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agosto 18, 2026

******** O MUNDO MARAVILHOSO de WALT DISNEY

“a dama e o vagabundo
 


Se você pode sonhar, pode realizar.
 
Quando acreditar em algo, 
acredite nisso por todo o caminho, 
de maneira implícita e inquestionável.
WALT DISNEY
Pioneiro do cinema de animação, fundador da The Walt Disney Company e ativista político de direita, WALTER ELIAS DISNEY (1901 – 1966. Marceline, Missouri / EUA) criou ícones como o Mickey Mouse, produziu a animação clássica “Branca de Neve e os Sete Anões” e idealizou os parques Disneylândia e Walt Disney World. Aos 7 anos de idade, na fazenda da família, já se inspirava em animais domésticos para desenhar. Recebia incentivos da mãe, uma professora, mas era pelo pai duramente recriminado. Em 1918, na Primeira Guerra Mundial, alistou-se no exército, mas não foi aceito por ser menor de idade. Então tentou a Cruz Vermelha, onde dirigiu ambulâncias. Ao mesmo tempo, trabalhava criando pôsteres para as Forças Armadas dos EUA. Assim que voltou à terra natal, com apenas 19 anos,  para sobreviver vendia desenhos dos personagens que ilustrava desde a infância. Em 1920, fundou uma pequena empresa, cuja sede era em um celeiro. Em tal lugar, havia apenas uma mesa onde criava sua arte mágica.

A empresa durou apenas um mês, mas traçou o rumo que ele seguiria. O artista tentou várias vezes inovar, promover reinaugurações, porém os seus projetos eram seguidos de falência. Assim, aos 22 anos, fechou definitivamente a sua companhia. Após o fracasso inicial, tentou ser ator, trabalhou como fotógrafo e pensou inclusive em se tornar diretor de filmes. Além disso, terminou sendo demitido por um editor de jornal, que o julgava preguiçoso e sem nenhuma chama criativa. Enquanto isso, pressionado pela família para encontrar um emprego, continuou acreditando em seus sonhos e na sua arte. Mesmo trabalhando com entusiasmo, foi ficando sem dinheiro e se endividando. Nesse período, conseguiu uma vaga como aprendiz de desenhista em um estúdio publicitário, onde conheceu Ub Iwerks, seu futuro sócio. Para se inspirar, assistia no cinema aos desenhos do Gato Félix. Trabalhando na Kansas City Film Company aprendeu técnicas de animação e com outros artistas produziu seu primeiro filme, Chapeuzinho Vermelho.

Com o amigo e desenhista Ub Iwerks, inaugurou a Laugh-O-Grams Films, mudando-se para Los Angeles e produzindo a série
“Alice na Terra do Desenho Animado / Alice in Cartoonl”. Ajudado pelo irmão Roy, fundou a Disney Brothers Production, que mais tarde viria a se chamar The Walt Disney Studio. Em 1925, casou-se com Lillian Bounde, colorista do seu estúdio, e , com um empréstimo, abriu a Disney Brothers Cartoon Studio. Nos dois anos seguintes seu grupo bateu recordes, entregando um curta-metragem a cada 15 dias. No ano de 1927, na Universal, criou seu primeiro personagem de destaque: o coelho Oswald. O projeto foi um grande sucesso, mas ele foi passado pra trás, já que a empresa que custeou o personagem ficou com os direitos. WALT DISNEY voltou à estaca zero. Sem dinheiro e traído por parte da sua equipe, não se lamentou, lançando a criação que marcaria o mundo do entretenimento para sempre: Mortimer, um rato esperto e honesto, conhecido depois como Mickey Mouse.

