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agosto 18, 2026

******** O MUNDO MARAVILHOSO de WALT DISNEY

“a dama e o vagabundo
 


Se você pode sonhar, pode realizar.
 
Quando acreditar em algo, 
acredite nisso por todo o caminho, 
de maneira implícita e inquestionável.
WALT DISNEY
Pioneiro do cinema de animação, fundador da The Walt Disney Company e ativista político de direita, WALTER ELIAS DISNEY (1901 – 1966. Marceline, Missouri / EUA) criou ícones como o Mickey Mouse, produziu a animação clássica “Branca de Neve e os Sete Anões” e idealizou os parques Disneylândia e Walt Disney World. Aos 7 anos de idade, na fazenda da família, já se inspirava em animais domésticos para desenhar. Recebia incentivos da mãe, uma professora, mas era pelo pai duramente recriminado. Em 1918, na Primeira Guerra Mundial, alistou-se no exército, mas não foi aceito por ser menor de idade. Então tentou a Cruz Vermelha, onde dirigiu ambulâncias. Ao mesmo tempo, trabalhava criando pôsteres para as Forças Armadas dos EUA. Assim que voltou à terra natal, com apenas 19 anos,  para sobreviver vendia desenhos dos personagens que ilustrava desde a infância. Em 1920, fundou uma pequena empresa, cuja sede era em um celeiro. Em tal lugar, havia apenas uma mesa onde criava sua arte mágica.

A empresa durou apenas um mês, mas traçou o rumo que ele seguiria. O artista tentou várias vezes inovar, promover reinaugurações, porém os seus projetos eram seguidos de falência. Assim, aos 22 anos, fechou definitivamente a sua companhia. Após o fracasso inicial, tentou ser ator, trabalhou como fotógrafo e pensou inclusive em se tornar diretor de filmes. Além disso, terminou sendo demitido por um editor de jornal, que o julgava preguiçoso e sem nenhuma chama criativa. Enquanto isso, pressionado pela família para encontrar um emprego, continuou acreditando em seus sonhos e na sua arte. Mesmo trabalhando com entusiasmo, foi ficando sem dinheiro e se endividando. Nesse período, conseguiu uma vaga como aprendiz de desenhista em um estúdio publicitário, onde conheceu Ub Iwerks, seu futuro sócio. Para se inspirar, assistia no cinema aos desenhos do Gato Félix. Trabalhando na Kansas City Film Company aprendeu técnicas de animação e com outros artistas produziu seu primeiro filme, Chapeuzinho Vermelho.

Com o amigo e desenhista Ub Iwerks, inaugurou a Laugh-O-Grams Films, mudando-se para Los Angeles e produzindo a série
“Alice na Terra do Desenho Animado / Alice in Cartoonl”. Ajudado pelo irmão Roy, fundou a Disney Brothers Production, que mais tarde viria a se chamar The Walt Disney Studio. Em 1925, casou-se com Lillian Bounde, colorista do seu estúdio, e , com um empréstimo, abriu a Disney Brothers Cartoon Studio. Nos dois anos seguintes seu grupo bateu recordes, entregando um curta-metragem a cada 15 dias. No ano de 1927, na Universal, criou seu primeiro personagem de destaque: o coelho Oswald. O projeto foi um grande sucesso, mas ele foi passado pra trás, já que a empresa que custeou o personagem ficou com os direitos. WALT DISNEY voltou à estaca zero. Sem dinheiro e traído por parte da sua equipe, não se lamentou, lançando a criação que marcaria o mundo do entretenimento para sempre: Mortimer, um rato esperto e honesto, conhecido depois como Mickey Mouse.

