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fevereiro 15, 2012

***************************** REIS do RISO

max linder

 
 
MAX LINDER
(1883 - 1925. Cavernes, SDaint-Loubès / França)

O comediante que mais influenciou Chaplin era francês e teve fim trágico: ele e a mulher foram encontrados mortos num hotel de Paris, em 1925. Ele começou aos 17 anos, trocando a escola pelos palcos de Bordeaux. Quatro anos depois, mudou-se para Paris, onde ganhou pequenos papéis em peças melodramáticas. Em 1905, iniciou carreira na Pathé Filmes. Nos três anos seguintes, dividiu-se entre teatro e cinema, decolando para a fama. A ponto de, em 1910, já ser considerado o comediante mais conhecido das telas em todo o mundo. Passou, além de atuar e escrever, a dirigir filmes. Sua popularidade chega ao auge em 1914, mas, convocado para lutar na Primeira Guerra Mundial, foi atingindo por gases venenosos e teve seu primeiro colapso nervoso, que lhe deixou seqüelas pelo resto da vida. Voltou a atuar no cinema francês, mas logo aceitou proposta de um estúdio norte-americano e se mudou para Hollywood, onde seus problemas de saúde reapareceram. Morando novamente em Paris, casou-se em 1923. Mas não encontrou paz, mergulhando numa crise profunda. A última de sua vida.

MACK SENNETT
(1880 - 1960. Danville / Canadá)

O primeiro rei da comédia no cinema. Tudo começou quando, aos 17 anos, se mudou do Canadá para os Estados Unidos. Artista de vaudeville, nas muitas viagens que fazia, conheceu o homem que iria dar o primeiro impulso na sua carreira: D. W. Griffith. Sob a direção do mestre, atuou em pequenos papéis. Quando um diretor de comédias adoeceu pouco antes do início de uma filmagem, ele foi chamado às pressas para substituí-lo. Era 1912 e Sennett começou a despontar para a glória – criando logo depois seu próprio estúdio, o Sennett’s Keystone, que se transformou na maior fábrica de gargalhadas de Hollywood. De humor fácil, de grande apelo popular, cheia de gags irresistíveis, o comediante trilhou uma trajetória ascendente. Alguns nomes que seriam, algum tempo depois, monstros sagrados da tela, começaram com ele: Chaplin, Gloria Swanson, Fatty Arbuckle, Mabel Normand, Harold Lloyd, Frank Capra etc.

HAROLD LLOYD
(1893 - 1971. Burchard, Nebraska / EUA)

Começou numa companhia de teatro mambembe, parando com ela em Los Angeles. Com o fim da excursão, encontrou Hal Roach, que também sonhava com a fama – e ficaram amigos. O amigo recebeu uma herança familiar de 3.000 dólares e decidiu produzir filmes. Fizeram várias comédias de 1913 a 1915, mas as coisas começaram a dar certo quando criou o personagem Lonesome Luke, que fez muito sucesso. Mas, logo depois, achou a figura ideal: um homem bem-sucedido na vida, quase elegante, vestindo boas roupas, que usava um redondo par de óculos. Resultado: transformou-se em um dos maiores atores cômicos do cinema mudo. Nem um acidente foi capaz de interromper essa trajetória: durante a filmagem de “Haunted Spooks” (1920), uma bomba explodiu em sua mão, que ficou semiparalisada. Morreu de câncer aos 77 anos, em 1971.

BUSTER KEATON
(1895 - 1966. Piqua, Kansas / EUA)

Filho de artistas mambembes, aos seis meses já participava de espetáculos. Aos 21 era um nome de ponta do vaudeville e não teve dificuldades para aparecer como coadjuvante em curtas ao lado de Fatty Arbuckle. Em 1919, o produtor Joseph M. Schenck (casado com a atriz Norma Talmadge, irmã da mulher de Keaton, Natalie) o convidou para estrelar alguns filmes. Desse investimento resultaram sucessos, e durante muitos anos se tornou um ídolo do cinema mudo, principalmente a partir de sua obra-prima “A General / The General” (1926). Ao mudar-se para a poderosa Metro-Goldwyn-Mayer perdeu a liberdade de improvisar, submetendo-se às imposições de um grande estúdio. O resultado foi melancólico: abandonado pela mulher e afogando-se no álcool, logo veio a decadência e passou o resto da vida fazendo pontas. A partir de 1962, o artista, morto em 1966, teve sua obra revista e mereceu uma retrospectiva da Cinemateca Francesa.  “O Homem Que Não Ri”, como era conhecido, é reverenciado hoje como gênio.

