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setembro 24, 2023

*** O ROMANCE de JEAN MARAIS e JEAN COCTEAU

 

 
Obrigado do fundo do meu coração por ter me salvado. 
Eu estava me afogando e você se jogou na água 
sem hesitar, sem olhar para trás. 
de JEAN COCTEAU para JEAN MARAIS, em 1939.
 
 
Ele foi um dos atores mais populares do cinema francês. Começou a se destacar nos anos 40 e teve um percurso cinematográfico célebre. JEAN MARAIS (1913 – 1998. Cherbourg, Manche/ França) deixou como legado um porte romântico e atlético perpetuado em mais de 80 filmes, destacando-se no gênero capa-e-espada no final dos anos 50 e meados de 60. Em 1975, publicou uma de suas memórias, “Histórias da Minha Vida / Histoires de Ma Vie”, muito comentado por sua franqueza. Nele, recordou sua infância ingrata, a mãe possessiva meio louca que ele amava, o trabalho como ator prejudicado pela voz afetada e seu longo affair com o genial dramaturgo, poeta e cineasta JEAN COCTEAU (1889 – 1963.Maisons-Laffitte, Yvelines / França).  
 
Apesar de belo, JEAN MARAIS tinha pouco talento e uma voz lamentável. Nunca entendi sua fama. Tudo começou em 1937. O ator desde 1933 trabalhava no cinema como figurante ou em papéis minúsculos e fazia teatro amador. Ao passar no teste em uma peça que seria dirigida por seu futuro amante, foi utilizado em cena vestido apenas com uma minúscula faixa branca, imóvel como uma estátua e revelando seu corpo impactante. Em poucos dias ele se apaixonou pelo gênio. Assim começou a íntima colaboração profissional e amorosa que durou décadas.
 
cocteau e marais
Quando se conheceram, tinha 24 anos e JEAN COCTEAU, 48. Juntos, fizeram clássicos como “A Bela e a Fera (1946), “A Águia de Duas Cabeças (1948), “O Pecado Original / Les Parents Terribles” (1948), “Coriolano / Coriolan” (1950), “Orfeu (1950) e “Testamento de Orfeu” (1960). Todos ricos em imagens inesquecíveis. O ator afirmou que o cineasta foi o amor de sua vida e gostaria de tê-lo encontrado antes. Conhecido por filmes poéticos, a filmografia de JEAN COCTEAU faz parte da história do cinema. Na vida privada, teve casos com figuras notáveis, como o escritor Raymond Radiguet e o boxeador Panama Al Brown. No entanto, o ponto alto foi o relacionamento com JEAN MARAIS. Apelidado de O Príncipe Frívolo, nasceu em uma rica família parisiense. Após sair de casa, publicou um livro de poemas aos 19 anos de idade e logo se tornou conhecido nos círculos artísticos e boêmios de Paris, associado aos escritores Marcel Proust e André Gide. Nos anos seguintes, ele se relacionou com o poeta Guillaume Apollinaire e os pintores Picasso e Modigliani.
 
Seu talento se estendeu por toda a Europa e, em 1917, o empresário russo Sergei Diaghilev o convenceu a escrever o livreto para o ballet “Parade”. Em 1920, tornou-se viciado em ópio, depois do choque causado pela morte inesperada do poeta francês Raymond Radiguet, seu amante, o que o fez submeter-se a várias internações em clínicas. Apesar de ter um caso com a princesa Natalie Paley - filha de um duque Romanov, atriz e modelo – as suas relações mais longas foram com os atores JEAN MARAIS e Edouard Dermithe, a quem adotou formalmente depois de contratá-lo como um jardineiro. Teve alguns casos menores com algumas mulheres e namorou homens mais velhos bem relacionados, como o conhecido ator Eduard De Max. 
 
o jovem cocteau
De Max apresentou JEAN COCTEAU ao quem é quem da cena parisiense e usou sua influência para organizar um encontro de poesia dedicada ao jovem poeta, considerado um grande sucesso nos círculos literários. Logo ele começou a contribuir com poemas e desenhos para revistas literárias. De Max também o ajudou a publicar seus três primeiros livros. Em essência, ele foi um poeta que escreveu romances, peças, crítica literária, dirigiu filmes e foi um artista plástico inspirado, que deixou sua marca em capelas da Provence e Côte D’Azur. Este talento múltiplo não se diluiu em suas atividades, somou-se. Como ele explica: “Explorei tantos caminhos para que minha semente se espalhasse por toda a parte.”.
 
