Mostrando postagens com marcador Joseph Losey. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Joseph Losey. Mostrar todas as postagens

agosto 28, 2023

************** JOSEPH LOSEY: PAIXÃO e LUCIDEZ

 

 
Os filmes ilustram a existência. 
Eles podem angustiar, perturbar 
e fazer com que as pessoas pensem 
sobre si mesmas e sobre problemas. 
Mas não dão respostas.
JOSEPH LOSEY
 
 
Ao contrário do que muitos pensam, JOSEPH LOSEY (1909 – 1984. Wisconsinb / EUA) não nasceu no Reino Unido. Depois de estudar teatro com Bertold Brecht na Alemanha e de elogiada trajetória teatral no seu país de origem, dirigiu para a RKO Radio Pictures “O Menino dos Cabelos Verdes / The Boy with Green Hair” (1948), fábula humanista acerca do racismo em uma pequena cidade, estrelada por Dean Stockwell e Robert Ryan. Empolgado com o cinema, fez mais cinco filmes em Hollywood, entre eles o ótimo “M / idem” (1951), refilmagem do clássico de Fritz Lang. Taxado de comunista, tentou continuar filmando nos EUA, assinando suas fitas sob pseudônimo o Victor Hanbury, mas o truque não deu certo por muito tempo e ele teve que amargar exílio forçado na Europa. Continuou sua trajetória cinematográfica primeiro na Itália, depois na Inglaterra, onde recebeu um importante empurrão de Dirk Bogarde, astro em ascensão, realizando “O Monstro de Londres / The Sleeping Tiger”, em 1954. Anos depois, elogiado pela crítica francesa, solidificou sua carreira, elaborando dramas intimistas, perversos e elegantes.
 
joseph losey e dirk bogarde

Sua carreira teve como ponto alto a parceria com o dramaturgo Harold Pinter, roteirista de três de seus filmes: “O Criado”, “Estranho Acidente” e “O Mensageiro”, mergulhando fundo na decadência burguesa. Ilustrador de fraquezas humanas, apaixonado pelas imagens, mesmo em seus filmes menores há cenas mágicas. JOSEPH LOSEY realizou 32 filmes em quase 40 anos de atividade. O último deles, “A Sauna / Steaming” (1985), tem no elenco as inglesas Vanessa Redgrave, Sarah Miles e Diana Dors. Um dos maiores diretores de cinema. Com talento nato para encenar lucidamente as crueldades do ser humano, capaz de captar com seu olhar único e absoluta perspicácia, o lado mau de uma pessoa. Os traços mais marcantes no seu estilo são o barroquismo e a câmera que acompanha os personagens. Homenageando esse diretor, posto depoimentos de atores que trabalharam com ele e cinco filmes seus admiráveis.

ALEXIS SMITH 
(1921 - 1993. Penticton / Canadá) 
“O Monstro de Londres”, 1954

“O que impressiona de imediato em Joseph Losey é uma força e uma energia muito incomuns e, ao mesmo tempo, um grande poder de concentração. Como Raoul Walsh, ele é gerador de uma energia enorme no set e é essa energia que verdadeiramente faz o filme. Com Losey, acrescenta-se uma imaginação, uma descoberta da interioridade orgânica vivida do personagem, uma aproximação fisiológica – e logo o personagem adquire uma dimensão muito maior do que aquela que você imaginava pra ele no roteiro, uma intensidade e uma sensibilidade que possuem uma verdadeira realidade. 
 
Essa vida, ele concede a partir de reflexos pessoais cuja imaginação vem de muito longe nele; sua abordagem das coisas é ingênua, ao mesmo tempo em que seu trabalho é muito profissional. O que é impressionante em Losey é a possibilidade que o ator tem de interpretar num alto ponto emocional, sem nunca ter que baixar a intensidade. Como dizia, eu também gostei muito de trabalhar com Walsh e com Blake Edwards, que possuem uma grande imaginação, um espírito muito vivo, e um senso de humor formidável. Assim é Losey. Ele é maravilhosamente espontâneo.”.
 
