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dezembro 16, 2010

***************** ROBERT MITCHUM na PRISÃO




 
O carismático ROBERT MITCHUM (1917 - 1947. Bridgeport, Connecticut / EUA) trabalhou com os melhores cineastas do seu tempo: Otto Preminger, Nicholas Ray, Robert Wise, John Huston, Howard Hawks, Fred Zinnemann, Vincente Minnelli, David Lean, Joseph Losey, Elia Kazan etc. Na velhice, barrigudo e pesadão, ele gostava de contar histórias sobre sua juventude esbelta, antes de ir para Hollywood, trabalhando como estivador e cavador de valas, vivendo sem destino ao viajar clandestinamente de trem, até que foi preso por vadiagem e cumpriu pena acorrentado. Anos depois, em fevereiro de 1949, esteve em cana novamente, sendo fotografado lavando o chão da cadeia do condado de Los Angeles logo depois de ser condenado. Não apenas aspirante a astro, mas um novo tipo de ator, cínico, lacônico e sexy, com um salário de 3.250 dólares por semana, ROBERT MITCHUM havia sido apanhado fumando um baseado. “Claro, fumo maconha desde criança”, disse na ocasião com a maior naturalidade. As circunstâncias da prisão são um pouco estranhas. Ele estava numa festinha de arromba na casa de uma atriz desconhecida, Lila Leeds, quando repentinamente a polícia arrombou a porta do lugar. Isso não é tudo. O local estava com escuta: havia um microfone na parede. O mais suspeito foi a imprensa sensacionalista saber do escândalo antes da polícia invadir a casa. “Bem, esse é o fim amargo de tudo – da minha carreira, do meu lar, do meu casamento”, disse o ator na ocasião. 

Condenado a prisão por 60 dias, com mais dois anos de sursis, o fato é que, naqueles dias medrosos de 1949, tudo se baseava na idéia de que o público se sentiria ultrajado e chocado ao saber que um astro de cinema fumava maconha. A RKO Radio Pictures, que imaginou amargar prejuízos com os filmes do ator prontos para serem lançados, ao receber milhares de cartas defendendo-o, mesmo com receio, exibiu comercialmente um deles, “O Homem que Eu Amo” (1948), um western com Loretta Young e William Holden. Para espanto de todos, o filme chegou ao primeiro lugar na lista de maior bilheteria em todo o país. Supunha-se que o ator fosse para a prisão e sofresse, marginalizado, condenado ao ostracismo, mas muito pelo contrário, saiu como herói popular, tornando-se uma super estrela. Em um dos seus últimos personagens, aos 74 anos, o Tenente Elgart de “Cabo do Medo / Cape Fear” (1991), de Martin Scorsese, reviveu o thriller clássico estrelado por ele e Gregory Peck, “O Círculo do Medo / Cape Fear” (1961), onde fazia um dos mais terríveis vilões da história do cinema, o psicopata Max Cady.

FONTE
“A Cidade das Redes – Hollywood nos Anos 40”, de Otto Friedrich, 1986 e “Diccionario de Actores”, de José Luis López, 1993)


