O politicamente correto é apenas tirania
com boas maneiras. Uma praga sobre a terra
tão devastadora quanto os gafanhotos
que Deus lançou sobre os egípcios.
É preciso coragem para ser contra
a doutrinação. A coragem é a face
admirável da História.
Opinar sobre raça não nos faz racistas.
Ver distinções entre os sexos não nos faz
machistas. Pensar criticamente sobre uma
religião não nos faz anti-religião. Aceitar,
mas não celebrar, a homossexualidade,
não nos faz homofóbicos.
CHARLTON HESTON
Cabelos: castanho-claros
Olhos: azuis
Apelidos: Chuck e Charlie
Altura: 1,98 m
Uma lenda do cinema. Deixou um legado de grandes clássicos e deu vida a
figuras históricas emblemáticas como Moisés, El Cid, Michelangelo, Marco
Antônio, João Batista, Andrew Jackson e, acima de tudo, Ben Hur – personagem
que lhe rendeu um Oscar. Alto, de feições belamente rudes e voz profunda, seu
físico imponente e semblante másculo abriram muitas portas em Hollywood. O dono
de um circo em “O Maior Espetáculo da Terra” (1952) foi seu trampolim para o
estrelato. Ganhou o Oscar de Melhor Filme, e CHARLTON HESTON (1923 -
2008. St. Helen, Michigan / EUA) seguiu a caminho de uma das carreiras
cinematográficas mais memoráveis. Quatro anos depois, o mesmo diretor e o ator
se reuniriam em “Os Dez Mandamentos”, épico bíblico que o colocou na vanguarda dos protagonistas. Segundo consta, o veterano realizador Cecil B. DeMille
o escolheu porque o achou semelhante a escultura de Moisés feita por
Michelangelo. Nunca mais foi esquecido, brilhando em inúmeros outros êxitos.
De ativismo conservador, destoava numa Hollywood que nunca escondeu as
suas simpatias comunistas. Tornou-se defensor do porte de armas, bandeira que
abraçou com fervor. Contra o aborto, exaltava a família, os bons costumes e os
direitos dos artistas. Ele foi muito além de um homem comum. Foi Ben-Hur, o
indômito judeu que conduziu seu povo a se rebelar contra os conquistadores
romanos no filme homônimo. Foi El Cid, o comandante da resistência
espanhola contra os invasores mouros, no filme com o mesmo nome do herói.
Incorporou, ainda, Moisés, que conduziu os escravos a se libertarem do
reino tirano do Egito, na refilmagem de “Os Dez Mandamentos”, e pintou a
Capela Sistina, como Michelangelo, em meio a diferenças artísticas com o Papa, em “Agonia e Êxtase”. CHARLTON HESTON foi mais do que um herói do cinema,
mais do que um ator de épicos, foi um astro épico! Atlético, determinado, leal e corajoso. “Uma figura heroica incomum no cinema norte-americano”, disse seu agente Michael Levine.
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| heston em “el cid” |
Defendia causas relacionadas com os direitos humanos desde os anos 60,
quando apoiou Martin Luther King, a quem chamava de “um Moisés do século XX”,
tendo participado da histórica Marcha de 1963, em Washington, junto com Burt Lancaster, Marlon Brando,
Sidney Poitier e Bob Dylan, mostrando uma faixa onde se lia “Todos os
homens nascem iguais”. Republicano, bateu boca via imprensa com
colegas esquerdistas, entre eles Barbra Streisand, Paul Newman, Robert De Niro,
Rod Steiger e Jack Nicholson. Defensor
da Segunda Emenda da Constituição, serviu como presidente da Associação
Nacional de Rifles (NRA) por cinco vezes, o que resultou no ódio dos vermelhos
de Hollywood, para quem ele era a própria encarnação do mal (George Clooney
chegou ao absurdo de fazer deboche quando soube que o ator sofria de
Alzheimer). Além de lutar pela liberdade de
expressão, era opositor ferrenho dos malditos dogmas politicamente corretos. Fez campanha intensa para os candidatos presidenciais de direita Ronald Reagan
(1984), George Bush (1988) e George W. Bush (2000). Possuía uma coleção de mais de 400 armas
modernas e antigas. Oponente do aborto, participou da introdução em um documentário antiaborto “Eclipse of Reason” (1987), de
Bernard Nathanson. Em 2003, recebeu a Medalha
Presidencial da Liberdade. Numa era tão escassa de artistas defensores da liberdade, nunca é demais
homenageá-lo recordando sua gloriosa trajetória. Garoto tímido e com poucos
amigos, passou a juventude em uma cidade do interior de Michigan. A família
mudou-se para os subúrbios de Chicago, onde ele fez parte do grupo
de teatro da sua escola. Gostava de fingir ser outras pessoas, resultando em
uma bolsa de estudos para um curso de arte dramática na North Western
University, onde conheceu Lydia Clarke, com quem se casou em 1944, e logo
seguiram para a Broadway, depois dele servir na Força Aérea na Segunda
Guerra Mundial.  |
| heston e o oscar em 1960 |
Sua estreia no teatro foi em “Antônio e Cleópatra”, de William
Shakespeare, na companhia de Katharine Cornell, em 1947. A peça foi um sucesso,
seguindo-se papéis principais em “Leaf and Bough” e “Design for a Stained Glass
Window”. No início dos anos 50, quando a televisão transmitia regularmente
dramas clássicos, apareceu em “Macbeth”, “A Megera Domada”, “Servidão Humana”, “Jane
Eyre” e “O Morro dos Ventos Uivantes”. Tinha no currículo apenas um filme,
“Peer Gynt”, produção independente de 1941, quando os letreiros de Hollywood se
iluminaram para ele. O produtor Hal B. Wallis o viu em “Jane Eyre” e o convidou
para
“Cidade Negra / Dark City” (1950), thriller noir de William Dieterle.
