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outubro 25, 2025

*************** AVA GARDNER - FILMES e AMORES

 

 

O animal mais belo do mundo.
JEAN COCTEAU
(1889 – 1963. Maisons-Laffitte / França)
 
Sou uma mulher extremamente bonita
em qualquer idade.
AVA GARDNER
 
apelido: Snowdrop e Angel
altura: 1,68 m
cabelos: negros
olhos: verdes
Algumas estrelas ficaram na história privada de Hollywood como devoradoras de homens. Entre elas, Clara Bow e Louise Brooks, ainda no cinema mudo; Joan Crawford, Vivien Leigh, Lana Turner, Marilyn Monroe, Grace Kelly, Natalie Wood, Jayne Mansfield e Ava Gardner. Suas vidas amorosas estamparam manchetes de jornais e colunas de fofocas, colecionando escândalos mundo afora. A deslumbrante AVA GARDNER (1922- 1990. Grabton, Carolina do Norte / EUA) foi uma espécie de Warren Beatty (grande conquistador até se casar com Annette Bening) de saias. Na sua lista amorosa, sem contar os maridos oficiais – Mickey Rooney, Artie Shaw e Frank Sinatra -, constam o bilionário Howard Hughes, o presidente John F. Kennedy, o ditador Fidel Castro, o cineasta John Huston, o toureiro Luiz Miguel Dominguin e os atores Robert Mitchum, Robert Taylor, George Raft, David Niven e Steve McQueen, numa intimidade tema de inúmeros livros e documentários. Em sua passagem pelo Brasil, em 1954, assediou o cantor Carlos Augusto, da Rádio Nacional, famoso na época. Só que ele era gay.

Disposta a tudo pelos homens que desejava, ela eventualmente enfrentou rivais. Em 1958, uma notória saída noturna em Roma, em amores com Anthony Franciosa, casado então com Shelley Winters, terminou em uma batalha feminina. A esposa do ator não gostou nem um pouco da infidelidade e as duas se esbofetearam publicamente em um hotel. O ator George C. Scott também frequentou seus lençóis durante as filmagens de
“A Bíblia / The Bible in the Beginning...” (1966). Protagonizavam uma relação não exatamente pacífica, costumando resultar em tapas violentos. Antes de ser severamente espancada por ele, ela declarou: “A gente se ama. Ele me bate porque me ama”. Ela bebia vorazmente uísque, conhaque, tequila e o que mais aparecesse. Independente e impetuosa, seus tórridos romances alimentaram o mito de mulher fatal. Em 1955, no auge do sucesso, mudou-se para a Espanha, tornando-se musa de festas intermináveis e de toureiros. O interesse surgiu antes, em 1950, ao filmar “Pandora / Pandora and the Flying Dutchman” (1951), de Albert Lewin, em Tossa de Mar, na Catalunha.

A atriz se encantou com a vida noturna espanhola, a cultura romântica e os sensuais toureiros, estabelecendo uma sincera e duradoura identificação com o país. No bonito filme de Albert Lewin, Pandora destrói tudo e todos a seu redor, até que surge em sua vida o Holandês Voador, personagem enigmático que James Mason dota de aura mística. Na tumultuada visita ao Brasil, no lançamento do icônico “A Condessa Descalça” (1954), foi manchete mundial. Bêbada, em um acesso de fúria, quebrou a mobília e jogou objetos de decoração pela janela do então luxuoso Hotel Glória. Por onde passou, o alcoolismo e as aventuras sexuais deixaram um rastro de excessos. A bebida e o cigarro foram sempre companheiros fiéis. Dizia que morreria com um cigarro na mão e um uísque na outra. Envolveu-se com o toureiro Mario Cabré, que arriscou a vida por ela nas arenas. Em 1953, rodando na África “Mogambo” – sua única indicação ao Oscar – descobriu estar grávida de Frank Sinatra. Ao abortar em Londres, uma escala em Madri a levou aos braços de Dominguín, outro famoso toureiro.

