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dezembro 04, 2011

*************** No COMANDO, os PRODUTORES

dino de laurentiis


 
ALEXANDER KORDA
(1893 - 1956. Túrkeve / Hungria)
merle oberon e korda

Húngaro, com importante trabalho na Inglaterra, onde se radicou nos anos 30, fundando a London Films. Trabalhou também como chefe da M-G-M inglesa. Muitos dos seus filmes são obras-primas. Foi casado com a atriz Merle Oberon entre 1939 e 1945.

Principais filmes: “Os Amores de Henrique VIII / The Private Life of Henry VIII” (1933), “O Pimpinela Escarlate / The Scarlet Pimpernel” (1934), “O Ladrão de Bagdá / The Thief of Bagdad” (1940), “Lady Hamilton, a Divina Dama / That Hamilton Woman” (1941), “Mowgli, o Menino Lobo / Jungle Book” (1942) e “O Terceiro Homem / The Third Man” (1949).

ARTHUR FREED
(1894 - 1973. Charleston, Carolina do Sul / EUA)
freed, vincente Minnelli 
e judy holliday

Fez vaudeville com os Irmãos Marx e consagrou-se como o gênio dos musicais. “Sinfonia de Paris” e “Gigi” ganharam o Oscar de Melhor Filme, mas seu cartão de visitas é “Cantando na Chuva”. Reuniu talentos da época, dando liberdade criativa a talentos como Vincente Minnelli, Judy Garland, Gene Kelly e Charles Walters.

Principais filmes: “Agora Seremos Felizes / Meet me in St. Louis” (1944), “O Pirata / The Pirate” (1948), “Sinfonia de Paris / An American in Paris” (1951), “Cantando na Chuva / Singin’ in the Rain” (1952) e “A Roda da Fortuna / The Band Wagon” (1953).

CARLO PONTI
(1912 - 2007. Magenta / Itália)
carlo e sophia

Italiano, começou em 1941 na Lux-Film. Produziu filmes importantes, cuidando também da carreira de sua esposa, a estrela Sophia Loren, com quem viveu até a morte. Ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por “A Estrada da Vida”, de Fellini, e “Ontem, Hoje e Amanhã / Ieri, Oggi, Domani” (1963), de Vittorio De Sica.

Principais filmes: “A Estrada da Vida / La Strada” (1954), “Duas Mulheres / La Ciociara” (1961), “Doutor Jivago / Doctor Jhivago” (1965), “Blow-up - Depois Daquele Beijo / Blow-up” (1966) e “Um Dia Muito Especial / Uma Giornata Particolare” (1977).

DARRYL F. ZANUCK
(1902 - 1979. Wahoo, Nebraska / EUA)

Na 20th Century-Fox, foi chefe de produção e presidente. Teve nada menos que 12 produções indicadas para o Oscar de Melhor Filme, que levou para casa três vezes: “Como Era Verde o Meu Vale / How Green was my Valley” (1941), “A Luz é para Todos / Gentleman’s Agreement” (1947) e “A Malvada”. Tentou em vão transformar em estrelas várias de suas amantes: Bella Darvi, Juliette Grécco e Irina Demick, entre outras.

Principais filmes: “Os Miseráveis / Les Misérables” (1935), “As Vinhas da Ira / The Grapes of Wrath” (1940), “Sangue e Areia / Blood and Sand” (1941), “O Fio da Navalha / The Razor’s Edge” (1946) e “A Malvada / All About Eve” (1950).

DAVID O. SELZNICK
(1902 - 1965. Pitsburgh, Pensilvânia / EUA)
selznick e vivien leigh

Para ele, o controle criativo dos filmes também deveria caber ao produtor. Sua defesa de tese é “...E o Vento Levou”. Depois de um período na Paramount e na RKO Radio Pictures, fundou sua própria produtora em 1936, a Selznick International. Responsável pela projeção internacional de Ingrid Bergman, Alfred Hitchcock e Vivien Leigh, por fim dedicou-se a dirigir a carreira de sua mulher, a estrela Jennifer Jones. Ganhou o Oscar por “... E o Vento Levou” e “Rebecca, a Mulher Inesquecível /Rebecca” (1940).