HARDY KRUGER 
(1928 – 2022. Berlim / Alemanha) 
“Entrevista com a Morte / Blind Date”, 1959

“Conhecia Joseph Losey apenas de nome quando me foi proposto fazer sob sua direção ‘S.O.S. Pacific’ e, apesar de meu interesse por ele, recusei o papel, porque o roteiro era ruim demais. Ele veio me ver e, logo em seguida, ganhei por ele uma grande simpatia. Conversamos sobre o assunto, e me dei conta que ele vislumbrava o roteiro da única forma possível. Tornamos-nos amigos, e íamos rodar quando o produtor decidiu voltar à primeira versão do roteiro. Transferimos o nosso contrato para um outro projeto: ‘Entrevista com a Morte’. Durante a preparação desse filme não reparei diferença de natureza entre Joe e outros diretores que havia trabalhado antes – ele era apenas mais aberto, mais humano. Por outro lado, tive uma espécie de revelação diante de seu trabalho no set. A primeira coisa que me espantou foi a forma com a qual, com ele, um personagem pode se desenvolver no cenário, reagir em relação a uma situação. 
 
Joe também não esquece que os atores têm um corpo e que eles se expressam, antes de mais nada, pelos seus corpos. Ele lhe explica o que ele deseja, o que você tem a fazer, seu percurso, o eventual movimento de câmera, as razões de tudo e, se fiando no trabalho anterior fornecido sobre os personagens no roteiro, lhe deixa muito livre, de forma que o percurso nasça do movimento de seu corpo – você esquece até a câmera. Joe experimenta também uma grande necessidade de contato com as pessoas, uma necessidade também de ser compreendido. Durante uma filmagem fica muito próximo de seus principais colaboradores, ele se interessa por sua vida pessoal. Ele é muito concentrado e repara nas pessoas coisas que ninguém mais repararia”.
 
VIRNA LISI 
(1936 – 2014. Ancona / Itália) 
“Eva”, 1962

“'Eva’ me agrada muito. É muito moderno. Meu personagem é um personagem não-cerebral, simples, e eu sempre estive à vontade no meu trabalho com Joseph Losey. É um diretor que tem uma comunicação muito grande, e, logo em seguida, uma corrente de compreensão e de amizade, de afinidades, se estabelece entre ele e você. Quando, no trabalho, ele diz uma coisa, essa coisa – e também a inteligência com as quais Losey a apresenta – é tal, que o ator a executa como por osmose. Se você não sente o que ele lhe pede, ele leva em conta suas sugestões. Ele espera dos atores reações menos mecânicas. Concede muito cuidado a tudo que diz respeito ao ambiente: a qualidade do ar, os perfumes. E, assim, seu trabalho se torna mais verdadeiro, mais real. 
 
Antes do início da filmagem de ‘Eva’, Losey fez uma leitura geral para todos os atores; depois, durante a filmagem, a cada manhã, ele reunia os atores e lhes dava informações precisas da cena a ser rodada: o que ele busca, antes de tudo, é que tudo esteja bem claro. Tenho, de minha parte, alguns desprazeres quanto a esse filme. De início, duas das minhas cenas – que significavam muito para o meu personagem – foram cortadas no conflito entre Losey e os produtores. E também o próprio Losey talvez não tenha colocado os personagens no mesmo plano, o que, eu acho, deveria ser feito. Enfim, ‘Eva’ não é a verdadeira natureza de Losey. Ele é formidável. Eu gostaria de ter a oportunidade de trabalhar novamente com ele – e, dessa vez, da forma como o conheci na vida”.
 
 

CINCO FILMES de JOSEPH LOSEY
(por ordem de preferência)
 
01
EVA
(idem, 1962)

elenco: Jeanne Moreau, Stanley Baker e Virna Lisi

 
Filmado em Veneza e adaptado de um livro de James Hadley Chase, com a presença sublime de Jeanne Moreau, é um excelente retrato da atração de um escritor pilantra por uma mulher proibida que o humilha, negligenciando sua esposa.
 
02
O CRIADO
(The Servant, 1963)

elenco: Dirk Bogarde, Sarah Miles e James Fox

 
Baseado em romance de Robin Maugham, explora a relação entre as classes sociais através de um jovem e rico solteiro que contrata um criado mais velho para que satisfaça as suas vontades domésticas. Pouco a pouco os papéis se invertem.
 
