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fevereiro 28, 2022

************ DISPONÍVEL para AMAR: 20 FILMES

celia johnson e trevor howard em “desencanto”

 

“Eu sei que jamais terei forças para deixá-lo novamente” 
Ilsa de Ingrid Bergman em “Casablanca”

 
 
Reuni 20 FILMES ROMÂNTICOS. Felizes ou trágicos, têm em comum estarem subordinados ao sortilégio do amor desde o início do cinema. O amor nas telonas, representando a vida real, acende aquela faísca, uma atração instantânea, a sensação de “amor à primeira vista”, para depois brincar com os corações enamorados e parti-los, colá-los e por fim voltar a quebrá-los. Assim como nos filmes, o destino pode nos proporcionar um amor inesquecível quando menos esperamos, seja ele um melodrama ou uma comédia suave. Tudo é misterioso. Confira abaixo narrativas para ver ou rever, pra sonhar ou chorar. Afinal, é difícil resistir à uma história amorosa. As tramas decorrem em diferentes épocas e países. O amor nem sempre triunfa, mas certamente comove.
 

20 FILMES de AMOR
(por ordem de preferência)
 
01
CLAMOR do SEXO
(Splendor in the Grass, 1961)

direção de Elia Kazan
elenco: Natalie Wood, Warren Beatty, Pat Hingle e Barbara Loden
 
Obra-prima que se tornou um símbolo da revolução sociocultural, e sexual, dos anos 60. O enredo se passa no Kansas, em 1928, e acompanha um jovem casal impedido pelas convenções pudicas da época, incluindo a pressão familiar, de consumar carnalmente o seu amor. Essa repressão do desejo acaba por desencadear uma série de conflitos e desilusões. Uma obra carregada de sensualidade que investiga a faceta moralista da sociedade norte-americana. Píncaros de intensidade, perturbação íntima e sofrimento. Além da realização impecável, com seu registro elegante e visualmente arrebatador, Kazan extrai o máximo do elenco. Navegando habilmente entre a intensidade e a sutileza, Natalie Wood talvez atinja aqui o ápice de seu talento. Lírico e dilacerante.
 
02
Os GUARDA-CHUVAS do AMOR
(Les Parapluies de Cherbourg, 1964)

direção de Jacques Demy
elenco: Catherine Deneuve, Nino Castelnuovo e Anne Vernon
 
Uma poeticidade pouco vista e pouco replicada. Palma de Ouro (Melhor Filme) no Festival de Cannes. Neste envolvente melodrama, o diretor Demy incorpora música e dança a serviço do realismo. O efeito é perturbador e comovente. Todos os diálogos são cantados. O amor de uma jovem parte para a guerra da Argélia. Sua mãe, opositora ao namoro somente pelo fato de o rapaz ser pobre, incentiva a filha a aceitar a proposta de casamento de um rico joalheiro. Um clássico inesquecível, com uma Catherine Deneuve mais bela do que nunca. Tudo isto com uma trilha sonora tocante de Michel Legrand.
 
03
DESENCANTO
(Brief Encounter, 1945)

direção de David Lean
elenco: Celia Johnson, Trevor Howard e Stanley Holloway
 
Uma mulher casada, dedicada e insatisfeita. Um médico também casado. Uma forte atração entre eles, uma relação adúltera platônica, uma estação de trem, um derradeiro adeus. Este relacionamento secreto, dividido entre o amor e os costumes tradicionais, tem a Inglaterra do pós-guerra como cenário. Drama delicado e realista do mestre David Lean. Johnson e Howard estão excepcionais. Baseado numa peça do excelente Noel Coward, conta com diálogos repletos de emoções profundas.
 
04
NOSSO AMOR de ONTEM
(The Way We Were, 1972)

direção de Sydney Pollack
elenco: Barbra Streisand, Robert Redford, Bradford Dillman e Lois Chiles
 
Militante judia comunista, altamente engajada, vive um romance com um escritor bonitão, protestante e da alta classe, de estilo de vida totalmente diferente do seu. No despertar da Segunda Guerra Mundial, independentemente de suas diferenças, casam-se e se mudam para a Califórnia. Nesta relação complicada, as diferenças ideológicas entram em choque. A química entre a dupla central seduz o público e a memorável trilha sonora de Marvin Hamlisch (vencedor do Oscar, assim como a canção-título gravada por Streisand) capta o senso de nostalgia. O roteiro, escrito por Arthur Laurents, adaptando seu romance homônimo, coloca o casal em meio a furacões políticos - o comunismo, a ameaça do nazismo - mas não politiza a trama, o amor impossível é o eixo. 
 