Uma vez famoso, JEAN COCTEAU começou a namorar homens mais jovens, seus “enfants”, como ele se referia a eles, belos jovens amantes e colaboradores. A partir de 1916, incentivou a carreira do poeta John LeRoy, que morreria apenas dois anos depois. Ele escreveu sobre LeRoy: “…coloquei nele o que foi desperdiçado em mim pela vida desordenada. Ele era jovem, bonito, bom, corajoso, cheio de gênio, nada afetado, tudo o que a Morte gosta.”. A próxima obsessão foi Raymond Radiquet, de 15 anos. A dupla escreveu quatro romances de sucesso enquanto moravam juntos. Em 1923, Radiquet morreu de febre tifóide, aos 20 anos de idade. Nem todos os seus amantes eram talentosos ou bem-sucedidos. Maurice Sachs roubou o seu apartamento e depois escreveu “Witches Sabbath”, um relato do relacionamento deles. Sachs acabou morto pelos nazistas. “Les Enfants Terrible”, publicado em 1929 e depois adaptado para um filme por Jean-Pierre Melville, foi em parte inspirado na vida familiar de seu amante Jean Bourgoint. O relacionamento não durou muito e Bourgoint acabou se tornando um monge trapista, trabalhando em uma colônia de leprosos nos Camarões.
 
Em 1927, JEAN COCTEAU morava com o poeta Jean Desbordes, que escreveu em 1928, “J’Adore”, conhecido como uma carta de amor de 200 páginas ao amante. Foi algo muito picante para a época. Eles passaram o verão no interior da França com Gertrude Stein e Coco Chanel, que ficou irritada porque os dois viviam a maior parte do dia trancados no quarto fumando ópio. Desbordes tornou-se um líder da Resistência durante a Segunda Guerra Mundial. Tragicamente, os nazistas o capturaram, arrancaram-lhe os olhos e depois o mataram. Em 1930, JEAN COCTEAU lançou sua primeira obra-prima cinematográfica, “Sangue do Poeta”, influenciado por sua amizade com surrealistas e dadaístas. Ele realizou sete filmes e é um dos mais importantes cineastas de todos os tempos.
 
Com uma infância sofrida, porque a sua mãe era mentalmente instável, JEAN MARAIS nasceu na antiga cidade portuária de Cherbourgh. Seus pais se separaram depois da Primeira Guerra Mundial e a mãe, ele e o irmão Henri se mudaram para os subúrbios de Paris. Fascinado pelo teatro desde criança, dizia aos amigos que a mãe era uma atriz da Comedie Française. Incapaz de conseguir um trabalho regular, a mãe tornou-se ladra de lojas e foi presa várias vezes. Sozinhas, as crianças tiveram que aprender a se defender sozinhas. Expulso da escola por se vestir de menina e flertar com um professor, o futuro ator fazia biscates como desenhista, jornaleiro e fotógrafo. Enquanto lutava para se estabelecer como ator em Paris, foi rejeitado pelas principais escolas de arte dramática até conhecer JEAN COCTEAU. Juntos formaram um casal admirado na vida cultural francesa. Trabalhou na peça “Les Parents Terribles” e deu vida a fábula “A Bela e a Fera”, de 1946, o filme mais popular dos dois. O ator trabalhou também com outros diretores magistrais como Jean Renoir, Luchino Visconti e Bernardo Bertolucci.
 
marais e cocteau
O relacionamento deles foi extremamente apaixonado e intenso, com COCTEAU escalando MARAIS para seus próprios projetos cinematográficos. Ele estrelou a maioria dos filmes do amante. O cineasta afirmou que sua atuação em “Orfeu” “ilumina o filme com sua alma”. Na verdade, o ator era tratado como muso do cineasta. Eles permaneceram numa Paris ocupada pelos nazistas, apesar da oposição a homossexualidade. Eram abertamente gays e o ator foi rejeitado pela Resistência por isso. Já COCTEAU, dependente do ópio, superou o vício com o amante.
 