Somente o quarto filme do Mickey emplacou o personagem e despertou o interesse das distribuidoras. Seus funcionários achavam que ele estava louco, mas em 1928 Mickey Mouse foi apresentado ao público antes do filme em cartaz. Como diferencial, os sons sincronizados ao desenho, algo nunca feito. Mickey Mouse se tornou um verdadeiro fenômeno, todos queriam comprar um de seus bonecos e WALT DISNEY se destacou como a primeira celebridade oriunda do universo da animação. A partir desse momento, o seu êxito conquistou uma escalada vertiginosa. Nem a Grande Depressão de 1929 abalou o seu empreendimento. Na época, produziu em Technicolor
“Flowers and Trees”, primeiro desenho com cores, e lançou novos personagens: Horácio, Ferdinando e a vaca Clarabela. Em 1934, o Pato Donald aparece em “A Galinha Sábia”. Nesse mesmo ano, as primeiras tiras diárias do carismático Mickey Mouse são publicadas no Brasil.

Um mago da criatividade e amante dos desafios, ele resolveu inovar mais uma vez. Propôs algo que nunca havia sido feito antes: uma animação com a duração de um longa-metragem. Mais do que isso, uma animação como atração principal em cartaz. Foram meses de produção e um investimento altíssimo, mais de 1,5 milhão de dólares. “Branca de Neve e os Sete Anões” estreou no dia 10 de janeiro de 1938, sendo um de seus melhores investimentos. A produção arrecadou 8 milhões de dólares, ganhou um Oscar e revolucionou a indústria de animação. Na Segunda Guerra Mundial, WALT DISNEY foi convidado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos para criar desenhos animados que seriam utilizados em treinamentos militares. Ele gostou tanto da ideia, que passou a produzir filmes de propaganda militar, empregando neles seus personagens mais conhecidos. Orçado em US$ 2 milhões, a seguir estreou “Fantasia”, um longa animado com direção musical do maestro Leopold Stokówsky e na trilha músicas de Bach, Dukas, Tchaicovsky, Stravinsky, Beethoven, Ponchelli, Schubert e Moussorgsky.

Conservador convicto, a atuação política de WALT DISNEY foi marcada pelo anticomunismo ferrenho e pela repulsa a sindicatos. Ele testemunhou no Comitê de Atividades Antiamericanas contra os comunistas em Hollywood e apoiou a diplomacia cultural dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial. Alinhado ao Partido Republicano, tornou-se um doador generoso e discursou publicamente a favor do candidato de direita Thomas E. Dewey contra Roosevelt em 1944. Buscou fundos para a campanha de Eisenhower. Seu estúdio produziu o primeiro comercial de TV animado para uma campanha presidencial na história dos EUA. Junto com outros magnatas (como o cineasta Cecil B. DeMille), financiou comitês para fortalecer a direita dentro da indústria da meca do cinema. Na eleição presidencial de 1964, apoiou o senador conservador Barry Goldwater. Ele manteve proximidade com Richard Nixon e participou do grupo de líderes empresariais da Califórnia que impulsionou o início da carreira política do ator Ronald Reagan, que viria a ser governador e, posteriormente, presidente dos EUA.

Em 1941 
WALT DISNEY visitou o Brasil, Chile, Argentina e Peru a pedido do governo norte-americano. Esteve em Belém, no Rio de Janeiro, e conheceu o cartunista J. Carlos, que serviria de inspiração para a criação do Zé Carioca. O papagaio debutou em “Alô, Amigos” (1942), como o cicerone do Pato Donald em uma visita do personagem ao Rio de Janeiro. O filme foi responsável pela popularização de Aquarela do Brasil” (Ari Barroso) e “Tico-tico no Fubá” (Zequinha de Abreu) no exterior. Usando o material de sua viagem ao Brasil, lançou “Você Já Foi à Bahia?” (1944), com participação de Zé Carioca, Panchito e Pato Donald. A seguir, Carl Barks criou Patinhas, o tio milionário do Pato Donald, e a Editora Abril publicou a primeira revista do Pato Donald no Brasil. Apresentava também Zé Carioca, sua garota Rosinha e o amigo Nestor. Na mesma década, WALT DISNEY foi pai duas filhas: Diane e Sharon. Era apaixonado por elas e as levava com frequência em parques de diversões, porém, uma coisa o incomodava: como regra, as crianças brincavam separadas dos adultos.

