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abril 25, 2015

******** CARMEN MIRANDA: VIVENDO de ALEGRIA




 
Quando CARMEN MIRANDA (1909 - 1955. Marco de Canaveses / Portugal) embarcou no Rio de Janeiro e chegou a Nova Iorque, era uma ilustre desconhecida do público norte-americano, nem falava inglês. Bastou-lhe, porém, pouco tempo para conquistar a Broadway e uma extraordinária popularidade. Logo veio o convite de Hollywood. Era o seu triunfo na América do Norte e em todo o mundo, que permanece até hoje, pois seus trajes, graça, personalidade e voz são marcas registradas. Dona de estilo singular no canto e na performance, teve uma vida de mito, cheia de glórias e dramas. Nascida em Portugal, veio para o Brasil ainda bebê, fixando-se com a família no Rio de Janeiro.  
 
Aos 20 anos, depois de apresentar-se em bares cariocas interpretando tangos de Carlos Gardel, foi levada pelo violonista e compositor baiano Josué de Barros, seu descobridor e protetor, para gravar o disco de estreia, com músicas como “Não vá Sim'bora” e “Se o Samba é Moda”, apresentado-se também no rádio. Gravou alguns outros discos antes de estourar com seu primeiro grande sucesso, a marchinha “Pra você Gostar de mim (Taí)”, que bateu recordes de venda, cerca de 36 mil cópias. Daí em diante, seus êxitos nunca cessaram. Ela lançou muitos compositores, sempre acompanhada pelos maiores músicos brasileiros - como Pixinguinha, Canhoto, Luiz Americano, etc. Gravou na R.C.A. Victor, entre 1929 e 1935, 77 discos com 150 músicas. Em 1935, atraída por um vantajoso contrato na Odeon, gravou 281 músicas.
 
Os sete filmes estrelados no Brasil por CARMEN MIRANDA são uma marca na sua carreira, embora a maioria tenha se perdido. O primeiro, “O Carnaval Cantado”, de 1932, dirigido por Adhemar Gonzaga, que também dirigiu “A Voz do Carnaval”, no ano seguinte, onde canta as marchas “Good-Bye Boy” e “Moleque Indigesto”. Em 1934, canta em “Alô, Alô, Brasil”. Com o sucesso, é convidada em 1935 para “Estudantes”, como protagonista. Em 1936, fez “Alô, Alô Carnaval” com a famosa cena em que ela e Aurora Miranda cantam “Cantoras do Rádio”

Quase todos os musicais tiveram como tema o Brasil e o carnaval, mas foi “Banana da Terra”, de 1939, que revelou o estilo que a consagrou. Ela aparece interpretando “O que é que a Baiana Tem?, de Dorival Caymmi, usando as famosas roupas de baiana estilizada, turbantes, altíssimas sandálias de plataforma e inúmeros colares e pulseiras. Ao todo ela fez sete filmes no Brasil, . A partir de 1935, seu slogan definitivo era “A Pequena Notável”. Em 1936, em dupla com a irmã Aurora, passou a integrar o elenco do lendário Cassino da Urca. Na época, era a artista mais famosa e amada do Brasil, recordista absoluta de vendagem de discos e também a “Embaixatriz do Samba”, já que fez oito excursões à Argentina para cantar em Buenos Aires e, de passagem, em Montevidéu. Um verdadeiro símbolo da alma brasileira. Sua capacidade de expressão fazia os ouvintes sentirem sua presença ao vivo. No palco, a mulher de pouca estatura e delicada de corpo eletrizava com voz, gestos sugestivos, ingénua malícia e olhos verdes que chispavam.
 
carmen e o bando da lua
Depois de uma apresentação especial para o astro Tyrone Power, em 1938, surgiu a possibilidade de uma carreira nos Estados Unidos, mas ela recebia um fabuloso salário no Cassino da Urca e não se interessou pela ideia. No ano seguinte, aceitou o contrato de um magnata do show business, Lee Shubert, para “The Streets of Paris”, com os comediantes Abbott & Costello. Este episódio transformou sua vida. A maior estrela do Brasil deixou uma legião de fãs chorando na sua despedida. Na Broadway, cativou de imediato crítica e público. 

