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dezembro 10, 2017

********************** FAMOSAS SÉRIES de TV

“dallas

 
Algumas SÉRIES de TV ficam na memória. Ainda menino, não perdia o tenso e realista “Combate”. Daí nasceu a paixão por filmes sobre a Segunda Guerra Mundial. Gostava do humor irreverente de “Guerra, Sombra e Água Fresca” e do familiar “Daniel Boone”, embora as minhas favoritas fossem “Túnel do Tempo” e “Havaí 5.O”. A maioria dessas SÉRIES clássicas conta com estrelas de cinema em participações especiais e foi produzida nos anos 1960, considerados pelos especialistas como a era de ouro da televisão. De várias partes do mundo, vieram os primeiros sucessos de ficção-científica em episódios, como o norte-americano Além da Imaginação e o inglês “Thunderbirds”. Com o êxito, muitas outras foram produzidas no mesmo segmento, rendendo clássicos como Viagem ao Fundo do Mar“Jornada nas Estrelas” e Os Invasores. Elas marcaram gerações, misturando fantasia, humor e ação em aventuras inesquecíveis.

O AGENTE 86
(Get Smart)

De 1965 a 1970, em 138 episódios de 24 minutos cada, estrelado por Don Adams, Barbara Feldon e Edward Platt. Criada pelos talentosos comediantes Mel Brooks e Buck Henry, narra as aventuras de um espião trapalhão, ajudado por uma bonita agente, cujo código é 99. Ambos trabalham para uma organização secreta chamada Controle, cuja principal função é combater os vilões da organização secreta e criminosa Kaos.

ALÉM da IMAGINAÇÃO 
(The Twilight Zone)

Há uma quinta dimensão além daquelas conhecidas pelo homem. É uma dimensão tão vasta quanto o espaço e tão desprovida de tempo quanto o infinito. É o espaço intermediário entre a luz e a sombra, entre a ciência e a superstição; e se encontra entre o abismo dos temores do homem e o cume dos seus conhecimentos. É a dimensão da fantasia. Uma região Além da Imaginação. Assim se apresentava a série de Rod Serling, exibida entre 1959 e 1964, em 156 episódios. O público se maravilhava com o mundo paralelo, cheio de fantasia e absurdos. Sem efeitos especiais, apenas bem contada, apresentava histórias de ficção-científica, suspense e terror. O tema musical da primeira temporada tem a assinatura de Bernard Herrmann, dos filmes de Hitchcock. 

BATMAN
(idem)

Exibido entre 1966 e 1968, em 60 estórias, sendo cada uma dividida em duas partes, totalizando 120 episódios, baseia-se nos famosos quadrinhos e narra a luta contra o crime de um herói mascarado acompanhado pelo parceiro Robin e auxiliado pelo mordomo Alfred, o comissário de polícia James Gordon e o chefe de polícia O'Hara. De tom humorístico, protagonizado por Adam West e Burt Ward, tem como vilões atores famosos como Burgess Meredith (“Pinguim”), Cesar Romero (“Coringa”), Vincent Price (“Cabeça de Ovo”), David Wayne (“Chapeleiro Louco”), Julie Newmar (“Mulher-Gato”), Tallulah Bankhead (“Viúva-Negra”), Roddy Mcdowall (“Traça) e George Sanders, Otto Preminger e Eli Wallach revezando como o Sr. Gelo.

A CALDEIRA do DIABO
(Peyton Place)

Baseada no best-seller de Grace Metalious. Apresentada entre 1964 e 1969, num total de 514 episódios, de aproximadamente 30 minutos cada. Fala dos acontecimentos de um pequeno lugarejo chamada Peyton Place, onde se escondem segredos e escândalos de duas gerações de habitantes. Triângulos amorosos e suas conseqüências, mães solteiras, prostituição, adultério e outros assuntos proibidos na época são os temas abordados. Com Dorothy Malone, Mia Farrow e Ryan O´Neal.

CASAL 20
(Hart to Hart)

De 1979 a 1984, totalizando 110 episódios. Criada pelo escritor pop Sidney Sheldon, foi um enorme sucesso. O casal rico e simpático Jonathan (Robert Wagner) e Jennifer Hart (Stefanie Powers), ao invés de aproveitar a vida em sua mansão, viaja combatendo crimes e deixando de lado sua empresa. Além da dupla, participam também da série o mordomo Max (Lionel Stander) e o cachorro Freeway, que viajam pelo mundo solucionando casos de espionagem e assassinatos.

COLUMBO 
(idem)

43 episódios com duração entre 70 e 90 minutos, de 1971 a 1978. Em 1988 a série voltou ao ar com mais 16 episódios de duas horas cada. Entre 1991 e 2003, oito especiais foram produzidos. Com Peter Falk como o Tenente Columbo, desponta como uma das maiores criações da televisão, causando verdadeiro frisson em telespectadores de todo o mundo. O investigador mascara uma mente afiadíssima, participando de jogos de gato e rato com vilões convencidos de que cometeram o crime perfeito. Columbo nunca saca uma arma. Ele tem uma esposa que jamais foi vista na série. Possui também um cachorro chamado de Cão. Dentro de casas ou escritórios dos suspeitos, sempre observa e comenta sobre objetos que lhe chamam a atenção. O episódio de estréia, Um Crime Quase Perfeito, foi dirigido por Steven Spielberg. No decorrer da série, vários vilões foram interpretados por veteranas estrelas como Janet Leigh, Sal Mineo, Roddy McDowall, Vincent Price, Ida Lupino, Ruth Gordon e Faye Dunaway.

COMBATE 
(Combat!)

Apresentada de 1962 a 1967, num total de 152 episódios, de aproximadamente 45 minutos cada.  Centra-se no segundo pelotão da Companhia King, comandada pelo novato Tenente Hanley (Rick Jason) e pelo Sargento Saunders (Vic Morrow), mostrando acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, como a campanha da Normandia, com requinte de detalhes. Pai da atriz Jennifer Jason Leigh, Vic Morrow teve morte trágica, em 1983, durante as filmagens de “No Limite da Realidade / Twilight Zone: The Movie”. Ele intrepretava um militar que, em uma cena de guerra, resgata duas crianças e as leva para o helicóptero. Tudo ia muito bem até que o helicóptero ficou fora de controle e decapitou o ator e uma das crianças. A outra escapou das hélices, mas foi esmagada.