Ele imaginou - projetando na cabeça - um lugar onde adultos e crianças pudessem se divertir juntos.
“Afinal de contas, os adultos são apenas crianças crescidas”, costumava repetir. Essa ideia foi crescendo e se desenvolvendo em sua mente, mas precisava encontrar um meio para financiá-la. Para conseguir o dinheiro que lhe permitisse concretizar o empreendimento, fez parceria com uma emissora de TV, trocando um empréstimo de 5 milhões de dólares por um programa de TV dominical baseado em temas dos personagens da Disney, que ele mesmo apresentaria. “O Clube do Mickey” tornou-se um dos programas infantis de maior sucesso da história da televisão. Logo depois, o primeiro parque foi inaugurado, em 17 de julho de 1955, na Califórnia. Além de contar com uma variedade de brinquedos para crianças e acompanhantes, disponibilizava um castelo em tamanho real, o Castelo da Bela Adormecida. No entanto, a inauguração foi trágica. O parque tinha capacidade para 12 mil pessoas, mas devido a publicidade, muitos apareceram com ingressos falsos, totalizando 30 mil visitantes.

Para piorar a situação, faltou água na Califórnia, e foi preciso decidir se o pouco que se tinha armazenado seria utilizado nos banheiros ou nos bebedouros. Escolheu-se os banheiros, mas estava em torno de 38º C e muitos passaram mal. Com o calor implacável, o asfalto derreteu e grudou nos sapatos dos convidados. Conhecida como
“Black Sunday”, a inauguração malsucedida não evitou o sucesso da Disneylândia, inclusive se somando no desenvolvimento da cidade, com várias empresas nascidas a sua volta, impedindo a expansão do parque. Querendo aumentá-lo, WALT DISNEY procurou um novo espaço, encontrando-o na Flórida, em Orlando, composta de fazendas de laranjas. Por fim, adquiriu 100 Km² de terras. O gênio da animação faleceu em 1966, vítima de um câncer do pulmão, pois fumava compulsivamente. Seu irmão, Roy Disney, continuou o projeto, inaugurando a Walt Disney World em 1971. Atualmente, seis parques em vários países levam diversão à 150 milhões de pessoas por ano.


DEZ PERSONAGENS de WALT DISNEY
 
01
HUGUINHO, ZEZINHO e LUIZINHO

estreia: em outubro de 1937, em uma tira dominical de jornal, e logo a seguir, em 1938, no curta-metragem “Os Sobrinhos do Donald”. 
características: trigêmeos, aventureiros, diferenciados visualmente pelas cores de suas roupas e bonés (Huguinho veste vermelho, Zezinho veste azul e Luisinho veste verde). 
destaque: travessos e astutos, atormentam o tio Pato Donald.
 
02
IRMÃOS METRALHA

estreia: apareceram em 1951 nos quadrinhos “O Terror dos Irmãos Metralha”. 
características: usam máscaras pretas ao redor dos olhos, blusas vermelhas com números de prisioneiros no peito, calças azuis e são quase idênticos. 
destaque: são conhecidos por planejar grandes roubos mirabolantes, que sempre falham por causa de azar, incompetência ou interferência dos sobrinhos do Pato Donald.
 
03
MAGA PATALÓGICA

estreia: em dezembro de 1961, na HQ de Tio Patinhas intitulada “O Toque de Midas”. 
características: uma pata de cabelos longos e negros, inspirada visualmente no charme de atrizes clássicas do cinema italiano e em traços góticos. 
destaque: habilidade de usar feitiços, poções, teletransporte e a famosa arte dos disfarces. É auxiliada por Madame Mim e o corvo de estimação Laércio.
 
04
MANCHA NEGRA

estreia: estreou em 1939 na história “Mickey Mouse contra o Mancha Negra”. 
características: usa um lençol ou capa preta encapuzada que o cobre por completo, parecendo uma mancha viva de tinta. 
destaque: é um mestre do crime extremamente inteligente, calculista e arrogante.
 
