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outubro 11, 2025

************ A LEI do CACAU: SANGUE e LOUCURA


 

Olhe o sol. Vê meu sangue, minhas feridas,
meu lodo - é tudo teu. Te ofereço o que sou.
Não minha vida que não tem valor,
mas minha vontade de matar
que não tem preço.
OTHON BASTOS 
como Sete Vezes
 
Sob a inspiração do teatro da crueldade,
esta alegoria do desengano em terras
periféricas ganha um teor apocalíptico
muito próprio e agressivo.
ISMAIL XAVIER
(1947. Curitiba / Paraná)
“Os Deuses e os Mortos: Maldição dos Deuses
ou Maldição da História?” (1997)

 
 
Esquecido durante décadas, recordado por poucos, inclusive no próprio Sul da Bahia onde foi filmado, bonito pedaço de mundo onde nasci à sombra da Mata Atlântica e beirando o Rio Cachoeira, Os DEUSES e os MORTOS (1970) dialoga com as alegorias de Glauber Rocha, em um universo mágico-religioso exaltando o poder e a decadência, a violência e a insanidade, numa parábola sobre a ambição. Ouvi falar dele nos anos 80, em uma publicação da extinta Embrafilme. Tentei ansiosamente vê-lo, escrevendo ao seu diretor, Ruy Guerra, e ele respondeu que infelizmente seria impossível, não havia cópia à disposição, nem mesmo os produtores (um deles, o ator Paulo José, então casado com Dina Sfat, que faz parte do elenco) tinham os negativos. “É da maior importância e tem uma fotografia extraordinária de Dib Lutfi”, contou-me poucos anos depois Othon Bastos, o ator baiano protagonista desse faroeste tropical, como o classificou o jornal “The New York Times”, em 1972, tecendo conexão ao emblemático italiano “Três Homens em Conflito / Il Buono, il Brutto, il Cativo (1966), de Sergio Leone, com Clint Eastwood.
 
O roteiro escrito por Guerra, Flávio Império e Paulo José, centra-se na Bahia dos anos 1930, na disputa entre duas famílias tradicionais, os Santana da Terra e os D’Água Limpa, por matas para a plantação de cacau. Othon representa um forasteiro enigmático, sete vezes baleado, que após se recuperar da chacina, rude como os seus algozes, num sentimento de vingança, se intromete violentamente nesse conflito entre clãs de coronéis pela posse da terra e do cacau. Segundo o teórico Ismail Xavier, ele é “a figura suja, contaminada, que emerge como que da terra, trazendo no corpo as marcas de uma tradição local associada ao sangue, à lama”. Espécie de morto-vivo, esse papel bizarro foi fundamental na brilhante carreira de Othon Bastos, resultando em um trio de excelentes filmes que fez no Cinema Novo – os outros dois, “Deus o Diabo na Terra do Sol” (1964) e “São Bernardo” (1972). Escolhido para o seco personagem Sete Vezes, Walmor Chagas pegou hepatite e foi substituído em cima da hora por Othon, que na ocasião fazia a telenovela “Super Plá”, de Bráulio Pedroso, na Tupi.
 
Nos anos 70, em pleno Regime Militar aceito por milhões de brasileiros, multiplicaram-se os filmes nacionais. O cinema dito de esquerda alimentava-se das verbas públicas do Instituto Nacional de Cinema e, depois, na Embrafilme. Além de financiar a maior parte da nossa cinematografia, o governo federal distribuía os prêmios Coruja de Ouro – uma espécie de Oscar subdesenvolvido, com dinheiro e troféu. Muitos comunistas ganharam grana fácil, enquanto criticavam os milicos. Como acontece ainda hoje. Nessa mescla de paternalismo e mecenato, a glória do cinema oportunista. Somente em 1970 foram produzidos 82 filmes. O problema (o mesmo de hoje) era a exibição. Os artistas enchiam os bolsos e seus filmes toscos não eram lançados e, quando exibidos, ficavam uma ou duas semanas em cartaz, rejeitados pelo público. Fazendo turismo com o dinheiro do nossos impostos, eles corriam o mundo em festivais de cinema. Exatamente como em 2025. Nada de novo no front. Os DEUSES e os MORTOS se apresentou no Festival de Berlim, concorrendo ao Urso de Ouro (Melhor Filme) e provocando mal-estar.
 
“Causou impacto por causa da crueza. Tem uma cena em que muitas pessoas fechavam os olhos: o Nelson Xavier começa a escorregar e eu o amparo com uma navalha, cortando o seu corpo. Aquele ambiente, aquela sujeira da cidade. É muito épico, de grande força. Ele é um libelo tremendo. Na época, não houve protesto, nem vaia. Era de beleza extraordinária. Feito com amor, muita luta, numa época do auge do cinema”, recorda o ator principal. Cineasta de altos e baixos, Ruy Guerra deixou fitas ruins ao longo do caminho cinéfilo mundo afora, mas será lembrado por “Os Cafajestes” (1962), “Os Fuzis” (1964) e “A Queda” (1976). Dos 16 filmes que fez, “Os Fuzis” é o seu melhor momento. Depois de restaurado pela Cinemateca Brasileira, finalmente assisti Os DEUSES e os MORTOS, experimentando o passado grapiúna. Numa mistura de decadência e insanidade, a obra experimental, de um sincretismo sem contorno claro, reúne um elenco de primeira qualidade, o mestre Dib Lufti como diretor de fotografia e o mineiro Milton Nascimento na autoria da soturna trilha sonora de conotação litúrgica.
 