novembro 20, 2010

******* Um AMOR LOUCO: INGRID e ROSSELLINI

rossellini e ingrid


 
Em maio de 1948, o cineasta neo-realista ROBERTO ROSSELLINI (1906 - 1977. Roma / Itália) recebeu uma carta assinada pela maior estrela hollywoodiana da época: “Vi seus filmes ‘Roma Cidade Aberta’ e ‘Paisà’ e gostei muito. Se você precisar de uma atriz sueca que não fala muito bem inglês, que não esqueceu seu alemão, não é muito compreensível em francês e em italiano só sabe dizer ‘Ti amo’, estou pronta para fazermos um filme.” A sueca em questão era INGRID BERGMAN (1915 - 1982. Estocolmo / Suécia) aos 33 anos. O italiano Rossellini, casado com a diva Anna Magnani, aceitou a proposta sem vacilar. De 1950 a 1954 fizeram seis filmes (“Stromboli / Idem”, “Europa 51 / Idem”, “Viagem à Itália / Viaggio in Italia”, “Nós, as Mulheres / Siamo Donne”, “Joana na Fogueira / Giovanna d´Arco al Rogo” e “O Medo / La Paura”) e abandonaram as respectivas famílias para viverem juntos. Essa paixão fez com que Ingrid fosse acusada de adúltera e de mau exemplo para todas as mulheres. Durante anos foram perseguidos pela mídia e pelos católicos. Tiveram três filhos: Roberto e as gêmeas Isotta Ingrid e a atriz Isabella. O casamento durou até 1957, quando se divorciaram depois que o diretor foi filmar um documentário na Índia e teve um caso tórrido com a roteirista Sonali Das Gupta. Pia, a filha de Ingrid, depôs a favor do pai no processo litigioso de divórcio, acusando a mãe de abandono. Entretanto, Hollywood já havia “perdoado” a estrela, e em 1956, ela voltou triunfalmente com “Anastácia, a Princesa Esquecida / Anastasia”, de Anatole Litvak, levando o seu segundo Oscar e outros prêmios importantes. Um dos filmes do casal, “Viagem à Itália”, é considerado um dos marcos do cinema moderno. Jean-Luc Godard e François Truffaut afirmaram que ele foi a base sobre a qual se construiu o movimento Nouvelle Vague.

ingrid bergman

novembro 04, 2010

************************ ESTRELAS NUAS



 
Em 1949, a futura mais famosa loira platinada do cinema, Marilyn Monroe, então uma jovem modelo, posou nua para o calendário “Golden Dreams”, do fotógrafo Tom Kelley. Estava desempregada, sem dinheiro e jurava que não seria reconhecida. A atriz ganhou apenas 50 dólares e duas das 24 fotos foram para o disputado calendário que praticamente parou a nação de Tio Sam. Quatro anos depois, uma dessas cobiçadas fotos estamparia a capa da edição de lançamento da revista “Playboy”. Algo parecido aconteceu com YUL BRYNNER em 1942, na França, antes de se tornar uma celebridade e ainda protegido de Jean Cocteau, um escritor e cineasta homossexual. Ele posou totalmente pelado para as lentes do talentoso George Platt Lynes. Na década seguinte, esses retratos do ator conhecido pela cabeça raspada – mas que não era careca - e papéis exóticos, foram disputados por colecionadores. São fotos belas e sensuais. Imagine o escândalo. Na época, o nu era tabu. As fotos de Yul podem ser vistas num museu na sua cidade natal, a russa Vladvostock.

Rudolph Valentino, Louise Brooks, Ramon Novarro, Errol Flynn e Burt Lancaster também devem ter se arrependido dos ensaios fotográficos sem roupa que ousaram fazer antes do sucesso. Já Carmen Miranda e Victor Mature foram flagrados por paparazzis e essas fotografias correram mundo. A falada foto da cantora-atriz brasileira com o sexo à mostra, nos braços de César Romero durante ensaio de uma cena de dança, foi considerada obscena e duramente criticada. Mature, lendo nu no seu camarim, no intervalo de uma cena de “Sansão e Dalila”, revela o membro bem dotado, e tal imagem pirateada rodou durante anos no mercado negro. Em maio de 1986, a revista Playgirl Magazine publicou a maioria delas, numa matéria com o título Hollywood's Legendary Lovers Nude”.

O nudismo de uma formosa atriz também provocou falatório nos primeiros anos da década de 30. Considerada uma das mais formosas estrelas da história do cinema, lembrada principalmente pela Dalila de Cecil B. DeMille e inspiração de Walt Disney para o desenho de Branca de Neve, a austríaca HEDY LAMARR (ainda como Hedy Kiesler) conquistou a fama aparecendo nua no impetuoso “Êxtase” (1933). Aos 20 anos, era a sua primeira atuação nas telas. Desnuda, Hedy corre entre árvores e mergulha num rio. O filme acabou por ser retirado de cartaz e a maioria de suas cópias queimadas. Por causa do escarcéu, levou uma brutal surra do marido, um milionário fabricante de armas, que gastou mais de 300 mil dólares para incinerar as cópias disponíveis na Europa. Hedy drogou a criada que a vigiava e fugiu para a Inglaterra. Em 1937, em Hollywood, filmou “Argélia” e se tornou uma estrela. O resto é história. Na sua biografia, disse que a sua beleza foi uma maldição, por tê-la afastado da sua verdadeira vocação, a física.

