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fevereiro 15, 2025

***** A VIDA e os FILMES da BELA TÔNIA CARRERO



 

Era de tal beleza que encabulei 
e não consegui olhá-la nos olhos.
CARLOS DRUMMOND de ANDRADE
(1902 – 1987. Itabira / Minas Gerais)
 
A mulher bonita precisa ter certas qualidades 
para que sua beleza se torne menos esmagadora.
ANÍBAL MACHADO
(1894 – 1964. Sabará / Minas Gerais)
 
Votei e fiz campanha para José Serra na eleição presidencial em 2002. Não votei no Lula. Acho ele engraçadíssimo. Parece um ator cômico. Ele fala besteira, muitas gafes. Não tem cultura nenhuma. Diz que seu governo está preocupado com a fome, embora, verdade seja dita, não esteja resolvendo o problema da fome.
TÔNIA CARRERO
Folha de S. Paulo
agosto de 2004
 
Olhos: azuis
Cabelos: loiros
Apelidos: Mariinha e Tônica
 

 
Ela foi uma das mulheres mais bonitas do Brasil e durante décadas a nossa mais bela atriz. Sua beleza era um elixir, um bálsamo, um imã. Arrancava suspiros por onde passava. “Ela iluminava Ipanema, as salas, as praias, as ruas…”, escreveu Paulo Mendes Campos. Dona de formosura estonteante, batalhou para se tornar atriz respeitada. Não era levada a sério no início da carreira. Nasceu em uma família de militares. O patriarca, um intelectual, recebia em casa artistas famosos como Procópio Ferreira, Oscarito, Grande Otelo e Dulcina de Moraes. Casou-se cedo com o artista plástico e diretor de cinema Carlos Thiré, e tornou-se mãe de Cecil, futuro ator. Em seguida, TÔNIA CARRERO (1922 – 2018. Rio de Janeiro / RJ) estudou teatro na França com o lendário Jean-Louis Barrault, fazendo o curso “Éducation par le Jeu Dramatique”. Ao voltar de Paris, estreou aos 25 anos no filme “Querida Suzana”, ao lado de Anselmo Duarte e Nicette Bruno. Apadrinhada por Rubem Braga, é contratada por Fernando de Barros para os filmes “Caminhos do Sul” (1949) e “Perdida pela Paixão” (1950). 
 
O cinema é o primeiro palco da estrela. Em 1949 assiste Paulo Autran em cena, e o convida para seu lançamento no teatro em “Um Deus Dormiu lá em Casa”, de Guilherme Figueiredo. A bem-sucedida montagem e a alquimia entre os dois atores são o ponto de partida para diversos outros espetáculos.
A convite do empresário Franco Zampari, entra para a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, o estúdio paulistano que alimentou o sonho de um cinema industrial nacional e lançou diversos nomes ao estrelato. Nele, ela protagoniza dois dramas, “Apassionata” (1952) e “Tico-Tico no Fubá” (1952), e a comédia “É Proibido Beijar” (1954). O segundo, dirigido por Adolfo Celi, foi um estrondoso sucesso de bilheteria e ganhou vários prêmios importantes. Trata-se de uma biografia romanceada do popular compositor Zequinha de Abreu (1880 – 1935). Um quarto filme na Vera Cruz, “Ana Terra”, baseado no romance de Érico Veríssimo, ficou incompleto com a falência do estúdio. 
 