O cineasta tinha admiradores poderosos que protegiam os dois, mesmo quando JEAN MARAIS deu um soco em um crítico colaboracionista por escrever uma crítica negativa sobre uma das peças do amante. Os seus nomes foram arrastados pela lama da imprensa controlada pelos nazis, mas nunca foram presos ou enviados para um campo de concentração. JEAN COCTEAU morreu de um ataque cardíaco em seu castelo em Milly-la-Forêt, Essonne, em 1963, com 74 anos. Contam que seu coração parou depois de ouvir que Edith Piaf, uma de suas grandes amigas, tinha morrido. JEAN MARAIS mandou gravar na sua lápide: “Eu fico com você”. Falecido em 1998, aos 85 anos, entre os trabalhos mais recentes de JEAN MARAIS estão apresentações no Cabaré Les Folies Bergères e a interpretação de Próspero em “A Tempestade”, de Shakespeare, nos palcos de Paris. Seus últimos filmes foram “Os Miseráveis / Les Misérables” (1995), de Claude Lelouch; e “Beleza Roubada” (1996), de Bernardo Bertolucci. Publicou mais de uma autobiografia e organizou retrospectiva como artista plástico em 1995. Sobre JEAN COCTEAU, comentou: “Lamento amargamente não ter passado toda a minha vida servindo Cocteau em vez de me preocupar com minha carreira.”
 
jean marais em “orfeu”

CINCO FILMES de JEAN COCTEAU
(por ordem de preferência)
 
01
A BELA e a FERA
(La Belle et la Bête, 1946)
 
elenco: Jean Marais, Josette Day e Michael Auclair
 
02
A ÁGUIA de DUAS CABEÇAS
(L'aigle à Deux Têtes, 1948)
 
elenco: Edwige Feuillère
 
03
O SANGUE de um POETA
(Le Sang d'un Poète, 1932)
 
elenco: Enrique Rivero, Elizabeth Lee Miller e Pauline Carton
 
04
ORFEU 
(Orphée, 1950)
 
elenco: François Périer, María Casarés, Marie Déa e Juliette Gréco
 
05
O TESTAMENTO de ORFEU
(Le Testament d'Orphée ou ne me Demandez pas Pourquoi, 1960)
 
elenco: Françoise Arnoul, Claudine Auger, Jean Marais, Charles Aznavour, Lucia Bosè, Yul Brynner e María Casarés
 
jean marais em “a bela e a fera

DEZ FILMES de JEAN MARAIS
(por ordem de preferência)
 
01
A BELA e a FERA
(La Belle et la Bête, 1946)
 
direção: Jean Cocteau 
elenco: Josette Day e Michael Auclair
 
02
NOITES BRANCAS
(Le Notti Bianche,1957)
 
direção: Luchino Visconti
elenco: Maria Schell, Marcello Mastroianni, Clara Calamai e Giorgio Albertazzi
 
03
O CASTELO de CRISTAL
(Le Chateau De Vêrre, 1950)
 
direção: René Clement 
elenco: Michèle Morgan, Jean Servais e Fosco Giachetti
 
04
A ÁGUIA de DUAS CABEÇAS
(L'aigle à Deux Têtes, 1948)
 
direção: Jean Cocteau 
elenco: Edwige Feuillère
 
05
As ESTRANHAS COISAS de PARIS
(Elena et les Hommes, 1956)
 
direção: Jean Renoir 
elenco: Ingrid Bergman, Mel Ferrer, Juliette Gréco e Dora Doll
 
06
ORFEU
(Orphée, 1950)
 
direção: Jean Cocteau 
elenco: François Périer, María Casarés, Marie Déa e Juliette Gréco
 
07
ENTRE o AMOR e o TRONO
(Ruy Blas, 1948)
 
direção: Pierre Billon 
elenco: Danielle Darrieux, Marcel Herrand e Gabrielle Dorziat
 
08
MILAGRES ACONTECEM uma VEZ
(Les Miracles n'ont Lieu qu'une Fois, 1951)
 
direção: Yves Allégret 
elenco: Alida Valli
 
09
BELEZA ROUBADA
(Stealing Beauty, 1996)
 
direção: Bernardo Bertolucci 
elenco: Liv Tyler, Joseph Fiennes, Jeremy Irons, Stefania Sandrelli e Rachel Weisz
 
