Mostrando postagens com marcador Louis B. Mayer. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Louis B. Mayer. Mostrar todas as postagens

outubro 25, 2025

*************** AVA GARDNER - FILMES e AMORES

 

 

O animal mais belo do mundo.
JEAN COCTEAU
(1889 – 1963. Maisons-Laffitte / França)
 
Sou uma mulher extremamente bonita
em qualquer idade.
AVA GARDNER
 
apelido: Snowdrop e Angel
altura: 1,68 m
cabelos: negros
olhos: verdes
Algumas estrelas ficaram na história privada de Hollywood como devoradoras de homens. Entre elas, Clara Bow e Louise Brooks, ainda no cinema mudo; Joan Crawford, Vivien Leigh, Lana Turner, Marilyn Monroe, Grace Kelly, Natalie Wood, Jayne Mansfield e Ava Gardner. Suas vidas amorosas estamparam manchetes de jornais e colunas de fofocas, colecionando escândalos mundo afora. A deslumbrante AVA GARDNER (1922- 1990. Grabton, Carolina do Norte / EUA) foi uma espécie de Warren Beatty (grande conquistador até se casar com Annette Bening) de saias. Na sua lista amorosa, sem contar os maridos oficiais – Mickey Rooney, Artie Shaw e Frank Sinatra -, constam o bilionário Howard Hughes, o presidente John F. Kennedy, o ditador Fidel Castro, o cineasta John Huston, o toureiro Luiz Miguel Dominguin e os atores Robert Mitchum, Robert Taylor, George Raft, David Niven e Steve McQueen, numa intimidade tema de inúmeros livros e documentários. Em sua passagem pelo Brasil, em 1954, assediou o cantor Carlos Augusto, da Rádio Nacional, famoso na época. Só que ele era gay.

Disposta a tudo pelos homens que desejava, ela eventualmente enfrentou rivais. Em 1958, uma notória saída noturna em Roma, em amores com Anthony Franciosa, casado então com Shelley Winters, terminou em uma batalha feminina. A esposa do ator não gostou nem um pouco da infidelidade e as duas se esbofetearam publicamente em um hotel. O ator George C. Scott também frequentou seus lençóis durante as filmagens de
“A Bíblia / The Bible in the Beginning...” (1966). Protagonizavam uma relação não exatamente pacífica, costumando resultar em tapas violentos. Antes de ser severamente espancada por ele, ela declarou: “A gente se ama. Ele me bate porque me ama”. Ela bebia vorazmente uísque, conhaque, tequila e o que mais aparecesse. Independente e impetuosa, seus tórridos romances alimentaram o mito de mulher fatal. Em 1955, no auge do sucesso, mudou-se para a Espanha, tornando-se musa de festas intermináveis e de toureiros. O interesse surgiu antes, em 1950, ao filmar “Pandora / Pandora and the Flying Dutchman” (1951), de Albert Lewin, em Tossa de Mar, na Catalunha.

A atriz se encantou com a vida noturna espanhola, a cultura romântica e os sensuais toureiros, estabelecendo uma sincera e duradoura identificação com o país. No bonito filme de Albert Lewin, Pandora destrói tudo e todos a seu redor, até que surge em sua vida o Holandês Voador, personagem enigmático que James Mason dota de aura mística. Na tumultuada visita ao Brasil, no lançamento do icônico “A Condessa Descalça” (1954), foi manchete mundial. Bêbada, em um acesso de fúria, quebrou a mobília e jogou objetos de decoração pela janela do então luxuoso Hotel Glória. Por onde passou, o alcoolismo e as aventuras sexuais deixaram um rastro de excessos. A bebida e o cigarro foram sempre companheiros fiéis. Dizia que morreria com um cigarro na mão e um uísque na outra. Envolveu-se com o toureiro Mario Cabré, que arriscou a vida por ela nas arenas. Em 1953, rodando na África “Mogambo” – sua única indicação ao Oscar – descobriu estar grávida de Frank Sinatra. Ao abortar em Londres, uma escala em Madri a levou aos braços de Dominguín, outro famoso toureiro.