CHARLES CHAPLIN
(1889 - 1977. Londres / Reino Unido)

Nascido em Londres e criado num orfanato, em 1906 entrou para a companhia de Fred Karno e quatro anos depois assinou contrato com a Keystone, nos Estados Unidos. Filmes curtos de dois rolos fizeram sua fama internacional como Carlitos. Dirigiu e atuou em diversas obras-primas, mas durante muito tempo temeu o cinema sonoro. Seus envolvimentos com mulheres geraram vários escândalos. Perseguido pelo macarthirmo, exilou-se na Suíça. Retornou aos EUA em 1972 para receber um Oscar honorário, mas apenas com um visto de um mês. Suas realizações como comediante, diretor, roteirista, produtor e compositor foram notáveis. É um dos maiores nomes da história do cinema.

Os IRMÃOS MARX
Chico (1887 - 1961. Nova Iorque / EUA)
Harpo (1888 - 1964. Nova Iorque / EUA),
Groucho (1890 - 1977. Nova Iorque / EUA) 
e Zeppo (1901 - 1979. Nova Iorque / EUA)

O grupo de comediantes mais escandalosamente excêntricos de Hollywood, fizeram da anarquia uma arte. Groucho era um mestre no jogo de palavras, Harpo era um mímico que tocava harpa, Chico um pianista que falava com sotaque italiano e Zeppo era o certinho. Nova-iorquinos e irmãos, começaram no teatro de variedades e depois na Broadway. Contratados pela Paramount, fizeram seus melhores e mais loucos filmes nesse estúdio. Depois foram para a Metro, onde atuaram no seu maior sucesso de bilheteria, “Uma Noite na Ópera / A Night at the Opera” (1935). Mas na MGM não tinham liberdade criativa e aos poucos foram decaindo. A última colaboração deles foi “Loucos de Amor / Love Happy” (1949), com Marilyn Monroe. Apenas Groucho continuou no cinema, terminando sua carreira em 1968 com “Skidoo / Idem”, de Otto Preminger.

W. C. FIELDS
(1880 - 1946. Darby, Pensilvânia / EUA)

Seu estilo de comédia não perdoava nada. Malabarista e artista de vaudeville, com um nariz grande e vermelho, alcançou a fama em musicais na Broadway. Seu modo de falar era imitado e seu alcoolismo legendário. Seu auge aconteceu com Mr. Micawber em “David Copperfield / Idem” (1935), de George Cukor.

MAE WEST
(1893 - 1980. Nova Iorque / EUA)

Uma arquetípica deusa do sexo com estilo lânguido, corpo sensual e sagacidade ao falar. Começou como artista de vaudeville, tornando-se uma escandalosamente bem-sucedida dramaturga e comediante, estreando no cinema em 1932. Ela escrevia seus roteiros, salvando a Paramount da falência e se tornando a mulher mais bem paga de Hollywood. Os problemas com a censura, que incluíram um curto período na prisão por obscenidade, terminaram por afastá-la das telas, atuando no teatro sempre com casa lotada.

O GORDO e o MAGRO
Stan Laurel (1890 - 1965. Ulverston / Reino Unido)
  e Oliver Hardy (1892 - 1957. Harlem, Geórgia / EUA)

Famosa dupla de comediantes em atividade desde o cinema mudo até meados da Era de Ouro de Hollywood, era composta por um magro, o inglês Stan Laurel, e um gordo, o norte-americano Oliver Hardy, que brilhavam no estilo pastelão. Atuaram também no teatro nos EUA e na Europa. Nos anos 40, decepcionados com os filmes em que não tinham controle criativo, concentraram-se em apresentações teatrais. Fizeram seu último longa em 1951, depois se aposentaram. No total, apareceram juntos em 106 filmes.

BOB HOPE
(1903 - 2003. Londres / Reino Unido)

Venceu um concurso de imitadores de Chaplin com apenas dez anos. No vaudeville, aprendeu a cantar, dançar e interpretar. Brilhou na Broadway e se transferiu para Hollywood em 1938. Uma das dez maiores bilheterias dos anos 40 e 50, conseguiu seu primeiro sucesso com o covarde de “O Gato e o Canário / The Cat and the Canary” (1939). Sua carreira declinou nos anos 50. Considerado instituição nacional, divertiu tropas norte-americanas em várias guerras. Por mais de 30 anos apresentou o Oscar.