Somente o quarto filme do Mickey emplacou o personagem e despertou o interesse das distribuidoras. Seus funcionários achavam que ele estava louco, mas em 1928 Mickey Mouse foi apresentado ao público antes do filme em cartaz. Como diferencial, os sons sincronizados ao desenho, algo nunca feito. Mickey Mouse se tornou um verdadeiro fenômeno, todos queriam comprar um de seus bonecos e WALT DISNEY se destacou como a primeira celebridade oriunda do universo da animação. A partir desse momento, o seu êxito conquistou uma escalada vertiginosa. Nem a Grande Depressão de 1929 abalou o seu empreendimento. Na época, produziu em Technicolor
“Flowers and Trees”, primeiro desenho com cores, e lançou novos personagens: Horácio, Ferdinando e a vaca Clarabela. Em 1934, o Pato Donald aparece em “A Galinha Sábia”. Nesse mesmo ano, as primeiras tiras diárias do carismático Mickey Mouse são publicadas no Brasil.

Um mago da criatividade e amante dos desafios, ele resolveu inovar mais uma vez. Propôs algo que nunca havia sido feito antes: uma animação com a duração de um longa-metragem. Mais do que isso, uma animação como atração principal em cartaz. Foram meses de produção e um investimento altíssimo, mais de 1,5 milhão de dólares. “Branca de Neve e os Sete Anões” estreou no dia 10 de janeiro de 1938, sendo um de seus melhores investimentos. A produção arrecadou 8 milhões de dólares, ganhou um Oscar e revolucionou a indústria de animação. Na Segunda Guerra Mundial, WALT DISNEY foi convidado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos para criar desenhos animados que seriam utilizados em treinamentos militares. Ele gostou tanto da ideia, que passou a produzir filmes de propaganda militar, empregando neles seus personagens mais conhecidos. Orçado em US$ 2 milhões, a seguir estreou “Fantasia”, um longa animado com direção musical do maestro Leopold Stokówsky e na trilha músicas de Bach, Dukas, Tchaicovsky, Stravinsky, Beethoven, Ponchelli, Schubert e Moussorgsky.

Conservador convicto, a atuação política de WALT DISNEY foi marcada pelo anticomunismo ferrenho e pela repulsa a sindicatos. Ele testemunhou no Comitê de Atividades Antiamericanas contra os comunistas em Hollywood e apoiou a diplomacia cultural dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial. Alinhado ao Partido Republicano, tornou-se um doador generoso e discursou publicamente a favor do candidato de direita Thomas E. Dewey contra Roosevelt em 1944. Buscou fundos para a campanha de Eisenhower. Seu estúdio produziu o primeiro comercial de TV animado para uma campanha presidencial na história dos EUA. Junto com outros magnatas (como o cineasta Cecil B. DeMille), financiou comitês para fortalecer a direita dentro da indústria da meca do cinema. Na eleição presidencial de 1964, apoiou o senador conservador Barry Goldwater. Ele manteve proximidade com Richard Nixon e participou do grupo de líderes empresariais da Califórnia que impulsionou o início da carreira política do ator Ronald Reagan, que viria a ser governador e, posteriormente, presidente dos EUA.

Em 1941 
WALT DISNEY visitou o Brasil, Chile, Argentina e Peru a pedido do governo norte-americano. Esteve em Belém, no Rio de Janeiro, e conheceu o cartunista J. Carlos, que serviria de inspiração para a criação do Zé Carioca. O papagaio debutou em “Alô, Amigos” (1942), como o cicerone do Pato Donald em uma visita do personagem ao Rio de Janeiro. O filme foi responsável pela popularização de Aquarela do Brasil” (Ari Barroso) e “Tico-tico no Fubá” (Zequinha de Abreu) no exterior. Usando o material de sua viagem ao Brasil, lançou “Você Já Foi à Bahia?” (1944), com participação de Zé Carioca, Panchito e Pato Donald. A seguir, Carl Barks criou Patinhas, o tio milionário do Pato Donald, e a Editora Abril publicou a primeira revista do Pato Donald no Brasil. Apresentava também Zé Carioca, sua garota Rosinha e o amigo Nestor. Na mesma década, WALT DISNEY foi pai duas filhas: Diane e Sharon. Era apaixonado por elas e as levava com frequência em parques de diversões, porém, uma coisa o incomodava: como regra, as crianças brincavam separadas dos adultos.