05
MARGARIDA

estreia: em 1937, no desenho “Don Donald”. 
características: charmosa e inteligente. 
destaque: vaidosa e muito feminina, ela costuma provocar ciúmes no Pato Donald, seu namorado, mas não vive sem ele.
 
06
MICKEY MOUSE

estreia: em 1928, no desenho “Steamboat Willie”. 
características: amigo, educado, ingênuo e xereta. 
destaque: estrelou mais de 120 desenhos animados. Também foi apresentador de um programa de TV nos anos 50 chamado “O Clube do Mickey”.
 
07
PATETA

estreia: em 1932, no desenho “Mickey's Revue”. 
características: ingênuo e bom caráter. 
destaque: é um cachorro com comportamento humano.
 
08
PATO DONALD

estreia: em 1934, no desenho “The Wise Little Hen”. 
Características: nervoso e bondoso. 
destaque: é um dos personagens mais simpáticos da Disney. Tem um jeito de falar engraçado e quase sempre se dá mal nas histórias.
 
09
TIO PATINHAS

estreia: surgiu em dezembro de 1947 na história em quadrinhos “Natal nas Montanhas”. 
características: o pato mais rico do mundo, ranzinza e antissocial, mora em uma mansão. Extremamente avarento, implacável nos negócios, mas dotado de ética. 
destaque: ele evoluiu de um coadjuvante para protagonista de várias mídias. Em março de 1952 ganhou revista própria, consolidando sua origem e personalidade definitiva. Costumava nadar dentro de sua enorme pilha de moedas de ouro numa Caixa-Forte.
 
10
ZÉ CARIOCA

estreia: sua primeira aparição foi em um filme chamado “Alô, Amigos”, em 1942. 
características: malandro, simpático, dá jeitinho em tudo e adora feijoada. 
destaque: criado por Walt Disney para homenagear nosso país. Ele ficou famoso com o filme “Você já foi à Bahia?”, de 1944, em que convida o Pato Donald a visitar o Brasil. Como guia, mostra belezas naturais e ensina que a melhor coisa por aqui é o samba.
DEZ FILMES de ANIMAÇÃO de WALT DISNEY
 
01
BRANCA de NEVE e os SETE ANÕES
(Snow White and the Seven Dwarfs, 1937) 

02
PINÓQUIO
(Pinocchio, 1940) 

03
FANTASIA
(Idem, 1940) 

04
CINDERELA
(Cinderella, 1950)

05
ALICE no PAÍS das MARAVILHAS
(Alice in Wonderland, 1951)

06
PETER PAN
(Idem, 1953)

07
A DAMA e o VAGABUNDO
(Lady and the Tramp, 1955)

08
101 DÁLMATAS
(One Hundred and One Dalmatians, 1961) 

09
MOGLI – o MENINO LOBO
(The Jungle Book, 1967)

10
O REI LEÃO
(The Lion King, 1994)


DEZ FILMES com ATORES de WALT DISNEY
 
01
A CANÇÃO do SUL
(Song of the South, 1946)

direção de Harve Foster e Wilfred Jackson
elenco: Ruth Warrick, Bobby Driscoll, James Baskett,
Luana Patten, Lucile Watson e Hattie McDaniel


02
20.000 LÉGUAS SUBMARINAS
(20,000 Leagues Under the Sea, 1954)

direção de Richard Fleischer
elenco: Kirk Douglas, James Mason, Paul Lukas
e Peter Lorre


03
A CIDADELA dos ROBINSON
(Swiss Family Robinson, 1960)

direção de Ken Annakin
elenco: John Mills, Dorothy McGuire, James MacArthur,
Janet Munro, Sessue Hayakawa e Cecil Parker


04
POLLYANNA
(Idem, 1960)

direção de David Swift
elenco: Hayley Mills, Jane Wyman, Richard Egan,
Karl Malden, Nancy Olson, Adolphe Menjou,
Donald Crisp, Agnes Moorehead e James Drury


05
O SEGREDO das ESMERALDAS NEGRAS
(The Moon-Spinners, 1964)

direção de James Neilson
elenco: Hayley Mills, Eli Wallach, Peter McEnery,
Joan Greenwood, Irene Papas e Pola Negri


