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agosto 15, 2025

************** JOHN WAYNE, um HERÓI de CINEMA

 

 

Tenho orgulho do meu trabalho,
a ponto de ser o primeiro a chegar
ao set de filmagem. Não sofro
com críticas ruins, o público gosta
dos meus filmes e isso é tudo
o que importa.
 
Sou um patriota honesto,
um conservador de direita.
JOHN WAYNE
 
Altura: 1,93 m
Cabelos: castanho-escuros
Olhos: azuis 
Apelido: Duke e JW
 
para Doutor Antônio, meu pai
 
LEGIÃO INVENCÍVEL


Figura imponente do passado de Hollywood, por mais de trinta anos foi referência na indústria cinematográfica, simbolizando um tipo de masculinidade e estrelando filmes icônicos da Era de Ouro. Na adolescência, na solidão do quarto, eu imitava o seu andar característico de felino. Pegando emprestado armas da coleção de meu pai, fazia de conta que era o glorioso astro dos faroestes, matando sem piedade bandidos e selvagens. Repeti essas cenas durante anos. Nunca ninguém soube, era um segredo. Admirador dos faroestes que via em preto e branco na TV e na matinê de domingo nos cinemas de Itabuna, preferia os mocinhos Glenn Ford, Gary Cooper e Clint Eastwood. Como pai Antônio era fã de JOHN WAYNE (1907 – 1979. Winterset, Iowa / EUA), procurava substituí-lo no imaginário como pistoleiro imbatível. Queria ser como ele. Com a maturidade, terminei por esquecê-lo ao não o considerar um ator sério. Ao resgatar sua trajetória, percebi o engano. Suas performances em “Rio Vermelho” e “Rastro de Ódio”, entre outras, são impactantes. Não há dúvida de que era cativante e talentoso.
 
Ao descobrir que era republicano e sua batalha política conservadora durante décadas, a afeição juvenil pelo astro renasceu com força total. Portanto, este post é um tributo a sua longa e majestosa passagem por Hollywood. Vencedor de Oscar e Globo de Ouro, JOHN WAYNE se tornou o símbolo máximo do faroeste. Seus filmes frequentemente refletem valores tradicionais, são considerados clássicos do gênero, reverenciados e assistidos até os dias atuais. Steve McQueen, Sylvester Stallone, Bruce Willis e Chuck Norris o citaram como uma grande influência para eles, tanto profissional quanto pessoalmente. Assim como o lendário astro, cada um deles alcançou a fama interpretando personagens de ação heroica e apoiando causas de direita e o partido Republicano. Dedicado em seu trabalho, seu verdadeiro nome era Marion Michael Morrison. Fala lenta, voz grave e marcante, sotaque arrastado e olhar semicerrado, é lembrado como a imagem típica do caubói, quase sempre como um admirável herói solitário. Cresceu num rancho na Califórnia e fez 145 filmes, em mais de 40 anos de uma extraordinária carreira.
 
Duke (como os amigos o chamavam) teria sua trajetória ligada ao cineasta John Ford depois que interpretou Ringo Kid no clássico “No Tempo das Diligências”, em 1939. Ao todo, foram 14 filmes com o mestre. Ainda faria boas parcerias com outros importantes diretores, como John Huston, Howard Hawks, William A. Wellman, Raoul Walsh e Henry Hathaway. Crescendo em Iowa, um de seus passatempos favoritos era jogar futebol americano com o pai. Enquanto estudava na USC, juntamente com colegas, trabalhava meio período na Fox Film, carregando adereços de cenário e como figurante ocasional. Em 1930, teve sua oportunidade em “A Grande Jornada. O diretor Raoul Walsh o viu passar no set carregando uma mesa, gostou do seu jeito de se mover e contratou o rapaz inexperiente para o papel protagonista. A empresa depositava esperanças neste faroeste épico, mas ele fracassou nas bilheterias. A seguir, JOHN WAYNE sobreviveu na década de 30 estrelando dezenas de faroestes de baixo orçamento. Alguns levavam apenas oito dias para serem filmados.
 
Era um trabalho árduo. Não havia dublês, ele próprio lutava e cavalgava. Em 1933, casou-se com Josephine Alicia Saénz, filha de um poderoso funcionário do governo mexicano. Ela era da alta sociedade e uma mulher bonita. Tiveram quatro filhos, com os quais ele sempre foi muito próximo e afetuoso. Ainda desconhecido, chegava ao set às 6h e, depois de um dia difícil, voltava para casa sujo e cansado às 19h30, com a esposa aristocrática pronta para um jantar fora ou uma festa. A virada profissional veio em 1939 com o sucesso de “No Tempo das Diligências”, que o transformou em uma das estrelas em ascensão mais valiosas. Depois vieram outros filmes importantes. Na época, houve um distanciamento gradual da esposa, pois ele não se adaptava ao estilo elegante dela. Quando os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial, houve movimento de apoio, inclusive em Hollywood. JOHN WAYNE, com lesões no joelho, sofridas na faculdade, foi isento do alistamento. Mesmo assim, ele desejava servir e escreveu várias vezes a John Ford pedindo para se juntar à sua Unidade Fotográfica de Campo do OSS.
 
