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novembro 15, 2014

***************** GINGER & FRED, DUPLA de OURO



 
Eles tinham uma química inigualável e são reconhecidos como a dupla mais famosa do musical cinematográfico. Entretanto, odiavam-se. FRED ASTAIRE (1899 - 1987. Omaha, Nebraska / EUA) dizia que GINGER ROGERS (1911 - 1995. Independence, Missouri / EUA) era caipira e não conseguia executar passos mais complicados. Ela, por sua vez, irritava-se ao ter sua imagem associada à dele. Alguns anos depois do fim da parceria, declarou: “Eu fazia tudo o que ele fazia, só que de salto alto e para trás”. Nas filmagens de “O Picolino”, Fred teve uma crise de espirros por causa do vestido de penas de avestruz usado pela atriz, mas, para sorte do figurinista, descontou sua raiva na parceira, que apenas usava o vestido. Ele não queria formar uma dupla fixa, depois da bem sucedida parceria com sua irmã Adele, mas o mundo se apaixonou por eles. Katherine Hepburn teria dito sobre os dois: “Ele lhe dá classe e ela lhe dá sex-appeal”.
 
Ele fazia o tipo aristocrata, era magro, um pouco baixo, e estava longe dos padrões de beleza estabelecidos para os galãs de Hollywood, mas isso não impediu que se tornasse uma força nas telas. Os seus números musicais misturavam várias influências, fossem elas clássicas ou inspiradas na cultura de massa da periferia, como sapateado. Perfeccionista, ensaiava muito antes das filmagens e repetia os takes dezenas de vezes até ficar como ele queria. Certa vez, ensaiou por três meses, com dez horas diárias de repetições e a câmara acompanhando a coreografia.

FRED ASTAIRE deu nova emoção à dança. Sempre trajado a rigor, sua elegância se tornou lendária. Antes dele, as coreografias dos musicais apareciam através dos recursos cinematográficos: na formação das dançarinas e na montagem. Quando ele entrou para o ramo, a câmera passou a ficar estática, frontal, capturando o corpo inteiro do dançarino e quase não havia cortes. Dizia: “Ou dança a câmera ou danço eu”. O seu talento e charme hipnotizam.
 
GINGER ROGERS começou a receber aulas de dança e canto muito cedo. Aos cinco anos já aparecia em comerciais impressos. Aos 15 anos ganhou um concurso de dança estilo “Charleston” e, logo depois, juntou-se a um circuito que percorreu os estados do sul e do meio Oeste dos Estados Unidos com seu número “Ginger e os Cabeças-Vermelhas”. Sua mãe, Lela, repórter e escritora, trabalhou como sua empresária e com ela viajou na condição de acompanhante, na verdade para protegê-la de assédios. Lela e o pai da atriz se divorciaram logo após seu nascimento. A mãe, sua principal incentivadora, continuaria a cuidar da carreira da filha até a sua morte, em 1971.

O nome Ginger surgiu, quando ainda menina, a sua prima mais nova não conseguia dizer Virginia e então dizia “Ginja”. Após grande sucesso na Broadway com o musical “Girl Crazy”, de George Gershwin, onde trabalhou ao lado de Ethel Merman, a atriz mudou-se para Hollywood, em 1931. Trabalharia em filmes em vários estúdios, desempenhando o papel de loira objeto de pilhérias, até se firmar na RKO. À parte seus graciosos movimentos de dança, GINGER ROGERS mostrou credenciais como artista dramática, conquistando o Oscar de Melhor Atriz em “Kitty Foyle / Idem”, de 1940.


Ele fez sua primeira apresentação no palco aos cinco anos com a irmã Adele, que o acompanhava em revistas musicais nos anos 1920, em Londres. Depois de carreira na Broadway, estreou no cinema em 1933, aparecendo ao lado de Joan Crawford em “Amor de Dançarina / Dancing Lady”. FRED ASTAIRE foi nomeado pelo American Film Institute (AFI) como o quinto maior astro de todos os tempos (Ginger ficou em 14° na eleição feminina), ganhando um Oscar Honorário em 1950, das mãos de Rogers, “por sua arte única e suas contribuições para a técnica dos filmes musicais”. Segundo muitos, o maior dançarino da história do cinema (eu prefiro Gene Kelly), permanece ainda hoje imbatível em termos de criatividade, virtuosismo e elegância. Aventurou-se em vários gêneros, mas nada maculou a pureza de sua dança, sozinho ou em parceiras sensacionais.