06
MARY POPPINS
(Idem, 1964)

direção de Robert Stevenson
elenco:  Julie Andrews, Dick Van Dyke, David Tomlinson,
Glynis Johns, Hermione Baddeley, Elsa Lanchester,
Reginald Owen, Ed Wynn e Jane Darwell


07
AQUELE GATO DANADO
(That Darn Cat!, 1965)

direção de Robert Stevenson
elenco: Hayley Mills, Dean Jones, Dorothy Provine,
Roddy McDowall, Neville Brand, Elsa Lanchester,
William Demarest e Ed Wynn


08
QUANDO o CORAÇÃO NÃO ENVELHECE
(The Happiest Millionaire, 1967)

direção de Norman Tokar
elenco: Fred MacMurray, Greer Garson, Gladys Cooper,
Geraldine Page, Hermione Baddeley e Lesley Ann Warren


09
POPEYE
(Idem, 1980)

direção de Robert Altman
elenco: Robin Williams, Shelley Duvall, Ray Walston,
Paul Dooley, Paul L. Smith e Linda Hunt


10
Uma CILADA para ROGER RABBIT
(Who Framed Roger Rabbit, 1988)

direção de Robert Zemeckis
elenco: Bob Hoskins, Christopher Lloyd e Joanna Cassidy



FONTES
“A Árvore dos Sonhos – A Vida e Obra de Walt Disney” (2022)
de Maurício Nunes

“Segredos de Walt Disney”
(2010)
de Jim Korkis

“Walt Disney - O Triunfo da Imaginação Americana”
(2006)
de Neal Gabler



abril 26, 2025

******** CHARLTON HESTON: ÉPICO e ATIVISTA



 

O politicamente correto é apenas tirania
com boas maneiras. Uma praga sobre a terra
tão devastadora quanto os gafanhotos
que Deus lançou sobre os egípcios.
É preciso coragem para ser contra 
a doutrinação. A coragem é a face 
admirável da História.
 
Opinar sobre raça não nos faz racistas.
Ver distinções entre os sexos não nos faz 
machistas. Pensar criticamente sobre uma 
religião não nos faz anti-religião. Aceitar, 
mas não celebrar, a homossexualidade,  
não nos faz homofóbicos.
CHARLTON HESTON
 
Cabelos: castanho-claros
Olhos: azuis
Apelidos:  Chuck e Charlie
Altura: 1,98 m

 
 
Uma lenda do cinema. Deixou um legado de grandes clássicos e deu vida a figuras históricas emblemáticas como Moisés, El Cid, Michelangelo, Marco Antônio, João Batista, Andrew Jackson e, acima de tudo, Ben Hur – personagem que lhe rendeu um Oscar. Alto, de feições belamente rudes e voz profunda, seu físico imponente e semblante másculo abriram muitas portas em Hollywood. O dono de um circo em “O Maior Espetáculo da Terra” (1952) foi seu trampolim para o estrelato. Ganhou o Oscar de Melhor Filme, e CHARLTON HESTON (1923 - 2008. St. Helen, Michigan / EUA) seguiu a caminho de uma das carreiras cinematográficas mais memoráveis. Quatro anos depois, o mesmo diretor e o ator se reuniriam em “Os Dez Mandamentos”, épico bíblico que o colocou na vanguarda dos protagonistas. Segundo consta, o veterano realizador Cecil B. DeMille o escolheu porque o achou semelhante a escultura de Moisés feita por Michelangelo. Nunca mais foi esquecido, brilhando em inúmeros outros êxitos.
 