Filmando na Itália
“A Condessa Descalça”, aprofundou sua relação com Dominguín através de maratonas de sexo. Ao comprar um casarão em La Moraleja, em Madri, estabeleceu um quartel general para festas que duravam um final de semana e incluíam corridas de touros e apresentações de flamenco. Representado o que os ainda provincianos espanhóis censuravam – uma mulher sozinha, sem religião e, além disso, atriz -, passou a ser tratada como uma ameaça para as famílias respeitáveis, sendo vetada em lugares como o Hotel Ritz. Parceira de Ernest Hemingway na farra espanhola (ela protagonizou três adaptações de sua literatura, “Os Assassinos”, “As Neves de Kilimanjaro” e “E Agora Brilha o Sol”), em 1959 visitou Cuba, hospedando-se na casa do escritor, onde se banhava na piscina totalmente nua. Ao conhecer o ditador Fidel Castro no Havana Hilton, se deu muito bem. Castro a tratou com extravagante galanteria e a levou para um passeio em sua moradia. Sentaram-se na varanda com vista para a cidade, beberam Cuba Libre, conversaram sobre a revolução e foram para a cama.

Sempre com a amante e tradutora do ditador de Cuba, Marita Lorenz, em alerta máximo, a atriz começou a cortejar Castro, e as duas mulheres tiveram um confronto violento no saguão do Hilton. Ébria, acusou Lorenz, a quem chamava de
“vadiazinha”, de esconder seu chefe. Então a seguiu até um elevador e lhe deu um tapa no rosto. Um guarda-costas sacou uma arma e a partir daí Castro decidiu se livrar da sedutora turbulenta arranjando um amante bonitão para AVA GARDNER, que a satisfazia em uma suíte no Hotel Nacional, como cortesia de Cuba. Em 1961, aos 39 anos, depois do suicídio do amigo “Papa”, Nobel de literatura, do fracasso da produção “La Maja Desnuda / The Naked Maja” (1958) e de um acidente que deixou incômodas sequelas, a formosa estrela findou a escandalosa e apaixonada relação com a Espanha, mudando-se para o Reino Unido. Por lá ficou até morrer em 1990. Sempre irreverente e atrevida, era, nas palavras de seu segundo marido, Artie Shaw, “a criatura mais linda que já vi”. Ela também era, de acordo com sua colega britânica Deborah Kerr, “engraçada, afetuosa e humana”.

De espírito aventureiro, teve uma existência repleta de luxúria, amores e travessuras noturnas. Nasceu na Carolina do Norte, em uma fazenda de tabaco, filha de agricultores humildes. Aos 18 anos, uma foto sua colocada na vitrine do estúdio fotográfico do seu cunhado, em Nova York, chamou a atenção de um caça talentos da Metro-Goldwyn-Mayer, que a contratou por sua estonteante beleza. Em 1946, emprestada à Universal Pictures, estrelou o clássico policial noir “Os Assassinos” e sua carreira começou a brilhar. Em “Mogambo”, contracenou com Clark Gable e Grace Kelly, tornando-se uma das poderosas estrelas de sua geração. Participou de mais de 40 filmes, passando seus últimos anos reclusa em um apartamento em Londres com a governanta de longa data, Carmen Vargas, e o amado cão Welsh Corgi, Morgan. Dois derrames em 1986 a deixaram parcialmente paralisada. “Estou tão cansada”, disse pouco antes de morrer de pneumonia aos 67 anos. Vargas levou seu corpo para a Carolina do Norte, em um enterro privado. Nenhum de seus ex-maridos compareceram, mas o seu grande amor Frank Sinatra chorou por horas por não estar naquele momento com ela.

PRIMEIRO CASAMENTO: MICKEY ROONEY
(1942 - 1943)

Contratada pela Metro-Goldwyn-Mayer, onde ficaria até 1958, em seu segundo dia em Hollywood ela foi levada para conhecer os estúdios onde trabalharia. Num deles, o astro Mickey Rooney filmava a comédia “Calouros na Broadway / Babes on Broadway” (1941), vestido como Carmen Miranda. Ao vê-la, correu em sua direção com saltos altos. “Tudo em mim parou”, ele escreveria em suas memórias, “Meu coração. Minha respiração. Meu pensamento.” Ao se apresentar, ela se sentiu lisonjeada. Era o astro de maior bilheteria da meca do cinema desde 1939.  Depois de se fazer de difícil por um tempo, AVA GARDNER aceitou um encontro com o ator carismático e persistente. Cinco meses depois eles se casaram com o apoio do produtor Louis B. Mayer em uma cerimônia discreta e sem publicidade, na pequena igreja branca em Ballard, Califórnia, em 10 de janeiro de 1942. Ela usou um tailleur azul, com um buquê de orquídeas Cattaleya em vez de um típico vestido de noiva. Os únicos convidados presentes no casamento foram a irmã de Ava, Bappie, os pais de Mickey e Les Petersen, o assessor pessoal do astro.