DALLAS
(idem)

Produzida entre 1978 e 1991, levada ao ar dinheiro, vingança, sexo, paixão, poder e intrigas na história de duas famílias rivais, os Ewing e os Barnes, cuja rixa sobrevive a três gerações. Conquistou telespectadores com melodrama e suspense, retratando glamour, poder e riqueza da alta-sociedade norte-americana. Com Larry Hagman, Patrick Duffy, Victoria Principal, a veterana Barbara Bel Geddes e Priscilla Presley.

DANIEL BOONE
(Idem)

Aventura exibida em 165 episódios de 50 minutos de duração, de 1964 a 1970, com Fess Parker, Patricia Blair, Darby Hinton, Ed Ames e Veronica Cartwright. Mostra os problemas enfrentados pelo lendário pioneiro Daniel Boone, no papel de mediador entre colonos e índios (alguns hostis de fato), ou enfrentando caçadores de recompensas, de peles e oportunistas que tentam vender armas aos índios. Também é enfocado valores morais, a relação entre o homem branco e os índios, os métodos utilizados pelos colonizadores e famílias em busca de uma vida melhor. Muitos rostos conhecidos passam pela série, como Michael Rennie, Kurt Russell e Cesar Romero.

DR. KILDARE 
(idem)

De 1961 a 1966, em 132 episódios em preto e branco e 58 episódios coloridos. Protagonizado por Richard Chamberlain e Raymond Massey, segue a trajetória de um jovem médico que trabalha no Blair General Hospital. Chamberlain venceu outros 35 candidatos ao papel. Fez fama, fortuna e depois vários filmes. Recentemente assumiu sua homossexualidade, revelando num programa de tevê que convive com o ator-diretor-produtor Martin Rabbett há mais de 25 anos. A série conta com a participação especial de nomes famosos: Claude Rains, Charles Bronson, Walter Matthau, Lee Marvin, Angie Dickinson, James Mason, Fred Astaire, Ricardo Montalban, Robert Redford etc.

A FEITICEIRA
(Bewitched)

De 1964 a 1972, num total de 248 episódios, com Elizabeth Montgomery (filha dos atores Robert Montgomery e Elizabeth Allen), Dick York e a fantástica Agnes Moorehead como Endora, a comédia gira em torno de uma simpática bruxa, que ao se casar com um mortal promete abandonar a magia, mas não cumpre sua promessa. A identificação com o público foi instantânea e em pouco tempo estava em segundo lugar na audiência, com uma média de 31 pontos, só perdendo na época para “Bonanza”.

O FUGITIVO
(The Fugitive)

De 1963 a 1967, em 120 episódios de 50 minutos. Com David Janssen e Barry Morse. Uma das mais famosas séries de televisão tem como tema a injustiça. Um médico é acusado injustamente de ter assassinado a esposa. Julgado e condenado, embarca num trem, algemado a um tenente de polícia, para ser executado. Durante o percurso, o trem sai dos trilhos e o acidente o livra das algemas. Ao fugir, tenta provar sua inocência, procurando aquele que julga ser o verdadeiro criminoso: o homem que fugiu de sua casa na noite do assassinato. Contra ele está a polícia e, em especial, o obcecado tenente responsável pela sua captura. A  interpretação de Barry Morse como o policial era tão convincente que despertou no público um forte sentimento de repulsa, tornando-se na época o homem mais odiado dos Estados Unidos. O episódio final, O Julgamento, levado ao ar em duas partes, atingiu a marca de 56,7% de audiência.

GUERRA, SOMBRA e ÁGUA FRESCA
(Hogan´s Heroes)

Apresentada de 1965 a 1971, num total de 168 episódios, satiriza a Segunda Guerra Mundial, com um grupo de prisioneiros liderados pelo Coronel Hogan, em campo de concentração conhecido como Campo 13, fazendo de gato e sapato os nazistas, enquanto ajuda os companheiros.  Com Bob Crane, John Banner e Werner Klemperer.

HAVAÍ 5.0 
(Hawaii Five-O)

Policial estrelado por Jack Lord e exibido em 12 temporadas, entre 1968 e 1980, num total de 283 episódios. No clima paradisíaco das ilhas havaianas, um violento submundo precisa ser combatido pela divisão de elite 5-0, a polícia estadual, que enfrenta sabotadores, justiceiros, revolucionários, entre outros criminosos. O tema musical composto por Morton Stevens ainda é popular.

I LOVE LUCY 
(idem)

Uma das mais aclamadas sitcoms, estrelada pela hilária Lucille Ball e Desi Arnaz, foi exibida de 1951 a 1960, num total de 194 episódios. É o programa mais assistido da televisão norte-americana de todos os tempos, Recebeu 22 indicações aos prêmios Emmys e venceu cinco vezes. Em 2002, foi eleito o segundo Melhor Programa de TV pela revista TV Guide. Em 2007, apareceu numa lista da revista Time entre 100 melhores programas da televisão mundial. Conta o cotidiano maluco e humorado de um casal. No segundo episódio da primeira temporada, Seja um Amigo, Lucille imita e dubla Carmen Miranda com a famosa marchinha Mamãe Eu Quero Mamá. O episódio Lucy Vai ao Hospital, de 1953, atingiu a audiência recorde de 71,7 pontos. Até hoje, apenas um episódio de 1956 do “The Ed Sullivan Show, no qual Elvis Presley fez sua primeira aparição televisiva, superou este percentual (82,6% dos televisores ligados).

Os INTOCÁVEIS
(The Untouchables)

De 1959 a 1963, num total de 118 episódios, apresenta Eliott Ness (Robert Stack) e um grupo de agentes do tesouro incorruptíveis, durante a Lei Seca. Eles lutam contra o crime organizado. Atores talentosos participam como convidados: Robert Redford, William Bendix, Lloyd Nolan, J. Carrol Nash, Peter Falk etc.