Projetada como diva, TÔNIA CARREIRO recebeu convite para jantar – e aceitou! - com Getúlio Vargas, o ditador-presidente do Brasil à época, no Palácio do Catete. Em 1953, de volta ao palco, estreou no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) na comédia “Uma Certa Cabana”, com direção do italiano Adolfo Celi. Depois da Vera Cruz, nunca deixou de filmar, inclusive participando de produções internacionais, mas não fez grandes filmes em sua longa carreira. Resumindo sua trajetória cinematogáfica, o melhor deles foi o policial “Tempo de Violência”, de 1969, com Raul Cortez, Glauce Rocha, Mário Lago e Isabel Ribeiro no elenco. Interpreta Marta, a esposa de bancário que presencia o assassinato de um jornalista e é perseguido implacavelmente pelos criminosos. Separada de Thiré, se relacionou com Celi, que tinha um caso com Cacilda Becker, a primeira-dama do teatro brasileiro, gerando tensão no meio teatral. As duas só fizeram as pazes pouco antes da morte de Cacilda em 1969. Tônia já estava separada de Celi e Cacilda apaixonada por Walmor Chagas. Numa conversa franca, revelou que Cacilda era seu paradigma de atriz. Resolveram as diferenças. Em 1956, o casal mais Paulo Autran formaram a Companhia Tônia-Celi-Autran, estreando em “Otelo”, de William Shakespeare. Seu desempenho rendeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte de Melhor Atriz.  
 
nelson xavier e tonia em navalha na carne
Na década de 60, ela ingressa na Excelsior, na telenovela histórica
“Sangue do Meu Sangue” (1969), fazendo enorme sucesso como a atriz Pola Renon. Em 1967, como a prostituta Neusa Sueli de “Navalha na Carne”, desempenha um dos seus papéis mais emblemáticos. Abandona padrões de beleza e dá vida ao texto de Plínio Marcos. A peça marca o seu reconhecimento profissional, recebendo o Prêmio Molière de Melhor Atriz. Foi um dos espetáculos mais aplaudidos da temporada, além de divisor de águas em sua brilhante carreira no teatro, que inclui clássicos de Tchekhov, Albee, Sartre, Pirandello, Shaw, Shakespeare e Ibsen.
Entre outras, participou das telenovelas “Pigmalião 70” (1970) e “Água Viva” (1980), interpretando Stella Simpson, uma socialite excêntrica. Acompanhei essa última do início ao final, uma impactante criação de Gilberto Braga e Manoel Carlos. Pouco depois,
morei um ano e meio no Rio de Janeiro, fazendo amizades com artistas – Jorge Fernando, Antônio Cícero, Lauro Corona, Maria Sílvia, Edson Celulari, Elke Maravilha, Caíque Ferreira etc. - e figuração em programas de humor da Rede Globo. 
 
Nessa época, soube de diversas verdades secretas da classe artística. Uma delas, sobre TÔNIA CARRERO, afirmava que era “um amor de pessoa”, mas bebia sem limites e costumava assediar sexualmente jovens atrizes. Não sei se é verdade, mas quem me confidenciou, um conhecido diretor de telenovelas, era sério. Vi a atriz em cena apenas uma vez, em 1999, no drama “Um Equilíbrio Delicado”, de Edward Albee, dividindo palco com Walmor Chagas, Ítala Nandi e Camila Amado, e comemorando meio século de ribalta. Com quase 80 anos, ainda bonita, chamava a atenção, roubando a cena. No entanto, parecia de pileque. Com atuações marcantes e uma ousada presença de palco, a diva permanece como uma referência na arte da interpretação. Heroína, vilã ou cortesã, personificou inúmeros tipos. Uma das maiores estrelas brasileiras do século 20, mulher de fibra e talento, despertou paixões arrebatadoras. Foi amante do cronista Rubem Braga, que dedicou inspiradas crônicas à amada. Inteligente, engraçada e irônica, tinha Paulo Autran, Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Nelson Rodrigues, Villa-Lobos, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Vinicius de Moraes como amigos da vida inteira.
 
No seu último filme, “Chega de Saudade” (2008), TÔNIA CARRERO interpreta dona Alice, frequentadora do clube de dança de salão que dá nome ao longa. Ela faleceu aos 95 anos, de parada cardíaca. Deixou um legado de 54 peças, 19 filmes e 15 telenovelas.
 