De ativismo conservador, destoava numa Hollywood que nunca escondeu as suas simpatias comunistas. Tornou-se defensor do porte de armas, bandeira que abraçou com fervor. Contra o aborto, exaltava a família, os bons costumes e os direitos dos artistas. Ele foi muito além de um homem comum. Foi Ben-Hur, o indômito judeu que conduziu seu povo a se rebelar contra os conquistadores romanos no filme homônimo. Foi El Cid, o comandante da resistência espanhola contra os invasores mouros, no filme com o mesmo nome do herói. Incorporou, ainda, Moisés, que conduziu os escravos a se libertarem do reino tirano do Egito, na refilmagem de “Os Dez Mandamentos”, e pintou a Capela Sistina, como Michelangelo, em meio a diferenças artísticas com o Papa, em “Agonia e Êxtase”. CHARLTON HESTON foi mais do que um herói do cinema, mais do que um ator de épicos, foi um astro épico! Atlético, determinado, leal e corajoso. “Uma figura heroica incomum no cinema norte-americano”, disse seu agente Michael Levine.
 
heston em el cid
Defendia causas relacionadas com os direitos humanos desde os anos 60, quando apoiou Martin Luther King, a quem chamava de
“um Moisés do século XX”, tendo participado da histórica Marcha de 1963, em Washington, junto com Burt Lancaster, Marlon Brando, Sidney Poitier e Bob Dylan, mostrando uma faixa onde se lia “Todos os homens nascem iguais”. Republicano, bateu boca via imprensa com colegas esquerdistas, entre eles Barbra Streisand, Paul Newman, Robert De Niro, Rod Steiger e Jack Nicholson. Defensor da Segunda Emenda da Constituição, serviu como presidente da Associação Nacional de Rifles (NRA) por cinco vezes, o que resultou no ódio dos vermelhos de Hollywood, para quem ele era a própria encarnação do mal (George Clooney chegou ao absurdo de fazer deboche quando soube que o ator sofria de Alzheimer). Além de lutar pela liberdade de expressão, era opositor ferrenho dos malditos dogmas politicamente corretos.

 
Fez campanha intensa para os candidatos presidenciais de direita Ronald Reagan (1984), George Bush (1988) e George W. Bush (2000). Possuía uma coleção de mais de 400 armas modernas e antigas. Oponente do aborto, participou da introdução em um documentário antiaborto “Eclipse of Reason” (1987), de Bernard Nathanson. Em 2003, recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade. Numa era tão escassa de artistas defensores da liberdade, nunca é demais homenageá-lo recordando sua gloriosa trajetória. Garoto tímido e com poucos amigos, passou a juventude em uma cidade do interior de Michigan. A família mudou-se para os subúrbios de Chicago, onde ele fez parte do grupo de teatro da sua escola. Gostava de fingir ser outras pessoas, resultando em uma bolsa de estudos para um curso de arte dramática na North Western University, onde conheceu Lydia Clarke, com quem se casou em 1944, e logo seguiram para a Broadway, depois dele servir na Força Aérea na Segunda Guerra Mundial.
 
heston e o oscar em 1960
Sua estreia no teatro foi em
“Antônio e Cleópatra”, de William Shakespeare, na companhia de Katharine Cornell, em 1947. A peça foi um sucesso, seguindo-se papéis principais em “Leaf and Bough” e “Design for a Stained Glass Window”. No início dos anos 50, quando a televisão transmitia regularmente dramas clássicos, apareceu em “Macbeth”, “A Megera Domada”, “Servidão Humana”, “Jane Eyre” e “O Morro dos Ventos Uivantes”. Tinha no currículo apenas um filme, “Peer Gynt”, produção independente de 1941, quando os letreiros de Hollywood se iluminaram para ele. O produtor Hal B. Wallis o viu em “Jane Eyre” e o convidou para “Cidade Negra / Dark City” (1950), thriller noir de William Dieterle. Recusou o papel que terminaria sendo de Gary Cooper em “Matar ou Morrer / High Noon” (1952) e de contracenar com Marilyn Monroe na comédia “Adorável Pecadora / Let`s Make Love” (1960) para ser dirigido em uma montagem teatral de Sir Laurence Olivier. Protagonizou o clássico “Ben-Hur” depois que o ateu Burt Lancaster desistiu do cobiçado papel por não querer promover o catolicismo.

