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junho 07, 2018

******* Uma MULHER em FOGO: AVA na ESPANHA



 
Apelido: Snowdrop, Angel e The Christmas Eve Girl
Altura: 1,68 m
Cabelos: negros
Olhos: verdes


A mais bela de todas as atrizes, AVA GARDNER (1922 - 1990. Grabton, Carolina do Norte / EUA) nasceu numa fazenda de tabaco, filha de agricultores pobres. Aos 18 anos, uma foto sua colocada na vitrine do estúdio fotográfico do seu cunhado, em Nova York, chamou a atenção da Metro-Goldwyn-Mayer, que a contratou por sua estonteante beleza. Participou de mais de 60 filmes e casou-se três vezes (com o célebre ator baixinho Mickey Rooney, o clarinetista e regente Artie Shaw e o mito Frank Sinatra). Chamada pelo dramaturgo e cineasta francês Jean Cocteau de o mais belo animal do mundo.

Ela viveu tórridos romances, alimentando o mito de mulher fatal. Em 1955, no auge do sucesso, mudou-se para a Espanha, tornando-se musa de festas intermináveis e de toureiros. O interesse surgiu um pouco antes, em 1950. Filmando “Pandora / Pandora and the Flying Dutchman” (1951), em Tossa de Mar, na Catalunha, a atriz se encantou com a vida noturna espanhola, cultura romântica e ardentes toureiros, estabelecendo uma sincera e duradoura identificação com o país. No bonito filme de Albert Lewin, a Pandora de Ava destrói tudo e todos a seu redor, até que surge em sua vida o Holandês Voador, personagem enigmático que James Mason dota de aura mística.

ava e sinatra
Na mira da imprensa internacional, tanto por sua agitada vida social como pelo trabalho cinematográfico de sucesso, a temperamental e libertária AVA GARDNER foi responsabilizada pela ruptura do matrimônio Frank-Nancy Sinatra. Seu romance como ciumento “La Voz”, marcado por brigas, bebedeiras, tentativas de suicídio (dele) e três abortos. O relacionamento não impediu que, uma vez na Espanha, aproveitasse para dar vazão a desejos sem o controle dos estúdios cinematográficos norte-americanos.

Apaixonada e sensual, envolveu-se com o toureiro Mario Cabré, que lhe dedicou poemas e arriscou a vida por ela nas arenas. Em 1953, enquanto rodava na África “Mogambo” – responsável por sua única indicação ao Oscar – e em plena crise com Sinatra, descobriu que estava grávida. Ao abortar em Londres, uma escala em Madri a levou aos braços de Luis Miguel Dominguín, o toureiro mais famoso da época. Filmando na Itália “A Condessa Descalça” (1954), aprofundou sua relação com Dominguín através de maratonas de sexo.

Ao comprar um casarão em La Moraleja, estabeleceu um quartel general para festas que duravam todo um final de semana e incluíam corridas de touros e apresentações de flamenco, convertendo AVA GARDNER em presença habitual na vida social espanhola. Representado o que os então provincianos espanhóis censuravam – mulher sozinha, divorciada, sem religião e, além disso, atriz -, passou a ser tratada como uma ameaça para as famílias “respeitáveis”, sendo vetada em lugares como o Hotel Ritz, de Madri.

Parceira de Ernest Hemingway na longa farra espanhola (ela protagonizou brilhantemente duas adaptações de seus romances: “As Neves de Kilimanjaro” e “E Agora Brilha o Sol”) e em Cuba, em cuja casa dele se hospedou e na qual tomava banhos de piscina, nua, enlouquecendo o escritor. Em 1961, aos 39 anos, depois do suicídio do amigo Nobel de literatura, além do fracasso do filme “La Maja Desnuda / The Naked Maja” (1958) e de um acidente que deixou incômodas sequelas, a formosa estrela findou a escandalosa, apaixonada e tormentosa relação com a Espanha, mudando-se para o denso Reino Unido, e por lá ficou até morrer em 1990, aos 68 anos, um ano após ter tido um derrame.