10
Os AMORES de CARMEN
(Carmen, 1944)
 
direção: Christian-Jaque
elenco: Viviane Romance, Marguerite Moreno e Bernard Blier
 
GALERIA de FOTOS
 

 

fevereiro 28, 2022

************ DISPONÍVEL para AMAR: 20 FILMES

celia johnson e trevor howard em “desencanto”

 

“Eu sei que jamais terei forças para deixá-lo novamente” 
Ilsa de Ingrid Bergman em “Casablanca”

 
 
Reuni 20 FILMES ROMÂNTICOS. Felizes ou trágicos, têm em comum estarem subordinados ao sortilégio do amor desde o início do cinema. O amor nas telonas, representando a vida real, acende aquela faísca, uma atração instantânea, a sensação de “amor à primeira vista”, para depois brincar com os corações enamorados e parti-los, colá-los e por fim voltar a quebrá-los. Assim como nos filmes, o destino pode nos proporcionar um amor inesquecível quando menos esperamos, seja ele um melodrama ou uma comédia suave. Tudo é misterioso. Confira abaixo narrativas para ver ou rever, pra sonhar ou chorar. Afinal, é difícil resistir à uma história amorosa. As tramas decorrem em diferentes épocas e países. O amor nem sempre triunfa, mas certamente comove.
 

20 FILMES de AMOR
(por ordem de preferência)
 
01
CLAMOR do SEXO
(Splendor in the Grass, 1961)

direção de Elia Kazan
elenco: Natalie Wood, Warren Beatty, Pat Hingle e Barbara Loden
 
Obra-prima que se tornou um símbolo da revolução sociocultural, e sexual, dos anos 60. O enredo se passa no Kansas, em 1928, e acompanha um jovem casal impedido pelas convenções pudicas da época, incluindo a pressão familiar, de consumar carnalmente o seu amor. Essa repressão do desejo acaba por desencadear uma série de conflitos e desilusões. Uma obra carregada de sensualidade que investiga a faceta moralista da sociedade norte-americana. Píncaros de intensidade, perturbação íntima e sofrimento. Além da realização impecável, com seu registro elegante e visualmente arrebatador, Kazan extrai o máximo do elenco. Navegando habilmente entre a intensidade e a sutileza, Natalie Wood talvez atinja aqui o ápice de seu talento. Lírico e dilacerante.
 
02
Os GUARDA-CHUVAS do AMOR
(Les Parapluies de Cherbourg, 1964)

direção de Jacques Demy
elenco: Catherine Deneuve, Nino Castelnuovo e Anne Vernon
 
Uma poeticidade pouco vista e pouco replicada. Palma de Ouro (Melhor Filme) no Festival de Cannes. Neste envolvente melodrama, o diretor Demy incorpora música e dança a serviço do realismo. O efeito é perturbador e comovente. Todos os diálogos são cantados. O amor de uma jovem parte para a guerra da Argélia. Sua mãe, opositora ao namoro somente pelo fato de o rapaz ser pobre, incentiva a filha a aceitar a proposta de casamento de um rico joalheiro. Um clássico inesquecível, com uma Catherine Deneuve mais bela do que nunca. Tudo isto com uma trilha sonora tocante de Michel Legrand.
 
03
DESENCANTO
(Brief Encounter, 1945)

direção de David Lean
elenco: Celia Johnson, Trevor Howard e Stanley Holloway
 
Uma mulher casada, dedicada e insatisfeita. Um médico também casado. Uma forte atração entre eles, uma relação adúltera platônica, uma estação de trem, um derradeiro adeus. Este relacionamento secreto, dividido entre o amor e os costumes tradicionais, tem a Inglaterra do pós-guerra como cenário. Drama delicado e realista do mestre David Lean. Johnson e Howard estão excepcionais. Baseado numa peça do excelente Noel Coward, conta com diálogos repletos de emoções profundas.
 