Ele imaginou - projetando na cabeça - um lugar onde adultos e crianças pudessem se divertir juntos.
“Afinal de contas, os adultos são apenas crianças crescidas”, costumava repetir. Essa ideia foi crescendo e se desenvolvendo em sua mente, mas precisava encontrar um meio para financiá-la. Para conseguir o dinheiro que lhe permitisse concretizar o empreendimento, fez parceria com uma emissora de TV, trocando um empréstimo de 5 milhões de dólares por um programa de TV dominical baseado em temas dos personagens da Disney, que ele mesmo apresentaria. “O Clube do Mickey” tornou-se um dos programas infantis de maior sucesso da história da televisão. Logo depois, o primeiro parque foi inaugurado, em 17 de julho de 1955, na Califórnia. Além de contar com uma variedade de brinquedos para crianças e acompanhantes, disponibilizava um castelo em tamanho real, o Castelo da Bela Adormecida. No entanto, a inauguração foi trágica. O parque tinha capacidade para 12 mil pessoas, mas devido a publicidade, muitos apareceram com ingressos falsos, totalizando 30 mil visitantes.

Para piorar a situação, faltou água na Califórnia, e foi preciso decidir se o pouco que se tinha armazenado seria utilizado nos banheiros ou nos bebedouros. Escolheu-se os banheiros, mas estava em torno de 38º C e muitos passaram mal. Com o calor implacável, o asfalto derreteu e grudou nos sapatos dos convidados. Conhecida como
“Black Sunday”, a inauguração malsucedida não evitou o sucesso da Disneylândia, inclusive se somando no desenvolvimento da cidade, com várias empresas nascidas a sua volta, impedindo a expansão do parque. Querendo aumentá-lo, WALT DISNEY procurou um novo espaço, encontrando-o na Flórida, em Orlando, composta de fazendas de laranjas. Por fim, adquiriu 100 Km² de terras. O gênio da animação faleceu em 1966, vítima de um câncer do pulmão, pois fumava compulsivamente. Seu irmão, Roy Disney, continuou o projeto, inaugurando a Walt Disney World em 1971. Atualmente, seis parques em vários países levam diversão à 150 milhões de pessoas por ano.


DEZ PERSONAGENS de WALT DISNEY
 
01
HUGUINHO, ZEZINHO e LUIZINHO

estreia: em outubro de 1937, em uma tira dominical de jornal, e logo a seguir, em 1938, no curta-metragem “Os Sobrinhos do Donald”. 
características: trigêmeos, aventureiros, diferenciados visualmente pelas cores de suas roupas e bonés (Huguinho veste vermelho, Zezinho veste azul e Luisinho veste verde). 
destaque: travessos e astutos, atormentam o tio Pato Donald.
 
02
IRMÃOS METRALHA

estreia: apareceram em 1951 nos quadrinhos “O Terror dos Irmãos Metralha”. 
características: usam máscaras pretas ao redor dos olhos, blusas vermelhas com números de prisioneiros no peito, calças azuis e são quase idênticos. 
destaque: são conhecidos por planejar grandes roubos mirabolantes, que sempre falham por causa de azar, incompetência ou interferência dos sobrinhos do Pato Donald.
 
03
MAGA PATALÓGICA

estreia: em dezembro de 1961, na HQ de Tio Patinhas intitulada “O Toque de Midas”. 
características: uma pata de cabelos longos e negros, inspirada visualmente no charme de atrizes clássicas do cinema italiano e em traços góticos. 
destaque: habilidade de usar feitiços, poções, teletransporte e a famosa arte dos disfarces. É auxiliada por Madame Mim e o corvo de estimação Laércio.
 
04
MANCHA NEGRA

estreia: estreou em 1939 na história “Mickey Mouse contra o Mancha Negra”. 
características: usa um lençol ou capa preta encapuzada que o cobre por completo, parecendo uma mancha viva de tinta. 
destaque: é um mestre do crime extremamente inteligente, calculista e arrogante.
 
05
MARGARIDA

estreia: em 1937, no desenho “Don Donald”. 
características: charmosa e inteligente. 
destaque: vaidosa e muito feminina, ela costuma provocar ciúmes no Pato Donald, seu namorado, mas não vive sem ele.
 