ABBOTT e COSTELLO
Bud Abbott (1897 - 1974. Nova Jersey / EUA) 
e Lou Costello (1906 - 1059, Nova Jersey / EUA)

Dupla que fez sucesso com um humor simples, do tipo conhecido por pastelão, durante os anos 40. Eram verdadeiros ídolos das matinês. Começaram no teatro de revista na Broadway e no final da década de 40 a carreira de ambos entrou em declínio. Tentaram resgatar o prestígio perdido, mas não deu certo. Enfrentando graves problemas financeiros, Costello morreu vítima de um fulminante ataque cardíaco e Abbott passou os últimos dez anos de vida em uma casa de repouso.

Os TRÊS PATETAS
Shemp (1895 - 1975. Nova Iorque / EUA)
Moe (1897 - 1955. Nova Iorque / EUA),
Larry (1902 - 1975. Filadélfia, Pensilvânia / EUA)
  e Curly (1903 - 1952. Nova Iorque / EUA)

Grupo cômico em atividade de 1922 a 1970, mais conhecido por seus numerosos curta-metragens. Sua comicidade era marcada pela extrema comédia pastelão e farsa física. Moe, Larry e Curly (depois substituído por Shemp) protagonizaram 190 curta-metragens para a Columbia entre 1934 e 1958, sempre com sucesso. Nos anos 60, passaram a se apresentar ao vivo na tevê, em participações especiais disputadas.

DANNY KAYE
(1913 - 1987. Nova Iorque / EUA)

Tornou-se comediante antes dos 14 anos, trabalhando em hotéis. Durante os anos 30, apresentava-se em cabarés e apareceu em curtas. Tornou-se astro da Broadway em 1941 no musical “Lady in the Dark”, de Kurt Weill, e contratado por Samuel Goldwyn estreou no cinema como um recruta hipocondríaco em 1944. Sua carreira no cinema decaiu nos anos 50, embora “Hans Christian Andersen / Idem” (1952), com canções de sucesso, arrecadasse enorme bilheteria. Kaye passou para a tevê nos anos 60 e suas aparições no cinema se tornaram raras. Faleceu em uma cirurgia cardíaca.

LUCILLE BALL
(1911 - 1989. Jamestown, Nova Iorque / EUA)

Artista desde os 15 anos, entrou para o cinema como uma das coristas da Metro. Seu talento apareceu graças a pequenas aparições em comédias e musicais. Nos anos 40 conseguiu um espaço como comediante. Em parceria com o músico cubano Desi Arnaz, seu marido a partir de 1941, criou e produziu “I Love Lucy”, inspirada em “My Favorite Husband”, um programa de rádio protagonizado pela dupla. A série fez enorme sucesso e marcou época na história da tevê. Ela estrelou outras duas séries e filmes ocasionais.

JERRY LEWIS
(1926. Nova Jersey / EUA)

Começou nos palcos com seus pais aos cinco anos. Aos dezoito já era comediante profissional. Sua carreira decolou quando conheceu Dean Martin. O número deles era baseado na contradição: Martin era o cantor mulherengo seguro de si e Lewis o idiota descoordenado e desatento. Entraram para o cinema em 1949, contratados pela Paramount. Ao romper com Martin em 1956, ele passou a escrever, produzir e dirigir seus filmes. Continuou fazendo sucesso durante muito tempo, inclusive na Broadway.

OSCARITO
(1906 - 1970. Málaga / Espanha)

Nascido na Espanha, consagrou-se como o maior comediante brasileiro de todos os tempos. Iniciou sua carreira no circo, passou pelo teatro e em 30 anos fez 45 filmes. A primeira aparição nas telas aconteceu em 1933, em “A Voz do Carnaval”, antepassado das chanchadas que teriam nele seu grande astro. Grande Otelo era o seu parceiro habitual nas trapalhadas hilárias nas telas.

PETER SELLERS
(1925 - 1980. Portsmouth / Reino Unido)

Cômico anárquico, ficou famoso com o programa de rádio “Good Show”, mostrando talento como imitador. Depois de uma infinidade de comédias na Inglaterra, tornou-se uma celebridade internacional com “A Pantera Cor-de-Rosa / The Pink Panther” (1963) e “Doutor Fantástico / Doctor Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb” (1964). Neurótico e infeliz, morreu depois de um dos seus maiores sucessos, “Muito Além do Jardim / Being There” (1979), pelo qual concorreu ao Oscar.

