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abril 10, 2016

************************ IMITANDO MARILYN



 
Mesmo em vida, MARILYN MONROE (1926 - 1962. Los Angeles, Califórnia / EUA) alcançou um grau de popularidade que ultrapassou a de muitas colegas. Ela inspirou inúmeras imitadoras durante sua vida. E foi esse fenômeno, em particular, que alavancou sua popularidade. Seu sucesso inspirou estúdios rivais a cultivar loiras sensuais e curvilíneas. E, aparentemente, da noite para o dia, surgia uma safra de belezas que imitava a aparência física de Marilyn em busca da próxima Marilyn. Algumas dessas atrizes eram talentosas e tiveram seus fãs. Outras, que imitavam o cabelo de Marilyn ou a sua voz provocante, rapidamente saíram de cena.

JAYNE MANSFIELD
(1933 - 1967. Pensilvânia / EUA)

Citada muitas vezes como a grande rival de Marilyn, ela foi um dos principais símbolos sexuais da década de 1950. Chamou primeiro a atenção do público ao se tornar a playmate da edição de fevereiro de 1955 da revista Playboy, Contratada pelo mesmo estúdio de Marilyn, a Twentieth Century-Fox, embora tenha sido uma comediante de talento ficou sempre à sombra da estrela. Apesar de triunfos como “Sabes o Que Quero / The Girl Can't Help It” (1956) e “Em Busca de um Homem / Will Success Spoil Rock Hunter?” (1957), sua carreira decaiu depois de 1960. Fez filmes sem importância na Europa e apareceu nua em uma produção hollywoodiana, “Promises! Promises!” (1963). Passou a se apresentar em nightclubs e, numa dessas viagens sofreu um trágico acidente de carro. Ela, o namorado Sam Brody e o motorista morreram na hora. Seus três filhos, que estavam no banco traseiro, escaparam com ferimentos leves. A história de que teria sido decapitada não passa de lenda urbana. Ela usava uma peruca, e a mesma foi encontrada a metros do local. Sua filha Mariska Hargitay hoje é uma atriz de sucesso, estrela da série de TV “Law & Order: SVU”. Mansfield continua sendo um dos ícones mais conhecidos da cultura norte-americana dos anos 1950 e 1960.

MAMIE VAN DOREN
(nasceu em 1931. Dakota do Sul / EUA)

Descoberta pelo produtor Howard Hughes, com quem namorou, foi lançada em filmes da RKO. Em 1953, foi contratada pela Universal. Como o contrato foi assinado no mesmo dia da posse do presidente Eisenhower, Van Doren Levou o primeiro nome da esposa dele, “Mamie”. Estrelou em filmes cult clássicos e de baixo orçamento como “Mocidade Indomável / Untamed Youth” (1957) e “Escola do Vício / High School Confidential” (1958). Teve um papel coadjuvante em “Um Amor de Professora / Teacher's Pet” (1958), uma grande produção estrelada por Clark Gable e Doris Day, mas na maior parte das vezes ela só conseguia papéis em filmes de baixo orçamento. Em 1966, estrelou com Jayne o filme “The Las Vegas Hillbillys. Mamie, Jayne e Marilyn eram conhecidas como os três “M's”. Van Doren também trabalhou em nightclubs e teatro, aparições esporádicas em filmes de baixo orçamento e lançou uma autobiografia escandalosa. Nos últimos anos, fez uso de multimídia, incluindo redes sociais. Com seu marido mantém seu site, onde mercadorias diversas, incluindo nudes contemporâneos (!), estão disponíveis. Aos 85 anos, sua carreira como símbolo sexual é uma das mais longas em Hollywood.

SHEREE NORTH
(1932 - 2005. Los Angeles, Califórnia / EUA)

Começou dançando em shows, tendo estreado no cinema em 1951, como extra. Em 1954, North assinou com a Fox. No ano seguinte, conseguiu o papel principal em “Como Usar as Curvas / How to Be Very, Very Popular”, papel rejeitado por Marilyn. Depois deste sucesso, foi chamada de “a nova Marilyn”. Era uma dançarina dinâmica e talentosa, mas usada somente como uma ameaça para manter Marilyn na linha. Participou de “O Tenente Era Ela / The Lieutenant Wore Skirts” (1956), com Tom Ewell, “O Encanto de Viver / The Best Things in Life Are Free” (1956), com Gordon MacRae e “A Mulher do Próximo / No Down Payment” (1957), com Tony Randall, entre outros. A Fox logo perdeu o interesse nela e focou a atenção em Jayne Mansfield. Depois do fim do contrato com a Fox em 1958, fez filmes e apareceu em séries de TV. Em 1980, atuou como a mãe de Marilyn no telefilme “Os Amores de Marilyn / Marilyn: The Untold Story”.

