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abril 03, 2012

************************** TREZE MONSTROS

cartaz de “a bolha assassina”


Os MONSTROS habitam o meu imaginário. Na infância, quando a noite caía, eu ouvia sussurros e passos macios, enxergando sombras que se mexiam anunciando uma gigantesca figura de luz e sombra (nada religiosa!). Temeroso, fechava os olhos no momento exato, nunca chegando a vê-la. Meus pais, ingênuos como muitos pais, diziam que não havia nada. “Monstros não existem”, repetiam pacientemente. Imaginárias ou não, fantásticas ou lendárias, de aspecto e atos assustadores, estas criaturas marcaram a história dos filmes de terror e aventura. Neste contexto, encarnam frequentemente a figura do Mal, que é derrotada por um mocinho que representa o Bem. 
 
Inspirando medo, alguns têm força descomunal, outros podem entrar em qualquer lugar sem serem vistos e se esconder em qualquer parte, prontos para o ataque fatal. O Golem, feito de argila, significa “inacabado” e apareceu no cinema mudo alemão, vindo do folclore judaico. Os Zumbis são mortos-vivos debilitados e com uma insaciável fome por carne humana fresca. Já apareceram em vários filmes, como a Trilogia dos Mortos de George A. Romero. Embora importantes, ficaram de fora da lista. Também deixei de lado o Fantasma da Ópera, Gremlins, o Homem-Invisível, Freddy Krueger, brinquedos assassinos e Dr. Hannibal Lecter, entre outras lendas do horror.

  13 MONSTROS
(por ordem de preferência)

01
CONDE ORLOCK e CONDE DRÁCULA em
NOSFERATU
(Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, 1922)
direção de F. W. Murnau

DRÁCULA de BRAM STOKER
(Bram Stoker’s Dracula, 1992)
direção de Francis Ford Coppola

O clássico expressionista é uma adaptação não autorizada de “Drácula”, de Bram Stoker. Orlock (perturbador Max Schreck) se parece com um morcego, com protuberantes incisivos, olhos penetrantes, orelhas pontudas e mãos como garras. O segundo, protagonizado por Gary Oldman, também marcou época. O vampiro sombrio e doido por sangue foi encarnado por outros atores, de Bela Lugosi a Christopher Lee.

02
CRIATURA ANFÍBIO em
MONSTRO DA LAGOA NEGRA
(Creature from the Black Lagoon, 1954)
direção de Jack Arnold

Uma expedição vem ao Brasil procurar fósseis e encontram um ser anfíbio (Ricou Browning e Ben Chapman) que se apaixona pela única mulher do grupo. Embora seu habitat natural seja aquático, ele consegue respirar e caminhar na superfície. A aparência associa-o a uma espécie de homem-peixe, com pele escamosa, guelras e membranas como nadadeiras nas mãos e pés. Renderia duas sequências.

03
 KING KONG em
KING KONG
(Idem, 1933)
direção de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack

O gorila de 8 metros de altura assombrou o mundo. A história fala de uma equipe de cinema que ao filmar numa ilha tropical encontram um gorila gigante, adorado pelos nativos. A criatura gigantesca se apaixona pela mocinha Fay Wray, mas é capturado e levado para Nova York, onde o exibem. Clássico refilmado em 1976 e 2005.

04
MR. HYDE em
O MÉDICO e o MONSTRO
(Dr. Jekyll and Mr. Hyde, 1941)
direção de Victor Fleming

Ilustre médico divide-se entre duas personalidades. Uma é a do emérito doutor, filantropo respeitado, exemplo de conduta. A outra, a do hedonista, que busca o prazer carnal, que comete crueldades e vilanias, sem responsabilidades. A poção que permite a transmutação entre as personalidades subjuga o próprio cientista, que não pode mais controlá-la. Com interpretação primorosa de Spencer Tracy, retrata com dignidade o romance assustador de Robert Louis Stevenson. John Barrymore e Fredric March também interpretaram a figura atormentada com propriedade. March levou o Oscar.

05
GOLLUM na trilogia 
O SENHOR dos ANÉIS
(The Lord of the Rings, 2001-2002-2003)
direção de Peter Jackson

Depois de encontrar um anel no fundo de um rio, o futuro Gollum (Andy Serkis) mata seu primo e foge para o norte, vivendo durante quase 500 anos num lago profundo no interior das Montanhas Sombrias. O Anel o deixa invisível aos olhos dos outros, caçando facilmente suas vítimas. Asqueroso, o personagem se tornou um clássico.