Em 1943, conheceu a atriz mexicana Esperanza Baur. Alta, esbelta e morena, ela havia trabalhado com Arturo de Córdoba em “O Conde de Monte Cristo / El Conde de Montecristo” (1942). Como JOHN WAYNE, ela gostava de uma vida simples e reuniões com poucos amigos ao redor de uma churrasqueira. Ele se divorciou e se casou com ela em 1946. Ward Bond foi o padrinho e a esposa do falecido Harry Carey, a madrinha. Mas o ator mudou. A partir do final da década de 1940, com os filmes “Sangue de Heróis”, “Rio Vermelho” e “O Céu Mandou Alguém”, ele foi nomeado estrela número um de bilheteria, junto com Doris Day, por três anos consecutivos, pelos donos de cinema do país. Tornou-se uma estrela de altíssima estatura e passou a apreciar a vida social de Hollywood. A esposa tinha temperamento explosivo, bebia muito, e depois de várias brigas, se separaram. No processo de divórcio, ela alegou o caso do marido com a atriz Gail Russell, e ele respondeu que Conrad Hilton Jr., casado com Elizabeth Taylor, havia se tornado hóspede constante da casa deles, enquanto viajava à trabalho.
 
marlene dietrich e john wayne
Ainda nos anos 40, JOHN WAYNE teve um namoro de três anos com Marlene Dietrich, mas seu romance com Maureen O'Hara durou ainda mais, restando uma boa amizade. Estrelaram cinco filmes juntos. Divorciado mais uma vez, casou-se com a peruana Pilar Palette, que conheceu enquanto procurava locações de filmagem no Peru para “O Álamo / The Alamo” (1960). Embora fosse casada, Pilar se divorciou e se mudou imediatamente para Hollywood. Deprimida e estressada pela radical mudança cultural, ela se viciou em pílulas para dormir. Certa noite, enquanto ele filmava na Louisiana, cortou os pulsos durante uma alucinação. O casal teve três filhos. Depois que a terceira esposa o deixou em 1973, ele se envolveu com sua secretária Pat Stacy pelos anos restantes de vida. Na política, ele era um feroz defensor dos republicanos, nacionalista ferrenho e anticomunista ativo. Participou ativamente da criação da Aliança Cinematográfica para a Preservação dos Ideais Americanos (MPA) em 1944 e foi eleito presidente cinco anos depois. Ronald Reagan, Walt Disney, Clark Gable, Robert Taylor, Gary Cooper e outros famosos estavam entre os membros da organização.

 
Defensor do Comitê de Atividades Antiamericanas (HUAC), expressou seu apoio contra o maldito comunismo no filme de ação “Uma Aventura Perigosa / Big Jim McLain” (1952) e incluindo traidores da pátria na Lista Negra de Hollywood. Promoveu a guerra do Vietnã, produzindo e estrelando “Os Boinas Verdes / The Green Berets” (1968). Por ser a estrela republicana mais proeminente de Hollywood, foi cotado por texanos republicanos a concorrer a um cargo nacional em 1968. Ele recusou dizendo que era “um homem de Richard Nixon”. Apoiou Ronald Reagan nas campanhas para governador da Califórnia em 1966 e 1970. Também rejeitou um convite para ser vice na candidatura presidencial de George Wallace, preferindo fazer campanha por Nixon, inclusive discursando na Convenção Nacional Republicana de 1968. O ditador soviético Joseph Stalin, indignado com o seu anticomunismo, encomendou seu assassinato. Na primeira tentativa, dois matadores russos se fizeram passar por agentes do FBI e tentaram assassiná-lo em seu escritório, na Warner Brothers, em Hollywood, mas foram capturados.
 
As conspirações soviéticas foram canceladas após a morte de Stalin, em 1953, por seu sucessor, Nikita Krushchev, que era fã do astro. “Essa foi uma decisão de Stalin nos últimos cinco anos loucos de sua vida. Quando ele morreu, eu revoguei a ordem”, teria dito Kruschev a JOHN WAYNE em um encontro entre os dois em 1958. No entanto, grupos comunistas norte-americanos assumiram a conspiração e tentaram assassiná-lo no México, nas filmagens de “Caminhos Ásperos / Hondo” (1953). Ele sobreviveu a essa tentativa de assassinato e a outra cometida por um franco-atirador durante visita que fez às tropas dos EUA no Vietnã, em 1966. Carismático e convincente, atuou em faroestes, aventuras, melodramas e filmes de guerra. Em 1956, ao protagonizar “Sangue de Bárbaros / The Conqueror”, resultou em uma tragédia futura. Rodado por treze semanas no Parque Estadual de Snow Canyon, em Utah, o set estava situado a apenas 220 km da área de testes de Nevada, um local para a realização de bombardeamos nucleares ao ar livre com perigos decorrentes da radiação.
 
