outubro 31, 2022

**************** TRIBUTO a CHARLES LAUGHTON



“Hollywood é um lugar estúpido. Mas eu gosto. É a casa perfeita dos caricatos. Se eu não fosse um pouco louco, não moraria lá.”
CHARLES LAUGHTON
 

Nasceu em uma família rica de proprietários de hotéis. Após a morte do seu pai, CHARLES LAUGHTON (1899 – 1962. Scarborough, Yorkshire / Inglaterra) estudou atuação e rapidamente se tornou um bem sucedido ator. Construiu uma filmografia expressiva, mesmo que sua figura corpulenta e seu rosto nada bonito significassem que a maioria dos papéis principais não estava disponível para ele. Recebeu três indicações ao Oscar de Melhor Ator, ganhando em 1933 por “A Vida Privada de Henrique VIII”. Foi o primeiro ator britânico a arrebatar a famosa estatueta dourada.

Presença imponente no palco e na tela, estrela de cinquenta filmes e quarenta peças, ele infelizmente está esquecido nos dias de hoje. Extremamente talentoso e complexo - uma lenda artística que, no entanto, vivia em conflito com seu rosto pouco atraente e o corpo obeso. Sua personalidade abrigava uma alma torturada e insegura, um menino-homem desajeitado. Perfeccionista, achava o teatro frustrante, preferindo as possibilidades do cinema. Apesar do sucesso imediato e duradouro, ele nunca estava satisfeito e se considerava um fracasso. 

laughton e o oscar
Estudou na Royal Academy of Dramatic Art de Londres e fez sua primeira aparição no palco em 1926, em “O Inspetor Geral”, de Gogol. Depois de performances bem sucedidas no West End londrino, estreou no cinema em 1928, numa comédia silenciosa, “Blue Bottles”. Em uma peça, “Mr Prohack”, conheceu sua futura esposa, Elsa Lanchester, com quem se casou em 1929. Em 1931, se apresentou em Nova York e no ano seguinte faria seu primeiro filme em Hollywood, “The Old Dark House / A Casa Sinistra”. Retornou à Inglaterra em 1933 para quatro peças de Shakespeare no Old Vic: “Macbeth”, “Henrique VIII”, “Medida por Medida” e “A Tempestade”. Em 1936, em Paris, brilhou em um clássico de Molière na Comédie Française.

Exuberante, CHARLES LAUGHTON era um ator excelente, encarnando personagens sádicos e cordiais, assassinos e advogados, artistas e simplórios, e todos com o mesmo poder de convicção. Voz poderosa e penetrante, interpretava com paixão e imaginação. Muito longe do protótipo de um astro pela sua gordura, traços exagerados e voz peculiar, tornou-se uma presença estelar no cinema de Hollywood, especializando-se em papéis ambíguos. Seu modo particular de abordar o personagem conseguia dotá-lo de um pano de fundo de moralidade suspeita.

No histórico “A Vida Privada de Henrique VIII” (1933), fez um monarca vigoroso. Pouco depois foi a vez do tirânico Capitão Bligh em “O Grande Motim” (1935) e outros filmes populares. Originalmente escalado para “David Copperfield / The Personal History, Adventures, Experience, & Observation of David Copperfield the Younger” (1935), clássico de George Cukor adaptado de Charles Dickens, abandonou as filmagens. Na época, nos bastidores, foi dito que ele assediou sexualmente o ator infantil Freddie Bartholomew. WC Fields ficou com o papel de Micawber. Convidado para “O Corcunda de Notre Dame” (1939), adaptado de Victor Hugo, hesitou diante do deformado e patético Quasimodo, já que tinha problemas com sua própria aparência. Por fim, assumiu o projeto, tornando-se o seu filme mais popular.

laughton e elsa lanchester
Em 1937, em sociedade com Erich Pommer, formou sua própria companhia cinematográfica, a Mayflower Pictures Corp., produzindo três filmes, um deles dirigido por Alfred Hitchcock. No mesmo ano, estrelou a versão cinematográfica do romance
“I, Claudius”, de Robert Graves, que terminou abandonada após os ferimentos sofridos por Merle Oberon em um acidente de carro. Com a Segunda Guerra Mundial, a produtora fechou as portas e CHARLES LAUGHTON voltou para Hollywood.