Os INVASORES
(The Invaders)

Exibida por uma temporada e meia, entre 1967 e 1968. Estrelada por Roy Thiennes como o arquiteto David Vincent, que casualmente descobre uma invasão alienígena em andamento e conseqüentemente tenta frustrar os planos dos alienígenas e alertar a Terra do perigo. Gradualmente ele convence um pequeno grupo de pessoas a ajudá-lo, entre eles o milionário Edgar Scoville (Kent Smith). Os invasores não têm nome, nem se sabe seu planeta. Nem sequer são mostrados em sua forma alienígena, sua aparência humana é um disfarce, mas se não consumirem grande quantidade de energia elétrica revertem automaticamente à misteriosa fisionomia alienígena.

JEANNIE é um GÊNIO 
(I Dream of Jeannie)

De 1965 a 1970, em 139 episódios de 25 minutos cada, criado e produzido por Sidney Sheldon. No elenco, Barbara Eden (“Jeannie”), Larry Hagman (“Major Nelson”) e Bill Daily (“Major Healey”). Um capitão da NASA testa um novo foguete, que apresenta problemas e cai numa ilha do Oceano Pacífico. Enquanto aguarda socorro, ele acha uma garrafa, libertando um gênio com dois mil anos de idade. O gênio se declara sua servidora e o chama de amo, indo para sua residência, em Cocoa Beach. Vários atores famosos passaram por esta comédia, entre eles, Sammy Davis Jr e Groucho Marx. 

MAGNUM
(idem)

Com o símbolo sexual Tom Selleck no papel-título, fez sucesso nos anos 1980, finalizando em 1988. Série de ação, bem-humorada, tem como cenário as praias do Havaí e exalta o hedonismo do protagonista, um apaixonado por belas mulheres, camisas floridas, cerveja e vôlei. Centra-se no personagem principal, um investigador, e nos seus três amigos, dois veteranos do Vietnã e um ex-oficial do Exército Britânico.

MISSÃO IMPOSSÍVEL 
(Mission Impossible)

Durante sete temporadas de 172 episódios, de 1966 a 1972, apresentou uma equipe de agentes secretos envolvida em missões que tem o planejamento descrito passo a passo até a execução do plano. A atração maior é o suspense dos planos mirabolantes. Como destaque, o tema de abertura de Lalo Schifrin. Com Steven Hill, Peter Graves, Barbara Bain, Martin Landau, Leonard Nimoy e Lesley Ann Warren.

Os MONSTROS
(The Munsters)



De 1964 a 1966, com Fred Gwynne (Frankenstein Herman”), Yvonne De Carlo (“Lily”, vampira dona-de-casa), Butch Patrick (lobisomem “Eddie”) e Al Lewis (vampiro “Vovô”), num total de 70 episódios de duração de 30 minutos cada. Uma família formada por criaturas horripilantes, mas de bom coração e muito engraçada. Humor-negro que não mete medo algum, apenas diverte. A família possui animais de estimação que esporadicamente aparecem: um gato (que ao invés de miar, ruge), um morcego e um outro animal que vive debaixo da escada, mas que nunca aparece, apenas é  ouvido - não se sabe qual sua espécie. Humor inteligente, satirizando o american way of life.

A NOVIÇA VOADORA 
(The Flying Nun)

Produzido de 1967 a 1970, em 82 episódios coloridos, centra-se nas aventuras de um grupo de freiras em Porto Rico. A parte cômica é provida pela inexplicável habilidade de uma noviça que voa, Irmã Bertrille, interpretada por  Sally Field. Seu talento voador causa problemas e soluções inesperadas. Madeleine Sherwood interpreta a Madre Superiora.

PERDIDOS no ESPAÇO
(Lost in Space)

De 1965 a 1968, em 83 episódios de 50 minutos. No elenco, Guy Williams, June Lockhart, Billy Mumy, Angela Cartwright, Jonathan Harris (como o inesquecível “Dr. Zachary Smith”) e Bob May (o “Robô B9”). Com problema de superpopulação, o governo norte-americano lança a poderosa nave Júpiter 2 com uma primeira família selecionada e treinada para iniciar colonização no espaço sideral. A nave sai de curso e se perde, com o grupo enfrentando histórias fantásticas e formas de vida extraterrestres inteligentes e bizarras, que são ameaças constantes. O sucesso do personagem de Jonathan Harris fez com que a trama fosse modificada a ponto do ator especialmente convidado para alguns episódios se transformasse no protagonista e permanecesse na série até o final. Com o passar dos episódios, o covarde e hipócrita Smith fica cada vez mais perturbado, fazendo inúmeras tentativas de voltar à Terra ou obter riquezas e poder por meio de ajuda alienígena. Termina vítima de sua ganância.

TERRA de GIGANTES
(Land of the Giants)

Produzida de 1968 a 1970, em 51 episódios, fala de uma nave espacial atingida por uma misteriosa névoa e envolvida em uma tempestade magnética que a joga em um planeta povoado por gigantes. Os tripulantes tentam sobreviver e encontrar uma maneira de voltarem à Terra. Com Gary Conway, Don Matheson e Kurt Kasznar.

TÚNEL do TEMPO
(The Time Tunnel)

Produzido por Irwin Allen, de 1966 a 1967, narra a trajetória de dois cientistas - Robert Colbert como Doug Phillips e James Darren como Tony Newman - monitorados por profissionais que os seguem em seus deslocamentos no tempo. A equipe tenta encontrar um meio de trazê-los de volta. Quando tudo falha, tira-os de uma época e os envia para outra data incerta do passado ou do futuro, dando início a um novo episódio. Devido ao elevado custo de produção, durou apenas uma temporada, com 30 episódios.

janeiro 24, 2016

***************** HOLLYWOOD SAI do ARMÁRIO

gilbert roland

 
Um dos posts mais populares deste blog, “The Hollywood Lesbians”, publicado em 22 de março de 2012, nunca saiu da lista dos dez mais acessados. Diversos leitores escreveram pedindo o equivalente masculino. Já foi escrito e publicado, também em 2012, e terminou se perdendo nos quase dois anos que o blog ficou fora do ar por problemas técnicos. Na época, gerou polêmica, alguns cinéfilos não suportam revelações da vida privada de seus astros mais queridos. Sem preconceito ou sensacionalismo, e respeitando a sexualidade de todos, acredito que a homossexualidade de famosos quando revelada ajuda – e muito – a jovens reprimidos ou acossados pela homofobia.

