CISNE NEGRO
(Black Swan, 2010)
País: EUA
Gênero: Drama
Duração: 108 mins.
Duração: 108 mins.
Cor
Produção: Mike Medavoy, Brian Oliver, Arnold Messern
e Scott Franklin (Fox Searchlight Pictures/Protozoa Pictures/
Phoenix Pictures)
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz
e John J. McLaughlin
Fotografia: Matthew Libatique
Edição: Andrew Weisblum
Música: Clint Mansell
Cenografia: Thérèse DePrez (des. prod.); David Stein
(d.a.); Tora Peterson (déc.)
Vestuário: Amy Westcott
Elenco:
Natalie Portman (“Nina Sayers”), Mila Kunis (“Lily“),
Vincent Cassel (“Thomas Leroy”), Barbara Hershey
(“Erica Sayers”) e Winona Ryder (“Beth Macintyre”)
Nota: *** (bom)
Prêmios:
Oscar de Melhor Atriz;
BAFTA de Melhor Atriz;
Melhor Atriz e Melhor Edição da Associação
de Críticos de Cinema de Boston;
Melhor Atriz e Melhor Trilha Sonora da Associação
de Críticos de Cinema de Chicago;
Globo de Ouro de Melhor Atriz-Drama;
Melhor Atriz do Círculo dos Críticos
de Cinema de Kansas City;
Melhor Fotografia da Associação de Críticos
de Cinema de Los Angeles
ARONOFSKY: da ARTE de FAZER SENTIR
Lembrar de cartarse ao se falar de arte em geral é uma constante entre críticos e especialistas, especialmente se essa arte for o cinema. Apesar de ser tão freqüente, é impossível, entretanto, não relacionar as obras de Darren Aronofsky a esse expediente aristotélico. Em seus filmes, a dor pula da tela e alcança a nossa pele, repugnante. “Réquiem Para um Sonho” (2000) ou “O Lutador” (2008) já seriam obras suficientes para comprovar tal constatação, mas Aronofsky somou a esses e outros títulos mais uma película substanciosa: CISNE NEGRO (2010). Prenhe de impacto, esse longa mexe com nervos e estômago daqueles que se põem a, alucinantemente, acompanhá-lo. Nina Sayers, personagem central interpretada por Natalie Portman, leva-nos juntos à sua degradação física e psicológica. Toda a narrativa nos conduz a um incômodo processo de autodestruição. A sua corrupção mental vai se afirmando, antagonicamente, a partir do momento em que ela consegue o que sempre almejou: um papel de destaque na companhia de ballet à qual se dedicava, há tempos, com disciplina e dedicação.
Cada cena é uma violência em forma de imagem que nos deixa, a todo momento, prestes a ter uma descarga emocional que se alterna entre o delírio e a carne. Aronofsky faz com que cada ferimento que surge no corpo frágil e quase infantil de Nina seja sentido pelas próprias costas e dedos dos que percorrem a trajetória da “Rainha dos Cisnes”, que não consegue sequer ter controle sobre si mesma. Corpos contorcidos, olhos espremidos são algumas das reações que, inesperadamente, temos em diversos momentos como quando, ao ver seu dedo sangrando, Nina puxa sua cutícula. É como se fosse a nossa própria cutícula arrancada.
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| natalie portman e winona ryder |
Ser a personagem central de “O Lago dos Cisnes” é capitular em si, dialeticamente, Odette (Cisne Branco) e Odile (Cisne Negro). Mas o que fica claro pelo insistente “Doce Garota”, que sua mãe repete à exaustão, é que Nina sempre foi preparada para ser branda, amena, suave. Agora o papel exigia que ela, além de afável e meiga, fosse sensual, voluptuosa, lasciva como aquela a quem escolheu para ser sua rival e de quem ela tenta sugar todo o poder de sedução: Lily (Mila Kunis). E é em busca por essa libido que Nina se entrega tanto à pulsão de vida (sexualidade) quanto à pulsão de morte (agressividade), causando atração e repulsão constantes e, por vezes, simultâneas. Darren Aronofsky consegue mais uma vez produzir uma película corrosiva e visceral que, ao mesmo tempo em que nos dilacera, purifica-nos. Catarticamente.
Em meio a tanta alucinação, um pouco de lucidez seria necessário para levar em conta a fala que sintetiza a origem de todo o cruel conflito, a do diretor artístico da companhia: “A única pessoa que está no seu caminho é você mesma”. Bom, ela não percebeu isso, assim como nós nunca percebemos, pois para nós, como bem filosofou Jean Paul Sartre, “O inferno são os outros”. E, no caso de Nina, põe inferno nisso...
texto de
NÍVIA MARIA VASCONCELLOS
NÍVIA MARIA VASCONCELLOS
poeta


