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novembro 28, 2011

************** AGATHA CHRISTIE no CINEMA


 
 
Os seus livros venderam centenas de milhões de exemplares. Ela é a autora mais publicada de todos os tempos em qualquer idioma, somente ultrapassada pela “Bíblia” e por William Shakespeare. Escreveu oitenta romances policiais, dezenove peças e seis romances escritos sob o pseudônimo de Mary Westmacott. Ao morrer, deixou uma conta bancária com cerca de 20 milhões de dólares. A inventiva AGATHA CHRISTIE (1890 - 1976. Torquay / Reino Unido) foi pioneira ao fazer com que os desfechos de suas histórias fossem extremamente impressionantes e inesperados, sendo praticamente impossível ao leitor descobrir quem é o assassino. 

Britânica, conhecida como Duquesa da Morte e Rainha do Crime, dentre outros títulos, criou dois detetives exemplares: Hercule Poirot e Miss Marple. Poirot é um belga feioso, baixinho e com cabeça de ovo que usa de intuição e dedução para resolver seus crimes, sempre irritando os suspeitos, que o xingam de francês metido, ao qual ele responde: “Não. Belga metido”. Miss Jane Marple é uma idosa solteirona dona-de-casa que tem um raro faro policial. A obra instigante de AGATHA CHRISTIE foi sempre bem-vinda ao cinema, sendo retratada em cerca de trinta ocasiões. Mesmo assim, a autora não aceitou muito bem as versões cinematográficas de seus livros, especialmente as que contavam com seus dois mais notórios detetives: Poirot e Miss Marple. 


O interesse da Sétima Arte nas tramas da Rainha do Crime começou cedo. Já em 1926 apareceu a primeira adaptação, um filme mudo alemão chamado “Die Abenteuer GmbH”de Rudolph Walther-Fein, do livro  “O Inimigo Secreto”. A mais recente, baseada em “A Casa Torta”, ainda está sendo filmada sob a direção de Neil LaBute e com Julie Andrews, Matthew Goode, Gemma Arterton e Gabriel Byrne no elenco. A história gira em torno do assassinato de um milionário grego, que construiu a casa do título para que nela vivesse toda sua família. O caso é investigado pela neta mais velha em parceria com o namorado, o filho do inspetor chefe da Scotland Yard. Como é comum nos livros da autora, todos os presentes são suspeitos de ter cometido o crime.

12 VEZES a RAINHA do CRIME

basil rathbone

AMOR de um ESTRANHO (Love From a Stranger, 1937), direção de Rowland V. Lee. Elenco: Ann Harding e Basil Rathbone.

Inspirado na peça de mesmo nome, que foi adaptada por Agatha Christie do conto “Philomel Cottage”, publicado em 1934. Uma jovem suspeita que o marido seja bígamo e assassino, e planeja matá-la para ficar com a herança. Atmosfera de angústia e terror realçada pelo desempenho assustador de Basil Rathbone.

louis hayward, c. aubrey smith, 
barry fitzgerald, mischa auer 
e walter huston

O VINGADOR INVISÍVEL (And Then There Were None, 1945), direção de René Clair. Elenco: Walter Huston, Barry Fitzgerald, Louis Hayward, Roland Young, June Duprez, C. Aubrey Smith, Judith Anderson e Mischa Auer.

Adaptado da versão para o teatro de O Caso dos 10 Negrinhos, escrita pela própria Agatha em 1943. Dez pessoas desconhecidas umas das outras são convidadas para um fim-de-semana em uma ilha incomunicável e uma a uma vão sendo mortas, enquanto a cada morte desaparece uma figura de um negro africano que enfeita o topo de uma lareira. No livro, todos morrem, inclusive o assassino. Agatha avaliou que a versão teatral precisava de um final mais feliz, então determinou que dois personagens sobrevivessem à experiência para construir uma vida juntos. O francês René Clair, em sua fase norte-americana, dosou humor e suspense, resultando em interpretações impecáveis.

john hodiak

RECEIOS (Love From a Stranger, 1947), direção de Richard Whorf. Elenco: John Hodiak, Sylvia Sidney, Ann Richards e John Howard.