Filmando na Itália
“A Condessa Descalça”, aprofundou sua relação com Dominguín através de maratonas de sexo. Ao comprar um casarão em La Moraleja, em Madri, estabeleceu um quartel general para festas que duravam um final de semana e incluíam corridas de touros e apresentações de flamenco. Representado o que os ainda provincianos espanhóis censuravam – uma mulher sozinha, sem religião e, além disso, atriz -, passou a ser tratada como uma ameaça para as famílias respeitáveis, sendo vetada em lugares como o Hotel Ritz. Parceira de Ernest Hemingway na farra espanhola (ela protagonizou três adaptações de sua literatura, “Os Assassinos”, “As Neves de Kilimanjaro” e “E Agora Brilha o Sol”), em 1959 visitou Cuba, hospedando-se na casa do escritor, onde se banhava na piscina totalmente nua. Ao conhecer o ditador Fidel Castro no Havana Hilton, se deu muito bem. Castro a tratou com extravagante galanteria e a levou para um passeio em sua moradia. Sentaram-se na varanda com vista para a cidade, beberam Cuba Libre, conversaram sobre a revolução e foram para a cama.

Sempre com a amante e tradutora do ditador de Cuba, Marita Lorenz, em alerta máximo, a atriz começou a cortejar Castro, e as duas mulheres tiveram um confronto violento no saguão do Hilton. Ébria, acusou Lorenz, a quem chamava de
“vadiazinha”, de esconder seu chefe. Então a seguiu até um elevador e lhe deu um tapa no rosto. Um guarda-costas sacou uma arma e a partir daí Castro decidiu se livrar da sedutora turbulenta arranjando um amante bonitão para AVA GARDNER, que a satisfazia em uma suíte no Hotel Nacional, como cortesia de Cuba. Em 1961, aos 39 anos, depois do suicídio do amigo “Papa”, Nobel de literatura, do fracasso da produção “La Maja Desnuda / The Naked Maja” (1958) e de um acidente que deixou incômodas sequelas, a formosa estrela findou a escandalosa e apaixonada relação com a Espanha, mudando-se para o Reino Unido. Por lá ficou até morrer em 1990. Sempre irreverente e atrevida, era, nas palavras de seu segundo marido, Artie Shaw, “a criatura mais linda que já vi”. Ela também era, de acordo com sua colega britânica Deborah Kerr, “engraçada, afetuosa e humana”.

De espírito aventureiro, teve uma existência repleta de luxúria, amores e travessuras noturnas. Nasceu na Carolina do Norte, em uma fazenda de tabaco, filha de agricultores humildes. Aos 18 anos, uma foto sua colocada na vitrine do estúdio fotográfico do seu cunhado, em Nova York, chamou a atenção de um caça talentos da Metro-Goldwyn-Mayer, que a contratou por sua estonteante beleza. Em 1946, emprestada à Universal Pictures, estrelou o clássico policial noir “Os Assassinos” e sua carreira começou a brilhar. Em “Mogambo”, contracenou com Clark Gable e Grace Kelly, tornando-se uma das poderosas estrelas de sua geração. Participou de mais de 40 filmes, passando seus últimos anos reclusa em um apartamento em Londres com a governanta de longa data, Carmen Vargas, e o amado cão Welsh Corgi, Morgan. Dois derrames em 1986 a deixaram parcialmente paralisada. “Estou tão cansada”, disse pouco antes de morrer de pneumonia aos 67 anos. Vargas levou seu corpo para a Carolina do Norte, em um enterro privado. Nenhum de seus ex-maridos compareceram, mas o seu grande amor Frank Sinatra chorou por horas por não estar naquele momento com ela.

PRIMEIRO CASAMENTO: MICKEY ROONEY
(1942 - 1943)

Contratada pela Metro-Goldwyn-Mayer, onde ficaria até 1958, em seu segundo dia em Hollywood ela foi levada para conhecer os estúdios onde trabalharia. Num deles, o astro Mickey Rooney filmava a comédia “Calouros na Broadway / Babes on Broadway” (1941), vestido como Carmen Miranda. Ao vê-la, correu em sua direção com saltos altos. “Tudo em mim parou”, ele escreveria em suas memórias, “Meu coração. Minha respiração. Meu pensamento.” Ao se apresentar, ela se sentiu lisonjeada. Era o astro de maior bilheteria da meca do cinema desde 1939.  Depois de se fazer de difícil por um tempo, AVA GARDNER aceitou um encontro com o ator carismático e persistente. Cinco meses depois eles se casaram com o apoio do produtor Louis B. Mayer em uma cerimônia discreta e sem publicidade, na pequena igreja branca em Ballard, Califórnia, em 10 de janeiro de 1942. Ela usou um tailleur azul, com um buquê de orquídeas Cattaleya em vez de um típico vestido de noiva. Os únicos convidados presentes no casamento foram a irmã de Ava, Bappie, os pais de Mickey e Les Petersen, o assessor pessoal do astro.