Há poucos atores bem-sucedidos abertamente gays. Lembro-me de Rupert Everett (garante que não consegue bons papéis por sua sexualidade), Derek Jacobi, Stephen Fry, Ian McKellen, Kevin Spacey, Luke McFarlane, Billy Zane, entre outros. No entanto, são minoria, muitos temem a rejeição do público. E é real. Astros românticos (ou de ação) como Matt Damon, Tom Cruise, John Travolta, George Clooney, Keanu Reeves, Leonardo DiCaprio, Hugh Jackman, James Franco, Ben Affleck ou Ewan McGregor, brigam com a imprensa, negando que são gays.

james dean e sal mineo
Antigamente era pior. Numa época em que os direitos dos homossexuais não eram sequer discutidos, alguns atores foram obrigados a casar, passando a imagem de pessoas “adequadas” a uma sociedade religiosa e heterossexual (pelo menos diante dos holofotes). Os homossexuais envolvidos com o cinema na época áurea dos grandes estúdios viviam em pânico. Aqueles que trabalhavam atrás das câmeras, dirigindo, cuidando dos figurinos ou da direção de arte, não eram perseguidos, mas os astros e estrelas eram vigiados pelos paparazzi. Revelar-se gay era fim de carreira na certa.

Hollywood sempre se orgulhou de ser livre de preconceitos. Mesmo quando alguma história de homossexualidade se tornava notória dentro da comunidade muito raramente chegava na imprensa sensacionalista. Os casamentos arranjados e as aparições públicas que sugeriam romances entre astros e estrelas eram parte do esforço publicitário para esconder a condição gay ou a bissexualidade de seus astros, como é o caso de Erroll Flynn (que não ocultava suas relações homossexuais, sendo uma delas com o produtor Ross Hunter), Gary Cooper (no início de carreira, ao dividir o teto e a cama com o ator Anderson Lawler, deixou seus agentes em desespero), Spencer Tracy, Michael Redgrave, Burt Lancaster, Marlon Brando (um sujeito confuso que gostava de tratar as mulheres como objeto, enquanto se apaixonava por homens mais velhos), Jack Palance, Mel Ferrer etc.

rock hudson e george nader
Dos roteiros, afastava-se qualquer referência explícita ao homossexualismo. Liberal nos círculos internos, nos filmes tratavam a homossexualidade como tabu. Mas o julgamento que se fazia não era moral. Na intimidade dos estúdios e das festas, Hollywood era avançada. Os negócios estavam à parte e, em se tratando de dinheiro, a indústria não brinca. Os correspondentes de Hollywood não eram cegos. Sabiam quem era gay e quem não era. Faziam o jogo da indústria cinematográfica. Esse jogo, do qual a imprensa é uma engrenagem, partia de uma regra: não era uma indústria normal, mas uma indústria baseada na ilusão, no sonho. Não cabiam homossexuais.

Desde sempre os estúdios, que detinham o passe dos astros e tinham um poder considerável sobre suas carreiras, exigiam que eles se mantivessem dentro de limites estreitos. Não se podia ir a eventos sociais sem um acompanhante do sexo oposto. Permanecer solteiro por muito tempo era imprudente. Um dos primeiros astros do cinema, Jack Kerrigan, infernizado por sua condição de solteirão, publicou um anúncio numa revista: “Até agora eu não encontrei nenhuma moça que quisesse se casar comigo. Mas vou arranjar uma, vocês vão ver só!”, prometeu o mocinho. Ninguém acreditou e sua carreira desandou pra sempre. A partir dos anos 1930, com a entrada em vigor do Código Hays, estabelecendo a censura prévia evitar atentados contra a suposta moral e os bons costumes, a homofobia tornou-se ainda mais cruel.

cary grant e randolph scott
Continua sendo um acontecimento quando um astro de Hollywood proclama sua homossexualidade. Mesmo que o assumido não seja da primeira grandeza de estrelas. Além disso, revistas, colunas de fofoca, jornais, livros e filmes decidiram tirar definitivamente do armário veteranos astros gays.  Muitos deles surpreendem.

ASTROS no ARMÁRIO

01
ALFRED LUNT
(1892 - 1977. Milwaukee, Eisconsin / EUA)

Atores lendários na Broadway, Lunt e Lynn Fontanne atuaram em alguns filmes e inventaram um casamento de fachada por mais de 50 anos. Ele era gay, ela lésbica.

02
ANTHONY PERKINS
(1932 - 1992. Nova Iorque / EUA) 

Em Hollywood nunca foi novidade que o astro do clássico “Psicose / Psycho” (1960) se relacionava com homens. Ainda bem jovem, foi fotografado passeando de mãos dadas com Tab Hunter numa praia da Califórnia. Os dois saíam no mesmo carro para jantar, cada qual com sua garota, e tão dispensavam as moças iam para casa juntos. Além de Tab, teve casos com uma longa lista de celebridades do sexo masculino: Rock Hudson, Troy Donahue, Rudolf Nureyev, Leonard Bernstein, James Dean e Stephen Sondheim. O único que durou, no entanto, foi com o dançarino e coreógrafo Grover Dale, com quem teve um relacionamento de seis anos. Ele sofria duramente com sua homossexualidade e tinha ataques de pânico ao contracenar com atrizes em cenas sensuais. Casou-se com a irmã de Marisa Berenson e teve dois filhos. Era conhecido por frequentar lojas de pornografia e cinemas gays. Morreu aos 60 anos, de complicações da AIDS.

03
BEN PIAZZA
(1933 - 1991. Little Rock, Arkansas / EUA) 

Comparado ao jovem Marlon Brando, esteve ao lado de Gary Cooper em “A Árvore dos Enforcados / The Hanging Tree” (1959), mas nunca alcançou o status de protagonista. Em vez disso, fez carreira na TV. Embora casado por um tempo com a atriz Dolores Dorn, viveu 18 anos com Wayne Tripp. Foi uma das vítimas da AIDS.

04
CESAR ROMERO
(1907 - 1994. Nova Iorque / EUA)

Alto, discreto e sofisticado, começou como “latin lover” de musicais e comédias românticas. Na década de 1960, brilhou na TV como o Coringa da série “Batman”. De carreira versátil, assumiu a homossexualidade no final da vida. Teve namoros duradouros com os atores Gene Raymond e Tyrone Power. Viciado em eventos sociais, seu guarda-roupa tinha 30 smokings, 200 casacos esportivos e 500 ternos. Vivia no Coconut Grove, casa noturna do Ambassador Hotel, em Los Angeles, dançando e flertando.