03
ESTRANHO ACIDENTE
(Accident, 1967)

elenco: Dirk Bogarde, Stanley Baker, Jacqueline Sassard, Michael York, Vivien Merchant, Delphine Seyrig e Alexander Knox

 
Com leve sátira ao mundo acadêmico, apresenta o conflito entre um professor casado e outro mais jovem, ambos com as atenções voltadas para uma bela garota.
 
04
O MENSAGEIRO
(The Go-Between, 1970)

elenco: Julie Christie, Alan Bates, Margaret Leighton, Michael Redgrave e Edward Fox

 
Homem relembra um fato ocorrido quando era garoto: serviu de intermediário entre uma mulher aristocratra e um rude fazendeiro, levando cartas de amor.
 
Palma de Ouro de Melhor Filme no Festival de Cannes
 
05
CIDADÃO KLEIN
(Mr. Klein, 1976)

elenco: Alain Delon, Jeanne Moreau, Juliet Bert, Suzanne Flon e Massimo Girotti

 
Em 1942, na Paris ocupada pelos nazistas, negociante de arte vê seus lucros aumentarem bastante quando judeus perseguidos lhe vendem obras-de-arte a preços módicos. Porém, quando um outro utilizando seu nome comete atos misteriosos e ameaçadores, ele passa a ser perseguido pela polícia.
 
Prêmio César de Melhor Filme e Melhor Direção
 

outubro 31, 2022

**************** TRIBUTO a CHARLES LAUGHTON



 
Hollywood é um lugar estúpido. 
Mas eu gosto. É a casa perfeita dos caricatos. 
Se eu não fosse um pouco louco, não moraria lá.
CHARLES LAUGHTON
 

Nasceu em uma família rica de proprietários de hotéis. Após a morte do seu pai, CHARLES LAUGHTON (1899 – 1962. Scarborough, Yorkshire / Inglaterra) estudou atuação e rapidamente se tornou um bem sucedido ator. Construiu uma filmografia expressiva, mesmo que sua figura corpulenta e seu rosto nada bonito significassem que a maioria dos papéis principais não estava disponível para ele. Recebeu três indicações ao Oscar de Melhor Ator, ganhando em 1933 por “A Vida Privada de Henrique VIII”. Foi o primeiro ator britânico a arrebatar a famosa estatueta dourada. Presença imponente no palco e na tela, estrela de cinquenta filmes e quarenta peças, ele infelizmente está esquecido nos dias de hoje. Extremamente talentoso e complexo - uma lenda artística que, no entanto, vivia em conflito com seu rosto pouco atraente e o corpo obeso. Sua personalidade abrigava uma alma torturada e insegura, um menino-homem desajeitado. Perfeccionista, achava o teatro frustrante, preferindo o cinema. Apesar do sucesso imediato e duradouro, ele nunca estava satisfeito e se considerava um fracasso. 

laughton e o oscar
Estudou na Royal Academy of Dramatic Art de Londres e fez sua primeira aparição no palco em 1926, em “O Inspetor Geral”, de Gogol. Depois de performances bem sucedidas no West End londrino, estreou no cinema em 1928, numa comédia, “Blue Bottles”. Na peça “Mr Prohack” conheceu sua futura esposa, Elsa Lanchester, com quem se casou em 1929. Em 1931, se apresentou em Nova York e no ano seguinte faria seu primeiro filme em Hollywood, “The Old Dark House / A Casa Sinistra”. Retornou à Inglaterra em 1933 para peças de Shakespeare no Old Vic: “Macbeth”, “Henrique VIII”, “Medida por Medida” e “A Tempestade”. Em 1936, em Paris, brilhou em clássico de Molière na Comédie Française.

Exuberante, CHARLES LAUGHTON era um ator excelente, encarnando personagens sádicos e cordiais, assassinos e advogados, artistas e simplórios, e todos com o mesmo poder de convicção. Voz poderosa e penetrante, interpretava com paixão e imaginação. Muito longe do protótipo de um astro pela sua gordura, traços exagerados e voz peculiar, tornou-se uma presença estelar no cinema de Hollywood, especializando-se em papéis ambíguos. Seu modo particular de abordar o personagem conseguia dotá-lo de um pano de fundo de moralidade suspeita. No histórico “A Vida Privada de Henrique VIII” (1933), fez um monarca vigoroso. Pouco depois foi a vez do tirânico Capitão Bligh em “O Grande Motim” (1935) e outros filmes populares. Originalmente escalado para “David Copperfield / The Personal History, Adventures, Experience, & Observation of David Copperfield the Younger” (1935), clássico de George Cukor adaptado de Charles Dickens, abandonou as filmagens. Na época, nos bastidores, foi dito que ele assediou sexualmente o ator infantil Freddie Bartholomew. WC Fields ficou com o papel de Micawber. Convidado para “O Corcunda de Notre Dame” (1939), fantástica adaptação de Victor Hugo, hesitou diante do deformado e patético Quasimodo, já que tinha problemas com sua própria aparência. Por fim, assumiu o projeto, tornando-se o seu filme mais popular.