Remake hollywoodiano do filme inglês de 1937, com roteiro do escritor de livros de mistério Philip MacDonald. Inferior à obra de Lee, o resultado é lastimável, fracassando nas bilheterias. Como compensação, os ótimos Hodiak e Sidney.

marlene dietrich

TESTEMUNHA de ACUSAÇÃO (Witness for the Prosecution, 1957), direção de Billy Wilder. Elenco: Tyrone Power, Marlene Dietrich, Charles Laughton, Elsa Lanchester, John Williams, Henry Daniell e Una O’Connor.

Acusado de matar uma senhora rica vai a julgamento, escolhendo um arrogante e inteligente advogado para defendê-lo, num enredo cheio de surpresas e reviravoltas. Com elenco magnífico e direção ardilosa, foi sucesso de crítica e público.

margareth rutherford

SHERLOCK de SAIAS (Murder at the Gallop, 1963), direção de George Pollock. Elenco: Margareth Rutherford, Robert Morley e Flora Robson.

Em 1962, a MGM lançou uma série de quatro filmes estrelados por Miss Marple. Sucessos de público, eram odiados pela escritora. A começar pelos títulos, modificados totalmente apenas para ter mais apelo comercial. “After the Funeral / Depois do Funeral” se tornou “Murder at the Gallop” (Sherlock de Saias). Diferente do texto original, o caso era desvendado por Hercule Poirot. Substituído por Miss Marple, ela investiga a morte de um homem de meia idade. Após o enterro, a família se reúne em um clube de hipismo, onde surgem as primeiras insinuações de assassinato. 

anita ekberg

Os CRIMES do ALFABETO (The Alphabet Murders, 1966), direção de Frank Tashlin. Elenco: Tony Randall, Anita Ekberg, Robert Morley e Margareth Rutherford.

Do livro “Os Crimes ABC”, publicado em 1936, essa produção adicionou elementos de comédia ao texto original. A trama básica foi mantida, mas as interpretações beiram à caricatura. Poirot às voltas com um assassino que mata pessoas cujos nome e sobrenome tenham a mesma inicial da cidade onde moram. Agatha não aprovou o primeiro roteiro, apenas autorizando a filmagem depois da exclusão de cenas de violência e sexo, além da substituição de Zero Mostel escolhido para o papel principal.


NOITE INTERMINÁVEL (Endless Night, 1971), direção de Sidney Gilliat. Elenco: Hayley Mills, Hiwell Bennett, Britt Ekland, Per Oscarsson e George Sanders.

O romance publicado em 1967 conta o casamento de um trabalhador com uma jovem herdeira e o mal de uma maldição cigana sobre eles. O filme segue basicamente o livro, mas a tentativa de deixar a história mais erótica desagradou a autora.

albert finney

ASSASSINATO no EXPRESSO ORIENTE (Murder on the Orient Express, 1974), direção de Sidney Lumet. Elenco: Albert Finney, Lauren Bacall, Martin Balsam, Ingrid Bergman, Jacqueline Bisset, Sean Connery, John Gielgud, Wendy Hiller, Anthony Perkins, Vanessa Redgrave, Rachel Roberts, Richard Widmark e Michael York.

Em um cenário extremamente restrito - um trem ilhado pela neve -, apoiou-se em interpretações marcantes de talentosos nomes do cinema. Apesar da maestria da direção, entre sete indicações para o Oscar, somente Ingrid Bergman levou o de Melhor Atriz Coadjuvante. Sucesso de público e crítica, baseou-se no romance de mesmo nome publicado em 1934. Fiel ao texto original, não poupou esforços para caracterizar o glamour da época, com figurinos luxuosos e vagões reais do Expresso Oriente. Na trama, Poirot procura descobrir o assassino de milionário norte-americano em um trem.

mia farrow e olivia hussey

MORTE SOBRE o NILO (Death on the Nile, 1978), direção de John Guillermin. Elenco:  Peter Ustinov, Jane Birkin, Bette Davis, Mia Farrow, Jon Finch, Olivia Hussey, George Kennedy, Angela Lansbury, David Niven e Maggie Smith.

Com roteiro do dramaturgo Anthony Schaffer, o longa se manteve fiel à trama original, na qual uma jovem norte-americana milionária é morta em um barco de turistas que navega no rio Nilo, no Egito dos anos 20. Todos a bordo tem motivos para matá-la.  

vanessa redgrave

O MISTÉRIO de AGATHA (Agatha, 1979), direção de Michael Apted. Elenco: Dustin Hoffman, Vanessa Redgrave e Timothy Dalton.