Na RKO Radio Pictures, de “Voando Para o Rio” (1933) a “A História de Vernon e Irene Castle” (1939), a dupla marcou a década de 1930 encantando as plateias com suas comédias românticas embaladas por belas canções e números vigorosos de dança. Todos os filmes de FRED ASTAIRE e GINGER ROGERS são maravilhosos e seguem uma fórmula: Fred se apaixona por Ginger à primeira vista e, por algum mal-entendido, ela o rejeita até o fim da história, quando ela não resiste aos encantos e cortejos dele, além de seu sapateado, e juntos dançam de forma sublime.

Dois desses musicais se destacam: o primeiro, “O Picolino”, no qual é possível encontrar um dos maiores duetos românticos da história do cinema: a canção “Cheek to Cheek”. Outro número inesquecível desse musical é “Isn’t a Lovely Day?”. O segundo destaque é “Ritmo Louco”, de George Stevens, do qual saíram canções igualmente adoráveis como “Pick Yourself Up” e “The Way You Look Tonight”; e números de dança como “Never Gonna Dance” (talvez o melhor da dupla) e “Bojangles of Harlem”, tributo ao dançarino afro-americano Bill Robinson, que Astaire faz caracterizado como um negro (assim como Al Jolson em “O Cantor de Jazz / The Jazz Singer”, 1927, o que seria considerado ofensivo e inaceitável nos dias de hoje nos quais impera o politicamente correto).

nos anos 1970
Além dos nove filmes na RKO, repetiriam sua parceria mais uma vez em 1949, completando dez filmes juntos, em um luxuoso musical da Metro-Goldwyn-Mayer, “Ciúme, Sinal de Amor”, o único em cores, no qual foi utilizado o Technicolor.


Os DEZ FILMES da DUPLA

01
VOANDO para o RIO
(Flying Down to Rio, 1933)
direção de Thornton Freeland


02
A ALEGRE DIVORCIADA
(The Gay Divorcee, 1934)
direção de Mark Sandrich


03
O PICOLINO
 (Top Hat, 1935)
direção de Mark Sandrich


04
ROBERTA
(Idem, 1935)
direção de William A. Seiter


05
RITMO LOUCO
(Swing Time , 1936)
direção de George Stevens


06
Nas ÁGUAS da ESQUADRA
(Follow the Fleet, 1936)
direção de Mark Sandrich


07
VAMOS DANÇAR?
(Shall We Dance, 1937)
direção de Mark Sandrich


08
DANCE COMIGO
 (Carefree, 1938)
direção de Mark Sandrich


09
A HISTÓRIA de VERNON e IRENE CASTLE
 (The Story of Vernon and Irene Castle, 1939)
direção de H. C. Potter


10
CIÚME, SINAL de AMOR
 (The Barkleys of Broadway, 1949)
direção de Charles Walters





dezembro 16, 2010

***************** ROBERT MITCHUM na PRISÃO




 
O carismático ROBERT MITCHUM (1917 - 1947. Bridgeport, Connecticut / EUA) trabalhou com os melhores cineastas do seu tempo: Otto Preminger, Nicholas Ray, Robert Wise, John Huston, Howard Hawks, Fred Zinnemann, Vincente Minnelli, David Lean, Joseph Losey, Elia Kazan etc. Na velhice, barrigudo e pesadão, ele gostava de contar histórias sobre sua juventude esbelta, antes de ir para Hollywood, trabalhando como estivador e cavador de valas, vivendo sem destino ao viajar clandestinamente de trem, até que foi preso por vadiagem e cumpriu pena acorrentado. Anos depois, em fevereiro de 1949, esteve em cana novamente, sendo fotografado lavando o chão da cadeia do condado de Los Angeles logo depois de ser condenado. Não apenas aspirante a astro, mas um novo tipo de ator, cínico, lacônico e sexy, com um salário de 3.250 dólares por semana, ROBERT MITCHUM havia sido apanhado fumando um baseado. “Claro, fumo maconha desde criança”, disse na ocasião com a maior naturalidade. As circunstâncias da prisão são um pouco estranhas. Ele estava numa festinha de arromba na casa de uma atriz desconhecida, Lila Leeds, quando repentinamente a polícia arrombou a porta do lugar. Isso não é tudo. O local estava com escuta: havia um microfone na parede. O mais suspeito foi a imprensa sensacionalista saber do escândalo antes da polícia invadir a casa. “Bem, esse é o fim amargo de tudo – da minha carreira, do meu lar, do meu casamento”, disse o ator na ocasião. 