FONTES
“Ava Gardner: Una Diosa con Pies de Barro”
de Lee Server
 
 “Beber-se a Vida, Ava Gardner em Espanha”
de Marcos Ordóñez


  DEZ FILMES de AVA
(por ordem de preferência)

01
A CONDESSA DESCALÇA
(The Barefoot Contessa, 1954)

direção de Joseph L. Mankiewicz
elenco: Humphrey Bogart, Edmond O'Brien, Valentina Cortese 
e Rossano Brazzi

02
ASSASSINOS
(The Killers, 1946)

direção de Robert Siodmak
elenco: Burt Lancaster, Edmond O'Brien e Albert Dekker

03
A NOITE de IGUANA
(The Night of the Iguana, 1964)

direção de John Huston
elenco: Richard Burton, Deborah Kerr e Sue Lyon

04
MOGAMBO
(Idem, 1953)

direção de John Ford
elenco: Clark Gable e Grace Kelly

05
SETE DIAS de MAIO
(Seven Days in May, 1964)

direção de John Frankenheimer
elenco: Burt Lancaster, Kirk Douglas, Fredric March,
Edmond O'Brien, Martin Balsam e George Macready

06
E AGORA BRILHA o SOL
(The Sun Also Rises, 1957)

direção de Henry King
elenco: Tyrone Power, Mel Ferrer, Errol Flynn,
Eddie Albert, Gregory Ratoff, Juliette Gréco
e Marcel Dalio

07
AS NEVES de KILIMANJARO
(The Snows of Kilimanjaro, 1952)

direção de Henry King
elenco: Gregory Peck, Susan Hayward, Hildegard Knef
e Marcel Dalio

08
55 DIAS em PEQUIM
(55 Days at Peking, 1963)

direção de Nicholas Ray
elenco: Charlton Heston, David Niven, Flora Robson,
John Ireland, Leo Genn, Robert Helpmann,
Paul Lukas, Massimo Serato e Jacques Sernas

09
A ENCRUZILHADA dos DESTINOS
(Bhowani Junction, 1956)

direção de George Cukor
elenco: Stewart Granger e Bill Travers

10
O GRANDE PECADOR
(The Great Sinner, 1949)

direção de Robert Siodmak
elenco: Gregory Peck, Melvyn Douglas, Walter Huston,
Ethel Barrymore, Frank Morgan e Agnes Moorehead

GALERIA de FOTOS
 
 
 

março 06, 2016

************** NORMA SHEARER, RAINHA da MGM




Uma das raras atrizes do cinema mudo a continuar estrela também no sonoro. A Metro-Goldwyn-Mayer a promovia como “A Primeira Dama das Telas” ou “Rainha da M-G-M”no período áureo do estúdio que tinha como slogan “mais estrelas do que as que existem no céu”. Beleza de olhos azulados, esbanja charme no papel-título da extravagante superprodução “Maria Antonieta / Marie Antoinette” (1938). Foi o primeiro filme dela que vi e nunca mais a perdi de vista. Era uma das atrizes mais populares da Hollywood dos anos trinta. Diziam: na M-G-M, Greta Garbo faz a arte, NORMA SHEARER (1902 - 1983. Montreal / Canadá) ganha as produções mais caprichadas, Joan Crawford e Jean Harlow fazem o dinheiro para pagar o prestígio das duas primeiras. De origem escocesa, teve uma infância difícil. Viveu num humilde subúrbio depois da falência dos negócios paternos. Em 1920, mudou com a mãe e a irmã para Nova Iorque, conseguindo emprego como vendedora de pautas musicais num pequeno teatro. Sonhando em subir na vida, figurou em diversos filmes, entre eles, “Horizonte Sombrio / Way Down East” (1020), de D. W. Griffith, aparecendo na sequência em que, numa tempestade noturna, Lillian Gish é expulsa pelos puritanos. Durante as filmagens conheceu o diretor e ele garantiu que ela nunca iria se tornar uma estrela.

