verdade, uma cidade de desejos reprimidos. Para atender à demanda, ele
recrutou cerca de 20 veteranos de guerra, bonitos, atléticos e discretos que,
assim como ele, precisavam de dinheiro para sobreviver. Estabeleceu uma tabela
fixa: 20 dólares por serviço. Diferente de um cafetão tradicional, ele não
ficava com uma comissão sobre os rapazes, seu lucro vinha das gorjetas e da
gratidão das estrelas, que o via como um cafetão de confiança. Esses rapazes
eram enviados as mansões mais exclusivas de Beverly Hills. O posto de gasolina
tornou-se a fachada perfeita: enquanto os estúdios vigiavam os passos das suas
estrelas, elas abasteciam seus carros e davam um bilhete com um endereço ou colocavam
um acompanhante no banco de trás. Com os anos, o gigolô passou a trabalhar como
barman em festas privadas de elite, onde levava seus garotos para servir as bebidas e, mais tarde,
atender aos desejos dos convidados.
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| tyrone power |
A sua lista
de clientes não fazia distinção de gênero: homens e mulheres, astros e
estrelas, de galãs másculos a divas intocáveis, figuras lendárias que confiavam
a um ex-fuzileiro naval os segredos que poderiam destruir suas carreiras. Entre
os nomes citados em seus relatos, que foram para cama com ele ou seus pupilos, destaca-se
uma lista extensa, muito extensa: Tyrone Power, Cary Grant, Bette Davis, James
Dean, Charles Laughton, George Cukor, Vivien Leigh, Spencer Tracy, Lana Turner,
Laurence Olivier, Rex Harrison, Gore Vidal, Montgomery Clift, Cole Porter,
Tennessee Williams, Ava Gardner, Randolph Scott, Vincent Price, Raymond Burr, Gloria Swanson, Alan Ladd, Farley Granger, Bob Hope, Merle Oberon, Tom Ewell, Judith Anderson etc. A confiança realmente impulsionou seu trabalho. Nessa epopeia sexual,
SCOTTY BOWERS não passava um dia sem transar. Operou seu esquema do posto de gasolina de 1946 até 1950, mas o serviço
completo se estendeu muito além disso, seguindo até o final da década de 1970, atendendo muitos dos
grandes nomes da indústria cinematográfica que iam fazer sexo com ele ou
com outros indicados por ele.
Administrar
um bordel clandestino, frequentado principalmente por gays, em um posto de
gasolina, não foi nada fácil. O seu livro conta detalhes dessas peripécias. É
uma publicação cativante para quem gosta de cinema e, principalmente, para quem
gosta da velha e charmosa Hollywood com seus galãs e estrelas que nos faziam
sonhar. O autor justificou a publicação pelo fato dessas pessoas não estarem
mais neste mundo, é assim se sentiu à vontade para botar a boca no trombone.
Ele desnuda mitos. Um deles, o tal romance que se supunha romântico entre
Spencer Tracy e Katherine Hepburn, por exemplo. Segundo ele, mentira inventada
para promover os filmes da dupla. E mais: Tracy, embora casado, transou
diversas vezes com SCOTTY BOWERS, ao mesmo tempo em que Hepburn preferia “moças
jovens e morenas para a sua cama”. Todas arranjadas por ele. Outra história
interessante é a transa a três com Cary Grant e um Rock Hudson ainda
desconhecido, além de ter feito
um ménage à trois com Lana Turner e Ava Gardner na casa de Frank
Sinatra, então marido da deusa Ava. Nossa!
O livro é
recheado com nomes, locais, datas e acontecimentos. Embora tenha parado de
trabalhar no posto onde o povo do cinema abastecia o carro (e a cama),
continuou suas atividades nas festas dos magnatas de Hollywood – e seus
contatos e sua fama se intensificaram. Ele afirma que sentia prazer em realizar
as preferências sexuais das pessoas numa época tão conservadora. Alguns
tacharão o livro de pura fofoca e um compêndio de futilidades. Outros, como eu,
vão encarar com um sorriso, pois, como SCOTTY BOWERS mesmo afirmava, “nada mais
natural neste mundo do que o sexo”. Interrogado se seu comportamento sexual
seria um “distúrbio” por ter sido assediado tão cedo pelo fazendeiro amigo de
seu pai, respondeu que não. Tudo para ele tinha sido muito bom e guardava
lembranças agradáveis daquele senhor que o iniciara. Apesar do negócio sexual,
ele era discreto, e sabia que, dessa maneira, blindava seus clientes e
tornava o trabalho mais lucrativo. Alguns deles desenvolveram uma relação de confiança. E toda essa
discrição e confiabilidade tornaram suas confissões mais bombásticas.