O pó radioativo – levado pelo vento – se precipitou justamente sobre o local da filmagem. As consequências, porém, viriam anos depois, quando a maior parte do elenco e da equipe começaram a desenvolver câncer numa escala assustadora. O próprio astro, Susan Hayward e Agnes Moorehead padeceram de câncer nas décadas de 60 e 70. Na seguinte, 90 membros da equipe de 220 pessoas desenvolveram tumores malignos e 46 morreram. Já em 1991, seria a vez de John Hoyt, que veio a óbito após adquirir câncer no pulmão. Segundo especialistas, a exposição no set de filmagens possivelmente foi a causa do câncer desenvolvidos em 94 profissionais que trabalharam no filme. Em Hollywood, JOHN WAYNE foi um dos atores que mais recusaram oportunidades notáveis e, em alguns casos, prêmios importantes. Recusou a série “Gunsmoke”, que durou 20 temporadas; “Fugindo do Inferno / The Great Escape” (1963), um clássico do cinema de guerra, e o papel foi para Steve McQueen; “Os Doze Condenados / The Dirty Dozen” (1967), com Lee Marvin brilhando como o Major John Reisman, um papel que seria dele.
 
Disse também não para “Rebeldia Indomável / Cool Hand Luke” (1967), resultando em uma das atuações mais aclamadas de Paul Newman; “Perseguidor Implacável / Dirty Harry” (1971), cujo papel foi para Clint Eastwood, que criou um dos personagens mais famosos do cinema; “Um Estranho no Ninho / One Flew Over the Cuckoo's Nest” (1975), que deu o Oscar para Jack Nicholson; “Patton, Rebelde ou Herói? / Patton” (1970), Oscar para George C. Scott; “Apocalypse Now / Idem” (1979), que terminou nas mãos de Martin Sheen. Entre muitos outros. Dos seus muitos personagens no cinema, o favorito era Ethan Edwards em “Rastros de Ódio” (1956). Chegou a dar ao seu filho o nome de Ethan em homenagem a ele. Praticamente calvo, o astro usou peruca em sua ilustre carreira desde “O Rasto da Bruxa Vermelha / Wake of the Red Witch” (1948). Sua vitória de Melhor Ator no Oscar e no Globo de Ouro por “Bravura Indômita / True Grit” (1969) foi vista como prêmios pelo conjunto da obra. Continuou a estrelar filmes de sucesso até 1976, permanecendo entre as dez maiores estrelas de bilheteria dos EUA até 1974.
 
wayne com o oscar e barbra streisand
Seu álbum falado “America: Why I Love Her” foi indicado ao Grammy quando lançado em 1973. Relançado em CD em 2001, teve êxito novamente. Junto com Humphrey Bogart, JOHN WAYNE era considerado o fumante mais inveterado da meca do cinema, fumando cinco maços de Camel sem filtro até sua primeira batalha contra o câncer em 1964. Ele passou por uma cirurgia bem-sucedida para remover o pulmão esquerdo. Apesar de seus sócios quererem manter a doença em segredo, tornou pública a situação e incentivou o público a fazer exames preventivos. A doença o fez amargar 15 anos de sofrimento, que o levaram até a pensar em suicídio.  Dirigiu os filmes “O Álamo” e “Os Boinas Verdes”. Este último causou-lhe problemas. O roteiro, pró-guerra do Vietnã, alimentou a fúria da esquerda, que realizou vários protestos contra a exibição. Católico, leal aos amigos, fez o elogio fúnebre nos funerais de Ward Bond, John Ford e Howard Hawks. Tinha fama de beber bastante, e os diretores filmavam suas cenas pela manhã, com ele ainda sóbrio.
 
Junto com seu amigo de longa data, Louis Johnson, era dono de uma fazenda de gado Hereford puro-sangue com 63 quilômetros de extensão no Arizona, a 26 Bar Ranch. A fazenda criava mais de 400 touros, frequentemente vencendo nas grandes feiras de gado. O astro comparecia com frequência aos leilões e fazia o discurso de boas-vindas na abertura dos eventos. Em 1976, estrelou “O Último Pistoleiro / The Shootist”, dirigido por Don Siegel e ao lado de Lauren Bacall e James Stewart. Nesse seu último papel, morre de câncer, condição à qual o próprio sucumbiu três anos depois. O faroeste foi um sucesso de bilheteria e crítica, nomeado como um dos Dez Melhores Filmes de 1976 pelo National Board of Review. Faleceu em 11 de junho de 1979, aos 72 anos. Enterrado em segredo, o túmulo permaneceu sem identificação até 1999, para o caso de manifestantes da guerra do Vietnã não o profanarem. Vinte anos após sua morte, finalmente recebeu uma lápide de bronze. Vários locais públicos nos EUA foram nomeados em homenagem a JOHN WAYNE, refletindo seu status como ícone cultural.
 
Graças à sua coragem, dignidade, integridade, talento, honestidade política e à sua cordialidade como ser humano ao longo de sua poderosa carreira, ele tem um lugar único em nossos corações e mentes. Receberia postumamente a Medalha Presidencial da Liberdade em 1980, concedida pelo presidente Jimmy Carter. Em 1998, foi homenageado com o prêmio de Herança Naval pela Fundação Memorial da Marinha dos EUA, reconhecendo seu apoio às forças armadas. Em 1999, o Instituto Americano de Cinema (AFI) o classificou como a 13ª maior lenda masculina do cinema clássico de Hollywood. Continua sendo um dos atores mais intimamente associados não apenas à grandeza do cinema, mas também à grandeza do povo norte-americano. É uma verdadeira lenda, comove as massas, o público o adora. Poucos capturaram melhor o homem durão e corajoso, patriota e dedicado à família, conservador e leal, transbordando integridade e valores de direita: a imagem do herói cinematográfico inesquecível.
 
