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maio 15, 2021

***** A TRÁGICA HISTÓRIA de CAROLE LOMBARD




 

Uma mulher tem tanto direito neste mundo 
quanto um homem e pode se dar bem nele 
se ela se dedicar a isso.
CAROLE LOMBARD
 

Apelidos: O Anjo Profano, Tornado Hoosier, 
Rainha da Comédia Maluca
Altura: 1,68 m
Olhos: azuis
Cabelos: negros 

 
Desinibida, vivaz e com um talento surpreendente, CAROLE LOMBARD (1908 – 1942. Indiana / EUA) se tornou uma das maiores estrelas da época de ouro de Hollywood. Inteligência e charme fizeram dela o centro social e artístico em torno do qual a meca do cinema girava nos anos 30. Com sua sofisticada independência, ela estava anos à frente de seu tempo. Era conhecida por seu estilo moleca, por promover festas extravagantes, pela linguagem sem papas na língua, piadas, amigos gays e preocupação genuína com todas as pessoas. De uma beleza encantadora, a atriz mais bem paga de sua época atuou em 54 filmes e estampou a capa de 123 revistas, sendo a primeira em setembro de 1929, na “Cine-Mundial”. Recusou comédias importantes como “Aconteceu Naquela Noite / It Happened One Night” (1934), “O Galante Mr. Dees / Mr. Deeds Goes to Town” (1936) e “Jejum de Amor / His Girl Friday” (1940). Pela primeira, Claudette Colbert ganhou o Oscar de Melhor Atriz. Em 1999, o “American Film Institute” a incluiu na lista das 50 maiores lendas femininas do cinema norte-americano.
 
Bela loira de olhos cintilantes, desempenhou papéis dramáticos, mas era conhecida por suas hilárias comédias malucas. Nascida Jane Alice Peters, mudou-se de Fort Wayne para Hollywood com sua mãe e irmão ainda na infância. Depois de ser vista jogando beisebol na rua por um diretor de cinema, Allan Dwan, foi convidada para o filme “A Perfect Crime”. Tinha 13 anos. Aos 15 anos, juntou-se a uma trupe de teatro e atuou em várias peças. Em 1925, assinou contrato com a Fox Films.

Gravemente ferida em um acidente automobilístico em 1926, que resultou em cicatrizes no lado esquerdo de seu rosto, assim que se recuperou teve seu contrato cancelado na Fox. Sobreviveu fazendo curtas para o diretor de comédia pastelão Mack Sennett. A essa altura, a indústria cinematográfica passava do mudo para os filmes falados. Enquanto carreiras terminaram por causa de sotaques pesados, dicção pobre ou uma voz inadequada ao som, a voz leve, alegre e sexy de CAROLE LOMBARD permitiu que fizesse uma transição tranquila. No contrato de sete anos com a Paramount, atuou em “Homem do Mundo / Man of the World” (1931), com William Powell. Terminaram se casando no mesmo ano e se divorciando 28 meses depois, mas permaneceram amigos. Segunda ela, “a carreira pouco teve a ver com o divórcio. Éramos apenas duas pessoas completamente incompatíveis”. Com “Suprema Conquista” mostrou sua competência, provando a boa atriz que era. Em 1936, recebeu sua única indicação ao Oscar de Melhor Atriz por “Irene, a Teimosa”. Está excelente como uma excêntrica herdeira. Injustamente, a estatueta foi para Luise Rainer em “O Grande Ziegfeld / The Great Ziegfeld” (1936).
 

Enquanto sua carreira florescia, CAROLE LOMBARD trabalhou em vários estúdios. Ganhava cerca de US $ 500.000 por ano e não tinha vergonha de gastá-los, sendo reconhecida como a mulher mais bem vestida de Hollywood. Conheceu o amor de sua vida, o astro Clark Gable, em 1932, nas filmagens de “Casar por Azar / No Man of Her Own”. Ambos eram casados - Gable com uma viúva rica do Texas dez anos mais velha que ele - e não tiveram interesse um pelo outro. Quando se reencontraram, três anos depois, numa festa a fantasia, ela divorciada e ele separado, foi bem diferente, resultando em amor instantâneo. 
 