FONTES
“Tônia Carrero: O Monstro de Olhos Azuis” (1986)
de Tônia Carrero
 
“Tônia Carrero: Movida pela Paixão”
(2008)
de Tania Carvalho

 
“Eu acho que poderia ter sido uma boa atriz de cinema. O teatro iria me ajudar a ser uma atriz de cinema. Mas cinema no Brasil é quase impraticável. Cinema é indústria e precisa de dinheiro. Sem dinheiro, fica difícil. É claro que aqui acontece uma ou outra produção que acaba dando certo, mas, na maioria das vezes, não sai nada que preste.”
TÔNIA CARRERO
 
anselmo duarte e tônia
 

TODOS os FILMES de TÔNIA
 
QUERIDA SUSANA (1947)

direção de
Alberto Pieralisi

elenco: Anselmo Duarte e Nicette Bruno

CAMINHOS do SUL (1949)

direção de
Fernando de Barros

elenco: Maria Della Costa, Orlando Villar e Sadi Cabral
 
QUANDO a NOITE ACABA (1950)

direção de
Fernando de Barros

elenco: Roberto Acácio, José Lewgoy e Nídia Lícia
 
APASSIONATA (1952)

direção de Fernando de Barros

elenco: Anselmo Duarte, Alberto Ruschel, Ziembinski
e Paulo Autran
 
TICO-TICO no FUBÁ (1952)

direção de Adolfo Celi

elenco: Anselmo Duarte, Marisa Prado e Ziembinski
 
É PROIBIDO BEIJAR (1954)

direção de Ugo Lombardi

elenco: Mário Sérgio, Ziembinski, Otelo Zeloni
e Inezita Barroso
 
MÃOS SANGRENTAS (1955)

direção de
Carlos Hugo Christensen

elenco: Arturo de Córdova, Sadi Cabral e Dionísio Azevedo
 
ALIAS GARDELITO (1961)      

direção de
Lautaro Murúa

elenco: Alberto Argibay e Walter Vidarte
 
COPACABANA PALACE (1962)

direção de Steno

elenco: Sylva Koscina, Walter Chiari e Mylène Demongeot
 
ESSE RIO QUE EU AMO (1962)

direção de
Carlos Hugo Christensen

elenco: Agildo Ribeiro, Daniel Filho e Hugo Carvana
 
SÓCIO de ALCOVA (1962)

direção de
George Cahan

elenco: Jean-Pierre Aumont, Jardel Filho e Norma Bengell
 
TEMPO de VIOLÊNCIA (1969)

direção de
Hugo Kusnet

elenco: João Bennio, Raul Cortez, Hugo Carvana,
Glauce Rocha, Isabel Ribeiro, Mário Lago
e Rubens de Falco
 
GORDOS e MAGROS (1976)

direção de Mário Carneiro

elenco: Roberto Bonfim, Sérgio Britto, Hugo Carvana
e Carlos Kroeber
 
SONHOS de MENINA MOÇA (1988)

direção de
Tereza Trautman

elenco: Marieta Severo, Louise Cardoso, Zezé Motta,
Jofre Soares e Selma Egrei
 
A BELA PALOMERA (1988)

direção de Ruy Guerra

elenco: Ney Latorraca, Cláudia Ohana, Chico Díaz,
Dina Sfat e Cecil Thiré
 
FOGO e PAIXÃO (1989)

direção de Marcio Kogan e Isay Weinfeld

elenco: Mira Haar, Cristina Mutarelli, Carlos Moreno,
Fernanda Montenegro e Paulo Autran
 
O GATO de BOTAS EXTRATERRESTRE (1990)

direção de Wilson Rodrigues

elenco: Maurício Mattar, Zezé Motta, Carmem Silva
e Jofre Soares
 
VINICIUS (2005)

direção de Miguel Faria Jr.