DIANA DORS
(1931 - 1984. Swindon / Reino Unido)

Apelidada a MARILYN MONROE britânica, durante os anos 1950 ela participou de muitos filmes (começou em 1947) e tornou-se muito popular na Inglaterra. Com uma boca carnuda num rosto de boneca e um corpo perfeito, seus principais filmes foram: “A Rua da Esperança / A Kid for Two Farthings” (1955), “Esbanjador Econômico / Value for Money” (1955), “Meu Amor, Minha Ruína / Yeld to the Night” (1956), “A Vergonha de Ser Profana / The Unholy Wife” (1957), “A Vênus de Carne / I Married a Woman” (1958) e “A Tentação e a Mulher / Tread Softly Stranger” (1958). A década de 1960 marcou seu declínio. Engordou e passou a fazer papéis de coadjuvante, tendo participado de vários filmes de horror, como “Espetáculo de Sangue / Bersek (1967).

CLEO MOORE
(1924 - 1973. Luisiana / EUA)

Sua estreia em filmes foi em 1948. Era uma conhecida pin-up. Trabalhou para a Warner em 1950 e para a RKO de 1950 a 1952 antes de assinar com a Columbia em 1952. O estúdio tinha planos de transformá-la em sua próxima estrela. Loira platinada, queria fazer dela “sua Marilyn Monroe” ou “a nova Rita Hayworth”. Na Columbia, estrelou “Alma de Pecadora / One Girl's Confession” (1953) e “Mulheres Condenadas / Women's Prison” (1955). Sua carreira entrou em declínio quando o estúdio contratou Kim Novak e passou a investir nela. Retirou-se do cinema em 1957. Apesar de nunca ter atingido o verdadeiro estrelato, tornou-se uma atriz cult. É considerada a Rainha do Filme B das Bad Girls.

JOI LANSING
(1928 - 1972. Utah / EUA)

Modelo e atriz, muitas vezes foi escalada para papéis semelhantes aos desempenhados por suas contemporâneas, Jayne Mansfield e Mamie Van Doren. Ela frequentemente vestia trajes sumários e biquínis que acentuavam sua figura atraente, mas nunca posou nua. Sua carreira cinematográfica começou em 1948. Participou principalmente de filmes B. Em produções mais importantes, fez papéis não creditados ou pequenas participações como no clássico “A Marca da Maldade / Touch of Evil” (1958), de Orson Welles. Participou de muitos seriados de TV, tendo feito mais de 200 apresentações. Às vezes era chamada de “Marilyn Monroe televisiva”. Em 1965, gravou seu primeiro álbum.

BARBARA NICHOLS
(1928 - 1976. Nova Iorque / EUA)

Popular pinup de revistas nos anos 1940, foi considerada uma rival menor para MARILYN MONROE. No meio dos nos 1950, ela foi para Hollywood e apareceu regularmente em papéis como coadjuvante em produções classe A como “Esse Homem é Meu / The King and Four Queens” (1956), com Clark Gable, “Um Pijama Para Dois / The Pajama Game” (1957), com Doris Day, “Meus Dois Carinhos / Pal Joey” (1957), com Frank Sinatra, “Meu Coração Tem Dois Amores / Woman Obsessed” (1959), com Susan Hayward e “Quem Era Aquela Pequena? / Who Was That Lady” (1960), com Tony Curtis. Raramente estrelou filmes, sendo a ficção científica “A Era dos Robôs / The Human Duplicators” (1965) um dos poucos. Foi também uma frequente convidada em séries de TV.