Condenado a prisão por 60 dias, com mais dois anos de sursis, o fato é que, naqueles dias medrosos de 1949, tudo se baseava na idéia de que o público se sentiria ultrajado e chocado ao saber que um astro de cinema fumava maconha. A RKO Radio Pictures, que imaginou amargar prejuízos com os filmes do ator prontos para serem lançados, ao receber milhares de cartas defendendo-o, mesmo com receio, exibiu comercialmente um deles, “O Homem que Eu Amo” (1948), um western com Loretta Young e William Holden. Para espanto de todos, o filme chegou ao primeiro lugar na lista de maior bilheteria em todo o país. Supunha-se que o ator fosse para a prisão e sofresse, marginalizado, condenado ao ostracismo, mas muito pelo contrário, saiu como herói popular, tornando-se uma super estrela. Em um dos seus últimos personagens, aos 74 anos, o Tenente Elgart de “Cabo do Medo / Cape Fear” (1991), de Martin Scorsese, reviveu o thriller clássico estrelado por ele e Gregory Peck, “O Círculo do Medo / Cape Fear” (1961), onde fazia um dos mais terríveis vilões da história do cinema, o psicopata Max Cady.

FONTE
“A Cidade das Redes – Hollywood nos Anos 40”, de Otto Friedrich, 1986 e “Diccionario de Actores”, de José Luis López, 1993)


outubro 18, 2010

**** O DISCRETO CHARME da RKO RADIO PICTURES




Ao contrário dos demais estúdios de Hollywood, em que cada um tinha determinado perfil pelo qual era conhecido, a RKO RADIO PICTURES não era sinônimo de nenhum gênero específico, embora tenha legado um conjunto de filmes que marcou a história do cinema. Fundado em 1928 pela Radio Corporation of America (RCA), três anos depois David O. Selznick torna-se o responsável pela produção e cria uma unidade para produtores independentes produzirem um determinado número de filmes, sem qualquer interferência e em que este dividia os custos, em troca dos direitos de distribuição. A estratégia de Selznick passava também por realizar estréias faraônicas rodeada de publicidade, vindo da sua cabeça a construção da maior sala de cinema do mundo, o Radio City Musical Hall, em Nova York. Sucedendo Selznick, Merian C. Cooper acertou no alvo com o sucesso de “KIng Kong e outros filmes de aventura. Para além das suas próprias produções, a RKO distribuía ainda os filmes de Walt Disney (curtas e longas-metragens) e os de Samuel Goldwyn. Durante a década de 1930, estavam sob contrato do estúdio estrelas como Cary Grant, Irene Dunne, Douglas Fairbanks Jr., Fred Astaire, Ginger Rogers, Katharine Hepburn, e embora a RKO não tivesse os recursos financeiros dos concorrentes, seus filmes eram admirados.

No final da década de 1930, sob a orientação de George Schaefer, a RKO produz filmes célebres como “Levada da Breca, “O Corcunda de Notre Dame” e “Cidadão KaneNo entanto, a política de filmes de prestígio teve relativa acolhida. Após a morte de Schaefer, o seu sucessor, Dore Schary, repete o feito de Selznick, investindo em co-produções com profissionais independentes e realizando “A Felicidade Não se Compra, “Os Melhores Anos de Nossas Vidas, “Sangue de Heróis“Legião Invencível, entre tantos outros. Reflexo dos filmes de baixo orçamento que o estúdio produziu durante a década de 40, o filme noir passou a ser um importante marco da RKO e os atores que estavam sob seu contrato os mais conhecidos do gênero: Robert Mitchum, Jane Russell, Robert Ryan, Audrey Toter etc. Em, 1948 o milionário Howard Hughes adquire parte do capital da RKO por pouco menos de $9 milhões e o estúdio, ao contrário do que seria de se esperar, entra num período conturbado. Para além de despedir parte dos empregados, suas psicoses pararam a produção durante meses, enquanto investigava a ideologia política dos funcionários. A RKO RADIO PICTURES nunca mais foi o mesma.


cary grant e joan fontaine em suspeita