 
RIO VERMELHO
“O Oeste é o triunfo da coragem pessoal
sobre qualquer obstáculo, seja a natureza ou o homem.”

JOHN WAYNE
 

DEZ FAROESTES de JOHN WAYNE
(por ordem de preferência)
 
01
RIO VERMELHO
(Red River, 1948) 

direção de Howard Hawks
elenco: Montgomery Clift, Joanne Dru, Walter Brennan,
Coleen Gray, Harry Carey e John Ireland
 
02
RASTROS de ÓDIO
(The Searchers, 1956)
 

direção de John Ford
elenco: Jeffrey Hunter, Vera Miles, Ward Bond,
Natalie Wood e Antonio Moreno
 
03
No TEMPO das DILIGÊNCIAS
(Stagecoach, 1939)
 

direção de John Ford
elenco: Claire Trevor, Andy Devine, John Carradine,
Thomas Mitchell, George Bancroft e Tim Holt

04
LEGIÃO INVENCÍVEL
(She Wore a Yellow Ribbon, 1949) 

direção de John Ford
elenco: Joanne Dru, John Agar, Ben Johnson,
Victor McLaglen, Mildred Natwick e George O´Brien
 
05
A GRANDE JORNADA
(The Big Trail, 1930)
 

direção de Raoul Walsh
elenco: Marguerite Churchill, Tully Marshall e Ward Bond
 
06
SANGUE de HERÓIS
(Fort Apache, 1948)

direção de John Ford
elenco: Henry Fonda, Shirley Temple, Pedro Armendáriz,
Ward Bond, George O´Brien, Victor McLaglen,
Anna Lee e Movita
 
07
O CÉU MANDOU ALGUÉM
(3 Godfathers, 1948)

direção de John Ford
elenco: Pedro Armendáriz, Harry Carey Jr., Ward Bond,
Mae Marsh, Mildred Natwick, Jane Darwell
e Ben Johnson
 
08
RIO BRAVO
(Rio Grande, 1950)

direção de John Ford
elenco: Maureen O'Hara, Ben Johnson, Claude Jarman Jr.,
Harry Carey Jr., Chill Willis, J. Carrol Naish,
e Victor McLaglen
 
09
ONDE COMEÇA o INFERNO
(Rio Bravo, 1959)

direção de Howard Hawks
elenco: Dean Martin, Ricky Nelson, Angie Dickinson,
Walter Brennan e Ward Bond
 
10
O HOMEM QUE MATOU o FACÍNORA
(The Man Who Shot Liberty Valance, 1962)

direção de John Ford
elenco: James Stewart, Vera Miles, Lee Marvin,
Edmond O´Brien, Andy Devine, John Carradine,
Jeanette Nolan, Woody Strode e Lee Van Cleef
 

FONTES
JOHN WAYNE: a VIDA e a LENDA (2014)
John Wayne: The Life and Legend
de Scott Eyman
 
JOHN WAYNE – o HOMEM por TRÁS do MITO (2001)
John Wayne - The man behind the myth
de Michael Munn
 
O TITÃ AMERICANO:
PROCURANDO por JOHN WAYNE (2014)
American Titan: Searching for John Wayne
de Marc Eliot
 
“Não apareço em filmes que envergonhem o público. Podem levar a família para ver um dos meus filmes e nunca se sentirão envergonhados ou constrangidos”
JOHN WAYNE
 
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RASTROS de ÓDIO
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novembro 29, 2022

***** À BEIRA do ABISMO: 20 ESTRELAS BÊBADAS

 



Eu me sinto como no inferno. 
Estou passando por abstinência alcoólica. 
Meu coração parece acelerado. 
Minhas pálpebras tremem. 
Oh Deus, estou tão, tão cansada.
ELIZABETH TAYLOR em 1983
 
 
Ao longo da existência de Hollywood, a bebida tem sido predominante e arruinou diversas carreiras célebres. Na cidade das ilusões, a fama, o álcool e as drogas andam muitas vezes de mãos dadas. Conheça a história de estrelas que tiveram dificuldades em lidar com o vício e viram o seu nome associado à bebida. Mulheres maravilhosas, festas suntuosas, longas horas de trabalho, comportamentos viciantes. Durante a Era de Ouro cinematográfica (1920 a 1950), os astros e estrelas tinham rédea solta para fazer o que quisessem - contanto que pudessem ser discretamente varridos para debaixo do tapete por um agente de estúdio. Eles bebiam em excesso em festas e bares famosos todas as noites, bebiam quando estavam no set e bebiam quando dirigiam. São bizarros os casos mais loucos. Contos de incidentes insanos, comportamentos violentos e personalidades descontroladas. O consumo maciço de álcool resultou também em filmes, com atuações impecáveis, não incomum indicadas a prêmios importantes. Se antes o cinema evitava retratar o alcoolismo, mudou com o drama de Billy Wilder, em 1945, “Farrapo Humano / The Lost Weekend”. Mostra Ray Milland dominado pelo vício. 