05
O MORRO dos VENTOS UIVANTES
(Wuthering Heights, 1939)

direção de William Wyler
elenco: Laurence Olivier, Merle Oberon, David Niven, Flora Robson e Donald Crisp
 
Um dos maiores clássicos do cinema. Incomparável conto gótico sobre uma paixão indestrutível, frustrada pelas circunstâncias sociais e pela desgraça. Com magistral direção de Wyler, essa adaptação do famoso romance de Emily Bronte fala de amor, paixão, ciúme, ódio e vingança. No século XIX, um cigano errante se apaixona perdidamente pela filha do seu pai adotivo, mas ela termina casando com um rico vizinho, resultando em tragédia. Obra-prima com poderosa fotografia de Gregg Toland (que levou um merecido Oscar) e atuações notáveis de todo o elenco, principalmente Olivier.
 
06
CASABLANCA
(Idem, 1942)

direção de Michael Curtiz
elenco: Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Henreid, Claude Rains e Peter Lorre
 
Eterno cult cinematográfico muitas vezes imitado, mas jamais igualado. Romântico, altruísta e humanista. Numa história complicada, em plena Segunda Guerra Mundial, o dono de um bar no Marrocos tem um reencontro inesperado com um antigo amor, agora casada com líder da resistência aos nazistas. Eternizado pela frase Nós sempre teremos Paris, o filme foi indicado a oito Oscar e levou três estatuetas: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro. O extenso elenco de coadjuvantes é notável.
 
07
DOUTOR JIVAGO
(Doctor Zhivago, 1965)

direção de David Lean
elenco: Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Rod Steiger e Alec Guinness
 
Um dos maiores épicos produzidos para a tela. Um médico-poeta, casado com namorada de infância, conhece na guerra o grande amor de sua vida, que é também casada. Uma impactante história de amor mais lembrado por suas sequencias magníficas. David Lean esbanja talento e o elenco internacional é magistral. A fotografia de Freddie Young evoca a vastidão e a beleza da paisagem russa e a trilha sonora de Maurice Jarre é admirável, ambos ganharam o Oscar. Personagens memoráveis e ação histórica poderosa.
 
08
TUDO o QUE o CÉU PERMITE
(All That Heaven Allows, 1955)

direção de Douglas Sirk
elenco: Jane Wyman, Rock Hudson, Agnes Moorehead e Conrad Nagel
 
Um dos melhores exemplos dos luxuosos melodramas em Technicolor da década de 50 e talvez o mais famoso dos dirigidos na Universal pelo mestre Douglas Sirk. O amor salta por cima das diferenças sociais e de idade. Uma viúva sofisticada, que vive na Nova Inglaterra, se envolve com afável e inteligente jardineiro. O amor surge entre ambos, mas as pressões sociais dos filhos dela são fortes e insistentes e as fofocas da sociedade local são cruéis. O filme tem um visual encantador, com cores, iluminação, direção de arte, figurino e fotografia maravilhosos. Um melodrama divinamente romântico.
 
09
AURORA
(Sunrise, 1927)

direção de F. W. Murnau
elenco: George O'Brien, Janet Gaynor e Margaret Livingston
 
Um dos filmes mais reverenciados de todos os tempos, concentrando-se em um casal do interior cujas vidas são destruídas por uma sedutora mulher de uma grande cidade. Atraído pela amante insaciável, o camponês planeja o assassinato da inocente esposa, em uma longa cena carregada de suspense e melancolia. A simplicidade da história confere um peso dramático formidável. Imagens mágicas, graciosos e inventivos movimentos de câmera. Sua sofisticação contradiz os recursos da época. A talentosa Janet Gaynor e os dois fotógrafos tiveram Oscars merecidos.
 