05
CARY GRANT
(1904 - 1986. Bristol / Reino Unido) 

Quando a Paramount descobriu que seu ator mais cobiçado estava disposto a assumir o relacionamento amoroso com o também ator Randolph Scott, providenciou uma esposa para ele. Obrigado a casar com a atriz Virginia Cherrill, Grant se desesperou e tentou o suicídio, ingerindo pílulas para dormir. Depois desse casamento improvisado, morou com Scott e casou outras três vezes. Antes de Hollywood, vivendo em Nova York ainda com seu nome real, Archie Leach, teve relacionamento com o figurinista Orry-Kelly.

06
CHARLES LAUGHTON
(1899 - 1962. Scarborough / Reino Unido)

Famoso no teatro e no cinema, Quasímodo de “O Corcunda de Notre Dame / The Hunchback of Notre Dame” (1939) é o seu papel mais conhecido. Atormentado, sentia-se envergonhado de seus desejos homossexuais. Para superar a solidão, procurava a companhia de belos jovens, muitos dos quais começaram como seu massagista ou assistente pessoal. Com alguns, desenvolveu relacionamentos românticos. Após a sua morte, sua esposa Elsa Lanchester escreveu livro falando da homossexualidade do marido e que eles nunca tiveram relações sexuais.

07
CLAUDE RAINS
(1889 - 1967. Londres / Reino Unido) 

Inglês cuja polidez foi muitas vezes utilizada para obter o máximo de ironia, estava na meia-idade quando sua carreira no cinema decolou. O rosto combinava com a voz cortês, tornando-se um dos mais requisitados coadjuvantes dos anos 1930-40.  

08
CLIFTON WEBB
(1889 - 1966. Indianápolis, Indiana / EUA)

O seu vilão no noir “Laura / Idem” (1944) foi um grande sucesso. Ótimo ator, a carreira no teatro - em operetas, musicais e comédias - fez sombra ao trabalho no cinema. Ainda assim concorreu três vezes ao Oscar. Quando perguntado pelo diretor Jean Negulesco se era gay, respondeu: “Devoto, meu rapaz, devoto. Teve um romance com James Dean e utilizava garotos de programa. Vivia com sua mãe dominadora, Mabelle, levando-a para todo lugar: estreias de filmes, jantares e férias. Eram inseparáveis. Quando ela morreu, em 1960, aos 91 anos, ele se isolou, lamentando a perda da mãe.

09
DANNY KAYE
(1913 - 1987. Nova Iorque / EUA)

Comediante astro da Broadway e do cinema. Seu romance com Sir Laurence Olivier, casado com Vivien Leigh, era conhecido. Viviam juntos viajando pelo mundo.

10
DICK SARGENT
(1930 - 1994. Califórnia / EUA) 

Conhecido por sua participação na série de TV “A Feiticeira”, de 1969 até a última temporada, só veio a se assumir nos anos 1990, em prol de uma campanha para evitar o suicídio entre jovens homossexuais. Teve um parceiro por mais de 20 anos. De 1989 até sua morte, viveu com o escritor negro Albert Williams.

11
DIRK BOGARDE
(1921 - 1999. Londres / Reino Unido)

Depois de se tornar popular na década de 1950, estrelando comédias românticas, deu um passo ousado em “Meu Passado me Condena / Victim” (1961) como um advogado chantageado por sua homossexualidade. Foi o primeiro filme em que a palavra homossexual foi falado na tela, e o primeiro exemplo de um homem dizendo “eu te amo” para outro homem. Em “O Criado / The Servant” (1963) retratou outro personagem ambíguo. Apesar de aceitar tais papéis, não falava sobre sua vida privada. Vivia com seu agente, o escritor Tony Forwood – que deixou aesposa, a atriz Glynis Johns, e o filho, para morar com Bogarde. Nos anos 1960, o ator teve um caso com o cineasta John Schlesinger. Mas se retratava publicamente como heterossexual.

12
FARLEY GRANGER
(1925 - 2011. Califórnia / EUA)

Astro de “Festim Diabólico / Rope” (1948) e “Pacto Sinistro / Strangers on a Train” (1951), ambos de Alfred Hitchcock e com subtexto gay, dividiu o mesmo teto com o namorado, o roteirista e dramaturgo Arthur Laurents. Quando saíam, levavam amigas atrizes: assim, para todos os efeitos, Laurents namorava Geraldine Brooks e Farley, Shelley Winters. Revelou sua homossexualidade numa autobiografia. Teve sua primeira relação homossexual com um oficial da Marinha, na II Guerra Mundial. Namorou os compositores Aaron Copland e Leonard Bernstein. Em 1963, conheceu o escritor Robert Calhoun e permaneceram juntos até a morte de Calhoun, em 2008.

13
FRANK LANGELLA
(1938. Nova Jersey / EUA)

Conhecido por suas interpretações em “Frost / Nixon / Idem” (2008) e “Drácula / Idem” (1979), de discreta vida privada, no seu livro de memórias surpreendeu ao escrever sobre suas relações homossexuais, entre elas com o ator porto-riquenho Raul Julia.

14
GENE RAYMOND
(1908 - 1998. Nova Iorque / EUA)

Ator de teatro, cinema e televisão. Aceitou um casamento arranjado com a atriz e cantora Jeanette MacDonald, mas continuou a ter casos com homens. De fato, em sua lua de mel levou o ator Buddy Rogers. Preso três vezes por ter relações sexuais homossexuais públicas, a última delas na Inglaterra, durante a Segunda Guerra Mundial. Teve casos com Rock Hudson, Cesar Romero e Robert Stack. Viveu com Jeanette até a morte dela. Aposentou-se da Força Aérea em 1968 como coronel.

15
GEORGE MAHARIS
(1928. Nova Iorque / EUA)

Preso em novembro de 1974 acusado de praticar ato sexual com um cabeleireiro em um posto de gasolina, em Los Angeles. Seis anos antes havia sido preso por conduta lasciva no banheiro de um restaurante. Conhecido pelo sucesso “Rota 66”, de 1960 a 1964, abandonou a série de TV pela dificuldade em manter sua atividade sexual longe da imprensa. Cantor, lançou discos e se apresentou em casas noturnas de Las Vegas.