No início de 1939, a esposa de Gable finalmente concedeu-lhe o divórcio, e ele imediatamente se casou com CAROLE LOMBARD. Compraram um rancho em Encino, no Vale de San Fernando, e quando não estavam trabalhando passavam a maior parte do tempo nele, longe da cena social. Amavam a vida ao ar livre e compartilhavam momentos caçando e cavalgando. Ela era ideal para ele, glamorosa e companheira, e também parceira como um amigo. Em janeiro de 1942, logo após a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, a estrela foi recrutada para vender títulos de guerra em seu estado natal, Indiana. Acompanhada por sua mãe, Elizabeth Peters, e um agente de publicidade da Metro-Goldwyn-Mayer, fez a maior parte da viagem de trem, parando em diversas cidades e arrecadando cerca de US $ 2 milhões para o esforço de guerra.
 

De volta a Hollywood, ela optou por voar no último minuto. Segundo fofocas, estava preocupada com um suposto caso entre seu marido e Lana Turner. Logo após a decolagem, no dia 16 de janeiro de 1942, o avião se chocou contra o Monte Potosi. Todos os 23 passageiros morreram, incluindo 15 jovens pilotos do exército. No auge da carreira, a atriz tinha 33 anos. Os destroços se espalharam por quilômetros. O local montanhoso do acidente era perigoso de alcançar e o impacto violento tornou os corpos das vítimas difíceis de identificar. Clark Gable alugou um avião e se dirigiu ao local. Esperando por um milagre, manteve uma vigília angustiada até que as equipes de resgate encontraram os restos mortais de sua esposa. Ele nunca se recuperou.
 
À deriva na mansão vazia, Gable bebeu muito e teve dificuldade para terminar “Ainda Serás Minha / Somewhere I'm Find You”, o drama que atuava com Lana Turner. Consolado por amigos, incluindo sua ex-amante Joan Crawford, alistou-se nas Forças Aéreas e passou a maior parte da guerra no Reino Unido, voando em várias missões de combate (uma delas para a Alemanha) e ganhando condecorações. Se casaria mais duas vezes, mas pouco antes de morrer, em 1960, embora estivesse com Kathleen Williams Spreckles, pediu para ser enterrado ao lado de Carole.
 
carole e gable
O ator tinha fama de conquistador, mas não teve muita sorte no amor. Casado cinco vezes, foi feliz somente com CAROLE LOMBARD. Ele realizou os desejos dela deixados em testamento: ser enterrada em jazigo modesto e vestida de branco. Clark Gable jamais a esqueceu, vivendo o resto da existência no rancho em que moraram. Em 1976, o filme “Os Ídolos Também Amam / Gable and Lombard” contou a vida do casal. A estrela tinha um bassê chamado Comissário que ignorava Gable. Após a morte da dona, colou no viúvo. O último filme de CAROLE LOMBARD, “Ser ou Não Ser”, de Ernst Lubitsch, sátira anti-nazista sobre trupe de teatro, lançado em março de 1942, teve sucesso crítico e enorme bilheteria.
 
 
DEZ GRANDES FILMES de CAROLE
(por ordem de preferência)
 
01
SER OU NÃO SER
(To Be or Not to Be, 1942)

direção de: Ernst Lubitsch
elenco: Jack Benny e Robert Stack
 
02
IRENE, a TEIMOSA
(My Man Godfrey, 1936)

direção de: Gregory La Cava
elenco: William Powell e Alice Brady
 
03
NADA é SAGRADO
(Nothing Sacred, 1937)

direção de: William A. Wellman
elenco: Fredric March, Charles Winninger, Walter Connolly e Margaret Hamilton
 
04
SUPREMA CONQUISTA
(Twentieth Century, 1934)

direção de: Howard Hawks
elenco: John Barrymore e Walter Connolly
 
05
CORAÇÕES UNIDOS
(Hands Across the Table, 1935)

direção de: Mitchell Leisen
elenco: Fred MacMurray e Ralph Bellamy
 
06
NOITES de VIGÍLIA
(Vigil in the Night, 1940)

direção de: George Stevens
elenco: Brian Aherne e Anne Shirley
 
07
ESPOSA SÓ no NOME
(In Name Only, 1939)

direção de: John Cromwell
elenco: Cary Grant, Kay Francis e Charles Coburn
 
08
NASCIDOS para CASAR
(Made for Each Other, 1939)

direção de: John Cromwell
elenco: James Stewart, Charles Coburn e Lucile Watson
 
09
CONFISSÕES de MULHER
(True Confession, 1937)

direção de: Wesley Ruggles
elenco: Fred MacMurray, John Barrymore e Uma Merkel
 
10
Um CASAL do BARULHO
(Mr. & Mrs. Smith, 1941)

direção de: Alfred Hitchcock 
elenco: Robert Montgomery, Gene Raymond, Jack Carson e Lucile Watson
 