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| scotty powers e seus garotos de programa |
Seus outrora segredos são picantes, como quando ele fez sexo com um dos diretores mais
marcantes da história do FBI, J. Edgar Hoover — que estava vestido de drag
queen. Todavia, o seu maior cliente era o compositor Cole Porter. Diversas
orgias foram organizadas por ele a convite do músico. Além disso, a vida sexual
do cafetão foi objeto de estudo do sexólogo Dr. Alfred Kinsey, que estava
determinado a saber profundamente sobre a sua pansexualidade. Ele o surpreendeu
ao revelar que experimentou todos os atos sexuais de sua lista. Tinha feito de
tudo diversas vezes. Com seus olhos azuis penetrantes, cabelos espessos e uma
juventude irradiante, é fácil imaginar por que era popular. Revelou não ter arrependimento
por passar a maioria das noites na cama de outra pessoa. Mas admite francamente
que sua única verdadeira paixão era o dinheiro. Fazer sexo com celebridades por
US$ 20 era um trabalho fácil e lucrativo. Era um cafetão – mas também um cara
sexualmente liberado que cuidava paternalmente de seus prostitutos e facilitava sexo
satisfatório para clientes célebres em uma
época enrustida.
Conhecendo
os bastidores de Hollywood como ninguém, ele foi um gigolô bem-sucedido,
vivenciando em primeira mão a dualidade sexual de lendas do cinema cuja imagem
pública não correspondia à sua realidade íntima. Para uma figura famosa, SCOTTY
BOWERS não estava interessado no negócio do entretenimento. Ele nunca quis ser
um ator ou envolvido no cinema em qualquer atividade profissional. Estava
contente com sua vida como ela era. Esse desinteresse era parte do que o fez
tão bem-sucedido em seu trabalho. Ele não tinha desejos de estrelato ou fama. Tampouco
nunca se importou com a imprensa. Em várias ocasiões recusou pagamentos em
troca de informações da intimidade de celebridades. A sua carreira teve um fim no
auge da AIDS, nos anos 80. Nesse período se casou. Ele havia permanecido em
silêncio por décadas, até 2012, quando lançou suas memórias, intituladas “Full
Service: My Adventures in Hollywood e Secret Sex Lives of the Stars”. Este best-seller
foi seguido por um documentário
de 2017, “Scotty and the Secret History of Hollywood”, dirigido por Matt
Tyrnauer.
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| scotty e suas profissionais do sexo |
O autor
esperou que todos os seus clientes falecessem antes de abrir a boca. Muitos
deles foram gratos pela lealdade, dando presentes generosos. O ator Beach Dickerson deixou três
casas para SCOTTY BOWERS, e o premiado diretor de fotografia Nestor Almendros
lhe deu a estatueta do Oscar que ganhou
por “Cinzas do Paraíso / Days of Heaven” (1978). Mas o
lançamento
do seu livro, aos 89 anos de idade, foi um escândalo. De imediato, críticos e
biógrafos oficiais o acusaram de ser um velho mentiroso em busca de atenção. Janet
Maslin, no “The New York Times”, considerou o conteúdo da obra como “supostas
verdades”, enquanto Lewis Jones, do “The Telegraph”, desafiou os leitores a
digeri-lo “como ficção”. No entanto, a descrença durou pouco. Historiadores,
jornalistas e pesquisadores começaram a investigar cada detalhe minucioso de
seus relatos e o resultado foi chocante: tudo batia com a realidade. As datas
em que ele dizia ter organizado
festas coincidiam exatamente com as folgas de filmagem das estrelas. Amigos
próximos e seus antigos garotos confirmaram os esquemas do posto de gasolina.
Em 2019, SCOTTY BOWERS morreu aos 96 anos,
deixando uma história na mitologia hollywoodiana que, por muito tempo, passou
despercebida. Ele partiu deixando a Cidade dos Sonhos um pouco menos misteriosa
e muito mais humana, evidenciando que, por trás do glamour e moralidade
fabricado pelos estúdios, existiam pessoas reais com desejos que nenhuma
censura foi capaz de silenciar.