 
Muitas maldades foram faladas na mídia socialista na tentativa de macular sua imagem, simplesmente por sua defesa do direito do cidadão em portar armas. No documentário “Tiros em Columbine / Bowling for Columbine” (2002), denunciando o uso de armas, o vigarista Michael Moore tentou constranger CHARLTON HESTON em sua própria casa. Na época, o ator idoso já sofria os primeiros sintomas do Alzheimer. O diretor democrata, numa suja armadilha, procurou provocá-lo falando sobre a morte de uma menina por causa de uma arma. O ator se levantou e abandonou a entrevista. Embora o astro conservador e o democrata Kirk Douglas divergissem na política eram amigos muito próximos. Douglas declarou que nunca perdoaria Michael Moore pela maneira desumana como tratou seu amigo. Clint Eastwood, republicano e defensor das armas, enviou uma mensagem a Moore: “Se você chegar perto da porta da minha casa, eu o mato”.
 
Entre um filme e outro, ele encontrou tempo para continuar sua carreira no palco estrelando “O Homem que Não Vendeu sua Alma”, de Robert Bolt; “As Bruxas de Salem”, de Arthur Miller; “Macbeth”, com Vanessa Redgrave; “Longa Jornada Noite Adentro”, com Deborah Kerr; “O Mistério do Forte Vermelho”, “Chaga de Fogo” e “A Nave da Revolta”. Seu último papel no teatro foi ao lado da esposa em “Cartas de Amor”, em Londres, 1999. CHARLTON HESTON trabalhou em prol das artes. Presidente do conselho do Center Theatre Group em Los Angeles e membro do Conselho Nacional de Artes, presidiu por sete mandatos o Screen Actors Guild. Presidente do American Film Institute, foi escolhido pelo presidente Ronald Reagan para co-presidir a Força-Tarefa da Casa Branca para Artes e Humanidades. Em 1967, recebeu o Prêmio Cecil B. DeMille no Globo de Ouro. Dez anos depois, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas o homenageou com o Prêmio Jean Hersholt por suas atividades humanitárias.

margaret thatcher, reagan e heston
Entre todos os seus filmes, considerava o faroeste
“...E o Bravo Ficou Só / Will Penny” (1967) o seu preferido e “Catástrofe nas Selvas / The Call of the Wild” (1972) seu pior filme. Dos diretores com quem trabalhou, gostou principalmente da experiência com Orson Welles. “Welles é um dos poucos talentos autênticos no ramo”, afirmou. Laurence Olivier, Gregory Peck e Burgess Meredith eram seus atores favoritos e Susan Hayward, Ingrid Bergman, Judith Anderson e Viveca Lindfors as atrizes que mais admirava: “Todas elas profissionais de ponta – e sem frescuras”. Gostava de música clássica. Leitor voraz por natureza, costumava pesquisar as figuras históricas que frequentemente interpretava e os períodos que seus filmes refletiam. Recusou o papel do delegado de polícia Martin Brody em “Tubarão / Jaws” (1975). Descartou também “A Profecia / The Omen” (1976) e a comédia de Steven Spielberg “1941: Uma Guerra Muito Louca / 1941 (1979), por considerar que insultava os veteranos da Segunda Guerra Mundial.

 
Nos anos 80 e 90, trabalhou mais em teatro e na TV, com participações especiais em séries, documentários e filmes. Sua derradeira atuação no cinema foi em 2003, no brasileiro “Meu Pai / My Father, Rua Alguem 5555”. Os últimos anos de vida de CHARLTON HESTON foram marcados pelo mal de Alzheimer. Faleceu no dia 8 de abril de 2008, em sua casa, em Beverly Hills, Los Angeles. Além da esposa, com quem foi casado por 64 anos, deixou dois filhos e três netos. Um dos filhos, Fraser Clarke Heston, é diretor de filmes e atuou como Moisés bebê em “Os Dez Mandamentos”. O seu funeral contou com centenas de pessoas, incluindo a ex-primeira-dama Nancy Reagan, Arnold Schwarzenegger, Olivia de Havilland, Pat Boone, Tom Selleck e Oliver Stone.
heston e a esposa lydia
FONTES
“Charlton Heston: an Incredible Life” (2008)
de Michelle Bernier
 