Em 1940, estreou no cinema hollywoodiano na comédia musical “Serenata Tropical”, com Don Ameche e Betty Grable, da 20th Century-Fox, em que apenas canta. O filme bateu recordes de bilheteria. No mesmo ano, eleita a terceira personalidade mais popular nos Estados Unidos, CARMEN MIRANDA foi convidada para se apresentar junto com seu grupo, o Bando da Lua, para o presidente Franklin Roosevelt, na Casa Branca. Tornou-se um fenômeno, chegando a ser a estrela mais bem paga de Hollywood. Representou vivamente a terra desconhecida e exótica, cheia de coqueiros, bananas e abacaxis, atendendo às necessidades fantasiosas do público norte-americano e alcançando a glória e a fortuna. De 1940 a 1953, participou de quatorze filmes na meca do cinema, além de apresentar-se em programas de rádio, televisão, casas noturnas, cassinos e teatros, ficando conhecida como a “Brazilian Bombshell” (Explosão Brasileira).
 
david sebastian e carmen
De volta ao Brasil, depois de um ano ausente, foi recebida sob vaias em um show no Cassino da Urca, que abriu cantando “South American Way”. Em resposta bem-humorada ao público, lançou logo em seguida novo show, “Disseram que Voltei Americanizada”. Nos EUA, radicou-se em Beverly Hills, continuando sua carreira de cantora e atriz de cinema. Fabricada pelos filmes leves e coloridos da 20th Century Fox, sua imagem acabou criando um inconveniente: ela percebeu que estava aprisionada ao caricato para sempre. 

O talento como cantora se ofuscava no caráter carnavalesco de suas apresentações. Como contratada de um poderoso estúdio, ela era obrigada a forçar um sotaque latino burlesco, mesmo falando inglês perfeitamente. Destemida, CARMEN MIRANDA comprou seu contrato com a Fox por 75 mil dólares, em 1946. Estava disposta a romper com o estereótipo e assumir papéis diferentes no cinema. Mas não deu certo. Entre os atores com quem contracenou, estão Wallace Beery, Alice Faye, Betty Grable, Jane Powell, Elizabeth Taylor, Don Ameche, Maria Montez, Dean Martin, John Payne, Kay Francis, Groucho Marx, Lizabeth Scott e Cesar Romero.

Casou-se com David Sebastian em 1947. O casamento é apontado por todos os biógrafos e estudiosos como o começo da decadência. Seu marido, antes um simples empregado de produtora de cinema, tornou-se seu empresário, conduzindo mal seus negócios e contratos. Alcoólatra, estimulou a esposa a consumir bebidas alcoólicas, das quais ela logo se tornaria dependente. O casamento entrou em crise nos primeiros meses, por conta de ciúmes excessivos, brigas violentas e traições de Sebastian, mas a estrela não aceitava a separação pois era católica convicta. Engravidou em 1948, mas sofreu um aborto espontâneo depois de uma apresentação e não conseguiu mais engravidar, o que agravou as crises depressivas e o abuso com bebidas e drogas. Antes de partir para os Estados Unidos, namorou o músico Aloysio de Oliveira, do Bando da Lua. Nos EUA, teve caso com Arturo de Córdova, Dana Andrews e John Wayne.