“As
necessidades de todos eram atendidas.
Tudo o
que os astros e estrelas queriam, eu tinha.
Eu podia
realizar todas as suas fantasias sexuais.”
SCOTTY
BOWERS
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| spencer tracy e katharine hepburn |
DEZ CLIENTES
de SCOTTY BOWERS
CARY
GRANT
(1904 –
1986. Bristol / Reino Unido)
“Ele era
íntimo de um ator especializado em faroestes, Randolph Scott. Eu passei um fim
de semana com eles. Nós três aprontamos todo tipo de travessuras sexuais juntos.
Eu gostava muito deles, e era óbvio que eles também gostavam muito um do outro.
Não sei se as respectivas esposas deles chegaram a descobrir o que estava
acontecendo entre eles. O cowboy Scott era o amor da vida de Grant. Viveram
juntos por 12 anos.”
CECIL
BEATON
(1904 –
1980. Hampstead, Londres / Reino Unido)
“Preparava seu chá, deitava ao seu lado, fazia uma massagem,
alisava sua testa e o guiava para uma longa sessão de sexo até que
ele adormecesse como um bebê.”
DUQUE e
DUQUESA de WINDSOR
(1894 –
1972. White Lodge, Richmond / Reino Unido)
(1896 –
1986. Blue Ridge Summit, Pensilvânia / EUA)
“Eles
eram homossexuais e viviam uma farsa como um casal. Eddy também gostava, de vez
em quando, de sexo a três com uma garota, e outras vezes queria uma mulher a
sós. Mas sua clara preferência era por garotos. Certa noite, eu trouxe para
Wally uma gracinha magra e esbelta, e quando voltei mais tarde para buscá-la e
levá-la para casa, ela me disse, animada, que nunca em toda a sua vida havia
gostado tanto de sexo. Ela nem conseguia se lembrar de quantos orgasmos teve
naquela noite.”
EDITH
PIAFF
(1915 –
1963. Paris, /França)
“Fizemos
amor quase todas as noites durante as quatro semanas que ela passou em
Hollywood. Ela também era bissexual.”
ERROL
FLYNN
(1909 –
1959. Battery Point / Austrália)
“Errol
Flynn me disse que estava procurando por novos talentos. Mas ele se referia às
mulheres. Eu disse que faria o possível para agradá-lo. 'Que tipo de mulher
você está procurando?', perguntei. 'Bem, digamos assim', disse ele, 'eu gosto
de bebida velha e mulheres jovens. Muito jovens. Os dois formam uma combinação
agradável, não acha?'.”
KATHARINE
HEPBURN
(1907 –
2003. Hartford, Connecticut / EUA)
“Durante
39 anos apresentei à atriz mais de 150 mulheres para que pudessem explorar
plenamente seu lesbianismo. Ela era lésbica, e eu não conseguia imaginar
aquela mulher inegavelmente masculina tendo um caso com um homem, qualquer
homem. Ela gostava de moças bonitas de cabelos escuros que não usavam
maquiagem. O seu caso amoroso com o bissexual Spencer Tracy, amplamente divulgado pelos tabloides,
era uma cortina de fumaça para suas ardentes aventuras homossexuais.”
LAURENCE
OLIVIER
(1907 –
1989. Dorking / Reino Unido)
“Toda vez
que eu mandava um casal para o quarto de hotel dele, ele pedia uma garota
diferente, mas quase sempre o mesmo cara.”
SPENCER
TRACY
(1900 -
1967. Milwaukee, Wisconsin / EUA)
“O grande
Spencer Tracy era bissexual e um amante excelente. Após uma bebedeira daquelas,
eu o despi, me despi também, deitamo-nos na cama e o abracei forte como uma
criança. Ele babava, xingava e reclamava. Tinha bebido tanto que eu mal
conseguia entender uma palavra do que dizia. Tentei acalmá-lo, mas ele não quis
saber de nada. Pelo contrário, enfiou a boca no meu pau. Ele era o último homem
no mundo de quem eu esperava tal iniciativa, mas eu deixei de bom grado Esse
foi o primeiro de muitos encontros sexuais que tive com Spencer.”