Passaram a lua de mel no Del Monte Hotel, perto de Carmel, na Península de Monterey. Logo após, ela o acompanhou em uma turnê de guerra que incluiu paradas em Boston, Nova York, Fort Bragg e Washington DC. A nova Sra. Mickey Rooney ainda estava nos estágios iniciais de sua carreira, então era ele a estrela em todos os lugares que iam.  AVA GARD
NER tinha apenas 19 anos quando se casou com Mickey Rooney, de 21, e o casamento rapidamente fracassou e começou a ruir. Mesmo apaixonado pela esposa, ele parecia se esquecer que era casado, e tinha diversos casos com outras mulheres. Ela não suportou por muito tempo as constantes infidelidades do marido e, depois de pouco mais de um ano, pediu o divórcio, que foi oficializado em 21 de maio de 1943.

SEGUNDO CASAMENTO: ARTIE SHAW
(1945 - 1946)
Pouco tempos depois, conheceu o músico de jazz Artie Shaw, acreditando ser o amor de sua vida. O artista era culto e podia falar de qualquer coisa com profundo conhecimento, encantando a amada por essa característica. No entanto, ele resolveu transformá-la numa erudita. Se ela não acompanhasse seus assuntos, a humilhava em frente a seus amigos. Assim, a relação não tardou a ter problemas. Ao conhecê-lo, ele havia acabado de retornar da Segunda Guerra Mundial e era um músico popular. Ela depois escreveria em sua autobiografia, “Ava: Minha História”: “Meu Deus, que homem lindo! Artie era bonito, bronzeado, muito seguro de si e não parava de falar. Era tão caloroso e charmoso que me apaixonei por ele. Foi o primeiro intelectual que conheci, e ele me conquistou.” Os dois namoraram por vários meses, antes dela se mudar para a casa dele em Beverly Hills, no verão de 1944. Na época, AVA GARDNER ainda fazia pequenos papéis e tinha tempo para viajar com ele e sua banda pelo país. Aos 22 anos, e ele, aos 35, casaram-se em 17 de outubro de 1945 na mansão em Beverly Hills, na Bedford Drive.

O quinto casamento dele. Em outro casamento modesto, ela usou um terninho azul com um buquê de orquídeas. Passaram a lua de mel no Lago Tahoe por uma semana. Embora brigassem muito, também tinham muito romance. Ele a incentivou a ler e aprender sobre temas que iam da literatura ao xadrez. Para agradá-lo, ela matriculou-se em cursos na UCLA e estudava durante o tempo livre. No fim das contas, o desejo dele de transformá-la em uma intelectual azedou o romance. Ele tentou despertar nela um interesse duradouro por literatura, arte, música clássica, filosofia e política. Ela ficou magoada e se mudou de casa. Então se divorciaram no México e ele logo se casou com sua sexta esposa, a escritora Kathleen Winsor. Eles ficaram casados por um ano. Segundo ela,
“Artie foi uma das dores mais profundas da minha vida. Eu estava apaixonada, eu o venerava, e acho que ele nunca entendeu o dano que causou ao me menosprezar... Mesmo assim, permanecemos próximos. Ele me ensinou a estudar, a pensar, a ler... É impossível conviver com ele, mas é um homem extraordinário.”

TERCEIRO CASAMENTO: FRANK SINATRA
(1951 - 1957)

A lendária história de amor de AVA GARDNER e Frank Sinatra começou no outono de 1949. Casado e bêbado, ele a convenceu, igualmente embriagada, a deixar uma festa em Palm Springs oferecida pelo chefe do estúdio, Darryl F. Zanuck. Eles encheram a cara noite adentro, até chegarem à pacata cidade de Indio. Depois de alguns amassos, ele sacou uma arma e atirou em postes de luz. Excitada, ela juntou-se a ele e atirou na vitrine de uma loja de ferragens. Terminaram em uma delegacia, que depois seria subornada pelo estúdio. Ambos se apaixonaram perdidamente um pelo outro, em um relacionamento intenso, com brigas públicas e privadas. O que começou com uma aventura extraconjugal, tornou-se um escândalo que as revistas de mexericos estampavam nas manchetes. Quando Frank e Nancy Sinatra iniciaram um longo processo de divórcio, AVA GARDNER foi acusada de “destruidora de lares”, recebendo ameaças do público enfurecido. Finalmente livres em outubro de 1951, não perderam tempo e se casaram em 7 de novembro de 1951 na Filadélfia, Pensilvânia. 