CAPAS


GALERIA de FOTOS


fevereiro 21, 2020

********** Os 10 MELHORES FILMES de CHAPLIN



 
Um dos nomes mais conhecidos do cinema, CHARLES CHAPLIN (1889 – 1977. Londres / Reino Unido) realizou inúmeros grandes filmes, mas a essência de sua filmografia é sempre a mesma: um malandro atrapalhado e bem-intencionado que se mete em todo tipo de confusões em busca de uma vida melhor. Nesta narrativa, destacam-se a crítica social, toques de amor e sensibilidade. Ele nasceu em uma pobre família de artistas. Era levado pelos pais para ensaios e apresentações. Ingressando na carreira artística, conheceu o produtor-diretor Mack Sennett numa turnê aos Estados Unidos, sendo contratado como ator para a Keystone Film Company. O início não foi fácil. Ele não se adaptava ao meio, odiava ser dirigido e seu relacionamento com Sennett não era dos melhores. O sucesso veio quando criou o personagem Carlitos, o vagabundo. 
 
No entanto, a liberdade criativa total só foi possível com a criação de seu próprio estúdio, a United Artists, em 1919, ao lado do casal de atores Mary Pickford e Douglas Fairbanks e do diretor D. W. Griffith. Controlando suas próprias produções, entrou em sua melhor fase. Durante o processo de transição do cinema mudo para o cinema falado, continuou produzindo filmes mudos por mais treze anos. No início da década de 1950 foi forçado a deixar os EUA sob acusação de “atividades anti-americanas”, ou seja, suspeita de comunismo. Perdoado, o artista ganhou um Oscar Honorário em 1972. Na noite de Natal, em 1977, aos 88 anos, morreu dormindo, em sua residência na Suíça.

Recordando seu talento, cito aqueles que para mim são os melhores trabalhos do diretor ao longo dos seus 52 anos de cinema. Foram tantas produções de qualidade que é um tanto injusto destacar apenas dez. Há quem prefira os filmes que tocam pela emoção e os que preferem os mais engraçados, e para juntar tudo em um número tão diminuto é complicado. Veja o que você acha da lista. Quais são os seus filmes favoritos de CHARLES CHAPLIN? Boa leitura!

01
Em BUSCA do OURO
(The Gold Rush, 1925)

elenco: Mack Swain e Georgia Hale

O filme favorito do próprio CHAPLIN traz temas ousados: ganância, fome, solidão e frio. Oscilando entre a acidez, a sátira e a crítica mordaz, a história é simples: um vagabundo, assim como diversos garimpeiros, no Alaska em busca de ouro. Após o grupo ser atingido por uma tempestade, ele se perde e busca refúgio numa cabana habitada por um bandido. Entre cenas icônicas, a dupla cozinhando um par de botas e as devorando ferozmente; e a inesquecível dança dos pãezinhos. Assim, mais uma vez, o diretor atinge a genialidade, indo novamente além da mera proposta do gênero.

02
LUZES da CIDADE
(City Lights, 1931)

elenco: Virginia Cherrill

Na trama, a paixão de um pobre vagabundo por uma florista cega, que acredita que ele seja um milionário e que poderá ajudá-la na operação para voltar a enxergar. Uma premissa tão comum, e que nas mãos de CHAPLIN virou uma obra-prima. É um dos filmes mais tocantes do diretor. Somos tomados por um misto de sentimentos que variam entre risadas e choros, uma verdadeira overdose de genialidade. A cena final é um dos momentos mais sublimes da história da sétima arte. Enfim, uma obra perfeita.

03
TEMPOS MODERNOS
(Modern Times, 1936)

elenco: Paulette Goddard e Henry Bergman

A derradeira aparição do personagem Carlitos retrata a adaptação do cidadão comum à produção industrial. É no cerne deste contexto acompanhamos a narrativa tecida em torno da rotina do protagonista. Fazendo uso de um humor ácido e irônico, o diretor nos presenteia com cenas incrivelmente bem articuladas. Em meio a inteligentes construções simbólicas e metáforas afinadas o filme dialoga com temas sociais e estabelece uma relação de identidade com o público. Um marco na história do cinema.