TYRONE
POWER
(1914 –
1958. Cincinnati, Ohio / EUA)
“Com seus
gostos escatológicos, era escandalosamente bonito. As mulheres suspiravam por
ele, e ele dormia com várias delas, mas preferia mais os homens. Ele me ligava
com frequência e pedia que eu lhe enviasse um rapaz. Alguns de seus gostos
sexuais eram bastante estranhos e excêntricos, mas nenhum dos rapazes parecia
se importar.”
VIVIEN
LEIGH
(1913 –
1967. Darjeeling / Índia)
“A
estrela de “...E o Vento Levou” era uma mulher sensual. Muito sexual e muito
excitável. Quando estava no clima, exigia satisfação completa e total. Transava
como se a sobrevivência do planeta dependesse disso. Ela era estrondosa.
Gritava, berrava e ria. Tinha orgasmo após orgasmo, cada um mais estrondoso que
o anterior.”
CONVERSANDO
com SCOTTY BOWERS em 2012
Em seu
livro de memórias, “Full Service: My Adventures in Hollywood and the Secret Sex
Lives of the Stars”, Scotty Bowers, de 89 anos, relata de forma gloriosa e
honesta suas muitas lembranças de devassidão a Lionel Friedberg, que as
organizou em um texto fascinante. Abrangendo sua juventude em uma fazenda em
Illinois durante a Grande Depressão, os violentos combates na Segunda Guerra
Mundial e casos amorosos com algumas das figuras mais famosas de Hollywood, a sua
história é uma epopeia sensual. O que
acha como a família, o amor e o sexo eram retratados no cinema, em comparação
como as estrelas viviam suas vidas pessoais? Eu sentia
que muitos levavam vidas duplas. O que fingiam fazer e o que realmente faziam
eram coisas diferentes. Por outro lado, havia algumas pessoas muito certinhas e
conservadoras. Mas em Hollywood, era possível realizar os desejos sexuais
secretos, por causa do anonimato. Ninguém conhecia ninguém no mesmo quarteirão
onde moravam. Ainda
sente isso em Hollywood? Como se pode explorá-la sexualmente? Sim, de
uma forma diferente. É mais aberto agora, as pessoas não são tão tímidas.
Naquela época, havia gays assumidos, mas geralmente eram reservados e se
sentiam sortudos quando conseguiam encontrar alguém em quem pudiam confiar. Então,
era só uma questão de encontrar quem o aceitasse e o que queria? Percebi com
os anos que, ao conhecer alguém, uma das coisas que ela mais gosta é ser ela
mesma, sem truques. As pessoas gostam disso. Como seus
amigos atores e famosos conciliavam os personagens que interpretavam na tela
com as pessoas que realmente queriam ser? Um ator é
um ator, então ele pode se retratar de uma forma completamente diferente de
quem é. Raramente dá para perceber quem ele realmente é. Mas é a vida. Também
arranjei encontros sexuais profissionais discretos para centenas de pessoas
comuns. Empresários, donas de casa, homens casados, enfim, todo tipo de gente. Havia um
certo nível de segredo emocionante na sua época de ouro? Havia
segredo, com certeza! Era por isso que as pessoas gostavam e confiavam em mim.
Mas você pode dizer: “Se eles confiavam e gostavam, por que está fazendo isso
agora?”. Bem, é triste, porque todos se foram. Me emociona pensar nas pessoas
boas que eu conheci. Penso em Vincent Price, Randolph Scott, Cary Grant, todos gentis, cavalheiros. Gentileza, bondade, são a
resposta. Pensando neles, em como eram doces, independentemente do que faziam
na cama, eu publiquei esse livro. Sua vida
mudou. Como é se sentir mais estável agora? Eu
gostaria de ser mais jovem... e fazendo a mesma coisa. FONTESDitadura
e Homossexualidade: Repressão,
Resistência
e a Busca da Verdade (2014)
de James
N. Green
Full
Service: My Adventures in Hollywood
and the
Secret Sex Live of the Stars (2012)
de Scotty
Bowers e Lionel Friedberg
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| randolph scott e cary grant |
“Espero
ter proporcionado tanto prazer
quanto o
que eu mesmo recebi.
Em nenhum
momento senti vergonha,
culpa ou
remorso pelo que fiz.
Muito
pelo contrário.”SCOTTY
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