“Charlton Heston: Hollywood's Last Icon” (2017)
de Marc Eliot
 
“In the Arena: an Autobiography” (1995)
de Charlton Heston
 
john derek, heston e vincent price em os dez mandamentos
TREZE FILMES de CHARLTON HESTON
(por ordem de preferência)
 
01
BEN-HUR
(Idem, 1959)

direção de William Wyler
elenco: Jack Hawkins, Stephen Boyd, Haya Harareet,
Hugh Griffith, Martha Scott, Cathy O´Donnell,
Sam Jaffe e Frank Thring
 
Oscar de Melhor Ator
David Di Donatello de Melhor Ator Estrangeiro
 
02
A MARCA da MALDADE
(Touch of Evil, 1958)

direção de Orson Welles
elenco: Orson Welles, Janet Leigh, Marlene Dietrich,
Joseph Calleia, Akim Tamiroff e Zsa Zsa Gabor
 
03
Os DEZ MANDAMENTOS
(The Ten Commandments, 1956)

direção de Cecil B. DeMille
elenco: Yul Brynner, Anne Baxter, Edward G. Robinson,
Yvonne De Carlo, Debra Paget, John Derek,
Cedric Hardwicke, Nina Foch, Martha Scott,
Judith Anderson e Vincent Price
 
04
Da TERRA NASCEM os HOMENS
(The Big Country, 1958)

direção de William Wyler
elenco: Gregory Peck, Jean Simmons, Carroll Baker,
Burl Ives e Charles Bickford
 
05
EL CID
(Idem, 1961)

direção de Anthony Mann
elenco: Sophia Loren, Raf Vallone, Geneviève Page,
Hurd Hatfield e Frank Thring
 
06
FÚRIA do DESEJO
(Ruby Gentry, 1952)

direção de King Vidor
elenco: Jennifer Jones, Karl Malden
e Josephine Hutchinson
 
07
O ÚLTIMO GUERREIRO
(Arrowhead, 1953)

direção de Charles Marquis Warren
elenco: Jack Palance, Katy Jurado e Brian Keith
 
08
TRÁGICA EMBOSCADA
(The Savage, 1952)

direção de George Marshall
elenco: Susan Morrow
 
09
O MAIOR ESPETÁCULO da TERRA
(The Greatest Show on Earth, 1952)
 

direção de Cecil B. DeMille
elenco: James Stewart, Betty Hutton, Cornel Wilde,
Dorothy Lamour, Gloria Grahame e Henry Wilcoxon
 
10
O PLANETA dos MACACOS
(Planet of the Apes, 1968)

direção de Franklin J. Schaffner
elenco: Roddy McDowall, Kim Hunter, Maurice Evans,
James Whitmore e Linda Harrison
 
11
No MUNDO de 2020
(Soylent Green, 1973)

direção de Richard Fleischer
elenco: Edward G. Robinson, Leigh Taylor-Young
e Joseph Cotten
 
12
AGONIA e ÊXTASE
(The Agony and the Ecstasy, 1965)

direção de Carol Reed
elenco: Rex Harrison, Diane Cilento, Harry Andrews,
Adolfo Celi e Tomas Milian
 
13
HAMLET
(Idem, 1996)

direção de Kenneth Branagh
elenco: Kenneth Branagh, Julie Christie, Derek Jacobi,
Kate Winslet, Richard Attenborough, Judi Dench,
e Gérard Depardieu
 
heston em ben-hur
“Charlton é o ator ideal para o épico. Além de seus atributos físicos, ele pode manejar um cavalo, uma espada, uma carruagem, uma lança, qualquer coisa, como se tivesse sido feito para isso. Ele é incrível. Coloque uma toga nele e ele ficará perfeito.”

ANTHONY MANN
diretor de “El Cid”
    
GALERIA de FOTOS
 
heston e o presidente dos EUA ronald reagan