16
GEORGE NADER
(1921 - 2002. Pasadena, Califórnia / EUA)

Para salvar o prestígio de Rock Hudson, sua estrela de maior bilheteira, de chantagem feita pela revista “Confidencial”, a Universal entrou com um acordo sórdido: um bom pagamento em dinheiro e a revelação da homossexualidade de outro contratado do estúdio, Nader. A carreira do ator afundou, mas ele continuou atuando em filmes B e escreveu um popular romance de ficção científica intitulada “Chrome” (1978), em que os personagens principais são gays. Ainda muito jovem namorou Mark Miller, vivendo com ele por 55 anos. Mas só saiu do armário em 1986.

17
GEORGE SANDERS
(1906 - 1972. São Petersburgo / Rússia)

Um dos mais sofisticados vilões do cinema, em “A Malvada / All About Eve” (1950) levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por seu papel de um crítico teatral. Casou-se quatro vezes, mas terminou se suicidando em um quarto de hotel em Barcelona.

18
GILBERT ROLAND
(1905 - 1994. Ciudad Juarez / México)

Um dos atores mais bonitos do cinema mudo cuja carreira continuou no cinema falado. Não só isso, ele foi capaz de manter sua aparência jovem e um bom físico na velhice. Em 1925, em busca do estrelato, mudou de nome e escondeu sua homossexualidade, namorando as estrelas Clara Bow e Norma Talmadge. Nos anos 1940, casou-se com Constance Bennett (irmã de Joan). Trabalhou na televisão e manteve sua carreira no cinema até 1982, sempre casado com mulher e com discreta vida gay.

19
GUY MADISON
(1922 - 1996. Califórnia / EUA)

Um dos garotos do agente gay Henry Wilsson, começou no cinema em “Desde que Partiste / Since You Went Away” (1944). O papel do xerife Wild Bill Hickok na série do mesmo nome, exibida entre 1951 e 1958 na tevê, foi um retumbante sucesso e o levou ao estrelato. Trabalhou no cinema geralmente em faroestes de baixo orçamento. Casou-se duas vezes, mas esses casamentos terminaram em divórcio.

20
HURD HATFIELD
(1918 - 1998. Nova Iorque / EUA)

Fez diversos personagens no cinema, televisão e teatro, mas foi sempre associado ao filme “O Retrato de Dorian Gray / The Picture of Dorian Gray” (1945). Atuando no teatro, teve um caso com um colega depois famoso Yul Brynner. Além do andrógino Dorian Gray, fez mais dois papéis ambíguos: o perseguidor de Billy the Kid no filme de Arthur Penn, “Um de Nós Morrerá / The Left Handed Gun” (1958), e um antiquário homossexual em “O Homem que Odiava as Mulheres / The Boston Strangler” (1968).

21
IVOR NOVELLO
(1893 - 1951. Cardiff / Reino Unido)

Um dos artistas mais populares do início do século XX. Notável compositor, cantor, dramaturgo e ator. Sua boa aparência, talento e estilo suave facilitou o sucesso no teatro e no cinema. Primeira grande estrela do cinema britânico, durante 35 anos teve como parceiro o ator Robert (Bobby) Andrews. Morreu repentinamente de trombose coronária, com a idade de 58 anos, em Londres, ao lado do companheiro.

22
JAMES DEAN
(1931 - 1955. Marion, Indiana / EUA)

Eternizado como um símbolo de rebeldia, sabe-se que se iniciou sexualmente com um religioso mais velho e teve casos com Marlon Brando, Montgomery Clift, Clifton Webb, Bill Bast e Jack Simmons. Conhecido por uma agitada vida social, ele não se preocupava em ser discreto, frequentando boates gays sem qualquer receio. Quando morava em Nova York, estudando no Actors Studio, tornou-se amante de Rogers Brackett, um diretor de rádio. Seu caso sexual intenso com Brando durou todo o inverno de 1951. Completamente encantado, Dean o seguia e copiava seu estilo. 

23
KERWIN MATHEWS
(1926 - 2007. Seattle, Washington / EUA)

Após servir no corpo aéreo do Exército durante a Segunda Guerra Mundial, fez cinema e televisão, destacando-se em filmes de ação, aventura e fantasia no final dos anos 1950 e início dos anos 1960. Em 1961, ele conheceu Tom Nicoll, um gerente de uma cadeia de lojas de luxo, e tornaram-se parceiros por 46 anos. Quando aposentou-se, o casal montou uma loja de antiguidades em San Francisco.

24
LAURENCE HARVEY
(1928 - 1973. Joniskis / Lituânia)

Casado três vezes com mulheres, foi amante do produtor de cinema James Wolfe. Fez muitos filmes, mas nunca foi uma estrela. Não era querido nem pelo público nem pelos críticos. Nos bastidores, colecionou antipatias e era considerado pouco profissional. Em sua autobiografia, “Cavaleiro Errante”, Robert Stephens descreveu Harvey como “um homem terrível e, ainda mais imperdoável, um ator terrível.” Outro ator, John Fraser, chamou-o de “uma prostituta” em livro de memórias. Alcoólatra, morreu de câncer no estômago com a idade de quarenta e cinco anos.

25
MAURICE EVANS
(1901 - 1989. Dorchester / Reino Unido)

Reconhecido ator shakespeariano, brilhou nos palcos. Fez também TV e cinema, sendo lembrado pelo Dr. Zaius em “O Planeta dos Macacos / Planet of the Apes” (1968) e “O Bebê de Rosemary / Rosemary's Baby” (1968). Tinha predileção sexual por adolescentes e David “Taffy” Barlow foi seu amante mais duradouro.

26
MONTGOMERY CLIFT
(1920 - 1966. Omaha, Nebraska / EUA)

Esnobe, enrustido, sensível, introspectivo e frágil, vivia em crise existencial, lutando contra sua sexualidade. Disse certa vez: Amo os homens na cama, mas no dia a dia realmente prefiro as mulheres”. Teve casos com o coreógrafo Jerome Robbins e o ator Roddy McDowall, que tentou o suicídio após o rompimento com Monty. Em seus últimos anos, mergulhou profundamente nas drogas, no abuso de álcool e no comportamento sexual selvagem. Seu companheiro Lorenzo James encontrou-o morto de um ataque cardíaco em sua casa, em 1966. Tinha apenas 45 anos.