laughton e elsa lanchester
Em 1937, em sociedade com Erich Pommer, formou sua própria companhia cinematográfica, a Mayflower Pictures Corp., produzindo três filmes, um deles dirigido por Alfred Hitchcock. No mesmo ano, estrelou a versão cinematográfica do romance
“I, Claudius”, de Robert Graves, que terminou abandonada após os ferimentos sofridos por Merle Oberon em acidente de carro. Com a II Guerra Mundial, a produtora fechou as portas e CHARLES LAUGHTON voltou a Hollywood.

A voz clara e distinta do ator fez muito sucesso em leituras no palco de grandes obras da literatura, viajando pela América do Norte e Inglaterra. As leituras começaram como entretenimento para as tropas hospitalizadas na Segunda Guerra Mundial, e mais tarde se desenvolveram em performances públicas aclamadas e altamente populares. Foram centenas de espetáculos. No palco, de uma sacola cheia de livros, selecionava trechos de obras de Charles Dickens, Thomas Wolfe, William Shakespeare, Esopo e, muitas vezes, a “Bíblia”. Muitas das leituras foram preservadas em gravações de áudio e na série de televisão “This is Charles Laughton” (1953). O ator não temia a experimentação, colaborando com Bertolt Brecht em 1947 em “A Vida de Galileu”. Na direção, Joseph Losey. Um de seus sucessos mais notáveis no teatro foi ao interpretar o Diabo em “Don Juan no Inferno”, de Bernard Shaw, em 1950. Ele dirigiu várias peças na Broadway. Desde um poema épico da Guerra Civil, em 1953, estrelado por Tyrone Power, a “A Nave da Revolta”, em 1954, um sucesso estrelado por Henry Fonda. Também foi um conceituado professor de teatro, tendo entre seus alunos, Albert Finney.

Para dissipar sua solidão, CHARLES LAUGHTON procurava a companhia de belos jovens, muitos dos quais começavam como seu massagista ou assistente pessoal. Com alguns deles, desenvolveu longos relacionamentos românticos. Ele era feliz e produtivo quando envolvido nesses romances, mas quando se separavam, entrava em crise. Em “O Grande Motim”, a homofobia de Clark Gable criou tanta tensão no set que o produtor Irving Thalberg teve que intervir. Casado com Elsa Lanchester, ele estava profundamente descontente com suas tendências homossexuais. Permaneceu com a esposa até sua morte e, embora tivesse vários amantes, nunca teve um parceiro significativo.

Embora temesse um escândalo, sempre trazia amantes para as filmagens para ajudá-lo a relaxar. O seu pior medo se materializou enquanto dirigia Henry Fonda em “A Nave da Revolta” (1954). Fonda, irritado com o desenvolvimento da peça, atacou o diretor na frente de todos: “O que você sabe sobre os homens, sua bicha gorda?”. Parte da homofobia internalizada de CHARLES LAUGHTON foi aliviada em 1960, depois que ele e sua esposa compraram uma casa em Santa Monica, ao lado do escritor gay Christopher Isherwood e seu companheiro Don Bachardy. Os dois casais se tornaram amigos íntimos, e o orgulho gay de Isherwood e Bachardy ajudaram o ator a alcançar uma certa aceitação emocional. Dirigiu apenas um filme, “O Mensageiro do Diabo / The Night of the Hunter, de 1955, estrelado por Robert Mitchum, Shelley Winters e Lillian Gish. Embora tenha sido um fracasso de crítica e bilheteria, desde então vem sendo citado como um dos maiores filmes da década de 1950. Na vida privada, CHARLES LAUGHTON tinha o ator Burgess Meredith como um dos seus melhores amigos. Sensível, apaixonado por arte japonesa, era um conhecedor, acumulando uma coleção valiosa.