A voz clara e distinta do ator fez muito sucesso em leituras no palco de grandes obras da literatura, viajando pela América do Norte e Inglaterra. As leituras começaram como entretenimento para as tropas hospitalizadas na Segunda Guerra Mundial, e mais tarde se desenvolveram em performances públicas aclamadas e altamente populares. Foram centenas de espetáculos. No palco, de uma sacola cheia de livros, selecionava trechos de obras de Charles Dickens, Thomas Wolfe, William Shakespeare, Esopo e, muitas vezes, a “Bíblia”. Muitas das leituras foram preservadas em gravações de áudio e na série de televisão “This is Charles Laughton” (1953).
 
O ator não temia a experimentação, colaborando com Bertolt Brecht em 1947 em “A Vida de Galileu”. Na direção, Joseph Losey. Um de seus sucessos mais notáveis no teatro foi ao interpretar o Diabo em “Don Juan no Inferno”, de Bernard Shaw, em 1950. Ele dirigiu várias peças na Broadway. Desde um poema épico da Guerra Civil, em 1953, estrelado por Tyrone Power, a “A Nave da Revolta”, em 1954, um sucesso estrelado por Henry Fonda que teve 415 apresentações. Também foi um conceituado professor de teatro, tendo entre seus alunos, Albert Finney.

Para dissipar sua solidão, CHARLES LAUGHTON procurava a companhia de belos jovens, muitos dos quais começavam como seu massagista ou assistente pessoal. Com alguns deles, desenvolveu longos relacionamentos românticos. Ele era feliz e produtivo quando envolvido nesses romances, mas quando se separavam, entrava em crise. Em “O Grande Motim”, a homofobia de Clark Gable criou tanta tensão no set que o produtor Irving Thalberg teve que intervir. Casado com Elsa Lanchester, ele estava profundamente descontente com suas tendências homossexuais. Permaneceu com a esposa até sua morte e, embora tivesse vários amantes, nunca teve um parceiro significativo.

Embora temesse um escândalo, sempre trazia amantes para as filmagens para ajudá-lo a relaxar. O seu pior medo se materializou enquanto dirigia Henry Fonda em “A Nave da Revolta” (1954). Fonda, irritado com o desenvolvimento da peça, atacou o diretor na frente de todos: “O que você sabe sobre os homens, sua bicha gorda?”. Parte da homofobia internalizada de CHARLES LAUGHTON foi aliviada em 1960, depois que ele e sua esposa compraram uma casa em Santa Monica, ao lado do escritor gay Christopher Isherwood e seu companheiro Don Bachardy. Os dois casais se tornaram amigos íntimos, e o orgulho gay de Isherwood e Bachardy ajudaram o ator a alcançar uma certa aceitação emocional.

Dirigiu apenas um filme, “O Mensageiro do Diabo / The Night of the Hunter, de 1955, estrelado por Robert Mitchum, Shelley Winters e Lillian Gish. Embora tenha sido um fracasso de crítica e bilheteria, desde então vem sendo citado como um dos maiores filmes da década de 1950. Na vida privada, CHARLES LAUGHTON tinha o ator Burgess Meredith como um dos seus melhores amigos. Homem sensível, apaixonado pela arte japonesa, era um conhecedor de arte, acumulando uma coleção valiosa.

laughton e lanchester
Seu casamento não era feliz, e eles seguiam caminhos separados na maior parte do tempo, embora nunca se separassem. Um dos últimos projetos de direção dele foi um espetáculo que criou para a esposa, em 1960, “Elsa Lanchester – Ela Mesma”. Após a morte dele, Elsa escreveu um livro alegando que eles nunca tiveram filhos porque não faziam sexo, mas não se considerava enganada, sabia que ele era homossexual quando se casaram. Atormentado pelo desejo, o ator vivia envergonhado de seus anseios homossexuais. Nunca discutiu publicamente ou declarou sua homossexualidade, exceto para sua esposa.