 
CHEGA de SAUDADE (2008)

direção de Laís Bodanzky

elenco: Leonardo Villar, Cássia Kiss, Betty Faria
e Selma Egrei
 
“Tônia Carrero é uma lenda brasileira. Uma lenda que se deixou impregnar pela beleza, luta, o talento, o espírito de aventura, o obstinado trabalho, sua severa paixão.”
NÉLIDA PIÑON
(1937 – 2022. Rio de Janeiro / RJ)
 

QUINZE PEÇAS de TÔNIA CARRERO
 
CÂNDIDA
de Bernard Shaw
direção de Ziembinski
1954
 
ENTRE QUATRO PAREDES
de Jean-Paul Sartre
direção de Adolfo Celi
1956
 
OTELO
de William Shakespeare
direção de Adolfo Celi
1956
 
SEIS PERSONAGENS à PROCURA de um AUTOR
de Luigi Pirandello
direção de Adolfo Celi
1959
 
Os CORRUPTOS
de Lillian Hellman
direção de João Augusto
1967
 
NAVALHA na CARNE
de Plínio Marcos
direção de Fauzi Arap
1967
 
MACBETH
de William Shakespeare
direção de Fauzi Arap
1970
 
CASA de BONECAS
de Henrik Ibsen
direção de Cecil Thiré
1971
 
CONSTANTINA
de Somerset Maugham
direção de Cecil Thiré
1974
 

DOCE PÁSSARO da JUVENTUDE
de Tennessee Williams
direção de Carlos Kroeber
1976
 
QUEM TEM MEDO de VIRGÍNIA WOOLF?
de Edward Albee
direção de Antunes Filho
1978
 
A DIVINA SARAH
de John Murrell
direção de João Bethencourt
1985
 
QUARTETT
de Heiner Müller
direção de Gerald Thomas
1986
 
O JARDIM das CEREJEIRAS
de Anton Tchekhov
direção de Élcio Nogueira
2000
 
A VISITA da VELHA SENHORA
de Friedrich Dürrenmatt
direção de Moacyr Góes
2002
 
“Ser bom faz bem à alma, e à face, e nada envelhece mais que a mesquinharia gravado na cara; nada embeleza tanto quanto a doçura interior. Tônia é toda bela.”
RUBEM BRAGA
(1913 – 1990. Cachoeiro do Itapemirim / Espírito Santo)
 

A LISTA de TÔNIA CARRERO
 
GOSTO
Carlos Drummond de Andrade
Teatro
Dança
Bom papo
Júlio Iglesias
Dostoievski
Perfume
Crianças
Ingmar Bergman
Millôr Fernandes
Futebol
Champanha
Mar
Sol
Beijo demorado
 
DETESTO
Telefonemas longos
Cabelos maltratados
O som dos nossos cinemas
O sofrimento das crianças pobres
Ruas sujas
Dormir cedo
Falta de educação
Teatro vazio
Lula da Silva
Sentir medo
Amores curtos
Aperto de mão frouxo
Chiclete
Falta de responsabilidade
Tráfico intenso
 
GALERIA de FOTOS
 
 


março 24, 2019

************ REGIME MILITAR no BRASIL: FILMES

caio blat em “batismo de sangue”


 REGIME MILITAR vai de 1964 a 1985, período em que o país esteve sob controle das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica). Nesta época, os chefes de Estado, ministros e medalhões instalados nas principais posições do aparelho estatal pertenciam à hierarquia militar, sendo que todos os presidentes eram generais do exército. O cenário político do início dos anos 60 era corrupto, viciado e alheio às necessidades do país. O movimento militar surgiu para sanear a vida social, econômica e política, livrando a nação da ameaça comunista e trazendo de volta a ordem e a legalidade. 

jardel filho em “terra em transe”
A esquerda vende o peixe como anos de chumbo, caracterizados pela restrição à liberdade, predomínio da censura e da perseguição. Distante do submundo comunista-socialista, as recordações dos nossos familiares e conhecidos são bem diferentes. A propaganda institucional mapeava o país com os slogans “Ninguém segura este país” ou “Brasil, ame-o ou deixe-o”; a dupla Don e Ravel fazia sucesso em rádios e programas de televisão com o refrão: “Eu te amo, meu Brasil, eu te amo, ninguém segura a juventude do Brasil”; nas escolas, cantava-se “Este é um país que vai pra frente”; e o hino da Copa de 1970 emocionava com “Noventa milhões em ação, pra frente Brasil do meu coração”. Já a narrativa propagada por artistas, escritores e jornalistas é um show de invencionices e oportunismo.