20 ATRIZES ALCOÓLATRAS
 
01
ALI MacGRAW
(1939. Pound Ridge, Nova York / EUA)

Protagonista do romântico “Love Story – Uma História de Amor / Love Story” (1970), vencedora de dois Globo de Ouro e durante três anos casada com o chefe de produção da Paramount, Robert Evans. Tinha tudo para ser uma super estrela e era certo que interpretaria os papéis principais de “O Grande Gatsby / The Great Gatsby” (1974), de Jack Clayton, e “Chinatown / Idem” (1974), de Roman Polanski. Ao filmar “Os Implacáveis / The Getaway” (1972), apaixonou-se por Steve McQueen e pediu o divórcio do marido poderoso. O filme de ação foi seu último sucesso. Steve bebia, se drogava (cocaína, peyote, LSD e nitrito de amila para suas maratonas sexuais) e a proibiu de trabalhar durante os cinco anos que estiveram juntos. Tornou-se alcoólatra. Dominada, tinha como missão servir ao marido carne com batatas às 18h em ponto, e não abrir a boca enquanto ele via televisão. Com a separação fez filmes e séries de TV. Em 1995, lançou a autobiografia “Moving Pictures”, onde conta sobre o alcoolismo e a dependência de sexo.
 
02
AVA GARDNER
(1922 – 1990. Grabtown, Carolina do Norte / EUA)

O poeta Jean Cocteau a descreveu como o animal mais belo do mundo. Umas das atrizes mais rebeldes do cinema, bebia vorazmente conhaque, tequila e o que mais aparecesse. Independente e impetuosa, colecionou escândalos mundo afora e sua união com Frank Sinatra foi marcada por separações, tapas, álcool e drogas. Na tumultuada visita ao Brasil, nos meados dos anos 50, para o lançamento de “A Condessa Descalça / The Barefoot Contessa” (1954), ela foi manchete mundial. Bêbada, num acesso de fúria, quebrou a mobília do quarto do luxuoso Hotel Glória e jogou os objetos de decoração pela janela. Também assediou o cantor Carlos Augusto, garotão cearense da Rádio Nacional. Só que ele era gay.  O relato de uma sua saída noturna em Roma, em amores com Tony Franciosa, casado então com Shelley Winters, terminou numa batalha campal com os paparazzis, servindo de inspiração a Federico Fellini para a deslumbrante Anita Ekberg de “A Doce Vida / La Dolve Vita” (1960). Por onde passava, o alcoolismo e aventuras sexuais deixavam um rastro de excessos. A união com Sinatra resultou em três tentativas de suicídio dele e dois abortos. A bebida e o cigarro foram companheiros de vida. Declarava que morreria com um cigarro na mão e um uísque na outra. Assim foi, até sua morte, isolada em Londres, sempre com um copo perto dela. 

03
BARBARA PAYTON
(1927 – 1967. Cloquet, Minnesota / EUA)

A sexy loura de olhos azuis apareceu em 12 filmes entre 1949 e 1955. Seus casamentos fracassaram e de 1955 a 1963 teve vários problemas com a lei - entre eles cheques sem fundos, embriaguez pública e prostituição. Foi forçada a dormir em bancos de rua, espancada por amantes ocasionais e perdeu dentes em brigas. Em 1967, tentando parar de beber, foi morar com os pais em San Diego. Era tarde demais. Foi encontrada no banheiro, morta por insuficiência cardíaca. Em meio a essa tragédia, deixou uma autobiografia reveladora, ironicamente intitulada “Não Tenho Vergonha”.
 
04
CLARA BOW
(1905 – 1965. Brooklyn, New York / EUA)

Primeiro símbolo sexual de Hollywood e uma das maiores estrelas do cinema mudo, a talentosa e carismática ruiva era totalmente descontrolada. Teve uma longa série de amantes, bebia como um cossaco e mergulhou em problemas finaceiros alimentados por dívidas de jogo e sonegação de impostos. Escandalosa, dizia que adorava “beber, jogar, xingar e transar”. Esteve envolvida em batalhas judiciais por “roubar” maridos alheios. Amava festas, sempre pendurada em um amante (alguns casados) e enchendo a cara. Sua roupa suja foi exposta em 1930, quando uma ex-secretária julgada por roubo denunciou sua vida sexual selvagem. O escândalo abalou sua carreira, que nunca mais se reergueu. Terminou casando com um ator cowboy. Atormentada por crises pessoais, alcoolismo, instabilidade mental e problemas de peso, não fez mais outro filme. Morreu em 1965, aos 60 anos de idade, após um inesperado e fulminante ataque cardíaco.