Ela tinha 28 anos e ele, 35. No seu terceiro e último casamento, ela usou um vestido lilás, um colar duplo de pérolas, brincos de pérola e diamantes, e um buquê natural de camélias e cravos em miniatura. Após a cerimônia, partiram para a lua de mel em Miami, procurando escapar dos fotógrafos. Sinatra sempre dizia que a única coisa que importava era sua música, mas quando encontrou AVA GARDNER, ela passou a ser o que ele precisava. Parecia o começo de um conto de fadas, mas logo, a relação começou a deteriorar. Na mira da imprensa internacional, foi um casamento marcado por brigas lendárias, bebedeiras, separações, tapas, drogas, infidelidades, três tentativas de suicídio dele e dois abortos – ela afirmava não querer trazer uma criança para um lar tão selvagem. Tiveram um romance turbulento e apaixonado, com muitos altos e baixos. Eram tensos, possessivos, ciumentos e propensos a explosões temperamentais. A pressão aumentou ainda por Frank Sinatra estar no ponto mais baixo de sua carreira. Ela emprestava dinheiro para ele, que estava falido, pagava até suas passagens aéreas.

Tudo mudou economicamente depois que ele ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por sua atuação no premiado drama de guerra 
“A Um Passo da Eternidade / From Here to Eternity” (1953), de Fred Zinnemann.  Com o casamento em ruínas, eles decidiram se separar em 1953, embora o divórcio só fosse oficializado em 1957. Mesmo após a separação, os dois permaneceram amigos próximos pelo resto da vida. Ela o considerava o maior amor de sua vida. Ele lhe enviava um enorme buquê de flores todos os anos em seu aniversário e ficava de olho para que nada faltasse a sua amada.
10 FILMES de AVA
(por ordem de preferência)

01
A CONDESSA DESCALÇA
(The Barefoot Contessa, 1954)

direção de Joseph L. Mankiewicz
elenco: Humphrey Bogart, Edmond O'Brien,
Valentina Cortese e Rossano Brazzi

02
Os ASSASSINOS
(The Killers, 1946)

direção de Robert Siodmak
elenco: Burt Lancaster, Edmond O'Brien e Albert Dekker

03
A NOITE de IGUANA
(The Night of the Iguana, 1964)

direção de John Huston
elenco: Richard Burton, Deborah Kerr e Sue Lyon

04
MOGAMBO
(Idem, 1953)

direção de John Ford
elenco: Clark Gable e Grace Kelly

05
SETE DIAS de MAIO
(Seven Days in May, 1964)

direção de John Frankenheimer
elenco: Burt Lancaster, Kirk Douglas, Fredric March,
Edmond O'Brien, Martin Balsam e George Macready

06
E AGORA BRILHA o SOL
(The Sun Also Rises, 1957)

direção de Henry King
elenco: Tyrone Power, Mel Ferrer, Errol Flynn,
Eddie Albert, Gregory Ratoff, Juliette Gréco
e Marcel Dalio

07
AS NEVES de KILIMANJARO
(The Snows of Kilimanjaro, 1952)

direção de Henry King
elenco: Gregory Peck, Susan Hayward, Hildegard Knef
e Marcel Dalio

08
A ENCRUZILHADA dos DESTINOS
(Bhowani Junction, 1956)

direção de George Cukor
elenco: Stewart Granger e Bill Travers

09
55 DIAS em PEQUIM
(55 Days at Peking, 1963)

direção de Nicholas Ray
elenco: Charlton Heston, David Niven, Flora Robson,
John Ireland, Leo Genn, Robert Helpmann,
Paul Lukas, Massimo Serato e Jacques Sernas

10
O GRANDE PECADOR
(The Great Sinner, 1949)

direção de Robert Siodmak
elenco: Gregory Peck, Melvyn Douglas, Walter Huston,
Ethel Barrymore, Frank Morgan e Agnes Moorehead    
FONTES
“Ava Gardner: The Secret Conversations” (2016)
de Peter Evans
 