Ao longo dos séculos, a arte sempre foi arma de arremesso contra o obscurantismo, tornando-se um grande catalisador da força da consciência. Precisamente, contrariando essa linha de pensamento, surgiram diversos filmes panfletários, tendenciosos, distorcendo os fatos e atacando o REGIME MILITAR. São longas com viés ideológico de esquerda. Alguns retratam eventos e/ou personagens reais mitificados; outros, ficção, mas ambos pregam inverdades. Selecionei uma ampla filmografia que tematiza o REGIME MILITAR BRASILEIRO. Vi a maioria, filtrei, refleti, pesquisei. Alguns foram difíceis de assistir, amparam-se unicamente no doutrinamento vermelho, mas considero válidos como documento de uma Nação sabotada por comunistas-socialistas.

O DESAFIO
(1964)

direção de Paulo César Saraceni
elenco: Isabella, Oduvaldo Vianna Filho e Luiz Linhares

Melodrama da perplexidade da burguesia intelectual face ao regime militar instalado no Brasil. Narra o romance entre a esposa de um industrial e um inconsequente estudante esquerdista. Provocou controvérsias e fracassou nas bilheterias.

A DERROTA
(1966)

direção de Mário Fiorani
elenco: Luiz Linhares, Glauce Rocha e Ítalo Rossi

Conta a história de um preso torturado por causa de uma confissão que se nega a prestar. Invertendo a situação de vítima, ele procura desesperadamente liquidar o bando que o aprisiona. Sucesso de crítica bem interpretado. Estreia do diretor.

TERRA em TRANSE
(1967)

direção de Glauber Rocha
elenco: Jardel Filho, Paulo Autran, José Lewgoy
Glauce Rocha e Mário Lago

Narra as desventuras políticas e existenciais de um poeta e político de esquerda, em crise por perceber tardiamente que sempre havia servido a políticos traidores e oportunistas. As poderosas imagens alegóricas, textos desencontrados, idas e vindas no tempo cronológico, a falta de preocupação em contar uma trama realista e linear, compõem uma espécie de ópera barroca sobre o Brasil.

JARDIM de GUERRA
(1968)

direção de Neville d’Almeida
elenco: Joel Barcellos, Hugo Carvana, Dina Sfat
e Glauce Rocha

Jovem amargurado e sem perspectivas se apaixona por uma cineasta e é injustamente acusado de ser terrorista por uma organização que o prende, interroga e o tortura.

A VIDA PROVISÓRIA
(1968)

direção de Maurício Gomes Leite
elenco: Paulo José, Dina Sfat e Joana Fomm

Jornalista vai à Brasília entrevistar um ministro, entregando a um membro do governo documentos comprometedores. Seguido e ferido, agoniza, recordando as mulheres que amou. Roteiro confuso e bons atores em cena.

O BOM BURGUÊS
(1979)

direção de Oswaldo Caldeira
elenco: José Wilker, Betty Faria, Christiane Torloni,
Jofre Soares, Nelson Xavier e Jardel Filho

Filme policial que retrata a luta armada no Brasil, inspirando-se livremente em personagem real. Na década de 1960, usando de artifícios contábeis, um bancário desvia cerca de dois milhões de dólares para a guerrilha que enfrenta o regime militar. Ele ficou conhecido na imprensa e entre os terroristas como “o bom burguês”.