06
MICKEY MOUSE

estreia: em 1928, no desenho “Steamboat Willie”. 
características: amigo, educado, ingênuo e xereta. 
destaque: estrelou mais de 120 desenhos animados. Também foi apresentador de um programa de TV nos anos 50 chamado “O Clube do Mickey”.
 
07
PATETA

estreia: em 1932, no desenho “Mickey's Revue”. 
características: ingênuo e bom caráter. 
destaque: é um cachorro com comportamento humano.
 
08
PATO DONALD

estreia: em 1934, no desenho “The Wise Little Hen”. 
Características: nervoso e bondoso. 
destaque: é um dos personagens mais simpáticos da Disney. Tem um jeito de falar engraçado e quase sempre se dá mal nas histórias.
 
09
TIO PATINHAS

estreia: surgiu em dezembro de 1947 na história em quadrinhos “Natal nas Montanhas”. 
características: o pato mais rico do mundo, ranzinza e antissocial, mora em uma mansão. Extremamente avarento, implacável nos negócios, mas dotado de ética. 
destaque: ele evoluiu de um coadjuvante para protagonista de várias mídias. Em março de 1952 ganhou revista própria, consolidando sua origem e personalidade definitiva. Costumava nadar dentro de sua enorme pilha de moedas de ouro numa Caixa-Forte.
 
10
ZÉ CARIOCA

estreia: sua primeira aparição foi em um filme chamado “Alô, Amigos”, em 1942. 
características: malandro, simpático, dá jeitinho em tudo e adora feijoada. 
destaque: criado por Walt Disney para homenagear nosso país. Ele ficou famoso com o filme “Você já foi à Bahia?”, de 1944, em que convida o Pato Donald a visitar o Brasil. Como guia, mostra belezas naturais e ensina que a melhor coisa por aqui é o samba.
DEZ FILMES de ANIMAÇÃO de WALT DISNEY
 
01
BRANCA de NEVE e os SETE ANÕES
(Snow White and the Seven Dwarfs, 1937) 

02
PINÓQUIO
(Pinocchio, 1940) 

03
FANTASIA
(Idem, 1940) 

04
CINDERELA
(Cinderella, 1950)

05
ALICE no PAÍS das MARAVILHAS
(Alice in Wonderland, 1951)

06
PETER PAN
(Idem, 1953)

07
A DAMA e o VAGABUNDO
(Lady and the Tramp, 1955)

08
101 DÁLMATAS
(One Hundred and One Dalmatians, 1961) 

09
MOGLI – o MENINO LOBO
(The Jungle Book, 1967)

10
O REI LEÃO
(The Lion King, 1994)


DEZ FILMES com ATORES de WALT DISNEY
 
01
A CANÇÃO do SUL
(Song of the South, 1946)

direção de Harve Foster e Wilfred Jackson
elenco: Ruth Warrick, Bobby Driscoll, James Baskett,
Luana Patten, Lucile Watson e Hattie McDaniel


02
20.000 LÉGUAS SUBMARINAS
(20,000 Leagues Under the Sea, 1954)

direção de Richard Fleischer
elenco: Kirk Douglas, James Mason, Paul Lukas
e Peter Lorre


03
A CIDADELA dos ROBINSON
(Swiss Family Robinson, 1960)

direção de Ken Annakin
elenco: John Mills, Dorothy McGuire, James MacArthur,
Janet Munro, Sessue Hayakawa e Cecil Parker


04
POLLYANNA
(Idem, 1960)

direção de David Swift
elenco: Hayley Mills, Jane Wyman, Richard Egan,
Karl Malden, Nancy Olson, Adolphe Menjou,
Donald Crisp, Agnes Moorehead e James Drury


05
O SEGREDO das ESMERALDAS NEGRAS
(The Moon-Spinners, 1964)

direção de James Neilson
elenco: Hayley Mills, Eli Wallach, Peter McEnery,
Joan Greenwood, Irene Papas e Pola Negri