04
O GAROTO
(The Kid, 1921)

elenco: Edna Purviance e Jackie Coogan

Trata de maneira sensível a relação de afetividade entre um vagabundo e um garotinho. Após encontrar um bebê abandonado na rua, ele resolve criá-lo. A comicidade presente em todas as cenas, sobretudo naquelas em que ambos partilham cuidados um com o outro e veem na malandragem uma saída para os problemas. Além de combinar elementos dramáticos, destaca importantes questões morais e sociais na narrativa. Destaque para a interpretação de Jackie Googan no papel do garoto.

05
O GRANDE DITADOR
(The Great Dictador, 1940)

elenco: Paulette Goddard e Jack Oakie

Primeiro filme falado do diretor. Em plena Segunda Guerra Mundial, ele faz uso de um personagem ditador, idêntico a Hitler, que deseja o mundo em suas mãos. Grandioso e mordaz, escarnece do autoritarismo que havia conduzido a Europa a uma nova guerra. Como um barbeiro judeu, CHAPLIN faz dele um alter-ego de Carlitos, tanto nos gracejos quanto na personalidade bondosa e pura. O ponto alto é a patética disputa de poder entre os ditadores Hynkel e Napaloni. Suas cenas garantem muitas risadas.

06
VIDA de CACHORRO
(A Dog's Life, 1918)

elenco: Edna Purviance

O paralelo entre a vida de um vira-lata e a de um vagabundo. Sensível e engraçado, tem o cachorrinho como o verdadeiro herói, que ajuda Carlitos a melhorar de vida. Os valores morais são explorados, bem como questões sociais, especialmente o tratamento do patrão em relação à empregada no bar. Uma comédia que não perdeu a força ao longo dos anos e que continua nos encantando e emocionando.

07
PASTOR de ALMAS
(The Pilgrim, 1923)

elenco: Edna Purviance

O último filme da dupla CHAPLIN-Edna Purviance. Nele, um prisioneiro recém escapado da prisão se disfarça de pastor. Em meio a sua fuga, ele é confundido pelos moradores da cidade, sendo considerado o pastor que logo ali chegaria. Nos prendendo cena após cena, é uma obra bem conduzida, contando com todos os elementos típicos de um filme de CHARLIE CHAPLIN – risadas, romance e toques de crítica à sociedade.

08
O CIRCO
(The Circus, 1928)

elenco: Merna Kennedy

Um dos ápices do diretor no que se refere ao uso do humor visual, da criação de gags criativas. Neste sentido, não há como negar: é uma das grandes comédias da história. Um vagabundo chega a um picadeiro que não se encontra em uma de suas melhores fases. Mas o dono do circo, ao perceber a facilidade com que ele consegue arrancar risadas da plateia, contrata o maltrapilho, e logo o mesmo se apaixona pela sua filha. Mesclando momentos de humor, tensão e nervosismo, CHAPLIN também preenche o filme com sua costumeira ternura. Em resumo, é mais um exemplo da sua força criativa.

09
O IMIGRANTE
(The Immigrant, 1917)

elenco: Edna Purviance

O personagem resiste a uma difícil jornada de barco na qual os imigrantes vivem em condições precárias, sem segurança e constantemente doentes. Uma das cenas mais cruciais mostra os tripulantes se aproximando dos EUA e vendo a Estátua da Liberdade, símbolo do Sonho Americano e do futuro promissor que esperam. Ironicamente, o monumento sai dá lugar a uma sequência em que autoridades prendem as pessoas como animais para decidir quem merece ou não entrar na “Terra da Liberdade”.

10
OMBROS, ARMAS!
(Shoulder Arms, 1918)

elenco: Edna Purviance

Exercício cinematográfico antibelicista, realizado no ano em que a I Guerra Mundial terminou. Trata-se de uma sátira sobre a guerra. No enredo, inúmeras situações impagáveis, dentre as quais a hilária sequência em que o Carlitos soldado se disfarça de árvore e quando o personagem entra nas trincheiras alemãs e consegue capturar o Kaiser e militares de alta patente, pondo fim à guerra.