04
NOSSO AMOR de ONTEM
(The Way We Were, 1972)

direção de Sydney Pollack
elenco: Barbra Streisand, Robert Redford, Bradford Dillman e Lois Chiles
 
Militante judia comunista, altamente engajada, vive um romance com um escritor bonitão, protestante e da alta classe, de estilo de vida totalmente diferente do seu. No despertar da Segunda Guerra Mundial, independentemente de suas diferenças, casam-se e se mudam para a Califórnia. Nesta relação complicada, as diferenças ideológicas entram em choque. A química entre a dupla central seduz o público e a memorável trilha sonora de Marvin Hamlisch (vencedor do Oscar, assim como a canção-título gravada por Streisand) capta o senso de nostalgia. O roteiro, escrito por Arthur Laurents, adaptando seu romance homônimo, coloca o casal em meio a furacões políticos - o comunismo, a ameaça do nazismo - mas não politiza a trama, o amor impossível é o eixo. 
 
05
O MORRO dos VENTOS UIVANTES
(Wuthering Heights, 1939)

direção de William Wyler
elenco: Laurence Olivier, Merle Oberon, David Niven, Flora Robson e Donald Crisp
 
Um dos maiores clássicos do cinema. Incomparável conto gótico sobre uma paixão indestrutível, frustrada pelas circunstâncias sociais e pela desgraça. Com magistral direção de Wyler, essa adaptação do famoso romance de Emily Bronte fala de amor, paixão, ciúme, ódio e vingança. No século XIX, um cigano errante se apaixona perdidamente pela filha do seu pai adotivo, mas ela termina casando com um rico vizinho, resultando em tragédia. Obra-prima com poderosa fotografia de Gregg Toland (que levou um merecido Oscar) e atuações notáveis de todo o elenco, principalmente Olivier.
 
06
CASABLANCA
(Idem, 1942)

direção de Michael Curtiz
elenco: Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Henreid, Claude Rains e Peter Lorre
 
Eterno cult cinematográfico muitas vezes imitado, mas jamais igualado. Romântico, altruísta e humanista. Numa história complicada, em plena Segunda Guerra Mundial, o dono de um bar no Marrocos tem um reencontro inesperado com um antigo amor, agora casada com líder da resistência aos nazistas. Eternizado pela frase Nós sempre teremos Paris, o filme foi indicado a oito Oscar e levou três estatuetas: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro. O extenso elenco de coadjuvantes é notável.
 
07
DOUTOR JIVAGO
(Doctor Zhivago, 1965)

direção de David Lean
elenco: Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Rod Steiger e Alec Guinness
 
Um dos maiores épicos produzidos para a tela. Um médico-poeta, casado com namorada de infância, conhece na guerra o grande amor de sua vida, que é também casada. Uma impactante história de amor mais lembrado por suas sequencias magníficas. David Lean esbanja talento e o elenco internacional é magistral. A fotografia de Freddie Young evoca a vastidão e a beleza da paisagem russa e a trilha sonora de Maurice Jarre é admirável, ambos ganharam o Oscar. Personagens memoráveis e ação histórica poderosa.
 
08
TUDO o QUE o CÉU PERMITE
(All That Heaven Allows, 1955)

direção de Douglas Sirk
elenco: Jane Wyman, Rock Hudson, Agnes Moorehead e Conrad Nagel
 
Um dos melhores exemplos dos luxuosos melodramas em Technicolor da década de 50 e talvez o mais famoso dos dirigidos na Universal pelo mestre Douglas Sirk. O amor salta por cima das diferenças sociais e de idade. Uma viúva sofisticada, que vive na Nova Inglaterra, se envolve com afável e inteligente jardineiro. O amor surge entre ambos, mas as pressões sociais dos filhos dela são fortes e insistentes e as fofocas da sociedade local são cruéis. O filme tem um visual encantador, com cores, iluminação, direção de arte, figurino e fotografia maravilhosos. Um melodrama divinamente romântico.
 
09
AURORA
(Sunrise, 1927)

direção de F. W. Murnau
elenco: George O'Brien, Janet Gaynor e Margaret Livingston
 
Um dos filmes mais reverenciados de todos os tempos, concentrando-se em um casal do interior cujas vidas são destruídas por uma sedutora mulher de uma grande cidade. Atraído pela amante insaciável, o camponês planeja o assassinato da inocente esposa, em uma longa cena carregada de suspense e melancolia. A simplicidade da história confere um peso dramático formidável. Imagens mágicas, graciosos e inventivos movimentos de câmera. Sua sofisticação contradiz os recursos da época. A talentosa Janet Gaynor e os dois fotógrafos tiveram Oscars merecidos.
 