yul brynner
YUL BRYNNER 
(1920 - 1985. Vladivostok / Rússia)
Filmes Selecionados:

O REI e EU 
(The King and I, 1956)
direção de Walter Lang 
elenco: Deborah Kerr e Rita Moreno

Oscar de Melhor Ator
Melhor Ator do National Board of Review

ANASTÁCIA, a PRINCESA ESQUECIDA 
(Anastasia, 1956)
direção de Anatole Litvak
elenco: Ingrid Bergman, Helen Hayes e Akim Tamiroff

Os DEZ MANDAMENTOS 
(The Ten Commandments, 1956)
direção de Cecil B. DeMille 
elenco: Charlton Heston, Anne Baxter, Edward G. Robinson
e Yvonne De Carlo

Os IRMÃOS KARAMAZOV 
(The Brothers Katramazov, 1957)
direção de Richard Brooks 
elenco: Maria Schell, Claire Bloom e Lee J. Cobb

O CORSÁRIO sem PÁTRIA 
(The Buccaneer, 1958)
direção de Anthony Quinn 
elenco: Charlton Heston, Claire Bloom e Charles Boyer

SALOMÃO e a RAINHA de SABÁ 
(Solomon and Sheba, 1959)
direção de King Vidor 
elenco: Gina Lollobrigida e George Sanders

SETE HOMENS e um DESTINO 
(The Magnificent Seven, 1960)
 direção de John Sturges 
elenco: Eli Wallach, Steve McQueen e Charles Bronson

Os REIS do SOL 
(Kings of the Sun, 1964)
direção de J. Lee Thompson 
elenco: Shirley Anne Field e Richard Basehart

MORITURI 
(Idem, 1965)
direção de Bernhard Wicki 
elenco: Marlon Brando e Trevor Howard

hedy lamarr
HEDY LAMARR
  (1914 - 2000. Viena /Áustria)
Filmes Selecionados:

ÊXTASE 
(Ekstase, 1933)
direção de Gustav Machaty 

ARGÉLIA 
(Algiers, 1938)
direção de John Cromwell 
elenco: Charles Boyer

INIMIGO X 
(Comrade X, 1940)
direção de King Vidor 
elenco: Clark Gable e Oscar Homolka

IDÍLIO PERIGOSO 
(Experiment Perilous, 1944)
direção de Jacques Tourneur 
elenco: George Brent e Paul Lukas

SANSÃO e DALILA 
(Samson and Delilah, 1949)
direção de Cecil B. deMille 
elenco: Victor Mature, George Sanders e Angela Lansbury

O VALE da AMBIÇÃO 
(Copper Canyon, 1950)
direção de John Farrow
elenco: Ray Milland e MacDonald Carey

GALERIA de FOTOS


novembro 01, 2010

****************** SHIRLEY TEMPLE: a QUERIDINHA

shirley temple


O ano, 1937. O escritor inglês Graham Greene escreveu na revista “Night and Day”, uma reportagem sobre SHIRLEY TEMPLE (1928 - 2014. Califórnia / EUA) na qual afirmava que a garota prodígio, então com oito anos, era o centro das atenções na 20th Century-Fox de homens de idade avançada e de clérigos. As declarações resultaram em processo, mas ele se refugiou no México, país que não permitia a extradição, o que o impediu de ser preso. A revelação surgiu recentemente, quando descoberto o manuscrito onde o cineasta Alberto Cavalcanti, amigo de Greene, narra as suas memórias. Ele conta que graças a amigos atentos, Greene foi avisado que a produtora de “A Queridinha do Vovô / We Willie Winkie” (1937) - filme de John Ford citado na matéria - se preparava para processá-lo, com risco de prisão. O estúdio pedia também uma indenização.