No fim dos anos 1940, excursionou pela Europa, fazendo longa temporada no teatro London Palladium, em Londres, batendo recordes de público, e recebeu as chaves da cidade de Estocolmo, na Suécia. Na época, o alcoolismo começou a representar um grave problema, além da dependência de estimulantes e calmantes. Alguns biógrafos garantem que usava cocaína. Por conta do uso cada vez mais frequente de drogas, ela desenvolveu uma série de sintomas característicos de usuários, mas não percebia os efeitos devastadores, que foram erroneamente diagnosticados como estafa. Em 1954, as pressões da indústria do entretenimento lhe causaram uma crise de nervos, e ela retornou ao Brasil, após uma ausência de 14 anos, para se tratar e descansar. Seu médico constatou a dependência química e tentou desintoxicá-la. Ficou quatro meses numa suíte do Copacabana Palace. Melhorou, embora não tenha se livrado das drogas. Imediatamente começou com as apresentações. Fez turnê por Cuba e Las Vegas, voltando aos barbitúricos, além de fumar e beber mais do que antes.

ÚLTIMA PERFORMANCE
No início de agosto de 1955, CARMEN MIRANDA gravou uma participação especial no famoso programa televisivo do comediante Jimmy Durante. Durante um número de dança, sofreu um ligeiro desmaio, desequilibrou-se e caiu. Recuperou-se e terminou o número. Na mesma noite, recebeu amigos em sua residência em Beverly Hills, na Bedford Drive, 616. Por volta das duas da manhã, após beber e cantar algumas canções, subiu para seu quarto para dormir. Acendeu um cigarro, vestiu um robe, retirou a maquiagem e caminhou em direção à cama com um pequeno espelho à mão. Um colapso cardíaco fulminante a derrubou morta sobre o chão, sendo encontrado pela mãe no dia seguinte. Tinha 46 anos. Seu corpo foi embalsamado e veio de avião para o Brasil, onde uma multidão de meio milhão de pessoas seguiu o cortejo do enterro, chorando e cantando esporadicamente, em surdina, “Taí”, um de seus maiores sucessos. Foi uma das maiores manifestações populares feitas no Rio de Janeiro.
 
CARMEN MIRANDA é um hit nos EUA. Ela apareceu em desenhos animados de Tom & Jerry e Popeye, entre outros. Foi imitada por Lucille Ball, Bob Hope, Jerry Lewis, Mickey Rooney e Dean Martin. A sua imagem é muito forte, cômica, luminosa. Ela foi sem dúvida a artista latina mais bem sucedida em Hollywood. Lembrada em livros, jornais, shows, discos e documentários (como o aclamado “Carmen Miranda: Banana is My Business”, 1995, de Helena Solberg). Marcou com seu jeito de cantar, revirando os olhos e mexendo as mãos, com seu sorriso contagiante e a exuberância de trajes cheios de balangandãs. Até hoje é o símbolo brasileiro mais conhecido no mundo. 

Mais do que uma voz ou uma atriz, um fenômeno do show business. Foi a primeira estrela latino-americana a imprimir suas mãos e pés no pátio do Chinese Theatre, em 1941. Também se tornou a primeira sul-americana a ser homenageada com uma estrela na Calçada da Fama. Uma praça no cruzamento da Hollywood Boulevard e Orange Drive, em frente ao Teatro Chinês, em Hollywood, foi oficialmente nomeada Carmen Miranda Square, em 1998. Seu acervo está preservado no Museu Carmen Miranda, no Rio de Janeiro. Em 2005, Ruy Castro lançou pela Companhia das Letras uma biografia de 600 páginas sobre a cantora, considerada a mais completa obra sobre sua vida. Até hoje, nenhum artista brasileiro teve tanta projeção internacional como ela.