A música tema, mística e ritualista, “Matança do Porco, composta por Wagner Tiso, faz parte do álbum homônimo de estreia da banda Som Imaginário, daquele mesmo ano, e passaria para o repertório de Milton no disco “Milagre dos Peixes”, de 1973. O cantor também atua no longa-metragem, interpretando o pistoleiro Dim Dum. O elenco ainda inclui a participação especial do sambista Monsueto Menezes. Nos bastidores, diversos casos descontraídos: Milton trancado num quarto pelo cineasta até que compusesse o “Tema dos Deuses”. O roubo de um pato para a equipe esfomeada cozinhar. E, após fazer amizade com um dos figurantes, Milton ganhando para alegria de muitos um engradado de cachaça ruim. Na época, o tema da decadência de famílias ligadas à propriedade da terra ganhou relevo no cinema brasileiro. “Os Herdeiros” (Carlos Diegues, 1969) focaliza a crise dos barões do café; “A Casa Assassinada” (Paulo César Saraceni, 1971) traz a crônica patriarcal no interior de Minas Gerais, e “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (Glauber Rocha, 1969) inclui o declínio dos coronéis do sertão.
 
dina sfat
Inspirado em “Terras do Sem-fim” (1943), da fase cacaueira de Jorge Amado, Os DEUSES e os MORTOS retrata uma luta de interesses econômicos na zona dos cacauais. Uma corrida-do-ouro que atrai aventureiros, jagunços, sertanejos fugitivos da seca, prostitutas, vigaristas. Entre diálogos longos, um drama violento, com banhos de sangue, mortos no chão e pendurados nas árvores. Uma cultura sanguinária, cruel. Ruy Guerra inicialmente tentou filmar o romance amadiano, mas os direitos autorais estavam cedidos a um produtor norte-americano. Rodado em Itajuípe, Ilhéus e arredores, expõe o exótico nacional sob uma influência do barroco, vê-se como uma tripe psicodélica (em que muitos leram o esgotamento das fórmulas impopulares do próprio Cinema Novo), na qual se juntam uma audácia formal e político-poética. O crítico literário Antônio Houaiss o definiu como representante do neo-barroquismo (ao lado de “Azyllo Muito Louco”, 1970, de Nelson Pereira dos Santos; “Pindorama”, 1970, de Arnaldo Jabor; e “Prata Palomares”, 1972, de André Faria).
 
Em tom de quase fábula, o roteiro faz uso de metáforas para explicitar a luta do homem contra o sistema. O som místico, quase etéreo, combina com o enredo fantasmagórico. Como se personificasse as vozes e imagens da loucura, ao lado do rosto deformado do personagem de Othon Bastos e das cenas repulsivas de sangue e lama. Outro aspecto importante em Os DEUSES e os MORTOS é o notável trabalho de elenco, com poderosas performances de Bastos, Dina Sfat, Ítala Nandi, Norma Bengell e Nelson Xavier. Sfat, uma das maiores atrizes do cenário artístico tupiniquim, fez 19 filmes e morreu de câncer, aos 50 anos, em 1989. Norma Bengell, talvez a nossa maior estrela de cinema, está magnífica como sempre. Outro aspecto importante é o trabalho de fotografia de Dib Luft, numa sucessão de planos-sequência marcados pelos movimentos de câmara-na-mão, zanzando em torno das malditas figuras que entram e saem de tela. Destaque para a cena dos jagunços perfilados na praça, com armas, à espera do confronto. A seguir, esses lutadores agonizam. Tudo sangue, poeira e gemidos.
 
Como se vê, esse processo cinematográfico sanguinário de exploração de uma terra para o cultivo do cacau, não é um épico fácil, ou gostamos ou odiamos a experimentação estilística, não há meio termo. É de um tempo em que a arte cinematográfica nacional tinha personalidade, se arriscava sem limites, além da clonagem atual da pouco fértil dramaturgia televisiva. Adianto que o cinema nacional do presente me deixa entediado. Anda sem identidade, com artistas mirando verbas fáceis e o oportunista discurso militante da petezada. Os DEUSES e os MORTOS teve estreia nacional em Ilhéus, a 12 de dezembro de 1970, e lançamento, no Rio de Janeiro, a 30 de agosto de 1971, em bom circuito, mas fracassou retumbantemente na bilheteria. Na epifania turística, participou nos festivais de Cannes e Berlim, sendo definido pelo alemão Werner Herzog, com quem Ruy Guerra viria a trabalhar como ator dois anos depois em “Aguirre, a Cólera dos Deuses / Aguirre, der Zorn Gottes (1972), como um dos melhores filmes de todos os tempos. Exageros à parte, é uma criação que merece sem dúvida ser redescoberta.
 