“Ava Gardner: Love is Nothing”
(1990)
de Lee Server
 
“Ava – Minha História”
(1991)
de Ava Gardner
 
“Ava's Men: The Private Life of Ava Gardner”
(1990)
de Jane Ellen Wayne
 
“Conversations with Ava Gardner”
(2014)
de Lawrence Grobel

 
GALERIA de FOTOS



janeiro 24, 2019

***************** VIV e LARRY: Um AMOR INFIEL

vivien leigh

 
Em 1999, em uma chuvosa tarde de primavera, andando sem destino pelas ruas de Londres, encontrei uma formosa praça tomada por roseiras e árvores frondosas, a Eaton Square. Parecia outra dimensão, concentrada em um silêncio absoluto. Em volta dela, casarões brancos e imponentes, dois ou três degraus em cada um deles, levando a portais sofisticados. Sentei em uma escada, abri um livro, acendi o cigarro e fiquei entre o que lia e a visão majestosa da praça.  Ao levantar-me, notei uma placa azul entre duas grandes janelas. Curioso, li o que dizia: “Aqui viveu Vivien Leigh, de 1960 a 1967”. Tomei um baita susto, não esperava a surpresa. Depois do êxtase, garimpei os filmes de VIVIEN LEIGH (1913 – 1967. Darjeeling / Índia, onde o pai trabalhava numa firma de corretagem inglesa) – só a conhecia do popular “... E o Vento Levou” -, descobrindo uma atriz da maior distinção. Conhecida na intimidade como Viv, com LAURENCE OLIVIER (1907 – 1989. Dorking, Reino Unido), o Larry, formaram um dos casais mais populares da Inglaterra por duas décadas - uma espécie de realeza do teatro. Aclamada por ser belíssima e talentosa, a atriz esteve afetada por um distúrbio bipolar durante a maior parte de sua vida adulta, e seu humor era quase sempre não entendido pelos diretores.
 
viv e larry
Ainda uma intérprete iniciante, em 1935, aos 22 anos, casada, ela conheceu seu futuro marido em um restaurante, onde ele jantava acompanhado da primeira esposa, Jill Esmond. Apaixonou-se imediatamente, e achou que a atração tinha sido mútua. Dois anos mais tarde, ao assisti-lo em uma peça, teve o impulso de procurá-lo para lhe dizer que admirara sua atuação. Durante a conversa, ele sugeriu que fizesse um teste para “Ricardo II”, sob a direção de John Gielgud. Ela ganhou o papel e, no mesmo ano, estrelou o filme de época  “Fogo Sobre a Inglaterra”, na pele de Lady Cynthia, amante do espião interpretado por Olivier. Enquanto filmavam, o amor surgiu.

Concluído o drama histórico, atuaram no espetáculo “Hamlet”, na Dinamarca, no Castelo de Elseneur, local da tragédia de William Shakespeare, e o sucesso foi retumbante. Na ocasião, os amantes resolveram abrir o jogo com seus consortes. Ela escreveu uma carta ao marido pedindo perdão, comunicando que estava com LAURENCE OLIVIER e não mais voltaria para casa, deixando a educação de sua filha, Suzanne, por conta de sua mãe. Transcorridos seis meses de vida em comum, solicitaram os respectivos divórcios, mas seus cônjuges recusaram. Em 1938, quatro fitas inglesas de VIVIEN LEIGH estrearam nos EUA, resultando em convite hollywoodiano para atuar com LAURENCE OLIVIER na adaptação do romance de Emily Bronte, “O Morro dos Ventos Uivantes / Wuthering Heights” (1939). Seria o papel secundário de Isabella (terminaria nas mãos de Geraldine Fitzgerald), cabendo a Merle Oberon o de Cathy, heroína da história romântica. Ela não aceitou, mas a viagem foi proveitosa: seria escolhida entre milhares para viver Scarlett O’Hara em “... E o Vento Levou”, assinando contrato de sete anos com o produtor independente David O. Selznick e levando o Oscar de Melhor Atriz. 
 
no teatro
Aos 26 anos, consagrada, decepcionou-se ao ser recusada para os filmes “Rebecca, a Mulher Inesquecível / Rebecca” (1940) e “Orgulho e Preconceito / Pride and Prejudice” (1940), ambos protagonizados por LAURENCE OLIVIER. Tentou substituir Robert Taylor pelo amado em “A Ponte de Waterloo / Waterloo Bridge” (1940), mas não deu certo. Em 1940, eles finalmente obtiveram o divórcio e se casaram numa cerimônia íntima em Santa Bárbara, Califórnia, com duas testemunhas, Katharine Hepburn e o dramaturgo Garson Kanin. Manifestando sintomas de transtorno bipolar, voltou aos palcos em “Romeu e Julieta” e às telas em “Lady Hamilton, a Divina Dama” (1941).