PAULA – a HISTÓRIA de uma SUBVERSIVA
(1980)

direção de Francisco Ramalho Júnior
elenco: Armando Bogus, Marlene França e Helber Rangel

Um arquiteto é informado pela ex-esposa do desaparecimento da filha. O policial designado para as investigações anos antes efetuara a prisão do arquiteto e da sua amante, líder estudantil que optara pela luta armada. Banida do país, ela retorna e morre em um confronto com a polícia. O arquiteto faz um balanço da geração que pensou um dia transformar o país em uma ditadura comunista.

PRA FRENTE, BRASIL
(1982)

direção de Roberto Farias
elenco: Reginaldo Farias, Antônio Fagundes, Natália do Valle
e Elizabeth Savalla

Durante a Copa do Mundo de 1970, um trabalhador comum é confundido com um ativista político e desaparece. Sua família tenta encontrá-lo.  Melhor Filme em Gramado.

CABRA MARCADO para MORRER
(1984)

direção de Eduardo Coutinho

No início da década de 1960, um líder camponês é assassinado por ordem dos latifundiários do Nordeste. As filmagens de sua vida, interpretada pelos próprios camponeses, foram interrompidas pelos militares. Dezessete anos depois, o diretor procura a viúva Elizabeth Teixeira e seus dez filhos. O tema passa a ser a trajetória de cada um dos personagens que, por meio de lembranças e imagens do passado, evocam o drama de uma família de camponeses durante os anos do Regime Militar.

NUNCA FOMOS tão FELIZES
(1984)

direção de Murilo Salles
elenco: Cláudio Marzo, Roberto Bataglin e Suzana Vieira

Rodado no último ano do regime militar, fala de um rapaz retirado de um colégio interno por seu pai, que estava na prisão, após oito anos de estudos. Ele investiga o mistério que o cerca, em busca de uma identidade e descobre que o pai é um perseguido político.

CORPO em DELITO
(1989)

direção de Nuno César Abreu
elenco: Lima Duarte, Regina Dourado e Dira Paes

Médico legista frio e solitário, que presta serviços aos militares forjando laudos de morte natural para vítimas de tortura, apaixona-se por garota que trabalha numa casa noturna.

QUE BOM te ver VIVA
(1989)

direção de Lúcia Murat
elenco: Irene Ravache

Delírios e fantasias de uma anônima e os depoimentos de oito ex-presas políticas que viveram situações de tortura. Para diferenciar a ficção do documentário, gravou-se depoimentos reais em vídeo, com o enquadramento semelhante ao de retratos 3x4.

LAMARCA
(1994)

direção de Sérgio Rezende
elenco: Paulo Betti, Carla Camurati e Selton Mello

Crônica dos últimos anos de vida do capitão do exército Carlos Lamarca. Ele desertou das forças armadas e passou a fazer oposição, tornando-se um dos mais conhecidos líderes da luta clandestina. Boa atuação de Paulo Betti.

O QUE é ISSO, COMPANHEIRO?
(1997)

direção de Bruno Barreto
elenco: Alan Arkin, Fernanda Torres, Pedro Cardoso,
Cláudia Abreu e Selton Mello

Grupo terrorista MR-8 elabora plano para sequestrar embaixador norte-americano, planejando trocá-lo por presos políticos. Concorreu ao Oscar de Filme Estrangeiro.

AÇÃO entre AMIGOS
(1998)

direção de Beto Brandt
elenco: Leonardo Villar, Zécarlos Machado e Cacá Amaral

Em 1971, quatro amigos participam da luta armada contra o regime militar e quando tentam assaltar um banco acabam sendo presos e torturados. Vinte e cinco anos depois, em uma pescaria, um deles mostra uma foto de um encontro político em São Paulo, afirmando que uma das pessoas fotografadas foi o homem que os torturou. Decidem então matá-lo. Ao ser capturado, o torturador faz uma revelação surpreendente.

DOIS CÓRREGOS – VERDADES SUBMERSAS no TEMPO
(1999)

direção de Carlos Reichenbach
elenco: Carlos Alberto Riccelli,  Beth Goulart e Ingra Liberato

Duas adolescentes burguesas passam uma temporada numa fazenda e acabam convivendo com o tio de uma delas, um homem misterioso, clandestino no país.