27
MONTY WOOLLEY
(1888 - 1963. Nova Iorque / EUA)

A barba branca e distinta era sua marca. Fez cinema, teatro, rádio e tevê. Concorreu duas vezes ao Oscar. O compositor Cole Porter era o seu parceiro de aventuras eróticas. Woolley tinha uma atração irresistível por negros.

28
PETER FINCH
(1916 - 1977. Londres / Reino Unido)

Descoberto por Laurence Olivier, que o convenceu a contracenar com ele em clássicos do teatro britânico, morria de medo do palco e logo se transferiu para o cinema. Fez personagens gays em “Os Crimes de Oscar Wilde / The Trials of Oscar Wilde” (1960) e “Domingo Maldito / Sunday Bloody Sunday” (1971). Seu último longa-metragem foi também o mais memorável, interpretando o repórter enlouquecido em “Rede de Intrigas / Network” (1976), recebendo um Oscar póstumo.

29
RAMON NOVARRO
(1899 - 1968. Victoria de Durango / México)

Mexicano atlético e bonito, trabalhou durante cinco anos em Hollywood como garçom e figurante de filmes, até que encontrou a pessoa certa, o diretor irlandês Rex Ingran, que era homossexual assumido e se apaixonou por ele. Em 1925, o ator protagonizou o clássico “Ben-Hur”, tornando-se o ídolo das mulheres do mundo inteiro, que jamais suspeitaram de sua homossexualidade. Ganhava US $ 100.000 por filme, uma fortuna na época. Católico devoto, teve dificuldades em conciliar sua sexualidade com suas profundas convicções religiosas. Ainda assim compartilhava casa e leito com o empresário Herbert Howe. No final de 1968, na sua confortável residência, foi brutalmente torturado e assassinado a facadas pelos irmãos prostitutos Paul e Tom Ferguson, que acreditavam que o ator tinha uma grande soma de dinheiro.

30
RANDOLPH SCOTT
(1898 - 1987. Condado de Orange, Virginia / EUA)
cary grant e randolph scott
Conhecido pelos filmes do velho oeste, relacionou-se durante anos com Cary Grant, mesmo depois que este se casou. Tratados pela imprensa da época como “o casal feliz”, imagens os mostram na piscina, levantando pesos, fazendo cooper, jogando dama ou jantando à luz de velas. Num flagrante bem íntimo, Scott sentado à mesa olha um documento, como se estivesse fazendo contas, enquanto Grant o observa de pé, a mão apoiada no ombro do amigo. Eles nunca assumiram publicamente nem mesmo uma suposta bissexualidade. Em 1980, aos 76 anos, Grant processou o comediante Chevy Chase, que teria se referido a ele na tevê como “What a gal!” (“Que garota!”). Na velhice, eles eram frequentemente vistos em restaurantes, de mãos dadas. Quando Grant morreu em 1986, Scott foi ao velório, deitou-se sobre o cadáver, beijou-o e chorou por vários minutos, saindo em silêncio sem falar com a imprensa.

31
RAYMOND BURR
(1917 - 1993. New Westminster / Canadá)

Ganhou fama, fortuna e inúmeros prêmios retratando “Perry Mason” por nove anos na TV, mas acreditou que poderia esconder sua homossexualidade inventando casamentos imaginários e a paternidade de um filho que morreu de leucemia aos dez anos de idade. Na verdade, viveu 35 anos com Robert Benevides. Juntos, trabalharam na hibridação de orquídeas e abriram uma bem-sucedida galeria de arte.

32
RICHARD CHAMBERLAIN
(1934. Califórnia / EUA)

Tornou-se um ídolo com o seriado “Dr. Kildare”, nos anos 1960. A minissérie “Os Pássaros Feridos / The Thorn Birds” também foi sucesso. Estrela de televisão, filmes e teatro, saiu do armário em um livro de memórias de 2003, aos 69 anos, assumindo um romance por quase 40 anos com o agente e produtor Martin Rabett.

33
ROBERT PRESTON
(1918 - 1987. Massachusetts / EUA)

Durante quase toda a carreira, foi coadjuvante ou fez papéis principais em filmes B. Depois do sucesso na Broadway, passou a ser respeitado, levando uma indicação ao Oscar por seu personagem gay em Vítor ou Vitória / Victor Victoria” (1982).

34
ROCK HUDSON
(1925 - 1985. Illinois / EUA)

Um dos grandes ícones do cinema, símbolo de masculinidade, vivia uma triste realidade: foi obrigado a se casar com sua secretária para não ter a carreira destruída. Protagonista de clássicos como Assim Caminha a Humanidade / Giant” (1956), era homossexual e teve que esconder isso a vida toda. Alto, viril, belo e corpo musculoso, nem de longe passava pela cabeça do público sua homossexualidade. Quando esteve no Rio de Janeiro, Assis Chateaubriand, persuadido pela Universal, montou uma farsa com o ator flagrado numa praia deserta com uma brasileira. 

Após sua morte, amantes e histórias de suas relações sexuais tomaram conta dos jornais. Tinha feroz apetite sexual, fazendo sexo com amantes encontrados nas ruas. Geralmente dava festas só para rapazes em sua mansão nas colinas de Hollywood. Enchia a piscina de aspirantes dispostos a tudo para ganhar um papel em algum de seus filmes. Seu fraco era por jovens loiros e altos, de preferência bronzeados de praia. Gostava de brincar dizendo que nem sabia o nome deles, geralmente chamando os loiros de “Bruce” e os morenos de “Carl”. No fim da tarde todos iam para sua sauna particular onde aconteciam orgias. Sua fama de o “homem preferido da América” valia milhões de dólares. Em sigilo, uma rotina de devassidão sexual.