06
A CRIATURA e sua COMPANHEIRA em
FRANKENSTEIN
(Idem, 1931)
direção de James Whale
A NOIVA de FRANKENSTEIN
(Bride of Frankenstein, 1935)
direção de James Whale

Dr. Frankenstein, um cientista louco, costura partes de diversos cadáveres - incluindo o cérebro de um criminoso - para fazer um único homem, de grande força, mas as consequências de tal ato serão trágicas. Maior sucesso da carreira de Boris Karloff, o papel do monstro chegou a ser oferecido a Bela Lugosi, que o recusou por considerar o personagem desprovido de charme. A maquiagem de Karloff levava aproximadamente doze horas para ser feita. Com várias cenas inesquecíveis, como o encontro do monstro com a garotinha à beira do lago ou a sua perseguição com tochas flamejantes. Com o sucesso, produziram uma continuação ainda melhor: “A Noiva de Frankenstein”. Para encarnar a noiva, convidaram a magnífica atriz inglesa Elsa Lanchester.

07
ALIEN em
ALIEN – o OITAVO PASSAGEIRO
(Alien, 1979)
direção de Ridley Scott

Com criação visual de H. R. Giger, Alien (Bolaji Badejo) é capaz de sobreviver no vácuo, dotado de sangue ácido, mandíbulas poderosas e garras assassinas. Depois da estreia sensacional, retornou em mais quatro filmes da série e outros dois caça-níqueis em que enfrenta o Predador. Ele ataca sem fazer prisioneiros e nada, absolutamente nada, fica em seu caminho. A maior monstruosidade alienígena de sempre.

08
IRENA DUBROVNA, a MULHER-PANTERA em
SANGUE de PANTERA
(Cat People, 1942)
direção de Jacques Tourneur

Transitando entre a psicanálise e o sobrenatural, jovem sexy (a francesa Simone Simon) tem constantemente alucinações com grandes felinos e durante a noite ouve uivos. Quando mergulha em sentimentos fortes, libera a pantera assassina que tem dentro de si. Produzido pelo consagrado Val Lewton, apostou numa abordagem sutil do pavor, no lugar de recorrer a efeitos especiais grotescos. Optando pelo uso de luzes e sombras, fez escola e se tornou uma obra-prima do gênero. Teve uma continuação, “Maldição do Sangue de Pantera / The Curse of the Cat People” (1944), e foi refilmado com Nastassja Kinski em 82. É o monstro mais belo e sensual do cinema.

09
LOBISOMEM em
LOBO
(Woolf, 1994)
direção de Mike Nichols

Em noites de lua cheia, Jack Nicholson se transforma em lobo. Uivando, crava suas garras afiadas no mundo do horror. Fez sucesso com Lon Chaney Jr., mas o lobisomem de Jack é bem melhor. Sua interpretação assombra e o filme tem charme.

10
HOMEM-MOSCA em 
A MOSCA da CABEÇA BRANCA
(The Fly, 1958)
direção de Kurt Neumann

Homem (David Hedison) entra na câmara de teletransporte, juntamente com uma mosca intrusa. Quando se materializam noutro lugar, ele está com a cabeça e uma pata da mosca (no lugar de um braço), e ela ficou com sua cabeça. Preste atenção num momento antológico: quando Vincent Price descobre a mosca de cabeça branca numa teia de aranha. Este é um clássico das produções baratas de ficção-científica e horror dos anos 50. Refilmado em 1986 por David Cronenberg.

11
GODZILLA em 
GODZILLA
(Gojira, 1954)
direção de Ishirô Honda

Um gigantesco réptil que se desenvolveu devido aos testes nucleares no oceano, capaz de disparar rajadas nucleares pela boca e destruir cidades num passe de mágica. A franquia rendeu mais de 30 filmes, desenhos animados e uma péssima versão norte-americana dirigida por Roland Emerich. Um ícone do terror imortalizado pelos japoneses.

12
IMHOTEP, a MÚMIA em 
A MÚMIA
(The Mummy, 1932)
direção de Karl Freund

Um ano depois de “Frankenstein”, Boris Karloff fez outro famoso monstro da Universal. Sacerdote do antigo Egito despertado por uma expedição arqueológica, mumificado, parte em busca do amor perdido. Rendeu filmes B nas décadas de 40 e de 50.