Suas últimas peças foram “Sonhos de Uma Noite de Verão” e o papel título de “Rei Lear”, em 1959. Foi muito elogiado por seu retrato de um senador desonesto em seu derradeiro filme, “Tempestade em Washigton”. Em 1962, diagnosticado com câncer na coluna, seu peso caiu para apenas quarenta quilos. Ficou em coma e morreu em dezembro do mesmo ano. Talento criativo completo, certa vez Daniel Day-Lewis o citou como uma de suas inspirações: “Ele foi o melhor ator de cinema da sua época. Tinha algo notável. Sua generosidade como ator alimentava seu trabalho e impedia o público de tirar os olhos dele em cena.”

no premiado “a vida privada de henrique VIII”

DEZ FILMES de CHARLES LAUGHTON
(por ordem de preferência)
 
01
Os MISERÁVEIS
(Les Misérables, 1935)

Direção de Richard Boleslawski
Elenco: Fredric March, Cedric Hardwicke, Rochelle Hudson e Florence Eldridge
 
02
TESTEMUNHA de ACUSAÇÃO
(Witness for the Prosecution, 1957)

Direção de Billy Wilder
Elenco: Tyrone Power, Marlene Dietrfich, Elsa Lanchester e Una O'Connor
 
03
O CORCUNDA de NOTRE DAME
(The Hunchback of Notre Dame, 1939)

Direção de William Dieterle
Elenco: Maureen O´Hara, Cedric Hardwicke, Thomas Mitchell e Edmond O´Brien
 
04
O GRANDE MOTIM
(Mutiny on the Bounty, 1935)

Direção de Frank Lloyd
Elenco: Clark Gable, Franchot Tone, Donald Crisp, Spring Byington e Movita
 
05
TEMPESTADE sobre WASHINGTON
(Advise & Consent, 1962)

Direção de Otto Preminger
Elenco: Franchot Tone, Lew Ayres, Henry Fonda, Walter Pidgeon, Don Murray, Peter Lawford, Gene Tierney e Burgess Meredith
 
06
SPARTACUS
(Idem, 1960)

Direção de Stanley Kubrick
Elenco: Kirk Douglas, Laurence Olivier, Jean Simmons, Peter Ustinov, Nina Foch, John Gavin e John Ireland
 
07
O SINAL da CRUZ
(The Sign of the Cross, 1932)

Direção de Cecil B. DeMille
Elenco: Fredric March, Claudette Colbert e Elissa Landi
 
08
ESTA TERRA é MINHA
(This Land Is Mine, 1943)

Direção de Jean Renoir
Elenco: Maureen O´Hara, George Sanders, Walter Slezak e Una O´Connor
 
09
Os AMORES de HENRIQUE VIII
(The Private Life of Henry VIII, 1933)

Direção de Alexander Korda
Elenco: Robert Donat, Merle Oberon e Elsa Lanchester
 
10
O RELÓGIO VERDE
(The Big Clock, 1948)

Direção de John Farrow
Elenco: Ray Milland, Maureen O`Sullivan, George Macready e Elsa Lanchester

GALERIA de FOTOS



setembro 29, 2022

*********** 50 FILMES: os MELHORES do CINEMA

“o sétimo selo”, de ingmar bergman


Blogueiros, jornalistas, críticos, revistas e institutos costumam selecionar os MELHORES FILMES do CINEMA. Nessas listas nunca faltam títulos que são unanimidade, como “Cidadão Kane / Citizen Kane” (1941) ou “Um Corpo que Cai / Vertigo” (1958). Aprecio esses clássicos, mas prefiro outros dos mesmos diretores. Como não vou na onda da galera, faço mais uma vez uma lista cinéfila de acordo com os meus próprios critérios.
 