De volta a Inglaterra, em plena Segunda Guerra Mundial, eles divertiram os pilotos da R.A.F. em shows e retornaram aos palcos. Grávida, a atriz ficou doente e perdeu a criança. Histérica, agrediu física e verbalmente o marido. Com sucesso nos palcos e mergulhada em crises nervosas, seu temperamento afetado pela doença não era entendido pelos diretores, e ela ganhou a reputação de ser uma estrela difícil. Diagnosticada com tuberculose crônica, enfraqueceu-se a partir de então.

Em 1947, LAURENCE OLIVIER foi sagrado cavaleiro e o casal passou a ser tratado como Sir e Lady Olivier. Nos anos seguintes, VIVIEN LEIGH marcou época interpretando Blanche DuBois na ribalta e nas telas. A montagem londrina de “Um Bonde Chamado Desejo”, de Tennessee Williams, dirigida pelo marido, coberta de elogios, sustentava-se no seu desempenho. Substituindo Olivia de Havilland, que recusou o papel no cinema, e contratada pela enorme quantia de cem mil dólares, tornou-se a atriz mais bem-paga da época. Teve um desempenho magnífico em “Uma Rua Chamada Pecado”, recompensada com um Oscar e a Taça Volpi de Melhor Atriz em Veneza. Seu triunfo teve um preço alto: “Blanche DuBois é uma mulher da qual tudo foi arrancado, uma figura trágica e eu a entendo, mas interpretá-la me fez mergulhar na loucura”, confessou.
 
o primeiro oscar de viv
Em 1951, o casal estreou no teatro “Antonio e Cleópatra”, de Shakespeare, e “César e Cleópatra”, de Bernard Shaw, alternando as apresentações e com imenso êxito. Dominada por colapsos nervosos, a atriz imaginava que desconhecidos estavam tentando seduzi-la, e receava que não pudesse resistir às suas investidas. Nesse período, sofreu dois abortos, e foi diagnosticada como maníaco-depressiva. Gradualmente, os seus problemas de saúde, agravados pela dependência do álcool e das drogas, interferiram na carreira e no matrimônio. Por mais que se amassem, as terríveis crises nervosas dela desestruturavam o relacionamento. Contudo, o público não a esquecia.

Sob tratamento psiquiátrico, VIVIEN LEIGH foi convidada pelo produtor Irving Asher para atuar com LAURENCE OLIVIER no drama “No Caminho dos Elefantes / Elephant Walk” (1954), um triângulo amoroso em uma plantação de chá no Ceilão. Ele não pode aceitar a oferta e foi substituído por Peter Finch. Dirigido por William Dieterle, o filme começou a ser rodado com a estrela visivelmente cansada, à flor da pele, esquecendo-se frequentemente do texto, à beira de recorrentes ataques. Ela passou a seguir Finch pelos sets com fúria, chamando-o de Larry e, à noite, alucinada, repetia os diálogos de Blanche DuBois, chorando incontrolavelmente, sem pegar no sono.

Concluídas as cenas exteriores, as restantes seriam filmadas em Hollywood. Na viagem, a atriz tentou rasgar as roupas e pular do avião. No estúdio da Paramount repetiram-se terríveis rompantes de histeria. Ela gritava, tal como Blanche: “Saia logo daqui, antes que eu comece a gritar fogo! Fogo! Fogo! Fogo!”. Alguém teve a ideia de chamar o ator David Niven, amigo íntimo do casal Olivier, e ele conseguiu acalmá-la. O produtor Asher não teve outra alternativa senão colocar a jovem Elizabeth Taylor no seu lugar, vivendo Ruth Wiley (nas tomadas de plano geral ainda se pode ver a silhueta de Vivien). Felizmente VIVIEN LEIGH não concluiu o trabalho, o longa é um dos piores da carreira de Liz. Aos 41 anos de idade, a famosa Scarlet O`Hara não aceitava o fato de ser maníaco-depressiva e, consentida pelos médicos, fez teatro (com casa lotada e ótimas críticas). Voltou a filmar em 1955 ao estrelar o delicado drama “O Profundo Mar Azul”
 