Passaram a lua de mel no Del Monte Hotel, perto de Carmel, na Península de Monterey. Logo após, ela o acompanhou em uma turnê de guerra que incluiu paradas em Boston, Nova York, Fort Bragg e Washington DC. A nova Sra. Mickey Rooney ainda estava nos estágios iniciais de sua carreira, então era ele a estrela em todos os lugares que iam.  AVA GARD
NER tinha apenas 19 anos quando se casou com Mickey Rooney, de 21, e o casamento rapidamente fracassou e começou a ruir. Mesmo apaixonado pela esposa, ele parecia se esquecer que era casado, e tinha diversos casos com outras mulheres. Ela não suportou por muito tempo as constantes infidelidades do marido e, depois de pouco mais de um ano, pediu o divórcio, que foi oficializado em 21 de maio de 1943.

SEGUNDO CASAMENTO: ARTIE SHAW
(1945 - 1946)
Pouco tempos depois, conheceu o músico de jazz Artie Shaw, acreditando ser o amor de sua vida. O artista era culto e podia falar de qualquer coisa com profundo conhecimento, encantando a amada por essa característica. No entanto, ele resolveu transformá-la numa erudita. Se ela não acompanhasse seus assuntos, a humilhava em frente a seus amigos. Assim, a relação não tardou a ter problemas. Ao conhecê-lo, ele havia acabado de retornar da Segunda Guerra Mundial e era um músico popular. Ela depois escreveria em sua autobiografia, “Ava: Minha História”: “Meu Deus, que homem lindo! Artie era bonito, bronzeado, muito seguro de si e não parava de falar. Era tão caloroso e charmoso que me apaixonei por ele. Foi o primeiro intelectual que conheci, e ele me conquistou.” Os dois namoraram por vários meses, antes dela se mudar para a casa dele em Beverly Hills, no verão de 1944. Na época, AVA GARDNER ainda fazia pequenos papéis e tinha tempo para viajar com ele e sua banda pelo país. Aos 22 anos, e ele, aos 35, casaram-se em 17 de outubro de 1945 na mansão em Beverly Hills, na Bedford Drive.

O quinto casamento dele. Em outro casamento modesto, ela usou um terninho azul com um buquê de orquídeas. Passaram a lua de mel no Lago Tahoe por uma semana. Embora brigassem muito, também tinham muito romance. Ele a incentivou a ler e aprender sobre temas que iam da literatura ao xadrez. Para agradá-lo, ela matriculou-se em cursos na UCLA e estudava durante o tempo livre. No fim das contas, o desejo dele de transformá-la em uma intelectual azedou o romance. Ele tentou despertar nela um interesse duradouro por literatura, arte, música clássica, filosofia e política. Ela ficou magoada e se mudou de casa. Então se divorciaram no México e ele logo se casou com sua sexta esposa, a escritora Kathleen Winsor. Eles ficaram casados por um ano. Segundo ela,
“Artie foi uma das dores mais profundas da minha vida. Eu estava apaixonada, eu o venerava, e acho que ele nunca entendeu o dano que causou ao me menosprezar... Mesmo assim, permanecemos próximos. Ele me ensinou a estudar, a pensar, a ler... É impossível conviver com ele, mas é um homem extraordinário.”

TERCEIRO CASAMENTO: FRANK SINATRA
(1951 - 1957)

A lendária história de amor de AVA GARDNER e Frank Sinatra começou no outono de 1949. Casado e bêbado, ele a convenceu, igualmente embriagada, a deixar uma festa em Palm Springs oferecida pelo chefe do estúdio, Darryl F. Zanuck. Eles encheram a cara noite adentro, até chegarem à pacata cidade de Indio. Depois de alguns amassos, ele sacou uma arma e atirou em postes de luz. Excitada, ela juntou-se a ele e atirou na vitrine de uma loja de ferragens. Terminaram em uma delegacia, que depois seria subornada pelo estúdio. Ambos se apaixonaram perdidamente um pelo outro, em um relacionamento intenso, com brigas públicas e privadas. O que começou com uma aventura extraconjugal, tornou-se um escândalo que as revistas de mexericos estampavam nas manchetes. Quando Frank e Nancy Sinatra iniciaram um longo processo de divórcio, AVA GARDNER foi acusada de “destruidora de lares”, recebendo ameaças do público enfurecido. Finalmente livres em outubro de 1951, não perderam tempo e se casaram em 7 de novembro de 1951 na Filadélfia, Pensilvânia. 