FILMOGRAFIA

O CARNAVAL CANTADO
(1932)
direção de Adhemar Gonzaga

A VOZ do CARNAVAL
(1933)
direção de Adhemar Gonzaga

ALÔ, ALÔ, BRASIL
(1935)
direção de João de Barro, Wallace Downey e Alberto Ribeiro

ESTUDANTES
(1935)
direção de Wallace Downey

ALÔ, ALÔ, CARNAVAL
(1936)
direção de Adhemar Gonzaga

BANANA-da-TERRA
(1939)
direção de Ruy Costa

LARANJA da CHINA
(1940)
direção de Ruy Costa

SERENATA TROPICAL
(Down Argentine Way, 1940)
direção de Irving Cummings

UMA NOITE no RIO
(That Night in Rio, 1941)
direção de Irving Cummings

ACONTECEU em HAVANA
(Week-End in Havana, 1941)
direção de Walter Lang


MINHA SECRETÁRIA BRASILEIRA
(Springtime in the Rockies, 1942)
direção de Irving Cummings

ENTRE a LOURA e a MORENA
(The Gang's All Here, 1943)
direção de Busby Berkeley

QUATRO MOÇAS NUM JIPE
(Four Jills in a Jeep, 1944)
direção de William A. Seiter

SERENATA BOÊMIA
(Greenwich Village, 1944)
direção de Walter Lang

ALEGRIA, RAPAZES
(Something for the Boys, 1944)
direção de Lewis Seiler

SONHOS de ESTRELA
(Doll Face, 1945)
direção de Lewis Seiler

SE EU FOSSE FELIZ
(If I'm Lucky, 1946)
direção de Lewis Seiler

COPACABANA
(Idem, 1947)
direção de Alfred E. Green

O PRÍNCIPE ENCANTADO
(A Date with Judy, 1948)
direção de Richard Thorpe

ROMANCE CARIOCA
(Nancy Goes to Rio, 1950)
direção de Robert Z. Leonard

MORRENDO de MEDO
(Scared Stiff, 1953)
direção de George Marshall


FRASES de CARMEN

ALEGRIA

“Gosto muito dos aplausos de uma plateia, seja esta qual for. Gosto de toda a gente e adoro as reuniões festivas. Vivo de alegria”

AMOR

“Ser humano é amar. Qualquer tipo de amor”

BOSSA

“Uma palavra que diz tudo. Eu sei que não tenho grande voz, que não sou afinada como a Judy Garland, mas tenho bossa, tenho ritmo - uma coisa inexplicável”

BUNDA

“Uma bunda pode ser atraente, tanto no homem, quanto na mulher. É linda, como um rosto de criança. Detesto homens sem bunda, desses com a calça solta no corpo”

CONSAGRAÇÃO

“Vou empregar todos os meus esforços para que a música popular do Brasil conquiste a América do Norte, o que seria um caminho para a sua consagração em todo o mundo”

ESCOLA DE SAMBA

“Não existe som mais espetacular do que o de uma bateria de escola de samba na época do carnaval. Sempre mexeu comigo e faz o sangue correr mais rápido e mais quente nas minhas veias. A bateria de grupos de jazz não me toca a mínima”

ESTILO

“Nunca segui o que dizem que está na moda. Acho que a mulher deve usar o que lhe cai bem. Por isso criei um estilo apropriado ao meu tipo e ao meu gênero artístico”

FALANDO DEMAIS

“Falo demais. Mas procuro não dizer bobagens de que possa me arrepender amanhã”

PARAÍSO

“Toda vez que me apaixono, acho que o paraíso é estar ao lado do homem amado. Depois que passa, acho que foi um inferno”

PREDESTINADA

“Acho que nascemos com uma alma predestinada a ajudar o nosso corpo na luta pela vida. Sinto isso com relação à minha carreira”

PREVISÕES

“Sou vidrada em horóscopos, cartomantes e tudo que possa prever o futuro”

RIR

“Saber rir é uma arte e uma delícia. Faz bem à alma e ao corpo”

SENSO DE HUMOR

“Uma coisa importantíssima na vida é o senso de humor”

SILÊNCIO

“Eu nunca soube manter silêncio, a não ser nos momentos tristes. Estou sempre falando”

SOM DIVINO

“Momento de felicidade é quando entro num palco e sou aplaudida de pé por pessoas que nem conheço... O som divino das palmas”