larry e viv nos anos 50
Com o ritmo excessivo de trabalho, VIVIEN LEIGH caiu em longos períodos de depressão e passou a maior parte dos anos de 1954 e 1955 sob cuidados médicos. No auge da anormalidade, arrancou as roupas e saiu nua pelas ruas. Em seguida, começaram os boatos sobre a péssima situação do seu casamento. De volta aos palcos, ela teve um caso com Peter Finch. Nos anos seguintes, continuou a ter acessos frenéticos, muitas vezes quebrando tudo à sua volta. Em 1960, os boatos sobre o casamento deles se confirmaram quando LAURENCE OLIVIER a abandonou para se unir a atriz Joan Plowright, 22 anos mais nova. Ela pediu o divórcio e nunca mais se casou, continuando a trabalhar no cinema e no teatro até sua morte súbita por tuberculose.

O romance de VIVIEN LEIGH e LAURENCE OLIVIER era considerado uma espécie de conto de fadas para o público: famosos, ricos, talentosos e apaixonados. Como nada é o que parece ser, uma biografia recente garante que ambos eram infiéis desde o início do relacionamento e torturavam um ao outro com amantes de ambos os sexos. Segundo o best-seller, a cada crise de instabilidade emocional, a atriz procurava conforto em relações extraconjugais, de Rex Harrison a Marlon Brando, passando por atrizes como Isabel Jeans. Tinha predileção por jovens prostitutos e frequentava um bordel de Los Angeles especializado em garotos de programa. Costumava contratar desconhecidos no “Scotty’s Garage”, um posto de gasolina conhecido por seus 22 funcionários jovens e atraentes. Ela pagava a “cortesia de estranhos” com presentes, de cigarreiras a joias. LAURENCE OLIVIER não deixava por menos, e teve um caso com o comediante norte-americano Danny Kaye, entre outros. Detalhes na biografia “Damn You, Scarlett O’Hara – The Private Lives of Vivien Leigh and Laurence Olivier” (2011), escrita por Darwin Porter, antigo confidente da estrela, e Roy Moseley, assistente de Olivier.
 
vivien, olivier e olivia de havilland
Ela fez apenas 18 filmes. Em mais de trinta anos de teatro, VIVIEN LEIGH interpretou desde comédias de Noel Coward a dramas clássicos de Shakespeare. Aprendeu a atuar com LAURENCE OLIVIER, desabrochou com ele, mas o seu talento era nato. De beleza delicada, essa atriz de extraordinário vigor dramático é uma das maiores heroínas românticas do cinema. No seu funeral, John Gielgud disse: “Não será esquecida, porque sua qualidade mágica era incomparável. Uma grande beleza, uma estrela, uma atriz cinematográfica consumada e uma personalidade versátil e poderosa no teatro...”.

O extraordinário LAURENCE OLIVIER foi um dos mais carismáticos atores do século XX. Sua presença em palco fascinava o público e sua credibilidade como intérprete, no drama como na comédia, proporcionou-lhe os maiores êxitos. Destacou-se interpretando personagens de Shakespeare, quer no teatro, quer no cinema. Em 1978 recebeu um Oscar especial pelo conjunto de sua obra e por sua contribuição à arte cinematográfica. Em 1970, a rainha Elizabeth II lhe outorgou o título de Lorde, com direito a frequentar o Parlamento britânico. Ele morreu, aos 82 anos, de câncer no estômago, dormindo em sua casa ao lado de sua terceira mulher, a atriz Joan Plowright, com quem teve três filhos.

viv e larry
em “fogo sobre a inglaterra”

VIV e LARRY no CINEMA

FOGO SOBRE a INGLATERRA
(Fire Over England, 1937)

direção de William K. Howard
Em plena guerra entre a Inglaterra e a Espanha, Vivien e Olivier são os amantes Lady Cynthia e Michael Ingolby. Ele, um espião enviado a Madri para descobri os nomes dos conspiradores ingleses aliados dos espanhóis.

TRÊS SEMANAS de LOUCURA
(Twenty One Days, 1937)

direção de Basil Dean
Ex-pároco (Olivier) é julgado por um crime que não cometeu. Vivien interpreta Wanda, a namorada do acusado.