casamento com o poderoso 
thalberg
Com a ajuda do produtor Hal Roach, partiu para Hollywood em 1924. Um dia após sua chegada, encontrou casualmente Irving G. Thalberg, jovem produtor da M-G-M (então Companhia Mayer), conhecido como The Boy Wonder (O Menino Prodígio). Ela o confundiu com um office-boy, até vê-lo colocar os pés em cima de uma mesa. Ficaram encantados um pelo outro. Irving pelo carisma dela, ela pelo enorme poder dele. Imediatamente foi convidada para assinar contrato com Louis B. Mayer. O sucesso não foi instantâneo, cresceu a cada filme. Em 1927, com o êxito de “O Príncipe Estudante / The Student Prince in Old Heidelberg”, consagrou-se como estrela.

Ao se casar com o modesto e seguro de si Thalberg, em 1927, passou a escolher papéis e diretores. Muitos acreditavam que era uma oportunista, mas NORMA SHEARER trabalhou duro para provar seu talento. Conseguiu elogios ao estrelar o primeiro filme falado do estúdio, “O Julgamento de Mary Dugan / The Trial of Mary Dugan”. O sotaque canadense foi bem recebido. Aproveitou para deixar de lado personagens ingênuos, que fazia até então, criando uma imagem moderna, elegante e liberada.

oscar de melhor atriz 1930
Em 1930, ganhou o Oscar de Melhor Atriz por “A Divorciada / The Divorcee”, derrotando Greta Garbo e Gloria Swanson. A primeira de uma série de esposas obstinadas que iria interpretar ao longo da carreira. Neste, uma espécie de drama precursor do feminismo, ela procura se igualar à liberdade sexual do marido ao descobrir que ele a está enganando. Concorreu novamente ao Oscar ainda em 1930 por “Ébrios de Amor / Their Own Desire” e também em 1931 (“Uma Alma Livre / A Free Soul”), 1934 (“A Família Barrett / The Barretts of Wimpole Street), 1936 (“Romeu e Julieta / Romeo and Juliet”) e 1938 (“Maria Antonieta). Com o último foi a Melhor Atriz no Festival de Veneza.

Teve dois filhos com o franzino e de coração fraco Thalberg, vivendo com ele até sua morte precoce, em 1936, aos 37 anos, vitimado pela pneumonia. Na cripta foi gravado pela viúva: Meu querido, para sempre. Sua morte abalou a indústria cinematográfica. Com ele, encerrava-se uma era e Hollywood perdia mais que um gênio, perdia quem primeiro entendera o tênue equilíbrio entre arte e comércio, quem estabelecera a equação completa do cinema, quem desenvolveu um estilo administrativo eficiente e flexível, disciplinado sem ser desumano, extravagante mas não esbanjador. Thalberg moldara o estúdio e embora a M-G-M continuasse com invejável sucesso por décadas, nunca mais seria a mesma. F. Scott Fitzgerald o tomou como modelo para O Último Magnata / The Last Tycoon, seu romance inacabado.  

Inconformada com a morte de Thalberg, NORMA SHEARER tentou se aposentar, mas o contrato de trabalho não permitiu. Dois anos mais adiante, em 1938, envolveu-se num tórrido romance com o ator Mickey Rooney, um ídolo juvenil então com 18 anos. Louis B. Mayer conseguiu evitar o escândalo, e a história somente foi revelada na autobiografia de Mickey. David O. Selznick lhe ofereceu o papel de Scarlett O`Hara em “...E o Vento Levou / Gone with the Wind, e ela recusou para a glória de Vivien Leigh. “Não gosto de Scarlett. Muito melhor seria interpretar Rhett Butler”, disse para ele.