10
O SEGREDO de BROKEBACK MOUNTAIN
(Brokeback Mountain, 2005)

direção de Ang Lee
elenco: Heath Ledger, Jake Gyllenhaal, Michelle Williams e Anne Hathaway
 
Ao longo das décadas de 60 e 70, dois cowboys mantêm uma ligação amorosa intermitente, ora relutante, ora ardente, ao mesmo tempo que ambos se casam e têm filhos. Ang Lee descreve com sensibilidade e pudor uma relação complexa entre dois homens que não se assumem claramente como homossexuais, e que é tornada ainda mais problemática pela época e pela região dos EUA em que a história se passa, bem como pelo meio social e profissional em que ambos ganham a vida. Conquistou o Leão de Ouro no Festival de Veneza e três Oscars, incluindo o de Melhor Diretor.
 
11
As PONTES de MADISON
(The Bridges of Madison County, 1995)

direção de Clint Eastwood
elenco: Meryl Streep e Clint Eastwood
 
Indicada ao Oscar de Melhor Atriz por este filme, Meryl Streep interpreta uma dona de casa do interior de Iowa, casada, que tem um caso de apenas quatro dias, porém intenso, com um fotógrafo da National Geographic. A recordação ficará para sempre. Clint Eastwood e Meryl Streep apresentam performances naturalistas, fazendo parecer que estamos testemunhando um belo e verdadeiro romance. Um fato que difere o filme de outros romances é a idade dos protagonistas. Clint estava com seus 65 anos e Meryl passava dos 40. Ou seja, um amor maduro. Louvável, já que boa parte dos filmes do gênero tende a esquecer esta parcela do público. Resumindo, é uma belíssima história, filmada de forma inteligente, com protagonistas apaixonantes.
 
12
Um HOMEM e uma MULHER
(Un Homme et une Femme, 1966)

direção de Claude Lelouch
elenco: Jean-Louis Trintignant e Anouk Aimée
 
Grande sucesso da carreira do diretor Claude Lelouch, vencedor da Palma de Ouro em Cannes e de dois Oscars, entre outros prêmios. Tornou-se sinônimo mundial de “filme romântico”. O despertar do amor entre um solitário convicto e uma mulher precocemente viúva. Ele, piloto de corridas. Ela, roteirista de cinema. Os dois tentam conduzir um relacionamento sincero e bem humorado em meio às insistentes demandas familiares e profissionais. Ótima trilha sonora de Francis Lai. De forma contemplativa, a obra ganha intensidade a partir do senso de urgência daquele amor.
 
13
HOUVE UMA VEZ um VERÃO
(Summer of '42, 1971)

direção de Robert Mulligan
elenco: Gary Grimes, Jennifer O'Neill e Jerry Houser
 
No verão de 1942, adolescente passa férias em uma pequena ilha, em Massachusetts, decidido a transar com garotas, mas termina apaixonando-se por uma mulher mais velha que vive sozinha enquanto o marido luta na Segunda Guerra Mundial. Em caráter autobiográfico, um drama de amadurecimento. Clássico inesquecível, com excelente direção, bela fotografia e trilha sonora tocante, ganhadora do Oscar.
 
14
TARDE DEMAIS para ESQUECER
(An Affair to Remember, 1957)

direção de Leo McCarey
elenco: Cary Grant, Deborah Kerr, Richard Denning e Cathleen Nesbitt
 
Os carismáticos Kerr e Grant se conhecem em um transatlântico, apaixonam-se perdidamente, mas estão comprometidos com outros. Decididos a terminar seus relacionamentos, combinam novo encontro algum tempo depois no Empire State Building, em Nova York. No entanto, há um desencontro. Um dia, ao acaso, se reencontram para um acerto de contas final. Um melodrama que leva às lágrimas.
 
15
ROMEU e JULIETA
(Romeo and Juliet, 1968)

direção de Franco Zeffirelli
elenco: Leonard Whiting, Olivia Hussey, Robert Stephens e Michael York
 
Versão da peça de Shakespeare rodada em Itália. Deve parte do seu sucesso ao fato do diretor Zeffirelli ter escolhido dois atores com idades muito próximas dos personagens: Leonard Whiting (Romeu) tinha 17 anos e Olivia Hussey (Julieta), 15. Resultou numa inspirada adaptação do clássico imortal sobre um amor trágico, onde dois adolescentes, filhos de famílias rivais, se apaixonam. Oscar de Melhor Fotografia e Melhor Figurino. 
 