 TEMA dos DEUSES
(Canção de Milton Nascimento)
DEPOIMENTOS
 
PAULO JOSÉ
(1937 – 2021. Lavras do Sul / Rio Grande do Sul)
produtor

“Ruy Guerra vinha de um filme muito cabeça e de pouco público, realizado na Europa, chamado ‘Sweet Hunters’. Queria fazer um filme que atraísse boa bilheteria. Começamos a conversar. Pensamos em algo como um western brasileiro. Nossas referências foram ‘Yojimbo’, de Akira Kurosawa, uma espécie de western japonês, com uma briga sem fim entre duas famílias, e o italiano ‘Por Um Punhado de Dólares’, que Sérgio Leone realizou a partir do filme de Kurosawa. Resolvemos ambientar nosso filme nas plantações de cacau do sul da Bahia. Claro que o romance ‘Terras do Sem-Fim’, do Jorge Amado, foi uma de nossas leituras. Concluído, o longa-metragem foi lançado comercialmente. O resultado de bilheteria foi um desastre. Ficou uma ou duas semanas em cartaz”
 
RUY GUERRA
(1931. Maputo / Moçambique)
diretor

“Esse filme é talvez o passo mais importante desde ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’ para definir uma realidade cultural, religiosa e humana do brasileiro, que não depende apenas do situacionismo econômico e histórico, que não se restringe ao enquadramento de uma condição tangível no mapa e no barômetro da história oficial. O comportamento mágico aferido ao personagem central do filme, o Sete Vezes, interpretado por Othon Bastos, está infinitamente ligado com o fato dele não ser caracterizado em termos de passado, presente ou futuro, o que desindividualiza, o torna atemporal e alegórico; o desejo impessoal do poder. E o tema fundamental do filme é exatamente a tomada do poder a qualquer custo. William Shakespeare foi praticamente o co-roteirista desse filme”.
 
OTHON BASTOS
(1933. Tucano / Bahia)
ator

“O meu personagem tem uma cicatriz, uma ferida no rosto, uma ferida enorme. Se eu fosse filmar às seis horas da manhã, eu acordava às três para a maquiadora fazer a maquiagem toda. A maquiagem fedia que era uma loucura. E eu tinha que ficar o dia inteiro com aquilo, e o Ruy tinha mania de pegar lama e ficar colocando por cima da ferida. A Norma Bengell não sabia que o meu personagem tinha essa ferida e eu tinha uma cena de amor com ela, em cima do cacau, da semente de cacau. Uma cena linda, shakespeariana. Quando eu vou beijá-la, ela não aguenta, quase vomita de nojo e do cheiro daquela coisa. Quando cortou, a Norma xingou o Ruy, me xingou. Mas vendo o filme era um negócio impactante e todo improvisado no sentido da interpretação.”
 
othon bastos como sete vezes
ORAÇÃO de SETE VEZES
 
Não tenho nome, o que pouco ou nada importa
andei nas aventuras do mundo, o que também não basta
Na cabala dos sete eu levei agora o chumbo
que guardo na carne, não por vontade minha ou de Deus
mas por vontade do mais forte que manda no fogo e na ferida
Para quem traz as mãos nuas de ferro e sangue as ideias
se perdem no som das palavras de protesto
Sete Vezes me chamo até onde pode a memória
e de sete caminhos vou chegar a destino
que não aceito e não nego
Das misérias engoli a lama, esterco, urina
Guardei o corpo e o pensamento imaculado
como uma vestal- agora basta
De meus dez dedos vou fazer outros caminhos de vitória
As tatuagens de sangue que me deram os poderosos
são os sinos de minha bandeira
Não quero saber o porque
Se a lei é o sangue e o jogo é o ouro,
no sangue e no ouro vou buscar resposta.

 
ítala nandi como sereno
Os DEUSES e os MORTOS
(1970)
 
país: Brasil
duração: 100 minutos
Cor
produção: César Thedim e Paulo José 
(Daga Filmes e Produções Cinematográficas / Grupo Filmes / 
C.C.F.B. - Companhia Cinematográfica de Filmes Brasileiros / 
Companhia Cinematográfica Vera Cruz)
direção: Ruy Guerra
roteiro: Ruy Guerra, Paulo José e Flávio Império
fotografia: Dib Lutfi
edição: Ruy Guerra e Sérgio Sanz
música: Milton Nascimento
cenografia e vestuário: Marcos Weinstock
elenco: 
Othon Bastos (“Sete Vezes”), Norma Bengell (“Soledade”), 
Rui Polanah (“Urbano”), Ítala Nandi (“Sereno”), Dina Sfat (“A Louca”), 
Nelson Xavier (“Valu”), Jorge Chaia (“Coronel Santana”), 
Vera Bocayuva (“Jura”), Fred Kleemann (“Homem de branco”),
 Vinícius Salvatore (“Cosme”), Mara Rúbia (“Prostituta”), 
Monsueto Menezes (“Meu Anjo”), Milton Nascimento (“Dim Dum”), 
Gilberto Sabóia (“Banqueiro”) e José Roberto Tavares (“Aurélio”).
 
nota: *** (bom)
 
Melhor Filme, Diretor, Fotografia, Cenografia, Trilha Sonora,
Ator (Othon Bastos), Atriz (Dina Sfat) no VI Festival de Brasília
Prêmio Governador do Estado de São Paulo
de Melhor Atriz (Ítala Nandi)
Coruja de Ouro de Melhor Atriz (Ítala Nandi),
Ator Coadjuvante (Nelson Xavier) e Atriz Coadjuvante (Mara Rúbia)
Melhor Filme no V Prêmio Air France de Cinema
Melhor Filme, Direção e Fotografia
no Festival de Grenoble, França.
 