com o figurino de “romeu e Julieta”
Também não aceitou ser a protagonista do premiado drama “Rosa da Esperança / Mrs. Miniver” (1942), Oscar de Melhor Atriz para Greer Garson. Aos 40 anos, sentindo-se velha para papéis românticos e com o fracasso do seu último filme, a comédia “Idílio a Muque / Her Cardboard Lover” 1942), aposentou-se. Havia contracenado com grandes astros (John Gilbert, Lionel Barrymore, Lon Chaney, Robert Montgomery, Clark Gable, Fredric March, Leslie Howard, John Barrymore, Tyrone Power, Robert Taylor, Melvyn Douglas, George Sanders) e dirigida por cineastas célebres como Victor Sjostrom, Ernst Lubitsch, George Cukor, John M. Stahl, Clarence Brown e Edmund Goulding. 

Deixando de atuar, rica, ela continuou vivendo em Hollywood, onde descobriu e lançou a atriz Janet Leigh. Ao conhecer Martin Arrouge, um instrutor de esqui, 20 anos mais novo que ela, casou-se com ele em 1942. Formavam um par perfeito: ela queria continuar vivendo na intimidade como estrela e ele queria alguém para adorar. Permaneceram casados até a morte dela, em 1983, com ele enfrentando terríveis momentos. A família da atriz tinha um histórico de doença mental. Sua irmã Athole (casada com o cineasta Howard Hawks) passou a vida entrando e saindo de hospitais psiquiátricos, seus pais e o irmão Douglas tinham manias esquisitas.  O mesmo aconteceu com a atriz.

Com dois filhos, NORMA SHEARER não aceitava ser mãe, alegando não ter instinto maternal. Depressiva e alcoólatra, ela se tornou obcecada pela aparência e em idade avançada teve graves problemas de saúde, sucumbindo à deficiência visual e a demência, muitas vezes confundindo seu segundo marido, Martin, com Irving G. Thalberg. Faleceu aos 80 anos, depois de sofrer três derrames. O auge da sua carreira aconteceu entre 1930 e 1936, embora seja mais recordada por dois filmes posteriores, “Maria Antonieta” e “As Mulheres / The Women” (1939).

FONTE
“Norma: The Story of Norma Shearer” (1988)
de Lawrence J. Quirk
 
“The Filmes of Norma Shearer” (1977)
de Jack Jacobs e Myron Braum


  DEZ FILMES de NORMA SHEARER
(por ordem de preferência)

01
As MULHERES
direção de George Cukor
 elenco: Joan Crawford, Rosalind Russell 
e Joan Fontaine

02
ROMEU e JULIETA
direção de Geoge Cukor
  elenco: Leslie Howard, John Barrymore 
e Basil Rathbone

03
MARIA ANTONIETA
direção de W.S. Van Dyke
  elenco: Tyrone Power, John Barrymore 
e Anita Louise

04
Uma ALMA LIVRE
direção de Clarence Brown
  elenco: Leslie Howard, Lionel Barrymore 
e Clark Gable

05
O PRÍNCIPE ESTUDANTE
direção de Ernst Lubitsch
  elenco: Ramon Novarro e Jean Hersholt

06
ESTE MUNDO LOUCO
(Idiot's Delight, 1939)
direção de Clarence Brown
  elenco: Clark Gable, Charles Coburn 
e Burgess Meredith

07
IRONIA da SORTE
(He Who Gets Slapped, 1924)
direção de Victor Sjöström
  elenco: Lon Chaney e John Gilbert

08
VIDAS PARTICULARES
(Private Lives, 1931)
direção de Sidney Franklin
  elenco: Robert Montgmery

09
A DIVORCIADA
direção de Robert Z. Leonard
  elenco: Robert Montgomery, Chester Morris 
e Conrad Nagel

10
A FAMÍLIA BARRETT
direção de Sidney Franklin
  elenco: Fredric March e Charles Laughton

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