16
A HISTÓRIA de ADELE H.
(L'histoire d'Adèle H., 1975)

direção de François Truffaut
elenco: Isabelle Adjani, Bruce Robinson e Sylvia Marriott
 
No século XIX, a filha do grande escritor francês Victor Hugo viaja em busca de um tenente que não lhe corresponde o amor. Esta situação a deixa em um desespero crescente, ficando perturbada e a levando a um processo de auto-destruição. A paixão obsessiva da personagem emociona. Trágico, tristíssimo, um amor absolutamente insano. A atuação de Isabelle Adjani é extraordinária. Ela entrega-se ao papel. Vemos no rosto dela como a loucura vai tomando conta, como fica cada vez mais longe da realidade. É impressionante. Foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz. 
 
17
CARTA de uma DESCONHECIDA
(Letter from an Unknown Woman, 1948)

direção de Max Ophüls
elenco: Joan Fontaine, Louis Jourdan e Mady Christians
 
Adaptado do romance de Stefan Zweig. Em flashback, na Viena do fim do século XIX, a infeliz existência de uma garota ingênua fascinada por um pianista mulherengo termina num sombrio desenlace. Um drama apaixonante controlado pela direção sensível e elegante de Max Ophüls. De forma implacável e hipnótica, o diretor retira os véus de ilusão que envolvem a protagonista, numa crítica devastadora ao mito e à ideologia do amor romântico. De uma riqueza inesgotável, sublime e dilacerante.
 
18
CAMILLE CLAUDEL
(Idem, 1988)

direção de Bruno Nuytten
elenco: Isabelle Adjani, Gérard Depardieu e Madeleine Robinson
 
“Magnética” e “Hipnotizante” foram alguns dos termos utilizados para descrever a performance de Isabelle Adjani como a estrela desta cinebiografia sobre o grande amor de um dos maiores escultores franceses de todos os tempos: Auguste Rodin. Entre ataques de fúria e de insanidade, a atriz se deixa guiar pelo instinto, não atuando, mas, antes, incorporando por completo a personagem perturbada que tinha em mãos. Um trabalho primoroso, que resultou em sua segunda indicação ao Oscar, além do Urso de Prata no Festival de Berlim e do César de Melhor Atriz na França.
 
19
LOVE STORY – Uma HISTÓRIA de AMOR
(Love Story, 1970)

direção de Arthur Hiller
elenco: Ali MacGraw, Ryan O'Neal, John Marley, Ray Milland e Tommy Lee Jones
 
Há muitos filmes da categoria “amor e doença incurável”, mas esse, escrito por Erich Segal (que só depois publicou o livro homônimo), é o mais famoso e lacrimal de todos. Um rico universitário e uma colega encantadora e sem papas na língua apaixonam-se e casam-se, contrariando os pais dele, que o deserdam.  Parecem destinados a ser felizes, mas ela descobre que tem leucemia. Oscar de Melhor Trilha Sonora.
 
20
SUPLÍCIO de uma SAUDADE
(Love Is a Many-Splendored Thing, 1955)

direção de Henry King
elenco: Jennifer Jones e William Holden
 
Uma das mais comoventes e famosas histórias de amor do cinema. Ambientado em Hong Kong, durante a Guerra da Coréia, trata de um correspondente de guerra norte-americano e seu amor por uma médica eurasiana. À medida que seu amor cresce, surgem problemas para atrapalhar a felicidade. Ele deixou uma esposa em casa, e ela enfrenta a desaprovação de sua família e amigos. A trilha sonora venceu o Oscar, assim como a canção título, uma das mais populares já compostas para o cinema. 

maio 29, 2019

********** O MISTERIOSO FIM de NATALIE WOOD



 
“Eu odeio o oceano. 
Não sei nadar 
e não gosto de estar perto do mar.”
[confissão da atriz em entrevista]

Apelido: Nat / Natasha
Altura: 1,57 cm
Olhos: castanhos
Cabelos: negros


O corpo da estrela de 43 anos apareceu, em 1981, flutuando nas proximidades da Ilha de Catalina, na Baía de Los Angeles, Califórnia.  Ela passava o fim de semana do Dia de Ação de Graças no seu iate Splendour, ao lado do marido, o astro de “Casal 20” Robert Wagner, e de um amigo-amante e também ator Christopher Walken, que estava filmando “Projeto Brainstorm / Brainstorm” (lançado em 1983) com ela. As autoridades policiais determinaram que NATALIE WOOD (1938 – 1981. San Francisco, Califórnia / EUA) bebeu demais e caiu no mar enquanto tentava saltar para um bote de borracha atracado ao iate. Apesar do veredito oficial, circularam rumores de suicídio ou assassinato.