Principais filmes: “King Kong / Idem” (1933), “Anna Karenina / Idem” (1935), “Nasce Uma Estrela / A Star is Born” (1937), “... E o Vento Levou / Gone With the Wind” (1939) e “Desde que Você foi Embora / Since You Went Away” (1944).

DINO de LAURENTIIS
(1919 - 2010. Torre Annunziata / Itália)
silvana mangano e de laurentiis

Italiano, trabalhou com Fellini e Godard antes de se especializar em superproduções como “King Kong / Idem” (1976) e “Na Época do Ragtime / Ragtime” (1981). Casado com a bela Silvana Mangano, tinha fama de ser testa-de-ferro da máfia. Ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por “A Estrada da Vida / La Strada” e “Noites de Cabíria”, além do prêmio Irving G. Thalberg pelo conjunto de obra.

Principais filmes: “Arroz Amargo / Riso Amaro” (1949), “Guerra e Paz / War and Peace” (1956), “Noites de Cabíria / Le Notti di Cabiria” (1957), “Serpico / Idem” (1973), “O Ovo da Serpente / The Serpent’s Egg” (1977) e “O Ano do Dragão / Year of the Dragon” (1985).

ERICH POMMER
(1889 - 1966. Hildesheim / Alemanha)


Nascido na Alemanha, foi um dos mais importantes produtores do cinema mudo, responsável por várias obras-primas do expressionismo alemão.  Com o nazismo no poder mudou-se para a França e depois, Inglaterra. Fez alguns filmes em Hollywood, mas retornou a Alemanha depois da Segunda Guerra, sendo responsável pela reorganização da indústria cinematográfica germânica. De cadeira de rodas e com uma perna amputada, aposentou-se em 1951.

Principais filmes: “O Gabinete do Dr. Caligari / Das Cabinet des Dr. Caligari” (1920), “A Última Gargalhada / Der Letzte Mann” (1924), “Metropolis / Idem” (1927), “Fausto” (1926), “O Anjo Azul / Der Blaue Engel” (1930) e “A Estalagem Maldita / Jamaica Inn” (1939).

HAL B. WALLIS
(1899 - 1986. Chicago, Illinois / EUA)
dean martin, lizabeth scott 
e wallis

Produziu longas com as principais estrelas da Warner Brothers, de Bette Davis a Humphrey Bogart. A partir de 1945, passou a trabalhar na Paramount, lançando Burt Lancaster, Shirley MacLaine, Jerry Lewis e Elvis Presley. Casado com a atriz Martha Hyer, ganhou o Oscar pelo lendário clássico “Casablanca”.

Principais filmes: “O Falcão Maltês / The Maltese Falcon” (1940), “A Carta / The Letter” (1940), “O Último Refúgio / High Sierra” (1941), “Em Cada Coração um Pecado / Kings Row” (1942), “Casablanca / Idem “(1943) e “A Rosa Tatuada / The Rose Tattoo” (1955).

IRVING G. THALBERG
(1899 - 1936. Nova Iorque / EUA)
norma shearer e thalberg

Como chefe de produção da M-G-M, tornou-se lendário – e nome de prêmio da Academia –, controlando a política do estúdio, estimulando novos diretores e criando o conceito de filmes de prestígio. Ganhou o Oscar por “Grande Hotel”. Casado com a estrela Norma Shearer, morreu de pneumonia aos 36 anos.

Principais filmes: “Esposas Ingênuas/ Foolish Waves” (1922), “O Grande Desfile / The Big Parade” (1925), “A Turba / The Crowd” (1928), “Grande Hotel / Grand Hotel” (1932), “Terra de Paixões / Red Dust” (1932) e “Terra dos Deuses / The Good Earth” (1937).