elenco e diretor no festival de berlim
FONTES
“Alegorias do Subdesenvolvimento: Cinema Novo,
Tropicalismo, Cinema Marginal”
(2012)
de Ismail Xavier
 
“História Ilustrada dos Filmes Brasileiros: 1929-1988”
(1989)
de Salvyano Cavalcanti de Paiva
 
“Revolução do Cinema Novo”
(2004)
de Glauber Rocha
 
“Ruy Guerra: Paixão Escancarada”
(2017)
de Vavy Pacheco Borges
 
“Os Sonhos não Envelhecem”
(1996)
de Márcio Borges

 

ASSISTA Os DEUSES e os MORTOS
https://www.youtube.com/watch?v=v52K0VNUBjU
 
norma bengell como soledade
CINEMA BRASILEIRO neste BLOG
 
01
ANATOMIA de uma AGONIA MILITANTE
 
02
CARMEN MIRANDA: VIVENDO de ALEGRIA
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03
CINEMA BRASILEIRO: GRITOS e SILÊNCIOS
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04
CONDENSANDO RITA ASSEMANY
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05
DINA SFAT, à FLOR da PELE
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06
FLORINDA: do CEARÁ para o MUNDO
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07
GLAUBER ROCHA - os ÚLTIMOS DIAS de VIDA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2011/03/glauber-rocha-os-ultimos-dias-de-vida_11.html
 
08
GLAUCE ROCHA: ILUMINANDO o CINEMA NOVO
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2015/01/glauce-rocha-iluminando-o-cinema-novo.html
 
09
GRANDE OTELO: COMÉDIA e TRAGÉDIA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2016/01/grande-otelo-comedia-e-tragedia.html
 
10
 JORGE AMADO no CINEMA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2017/01/jorge-amado-no-cinema.html
 
11
MARÍLIA – TALENTO a TODA PROVA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2017/02/marilia-talento-toda-prova.html
 
12
MEMÓRIA BRASIL: NOSSO CINEMA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2025/02/memoria-brasil-nosso-cinema.html
 
13
NORMA BENGELL: O OCASO de uma MUSA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2012/10/norma-bengell-o-ocaso-de-uma-musa.html
 
14
PEQUENA HISTÓRIA do CINEMA BRASILEIRO
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2016/10/pequena-historia-do-cinema-brasileiro.html
 
15
REGIME MILITAR no BRASIL: FILMES
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2019/03/o-regime-militar-brasileiro-no-cinema.html
 
16
VERA CRUZ: AMBIÇÃO e DECLÍNIO
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2011/08/vera-cruz-ambicao-e-declinio.html
 
17
A VIDA e os FILMES da BELA TÔNIA CARRERO
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18
20 GRANDES ATORES do CINEMA BRASILEIRO
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GALERIA de FOTOS
 
   


fevereiro 28, 2025

***************** MEMÓRIA BRASIL: nosso CINEMA

“o dragão da maldade contra o santo guerreiro”

ao meu outro, invisível,
que, como eu, gosta de cinema.
 

O cinema brasileiro
é feito com dinheiro público.
Com o dinheiro de um curta
se faz quatro casas populares,
com o dinheiro de um longa
dá para fazer um hospital.
Cinema, no Brasil,
é feito para os ricos
com dinheiro dos pobres.
JORGE FURTADO
(1959. Porto Alegre / Rio Grande do Sul)
cineasta
 
Minha intenção é mergulhar
na realidade brasileira,
suas lutas e lendas,
para chegar a exprimir
a alma do meu povo
em toda sua complexidade.
GLAUBER ROCHA
(1939 – 1981. Vitória da Conquista / Bahia)
 
 
Vejo filmes desde que me entendo por gente e, ainda garoto, colecionava fotografias, cartazes, sinopses e fichas técnicas de longas nacionais e estrangeiros. Na condição de repórter e comentarista da sétima arte desde os anos 80, sempre estive interessado no CINEMA BRASILEIRO e procurei abordar, com justeza e imparcialidade, os seus problemas e êxitos, em artigos e entrevistas com atores e diretores. Entrevistei Marília Pêra, Walter Salles, Sônia Braga, Vera Fischer, Mário Gusmão, Luiz Carlos Vasconcelos, Rita Assemany, Edgard Navarro, entre outros, além de dezenas de atores e diretores estrangeiros. Escrevi sobre Glauber Rocha, Vera Cruz, Norma Bengell, Grande Otelo, Florinda Bolkan, Cinema Baiano, Cinema Novo, Regime Militar no Cinema, Dina Sfat, Othon Bastos, Leila Diniz, Darlene Glória, Odete Lara, Carmen Miranda etc. Durante doze anos, morando na Europa, cobri os festivais de Cannes, Veneza, Berlim, San Sebastian e os prêmios Goya. Portanto, o cinema está entranhado na minha existência. 
 
olga breno em “limite”
A referência mais antiga ao CINEMA BRASILEIRO data de 1898. O italiano Afonso Segreto, radicado no Brasil, a bordo do navio Brésil, retornava ao Rio de Janeiro após passar um período em Nova Iorque e Paris. Ele registrou imagens da Baía da Guanabara com uma câmera Lumière, que acabara de adquirir em Paris, ficando historicamente registradas como as primeiras filmagens no nosso país. Foi assim que tudo começou, e dentro do meu espírito de conhecer a história da evolução da sétima arte tupiniquim, no final de 2024 resolvi vê-lo de forma sistemática. Com formação cinéfila e longa experiência lidando com filmes, confesso que não esperava muito. Mas me surpreendi. Vi (ou revi) mais de 100 longas-metragens. De Humberto Mauro a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, do Cinema Novo a chamada Retomada. Nesse período, li sobre o tema em livros, revistas, jornais, portais e blogues. Analisei a lista dos melhores filmes da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), da Cinemateca Brasileira e da “Bravo”.
 