BEVERLY MICHAELS
(1928 - 2007. Nova Iorque / EUA)

Chegou em Hollywood em 1948, aos 19 anos, e rapidamente encontrou trabalho de modelo. Em 1951, chamou a atenção do diretor de cinema independente e produtor Hugo Haas, que a lançou no filme noir “Eco do Pecado / Pickup”. O filme foi um sucesso surpreendente, ainda que uma característica “B”, e lançou a carreira de Haas como diretor em Hollywood. Teve um papel importante ao iniciar o ciclo de filmes de “bad girl” da década de 1950, geralmente estrelados por loiras símbolos sexuais. Seguiu-se “The Girl on the Bridge” (1951), que não teve sucesso, e Haas trocou Michaels em favor da recém-chegada Cleo Moore como sua estrela feminina regular. Em 1953, estrelou Mulher Sem Brio / Wicked Woman”, que hoje é talvez seu filme mais conhecido.

GRETA THYSSEN
(nasceu em 1933. Hareskovby / Dinamarca)

Chegou nos EUA após vencer o concurso de Miss Dinamarca em 1952. Ela procurou seguir os passos dos símbolos sexuais que reinavam, as loiras MARILYN MONROE e Jayne Mansfield, procurando uma carreira no cinema. Ela foi dublê de Marilyn em “Nunca Fui Santa / Bus Stop” (1956) e apareceu em “Marcado Para a Morte / Accused of Murder” (1956), “Criatura Sangrenta / Terror Is a Man” (1959), “Monstro do Planeta Perdido / Journey to the Seventh Planet” (1962) e outros, sendo considerada uma das rainhas dos filmes B. Participou de vários shows de TV. É provavelmente mais lembrada por suas aparições em três curtas dos Três Patetas, “Quiz Whizz” (1958), “Pies and Guys” (1958) e “Sappy Bull Fighters” (1959). Em 1967, fez seu último filme.

  texto de 
ERALDO URANO

GALERIA de FOTOS

 

outubro 12, 2011

********************* É PROIBIDO FUMAR

michael caine

 
Cowboys justiceiros como Gary Cooper fumam um CIGARRO entre um duelo e outro em clássicos de John Ford e Howard Hawks. Assim como as mulheres fatais de policiais noir, senhoras de personalidade forte interpretadas por Joan Crawford ou as de reputação duvidosa de tantas outras películas. A pergunta “Você tem fogo?” foi a deixa para Gregory Peck se apaixonar por Ava Gardner em “As Neves de Kilimanjaro / The Snows of Kilimanjaro” (1952). Em “Mata-Hari / Idem” (1932), deitados no escuro do quarto, Greta Garbo e Ramon Novarro fumavam depois de um ato de amor, e a câmara focalizava apenas o piscar dos cigarros antes de cada baforada. 

Possivelmente foi Humphrey Bogart um dos maiores fumadores de cigarro da história do cinema. Depois de fumar como um condenado em O Falcão Maltês / The Maltese Falcon” (1941), onde seu personagem, o detetive Sam Spade, enrola os seus próprios cigarros, ele se tornou um fumador pensativo em Casablanca / Idem (1942). Bogie morreu em 1957 nos braços de Lauren Bacall com um copo de uísque e um cigarro nos lábios. No entanto, de todos eles, os de Hollywood de outros tempos, Bette Davis é quem fumava com mais charme (ou seria Marlene Dietrich?). A sensual cena de A Estranha Passageira / Now Voyager (1942), em que Paul Henreid acende dois CIGARROS na sua boca e passa um deles para Bette, é inesquecível e foi muito imitada na vida real. 

Até os anos 50, diversas dessas celebridades fizeram comerciais publicitários exaltando marcas de cigarro. Seus personagens fumavam para manifestar um clima romântico. Era chique fumar, demonstrava independência e um certo caráter diferenciado. Hoje quem fuma o maldito cigarro vive à beira da marginalização, massacrado pela ferrenha campanha anti-tabagista, como se coca-cola, enlatados, vegetais com agrotóxicos, frituras, sanduíches gordurosos, a poluição etc. não fizessem qualquer dano à saúde. Revisando uma Hollywood marcada pelo CIGARRO, reproduzimos um artigo de Danielle Crepaldi Carvalho publicado no blog “Filmes, Filmes, Filmes!”.