06
MARY POPPINS
(Idem, 1964)

direção de Robert Stevenson
elenco:  Julie Andrews, Dick Van Dyke, David Tomlinson,
Glynis Johns, Hermione Baddeley, Elsa Lanchester,
Reginald Owen, Ed Wynn e Jane Darwell


07
AQUELE GATO DANADO
(That Darn Cat!, 1965)

direção de Robert Stevenson
elenco: Hayley Mills, Dean Jones, Dorothy Provine,
Roddy McDowall, Neville Brand, Elsa Lanchester,
William Demarest e Ed Wynn


08
QUANDO o CORAÇÃO NÃO ENVELHECE
(The Happiest Millionaire, 1967)

direção de Norman Tokar
elenco: Fred MacMurray, Greer Garson, Gladys Cooper,
Geraldine Page, Hermione Baddeley e Lesley Ann Warren


09
POPEYE
(Idem, 1980)

direção de Robert Altman
elenco: Robin Williams, Shelley Duvall, Ray Walston,
Paul Dooley, Paul L. Smith e Linda Hunt


10
Uma CILADA para ROGER RABBIT
(Who Framed Roger Rabbit, 1988)

direção de Robert Zemeckis
elenco: Bob Hoskins, Christopher Lloyd e Joanna Cassidy



FONTES
“A Árvore dos Sonhos – A Vida e Obra de Walt Disney” (2022)
de Maurício Nunes

“Segredos de Walt Disney”
(2010)
de Jim Korkis

“Walt Disney - O Triunfo da Imaginação Americana”
(2006)
de Neal Gabler



dezembro 20, 2025

********* ROBERT TAYLOR: BELO e CONSERVADOR

lana turner e robert taylor em 1941

 

Eu era louco por Bob Taylor....
Foi provavelmente uma das melhores
pessoas que eu conheci em toda a minha vida.
Era um bom ator. E foi o mais bonito de todos.
Ele era maravilhoso.
WILLIAM A. WELLMAN, diretor.

Eu me manifesto contra o comunismo
pela mesma razão que me manifestei
contra o nazismo: porque sou a favor
da liberdade e da decência.
ROBERT TAYLOR em 1951.

altura: 1,82 cm
olhos: azuis
cabelos: negros
apelidos: Arly, Bob, O Novo Rei
e O Homem com o Perfil Perfeito
Estrela da Metro-Goldwyn-Mayer por mais de vinte anos, foi um dos atores mais amados de Hollywood, popular entre o público e os colegas. Reconhecido como um dos galãs mais bonitos do cinema, seu pai era médico e sua mãe, uma dona de casa. Na adolescência, andava de pônei, teve aulas de violoncelo, participou de peças amadoras de teatro e venceu um concurso estadual de oratória. Em 1934, estudando música na Califórnia, foi descoberto por um agente da M-G-M, assinando um contrato de sete anos com o poderoso estúdio. Durante sua carreira, ROBERT TAYLOR (1911 – 1969. Filley, Nebraska / EUA) atuou em 72 filmes, sendo aclamado por longas românticos, de aventura e faroestes. Como ídolo das matinês, figurou como atração de bilheteria por três décadas. Recebeu um Globo de Ouro em 1954. Fora das telas, era politicamente de direita e detestava comunistas. Ávido amante da natureza, pescava no Rio Rogue, no Oregon, e caçava em Nebraska e Manitoba. Entre seus companheiros de caça, o escritor Ernest Hemingway e os atores Wallace Beery, Clark Gable e John Wayne.