Algumas produções icônicas, embora curiosas, não me comoveram (e cinema é emoção!). Entre elas, “O Cangaceiro” (1953), “Rio 40 Graus” (1955), “Os Cafajestes” (1962), “O Bandido da Luz Vermelha” (1969), “Macunaíma” (1969), “A Culpa” (1971) e “A Queda” (1978). Assisti a todos os filmes produzidos na Vera Cruz. Do geral, evitei os musicais dos anos 30, chanchadas, pornochanchadas, o experimentalismo marginal da Boca do Lixo de São Paulo e Amácio Mazzaropi (vi apenas suas comédias dos anos 50). Já conhecia o Cinema Baiano, o Pernambucano e o impressionante e maldito durante décadas “Limite”, de 1931. Vi filmes brasileiros sem qualidades, e talvez os piores da safra tenham sido “As Duas Faces da Moeda” (1969), “Mãos Vazias” (1972), o último filme de Leila Diniz; “Eu Matei Lúcio Flávio” (1979) e “Quem Matou Pixote?” (1996). Desconstruí os cineastas Nelson Pereira dos Santos, Carlos Diegues, Paulo César Saraceni e Bruno Barreto. Eles acertaram uma ou duas vezes, o resto é de nível médio.

josette bertal e jose lewgoy em “amei um bicheiro”
Para  Glauber Rocha, “fazer cinema é fundamentalmente necessário quatro coisas: amor, inteligência, sensibilidade e sobretudo insolência”. A produção cinematográfica local chegou bem perto dessa receita nos anos 60, em pleno Regime Militar. Foi o momento mais significativo do CINEMA NACIONAL. No presente, contamos com talentosos técnicos e bons atores, mas a insignificância fílmica predomina. Não é um cinema verdadeiro. Há inanição criativa e oportunismo ideológico. Parece não ter nenhum complexo de ter tomado a telenovela como modelo. A maior parte dos filmes que se faz hoje no Brasil tem como aspiração e inspiração a TV, numa quase sempre telenovela concentrada. Acerta muito raramente. Resumindo, são milhões de reais do dinheiro público investidos em produções banais, que em sua maioria nem são exibidas em salas de cinema ou streaming, e em custos de viagens a festivais internacionais de cinema, dando boa vida a artistas.
 
Cerca de 200 filmes anuais enchem os bolsos desses oportunistas. Em 2020-2025 cresceu o número de FILMES BRASILEIROS, mas seu público sumiu sem dizer adeus. Calcula-se que apenas 20% entraram em cartaz. A maioria dos títulos nunca ouvimos falar: “A Morte Habita à Noite” (2020), “A Primeira Morte de Joana” (2021), “Mundo Novo (2021), “Sol (2021), o comunista “O Pastor e o Guerrilheiro” (2022), “Mato Seco em Chamas” (2023) etc. Essa série de filmes “invisíveis” tiveram patrocínio da Ancine e do Fundo Setorial do Audiovisual, ferramentas públicas e estatais. Conforme a OCA (Observatório Brasileiro de Cinema e do Audiovisual), da Ancine, foram 281 obras brasileiras exibidas nos cinemas em 2023 e 209 em 2024. Um festival de fracassos de crítica e de bilheteria. Somente 8,4% do público total optou por assistir a filmes nacionais. A maioria absoluta, formada por 91,6% da audiência, escolheu produções internacionais.

leonardo villar em a hora e a vez de augusto matraga
Segundo dados do Sistema de Controle de Bilheteria (SCB), liderou os três primeiros lugares do Top 10 dos filmes brasileiros de maior arrecadação em 2024-5: “Os Farofeiros 2”, “Minha Irmã e Eu” e “Nosso Lar 2 – Os Mensageiros”, mas não houve nenhum fenômeno

de bilheteria comparável a Os Dez Mandamentos - O Filme (2016), Nada a Perder(2018) ou Minha Mãe é uma Peça 3 (2019). Há anos nenhuma produção brasileira fica no Top 10 da bilheteria geral, nem mesmo “Ainda Estou Aqui”, que gastou 50 milhões de reais (dados da IstoÉ Dinheiro) na produção, e outra fortuna sigilosa em marketing mundial e campanha de premiações. Na pesquisa, vi fitas sensíveis como “O Menino e o Vento” (1967), de Carlos Hugo Christensen, ou “Antes, o Verão” (1968), de Gerson Tavares. Até a década de 1950, a cinematografia brasileira apresenta poucas obras significativas. Descartando as chanchadas da companhia carioca Cinédia (1930 - 1951) e da Atlântida Cinematográfica (1941 - 1962), apreciei filmes dignos do pioneiro Humberto Mauro. Da Vera Cruz (1949 - 1955), aplaudo o policial noir “Na Senda do Crime” (1954), de Flaminio Bollini Cerri. Nos anos 60, filmes fundamentais ganharam as telas, embora muitos deles estejam contaminados pelo esquerdismo-nacionalista.
 