CABRA-CEGA
(2004)

direção de Toni Venturi
elenco: Leonardo Medeiros, Débora Duboc e Jonas Bloch

Dois jovens militantes da luta armada sonham com uma revolução comunista no Brasil. Após ser ferido por um tiro, em uma emboscada feita pela polícia, um deles precisa se esconder na casa de um arquiteto simpatizante da causa. O fugitivo é o comandante de uma organização de esquerda, que está no momento debilitada e prepara um retorno à luta política. Ganhou cinco Candangos no Festival de Brasília, entre eles, Melhor Roteiro.

BATISMO de SANGUE
(2006)

direção de Helvécio Ratton
elenco: Caio Blat, Daniel de Oliveira e Cássio Gabus Mendes

No final dos anos 60, um grupo de frades dominicanos decide apoiar a luta armada contra o regime militar. Na mira das autoridades policiais, são presos, passando por torturas. Um deles é mandado para exílio na França, onde comete suicídio. Melhor Diretor e Melhor Fotografia no Festival de Brasília. Interpretações expressivas.

O ANO em que MEUS PAIS SAIRAM de FÉRIAS
(2006)

direção de Cao Hamburger
elenco: Michel Joelsas, Simone Spoladore, Caio Blat
e Paulo Autran

Em 1970, um garoto de 12 anos tem como maior sonho ver o Brasil tricampeão mundial de futebol. De repente, separado dos pais comunistas e obrigado a se adaptar a uma comunidade – o Bom Retiro, bairro de São Paulo, que abriga judeus, italianos, entre outras culturas. Cuidado pelo avô, que morre, o garoto se integra à comunidade judaica, além de conhecer militantes. Melhor Filme no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.

ZUZU ANGEL
(2006)

direção de Sérgio Rezende
elenco: Patrícia Pillar, Daniel de Oliveira e Leandra Leal

Estilista de projeção internacional trava uma batalha contra as autoridades militares em busca do corpo do filho que participava da luta armada e foi morto. Boas atuações.

SONHOS e DESEJOS
(2006)

direção de Marcelo Santiago
elenco: Felipe Camargo, Mel Lisboa e Sérgio Morrone

Uma estudante, um professor de literatura e um guerrilheiro ferido - sempre com o rosto coberto - são militantes confinados em um apartamento em Belo Horizonte. Eles confrontam suas opções afetivas e políticas, envolvendo ideologia, lealdade e traição.

HOJE
(2011)

direção de Tata Amaral
elenco: Denise Fraga e César Troncoso

Ex-militante recebe indenização do governo pelo desaparecimento do marido. Com o dinheiro, ela pode comprar o tão sonhado apartamento próprio e libertar-se desta condição de suspensão em que viveu durante décadas, período em que não era sequer reconhecida oficialmente como viúva. No momento da mudança para o novo lar, porém, surge uma visita que a obriga a rever toda sua trajetória.

TATUAGEM
(2013)

direção de Hilton Lacerda
elenco: Irandhir Santos, Jesuíta Barbosa e Rodrigo Garcia

Brasil, 1978. O regime militar, ainda atuante, mostra sinais de esgotamento. Em um teatro/cabaré, localizado na periferia entre duas cidades do Nordeste do Brasil, um grupo de artistas provoca o poder e a moral estabelecida com espetáculos e interferências públicas. Uma trupe conhecida como Chão de Estrelas, juntamente com intelectuais e artistas, resiste através do deboche e da anarquia.

FONTES
“História Ilustrada dos Filmes Brasileiros – 1029-1988”
de Salvyano Cavalcanti de Paiva
 
“Enciclopédia do Cinema Brasileiro”
de Fernão Ramos e Luiz Felipe Miranda
 
“O Discurso Cinematográfico”, de Ismail Xavier