Ela tinha 28 anos e ele, 35. No seu terceiro e último casamento, ela usou um vestido lilás, um colar duplo de pérolas, brincos de pérola e diamantes, e um buquê natural de camélias e cravos em miniatura. Após a cerimônia, partiram para a lua de mel em Miami, procurando escapar dos fotógrafos. Sinatra sempre dizia que a única coisa que importava era sua música, mas quando encontrou AVA GARDNER, ela passou a ser o que ele precisava. Parecia o começo de um conto de fadas, mas logo, a relação começou a deteriorar. Na mira da imprensa internacional, foi um casamento marcado por brigas lendárias, bebedeiras, separações, tapas, drogas, infidelidades, três tentativas de suicídio dele e dois abortos – ela afirmava não querer trazer uma criança para um lar tão selvagem. Tiveram um romance turbulento e apaixonado, com muitos altos e baixos. Eram tensos, possessivos, ciumentos e propensos a explosões temperamentais. A pressão aumentou ainda por Frank Sinatra estar no ponto mais baixo de sua carreira. Ela emprestava dinheiro para ele, que estava falido, pagava até suas passagens aéreas.

Tudo mudou economicamente depois que ele ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por sua atuação no premiado drama de guerra 
“A Um Passo da Eternidade / From Here to Eternity” (1953), de Fred Zinnemann.  Com o casamento em ruínas, eles decidiram se separar em 1953, embora o divórcio só fosse oficializado em 1957. Mesmo após a separação, os dois permaneceram amigos próximos pelo resto da vida. Ela o considerava o maior amor de sua vida. Ele lhe enviava um enorme buquê de flores todos os anos em seu aniversário e ficava de olho para que nada faltasse a sua amada.
10 FILMES de AVA
(por ordem de preferência)

01
A CONDESSA DESCALÇA
(The Barefoot Contessa, 1954)

direção de Joseph L. Mankiewicz
elenco: Humphrey Bogart, Edmond O'Brien,
Valentina Cortese e Rossano Brazzi

02
Os ASSASSINOS
(The Killers, 1946)

direção de Robert Siodmak
elenco: Burt Lancaster, Edmond O'Brien e Albert Dekker

03
A NOITE de IGUANA
(The Night of the Iguana, 1964)

direção de John Huston
elenco: Richard Burton, Deborah Kerr e Sue Lyon

04
MOGAMBO
(Idem, 1953)

direção de John Ford
elenco: Clark Gable e Grace Kelly

05
SETE DIAS de MAIO
(Seven Days in May, 1964)

direção de John Frankenheimer
elenco: Burt Lancaster, Kirk Douglas, Fredric March,
Edmond O'Brien, Martin Balsam e George Macready

06
E AGORA BRILHA o SOL
(The Sun Also Rises, 1957)

direção de Henry King
elenco: Tyrone Power, Mel Ferrer, Errol Flynn,
Eddie Albert, Gregory Ratoff, Juliette Gréco
e Marcel Dalio

07
AS NEVES de KILIMANJARO
(The Snows of Kilimanjaro, 1952)

direção de Henry King
elenco: Gregory Peck, Susan Hayward, Hildegard Knef
e Marcel Dalio

08
A ENCRUZILHADA dos DESTINOS
(Bhowani Junction, 1956)

direção de George Cukor
elenco: Stewart Granger e Bill Travers

09
55 DIAS em PEQUIM
(55 Days at Peking, 1963)

direção de Nicholas Ray
elenco: Charlton Heston, David Niven, Flora Robson,
John Ireland, Leo Genn, Robert Helpmann,
Paul Lukas, Massimo Serato e Jacques Sernas