JERRY WALD
(1911 - 1962. Nova Iorque / EUA)

Começou no rádio, tornando-se um dos mais poderosos produtores de Hollywood por mais de 20 anos. Recebeu quatro indicações para o Oscar de Melhor Filme, levando o prêmio Irving G. Thalberg em 1949. Morreu aos 50 anos, de um ataque cardíaco.

Principais filmes: “Alma em Suplício / Mildred Pierce” (1945), “Paixões em Fúria / Key Largo” (1948), “À Margem da Vida / Caged” (1950), “Tarde Demais para Esquecer / Na Affair to Remember” (1957) e “A Caldeira do Diabo / Peyton Place” (1957).

JOHN HOUSEMAN
(1902 - 1988. Bucareste / Romênia)


Ator e produtor norte-americano, nascido em Bucareste, na Romênia, iniciou em 1935 uma frutuosa, mas intempestiva, relação criativa com Orson Welles, que incluiu a fundação do Mercury Theater e a colaboração na mítica emissão radiofônica de “A Guerra dos Mundos” (1938) e no clássico “Cidadão Kane / Citizen Kane(1941), ambos realizados por Welles.Recebeu uma nomeação para o Oscar de Melhor Filme com “Júlio César / Julius Caesar” (1953) e venceu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo seu papel de professor Kingsfield em “O Homem Que Eu Escolhi / The Paper Chase” (1973).

Principais filmes: “Carta de Uma Desconhecida / Letter from an Unknown Woman” (1948), “Amarga Esperança / They Live by Night” (1949), “Assim Estava Escrito / The Bad and the Beautiful” (1952), “Cinzas que Queimam / On Dangerous Ground” (1952), “Júlio César” (1953) e “Sede de Viver / Lust for Life” (1956).

PANDRO S. BERMAN
(1905 - 1996. Pittsburgh, Pensilvânia / EUA)


Depois se tornar o principal produtor da RKO Radio Pictures, mudou para a M-G-M em 1940. Na RKO produziu musicais de Fred Astaire e Ginger Rogers e conduziu Katharine Hepburn para o estrelado. Seis de seus filmes concorreram ao Oscar de Melhor Filme, ganhando o prêmio Irving G. Thalberg em 1976.

Principais filmes: “Gunga Din / Idem” (1939), “Os Três Mosqueteiros / The Three Musketeers” (1948), “O Papai da Noiva / Father of the Bride” (1950), “Chá e Simpatia / Tea and Sympathy” (1956) e “Doce Pássaro da Juventude / Sweet Bird of Youth” (1962).

SAM SPIEGEL
(1901 - 1985. Jaroslaw / Polônia)
olivia de havilland e spiegel

Dirigiu as produções europeias da Universal, fugindo de Berlim com a ascensão de Hitler. Nos EUA utilizou inicialmente o pseudônimo S. P. Eagle, ganhando o Oscar três vezes: “Sindicato de Ladrões”, “A Ponte do Rio Kwai” e “Lawrence da Arábia”.

Principais filmes: “Uma Aventura na África / The African Queen” (1951), “Sindicato de Ladrões / On the Waterfront” (1954), “A Ponte do Rio Kwai / The Bridge on the River Kwain” (1957), “De Repente, no Último Verão / Suddenly, Last Summer” (1959), “Lawrence da Arábia / Idem” (1962) e “Nicholas e Alexandra / Idem” (1971).

SAMUEL GOLDWYN
(1879 - 1974. Varsóvia / Polônia)

Um dos mais famosos e respeitados produtores independentes, responsável por levar dramaturgos como Ben Hecht e Lillian Hellman para Hollywood, teve sete de suas produções indicadas para o Oscar de Melhor Filme, que faturou com “Os Melhores Anos de Nossas Vidas / The Best Years of Our Lives”. Fundou sua própria companhia, a Goldwyn Picture e era conhecido pelos altos salários que pagava. Descobriu inúmeras estrelas, de David Niven a Virgínia Mayo, mas fracassou literalmente ao tentar transformar a russa Anna Sten numa nova Greta Garbo.

