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junho 05, 2011

******* CREPÚSCULO dos DEUSES: na MISÉRIA





Vida de estrela não é um mar de rosas. Atores e atrizes ricos e famosos terminaram na sarjeta, seja por vícios, golpes de parceiros ou péssima administração dos bens. O cinema retratou este final trágico em “Lágrimas Amargas / A Star” (1952). Bette Davis faz Margaret Elliot, atriz sem trabalho e sem dinheiro que um dia foi cortejada. Vende suas coisas e vai morar em um apartamento simplório. Começa a beber, e em uma das bebedeiras, é presa, voltando aos jornais, desta vez negativamente. Como na vida real, glamour e tragédia caminham juntos. Listo alguns exemplos. Confira.


VERONICA LAKE
(1922 - 1973. Nova Iorque / EUA)

Pouco antes de morrer trabalhava em um drive-in, local onde se senta dentro do seu próprio carro para assistir filme ou namorar. No curso da curta e badalada carreira em filmes na Paramount Pictures, gastou milhões de dólares e passou por maridos gananciosos. Muito famosa no início da década de 1940, fez dupla romântica célebre com Alan Ladd. Uma das mulheres mais belas de sua época, cabelos dourados cobrindo parte do rosto imitados por garotas em todo o mundo. A comédia “Casei-me com uma Feiticeira / I Married a Witch” (1942), de René Clair, foi um dos seus maiores sucessos. Sua última aparição no cinema aconteceu em “Flesh Feast” (1970), medonho filme de horror. Faleceu três anos depois, vítima de hepatite, aos 50 anos.

GEORGE MÉLIÈS 
(1861 - 1938. Paris / França)

Percursor do cinema, utilizando inventivos efeitos fotográficos para criar mundos fantásticos. Produtor e diretor de obras-primas, entre elas a conhecida “Viagem à Lua / Le Voyage dans La Lune” (1902), terminou sobrevivendo de uma banca de bombons na estação de Montparnasse, em Paris. Considerado o pai do cinema fantástico, fez mais de 500 filmes e construiu o primeiro estúdio cinematográfico da Europa. Durante uma década divertiu crianças e adultos, sendo considerado o melhor cineasta do mundo. O mestre Charles Chaplin o chamou de o alquimista da luz.


BUD ABBOTT 
(1895 - 1974. Nova Jersey / EUA) 
e LOU COSTELLO 
(1906 - 1959. Nova Jersey / EUA)

Dupla famosa da Universal, herdeiros do humor popular de “O Gordo e o Magro”, fizeram também rádio e televisão. Entre 1940 e 1956, atuaram em torno de 30 filmes. Nos anos 1950, tiveram êxito com o programa de TV “The Abbott and Costello Show”. No entanto, brigaram e se meteram em processo rumoroso. Costello morreu de ataque cardíaco, na mais completa miséria. Bud Abbott, atingido pelo imposto de renda, que exigiu pagamentos de antigas e enormes dívidas, se viu obrigado a vender sua casa. Pagava as contas dublando desenhos animados. Morreu de câncer, pobre e esquecido.


BELLA DARVI
(1928 - 1971. Sosnowiec / Polônia)

Polaca, atuou em 15 filmes, destacando-se em “Tormenta sob os Mares / Hell and High Water” (1954), “O Egípcio / The Egyptian” (1954) e “Caminhos sem Volta / The Racers” (1955). O sotaque carregado, a falta de talento e escândalos abortaram rapidamente sua carreira. Amante do poderoso produtor Darryl F. Zanuck, que a levou a Hollywood com a finalidade de transformá-la em estrela, bebia como uma louca, gastava muito e se viciou em bacará e roleta. Vida cheia de infortúnios: sobreviveu de um campo de concentração nazista na Segunda Guerra Mundial e dissipou o que tinha nos cassinos de Mônaco. Endividada, tentou o suicídio várias vezes, até que o conseguiu em 1971, ao abrir o gás de seu apartamento. Tinha 43 anos e nada restava da beleza.


JULES BERRY
(1883 - 1951. Poitiers / França)

Ator e diretor austríaco, popular no teatro e cinema franceses dos anos 1930 e 1940. Atuou em mais de 80 filmes, entre eles “O Crime de Monsieur Lange / Le Crime de Monsieur Lange” (1936), de Jean Renoir, e “Os Visitantes da Noite / Les Visiteurs Du Soir” (1942), de Marcel Carné. Viciado em cassinos e corridas de cavalo, perdeu no jogo e nas apostas o que ganhou em anos de trabalho, morrendo vítima de ataque cardíaco.


HEDY LAMARR 
(1914 - 2000. Viena / Áustria)

Uma das primeiras atrizes a se despir diante das câmaras. Considerada uma das mulheres mais bonitas de todos os tempos, era conhecida por sua inteligência. Durante muitos anos fez parte do cast all-star da Metro-Goldwyn-Mayer. Com o épico “Sansão e Dalila / Sanson and Delilah” (1949), da Paramount, teve seu maior sucesso. De talento limitado, encerrou a carreira em 1958, depois de atuar em mais de 30 filmes. Na maturidade, amargurada e solitária, terminou na cadeia após roubar pequenos objetos em lojas. Alegou cleptomania. Estava falida.


STAN LAUREL 
(1890 - 1965. Ulverston / Reino Unido) 
e OLIVER HARDY 
(1892 - 1957. Harlem, Geporgia / EUA)

Eles iniciaram a famosa parceria no final dos anos 1920, sempre com sucesso. Depois de estrelarem 106 filmes, brigaram e resolveram não mais trabalharem juntos. Em meados dos anos 1940 tentaram seguir em frente separadamente. Sem dinheiro, em 1951 voltaram a atuar juntos pela última vez em “A Ilha da Bagunça / Atoll K”. Em 1956, derrame cerebral deixou Oliver Hardy imobilizado. Morreu em 1957. Em 1963, Stan Laurel recebeu um Oscar por sua contribuição ao cinema. Morreu de ataque do coração em 1965. Pobre, seus filmes continuavam a fazer fortuna aos produtores.


RAMON NOVARRO
(1899 - 1969. Victoria de Durango / México)

Mexicano, no cinema mudo sucedeu Rodolfo Valentino, brilhando em “Scaramouche” (1923) e “Ben-Hur / Ben-Hur: A Tale of Christ” (1925), entre mais de 50 filmes, inclusive ao lado de Greta Garbo. No cinema sonoro deixou de fazer sucesso, acumulando dívidas e sendo obrigado a aceitar pequenos papéis. Nos final dos anos 1960 foi vítima de crime envolvendo dois irmãos garotos de programa. Torturado, ele foi asfixiado e degolado com uma faca. Saquearam sua antiga casa. Apenas encontraram 20 dólares.


HENRI GARAT 
(1902 - 1959. Paris / França)

Galã e cantor francês na década de 1930, Auou em dezenas de musicais, dirigido por cineastas como E. A. Dupont, Max Ophuls, Alexander Korda e William Dieterle. Durante anos como estrela do Casino de Paris, sucedendo a Maurice Chevalier, lotava o local. Esgotado por uma existência de gastos inúteis, sem nada poupar, terminou doente e paupérrimo. Nos últimos anos de vida, amigos o sustentaram.