VAIDOSA

“Já nasci vaidosa. Do que muito me orgulho”

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fevereiro 15, 2012

***************************** REIS do RISO

max linder

 
 
MAX LINDER
(1883 - 1925. Cavernes, SDaint-Loubès / França)

O comediante que mais influenciou Chaplin era francês e teve fim trágico: ele e a mulher foram encontrados mortos num hotel de Paris, em 1925. Ele começou aos 17 anos, trocando a escola pelos palcos de Bordeaux. Quatro anos depois, mudou-se para Paris, onde ganhou pequenos papéis em peças melodramáticas. Em 1905, iniciou carreira na Pathé Filmes. Nos três anos seguintes, dividiu-se entre teatro e cinema, decolando para a fama. A ponto de, em 1910, já ser considerado o comediante mais conhecido das telas em todo o mundo. Passou, além de atuar e escrever, a dirigir filmes. Sua popularidade chega ao auge em 1914, mas, convocado para lutar na Primeira Guerra Mundial, foi atingindo por gases venenosos e teve seu primeiro colapso nervoso, que lhe deixou seqüelas pelo resto da vida. Voltou a atuar no cinema francês, mas logo aceitou proposta de um estúdio norte-americano e se mudou para Hollywood, onde seus problemas de saúde reapareceram. Morando novamente em Paris, casou-se em 1923. Mas não encontrou paz, mergulhando numa crise profunda. A última de sua vida.

MACK SENNETT
(1880 - 1960. Danville / Canadá)

O primeiro rei da comédia no cinema. Tudo começou quando, aos 17 anos, se mudou do Canadá para os Estados Unidos. Artista de vaudeville, nas muitas viagens que fazia, conheceu o homem que iria dar o primeiro impulso na sua carreira: D. W. Griffith. Sob a direção do mestre, atuou em pequenos papéis. Quando um diretor de comédias adoeceu pouco antes do início de uma filmagem, ele foi chamado às pressas para substituí-lo. Era 1912 e Sennett começou a despontar para a glória – criando logo depois seu próprio estúdio, o Sennett’s Keystone, que se transformou na maior fábrica de gargalhadas de Hollywood. De humor fácil, de grande apelo popular, cheia de gags irresistíveis, o comediante trilhou uma trajetória ascendente. Alguns nomes que seriam, algum tempo depois, monstros sagrados da tela, começaram com ele: Chaplin, Gloria Swanson, Fatty Arbuckle, Mabel Normand, Harold Lloyd, Frank Capra etc.

HAROLD LLOYD
(1893 - 1971. Burchard, Nebraska / EUA)

Começou numa companhia de teatro mambembe, parando com ela em Los Angeles. Com o fim da excursão, encontrou Hal Roach, que também sonhava com a fama – e ficaram amigos. O amigo recebeu uma herança familiar de 3.000 dólares e decidiu produzir filmes. Fizeram várias comédias de 1913 a 1915, mas as coisas começaram a dar certo quando criou o personagem Lonesome Luke, que fez muito sucesso. Mas, logo depois, achou a figura ideal: um homem bem-sucedido na vida, quase elegante, vestindo boas roupas, que usava um redondo par de óculos. Resultado: transformou-se em um dos maiores atores cômicos do cinema mudo. Nem um acidente foi capaz de interromper essa trajetória: durante a filmagem de “Haunted Spooks” (1920), uma bomba explodiu em sua mão, que ficou semiparalisada. Morreu de câncer aos 77 anos, em 1971.