De um fato real, o filme fala do desaparecimento de Agatha Christie no auge de sua fama. Ela simplesmente some sem deixar qualquer pista, enquanto 550 policiais procuram-na por toda a Inglaterra. Destaque para a fotografia e os efeitos luminosos do mestre Vittorio Storaro e para o desempenho hipnotizante de Vanessa.

elizabeth taylor

A MALDIÇÃO do ESPELHO (Mirror Crack’d, 1980), direção de Guy Hamilton. Elenco: Angela Lansbury, Elizabeth Taylor, Geraldine Chaplin, Rock Hudson e Kim Novak.

Narra os esforços de Miss Marple em descobrir o assassino de uma mulher envenenada em uma festa beneficente promovida por uma estrela de cinema que filma na cidade.

maggie smith

ASSASSINATO num DIA de SOL (Evil Under the Sun, 1982), direção de Guy Hamilton. Elenco: Peter Ustinov, Jane Birkin, James Mason, Roddy McDowall e Maggie Smith.

Adaptado para as telas do romance homônimo publicado em 1941, manteve-se fiel ao original. Nele, a proprietária de um hotel, que fora uma atriz sem sucesso, recepciona os clientes, que, na maioria, tem algum relacionamento com o universo teatral. Todos são suspeitos quando um corpo é encontrado na praia.


março 08, 2011

******************* O LEGADO de CINEASTAS GAYS

f. w. murnau

 
 
Coordenado pelo crítico Raymond Murray, o livro “Images in the Dark – An Encyclopedia of Gay and Lesbian Film and Video / Imagens no Escuro – Enciclopédia de Filmes de Gays e Lésbicas custou ao seu autor quatro anos de trabalho. Ele cataloga três mil filmes e mais de duzentas biografias de atores, cineastas e ícones gays, fazendo um apanhado de profissionais como Pedro Almodóvar, Lindsay Anderson, Jean Cocteau, Terence Davies, Joseph Losey, Ken Russel, Franco Zefirelli etc. Editado pela Penguin Book, vem na esteira do boom do CINEMA LGBT nos Estados Unidos e na Europa. Seduzido por esta obra feita com empenho, fiz minha própria lista, radicalizando um pouco mais ao escolher apenas um filme notável de cada cineasta gay. Este ritual cinematográfico se acelerou quando notei que uma das particularidades da cerimônia do Oscar deste ano foram as manifestações homossexuais públicas. Pelo que eu saiba, um fato inédito na história do famoso prêmio. Lora Hirschberge, premiada com o Oscar de Melhor Mixagem de Som (por “A Origem / Inception”), antes de subir na ribalta para receber a estatueta, beijou apaixonadamente a boca de uma garota ao seu lado.
 
O premiado Melhor Curta de Ficção, Luke Matheny, dividiu verbalmente o prêmio com o companheiro, enfatizando tratar-se do amor de sua vida; um dos produtores de “O Discurso do Rei / The King's Speech” agradeceu ao namorado. Por fim, a incrível coragem de James Franco travestindo-se de Marilyn Monroe, numa gozação da mídia que insiste em afirmar que ele é gay, e a emoção delicada do realizador de “O Discurso do Rei”, Tom Hooper, solteirão e reservado, ao exaltar sua própria mãe que o observava na platéia. Não há como negar que em biografias de artistas heterossexuais fala-se de seus casamentos e romances marcantes, mas se o biografado é gay, nada se diz, como se ele tivesse passado pela história sem amar, limitando assim a identificação de jovens gays com artistas bem-sucedidos de sua mesma condição sexual. Por essa percepção – e não por bisbilhotice ou ímpeto de levantar bandeiras - eis os meus filmes mais estimados de uma série de DIRETORES GAYS (pesquei numa lista de quase uma centena, incluindo os brasileiros Alberto Cavalcanti e Luiz Carlos Lacerda).