05
ELIZABETH TAYLOR
(1932 – 2011. Hampstead, Londres, Inglaterra / Reino Unido)

Oito casamentos, alcoolismo e doenças marcaram a conturbada vida da estrela. A lenda de Hollywood passava dias no set bêbada demais para recordar suas falas. Ao finalmente tentar se recuperar, no Centro de Reabilitação Betty Ford, em 1983, no final da carreira, disse: “Não ficar bêbada é a única maneira de permanecer viva.” Seu primeiro casamento com Conrad Hilton era conhecido pela bebedeira. Com Richard Burton resultou também em álcool excessivo e agressões públicas. Durante as filmagens de “A Noite da Iguana / The Night of the Iguana” (1964), acompanhando Burton, começava a beber às 10h da manhã, com vodca e a seguir tequila. O alcoolismo deles tornaram os dois infelizes. O Vaticano os condenou, chamando-os de “vagabundos eróticos”. A cada briga, na manhã seguinte ele a presenteava com um diamante, inclusive o diamante mais caro do mundo, um Cartier de 70 quilates avaliado em um milhão de dólares, rebatizado hoje como “diamante Taylor-Burton”. Assim viveu a grande estrela, quase sempre bêbada e envolvida em conflitos matrimoniais vulgares. Apesar do alcoolismo, da saúde precária e do vício em analgésicos e pílulas para dormir, que durou grande parte da vida, conseguiu sobreviver quase 80 anos. Morreu por insuficiência cardíaca congestiva.

 
06
FRANCES FARMER
(1913 – 1970. Seattle, Washington / EUA)

Em 1935, ela foi para Hollywood, onde assinou contrato de sete anos com a Paramount. Rebelde, teve conflitos e tentou a Broadway. A partir de 1939, seu comportamento errático e a bebedeira descontrolada resultou no cancelamento do contrato. A seguir foi presa por dirigir com os faróis acesos em zona de blecaute. Um ano depois, a bela atriz foi presa mais uma vez por deslocar a mandíbula de um cabeleireiro. No julgamento, agrediu dois policiais e jogou um tinteiro no juiz. Terminou em um asilo. Em 1943, foi declarada mentalmente incapaz e internada por seus pais em uma série de hospitais psiquiátricos públicos. Era o fim da sua carreira. Tentou retornar ao cinema em 1957 e durante alguns anos apresentou um programa de variedades na TV. Em 1964, o alcoolismo havia se tornado tão agudo que emissora a demitiu. Passou seus últimos anos fazendo trabalho simplórios e bebendo, até morrer de câncer de esôfago em 1970.
 
07
GAIL RUSSELL
(1924 – 1961. Chicago, Illinois / EUA)

Descoberta pelo cinema aos 17 anos, sofreu problemas emocionais ao longo de uma carreira meteórica. De beleza etérea, tímida, inicialmente usava álcool para acalmar os nervos no set. Em 1950, a Paramount não renovou seu contrato por causa do problema com a bebida. Sua dispensa do estúdio arruinou sua carreira. Desapareceu das telas por cinco anos. Presa várias vezes por dirigir embriagada, voltou ao cinema em 1956, mas não deu certo. Possuída pelo álcool, em 1961, foi encontrada morta em seu apartamento em Los Angeles. Morreu de alcoolismo crônico, cercada por garrafas de vodca vazias.  

08
GIA SCALA
(1934 – 1972. Liverpool, Merseyside, Inglaterra / Reino Unido)

Alta e deslumbrante, teve uma carreira promissora no cinema e na televisão. O seu papel mais conhecido foi a resistente grega em “Os Canhões de Navarone / The Guns of Navarone” (1961). Sofrendo de depressão, bebia muito. Presa, perdeu o contrato na Universal e tentou se matar, jogando-se da Ponte de Waterloo, em Londres. Os surtos de depressão tornaram-se graves. Em 1971, embriagada, seu carro esportivo capotou em uma estrada sinuosa de um desfiladeiro e ela perdeu parte do dedo indicador. Em 30 de abril de 1972, foi encontrada morta em seu quarto em Hollywood Hills, após uma overdose de álcool e pílulas para dormir. Tinha 38 anos.
 
09
JEANNE EAGELS
(1890 – 1929. Kansas City, Missouri/ EUA)

Garota Ziegfeld, atuou na Broadway e em Hollywood, recebendo uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz por “A Carta” (1929). Em 1920, no auge do sucesso, começou a abusar do álcool e da heroína. Debilitada, perdeu trabalhos devido ao seu estado físico e ficou proibida de trabalhar por dezoito meses. Protagonizou oito filmes e o penúltimo deles fez enorme sucesso. Sofria de problemas respiratórios, mas nunca deixou a bebida e as drogas. Em 1929, sofreu convulsões e morreu, sucumbindo a overdose de heroína. Em 1957, Kim Novak estrelou “Lágrimas de Triunfo / Jeanne Eagels”, contando sua vida.
 
10
JOAN CRAWFORD
(1904 – 1977. Texas / EUA)

Uma das estrelas mais populares, glamourosas e magnéticas dos anos 30 e 40, disse certa vez: “O alcoolismo é um risco ocupacional de se ser ator, viúva e ou de se estar sozinho. E eu sou os três.”. Ganhadora do Oscar de Melhor Atriz, protagonista de filmes inesquecíveis, tornou-se alcoólatra e para onde ia carregava na bolsa uma bebida. De alcoolismo discreto, casada com o dono da Pepsi, tornou-se sua embaixadora oficial. Viajava pelo mundo representando a Pepsi e, a cada parada da turnê, pedia Smirnoff, bourbon Old Forester, uísque, gim Beefeater e garrafas de champanhe. Nas tardes e noites enchia a cara, mas sempre impecável, nunca deu qualquer vexame.
 