Em seu primeiro filme, emprestado à 20th Century-Fox, atuou ao lado do lendário Will Rogers,
“O Prático Andy / Handy Andy” (1934). Após algumas participações menores, recebeu seu primeiro papel principal, novamente emprestado, desta vez para a Universal. O melodrama “Sublime Obsessão”, de 1935, estrelado por uma grande atriz, Irene Dunne, narra a história de um rapaz festeiro e despreocupado que, inadvertidamente, causa cegueira na jovem que deseja impressionar e, então, se torna médico para curá-la. Foi um estrondoso sucesso e o transformou em um astro da noite para o dia. Nos anos 1950, houve um remake ainda mais popular, “Sublime Obsessão / Magnificent Obsession” (1954), de Douglas Sirk, com Jane Wyman e Rock Hudson. No ano seguinte, ele protagonizou “A Dama das Camélias”, ao lado da diva Greta Garbo. Tornou-se um dos atores mais populares, recebendo cartas de fãs que superavam as do rei do cinema Clark Gable. Nos anos 1930, atuou em filmes de diferentes gêneros. A partir de 1940, mudou sua imagem de bom moço, aparecendo em personagens sombrios.

De beleza estonteante, e como acontecia com atores considerados “bonitos demais”, os críticos o viam de forma preconceituosa, como apenas um rosto bonito e não um ator genuíno (acusação feita também a seu contemporâneo, Tyrone Power, da Fox). Ele teve que suportar críticas injustas durante seus primeiros anos em Hollywood, mas era profissional – elogiado como um ator dedicado e de presença confiante e imponente – e não dava atenção a tais críticas, que ao longo dos anos desapareceriam. Após a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, fez dois filmes de guerra bem recebidos: “Às Portas do Inferno / Stand by for Action”, em 1942, e, no ano seguinte, interpretou um sargento durão em “A Patrulha de Bataan”. Patriota nato, se dedicou com fervor ao esforço de guerra, ingressando no Corpo Aéreo da Marinha dos EUA como tenente e tornando-se instrutor de voo, de 1943 a 1946. Durante esse período, estrelou e dirigiu 17 filmes de treinamento e narrou o documentário de 1944 “The Fighting Lady”, sobre a vida a bordo de um porta-aviões em tempos de guerra.

Ele tinha convicções políticas rígidas de direita. Conservador ferrenho, finalizada a guerra, se juntou à Motion Picture Alliance for the Preservation of American Ideals (Aliança Cinematográfica para a Preservação dos Ideais Americanos), fundada em 1944 por Sam Wood e Walt Disney, uma organização que exaltava o estilo tradicional de vida norte-americano e combatia a crescente onda de comunismo, nazismo, fascismo e crenças afins que buscavam, por meios subversivos, minar e mudar esse modo de sociedade familiar. Seus companheiros de ideologia incluíam Barbara Stanwyck, Ronald Reagan, John Wayne e Gary Cooper, entre dezenas de outros famosos. Durante o Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara dos Representantes (HUAC), criado em 1938 para investigar suspeitos de comunismo, ele foi convocado a depor como testemunha, já que tinha atuado em
“Canção da Rússia / Song of Russia” (1944). Ele citou três membros do Partido Comunista: os atores Howard Da Silva e Karen Morley, e o roteirista Lester Cole. Suas carreiras terminaram por ser afetadas e Cole foi preso.

Eterno cavalheiro, não se envolveu em escândalos, apesar dos breves e discretos casos com algumas estrelas durante seu primeiro casamento com a atriz Barbara Stanwyck.  Casou-se com ela em 1939. O casal namorava desde que atuaram em
“A Mulher de Meu Irmão / His Brother's Wife”, em 1936. Quando começaram a morar juntos, foram persuadidos a se casar legalmente por Louis B. Mayer, evitando fofocas e publicidade negativa. A primeira crise aconteceu em 1941, quando Bob teve um caso com Lana Turner, pedindo o divórcio. Descontrolada, Barbara cortou os pulsos, mas logo ele se arrependeu da infidelidade. Em 1944 o casamento novamente se abalou com o tórrido romance do galã com Ava Gardner. Superaram, mas seis anos depois ele a abandonou, deixando-a numa infelicidade que nunca cessou. Ela prometeu que não voltaria a se casar, e cumpriu a promessa. Citou ROBERT TAYLOR como o amor de sua vida. Após o divórcio, amargurada, leiloou a mansão do casal em Bel-Air, Los Angeles, com todo o conteúdo, e ficou com 15% dos rendimentos do ex-marido até a morte dele.