BUSTER KEATON
(1895 - 1966. Piqua, Kansas / EUA)

Filho de artistas mambembes, aos seis meses já participava de espetáculos. Aos 21 era um nome de ponta do vaudeville e não teve dificuldades para aparecer como coadjuvante em curtas ao lado de Fatty Arbuckle. Em 1919, o produtor Joseph M. Schenck (casado com a atriz Norma Talmadge, irmã da mulher de Keaton, Natalie) o convidou para estrelar alguns filmes. Desse investimento resultaram sucessos, e durante muitos anos se tornou um ídolo do cinema mudo, principalmente a partir de sua obra-prima “A General / The General” (1926). Ao mudar-se para a poderosa Metro-Goldwyn-Mayer perdeu a liberdade de improvisar, submetendo-se às imposições de um grande estúdio. O resultado foi melancólico: abandonado pela mulher e afogando-se no álcool, logo veio a decadência e passou o resto da vida fazendo pontas. A partir de 1962, o artista, morto em 1966, teve sua obra revista e mereceu uma retrospectiva da Cinemateca Francesa.  “O Homem Que Não Ri”, como era conhecido, é reverenciado hoje como gênio.

CHARLES CHAPLIN
(1889 - 1977. Londres / Reino Unido)

Nascido em Londres e criado num orfanato, em 1906 entrou para a companhia de Fred Karno e quatro anos depois assinou contrato com a Keystone, nos Estados Unidos. Filmes curtos de dois rolos fizeram sua fama internacional como Carlitos. Dirigiu e atuou em diversas obras-primas, mas durante muito tempo temeu o cinema sonoro. Seus envolvimentos com mulheres geraram vários escândalos. Perseguido pelo macarthirmo, exilou-se na Suíça. Retornou aos EUA em 1972 para receber um Oscar honorário, mas apenas com um visto de um mês. Suas realizações como comediante, diretor, roteirista, produtor e compositor foram notáveis. É um dos maiores nomes da história do cinema.

Os IRMÃOS MARX
Chico (1887 - 1961. Nova Iorque / EUA)
Harpo (1888 - 1964. Nova Iorque / EUA),
Groucho (1890 - 1977. Nova Iorque / EUA) 
e Zeppo (1901 - 1979. Nova Iorque / EUA)

O grupo de comediantes mais escandalosamente excêntricos de Hollywood, fizeram da anarquia uma arte. Groucho era um mestre no jogo de palavras, Harpo era um mímico que tocava harpa, Chico um pianista que falava com sotaque italiano e Zeppo era o certinho. Nova-iorquinos e irmãos, começaram no teatro de variedades e depois na Broadway. Contratados pela Paramount, fizeram seus melhores e mais loucos filmes nesse estúdio. Depois foram para a Metro, onde atuaram no seu maior sucesso de bilheteria, “Uma Noite na Ópera / A Night at the Opera” (1935). Mas na MGM não tinham liberdade criativa e aos poucos foram decaindo. A última colaboração deles foi “Loucos de Amor / Love Happy” (1949), com Marilyn Monroe. Apenas Groucho continuou no cinema, terminando sua carreira em 1968 com “Skidoo / Idem”, de Otto Preminger.

W. C. FIELDS
(1880 - 1946. Darby, Pensilvânia / EUA)

Seu estilo de comédia não perdoava nada. Malabarista e artista de vaudeville, com um nariz grande e vermelho, alcançou a fama em musicais na Broadway. Seu modo de falar era imitado e seu alcoolismo legendário. Seu auge aconteceu com Mr. Micawber em “David Copperfield / Idem” (1935), de George Cukor.

MAE WEST
(1893 - 1980. Nova Iorque / EUA)

Uma arquetípica deusa do sexo com estilo lânguido, corpo sensual e sagacidade ao falar. Começou como artista de vaudeville, tornando-se uma escandalosamente bem-sucedida dramaturga e comediante, estreando no cinema em 1932. Ela escrevia seus roteiros, salvando a Paramount da falência e se tornando a mulher mais bem paga de Hollywood. Os problemas com a censura, que incluíram um curto período na prisão por obscenidade, terminaram por afastá-la das telas, atuando no teatro sempre com casa lotada.