Principais filmes: “Stella Dallas – Mãe Redentora / Stella Dallas” (1937), “O Morro dos Ventos Uivantes / Wuthering Heights “(1939), “Pérfida / The Little Foxes” (1941), “Bola de Fogo / Ball of Fire” (1942) e “Os Melhores Anos de Nossas Vidas” (1946).

WALTER WANGER
(1894 - 1968. São Francisco, Califórnia / EUA)
wanger e joan bennett

Começou a trabalhar em 1920 na Paramount, passando por quase todos os estúdios de Hollywood, até tornar-se um bem sucedido produtor independente. Tinha sob contrato a atriz Joan Bennett, casando-se com ela e produzindo para a sua musa clássicos do noir. Escreveu “Minha Vida com Cleópatra”, em que procura contar porque o filme quase levou a 20th Century-Fox à falência. Produziu cerca de 70 filmes.

Principais filmes: “Rainha Cristina / Queen Christina” (1933), “No Tempo das Diligências / Stagecoach “(1939), “Almas Perversas/ Scarlet Street” (1945), “Vampiros de Almas / Invasion of the Body Snatchers” (1956) e “Quero Viver / I Want to Live!” (1958).

março 25, 2011

******** JUDY GARLAND: GLÓRIA e AMARGURA

como dorothy em o mágico de oz

 
Uma das mais completas estrelas dos anos dourados de Hollywood, JUDY GARLAND (1922 - 1969) comoveu multidões com seus enormes olhos escuros, nariz arrebitado, riso contagiante e voz volumosa. Ela conquistou fãs no mundo inteiro, dançando, fazendo graça, interpretando papéis dramáticos com sensibilidade e, sobretudo, cantando canções inesquecíveis. Apesar de seus triunfos profissionais, labutou com inúmeros problemas pessoais ao longo de sua vida. Insegura com sua aparência, seus complexos se agravaram com as considerações de executivos de cinema: “Feia, gorducha e baixinha (tinha 1,51cm)”. Tratada com medicamentos para controlar o peso e aumentar a produtividade, suportou décadas de uma luta inglória contra o vício, atormentando-se também com a instabilidade financeira, muitas vezes devendo milhares de dólares em impostos atrasados. Angustiada e infeliz, tentou o suicídio em várias ocasiões.

com mickey rooney
Nascida em Minnesota, filha de artistas de vaudeville, aos dois anos de idade já atuava nos palcos com os pais e as irmãs mais velhas. Em 1934, contratada pela Metro-Goldwyn-Mayer, estudou na escola de talentos do estúdio, ao lado de Mickey Rooney, Deanna Durbin, Jackie Cooper e Freddie Bartholomew. Porém, não sabiam o que fazer com ela, pois era mais velha do que a estrela infantil tradicional, mas muito jovem para papéis adultos. A sua aparência física também criou um dilema, afinal não exemplificava o tipo glamoroso exigido naqueles tempos. Segundo Charles Walters, que a dirigiu em dois filmes, Judy era a grande fazedora de dinheiro, um grande sucesso, mas era considerada o patinho feio. Acho que isso teve um efeito muito prejudicial no seu emocional por um longo tempo, ou melhor, durou para sempreDepois de cantar “Dear Mr. Gable” na festa do 36º. aniversário de Clark Gable, ela repetiu com sucesso o número na revista musical “Melodia da Broadway de 1938 / Broadway Melody of 1938”. A seguir, reuniu-se com Mickey Rooney em “Menino de Ouro / Throughbreds Dont’t Cry” (1937), com quem fez nove filmes famosos da série Andy Hardy. Testada por David O. Selznick para ser a irmã mais jovem de Scarlett O’Hara, em “... E o Vento Levou / Gone With the Wind”, terminou substituída por Ann Rutherford. Em 1939, depois de cogitadas Shirley Temple e Deanna Durbin, atuou num dos maiores clássicos do cinema, “O Mágico de Oz”, recebendo um Oscar especial (em miniatura) e imortalizando a canção “Over the Rainbow, sua marca registrada para o resto da vida.