O evidente é que muitas listas não se sustentam. Basta lembrar que há algumas com opções altamente questionáveis, como incluir “Avatar / Idem” (2009) ou qualquer longa de Quentin Tarantino. De olho no apuro artístico dos filmes e na emoção que me provocam, não tive nenhum cuidado de incluir cineastas geniais ou filmes célebres, fui de acordo com o achismo da cabeça e com o que o coração manda.

Existem diversos filmes que fazem parte da história da sétima arte e se tornaram referências, outros são tesouros que vamos descobrindo ao longo do caminho. 50 títulos parecem muito, mas é ilusório tendo em vista o número de candidatos potenciais. Conheça, abaixo, os principais filmes que marcaram minha vida. A lista é definitiva mesmo? Duvido. Dentro de algum tempo poderá ser bem diferente.
 
01

ROCCO e SEUS IRMÃOS


Itália e França
Direção: Luchino Visconti
Elenco: Alain Delon, Renato Salvatori, Annie Girardot, Claudia Cardinale, Katina Paxinou, Adriana Asti e Paolo Stoppa

Vindos do sul de Itália para Milão, uma mãe (extraordinária Katina Paxinou) e quatro dos seus cinco filhos se deparam com conflitos familiares, fracassos, paixões, pugilismo, prostituição, jogo, bebida e assassinato. Inspirado no livro “l Ponte della Ghisolfa”, de Giovanni Testori, é uma co-produção italo-francesa que utiliza cenários naturais e aborda os confrontos sociais numa Itália em transformação, e onde a luta por progresso e melhoria financeira pode levar à descaracterização moral. Primeiro sucesso comercial de Visconti, abrindo-lhe caminho para obras mais suntuosas do ponto de vista de produção.
 
02
FAUSTO
(Faust: Eine Deutsche Volkssage, 1926)


Alemanha
Direção: F. W. Murnau
Elenco: Gösta Ekman, Emil Jannings, Camilla Horn e Yvette Guilbert

Ao fazer um pacto com o diabo, um velho médico e alquimista recupera a juventude e é tentado com uma vida de opulência e luxúria. Produção de enorme beleza cênica. A mais cara da UFA até então. Fiel às características expressionistas, com um ritmo impetuoso, encanta pelo cuidado colocado em cada plano, e pelo uso da luz e das sombras, que tornam cada cena como se de uma pintura se tratasse. O filme brilha também pelas interpretações de Emil Jannings, que compõe um demônio manipulador, astuto, mas ainda assim sedutor, e de Gösta Ekman, no papel do anti-herói bem intencionado, mas atormentado pelas consequências das suas decisões. Para muitos trata-se do melhor filme de Murnau. É sem dúvida uma magnífica lição de cinema.
 
03
O PODEROSO CHEFÃO
(The Godfather, 1972)


EUA
Direção: Francis Ford Coppola
Elenco: Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Diane Keaton, Robert Duvall, John Cazale, Sterling Hayden, John Marley, Richard Conte e Talia Shire

O primeiro da trilogia épica de Coppola sobre a mafiosa família Corleone. Adaptado do romance homônimo de Mario Puzo, nos mostra a máfia ítalo-americana por dentro, como um acontecimento de família, cheio de intrigas palacianas, uma pompa impensável e um jogo criminal com ramificações e ambições. Com Don Vito Corleone (Marlon Brando, antológico) e o seu filho Michael (Al Pacino), entre outros, conhecemos a frieza de lidar com o perigo e as decisões mais violentas. Vemos como se conduzem negócios por entre sangue e corrupção, a força da lealdade familiar, a tradição siciliana e a implacabilidade com cada traição.
 