10
O GRANDE PECADOR
(The Great Sinner, 1949)

direção de Robert Siodmak
elenco: Gregory Peck, Melvyn Douglas, Walter Huston,
Ethel Barrymore, Frank Morgan e Agnes Moorehead    
FONTES
“Ava Gardner: The Secret Conversations” (2016)
de Peter Evans
 
“Ava Gardner: Love is Nothing”
(1990)
de Lee Server
 
“Ava – Minha História”
(1991)
de Ava Gardner
 
“Ava's Men: The Private Life of Ava Gardner”
(1990)
de Jane Ellen Wayne
 
“Conversations with Ava Gardner”
(2014)
de Lawrence Grobel

 
GALERIA de FOTOS



abril 19, 2024

*********** JOHN GILBERT: o GRANDE AMANTE

 
 
 

Oh, que diabos, o público gostou de mim certa vez. 
Seria um idiota se reclamasse da vida. Fui um astro!
JOHN GILBERT 
1933
 
Apelido: Jack
Altura: 1,80 cm
Cabelos: castanhos escuros
Olhos: castanhos

 
 
Bonito, cabelos escuros encaracolados, olhos cintilantes. O público feminino suspirava com suas cenas de amor. De presença magnética, intenso, sinceramente dedicado ao seu ofício. No auge da carreira, como estrela da Metro-Goldwyn-Mayer, saboreava a realeza de Hollywood. Alcançou o estrelato aos 28 anos, mas seis anos depois decaiu, após vários filmes falados desastrosos. No famoso “A Carne e o Diabo”, de 1926, iniciou romance com a diva Greta Garbo. Alcoólatra crônico com alterações de humor, mergulhava muitas vezes na depressão. Arruinado pela bebida, JOHN GILBERT (1897 – 1936. Logan, Utah / EUA) morreu aos 38 anos. Desde o início da sua trajetória cinematográfica, em 1915, trabalhou ao lado de diretores importantes, incluindo Thomas Ince, Maurice Tourneur e John Ford. Na Metro-Goldwyn-Mayer, sua lista de diretores cresceu para Victor Sjöström, King Vidor, Erich von Stroheim, Edmund Goulding, Fred Niblo, Tod Browning e Rouben Mamoulian. Seus pais eram atores e ele estreou nos palcos ainda garoto. Apareceu em seu primeiro filme, sem crédito, em 1915. De 1916 a 1921, com o nome de Jack Gilbert, representou pequenos papéis em mais de 40 filmes, incluindo “Heart O'the Hills” (1919), com Mary Pickford. Em seu primeiro protagonismo, em “Shame” (1921), na Fox Film Corporation, já era JOHN GILBERT. Dos 21 filmes na Fox, sobreviveram apenas “Monte Cristo” (1922) e “Sota, Cavalo e Rei” (1923).
 
Contratado pela Metro-Goldwyn-Mayer em 1924, foi lançado como uma super estrela em 1925 interpretando um soldado traumatizado em “O Grande Desfile”, um dos dramas mais lucrativos da década de 1920, e a mais gratificante de suas cinco colaborações com King Vidor. Aclamado como “O Grande Amante”, fez “A Viúva Alegre” (1925), dirigido por Erich von Stroheim e coestrelado por Mae Murray, outro sucesso. A seguir, “O Cavalheiro dos Amores / Bardelys the Magnificent” (1926), aplaudido pela crítica e o público. Segundo o “New York Times”, “John Gilbert salta para o reino ativo de Douglas Fairbanks, John Barrymore… e daquele cowboy milionário, Tom Mix”. A “Time” postou: “John Gilbert dando saltos fairbanksianos”, elogiando a fotografia de William H. Daniels, incluindo a cena romântica entre os salgueiros.
 