o casamento com minnelli
Abatida e nervosa pelo excesso de pílulas estimulantes e barbitúricos para dormir, administrados pelo estúdio, sua situação emocional difícil piorou com o comentário público do chefão Louis B. Mayer, que se referiu a ela como “sua pequena corcunda, a fim de depreciá-la. Há rumores de que ele por diversas vezes assediou sexualmente a atriz, sendo esnobado e tornando-se um poderoso inimigo. Aos 19 anos, solitária e confusa, casou-se com o compositor inglês David Rose, contra a vontade da M-G-M. O casamento durou menos de dois anos. Nessa época, estrelou dois filmes populares, “Idílio em Dó-Ré-Mi” (1942) e “Lily, a Teimosa / Presenting Lily Mars” (1943). Em 1944, iniciou uma nova fase com “Agora Seremos Felizes”, obra-prima que o crítico James Agee sentenciou como “um musical que até os surdos devem gostar de ver”

Desentendendo-se constantemente com Fred Zinnemann, Judy pediu a Vincente Minnelli que o substituísse na direção de “O Ponteiro da Saudade / The Clock” (1945), sensível história de amor passada durante a Segunda Guerra Mundial, com Robert Walker, e uma das melhores interpretações da atriz. Judy e Minnelli se conheceram através do produtor Arthur Freed, ficaram amigos e logo estavam saindo juntos. Ela gostava do jeito dele, da sua calma, de sua capacidade de acalmá-la. Ele era homossexual e ela sabia disso. Casaram-se em 1945 e logo ela engravidou, sendo tratada como uma princesa pelo marido. Os fofoqueiros de plantão cochichavam que o bebê seria imaculado” (filho da eterna e irreal Dorothy com um gay), mas todos ficaram surpresos quando em 1946 Liza nasceu com os olhos do pai e o nariz empinado da mãe. Depois do parto, a atriz entregou-se novamente às drogas. Minnelli tentou fazer com que ela se controlasse, no entanto, nada surtia efeito e ele se cansou, resultando em divórcio, em 1951.

com gene kelly em o pirata
Pouco antes, em 1948, JUDY GARLAND estrelou um dos seus mais belos musicais, o incompreendido “O Pirata”, como Manuela, filha de família aristocrática do Caribe e prometida em casamento ao prefeito da cidade, que sonha com o mar e com o amor de um temível pirata. Durante a filmagem, ela tinha que dançar em volta de uma fogueira. Quando ia começar o número, viu o fogo, ficou histérica e começou a gritar: “Vou morrer queimada!”. Em seguida, correu, rindo e chorando, completamente fora de controle. Esta primeira manifestação pública de precária condição de saúde mental abalou a equipe, e o número não pode ser concluído. Nos filmes seguintes, chegava atrasada ao set e às vezes nem aparecia, terminando por abandonar “Ciúme, Sinal de Amor / The Barkleys of Broadway” (1949), “Bonita e Valente / Annie Get Your Gun” (1950) e “Núpcias Reais / Royal Wedding” (1951). 

Despedida da M-G-M em 1950, cortou os pulsos com um pedaço de copo quebrado, sendo internada em uma clínica particular. Dois anos depois, casou-se com o agente de artistas Sid Luft, que a aconselhou a fazer uma série de concertos na Europa, onde teve calorosa receptividade. Outra boa iniciativa do novo marido: formou a Transcona Enterprises com a atriz, procurando a Warner com a idéia de refilmar “Nasce Uma Estrela”. Por seu excepcional desempenho, concorreu ao Oscar de Melhor Atriz, perdendo para Grace Kelly em “Amar é Sofrer / The Country Girl” (1954), mas levou o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Comédia/Musical. Depois de Liza e Lorna, no mesmo ano deste famoso filme de George Cukor, deu a luz à Joey, ficando afastada do cinema até 1961, enquanto atuava em boates, televisão, teatro e gravações de discos.