10
O SEGREDO de BROKEBACK MOUNTAIN
(Brokeback Mountain, 2005)

direção de Ang Lee
elenco: Heath Ledger, Jake Gyllenhaal, Michelle Williams e Anne Hathaway
 
Ao longo das décadas de 60 e 70, dois cowboys mantêm uma ligação amorosa intermitente, ora relutante, ora ardente, ao mesmo tempo que ambos se casam e têm filhos. Ang Lee descreve com sensibilidade e pudor uma relação complexa entre dois homens que não se assumem claramente como homossexuais, e que é tornada ainda mais problemática pela época e pela região dos EUA em que a história se passa, bem como pelo meio social e profissional em que ambos ganham a vida. Conquistou o Leão de Ouro no Festival de Veneza e três Oscars, incluindo o de Melhor Diretor.
 
11
As PONTES de MADISON
(The Bridges of Madison County, 1995)

direção de Clint Eastwood
elenco: Meryl Streep e Clint Eastwood
 
Indicada ao Oscar de Melhor Atriz por este filme, Meryl Streep interpreta uma dona de casa do interior de Iowa, casada, que tem um caso de apenas quatro dias, porém intenso, com um fotógrafo da National Geographic. A recordação ficará para sempre. Clint Eastwood e Meryl Streep apresentam performances naturalistas, fazendo parecer que estamos testemunhando um belo e verdadeiro romance. Um fato que difere o filme de outros romances é a idade dos protagonistas. Clint estava com seus 65 anos e Meryl passava dos 40. Ou seja, um amor maduro. Louvável, já que boa parte dos filmes do gênero tende a esquecer esta parcela do público. Resumindo, é uma belíssima história, filmada de forma inteligente, com protagonistas apaixonantes.
 
12
Um HOMEM e uma MULHER
(Un Homme et une Femme, 1966)

direção de Claude Lelouch
elenco: Jean-Louis Trintignant e Anouk Aimée
 
Grande sucesso da carreira do diretor Claude Lelouch, vencedor da Palma de Ouro em Cannes e de dois Oscars, entre outros prêmios. Tornou-se sinônimo mundial de “filme romântico”. O despertar do amor entre um solitário convicto e uma mulher precocemente viúva. Ele, piloto de corridas. Ela, roteirista de cinema. Os dois tentam conduzir um relacionamento sincero e bem humorado em meio às insistentes demandas familiares e profissionais. Ótima trilha sonora de Francis Lai. De forma contemplativa, a obra ganha intensidade a partir do senso de urgência daquele amor.
 
13
HOUVE UMA VEZ um VERÃO
(Summer of '42, 1971)

direção de Robert Mulligan
elenco: Gary Grimes, Jennifer O'Neill e Jerry Houser
 
No verão de 1942, adolescente passa férias em uma pequena ilha, em Massachusetts, decidido a transar com garotas, mas termina apaixonando-se por uma mulher mais velha que vive sozinha enquanto o marido luta na Segunda Guerra Mundial. Em caráter autobiográfico, um drama de amadurecimento. Clássico inesquecível, com excelente direção, bela fotografia e trilha sonora tocante, ganhadora do Oscar.
 
14
TARDE DEMAIS para ESQUECER
(An Affair to Remember, 1957)

direção de Leo McCarey
elenco: Cary Grant, Deborah Kerr, Richard Denning e Cathleen Nesbitt
 
Os carismáticos Kerr e Grant se conhecem em um transatlântico, apaixonam-se perdidamente, mas estão comprometidos com outros. Decididos a terminar seus relacionamentos, combinam novo encontro algum tempo depois no Empire State Building, em Nova York. No entanto, há um desencontro. Um dia, ao acaso, se reencontram para um acerto de contas final. Um melodrama que leva às lágrimas.
 