04
RASHOMON
(Idem, 1950)


Japão
Direção: Akira Kurosawa
Elenco: Toshiro Mifune, Machiko Kyô, Masayuki Mori e Takashi Shimura

Numa floresta, o assassinato de um samurai de quatro perspectivas diferentes. Ganhou o Leão de Ouro do Festival de Veneza, abrindo as portas internacionais para o cinema japonês. A partir de duas histórias do escritor Ryūnosuke Akutagawa, o diretor criou uma obra complexa, chamando a atenção para a natureza humana, da ambição ao desejo, passando pelo aprisionamento a valores, e a necessidade da mentira. Célebre pelos dilemas morais, pelo estudo sobre as motivações humanas, pela técnica narrativa de flashbacks dentro de flashbacks. Recebeu um Oscar Honorário, tornando-se responsável pela criação do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
 
05

ANDREI RUBLEV
(Idem, 1966)


Rússia
Direção: Andrei Tarkovsky
Elenco: Anatoliy Solonitsyn, Ivan Lapikov e Nikolay Grinko

Na Rússia do século XV, ainda perdida entre cristianismo e paganismo, num regime feudal de príncipes rivais, e invasões tártaras, vive um monge famoso pelas suas pinturas de ícones religiosos. Filmando em cenários naturais, em locais históricos, procura ser fiel à época, e não à biografia do monge-pintor, do qual pouco se sabe. Tarkovsky apresenta uma Idade Média suja, feia, violenta e confusa, na qual há ainda assim espaço para valores como a arte, a vocação artística, a liberdade individual, e o papel da religião. Divide-se em oito partes, precedidas de um prólogo, e terminando com um epílogo no qual, a cores, vemos alguns dos afrescos de Rublev ainda existentes. É um dos mais influentes filmes da história do cinema.
 
06
A MARCA da MALDADE
(The Touch of Evil, 1958)


EUA
Direção: Orson Welles
Elenco: Charlton Heston, Orson Welles, Janet Leigh, Akim Tamiroff e Marlene Dietrich

Um casal em lua-de-mel atravessa a fronteira do México para os Estados Unidos e testemunha a explosão de um carro. A partir daí se envolve numa trama perigosa e sinistra. Último grande noir da era clássica, tem Orson Welles na pele de um policial corrupto. Ele assusta pela crueldade e desumanidade. Numa interpretação brilhante (desfigurado pelo peso excessivo) transpira antipatia a cada movimento. Sua performance ofusca os demais atores, contracenando com um Charlton Heston criticado por interpretar um mexicano sem naturalidade. Apresentado como policial B, passou despercebido nos Estados Unidos, mas foi aplaudido na Europa na década seguinte.
 
07
AURORA
(Sunrise: A Song of Two Humans, 1927)

EUA

Direção: F. W. Murnau
Elenco: George O`Brien, Janet Gaynor e Margaret Livingston

No final de 1926, F. W. Murnau deixou a sua Alemanha natal, para continuar sua carreira em Hollywood. Com seu primeiro filme norte-americano criou uma das mais poderosas obras-primas do cinema mudo. Um conto moral sobre tentação e luxúria sobre um casal que vive uma vida triste no campo. Ele tem uma amante, uma garota da cidade que o tenta convencer a matar a esposa. Com uma fotografia deslumbrante e planos de enorme riqueza cênica, o filme passou despercebido inicialmente, mas levou o Oscar de Melhor Atriz para Janet Gaynor (foi uma segunda escolha, Murnau preferira a alemã Camilla Horn). Desde então, tem sido considerado um dos marcos do cinema.
 