13
A BOLHA em 
A BOLHA ASSASSINA
(The Blob, 1958)
direção de Irvin S. Yeaworth Jr.

Produção independente, de parcos recursos e realização precária, valorizada pela presença do futuro astro Steve McQueen. Depois da queda de um meteorito, uma massa disforme, gosmenta e monstruosa absorve pessoas de uma pequena cidade. Ponto alto para a cena em que a criatura, gigantesca, ataca um cinema lotado.

junho 09, 2011

************ DRÁCULA, o PRINCÍPE das TREVAS

christopher lee


 
 
 
O mais popular de todos os personagens da história do cinema chama-se DRÁCULA. Tarzan, Sherlock Holmes, Frankenstein, Joana D’Arc e até mesmo Jesus Cristo perdem em popularidade cinematográfica para o príncipe romeno. Segundo o maior banco de dados sobre cinema do planeta, o Internet Movie Database, foram produzidos nada menos do que 1.294 longas-metragens e seriados de TV que apresentam vampiros, sendo que um sexto desse total – exatos 200 filmes – trazem o aristocrata oriundo da Transilvânia como protagonista ou coadjuvante. O primeiro a assombrar as platéias – inicialmente, numa peça da Broadway, em 1927, e depois nas telas em “Drácula / idem” (1931), de Tod Browning –, Bela Lugosi (retratado por Tim Burton em “Ed Wood / Idem”, 1994), é quase teatral, com movimentos reduzidos ao mínimo. Sua aparição assustadora, descendo uma soturna escadaria no Castelo de Carfax, está entre os melhores momentos das fitas de horror. A imagem pintada neste filme, com a luz do talentoso fotógrafo expressionista Karl Freund, fez com que o mundo passasse a associar os vampiros a seres aristocráticos, olhar hipnótico, longos caninos brancos, vestidos de negro, usando longas capas esvoaçantes, tementes da cruz cristã e do sol. 
 
O sucesso alcançado incentivou o lançamento da série de filmes de baixo orçamento da Universal, estúdio de pequeno porte que passaria as décadas de 1930 e 1940 investindo em monstros como Frankenstein e a Múmia. Bela Lugosi destacou-se como o primeiro, mas o DRÁCULA mais celebrado do cinema é Christopher Lee. Durante a época célebre da Hammer (produtora inglesa que se especializou em horror e ficção), esse ator britânico metamorfoseou-se no rei dos vampiros em “O Vampiro da Noite” (1958), de Terence Fisher, duramente perseguido por seu algoz Van Helsing (personificado outras três vezes por Peter Cushing). A Hammer restaurou o figurino do clássico da Universal e adicionou sexo, violência e cor – especialmente o vermelho do sangue – à narrativa. O interessante do conde de Lee é seu ar ameaçador, auxiliado pela maquiagem impecável e pela voz aguda do ator, que, além disso, tem 1,96m de altura. O ator repetiria sua criação em mais sete filmes. Embora ele odeie o personagem que o marcou, será sempre associado a ele. Aos 89 anos, Christopher Lee continua trabalhando.


max schreck em “nosferatu”

Mesmo sendo o mais conhecido, DRÁCULA não inaugurou o vampirismo nas telas. Em 1896, George Méliès produziu e dirigiu o curta “Le Manoir Du Diable”, considerado por alguns como o marco inicial do gênero. Entretanto, a estréia aconteceria mesmo no clássico do expressionismo alemão “Nosferatu, uma Sinfonia de Horror” (1921). Versão não autorizada do romance de Bram Stoker, o Nosferatu de Murnau, semelhante a uma ratazana albina, tornou-se uma das criações mais impressionantes do cinema, na interpretação fantasmagórica e nada sedutora de Max Schreck. Ele faz um zumbi corcunda, esquelético e careca, com orelhas pontudas, dentes incisivos (e não caninos) afiados, dedos longos e ossudos, e um infernal apetite por aranhas e moscas. Um monstro absolutamente repulsivo e angustiado, condenado a viver do sangue de suas vítimas. O filme, hoje reconhecido como obra-prima, passou vários anos proibido na Europa, porque usou os personagens criados pelo escritor inglês, com nomes modificados, sem o consentimento da família dele. As técnicas inovadoras de iluminação, maquiagem e movimento de câmera valeram a Murnau o passaporte para Hollywood.