Nas páginas da “Night and Day”, o autor de  “O Poder e a Glória” escreveu: Os seus admiradores - homens de idade avançada e clérigos - não reagiam à sua dúbia coqueteria, à visão (...) do seu desejável pequeno corpo, (...) devido apenas à cortina de segurança da história e dos diálogos divididos entre a sua inteligência e o seu desejo. A Fox considerou que Greene insinuava que a pequena atriz atuava para um público de velhos devassos. A mais famosa atriz infantil de todos os tempos, SHIRLEY TEMPLE ganhou um Oscar especial aos seis anos de idade. Campeã de bilheteria de 1934 a 1938 com seu otimismo e sorriso amável, salvou a Fox da falência. Criança mais fotografada no mundo, protagonista de mais de 40 filmes, surgiram vários boatos sobre ela, um deles dizia que seria na verdade uma anã de 30 anos. A Fox negou-se a emprestá-la para o papel de Dorothy em O Mágico de Oz / The Wizard of Oz” (1939), na M-G-M. Depois de adulta perdeu o sucesso, aposentando-se do cinema em 1949, aos 21 anos.


outubro 25, 2010

******* ALBERT DEKKER: JOGO sexual TRÁGICO





De longa carreira no cinema, ALBERT DEKKER (1905 - 1968. Nova Iorque / EUA) era um ator de prestígio, tendo no currículo filmes como Beau Geste / Idem (1939), A Luz é para Todos / Gentleman´s Agreement” (1947), Vidas Amargas / East of Eden” (1955) e De Repente, no Último Verão / Suddenly, Last Summer (1959). Bastante elogiado pelo assassino cruel de Os Assassinos / The Killers” (1946) e o perigoso traficante de combustível atômico no filme noir A Morte num Beijo / Kiss me Deadly (1955), sua última atuação foi no clássico e violento western, Meu Ódio Será sua Herança / The Wild Bunch, de Sam Peckinpah, lançado em 1969. Destacou-se na Broadway desde o final dos anos 1920, protagonizando montagens importantes como A Morte de Um Caixeiro Viajante (de Arthur Miller) e O Homem que não Vendeu sua Alma (de Robert Bolt).

Em 05 de maio de 1968, sua noiva o encontrou morto, em sua casa de Hollywood. Estava nu, ajoelhado na banheira com a mangeira do chuveiro em volta do pescoço, algemado, amordaçado, vendado e com palavras eróticas rabiscadas de batom carmim em todo o corpo. A polícia declarou como morte acidental, resultado de práticas sexuais extremas. Aos 62 anos, o ator teria morrido por uma parada cardíaca provocada pela asfixia autoerótica. 

A satisfação sexual que teria buscado tem origem na redução no fluxo sanguíneo do cérebro. Durante a masturbação, a falta de oxigênio e a elevação da taxa de dióxido de carbono decorrentes do estrangulamento parcial levam à tontura, que pode tornar o orgasmo mais intenso. Ao chegar a esse estágio, há risco de o praticante relaxar demais e não alargar o laço no pescoço antes que a passagem de ar seja bloqueada totalmente. Isso motivou a morte de ALBERT DEKKER. Anos depois, o “Kung Fu” David Carradine morreria da mesma maneira.

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outubro 18, 2010

******** As ESCAPADAS GAYS de CLARK GABLE




Considerado o rei de Hollywood durante três décadas e intérprete de machões como o sedutor Rhet Butler de “... E o Vento Levou /  Gone with the Wind” (1939), CLARK GABLE (1901 - 1960. Cadiz, Ohio / EUA) também teve romances gays, segundo a biografia “Clark Gable: Estrela Atormentada” (2007), do inglês David Bret. O galã se casou cinco vezes e conquistou um séquito de admiradoras. Também teria se relacionado com Grace Kelly e Joan Crawford e levado para a cama atores e produtores como Earle Larimore, Rod La Rocque e William Haines. Ele nunca permitiu que isso se tornasse público, protegendo sua imagem de machista incorrigível. Outra revelação da biografia trata do suposto romance entre o Rei de Hollywood e Marilyn Monroe durante as filmagens de “Os Desajustados / The Misfits”, de John Huston, em 1960. De acordo com o biógrafo, isso não aconteceu porque o ator, obcecado com higiene pessoal, não suportava os maus hábitos de Marilyn, que “não gostava de tomar banho, dormia nua e comia com na cama, deixando cair restos  de comida entre os lençóis os restos”.