08

MORANGOS SILVESTRES
(Smultronstället, 1957)


Suécia
Direção: Ingmar Bergman
Elenco: Victor Sjöström, Bibi Andersson, Ingrid Thulin e Max von Sydow

Em uma viagem para receber um diploma honorário, um acadêmico idoso e viúvo (interpretado magistralmente pelo veterano cineasta Victor Sjöström), acompanhado da nora, relembra a infância, um antigo amor que o abandonou e a traição da esposa. As experiências da viagem, as memórias, o descoberto carinho da família e novos amigos dão ao protagonista um sentimento de paz. Compreende assim como os caminhos seguidos e as escolhas passadas o afastaram de ter relações felizes. Vencedor do Urso de Ouro de Berlim e do Globo de Ouro, toca-nos pelo olhar sincero e humano, numa narrativa nostálgica e bucólica. Uma lição de Bergman (de toques autobiográficos), tantas vezes seguida por outros diretores.
 
09
CANTANDO na CHUVA
(Singin' in the Rain, 1951)


EUA
Direção: Stanley Donen & Gene Kelly
Elenco: Gene Kelly, Donald O´Connor, Debbie Reynolds, Jean Hagen e Cyd Charisse

Tendo como pano de fundo a conturbada transição de Hollywood do cinema mudo para o falado no final da década de 1920, conta a história de uma estrela de Hollywood que tem uma voz ridícula. Para dar continuidade a sua carreira no sonoro, o estúdio contrata uma atriz iniciante para dublá-la. Com um toque cômico, tem uma soberba e hilária interpretação de Jean Hagen na irritante Lina Lamont (num papel pensado para Judy Holliday). Mas, sendo um musical, é pelas sequências de canto e dança que é mais memorável. Estranhamente não fez sucesso na estreia. Com o passar do tempo, foi-se tornando popular, surgindo nas listas dos melhores filmes e constando quase sempre como o melhor musical do cinema.
 
10
O EXÉRCITO das SOMBRAS
(L'Armée des Ombres, 1969)


França e Itália
Direção: Jean-Pierre Melville
Elenco: Lino Ventura, Paul Meurisse, Simone Signoret e Serge Reggiani

Obra-prima sobre a resistência francesa à invasão nazista na Segunda Guerra Mundial. Em 1942, as tropas alemãs ocupam todo o território da França. A trama acompanha vários meses na vida de alguns combatentes congregados em torno de um sossegado engenheiro civil que, na realidade, é um dos maiores líderes da resistência. Baseado no romance de Joseph Kessel, é o terceiro filme do diretor a abordar a ocupação nazista, após “O Silêncio do Mar / Le Silence de la Mer” (1949) e “Léon Morin, o Padre / Léon Morin, Prêtre” (1961). A adaptação de Melville aborda a condição dos resistentes, sujeitos a uma solidão física e moral e assolados pelo medo da traição.

11
IVAN, o TERRÍVEL – Parte 1
(Ivan Groznyy, 1944)


Rússia
Direção: Sergei Eisenstein
Elenco: Nikolay Cherkasov, Lyudmila Tselikovskaya e  Serafima Birman
 

12
NARCISO NEGRO
(Black Narcissus, 1947)


Reino Unido
Direção: Michael Powell e Emeric Pressburguer
Elenco: Deborah Kerr, David Farrar, Flora Robson, Kathleen Byron e Jean Simmons
 
13

DESEJOS PROIBIDOS
(Madame de..., 1953)

França e Itália
Direção: Max Ophüls
Elenco: Charles Boyer, Danielle Darrieux e Vittorio De Sica
 
14

APOCALIPSE NOW
(Idem, 1979)

EUA
Direção: Francis Ford Coppola
Elenco: Martin Sheen, Marflon Brando, Robert Duvall, Frederic Forrest, Laurence Fishburne, Harrison Ford e Dennis Hopper
 
15

DIAS de IRA
(Vredens Dag, 1943)

Dinamarca
Direção: Carl Theodor Dreyer
Elenco: Lisbeth Movin, Thorkild Roose e Preben Lerdorff Rye
 
16

AMARCORD
(Idem, 1973)