LADY HAMILTON, a DIVINA DAMA
(That Hamilton Woman, 1941)

direção de Alexander Korda
O romance proibido entre o herói de guerra Lord Nelson e a casada Emma Hamilton.

vivien e marlon brando em “uma rua chamada pecado”

  DEZ FILMES de VIV
(por ordem de preferência)

01
Uma RUA CHAMADA PECADO
(A Streetcar Named Desire, 1951)

direção de Elia Kazan
elenco: Marlon Brando, Kim Hunter e Karl Malden

Oscar de Melhor Atriz
Melhor Atriz no Festival de Veneza

02
E o VENTO LEVOU
(Gone with the Wind, 1939)

direção de Victor Fleming
elenco: Clark Gable, Leslie Howard, Olivia de Havilland, Thomas Mitchell, Hattie McDaniel, Laura Hope Crews e Jane Darwell

Oscar de Melhor Atriz

03
A PONTE de WATERLOO
(Waterloo Bridge, 1940)

direção de Mervyn LeRoy
elenco: Robert Taylor, Lucile Watson, Maria Ouspenskaya e C. Aubrey Smith

04
A NAU dos INSENSATOS
(Ship of Fools, 1965)

direção de Stanley Kramer
elenco: Simone Signoret, José Ferrer, Lee Marvin, Oskar Werner e Elizabeth Ashley

05
ANNA KARENINA
(Idem, 1948)

direção de Julien Duvivier
elenco: Ralph Richardson, Kieron Moore e Martita Hunt

06
LADY HAMILTON, a DIVINA DAMA
(That Hamilton Woman, 1941)

direção de Alexander Korda
elenco: Laurence Olivier, Alan Mowbray, Sara Allgood e Gladys Cooper

07
Em ROMA, na PRIMAVERA
(The Roman Spring of Mrs. Stone, 1961)

direção de José Quintero
elenco: Warren Beatty, Coral Browne, Jill St. John e Lotte Lenya

08
O PROFUNDO MAR AZUL
(The Deep Blue Sea, 1955)

direção de Anatole Litvak
elenco: Kenneth More e Eric Portman

09
CÉSAR e CLEÓPATRA
(Caesar and Cleopatra, 1945)

direção de Gabriel Pascal
elenco: Claude Rains, Stewart Granger, Flora Robson, Cecil Parker e Jean Simmons

10
Nos BASTIDORES de LONDRES
(St. Martin's Lane, 1938)

direção de Tim Whelan
elenco: Charles Laughton e Rex Harrison

larry em “rebecca, a mulher inesquecível”

  DEZ FILMES de LARRY
(por ordem de preferência)

01
HAMLET
 (Idem, 1948)

direção de Laurence Olivier
elenco: Jean Simmons e Anthony Quayle

02
O MORRO dos VENTOS UIVANTES
(Wuthering Heights, 1939)

direção de William Wyler
elenco: Merle Oberon, David Niven, Flora Robson e Geraldine Fitzgerald

03
PERDIÇÃO por AMOR
(Carrie, 1952)

direção de William Wyler
elenco: Jennifer Jones, Miriam Hopkins e Eddie Albert

04
REBECCA, a MULHER INESQUECÍVEL
(Rebecca, 1940)

direção de Alfred Hitchcock
elenco: Joan Fontaine, George Sanders, Judith Anderson e C. Aubrey Smith

05
MARATONA da MORTE
(Marathon Man, 1976)

direção de John Schlesinger
elenco: Dustin Hoffman, Roy Scheider, William Devane e Marthe Keller

06
HENRIQUE V
(The Chronicle History of King Henry the Fifth with His Battell Fought at Agincourt in France, 1944)

direção de Laurence Olivier
elenco: Renée Asherson, Robert Newton, Leslie Banks e Robert Helpmann

07
SPARTACUS
 (Idem, 1960)

direção de Stanley Kubrick
elenco: Kirk Douglas, Jean Simmons, Charles Laughton, Peter Ustinov e John Gavin

08
VIDA de ARTISTA
 (The Entertainer, 1960)

direção de Tony Richardson
elenco: Brenda de Banzie, Roger Livesey, Joan Plowright e Alan Bates

09
TRAMA DIABÓLICA
(Sleuth, 1972)

direção de Joseph L. Mankiewicz
elenco: Michael Caine

10
MENTIRA INFAMANTE
(Term of Trial, 1962)

direção de Peter Glenville
elenco: Simone Signoret, Sarah Miles, Terence Stamp e Hugh Griffith


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