Recusou o papel
que terminaria sendo de Gary Cooper em “Matar ou Morrer / High Noon” (1952) e
de contracenar com Marilyn Monroe na comédia “Adorável Pecadora / Let`s Make
Love” (1960) para ser dirigido em uma montagem teatral de Sir Laurence Olivier.
Protagonizou o clássico “Ben-Hur” depois que o ateu Burt Lancaster desistiu do cobiçado papel por não
querer promover o catolicismo.
Muitas maldades foram faladas na mídia socialista na tentativa de
macular sua imagem, simplesmente por sua defesa do direito do cidadão em portar
armas. No documentário “Tiros em Columbine / Bowling for Columbine” (2002), denunciando o uso de armas, o vigarista Michael Moore tentou constranger CHARLTON
HESTON em sua própria casa. Na época, o ator idoso já sofria os primeiros
sintomas do Alzheimer. O diretor democrata, numa suja armadilha,
procurou provocá-lo falando sobre a morte de uma menina por causa de uma arma. O ator se
levantou e abandonou a entrevista. Embora o astro conservador e o
democrata Kirk Douglas divergissem na política eram amigos muito próximos.
Douglas declarou que nunca perdoaria Michael Moore
pela maneira desumana como tratou seu amigo. Clint Eastwood, republicano e defensor das armas, enviou
uma mensagem a Moore: “Se você chegar perto da porta da minha casa, eu
o mato”. Entre um filme e outro, ele encontrou tempo para continuar sua carreira no palco
estrelando “O Homem que Não Vendeu sua Alma”, de Robert Bolt; “As Bruxas de
Salem”, de Arthur Miller; “Macbeth”, com Vanessa Redgrave; “Longa Jornada Noite
Adentro”, com Deborah Kerr; “O Mistério do Forte Vermelho”,
“Chaga de Fogo” e “A Nave da Revolta”. Seu último papel no teatro foi ao lado
da esposa em “Cartas de Amor”, em Londres, 1999. CHARLTON HESTON
trabalhou em prol das artes. Presidente do conselho do
Center Theatre Group em Los Angeles e membro do Conselho Nacional de Artes, presidiu por sete mandatos o Screen Actors Guild. Presidente do
American Film Institute, foi escolhido pelo presidente Ronald Reagan para co-presidir a
Força-Tarefa da Casa Branca para Artes e Humanidades. Em 1967, recebeu o Prêmio Cecil B. DeMille no Globo
de Ouro. Dez anos depois, a Academia de
Artes e Ciências Cinematográficas o homenageou com o Prêmio Jean Hersholt por
suas atividades humanitárias. |
| margaret thatcher, reagan e heston |
Entre todos os seus filmes, considerava o faroeste “...E o Bravo Ficou Só / Will Penny” (1967) o seu preferido e “Catástrofe nas Selvas / The Call of the Wild” (1972)
seu pior filme. Dos diretores com quem trabalhou, gostou principalmente da experiência com Orson Welles.
“Welles é um dos poucos talentos autênticos no ramo”, afirmou. Laurence Olivier,
Gregory Peck e Burgess Meredith eram seus atores favoritos e Susan Hayward, Ingrid Bergman, Judith Anderson e Viveca Lindfors as atrizes que mais admirava:
“Todas elas profissionais de ponta – e sem frescuras”. Gostava de música clássica.
Leitor voraz por natureza, costumava pesquisar as
figuras históricas que frequentemente interpretava e os períodos que seus
filmes refletiam. Recusou o papel do delegado de polícia Martin Brody em “Tubarão / Jaws”
(1975). Descartou também “A Profecia / The Omen” (1976) e a comédia de Steven Spielberg “1941: Uma Guerra Muito Louca / 1941” (1979),
por considerar que insultava os veteranos da Segunda Guerra Mundial.