bob taylor e barbara stanwyck
Ao conhecê-lo, Barbara Stanwyck acabara de sair de um casamento traumático com o ator alcoólatra Frank Fay. Com ROBERT TAYLOR, foi amenizada pelo amor mútuo pela vida ao ar livre (eles frequentemente iam para o rancho dela no Vale de San Fernando), pela indiferença ao estrelato e pelas simpatias políticas conservadoras. Quatro anos mais velha que o marido, famosa desde 1929, ela o orientou para papéis mais vigorosos, incluindo o fora da lei em “Gentil Tirano / Billy the Kid”, de 1941, e o mafioso em “Estrada Proibida”, do mesmo ano. Durante a década de 1950, o ator protagonizou épicos de grande sucesso de bilheteria. Solteiro, se relacionou com Eleanor Parker, que fez três filmes com ele. Em 1954, casou-se com a bela alemã Ursula Thiess (seu melhor filme, Bandido / Idem, de 1956), que abandonou a carreira artística para cuidar da família, e tiveram dois filhos, um menino e uma menina. Nessa época, adquiriram um rancho na região de Brentwood, em Los Angeles, mais tarde conhecido como Rancho Robert Taylor, desfrutando de uma vida tranquila em contato com a natureza, longe dos holofotes de Hollywood.

Em 1954, ele foi eleito o astro mais popular pela Associação de Correspondentes da Imprensa Estrangeira de Hollywood. No entanto, após o êxito de
“Os Cavaleiros da Távola Redonda / Knights of the Round Table” (1953), a carreira de ROBERT TAYLOR entrou em declínio. Seu contrato com a M-G-M finalizou em 1958, e então ele migrou para a televisão, estrelando a série “The Detectives”, que foi um sucesso de audiência durante três anos. Quando seu amigo Ronald Reagan abandonou a carreira de ator para investir na política, ele assumiu seu lugar na série de televisão “Death Valley Days”, em 1966, permanecendo até sua morte em 1969. Fumante inveterado, morreu de câncer de pulmão com a idade de 57 anos. Reagan fez o elogio fúnebre. Barbara Stanwyck estava entre aqueles que compareceram ao funeral. Ele era extremamente querido em Hollywood. Joel McCrea e Clark Gable eram seus melhores amigos. Se sentindo abençoado por trabalhar na M-G-M, na época o principal estúdio do mundo, tinha “A Ponte de Waterloo” como seu filme favorito e Greta Garbo como a atriz mais admirável.
DEZ FILMES de ROBERT TAYLOR
(por ordem de preferência) 

01
A PONTE de WATERLOO
(Waterloo Bridge, 1940) 

direção de Mervyn LeRoy
elenco: Vivien Leigh, Lucile Watson, Maria Ouspenskaya
e C. Aubrey Smith

02
SUBLIME OBSESSÃO
(Magnificent Obsession, 1935) 

direção de John M. Stahl
elenco: Irene Dunne

03
A DAMA das CAMÉLIAS
(Camille, 1936) 

direção de George Cukor
elenco: Greta Garbo, Lionel Barrymore, Elizabeth Allan,
Jessie Ralph e Laura Hope Crews

04
QUO VADIS
(Idem, 1951) 

direção de Mervyn LeRoy
elenco: Deborah Kerr, Leo Genn, Peter Ustinov,
Patricia Laffan e Marina Berti

05
MURO de TREVAS
(High Wall, 1947) 

direção de Curtis Bernhardt
elenco: Audrey Totter e Herbert Marshall

06
ESTRADA PROIBIDA
(Johnny Eager, 1941) 

direção de Mervyn LeRoy
elenco: Lana Turner, Edward Arnold, Van Heflin
e Glenda Farrell

07
TRÊS CAMARADAS
(Three Comrades, 1938) 

direção de Frank Borzage
elenco: Margaret Sullavan, Franchot Tone, Robert Young,
Charley Grapewin e Monty Woolley

08
O CAMINHO do DIABO
(Devil's Doorway, 1950)

direção de Anthony Mann
elenco: Louis Calhern, Paula Raymond, Edgar Buchanan
e Spring Byington