O CIGARRO no CINEMA: 1897 - 2009

Nem bem amanheceu e a mocinha já está entregue à sua ocupação predileta. Lá está ela em sua negligée, recostada no divã e fumando. “A morning wiff” (“Uma tragada matutina”) diz a legenda da ilustração publicada na “St. Paul's Supplement” em 27 de abril de 1895. Confesso nunca ter dedicado muito tempo a pensar no papel exercido pelo CIGARRO na sociedade do final do século XIX e do século XX. Nunca até que Orna Levin (a quem, aliás, dedico as linhas que se seguem) levantou uma lebre que valia a pena ser perseguida. O tratamento que darei ao tema será, como sempre, en passant - minhas intenções épicas são sempre frustradas pela falta de tempo... 

A moçoila da St. Paul não exibiu sozinha este que é, quiçá, o mais condenável hábito dos dias de hoje. Acompanharam-na uma procissão de mulheres, homens e crianças (!), apresentadas pelas empresas de cigarros para comprovarem como este nosso inimigo nº 1 da saúde pública era chique e saboroso. No início de 1920, quando saiu o conto Fumo, de “Rosário da Ilusão” (1921), de João do Rio, a imprensa já havia sido visitada por uma porção dessas pessoas, como percebi passeando pelas folhas da época.

Na mesma época em que João do Rio dá vida à bituca de cigarro jogada na sarjeta por seu entediado dono - bituca que espirala um belo azul agradecido quando novamente ganha os dedos dele - o afrancesado almofadinha afirma que son plaisir é ter entre seus dedos um fino cigarro da marca Veado, e até o garotinho sapeca diz não resistir ao cigarro York (e isso poucos dias depois de afirmar que seu pai o aconselha a fumar York mesmo que para isso seja preciso andar “roto, mal arranjado, sujo”...). Ao vê-lo, não pude deixar de me lembrar da pré-adolescente Lucy Hill, da comédia de Billy Wilder “A Incrível Suzana” (“The Major and the Minor”, 1942), que escondia uma caixa de cigarros debaixo da cama.O CIGARRO exalou charme por quase 100 anos. Quem, com mais de 25 anos, não se lembra dos belíssimos comerciais do cigarro Hollywood, que somavam rock'n roll e esportes radicais e fechavam com os dizeres: “Hollywood, o sucesso!”

clara bow
marlene dietrich
A marca não deixa enganar de onde saiu a inspiração... Os dedos seguram delicadamente o cigarro, do qual escapa uma fumaça suave que deixa o rosto do artista na semipenumbra. Impossível negar a elegância da linguagem corporal que acompanha o cigarro - mesmo que hoje saibamos de todo o mal gerado pelo seu consumo. Eu, que detesto seu cheiro, olho para a parede de meu quarto e vejo Audrey Hepburn segurando a piteira na legendária fotografia de “Bonequinha de Luxo” (“Breakfast at Tiffanys”, 1961), meu retrato preferido da atriz. Hollywood decididamente teve um papel importante na disseminação do hábito. A mesma Ginger Rogers que se servia dos cigarros da pré-adolescente de “A Incrível Suzana” vinha de brinde com os cigarros Player's. E quanto esses brindes não apareceram nas telas, em filmes como “Ardida como Pimenta” (“Calamity Jane”, 1953) - em que a fotografia da atriz de revista vira mote para uma discussão protagonizada por Doris Day e Howard Keel -, ou “A Bela Ditadora” (“Take me Out to the Ball Game”, 1949), em que os personagens de Frank Sinatra e Gene Kelly se gabam por ensinar o verdadeiro espírito americano aos moleques de rua ao dar a eles as fotografias de jogadores de baseball que vinham nas embalagens de cigarro. 

Pesquisando a respeito do cigarro no cinema, ri da formulação de Moacyr Scliar de que o auge da campanha de marketing para a venda do charuto foi quando Ingrid Bergman apareceu num filme dizendo que adorava seus fumantes. Não me lembro que filme é esse, mas não é difícil recuperarmos Miss Bergman na controversa pose. Vemo-la, por exemplo, em “Arco do Triunfo” (“Arch of the Triumph”, 1948), em que ela interpreta uma cantora de um cabaré nublado pela fumaça exalada pelo CIGARRO. O pôster do filme ressalta a ambiguidade da personagem, que tarde demais acaba por preferir o amor de Charles Boyer ao dinheiro de Charles Laughton.