nos anos 1960
O casamento com Luft também não deu certo, devido à dependência dela em bolinhas e ao alcoolismo dele. As brigas eram violentas, com um batendo no outro. Ele exigiu a guarda dos filhos. O conflito se arrastou por anos a fio, até o divórcio em 1963, com ela alegando crueldade como motivo da separação. Desajustada, recusou filmes interessantes como “Com Lágrimas na Voz / The Helen Morgan Story”, “As Três Máscaras de Eva / The Three Faces of Eve” e “Ao Sul do Pacífico / South Pacific”, mas finalmente fez “Julgamento em Nuremberg / Judgement at Nuremberg” (1961), de Stanley Kramer, mergulhando profundamente na alma da personagem Irene Hoffman, em inesquecíveis quinze minutos na tela, sendo indicada ao Oscar como coadjuvante. Rumores de novos filmes surgiram, mas JUDY GARLAND atuaria em apenas mais dois, “Minha Esperança é Você / A Child is Waiting” e “Na Glória, a Amargura / I Could Go on Singing”, ambos de 1963.  Teve êxito na tevê com o programa The Judy Garland Show”, elogiado pela crítica, mas durou apenas uma temporada, findando-se em 1964, após 26 episódios. Apesar do seu curto tempo, concorreu a quatro prêmios Emmy e o seu fim devastou a estrela, que nunca se recuperou completamente do fracasso.


Entre crises nervosas e angústia perene, casou-se mais duas vezes com resultado pífio. No dia 22 de junho de 1969, aos 47 anos, JUDY GARLAND morreu no banheiro de sua casa de Londres. A causa da morte, uma overdose acidental de barbitúricos - o seu sangue continha o equivalente a 97 mg de cápsulas de Seconal. Estima-se que 20 mil pessoas fizeram fila por horas na capela funerária para ver o corpo dela. O seu legado como artista e como personalidade cresce a cada ano, sendo objeto de mais de duas dezenas de biografias desde seu falecimento e com várias de suas gravações apresentadas no hall da fama do Grammy. Em 1999, o American Film Institute (AFI) a colocou em oitavo lugar entre as dez maiores estrelas femininas da história do cinema norte-americano. Realmente, era uma fabulosa atriz dramática e uma sublime cantora.


  ALGUNS MUSICAIS de JUDY

O MÁGICO de OZ
(The Wizard of Oz, 1939)
direção de Victor Fleming
  elenco: Ray Bolger, Jack Haley, Bert Lahr,
Frank Morgan, Margaret Hamilton e Billie Burke

IDÍLIO em DÓ-RÉ-MI
(For Me and My Gal, 1942)
direção de Busby Berkeley
  elenco: George Murphy, Gene Kelly e Martha Eggerth

AGORA SEREMOS FELIZES
(Meet me in St. Louis, 1944)
direção de Vincente Minnelli
  elenco: Margaret O`Brien, Mary Astor, Lucille Bremer,
Leon Ames, Tom Drake e Marjorie Main

O PIRATA
(The Pirate, 1948)
direção de Vincente Minnelli
  elenco: Gene Kelly, Walter Slezak, Gladys Cooper,
Reginald Owen e George Zucco

DESFILE de PÁSCOA
(Easter Parade,1948)
direção de Charles Walters
  elenco: Fred Astaire, Peter Lawford e Ann Miller

CASA, COMIDA e CARINHO
(Summer Stock, 1950)
direção de Charles Walters
  elenco: Gene Kelly, Eddie Bracken, Gloria DeHaven
e Marjorie Main

NASCE UMA ESTRELA
(A Star is Born, 1954)
direção de George Cukor
  elenco: James Mason, Jack Carson e Charles Bickford