As sessões domésticas resultaram na escolha de 25 FILMES BRASILEIROS significativos, visando estabelecer uma videoteca básica para cinéfilos. Diferentes fases e estilos encontram-se representados – o filme mudo, o movimento Cinema Novo e a Retomada –, dando prova de um cinema que aos trancos e barrancos supera obstáculos. A fita mais antiga da lista é a obra-prima “Limite”, único longa-metragem dirigido por Mario Peixoto, lançado em 1931 e provocando escândalo. Em primeiro lugar aparece “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), de Glauber Rocha, um dos filmes mais importantes do Cinema Novo. “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, de Roberto Santos, baseado no conto homônimo de João Guimarães Rosa, de 1965, fica na segunda posição. A obra mais recente listada é o realista “Carandiru” (2003). Destaco o caráter democrático do ranking e a especial ênfase dada a aquele que considero um dos maiores cineastas brasileiros: o baiano Glauber Rocha, com três produções entre as eleitas. Polêmico, incompreendido e premiado, buscou um cinema original e de vanguarda.
 
Alerto para a insatisfação que a lista pode causar em questões como posição de classificação e ausência de nomes emblemáticos. Como costumo dizer, toda lista é acima de tudo uma questão pessoal. Por fim, num todo, deixo o resumo para quem deseja entender a história dos 127 anos de produção de CINEMA no BRASIL, com seus diferentes momentos, propostas estéticas e abordagens temáticas. E com esta contribuição faço minha modesta homenagem a todos os diretores, roteiristas, atores e técnicos que, cada um a seu modo, difundiram e valorizaram a nossa cinematografia.
 
yoná magalhães em “deus e o diabo na terra do sol”

VINTE e CINCO FILMES NACIONAIS
(por ordem de preferência)
 
01
DEUS e o DIABO na TERRA do SOL (1964)

direção de Glauber Rocha

Copacabana Filmes
 
Manuel (Geraldo Del Rey), um vaqueiro que se revolta contra a exploração imposta pelo seu patrão, acaba matando-o em uma briga. Ele foge com sua esposa Rosa (Yoná Magalhães), juntando-se aos seguidores do beato Sebastião (Lídio Silva), que promete o fim de qualquer sofrimento, passando a ser perseguido por jagunços. Enquanto isso, Antônio das Mortes (Maurício do Valle), um matador de aluguel que presta serviço à Igreja Católica e aos latifundiários da região, extermina os seguidores do beato e caça o cangaceiro Corisco, o diabo louro (Othon Bastos, formidável). Causou impacto. Considerado um marco do Cinema Novo, lança mão de simbologias que apresentam as forças conflitantes no Nordeste empobrecido, imprimindo imagens de grande força visual.
 
02
A HORA e a VEZ de AUGUSTO MATRAGA (1965)

direção de Roberto Santos

Difilm / Luiz Carlos Barreto Produções Cinematográficas
 
Baseado num conto de João Guimarães Rosa do clássico “Sagarana”, Roberto Santos realiza o seu melhor filme, triunfo de crítica e de público. Um homem violento do interior de Minas Gerais, abandonado pela mulher e ferido numa emboscada por inimigos, faz-se passar por morto. Tocado pela religiosidade de seus modestos salvadores, sofre uma transformação mística. Leonardo Villar em extraordinário desempenho, secundado por Jofre Soares, Maria Ribeiro, Maurício do Valle e Flávio Migliaccio.
 
03
O PADRE e a MOÇA (1965)

direção de Joaquim Pedro de Andrade

Difilm
 
O documentarista Joaquim Pedro de Andrade estreando na ficção de longa-metragem, mostra sensibilidade. O roteiro baseou-se no poema de Carlos Drummond de Andrade, relatando a história de um jovem padre que descobre a força do amor numa bela e corajosa garota de pequena localidade, até serem ambos consumidos pelo sexo e a fúria de uma cidade escandalizada. Paulo José, Helena Ignez, Fauzi Arap e Mário Lago personificam os personagens centrais de modo avassalador e impecável.
 
04
Os FUZIS (1964)

direção de Ruy Guerra

Copacabana Filmes / Daga Filmes / Inbracine Filmes
 
Agrupamento de soldados se encontra face a uma população de flagelados, famintos da seca do sertão da Bahia, que tenta saquear um armazém. Há indecisão, temor e um motorista gaúcho, impaciente com a passividade da população, incita-os à rebelião e acaba sendo morto por um dos soldados. O roteirista Miguel Torres morreu em viagem para as locações. No elenco, Nelson Xavier, Átila Iório, Hugo Carvana, Maria Gladys, entre outros. Cenografia de Calazans Neto. Melhor Direção no Festival de Berlim.
 
05
SÃO BERNARDO (1972)

direção de
Leon Hirzsman

Embrafilme / Mapa Filmes / Saga Filmes
 
Do romance de Graciliano Ramos, um homem ambicioso que consegue ser um grande proprietário de terras, mas, roído pelo maldito ciúme, leva a esposa ao suicídio e abraça a solidão como companheira. O protagonista do drama encontrou em Othon Bastos o intérprete perfeito. No elenco, a magistral Isabel Ribeiro, uma das nossas maiores atrizes; Vanda Lacerda, Nildo Parente, Mário Lago, Rodolfo Arena e Jofre Soares. Melhor Ator no Festival de Gramado. Melhor Atriz, Roteiro, Direção, Figurino e Ator Coadjuvante (Parente) da Associação Paulista dos Críticos de Arte.
 