35
RUDOLPH VALENTINO
(1895 - 1926. Castellaneta / Itália)

Primeiro grande galã do cinema, ao morrer mais de cem mil mulheres invadiram o velório, desesperadas. Um mês antes, no entanto, “The Chicago Tribune” o havia chamado de efeminado. Casado com uma lésbica, relacionou-se com muitos homens, entre eles os atores Paul Ivano, Douglas Gerrad e Norman Kerry. Astro de “Dama das Camélias / Camille” (1921) e “Sangue e Areia / Blood and Sand (1922), tinha olhar sedutor, era bem educado e se vestia com ternos impecáveis.

36
SAL MINEO
(1939 - 1976. Nova Iorque / EUA)

Primeiro ator a assumir sua homossexualidade, fez sucesso como o Platão de “Juventude Transviada / Rebel Without a Cause” (1955), um drama sobre a alienação e angústia adolescente, onde aparece um subtexto gay na relação entre os personagens retratados por James Dean e Mineo. A dupla sensibilizou gerações de jovens gays. Foi assassinado a facadas num beco por um garoto de programa.

37
STEPHEN BOYD
(1931 - 1977. Glemgormley / Reino Unido)

Britânico, apareceu em cerca de 60 filmes, destacando-se como o Messala de “Ben-Hur / Idem” (1959). Casou-se duas vezes, mas nenhum de seus casamentos durou mais de alguns meses. O escritor Gore Vidal, seu amigo, disse que na intimidade o ator não tinha problemas com sua homossexualidade.

38
TAB HUNTER
(1931 - 2018. Nova Iorque / EUA)

Cantor e ídolo teen, atuou em mais de 40 filmes. Em 2006, numa autobiografia, reconheceu sua homossexualidade, confirmando falatórios que circulavam desde o auge de sua carreira. Romances com Debbie Reynolds e Natalie Wood não passaram de invenção do estúdio. “Foi difícil para mim, porque eu vivia duas vidas. Nunca falava a verdade para ninguém”, escreveu. Teve um relacionamento com Anthony Perkins, antes do seu parceiro de 30 anos, Allan Glaser.

39
TOM TRYON
(1926 - 1991. Connecticut / EUA)

Fez cinema, teatro e televisão, sendo seu maior momento o filme “O Cardeal / The Cardinal” (1963), de Otto Preminger, onde retrata um padre ambicioso. Apesar de ter sido casado por três anos na década de 1950, relacionou-se com o ator da Broadway, Clive Clerk, e a estrela pornô gay Casey Donovan. Desiludido com Hollywood, deixou de atuar em 1969 e começou uma segunda carreira de sucesso como escritor, escrevendo romances inspirados em lendas de Hollywood.

40
TYRONE POWER
(1914 - 1958. Cincinnati, Ohio / EUA)

Um dos mais belos atores do cinema, destacou-se como ídolo romântico ou herói de fitas de aventuras. Casou-se, mas nunca conseguiu ocultar sua homossexualidade. O ator Cesar Romero, também gay, foi seu amante e o melhor amigo de toda a vida, e juntos seduziam garotões. Inclusive no Brasil, onde passaram um carnaval no Rio de Janeiro. Tinha uma queda por jovens latinos. Esteve envolvido com vários homens durante sua carreira, entre eles o compositor Lorenz Hart e o ator Errol Flynn.

Livros e artigos relatam que o grande amor da sua vida foi o set designer Jacques Mapes, da 20th Century Fox, com quem manteve um relacionamento sexual e romântico durante décadas. Ele foi muitas vezes visto em público com homossexuais bem conhecidos. Seu grupo de amigos gays incluíam o diretor George Cukor e os atores Clifton Webb, Lon McCallister (e seu amante William Eythe), Cary Grant, Reginald Gardiner, Van Johnson e o bilionário bissexual Howard Hughes.

enas conversava à respeito com ou trata um padre ambicioso. s Wolfe. 41
VAN JOHNSON
(1916 - 2008. Rhode Island / EUA)

Estrela da Metro-Goldwyn-Mayer nos anos 1940-50, o carismático ruivo era craque como galã romântico. Fora das telas, rabugento e mal-humorado. Flagrado praticando ato homossexual em um banheiro público, viu-se obrigado a casar com a atriz Eva Abbott. Anos depois ela confirmaria que o casamento foi uma farsa criada pela M-G-M “para acabar com os comentários sobre a real preferência sexual de Van”. O divórcio aconteceu 13 anos depois, citando crueldade e sofrimento mental. Aos 69 anos, na Broadway, brilhou no musical gay “Gaiola das Loucas”.

42
VINCENT PRICE
(1911 - 1993. San Luis, Missouri / EUA)

O rei do terror nunca escondeu ser homossexual. Apesar de ter se casado três vezes, o último com a atriz lésbica Coral Browne. Fez nome como protagonista romântico em peças na Broadway. No cinema, o arquétipo do vilão. Culto, sofisticado e colecionador obras de artes, procurava encontros homossexuais furtivos com garotos de programa.

43
WILLIAM “BILLY” HAINES
(1900 - 1973. Staunton, Virginia / EUA)

Uma das principais estrelas do cinema mudo. Apareceu em mais de cinquenta filmes. No entanto, fofocas sobre sua vida abertamente gay ameaçavam sua imagem, e o chefe da M-G-M, Louis B. Mayer, deu ao ator um ultimato: um falso casamento ou a porta da rua. Recusando-se a mentir, seu contrato não foi renovado. Nunca mais atuou, mas seguiu uma carreira de sucesso como decorador de interiores. Desde os 1920, por quase 50 anos, viveu com Jimmy Shields. Joan Crawford descreveu como o mais feliz casal em Hollywood”. Ao morrer de câncer de pulmão aos 73 anos, seu companheiro se suicidou.

FONTES
“Os Boêmios de Hollywood - Sexualidade Transgressiva 
e a Venda do Sonho da Terra do Cinema” (2008)
de Brett Abrams

“No Sound, No Tell. Gay Cinema in the Silent Era” (2009)
de Eric Brightwell

“Por trás da Tela:  Gays e Lésbicas 
em Hollywood, 1910-1969” (2001)
de William J. Mann

“Serviço Completo: Minhas Aventuras em Hollywood
e o Segredo das Vidas Sexuais das Estrelas” (2012)
de Scotty Bowers e Lionel Friedberg

“The Gossip Columnist” (2010)
de Bill Dakota

“A Vida Sexual dos Ídolos de Hollywood” (2004)
de Nigel Cawthorne

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