O GORDO e o MAGRO
Stan Laurel (1890 - 1965. Ulverston / Reino Unido)
  e Oliver Hardy (1892 - 1957. Harlem, Geórgia / EUA)

Famosa dupla de comediantes em atividade desde o cinema mudo até meados da Era de Ouro de Hollywood, era composta por um magro, o inglês Stan Laurel, e um gordo, o norte-americano Oliver Hardy, que brilhavam no estilo pastelão. Atuaram também no teatro nos EUA e na Europa. Nos anos 40, decepcionados com os filmes em que não tinham controle criativo, concentraram-se em apresentações teatrais. Fizeram seu último longa em 1951, depois se aposentaram. No total, apareceram juntos em 106 filmes.

BOB HOPE
(1903 - 2003. Londres / Reino Unido)

Venceu um concurso de imitadores de Chaplin com apenas dez anos. No vaudeville, aprendeu a cantar, dançar e interpretar. Brilhou na Broadway e se transferiu para Hollywood em 1938. Uma das dez maiores bilheterias dos anos 40 e 50, conseguiu seu primeiro sucesso com o covarde de “O Gato e o Canário / The Cat and the Canary” (1939). Sua carreira declinou nos anos 50. Considerado instituição nacional, divertiu tropas norte-americanas em várias guerras. Por mais de 30 anos apresentou o Oscar.

ABBOTT e COSTELLO
Bud Abbott (1897 - 1974. Nova Jersey / EUA) 
e Lou Costello (1906 - 1059, Nova Jersey / EUA)

Dupla que fez sucesso com um humor simples, do tipo conhecido por pastelão, durante os anos 40. Eram verdadeiros ídolos das matinês. Começaram no teatro de revista na Broadway e no final da década de 40 a carreira de ambos entrou em declínio. Tentaram resgatar o prestígio perdido, mas não deu certo. Enfrentando graves problemas financeiros, Costello morreu vítima de um fulminante ataque cardíaco e Abbott passou os últimos dez anos de vida em uma casa de repouso.

Os TRÊS PATETAS
Shemp (1895 - 1975. Nova Iorque / EUA)
Moe (1897 - 1955. Nova Iorque / EUA),
Larry (1902 - 1975. Filadélfia, Pensilvânia / EUA)
  e Curly (1903 - 1952. Nova Iorque / EUA)

Grupo cômico em atividade de 1922 a 1970, mais conhecido por seus numerosos curta-metragens. Sua comicidade era marcada pela extrema comédia pastelão e farsa física. Moe, Larry e Curly (depois substituído por Shemp) protagonizaram 190 curta-metragens para a Columbia entre 1934 e 1958, sempre com sucesso. Nos anos 60, passaram a se apresentar ao vivo na tevê, em participações especiais disputadas.

DANNY KAYE
(1913 - 1987. Nova Iorque / EUA)

Tornou-se comediante antes dos 14 anos, trabalhando em hotéis. Durante os anos 30, apresentava-se em cabarés e apareceu em curtas. Tornou-se astro da Broadway em 1941 no musical “Lady in the Dark”, de Kurt Weill, e contratado por Samuel Goldwyn estreou no cinema como um recruta hipocondríaco em 1944. Sua carreira no cinema decaiu nos anos 50, embora “Hans Christian Andersen / Idem” (1952), com canções de sucesso, arrecadasse enorme bilheteria. Kaye passou para a tevê nos anos 60 e suas aparições no cinema se tornaram raras. Faleceu em uma cirurgia cardíaca.

LUCILLE BALL
(1911 - 1989. Jamestown, Nova Iorque / EUA)

Artista desde os 15 anos, entrou para o cinema como uma das coristas da Metro. Seu talento apareceu graças a pequenas aparições em comédias e musicais. Nos anos 40 conseguiu um espaço como comediante. Em parceria com o músico cubano Desi Arnaz, seu marido a partir de 1941, criou e produziu “I Love Lucy”, inspirada em “My Favorite Husband”, um programa de rádio protagonizado pela dupla. A série fez enorme sucesso e marcou época na história da tevê. Ela estrelou outras duas séries e filmes ocasionais.