Conhecido como perfeccionista e difícil de trabalhar, ele tinha verdadeiros embates no set com seus diretores e colegas atores. Em “A Carne e o Diabo”, um melodrama dirigido por Clarence Brown, viveu um explosivo triângulo amoroso com Greta Garbo e Lars Hanson. O erotismo foi, na verdade, alimentado pela paixão nos bastidores entre o ator e Garbo. As cenas de amor escaldantes emocionaram o público. Seu segundo filme com ela, “Anna Karenina / Love” (1927), versão do romance clássico de Leon Tolstoi, foi outro grande sucesso. O último filme mudo deles, “Mulher de Brio / A Woman of Affairs” (1928), também foi bem-sucedido. No final das filmagens de “A Carne e o Diabo”, ele pediu a sueca Greta Garbo em casamento. De acordo com Clarence Brown, pareciam apaixonados, mas o ator muito mais apaixonado do que ela. King Vidor estava prestes a se casar com a atriz Eleanor Boardman, e em 1927 JOHN GILBERT , amigo deles, planejou um casamento duplo que encheu as páginas de revistas de cinema e enlouqueceu os fãs. Garbo teve medo de perder sua liberdade, não apareceu na cerimônia e nem mesmo avisou. O astro ficou perturbado. De acordo com Boardman, ele foi chorar no banheiro e Louis B. Mayer procurou consolá-lo, aconselhando: “Durma com ela, não se case”. Revoltado, ele deu um soco no rosto do poderoso chefão da M-G-M, que caiu, com os óculos quebrados, ameaçando: “Eu vou destruir você”.
 
greta garbo e john gilbert em 1926
Durante meses, perseguiu Garbo, querendo forçá-la ao casamento, mas ela sempre recusava. Ele enchia a cara e ia atrás dela. Chegou a passar uma noite na prisão por invadir um hotel onde ela estava com o diretor sueco Mauritz Stiller. Com o tempo, a tensão diminuiu, em parte porque a atriz afirmou que não casaria com ele nem com ninguém. Décadas depois, Greta Garbo confessou ao dramaturgo S. N. Behrman que nunca amou JOHN GILBERT e se envolveu com ele porque havia chegado recentemente da Suécia, se sentia solitária e não bem o inglês. Garantiu que nada nele despertava interesse nela.
 
Ele casou-se com Olivia Burwell em 1918, mas separaram-se um ano depois. Seu segundo casamento, com a atriz Leatrice Joy, de 1922 a 1925, terminou em meio a acusações de alcoolismo e infidelidade. A filha deles, chamada Leatrice, nasceu em 1924. Teve mais duas esposas, também atrizes, Ina Claire (1929 a 1931) e Virginia Bruce (1932 a 1934). Em 1928, renegociou seu contrato com a M-G-M, estipulando US$ 250.000 por filme, com um limite de dois filmes por ano. Infelizmente, o primeiro filme falado do astro, “Sua Noite Gloriosa / His Glorious Night” (1929), foi mal recebido pelo público. Rapidamente adquiriu o status mítico como o filme que o destruiu. Hollywood é um lugar inconstante e ele se tornou uma das vítimas na transição do cinema mudo para o sonoro. Alguns suspeitam que Louis B. Mayer conspirou contra a sua estreia falada. Mayer desprezava o estilo de vida irresponsável do seu contratado e não perdoava o murro que tomou. Mas será que teria arriscado sua maior fonte de dinheiro por causa de uma egoísta vingança pessoal? King Vidor não pensava assim, dando sua versão da decadência de JOHN GILBERT: “Ele não era centrado em um papel próprio na vida. Os caminhos que seguia no seu dia a dia eram influenciados pelos personagens que haviam escrito para ele. Seja qual fosse o papel que estava desempenhando, literalmente continuava a vivê-lo fora da tela. Era uma existência claramente precária.”
 
ina claire e gilbert
Perdeu repentinamente sua posição de superstar no final de 1930. A queda é atribuída a uma de duas causas: o fato de ter uma voz estridente ou de ter sido sabotado por Louis B. Mayer. Nenhuma das teorias se sustentam pelas evidências. Sua voz tinha um tom normal. Não se dava bem com Mayer, eles se odiavam e o ator debochava do chefe por pura diversão. Os dois se envolviam em discussões ruidosas, mas seria injusto o produtor levar a culpa pela descida do ator. Assim, pode-se concluir que o fracasso não foi calculado, simplesmente aconteceu.
 