laughton e lanchester
Seu casamento não era feliz, e eles seguiam caminhos separados na maior parte do tempo, embora nunca se separassem. Um dos últimos projetos de direção dele foi um espetáculo que criou para a esposa, em 1960, “Elsa Lanchester – Ela Mesma”. Após a morte dele, Elsa escreveu um livro alegando que eles nunca tiveram filhos porque não faziam sexo, mas não se considerava enganada, sabia que ele era homossexual quando se casaram. Atormentado pelo desejo, o ator vivia envergonhado de seus anseios homossexuais. Nunca discutiu publicamente ou declarou sua homossexualidade, exceto para sua esposa.

Suas últimas peças foram “Sonhos de Uma Noite de Verão” e o papel título de “Rei Lear”, em 1959. Foi muito elogiado por seu retrato de um senador desonesto em seu derradeiro filme, “Tempestade em Washigton”. Em 1962, diagnosticado com câncer na coluna, seu peso caiu para apenas quarenta quilos. Ficou em coma e morreu em dezembro do mesmo ano. Talento criativo completo, certa vez Daniel Day-Lewis o citou como uma de suas inspirações: “Ele foi o melhor ator de cinema da sua época. Tinha algo notável. Sua generosidade como ator alimentava seu trabalho e impedia o público de tirar os olhos dele em cena.”

no premiado “a vida privada de henrique VIII”
DEZ FILMES de CHARLES LAUGHTON
(por ordem de preferência)
 
01
Os MISERÁVEIS
(Les Misérables, 1935)

direção de Richard Boleslawski
elenco: Fredric March, Cedric Hardwicke, Rochelle Hudson e Florence Eldridge
 
02
TESTEMUNHA de ACUSAÇÃO
(Witness for the Prosecution, 1957)

direção de Billy Wilder
elenco: Tyrone Power, Marlene Dietrfich, Elsa Lanchester e Una O'Connor
 
03
O CORCUNDA de NOTRE DAME
(The Hunchback of Notre Dame, 1939)

direção de William Dieterle
elenco: Maureen O´Hara, Cedric Hardwicke, Thomas Mitchell e Edmond O´Brien
 
04
O GRANDE MOTIM
(Mutiny on the Bounty, 1935)

direção de Frank Lloyd
elenco: Clark Gable, Franchot Tone, Donald Crisp, Spring Byington e Movita
 
05
TEMPESTADE sobre WASHINGTON
(Advise & Consent, 1962)

direção de Otto Preminger
elenco: Franchot Tone, Lew Ayres, Henry Fonda, Walter Pidgeon, Don Murray, Peter Lawford, Gene Tierney e Burgess Meredith
 
06
SPARTACUS
(Idem, 1960)

direção de Stanley Kubrick
elenco: Kirk Douglas, Laurence Olivier, Jean Simmons, Peter Ustinov, Nina Foch, John Gavin e John Ireland
 
07
O SINAL da CRUZ
(The Sign of the Cross, 1932)

direção de Cecil B. DeMille
elenco: Fredric March, Claudette Colbert e Elissa Landi
 
08
ESTA TERRA é MINHA
(This Land Is Mine, 1943)

direção de Jean Renoir
elenco: Maureen O´Hara, George Sanders, Walter Slezak e Una O´Connor
 
09
Os AMORES de HENRIQUE VIII
(The Private Life of Henry VIII, 1933)

direção de Alexander Korda
elenco: Robert Donat, Merle Oberon e Elsa Lanchester
 
                                                      Oscar de Melhor Ator

 
10
O RELÓGIO VERDE
(The Big Clock, 1948)

direção de John Farrow
elenco: Ray Milland, Maureen O`Sullivan, George Macready e Elsa Lanchester

GALERIA de FOTOS



agosto 06, 2017

***** O CORAÇÃO PARTIDO de ROMY SCHNEIDER



Apelido: Puppele
Altura: 1,61 m
Olhos: entre o verde e o azul


Eu acredito que ela é uma das mulheres mais bonitas do cinema. Uma atriz de classe e estilo. Nos anos 1950, ROMY SCHNEIDER (1938 - 1982. Viena / Áustria) tornou-se a mais completa tradução da Cinderela, ao estrelar filmes de época românticos, na pele de mocinhas como a lendária imperatriz austríaca, Isabel de Áustria, mais conhecida por Sissi da Baviera (1837 - 1898). Ela foi uma maravilhosa Sissi em trilogia de sucesso (1955 a 1957) e teve alguma dificuldade em se separar dessa imagem, mas seu talento acabou por conquistar o cinema universal. A fama nunca mais a abandonou. No entanto, por trás das câmeras, a atriz protagonizou uma vida dramática, marcada por tragédias.