09
A PATRULHA de BATAAN
(Bataan, 1943) 

direção de Tay Garnett
elenco: George Murphy, Lloyd Nolan, Thomas Mitchell,
Lee Bowman, Robert Walker e Desi Arnaz

10
FLOR dos TRÓPICOS
(Lady of the Tropics, 1939) 

direção de Jack Conway
elenco: Hedy Lamarr e Joseph Schildkraut
DEZ CO-ESTRELAS de ROBERT TAYLOR

AVA GARDNER
“Lábios que Escravizam / The Bribe” (1949)

BARBARA STANWYCK
“A Força do Coração / This Is My Affair” (1937)

DEBORAH KERR
“Quo Vadis” (1951)

ELIZABETH TAYLOR
“Traidor / Conspirator” (1949)

GRETA GARBO
“A Dama das Camélias” (1936)

HEDY LAMARR
“Flor dos Trópicos” (1939)

JEAN HARLOW
Seu Criado, Obrigado / Personal Property (1937) 

JOAN CRAWFORD
“De Mulher para Mulher / When Ladies Meet” (1941)

NORMA SHEARER
“Fuga / Escape” (1940)

VIVIEN LEIGH
“A Ponte de Waterloo” (1940)

DEPOIMENTOS

“Um ser humano quente, generoso e inteligente.”
AVA GARDNER, atriz.

“Quando se pensa em sua boa aparência extraordinária, ele tinha todo o direito de ser um pouco mimado, mas não Bob. Era despretensioso, de boa índole e tinha um maravilhoso senso de humor... Era um ator muito melhor do que recebeu crédito.”
DEBORAH KERR, atriz.

“Meu ator favorito. Ele era um cavalheiro. Isso é raro em Hollywood.”
GEORGE CUKOR, diretor.

“O cara mais legal do ramo do cinema... ele ficava longe de problemas, fazia seu trabalho e fazia isso bem. A equipe o amava.”
JOE PASTERNAK, produtor.

“Um verdadeiro cavalheiro e um artista mais fino do que ele admitiria para si mesmo ou para os outros. Era bem-educado, socialmente gentil e altamente inteligente. Norte-americano até o âmago, amava sua terra, mantinha a fé e procurou o melhor.”
LAWRENCE J. QUIRK, biógrafo.
“Bob é uma raridade. Realmente incrível. Além disso, ele é gentil, robusto e bonito, e isso é raro nos dias de hoje.”
RICHARD THORPE, diretor.

“Taylor era tão bonito que, como Tyrone Power, parecia quase feminino. Ele era o que poderia chamar de um homem bonito. Ele era uma pessoa maravilhosa. E um bom ator, também.”
ROBERT YOUNG, ator.

“Talvez cada um de nós tenha sua própria memória diferente de Bob, mas de alguma forma todos se somam ao ‘homem legal’.”
RONALD REAGAN, ator e presidente dos Estados Unidos.

“Ele foi o ator mais doce com quem trabalhei. Era cooperativo e compreensivo, ao contrário da maioria dos galãs de hoje, que tentam te empurrar para fora do alcance da câmera.”
SHELLEY WINTERS, atriz.

“Foi um dos grandes cavalheiros do mundo. Era sério, trabalhador e interessado. Apesar de sua boa aparência surpreendente, estava determinado a ser um bom ator, e não apenas uma estrela.”
TAY GARNETT, diretor.
FONTES
“The Films of Robert Taylor” (1975)
de Lawren”
de Lawrence J. Quirk

“The Life of Robert Taylor” (1987)
de Jane Ellen Wayne

“Relutant Witness: Robert Taylor, Hollywood, 
and Communism” (2008)
de Linda Alexander

“Robert Taylor: A Biography”
(2010)
 de Charles Tranberg

“Robert Taylor: Male Beauty, Masculinity, and 
Stardom in Hollywood” (2019)
de Gillian Kelly


GALERIA de FOTOS

JOHN WAYNE, um HERÓI de CINEMA