15
ROMEU e JULIETA
(Romeo and Juliet, 1968)

direção de Franco Zeffirelli
elenco: Leonard Whiting, Olivia Hussey, Robert Stephens e Michael York
 
Versão da peça de Shakespeare rodada em Itália. Deve parte do seu sucesso ao fato do diretor Zeffirelli ter escolhido dois atores com idades muito próximas dos personagens: Leonard Whiting (Romeu) tinha 17 anos e Olivia Hussey (Julieta), 15. Resultou numa inspirada adaptação do clássico imortal sobre um amor trágico, onde dois adolescentes, filhos de famílias rivais, se apaixonam. Oscar de Melhor Fotografia e Melhor Figurino. 
 
16
A HISTÓRIA de ADELE H.
(L'histoire d'Adèle H., 1975)

direção de François Truffaut
elenco: Isabelle Adjani, Bruce Robinson e Sylvia Marriott
 
No século XIX, a filha do grande escritor francês Victor Hugo viaja em busca de um tenente que não lhe corresponde o amor. Esta situação a deixa em um desespero crescente, ficando perturbada e a levando a um processo de auto-destruição. A paixão obsessiva da personagem emociona. Trágico, tristíssimo, um amor absolutamente insano. A atuação de Isabelle Adjani é extraordinária. Ela entrega-se ao papel. Vemos no rosto dela como a loucura vai tomando conta, como fica cada vez mais longe da realidade. É impressionante. Foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz. 
 
17
CARTA de uma DESCONHECIDA
(Letter from an Unknown Woman, 1948)

direção de Max Ophüls
elenco: Joan Fontaine, Louis Jourdan e Mady Christians
 
Adaptado do romance de Stefan Zweig. Em flashback, na Viena do fim do século XIX, a infeliz existência de uma garota ingênua fascinada por um pianista mulherengo termina num sombrio desenlace. Um drama apaixonante controlado pela direção sensível e elegante de Max Ophüls. De forma implacável e hipnótica, o diretor retira os véus de ilusão que envolvem a protagonista, numa crítica devastadora ao mito e à ideologia do amor romântico. De uma riqueza inesgotável, sublime e dilacerante.
 
18
CAMILLE CLAUDEL
(Idem, 1988)

direção de Bruno Nuytten
elenco: Isabelle Adjani, Gérard Depardieu e Madeleine Robinson
 
“Magnética” e “Hipnotizante” foram alguns dos termos utilizados para descrever a performance de Isabelle Adjani como a estrela desta cinebiografia sobre o grande amor de um dos maiores escultores franceses de todos os tempos: Auguste Rodin. Entre ataques de fúria e de insanidade, a atriz se deixa guiar pelo instinto, não atuando, mas, antes, incorporando por completo a personagem perturbada que tinha em mãos. Um trabalho primoroso, que resultou em sua segunda indicação ao Oscar, além do Urso de Prata no Festival de Berlim e do César de Melhor Atriz na França.
 
19
LOVE STORY – Uma HISTÓRIA de AMOR
(Love Story, 1970)

direção de Arthur Hiller
elenco: Ali MacGraw, Ryan O'Neal, John Marley, Ray Milland e Tommy Lee Jones
 
Há muitos filmes da categoria “amor e doença incurável”, mas esse, escrito por Erich Segal (que só depois publicou o livro homônimo), é o mais famoso e lacrimal de todos. Um rico universitário e uma colega encantadora e sem papas na língua apaixonam-se e casam-se, contrariando os pais dele, que o deserdam.  Parecem destinados a ser felizes, mas ela descobre que tem leucemia. Oscar de Melhor Trilha Sonora.
 
20
SUPLÍCIO de uma SAUDADE
(Love Is a Many-Splendored Thing, 1955)

direção de Henry King
elenco: Jennifer Jones e William Holden
 
Uma das mais comoventes e famosas histórias de amor do cinema. Ambientado em Hong Kong, durante a Guerra da Coréia, trata de um correspondente de guerra norte-americano e seu amor por uma médica eurasiana. À medida que seu amor cresce, surgem problemas para atrapalhar a felicidade. Ele deixou uma esposa em casa, e ela enfrenta a desaprovação de sua família e amigos. A trilha sonora venceu o Oscar, assim como a canção título, uma das mais populares já compostas para o cinema.