11
JUDY GARLAND
(1922 – 1969. Grand Rapids, Minnesota / EUA)

Conhecida por desempenhos marcantes e voz excepcional, é uma das maiores artistas de Hollywood. Apesar de triunfos profissionais, ela teve vários problemas pessoais ao longo da vida. Insegura com sua aparência, seus sentimentos foram agravados por executivos de cinema que disseram que ela era feia e gorda. O uso de anfetaminas e barbitúricos no estúdio terminou em dependência química. Em pouco tempo, seus medicamentos foram misturados a bebida alcoólica. Atormentada por uma instabilidade financeira, seus cinco casamentos terminaram em divórcios. Sem nunca parar de beber, acabou em clínicas psiquiátricas. Viciada em soníferos, álcool e morfina, cortou a garganta. Morreu aos 47 anos, de overdose de medicamentos. Nessa época, decadente, atuava em shows em Londres com enormes dificuldades. Um especialista britânico, que acompanhou sua carreira, diz que sua morte foi causada por uma cirrose hepática. 

12
LANA TURNER
(1921 – 1995. Wallace, Idaho / EUA)

Mesmo se não fosse por sua vida pessoal, com sete casamentos e um assassinato, seria sempre um dos maiores ícones do cinema. Estrela da Metro-Goldwyn-Mayer, símbolo sexual nas décadas de 1940 e 1950, tornou-se uma das atrizes mais bem pagas da época, deixando um legado de filmes clássicos. Falada por diversas controvérsias, como relacionamentos violentos, ostentação excessiva de itens de luxo e graves problemas com bebida, ela lutou contra o vício e passou um longo tempo em depressão, mas nunca conseguiu superá-lo. No entanto, seu alcoolismo sempre foi discreto.
 
13
LINDA DARNELL
(1923 – 1965. Dallas, Texas / EUA)

Uma das mais belas estrelas de cinema, teve uma carreira sólida na 20th Century-Fox nos anos 40. Atuou em filmes excelentes. Sofrendo de alcoolismo durante a maior parte da vida, quando seu contador roubou suas economias mergulhou em um período sombrio, marcado ainda mais pela bebida e três casamentos fracassados. A profissão naufragou. De grande estrela, perdeu o contrato com a Fox e os convites de trabalho desapareceram. Surtos de depressão e muito álcool marcaram seus últimos anos, até que morreu ébria e queimada em incêndio na casa de uma ex-secretária, causado por ter adormecido com cigarro aceso. Aos 41 anos de idade.
 
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MABEL NORMAND
(1892 – 1930. New Brighton, Staten Island, New York / EUA)

Comediante da companhia Keystone, atuando ao lado de Charles Chaplin, era muito popular. Talentosa, foi uma das primeiras mulheres a dirigir filmes. Decepções amorosas com o namorado Mack Sennett, dentre outras coisas, contribuíram para que mergulhasse no álcool e na cocaína. Ébria e irresponsável, não cumpria horários e se envolveu em escândalos. Foi a primeira a chegar ao local do assassinato de seu amante, o produtor William Desmond Taylor, e mais adiante seu motorista atiraria em um homem com a sua pistola. Sua carreira se acabou. Internada, morreu de tuberculose aos 37 anos. 

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MARILYN MONROE
(1926 – 1962. Los Angeles, Califórnia / EUA)

Encontrada morta, aos 36 anos, vítima de uma overdose de tranquilizantes, em sua casa em Los Angeles. Era a atriz mais amada de Hollywood e atraía multidões aos cinemas. No entanto, a dependência de drogas e álcool eram mais fortes do que o glamour, a profissão bem sucedida e a própria vida. A loira construiu uma péssima reputação nos bastidores de cinema, com atrasos constantes, problemas pessoais e de saúde. Internada várias vezes em clínicas psiquiátricas, enfurecia diretores com sua falta de profissionalismo. As suas tendências depressivas aumentaram com dois abortos e duas tentativas de suicídio. Dona de uma capacidade fotogênica miraculosa, carisma, beleza e sensualidade, a mulher mais desejada de seu tempo passou a sua curta vida tentando encontrar um amor verdadeiro. Segundo relatos, a rejeição do presidente John Fitzgerald Kennedy alimentou a queda final em bebidas e pílulas que finalmente a mataram. 

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NATALIE WOOD
(1938 – 1981. São Francisco, Califórnia / EUA)

Viciada em álcool, cigarros, anfetaminas e barbitúricos, fez sucesso nos anos 60, iniciando a carreira criança e se tornando uma atriz adulta bem sucedida. Recebeu três indicações ao Oscar. Adolescente, foi estuprada durante horas por Kirk Douglas e obrigada a fazer sexo com o diretor Nicholas Ray para o papel de “Juventude Transviada / Rebel Without a Cause” (1955). Criança selvagem, bebia vinho ainda menina. Os problemas conjugais com o marido Robert Wagner e as pressões na carreira levaram a atriz ao alcoolismo. Morreu afogada após um controverso acidente. Rumores indicam que foi assassinada pelo esposo, a bordo de um iate em um passeio regado à muita bebida e drogas. Há falatórios sobre um romance entre a atriz e o ator Christopher Walken, presente no iate onde ocorreu o acidente que a vitimou. A versão mais aceita, porém, é que os três estavam totalmente bêbados e drogados, e depois de muitas discussões entre o casal, causadas pelo ciúme, ela se desequilibrou e caiu no mar.
 