bob wagner e natalie
Uma testemunha, que estava em outra embarcação nas proximidades, ouviu um choro e discussões violentas. De acordo com o depoimento de Wagner, após beberem demais, a esposa decidiu ir dormir. Esta teria sido a última vez que foi vista. Mais tarde, quando foi para a cabine e não a encontrou, concluiu que teria partido em um bote e decidiu chamar a guarda costeira. O corpo foi encontrado na manhã seguinte, flutuando bem próximo. 

Christopher Walken nunca comentou o ocorrido. A irmã de NATALIE WOOD, Lana, e o capitão do barco, David Davern, tentaram inúmeras vezes reabrir o caso, mas sem sucesso. Segundo ela, as causas em que se resultaram na tragédia são difusas. A atriz casou-se com Robert Wagner em 1957, divorciando-se em 1962, e voltando a casar-se com ele em 1972. Em um livro publicado pelo viúvo, ele admite um bate-boca entre o casal. Já o capitão da embarcação afirma que os dois tiveram uma violenta briga chegando à agressão física. Mais tarde, ele foi informado que a estrela tinha desaparecido, mas seu patrão não se esforçou para localizá-la, passando horas até ser convencido a chamar a guarda costeira.

natalie, estrela mirim
As investigações determinaram a causa da morte como afogamento acidental. Em novembro de 2011, novos depoimentos de testemunhas resultaram na reabertura do caso. Oito meses após minuciosas investigações, o médico legista da polícia de Los Angeles alterou a causa da morte na declaração de óbito para “afogamento e outros fatores indeterminados”. A justificativa foi a de que os hematomas na falecida não eram acidentais.

NATALIE WOOD sofria desde sempre de um profundo medo de se afogar. Aos 11 anos, filmando “A Grande Promessa / The Green Promise” (1949), precisava atravessar uma ponte cenográfica para resgatar carneiros, mas a estrutura desabou e ela caiu em um rio. Em vez de gritar “corta!”, o diretor William D. Russell prosseguiu a filmagem, como se o desespero dela fosse atuação. Como resultado, a garota quebrou um dos punhos e ganhou um trauma que a seguiu pelo resto da vida. Ficou com o pulso esquerdo com uma leve saliência óssea, passando a escondê-lo com pulseiras. Seu pavor de se afogar era tão grande que Elia Kazan, em 1961, prometeu uma dublê para contratá-la e só depois de muito insistir a convenceu a fazer as cenas no reservatório de água em “Clamor do Sexo.

Na época da sua morte, ela falava em divórcio. Sobre seu casamento, disse: “Às vezes é melhor conviver com o diabo que conhecemos e não com um diabo que desconhecemos.” Seu primeiro casamento com Robert Wagner, capa de revistas mundo afora, findou ao encontrá-lo fazendo sexo com outro homem. Ele nega, mas a irmã dela confirma. A mídia noticiou que o caso dela com o ator Warren Beatty foi a causa do divórcio. Os amigos mais íntimos dizem que divulgaram essa mentira para não arruinar a carreira dele.

Ela foi um raros casos de atriz mirim que conseguiu crescer perante as câmeras com destaque, mas sua vida pessoal foi muito conturbada. Nasceu em São Francisco, na Califórnia, com o nome de Natalia Nikolaevna Zakharenko, em uma humilde família de imigrantes russos-ucranianos. Ainda bebê, uma cigana profetizou para sua mãe que ela seria mundialmente famosa, mas deveria tomar cuidado com rios e mares. Aos cinco anos de idade ganhou uma ponta no drama “Noite sem Lua / The Moon Is Down” (1943), da Twentieth Century Fox. Seu nome nem aparecia nos créditos. Aos nove anos, foi escalada para um drama que não apenas a tornou uma estrela, mas também se eternizou como um dos títulos mais conhecidos de sua carreira, o clássico natalino “De Ilusão Também se Vive”. Ainda menor de idade, num dos escândalos abafados de Hollywood, foi estuprada por Kirk Douglas. Desde então, passou a namorar colecionar amantes, ficando conhecida como “Hollywood Badgirl”.