spencer tracy
claudette colbert
A verba que a indústria de cigarro injetou no cinema nos anos de 1940 e 50 foi responsável por números contraditórios: financiou uns filmes belíssimos e, por isso mesmo, glamurizou o hábito, incitando muitos a fumar. Décadas antes o CIGARRO já servia, no cinema, de metáfora para a relação sexual. Em “A Carne e o Diabo” (Flesh and the Devil, 1926), Greta Garbo coloca-o entre seus lábios, acende-o e entrega-o ao seu amante. O soprar do fósforo dá lugar ao fade out - nada mais esclarecedor. Em 1934, em “A Alegre Divorciada” (“The Gay Divorcée”), a personagem de Fred Astaire leva a de Ginger Rogers ao êxtase na seqüência “Night and Day”. Após a dança, ele a deposita no divã com a masculina sensação de dever cumprido (levemente machista, mas não por isso menos divertida) e oferece-lhe um cigarro. Outra película que captura o glamour que circunda o cigarro é “A Estranha Passageira” (“Now, Voyager”, 1942), no qual a patinha feia tornada cisne Bette Davis recebe do amado Paul Henreid o cigarro aceso por ele - a antológica seqüência do ator acendendo os 2 cigarros tanto ilustra a liberação sexual da até então retraída mulher quanto sublima o ato, pois seu amado era comprometido. 

Embora a história do cigarro no cinema remonte à época em que o medium surgiu (e prova disso é o curioso comercial do produto rodado por Edison no fim do século XIX, registrado no livro que acabou de chegar aqui em casa “Silent Movies: the Birth of Film and the Triumph of Movie Culture”, de Peter Kobel e Library of Congress), é inegável que sua influência na sociedade de consumo tenha aumentado quando os ídolos cinematográficos também passaram a ser consumidos.

lucille ball
glenn ford
A rebeldia imersa em fumaça de James Dean e Marlon Brando conseguiu inúmeros seguidores que desejavam se parecer com os ídolos. Talvez seja por isso que, em 1951, estudiosos da área de saúde começaram a estudar a relação entre o fumo e as doenças. Coincidência ou não, em 1953 a personagem de Cyd Charisse, da “Roda da Fortuna” (“The Band Wagon”), recusa o CIGARRO das mãos de Fred Astaire alegando que “uma dançarina não deve fumar”. Cyd, bailarina de formação, confessou que só fumou uma vez na vida, em “Cantando na Chuva” (“Singin' in the Rain”, 1950), quando interpretou a sedutora dançarina de cabaré que enreda a personagem de Gene Kelly na seqüência “Broadway Rhythm”. A suposta propaganda antitabagista da “Roda da fortuna” é exceção no cinema, malgrado as contínuas descobertas sobre os malefícios do cigarro. Depois dela surgiram clássicos como “Bonequinha de Luxo”, sem falar nos filmes mais recentes - impressionei-me com a presença contundente do cigarro em “Coco antes de Chanel” (“Coco avant Chanel”, 2009), que vi no cinema há pouco.

miriam hopkins
gary cooper
Em meados de 2009, São Paulo aprovou uma lei proibindo o fumo em ambientes públicos fechados. Mesmo hoje em dia, em que fumantes são perseguidos como criminosos, a arma do crime continua circundada por uma aura de fascínio. Por isso, não são poucos os articulistas que se batem contra a divulgação do fumo no cinema, intentando arrastar às telonas a proibição que vigora nas telinhas. Neste caso, o posicionamento talvez deva ser menos restritivista. Por que não exibir em TV aberta o belíssimo “A Estranha Passageira” - eu o vi pela primeira vez na Globo, ainda menina, e me apaixonei por ele logo de cara? Por que impedir que personagens acendam um cigarro para explicitarem sua rebeldia? A História atrelou ao CIGARRO uma imagem de charme, rebeldia e sexualidade - é bobagem negá-lo. Do mesmo modo que as crianças que veem Power Rangers não necessariamente sairão batendo nos pais, ou os jovens que assistem aos “Jogos mortais” não necessariamente brincarão com a vida dos desafetos, assim também aqueles que veem seus ídolos tragando com deleite não se tornarão fumantes. Não dá para negar que a educação é o melhor caminho pra se evitar que as ilusões da tela se tornem uma realidade devastadora para muitas crianças, jovens e adultos. Lógico que é mais fácil tomar um atalho e recriar a censura no cinema. Porém, isso certamente não é o mais inteligente a se fazer.

mamie van doren
anita ekberg
lee remick
jane fonda