06
VIDAS SECAS (1964)

direção de Nelson Pereira dos Santos

Luiz Carlos Barreto Produções Cinematográficas / Sino Filmes
 
07
SÃO PAULO, SOCIEDADE ANÔNIMA (1965)

direção de
Luiz Sérgio Person

Socine Produções Cinematográficas
 
08
LAVOURA ARCAICA (2002)

direção de
Luiz Fernando Carvalho

Vídeo Filmes / Tibet Filme
 
09
LIMITE (1931)

direção de Mário Peixoto

Cinédia
 
10
NOITE VAZIA (1964)

direção de
Walter Hugo Khouri

Kamera Filmes / Vera Cruz
 
11
TERRA em TRANSE (1967)

direção de Glauber Rocha

Mapa / Difilm
 
12
TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA (1973)

direção de Arnaldo Jabor

Ipanema Filmes / Ventania Filmes
 
13
PIXOTE, a LEI do MAIS FRACO (1981)

direção de Hector Babenco

HB Filmes / Embrafilmes
 
14
O DRAGÃO da MALDADE CONTRA o SANTO GUERREIRO (1969)

direção de Glauber Rocha

Mapa Filmes / Cinemas Associés / Telepool
 
15
CABRA MARCADO para MORRER (1984)

direção de
Eduardo Coutinho

Eduardo Coutinho Produções Cinematográficas / Mapa Filmes
 
16
CENTRAL do BRASIL (1998)

direção de Walter Salles

VideoFilmes / RioFilme / Mact Pruction / E.S.R. Films / Superfilmes
 
17
ELES NÃO USAM BLACK-TIE (1981)

direção de Leon Hirszman

Embrafilme / Leon Hirszman Produções Cinematográficas
 
18
BYE BYE, BRASIL (1979)

direção de
Carlos Diegues

Produções Cinematográficas L. C. Barreto
 
19
O PAGADOR de PROMESSAS (1962)

direção de Anselmo Duarte

Cinedistri / Produções de Castro
 
20
TODAS as MULHERES do MUNDO (1967)

direção de Domingos de Oliveira

D.O. Produções Cinematográficas / Saga Filmes
 
21
O CASO dos IRMÃOS NAVES (1967)

direção de
Luis Sérgio Person

Lauper Films / MC Filmes
 
22
MEMÓRIAS do CÁRCERE (1984)

direção de Nelson Pereira dos Santos

Embrafilme / L. C. Barreto Produções Cinematográficas / Regina Filmes
 
23
DONA FLOR e seus DOIS MARIDOS (1976)

direção de
Bruno Barreto

Carnaval Unifilme / Cia Serrador / Coline
 
24
CARANDIRU (2003)

direção de
Hector Babenco

BR Petrobrás / Columbia TriStar Filmes do Brasil / Globo Filmes
 
25
O DESCOBRIMENTO do BRASIL (1937)

direção de Humberto Mauro

Instituto Brasileiro de Cacau
 
reginaldo faria e ana maria magalhães em “lúcio flávio...”

TRÊS DIRETORES do CINEMA BRASILEIRO
 
GLAUBER ROCHA
(1939 – 1981. Vitória da Conquista / Bahia)

Três Filmes:

“Barravento” (1962)
“Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964)
“Terra em Transe” (1967)
 
HECTOR BABENCO
(1946 – 2016. Mar del Plata / Argentina)

Três Filmes:

“Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” (1977)
“Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1981)
“Carandiru” (2003)
 
HUMBERTO MAURO
(1897 – 1983. Volta Grande / Minas Gerais)

Três Filmes:

“Ganga Bruta” (1933)
“O Descobrimento do Brasil” (1937)
“Argila” (1940)
 
odete lara em “noite vazia”

TRÊS ATRIZES do CINEMA BRASILEIRO
 
ELIANE LAGE
(1928. Paris / França)

Três Filmes:

“Caiçara” (1950)
“Sinhá Moça” (1953)
“Ravina” (1958)
 
NORMA BENGELL
(1935 – 2013. Rio de Janeiro / RJ)

Três Filmes:

“O Pagador de Promessas” (1962)
“Os Cafajestes” (1962)
“Noite Vazia” (1964)
 
ODETE LARA
(1929 – 2015. São Paulo / SP)

Três Filmes:

“Boca de Ouro” (1963)
“Noite Vazia” (1964)
“O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969)
 
othon bastos e isabel ribeiro em “são bernardo”

TRÊS ATORES do CINEMA BRASILEIRO
 
JECE VALADÃO
(1930 – 2006. Campo dos Goytacazes / Rio de Janeiro)

Três Filmes:

“Os Cafajestes” (1962)
“Boca de Ouro” (1963)
“Navalha na Carne” (1969)
 
OTHON BASTOS
(1933. Tucano / Bahia)

Três Filmes:

“Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964)
“Os Deuses e os Mortos” (1970)
“São Bernardo” (1972)
 
PAULO JOSÉ
(1937 – 2021. Lavras do Sul / Rio Grande do Sul)

Três Filmes:

“O Padre e a Moça” (1966)
“Todas as Mulheres do Mundo” (1966)
“Macunaíma” (1969)
 
nelson xavier em “os fuzis”

TRÊS FOTÓGRAFOS do CINEMA BRASILEIRO
 
AFFONSO BEATO
(1941. Rio de Janeiro / RJ)

Três Filmes:

“Copacabana me Engana” (1968)
“O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969)
“Pindorama” (1970)
 
RICARDO ARONOVICH
(1930. Buenos Aires / Argentina)

Três Filmes:

“Os Fuzis” (1964)
“São Paulo, Sociedade Anônima” (1965)
“Vereda de Salvação” (1965)
 
WALTER CARVALHO
(1940. João Pessoa / Paraíba)

Três Filmes:

“Central do Brasil” (1998)
“Abril Despedaçado” (2001)
“Lavoura Arcaica” (2001)
 
dionísio azevedo e leonardo villar em “o pagador de promessas”

FONTES
“Cinema Brasileiro, Propostas para uma História” (1978)
de Jean-Claude Bernardet
 
“Cinema e Verdade: Marylin, Buñuel etc,
por um Escritor de Cinema” (1988)
de Francisco Luiz de Almeida Salles
           
“Dicionário de Cineastas Brasileiros” (1990)
de Luiz F. A. Miranda
 
“Enciclopédia do Cinema Brasileiro” (2000)
de Fernão Ramos
 
“Escritos sobre Cinema – Trilogia de um Tempo Crítico” (2010)
de André Setaro
 
“História Ilustrada dos Filmes Brasileiros (1929 – 1988)” (1989)
de Salvyano Cavalcanti de Paiva
 
“Olhar crítico: 50 anos de Cinema Brasileiro” (2009)
de Ely Azeredo
 
“Um Filme por Dia: Crítica de Choque (1946-1973)” (2004)
de Antônio Moniz Vianna 
 
sônia braga em “dona flor e seus dois maridos”

SOBRE o CINEMA BRASILEIRO
01
O ADMIRÁVEL CINEMA BAIANO
http://ofalcaomaltes.blogspot.com/2012/01/o-admiravel-cinema-baiano.html
 

02
ANATOMIA de uma AGONIA MILITANTE
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2024/12/anatomia-de-uma-agonia-militante.html
 

03
ANDRUCHA e a ESPANHA do SÉC. de OURO
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2010/12/lope-trailer.html

 
04
CARMEN MIRANDA: VIVENDO de ALEGRIA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2015/04/carmen-miranda-vivo-de-alegria.html

 
05
CINEMA BRASILEIRO: GRITOS e SILÊNCIOS
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2023/12/cinema-brasileiro-gritos-e-silencios.html

 
06
CONDENSANDO RITA ASSEMANY
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2024/05/condensando-rita-assemany.html
 

07
DINA SFAT, à FLOR da PELE
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2012/04/dina-sfat-estrela-flor-da-pele.html
 

08
EDGARD NAVARRO, o INDOMÁVEL
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2011/02/edgard-navarro-o-indomavel-bom-moco.html

 
09
ERA UMA vez SONIA BRAGA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2011/06/sonia-braga-bela-e-bendita.html

 
10
FLORINDA: do CEARÁ para o MUNDO
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2016/10/florinda-do-ceara-para-o-mundo.html

 
11
GLAUBER ROCHA - os ÚLTIMOS DIAS de VIDA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2011/03/glauber-rocha-os-ultimos-dias-de-vida_11.html

 
12
GLAUCE ROCHA: ILUMINANDO o CINEMA NOVO
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2015/01/glauce-rocha-iluminando-o-cinema-novo.html

 
13
GRANDE OTELO: COMÉDIA e TRAGÉDIA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2016/01/grande-otelo-comedia-e-tragedia.html
 

14
JORGE AMADO no CINEMA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2017/01/jorge-amado-no-cinema.html

 
15
MARÍLIA – TALENTO a TODA PROVA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2017/02/marilia-talento-toda-prova.html

 
16
NORMA BENGELL: O OCASO de uma MUSA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2012/10/norma-bengell-o-ocaso-de-uma-musa.html

 
17
NOSSAS MUSAS NUAS
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2019/04/nossas-musas-nuas.html

 
18
PEQUENA HISTÓRIA do CINEMA BRASILEIRO
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2016/10/pequena-historia-do-cinema-brasileiro.html

 
19
REGIME MILITAR no BRASIL: FILMES
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2019/03/o-regime-militar-brasileiro-no-cinema.html

 
20
Uma CÂMARA na MÃO, uma IDEIA na CABEÇA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2010/11/cinema-novo-uma-camara-na-mao-e-uma.html

 
21
VERA CRUZ: AMBIÇÃO e DECLÍNIO
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2011/08/vera-cruz-ambicao-e-declinio.html

 
22
A VIDA e os FILMES da BELA TÔNIA CARRERO
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2025/02/vida-e-os-filmes-da-bela-tonia-carrero.html

 
23
20 GRANDES ATORES do CINEMA BRASILEIRO
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2025/01/20-grandes-atores-do-cinema-brasileiro.html

 
24
WALTER SALLES com o PÉ na ESTRADA
https://ofalcaomaltes.blogspot.com/2010/11/walter-salles-com-o-pe-na-estrada.html
 
 
GALERIA de FOTOS