Problemas profissionais ela nunca teve. Filha de um casal de atores (o austríaco Wolf Albach-Retty e a alemã Magda Schneider), estreou no cinema aos 15 anos e alcançou rápido sucesso. Abandonada pelo pai, foi criada por uma mãe ausente, estrela de cinema. Ainda bem jovem, apaixonou-se pelo alemão Horst Buchholz, seu parceiro em “A Lenda de Robinson Crusoé / Robinson soll Nicht Sterben” (1957). Desistiu do ator porque sua mãe proibiu o romance. Convidada, em 1958, para filmar “Christine / Idem” com Alain Delon, a mãe acompanhou-a a Paris, vigiando-a de perto. O amor entre ROMY SCHNEIDER e Delon surgiu já as filmagens iam adiantadas. Ela, num ato de independência, decidiu passar a viver na capital francesa, enquanto a mãe se viu forçada a regressar à Colônia, percebendo que tinha “perdido” a filha.

Quando iniciaram o namoro, tinha 20 anos, Delon 23, e os fotógrafos não os deixavam em paz. Nesse período de euforia amorosa, os “namorados eternos” chegaram, em março de 1959, a declarar oficialmente que estavam noivos. Mas jamais se casariam. Sob a direção de Luchino Visconti, eles trabalharam no teatro em uma comédia de John Ford, em Paris, 1961, “Pena Que Ela Seja Puta”. A peça ficou oito meses em cartaz. A partir de então não faltaram convites para a atriz filmar. Em 1963, depois de anos de ciumeiras e discussões acirradíssimas, o tórrido relacionamento com o narcisista Delon se desfez.

Fizeram três filmes juntos: “Christine”, de Pierre Gaspard-Huit; “A Piscina / La Piscine” (1969), de Jacques Deray; e “O Assassinato de Trotsky” (1972), de Joseph Losey. Ela sofreu ao ser trocada. Filmava em Hollywood, e Delon em Madrid rodava “A Tulipa Negra / La Tulipe Noire” (1964) e deixava-se fotografar com Nathalie, com quem viria a casar. Ele acabou o relacionamento com um bilhete ao lado de um buquê de rosas vermelhas. Ao voltar dos EUA,  encontrou entre as flores, a frase que a apunhalou: “Vou para o México com Nathalie.” Respondeu cortando os pulsos.

Um pouco por despeito, ROMY SCHNEIDER casou-se em 1966 com o diretor e cenógrafo alemão Harry Mayen. Do casamento nasceu David. Quando se divorciaram, em 1975, o marido exigiu-lhe metade da fortuna para que ela pudesse ficar com o filho e ela tudo deu pelo filho que era a sua razão de viver. Quatro anos mais tarde Mayen enforcou-se sem explicações. O filho do casal, aos 14 anos, em 1981, morreu espetado nas lanças do gradeamento que protegia a casa dos pais do padastro. Compreensivelmente, ela nunca se recuperou dessa perda.

wolf albach-retty, pai de Romy
A ex-Sissi mostrou ao mundo que era muito mais que uma mulher deslumbrante, de uma beleza delicada, com uns olhos entre o verde e o azul num rosto perfeito, uma voz doce e um corpo de Afrodite. Elegantíssima, dentro e fora da tela. Ela recebia centenas de roteiros e filmava apenas os argumentos atraentes ou com bons realizadores. Em 1962 filmou “O Processo”, direção de Orson Welles.  Em 1963 consolidou a sua carreira internacional em “O Cardeal / The Cardinal”. Foi dirigida por cineastas como Claude Sautet, Claude Chabrol, Losey, Costa-Gavras, Zulawski etc.