Nos anos 80 e 90, trabalhou mais em teatro e na TV, com participações especiais em séries, documentários e filmes. Sua derradeira atuação
no cinema foi em 2003, no brasileiro “Meu Pai / My Father, Rua Alguem 5555”. Os últimos anos de
vida de CHARLTON HESTON foram marcados pelo mal de Alzheimer. Faleceu no dia 8
de abril de 2008, em sua casa, em Beverly Hills, Los Angeles. Além da esposa,
com quem foi casado por 64 anos, deixou dois filhos e três netos. Um dos
filhos, Fraser Clarke Heston, é diretor de filmes e atuou
como Moisés bebê em “Os Dez Mandamentos”. O seu funeral contou com centenas de
pessoas, incluindo a ex-primeira-dama Nancy Reagan, Arnold Schwarzenegger, Olivia de Havilland, Pat Boone, Tom
Selleck e Oliver Stone. |
| heston e a esposa lydia |
FONTES
“Charlton Heston: an Incredible Life”
(2008)
de Michelle Bernier
“Charlton Heston: Hollywood's Last
Icon” (2017)
de Marc Eliot
“In the Arena: an Autobiography”
(1995)
de Charlton Heston
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| john derek, heston e vincent price em “os dez mandamentos” |
TREZE FILMES de CHARLTON HESTON(por ordem de preferência) 01BEN-HUR (Idem, 1959)direção de William Wylerelenco: Jack Hawkins, Stephen Boyd,
Haya Harareet,Hugh Griffith, Martha Scott, Cathy
O´Donnell,Sam Jaffe e Frank Thring Oscar de Melhor AtorDavid Di Donatello de Melhor Ator
Estrangeiro 02A MARCA da MALDADE (Touch of Evil, 1958)direção de Orson Welleselenco: Orson Welles, Janet Leigh,
Marlene Dietrich, Joseph Calleia, Akim Tamiroff e Zsa
Zsa Gabor 03Os DEZ MANDAMENTOS (The Ten Commandments, 1956)direção de Cecil B. DeMilleelenco: Yul Brynner, Anne Baxter,
Edward G. Robinson,Yvonne De Carlo, Debra Paget, John
Derek, Cedric Hardwicke, Nina Foch, Martha
Scott,Judith Anderson e Vincent Price 04Da TERRA NASCEM os HOMENS (The Big Country, 1958)direção de William Wylerelenco: Gregory Peck, Jean Simmons,
Carroll Baker,Burl Ives e Charles Bickford 05EL CID (Idem, 1961) direção de Anthony Mannelenco: Sophia Loren, Raf Vallone,
Geneviève Page,Hurd Hatfield e Frank Thring 06FÚRIA do DESEJO (Ruby Gentry, 1952)direção de King Vidorelenco: Jennifer Jones, Karl Malden e Josephine Hutchinson 07O ÚLTIMO GUERREIRO (Arrowhead, 1953)direção de Charles Marquis Warrenelenco: Jack Palance, Katy Jurado e
Brian Keith 08TRÁGICA EMBOSCADA (The Savage, 1952)direção de George Marshallelenco: Susan Morrow 09O MAIOR ESPETÁCULO da TERRA (The Greatest Show on Earth, 1952)
direção de Cecil B. DeMille
elenco: James Stewart, Betty Hutton,
Cornel Wilde,
Dorothy Lamour, Gloria Grahame e
Henry Wilcoxon
10
O PLANETA dos MACACOS
(Planet of the Apes, 1968)
direção de Franklin J. Schaffner
elenco: Roddy McDowall, Kim Hunter, Maurice Evans,
James Whitmore e Linda Harrison
11
No MUNDO de 2020
(Soylent Green, 1973)
direção de Richard Fleischer
elenco: Edward G. Robinson, Leigh
Taylor-Young
e Joseph Cotten
12
AGONIA e ÊXTASE
(The Agony and the Ecstasy, 1965)
direção de Carol Reed
elenco: Rex Harrison, Diane Cilento,
Harry Andrews,
Adolfo Celi e Tomas Milian
13
HAMLET
(Idem, 1996)
direção de Kenneth Branagh
elenco: Kenneth Branagh, Julie
Christie, Derek Jacobi,
Kate Winslet, Richard Attenborough,
Judi Dench,
e Gérard Depardieu
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| heston em “ben-hur” |
“Charlton é o ator ideal para o épico. Além
de seus atributos físicos, ele pode manejar um cavalo, uma espada, uma
carruagem, uma lança, qualquer coisa, como se tivesse sido feito para isso. Ele
é incrível. Coloque uma toga nele e ele ficará perfeito.”ANTHONY MANNdiretor de “El Cid”
GALERIA de FOTOS
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| heston e o presidente dos EUA ronald reagan |