Dez anos depois de “Nosferatu”, surgiu o elogiado “O Vampiro / Vampyr”, do genial Carl Th. Dreyer, baseado em “Carmilla”, de Sheridan de Le Fanu. Com cenas de puro teor artístico, marcou a estréia das vampiras, popularizadas depois por Gloria Holden (“A Filha de Drácula / Dracula’s Daughter, 1936), Elsa Martinelli e Annette Stroyberg (Rosas de Sangue / Et Mourir de Plaisir”, 1960), Barbara Steele (“A Maldição do Demônio / La Maschera del Demonio”, 1960), Ingrid Pitt (“A Condessa Drácula/  Countess Dracula”, 1970), Delphine Seyrig (“Escravas do Desejo / Les Lèvres Rouges”, 1971), Liv Ullmann (“Leonor / Idem”, 1975), Catherine Deneuve (“Fome de Viver”, 1983), Grace Jones (“Vamp – A Noite dos Vampiros / Vamp”, 1985) Elina Lowensohn (“Nadja / Idem”, 1994), Kirsten Dunst e Domiziana Giordano (“Entrevista com o Vampiro”, 1994).


catherine deneuve em “fome de viver”

Desde a explosão do vampirismo cinematográfico – iniciada, em 1956, com “Os Vampiros / I Vampiri”, de Riccardo Freda -, o gênero ganhou consistência, com argumentos criativos e profundidade temática. Os exemplos mais conhecidos, respeitados e imitados desta fase são “Rosas de Sangue”, de Roger Vadim, e a comédia “A Dança dos Vampiros / Dance of the Vampires” (1967), de Roman Polanski. O primeiro, enfatizava o relacionamento lésbico entre vampiras. O segundo, homenageando os clássicos da Hammer, tinha direito a inovações como um vampiro gay e outro, judeu, que não teme a cruz. Depois de uma porção de filmes ruins, entre o trash e o cômico, apareceu em 1979 o belíssimo remake de “Nosferatu”, dirigido por Werner Herzog, com Klaus Kinski, Isabelle Adjani e Bruno Ganz no elenco. Em 1983, “Fome de Viver”, de Tony Scott, fez sucesso com o casal de vampiros sofisticados e entediados (Catherine Deneuve e David Bowie) e o relacionamento homossexual de Deneuve e Susan Sarandon.

De lá pra cá, foram lançados outros filmes vampirescos bastante inspirados: o extravagante e refinado “Drácula de Bram Stoker” (1992), o mal compreendido “Entrevista com o Vampiro (1994) – com dois populares galãs, Tom Cruise e Brad Pitt -, os experimentais “Nadja” e “Os Viciosos” (1995) e o inovador “A Sombra do Vampiro” (2000), provando que essas criaturas soturnas continuam eficientes. Creio que sempre haverá lugar para tais mortos-vivos nas narrativas cinematográficas. Assim como eles possuem uma sede interminável de sangue, o público tem sede de vampiros, sempre aguardando contos visuais sobre estes personagens enigmáticos e multifacetados. Só espero que não venham padronizados na bizarrice de “Um Drink no Inferno / From Dusk Till Dawn” (1996), tolices românticas da saga “Crepúsculo / Twilight” (2008/10) ou nos efeitos apelativos de “Van Helsing – O Caçador de Monstros / Van Helsing” (2004).

13 VAMPIROS de REFERÊNCIA

MAX SCHRECK 
Nosferatu, Uma Sinfonia de Horror
(Nosferatu: Eine Symphonie des Grauens, 1921)
direção de F. W. Murnau

BELA LUGOSI 
Drácula
(Idem, 1931)
direção de Tod Browning

CHRISTOPHER LEE 
O Vampiro da Noite 
(Horror of Dracula, 1958)
direção de Terence Fisher

FERDY MAYNE 
“A Dança dos Vampiros 
(Dance of the Vampires, 1967)
direção de Roman Polanski

JACK PALANCE
Drácula, o Demônio das Trevas
(Dracula, 1973)
direção de Dan Curtis

LOUIS JOURDAN 
Conde Drácula
(Count Dracula, 1978)
direção de Philip Seville

kinski e isabelle adjani

KLAUS KINSKI
Nosferatu, o Vampiro da Noite
(Nosferatu: Phantom der Nacht, 1979)
direção de Werner Herzog

FRANK LANGELLA 
Drácula
(Idem, 1979)
direção de John Badham

DAVID BOWIE
Fome de Viver 
(The Hunger, 1983)
direção de Tony Scott

gary oldman

GARY OLDMAN
Drácula de Bram Stoker 
(Dracula, 1992)
direção de Francis Ford Coppola

TOM CRUISE 
“Entrevista com o Vampiro 
(Interview with the Vampire: The Vampire Chronicles, 1994)
direção de Neil Jordan

CHRISTOPHER WALKEN
“Os Viciosos 
(The Addiction, 1995)
direção de Abel Ferrara

WILLEM DAFOE
A Sombra do Vampiro 
(Shadow of the Vampire, 2000)
direção de E. Elias Merhige

bela lugosi