Itália e França
Direção: Federico Fellini
Elenco: Armando Brancia, Luigi Rossi e Magali Noël
 
17

AMÉRICA, AMÉRICA – TERRA de um SONHO DISTANTE
(America, America, 1963)

EUA
Direção: Elia Kazan
Elenco: Frank Wolff e Lou Antonio
 
18

O SAMURAI
(Le Samouraï, 1967)

França e Itália
Direção: Jean-Pierre Melville
Elenco: Alain Delon e François Périer
 

19
METROPÓLIS
(Metropolis, 1927)

Alemanha
Direção: Fritz Lang
Elenco: Brigitte Helm, Alfred Abel, Gustav Fröhlich e Theodor Loos
 
20

CONTOS da LUA CHEIA
(Ugetsu Monogatari, 1953)

Japão
Direção: Kenji Mizoguchi
Elenco: Masayuki Mori, Machiko Kyô e Kinuyo Tanaka
 
21

A QUERMESSE HEROICA
(La Kermesse Héroique, 1935)

França
Direção: Jacques Feyder
Elenco: Françoise Rosay, Louis Jouvet e Jean Murat
 

22
TRONO MANCHADO de SANGUE
(Kumonosu-jō, 1957)

Japão
Direção: Akira Kurosawa
Elenco: Toshirô Mifune, Isuzu Yamada e Takashi Shimura
 

23
A GRANDE ILUSÃO
(La Grande Illusion, 1937)

França
Direção: Jean Renoir
Elenco: Jean Gabin, Erich von Stroheim, Pierre Fresnay, Dita Parlo e Marcel Dalio
 
24

CREPÚSCULO dos DEUSES
(Sunset Boulevard, 1950)

EUA
Direção:  Billy Wilder
Elenco: Gloria Swanson, William Holden, Erich von Stroheim e Nancy Olson
 
25

A PAIXÃO de JOANA DARC
(La Passion de Jeanne d'Arc, 1928)

França
Direção: Carl Theodor Dreyer
Elenco: Renée Falconetti e Antonin Artaud
 
26

A DOCE VIDA
(La Dolce Vita, 1960)

Itália e França
Direção: Federico Fellini
Elenco: Marcello Mastroianni, Anita Ekberg, Anouk Aimée, Yvonne Furneaux, Alain Cuny, Magali Noel e Laura Betti
 
27

NOITE e NEBLINA
(Nuit et Brouillard, 1956)

França
Direção: Alain Resnais
 
28

TRÁGICO AMANHECER
(Le Jour se Leve, 1939)

França
Direção: Marcel Carné
Elenco: Jean Gabin, Arletty, Jules Berry e Bernard Blier
 
29

Os CORRUPTOS
(The Big Heat, 1953)

EUA
Direção: Fritz Lang
Elenco: Glenn Ford, Gloria Grahame, Lee Marvin, Jeanette Nolan e Carolyn Jones
 
30

O FALCÃO MALTÊS
(The Maltese Falcon, 1941)

EUA
Direção: John Huston
Elenco: Humphrey Bogart, Mary Astor, Peter Lorre e Sydney Greenstreet
 
31

O INTENDENTE SANSHO
(Sansho Dayu, 1954)

Japão
Direção: Kenji Mizoguchi
Elenco: Kinuyo Tanaka, Yoshiaki Hanayagi e Kyôko Kagawa
 
32

OLIMPÍADAS
(Olympia, 1938)

Alemanha
Direção: Leni Riefenstahl
 
33

As VINHAS da IRA
(The Grapes of Wrath, 1940)

EUA
Direção: John Ford
Elenco: Henry Fonda, Jane Darwell, John Carradine e Charley Grapewin
 
34

PACTO de SANGUE
(Double Indemnity, 1944)

EUA
Direção: Billy Wilder
Elenco: Fred MacMurray, Barbara Stanwyck e Edward G. Robinson 
 