De um segundo – e infeliz - casamento com o seu secretário, Daniel Biasini, que durou de 1975 a 1981, nasceu Sara, em 1977. Mas ele não foi o companheiro ideal para uma mulher bastante fragilizada no domínio dos amores. Ela se separou dele ao descobrir que a única coisa que o interessava era sua fortuna. Sofrendo depressões, refugiou-se no álcool e comprimidos. Parava para fazer curas de desintoxicação. Apenas o cinema e os filhos lhe davam sentido à vida. Na década de setenta, reinou como uma das maiores estrelas do cinema francês e uma ativista que usou a fama para falar em questões como os direitos das mulheres.

Desiludida, afogava as mágoas em vodca e champanhe, sucessivas tentativas de suicídio e agressões a porteiros de hotel. Ganhou dois César (o Oscar francês) em 1976 e 1979, como Melhor Atriz nos filmes “Uma História Simples” e “O Importante é Amar”. Seria nomeada mais três vezes, por Uma Mulher na Janela / Une Femme à sa Fenêtre (1976), “Um Homem, Uma Mulher, Uma Noite / Clair de Femme” (1979) e “La Passante du Sans-Souci” (1982), o seu derradeiro filme. Com um novo companheiro, comprou uma propriedade no campo, passando a viver em Boissy-Sans-Avoir.

romy e a mãe, magda
Em uma manhã de maio de 1982, ROMY SCHNEIDER foi encontrada morta, fulminada por um ataque cardíaco. Correram rumores que tinha se suicidado, mas o óbito foi declarado oficialmente como devido a uma parada cardíaca. Tinha 43 anos. O mundo ficou consternado. Estava tratando-se de uma depressão. Fala-se também de uma overdose, já que um traficante de drogas tinha deixado o local horas antes. Ao morrer vivia com o produtor francês Laurent Petain. Os jornais frisaram que ela morreu de “coração partido”.

Segundo o seu biógrafo Johannes Thiele, ela escondia sob a beleza uma profunda infelicidade. Esse é o tom da biografia “Romy Schneider: Seus Filmes, sua Vida, sua Alma” (2007). Em dezembro de 1999, a Fígaro Magazine fez um enquete sobre as dez mais belas mulheres do século XX e ROMY SCHNEIDER ficou em primeiro lugar, seguida de Ava Gardner. Nesse mesmo ano, Pedro Almodóvar dedicou para ela “Todo Sobre Minha Mãe / Todo Sobre mi Madre”. Em 2008 foi lembrada com um César Especial póstumo. O apresentador do prêmio foi Alain Delon, o seu insensato amor.


  DEZ FILMES de ROMY
(por ordem de preferência)

01
As COISAS da VIDA
(Les Choses de la Vie, 1970)

direção de Claude Sautet
elenco: Michel Piccoli

02
CÉSAR e ROSALIE
(César et Rosalie, 1972)

direção de Claude Sautet
elenco: Yves Montand, Samy Frey e Isabelle Huppert

03
Uma HISTÓRIA SIMPLES
(Une Histoire Simple, 1978)

direção de Claude Sautet
elenco: Bruno Cremer e Claude Brasseur

04
LUDWIG: a PAIXÃO de um REI
(Ludwig, 1973)

direção de Luchino Visconti
elenco: Helmut Berger, Trevor Howard e Silvana Mangano

05
O PROCESSO
(Le Procès, 1962)

direção de Orson Welles
elenco: Anthony Perkins, Jeanne Moreau e Suzanne Flon

06
CORAÇÕES DESESPERADOS
(10:30 P.M. Summer, 1966)

direção de Jules Dassin
elenco: Melina Mercouri e Peter Finch

07
O IMPORTANTE é AMAR
(L'Important c'est d'Aimer, 1975)

direção de Andrzej Zulawski
elenco: Fabio Testi, Jacques Dutronc e Klaus Kinski

08
Um HOMEM, uma MULHER, uma NOITE
(Clair de Femme, 1979)

direção de Costa-Gavras
elenco: Yves Montand, Romolo Valli e Lila Kedrova

09
O ASSASSINATO de TROTSKY
(The Assassination of Trotsky, 1972)

direção de Joseph Losey
elenco: Richard Burton, Alain Delon e Valentina Cortese

10
O ÚLTIMO TREM
(Le Train, 1973)

direção de Pierre Granier-Deferre
elenco: Jean-Louis Trintignant

GALERIA de FOTOS