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RITA HAYWORTH
(1918 – 1987. Brooklyn, Nova Iorque / EUA)

Tímida, mantinha a tempestuosa vida pessoal em segredo. O alcoolismo e a tendência a maridos dominadores criaram uma vida doméstica incrivelmente difícil para a estrela. Seus casamentos tendiam a terminar em disputas, agressões e batalhas judiciais prolongadas. Um relacionamento se misturava no outro. O estresse e o álcool envelheceram a atriz prematuramente, enquanto o Alzheimer matou sua memória. Aos 50 anos, ela não memorizava as falas de seus filmes e passou o resto de seus dias em um apartamento em Nova York, bebendo sem controle e a memória desaparecendo, à medida que a conta bancária diminuía. A garotinha espancada e abusada sexualmente por seu pai se casou cinco vezes. “Os homens vão para a cama com Gilda, mas acordam comigo”, lamentava. Ela vivia aterrorizada pela atenção midiática, por seu complexo de inferioridade e pela certeza de que os homens só estavam interessados em seu corpo. Consumida pela ansiedade, ataques de pânico e alcoolismo, dizia que só foi feliz durante seu conturbado casamento com Orson Welles, o único homem na indústria que a valorizou como intérprete. Como resultado do que disse, Welles afirmou: “Se aquilo foi felicidade para ela, não quero nem imaginar como foi o resto de sua vida”.
 
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SYLVIA KRISTEL
(1952 - 2012. Utrecht / Países Baixos)

A atriz holandesa, mais conhecida como Emmanuelle, personagem da série de filmes eróticos que a fez ficar famosa, esteve no Brasil para a divulgação de “A Margem / La Marge” (1976) e participou da telenovela “Espelho Mágico”, sempre embriagada. Quando maquiada para fotos, mal conseguia se equilibrar de tanto que tinha bebido. Durante a vida, carregou o carma de deusa do sexo. Declarou que fez filmes baratos pela dependência da cocaína. Em 2006, lançou a autobiografia “Nue”, em que revela o declínio financeiro e os problemas com álcool e drogas, inclusive heroína. Seus últimos anos foram em Amsterdã e faleceu aos 60 anos, de um câncer.
 
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VERONICA LAKE
(1922 – 1973. Brooklyn, Nova Iorque / EUA)

Na década de 1940, era uma das maiores femme fatales de Hollywood. O longo cabelo loiro, caído sobre o olho, virou moda, e sua parceria com Alan Ladd foi um grande sucesso. Considerada difícil, sua trajetória entrou em declínio e ela caiu no alcoolismo, acabando por falecer muito cedo, com apenas 50 anos de idade. Estrela da Paramount, ao longo da carreira vários atores fizeram críticas públicas sobre a dificuldade em trabalhar com ela. Após amargar fracassos, um aborto espontâneo e um divórcio, entrou em depressão e começou a beber compulsivamente. Demitida pela Paramount, sem trabalho, recorreu à televisão. Na mesma época, o Imposto de Renda confiscou sua casa e todos os seus bens, por dívidas com impostos atrasados.  Eventualmente, trabalhou no teatro. Mas o vício em bebida a fez abandonar os filhos e desmaiar durante a apresentação de uma peça, em Londres, em 1955. Passou a morar em hotéis baratos e perdeu os dentes. Era constantemente presa por embriaguez. Trabalhou como garçonete em Nova York e em 1969 publicou uma biografia. Usou os lucros obtidos para produzir o filme de terror “Flesh Feast” (1970), que ela também estrelou.  Foi um fiasco.
 
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VIVIEN LEIGH
(1913 – 1967. Darjeeling / Índia)

Grande êxito nas telas e palcos, a atriz teve uma vida de exageros na bebida e no sexo, e um transtorno mental grave tardiamente identificado. Tudo começou com uma overdose acidental nos bastidores de “...E o Vento Levou / Gone with the Wind” (1939), gerada por uma mistura explosiva de tranquilizantes e álcool. O transtorno bipolar, à época conhecido como depressão maníaca, impactou na sua vida profissional. Ela passou por diversas tentativas de suicídio. A frágil saúde, o alcoolismo e os problemas psicológicos tornaram-na indesejada. Apesar da fama, sua carreira foi limitada, fazendo com que atuasse em poucos filmes. Passou por dois abortos e o casamento de 20 anos com Laurence Olivier naufragou. Isto a deixou em um profundo estado de depressão. Em maio de 1962, esteve no Brasil com a trupe do Old Vic, interpretando Marguerite Gautier em “A Dama das Camélias”, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e de São Paulo. A diva tinha episódios de raiva, paranoia e histerismo que depois esquecia completamente. Durante uma turnê teatral na Austrália, ébria, se negou a entrar no palco por ter perdido seus sapatos, Olivier a esbofeteou e ela revidou. O divórcio veio logo depois, em 1960. Terminou morrendo de tuberculose, com somente 53 anos.

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