35
CLAMOR do SEXO
(Splendor in the Grass, 1961)

EUA
Direção: Elia Kazan
Elenco: Natalie Wood, Warren Beatty, Pat Hingle e Sandy Dennis
 
36

Um DIA MUITO ESPECIAL
(Una Giornata Particolare, 1977)

Itália e Canadá
Direção: Ettore Scola
Elenco: Sophia Loren e Marcello Mastroianni
 
37

A PRIMEIRA NOITE de TRANQUILIDADE
(La Prima Notte di Quiete, 1972)

Itália e França
Direção: Valerio Zurlini
Elenco: Alain Delon, Giancarlo Giannini, Sonia Petrova, Alida Valli e Lea Massari
 
38

DOUTOR JIVAGO
(Doctor Zhivago, 1965)

Itália, Reino Unido e EUA
Direção: David Lean
Elenco: Omar Shariff, Julie Christie, Rod Steiger, Geraldine Chaplin, Alec Guinness, Tom Courtenay, Siobhan McKenna, Ralph Richardson e Klaus Kinsky
 
39

O SÉTIMO SELO
(Det Sjunde Inseglet, 1957)

Suécia
Direção: Ingmar Bergman
Elenco: Max von Sydow, Gunnar Björnstrand, Bengt Ekerot e Bibi Andersson
 
40

A um PASSO da ETERNIDADE
(From Here to Eternity, 1953)

EUA
Direção: Fred Zinnemann
Elenco: Burt Lancaster, Montgomery Clift, Deborah Kerr, Frank Sinatra e Donna Reed
 
41

A MALVADA
(All About Eve, 1950)

EUA
Direção: Joseph L. Mankiewicz
Elenco: Bette Davis, Anne Baxter, George Sanders, Celeste Holm, Gary Merrill, Hugh Marlowe, Gregory Ratoff, Marilyn Monroe e Thelma Ritter
 
42

INTRIGA INTERNACIONAL
(North by Northwest, 1959)

EUA
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Cary Grant, Eva Marie Saint, James Mason e Jessie Royce Landis
 
43

Um LUGAR ao SOL
(A Place in the Sun, 1951)

EUA
Direção: George Stevens
Elenco: Montgomery Clift, Elizabeth Taylor, Shelley Winters e Anne Revere
 
44

O MORRO dos VENTOS UIVANTES (1939)
(Wuthering Heights, 1939)

EUA
Direção: Willyam Wyler
Elenco: Merle Oberon, Laurence Olivier, Flora Robson e Geraldine Fitzgerald
 
45

O SOL por TESTEMUNHA
(Plein Soleil, 1960)

França e Itália
Direção: René Clèment
Elenco: Alain Delon, Maurice Ronet, Marie Laforêt, Erno Crisa e Ave Ninchi
 
46

TODOS os HOMENS do PRESIDENTE
(All the President's Men, 1976)

EUA
Direção: Alan J. Pakula
Elenco: Dustin Hoffman, Robert Redford, Jack Warden, Martin Balsam, Hal Halbrook, Jason Robards, Jane Alexander e Ned Beatty
 
47

RIO VERMELHO
(Red River, 1948)

EUA
Direção: Howard Hawks
Elenco: John Wayne, Montgomery Clift, Joanne Dru, Walter Brennan e John Ireland
 
48

MAIS FORTE QUE a VINGANÇA
(Jeremiah Johnson, 1972)

EUA
Direção: Sydney Pollack
Elenco: Robert Redford e Will Geer
 

49
SEVEN – os SETE PECADOS CAPITAIS
(Se7en, 1995)

EUA
Direção: David Fincher
Elenco: Morgan Freeman, Brad Pitt, Kevin Spacey e Gwyneth Paltrow
 
50

BLADE RUNNER, o CAÇADOR de ANDRÓIDES
(Blade Runner, 1982)

EUA
Direção: Ridley Scott
Elenco: Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young, Daryl Hannah e Joanna Cassidy