Carismático na cena muda, tornou-se rígido, artificial e tenso ao trabalhar com o som. Em 1930, o gosto do público mudou significativamente em relação aos ingênuos filmes mudos e a imagem do ator se desatualizou. Ainda assim, protagonizou dez longas falados. Nenhum deles restaurou sua antiga glória. Com a saúde em declínio. admitiu que fez muita besteira e abusou do álcool a maior parte de sua vida. Em 1933, Greta Garbo exigiu tê-lo como parceiro romântico em “A Rainha Cristina”, possibilitando um retorno glorioso. Ele se recompôs, parou temporariamente de beber, e se dedicou ao papel com afinco, mas não houve reconhecimento. O contrato com a M-G-M findou em 1933 e não foi renovado. Em 1931, reportagem do “L.A. Times” o chamou de “o ator mais infeliz de Hollywood”, relatando que se esgueirava envergonhado pela cidade com o chapéu sobre os olhos. Na edição de março de 1934 da “Variety”, desesperado, ele publicou um anúncio: “A Metro-Goldwyn-Mayer não quer mais me oferecer trabalho.”. Paranoico, se sentia humilhado, acreditando que todos riam da sua decadência. Com a carreira cinematográfica de sua esposa Ina Claire, famosa nos palcos da Broadway, em ascensão, o casamento desmoronou. No seu último filme, “O Capitão Odeia o Mar / The Captain Hates the Sea” (1934), na Columbia Pictures, interpreta um escritor bêbado em um navio. Resultou em indiferença geral e ele não atuou mais em outro.
 
marlene dietrich e gilbert
Nos últimos meses de vida, namorava Marlene Dietrich. Fazia sexo com ela no momento do seu segundo e fatal ataque cardíaco. Maria Riva, em um livro sobre a mãe, disse que ela chamou um médico, pegou as suas coisas e foi embora, evitando um escândalo. Tudo começou quando o diretor Lewis Milestone contou à estrela alemã que seu vizinho JOHN GILBERT estava desempregado e melancólico. Sem pensar duas vezes, ela foi até a casa dele e disse: “Vim para salvá-lo.” Iniciaram um caso. Marlene conseguiu escalá-lo para contracenar com ela na comédia sofisticada da Paramount Pictures, “Desejo / Desire” (1936), direção de Frank Borzage. Infelizmente aconteceu o primeiro ataque cardíaco do ator, pouco antes do início da produção, e ele foi substituído por Gary Cooper. O fim chegou em sua mansão no topo de uma colina, em Beverly Hills, na madrugada de 9 de janeiro de 1936, quando seu coração ferido parou de bater. Na época, bebia cada vez mais, danificando sua saúde. Retratos confirmam seu declínio físico. Por fim, JOHN GILBERT foi bem definido pela historiadora de cinema Jeanine Basinger: “Amaldiçoado triplamente: esquecido, incompreendido e subestimado”.
 
john gilbert e lillian gish em a boêmia

DEZ FILMES de JOHN GILBERT
(por ordem de preferência)
 
01
A VIÚVA ALEGRE
(The Merry Widow, 1925)
 

direção: Erich von Stroheim
elenco: Mae Murray
 
02
O GRANDE DESFILE
(The Big Parade, 1925)

direção: King Vidor
elenco: Renée Adorée
 
03
A RAINHA CRISTINA
(Queen Christina, 1933) 
 

direção: Rouben Mamoulian
elenco: Greta Garbo, Lewis Stone e C. ubrey Smith
 
04
A BOÊMIA
(La Bohéme, 1926)
 

direção: King Vidor
elenco: Lillian Gish e Renée Adorée
 
05
A CARNE e o DIABO
(Flesh and the Devil, 1926)
 

direção: Clarence Brown
elenco: Greta Garbo e Lars Hanson
 
06
LÁGRIMAS de PALHAÇO
(He Who Gets Slapped, 1924) 
 

direção: Victor Sjöström
elenco: Lon Chaney e Norma Shearer
 
07
Nos DOMÍNIOS das ILUSÕES
(The Masks of the Devil, 1927) 
 

direção: Victor Sjöström
elenco: Alma Rubens
 
08
SOTA, CAVALO e REI
(Cameo Kirby, 1923) 
 

direção: John Ford
elenco: Alan Hale e Jean Arthur
 
09
MONTE CRISTO
(Idem, 1922) 
 

direção: Emmett J. Flynn
elenco: Estelle Taylor
 
10
Os COSSACOS
(The Cossacks, 1928) 
 

direção: George W. Hill
elenco: Renée Adorée, Erneste Torrence e Nils Asther
 
FONTES 

“Dark Star: The Untold Story of the Meteoric 
Rise and Fall of Silent Screen Star John Gilbert” (1985)
de Leatrice Gilbert Fountain;
 
“John Gilbert: The Last of the Silent Film Stars”
(2013)
de Eve Golden.
 
GALERIA de FOTOS