warren beatty e natalie
Ela se envolveu com dezenas de homens na curta vida: o governador da Califórnia Jerry Brown, o piloto de corrida Lance Reventlow, o milionário Conrad Hilton Jr., o produtor Arthur M. Loew Jr., os atores Warren Beatty, Tony Curtis, Michael Caine, Tom Courtenay, Dennis Hopper, Richard Johnson, Steve McQueen, Robert Vaughn, Stuart Whitman etc. De acordo com a biografia de Suzanne Finstad, a atriz perdeu a virgindade aos 12 anos.

Nos anos 60, no auge do sucesso, NATALIE WOOD já não tinha interesse pelo cinema nem pela vida, inclusive recusando protagonizar o famoso “Bonnie e Clyde / Bonnie and Clyde” (1967). Tentou o suicídio em 1961, 1964 e 1966. Nos anos 1970, trabalhou na TV, atuando em “Gata em Teto de Zinco Quente / Cat on a Hot Tin Roof” (1976), ao lado de Laurence Olivier e Robert Wagner, e na minissérie “A Um Passo da Eternidade / From Here to Eternity” (1979), ganhando o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Série-Drama.

No programa “Today”, da NBC, o capitão David Davern responsabilizou Robert Wagner pela morte de NATALIE WOOD. Não há testemunhas do fato e ele nem pode ser denunciado por homicídio culposo já que as leis da Califórnia exigem que a acusação, neste tipo de crime, seja feita no máximo três anos após o ocorrido. Ela foi enterrada no cemitério Westwood Village Memorial Park, em Los Angeles. No funeral compareceram diversos astros: Rock Hudson, Frank Sinatra, Laurence Olivier, Elia Kazan, Gregory Peck, David Niven, Fred Astaire etc. Em 2004, Peter Bogdanovich fez um telefilme sobre sua vida, “A Misteriosa Morte de Natalie Wood / The Mystery of Natalie Wood”.

richard beymer e natalie wood em “amor, sublime amor”

  DEZ FILMES de NATALIE
(por ordem de preferência)

01
CLAMOR do SEXO
(Splendor in the Grass, 1961)

direção de Elia Kazan
elenco: Warren Beatty e Pat Hingle

02
JUVENTUDE TRANSVIADA
(Rebel Without a Cause, 1955)

direção de Nicholas Ray
elenco: James Dean, Sal Mineo e Dennis Hopper

03
À PROCURA do DESTINO
(Inside Daisy Clover, 1965)

direção de Robert Mulligan
elenco: Christopher Plummer, Robert Redford, Ruth Gordon 
e Roddy McDowall

04
AMOR, SUBLIME AMOR
(West Side Story, 1961)

direção de Robert Wise e Jerome Robbins
elenco: George Chakiris, Richard Beymer e Rita Moreno

05
RASTROS de ÓDIO
(The Searchers, 1956)

direção de John Ford
elenco: John Wayne, Jeffrey Hunter, Vera Miles 
e Ward Bond

06
O PREÇO do PRAZER
(Love with the Proper Stranger, 1963)

direção de Robert Mulligan
elenco: Steve McQueen e Edie Adams

07
ESTA MULHER é PROIBIDA
(This Property Is Condemned, 1966)

direção de Sydney Pollack
elenco: Robert Redford, Charles Bronson e Kate Reid

08
O FANTASMA APAIXONADO
(The Ghost and Mrs. Muir, 1947)

direção de Joseph L. Mankiewicz
elenco: Gene Tierney, Rex Harrison, George Sanders 
e Edna Best

09
De ILUSÃO TAMBÉM se VIVE
(Miracle on 34th Street, 1947)

direção de George Seaton
elenco: Edmund Gwenn, Maureen O'Hara, John Payne 
e Gene Lockhart

10
MÉDICA, BONITA e SOLTEIRA
(Sex and the Single Girl, 1964)

direção de Richard Quine
elenco: Tony Curtis, Lauren Bacall, Henry Fonda, 
Mel Ferrer e Edward Everett Horton

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