JERRY LEWIS
(1926. Nova Jersey / EUA)

Começou nos palcos com seus pais aos cinco anos. Aos dezoito já era comediante profissional. Sua carreira decolou quando conheceu Dean Martin. O número deles era baseado na contradição: Martin era o cantor mulherengo seguro de si e Lewis o idiota descoordenado e desatento. Entraram para o cinema em 1949, contratados pela Paramount. Ao romper com Martin em 1956, ele passou a escrever, produzir e dirigir seus filmes. Continuou fazendo sucesso durante muito tempo, inclusive na Broadway.

OSCARITO
(1906 - 1970. Málaga / Espanha)

Nascido na Espanha, consagrou-se como o maior comediante brasileiro de todos os tempos. Iniciou sua carreira no circo, passou pelo teatro e em 30 anos fez 45 filmes. A primeira aparição nas telas aconteceu em 1933, em “A Voz do Carnaval”, antepassado das chanchadas que teriam nele seu grande astro. Grande Otelo era o seu parceiro habitual nas trapalhadas hilárias nas telas.

PETER SELLERS
(1925 - 1980. Portsmouth / Reino Unido)

Cômico anárquico, ficou famoso com o programa de rádio “Good Show”, mostrando talento como imitador. Depois de uma infinidade de comédias na Inglaterra, tornou-se uma celebridade internacional com “A Pantera Cor-de-Rosa / The Pink Panther” (1963) e “Doutor Fantástico / Doctor Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb” (1964). Neurótico e infeliz, morreu depois de um dos seus maiores sucessos, “Muito Além do Jardim / Being There” (1979), pelo qual concorreu ao Oscar.

AMÁCIO MAZZAROPI
(1912 - 1981. São Paulo / SP)

Oriundo do circo, esse paulistano comandava um programa radiofônico no final dos anos 40. Contratado pela Vera Cruz fez um tremendo sucesso, lapidando seu personagem típico, um caipira ingênuo às voltas com os problemas da grande cidade, mas sempre conseguindo superá-los. Não se limitando a ser apenas ator nos 32 filmes de sua carreira, fundou sua própria produtora, escreveu roteiros e dirigiu filmes.

JACQUES TATI
(1907 - 1982. Le Pecq / França)

Ele dirigiu apenas seis longas-metragens durante uma carreira de 60 anos, mas criou um herói cômico tão famoso como o vagabundo de Chaplin. Se os problemas relativos ao levantamento de recursos reduziram sua produção, o mesmo pode ser dito de seus preparativos obsessivos, que prolongaram seus projetos por anos. Começou nos cabarés, atuou em diversos curtas e terminou lançado como uma figura importante na tradição dos comediantes do cinema mudo. Embora tenham poucos diálogos, a insensatez cômica de seus filmes é destacada pelas trilhas sonoras absurdas.

CANTINFLAS
(1911 - 1993. Santa Maria la Redonda / México)

Engraxate, pugilista, motorista de táxi, toureiro e palhaço de circo, o mexicano Mário Moreno ao tornar-se comediante foi considerado o melhor do mundo por Chaplin. Seu bigode era único: dois chumaços ralos de pêlos caindo nos cantos da boca. As calças com os fundilhos lá embaixo, o lenço atado ao pescoço e uma fala esquisita fizeram dele um tipo super divertido. Estreou no cinema em 1936 e fez mais de cinquenta filmes, dois deles em Hollywood: “A Volta ao Mundo em 80 Dias / Around the World in Eighty Days” (1956) – Oscar de Melhor Filme – e “Pepe / Idem” (1960).

FONTE
“1.000 Que Fizeram 100 Anos de Cinema” 
da The Times/IstoÉ
 
 revista “Cinemin”