ALEJANDRO AMENÁBAR
(1972. Santiago / Chile)
Melhor Filme: “Os Outros / The Others” (2001)

dwan com arlene dahl
 
ALLAN DWAN
(1885 - 1981. Toronto / Canadá)
Melhor Filme: “As Areias de Iwo Jima / Sands of Iwo Jima” (1949)

CHARLES WALTERS
(1911 - 1982. Pasadena, Califórnia / EUA)
Melhor Filme: “Lili / idem” (1953)



EDMUND GOULDING
(1891 - 1959. Feltham / Reino Unido)
Melhor Filme: “O Fio da Navalha / The Razor’s Edge” (1946)

F. W. MURNAU
(1988 - 1931. Bielefeld / Alemanha)
Melhor Filme: “Fausto / Faust – Eine Deutsche Volkssage” (1926)

FRANCO ZEFIRELLI
(1923. Florença / Itália)
Melhor Filme: “Romeu e Julieta / Romeo and Juliet (1968)

FRANÇOIS OZON
(1967. Paris / França)
Melhor Filme: “Oito Mulheres / 8 Femmes” (2002)

GEORGE CUKOR
(1899 - 1983. Nova Iorque / EUA)
Melhor Filme: “Núpcias de Escândalo / 
The Philadelphia Story (1940)

GUS VAN SANT
(1952. Louisville, Kentucky / EUA)
Melhor Filme: “Garotos de Programa / 
My Own Private Idaho (1991)

JAMES IVORY
(1928. Berkeley, Califórnia / EUA)
Melhor Filme: “Vestígios do Dia / The Remains of the Day” (1993)



JAMES WHALE
(1889 - 1957. Dudley / Reino Unido)
Melhor Filme: “Frankenstein / idem” (1931)

jean marais e jean cocteau

JEAN COCTEAU
(1889 - 1963. Maisons-Laffitte / França)
Melhor Filme: “A Bela e a Fera / La Belle et la Bête” (1946)

JOEL SCHUMACHER
(1939. Nova Iorque / EUA)
Melhor Filme: “O Cliente / The Client (1994)


JOHN SCHLESINGER
(1926 - 2003. Londres / Reino Unido)
Melhor Filme: “Perdidos na Noite / Midnight Cowboy (1969)

JOSEPH LOSEY
(1909 - 1984. Lacrosse, Wisconsin / EUA)
Melhor Filme: “O Criado / The Servant (1963)


KEN RUSSELL
(1927 - 2011. Southampton / Reino Unido)
Melhor Filme: “Mulheres Apaixonadas / 
Women in Love” (1969)

LINDSAY ANDERSON
(1923 - 1994. Bangalore / Índia)
Melhor Filme: “Se... / If...” (1968)


LUCHINO VISCONTI
(1906 - 1976. Milão / Itália)
Melhor Filme: “Rocco e Seus Irmãos / 
Rocco e i Suoi Fratelli” (1960)

MARIO PEIXOTO
(1910 - 1992. Bruxelas / Bélgica)
Melhor Filme: “Limite” (1931)

garbo e stiller

MAURITZ STILLER
(1883 - 1928. Helsinque / Finlândia)
Melhor Filme: “A Lenda de Gosta Berling / 
Gosta Berlings Saga” (1924)

leisen com amigos

MITCHELL LEISEN
(1898 - 1972. Michigan / EUA)
Melhor Filme: “Só Resta Uma Lágrima / 
To Each His Own” (1946)


NICHOLAS RAY
(1911 - 1979. Galesville, Wiscosin / EUA)
Melhor Filme: “Juventude Transviada / 
Rebel Without a Cause” (1955)

PEDRO ALMODÓVAR
(1949. Calzada de Calatrava / Espanha)
Melhor Filme: “Tudo Sobre Minha Mãe / 
Todo Sobre Mi Madre” (1999)

PIER PAOLO PASOLINI
(1922 - 1975. Santo Stefano / Itália)
Melhor Filme: “Teorema / idem” (1968)


RAINER WERNER FASSBINDER
(1945 - 1982. Bad Worishofen/ Alemanha)
Melhor Filme: “O Casamento de Maria Braun / 
Die Ehe der Maria Braun” (1979)

ROB MARSHALL
(1960. Madison, Wiscosin / EUA)
Melhor Filme: “Chicago / idem” (2002)

TODD HAYNES
(1961. Los Angeles, Califórnia / EUA)
Melhor Filme: “Longe do Paraíso / Far From Heaven (2002)


VINCENT SHERMAN
(1906 - 2006. Vienna, Geórgia / EUA)
Melhor Filme: “Vaidosa / Mr. Skeffington (1944)

VINCENTE MINNELLI
(1903 - 1986. Chicago, Illinois / EUA)
Melhor Filme: “Sinfonia de Paris / An American in Paris” (1951)

WOLFGANG PETERSEN
(1941. Emden / Alemanha)
Melhor Filme: “O Barco, Inferno no Mar / Das Boot (1981)

joseph losey e dirk bogarde