AMÁCIO MAZZAROPI
(1912 - 1981. São Paulo / SP)

Oriundo do circo, esse paulistano comandava um programa radiofônico no final dos anos 40. Contratado pela Vera Cruz fez um tremendo sucesso, lapidando seu personagem típico, um caipira ingênuo às voltas com os problemas da grande cidade, mas sempre conseguindo superá-los. Não se limitando a ser apenas ator nos 32 filmes de sua carreira, fundou sua própria produtora, escreveu roteiros e dirigiu filmes.

JACQUES TATI
(1907 - 1982. Le Pecq / França)

Ele dirigiu apenas seis longas-metragens durante uma carreira de 60 anos, mas criou um herói cômico tão famoso como o vagabundo de Chaplin. Se os problemas relativos ao levantamento de recursos reduziram sua produção, o mesmo pode ser dito de seus preparativos obsessivos, que prolongaram seus projetos por anos. Começou nos cabarés, atuou em diversos curtas e terminou lançado como uma figura importante na tradição dos comediantes do cinema mudo. Embora tenham poucos diálogos, a insensatez cômica de seus filmes é destacada pelas trilhas sonoras absurdas.

CANTINFLAS
(1911 - 1993. Santa Maria la Redonda / México)

Engraxate, pugilista, motorista de táxi, toureiro e palhaço de circo, o mexicano Mário Moreno ao tornar-se comediante foi considerado o melhor do mundo por Chaplin. Seu bigode era único: dois chumaços ralos de pêlos caindo nos cantos da boca. As calças com os fundilhos lá embaixo, o lenço atado ao pescoço e uma fala esquisita fizeram dele um tipo super divertido. Estreou no cinema em 1936 e fez mais de cinquenta filmes, dois deles em Hollywood: “A Volta ao Mundo em 80 Dias / Around the World in Eighty Days” (1956) – Oscar de Melhor Filme – e “Pepe / Idem” (1960).

FONTE
“1.000 Que Fizeram 100 Anos de Cinema” 
da The Times/IstoÉ
 
 revista “Cinemin”

setembro 21, 2011

***************** SALA VIP: "MELANCOLIA"



 
MELANCOLIA
(Melancholia, 2011)

País: Dinamarca, Suécia, França e Alemanha
Duração: 136 mins.
Cor
Produção: Meta Louise Foldager e Louise Vesth
(Zentropa Entertainments / Memfis Film /
 Zentropa International Sweden)
Direção e Roteiro: Lars Von Trier
Fotografia: Manuel Alberto Claro
Edição: Molly Marlene Stensgaard
Cenografia: Jette Lehmann (des.prod.); 
Simone Grau (d.a.)
Vestuário: Manon Rasmussen
Elenco:
Kirsten Dunst (“Justine”), Charlotte Gainsbourg 
(“Claire”), Kiefer Sutherland (“John”), 
Charlotte Rampling (“Gaby”),John Hurt 
(“Dexter”), Alexander Skarsgård (“Michael”),
Stellan Skarsgård e Udo Kier.

Nota: **** (muito bom)

Prêmios: Melhor Atriz no Festival de Cannes

Um planeta está em rota de colisão letal com a Terra. Talvez seja o fim da humanidade, de tudo. As irmãs Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg) terão, em momentos diferentes, que aceitar o inevitável. E os principais valores da sociedade serão colocados em xeque, como o dinheiro, o amor, a família, o trabalho, o casamento, o orgulho. É o que propõe o mais novo filme do polêmico dinamarquês Lars Von Trier. Poético, de rara sensibilidade, com poderosas imagens e extraordinária atuação das protagonistas, com atenção especial à francesa Charlotte Gainsbourg (Charlotte Rampling e John Hurt também são sensacionais), MELANCOLIA evidencia um pessimismo latente, uma catástrofe emocional na fala de Justine: “A Terra é má, ninguém vai sentir falta dela”, gerando desconforto. Não é um filme fácil. Comovida, a poeta baiana Neuzamaria Kerner escreveu uma carta para a personagem Justine.

CARA JUSTINE

Há vários dias tento lhe escrever, mas sempre adio sem saber exatamente o motivo da postergação. Talvez eu até saiba... O inconsciente, no entanto, é extraordinariamente protetor em certas situações. Tenho quase certeza de que você sabe do que falo. É possível. Tudo é possível neste mundo nosso de possibilidades. Então, amiga, se é que posso tratá-la assim, fiz alguns malabarismos mentais para driblar o meu inconsciente a fim de deixar emergir pensamentos teimosos que dançavam no meu palco interior e que lutavam bastante para continuarem invisíveis e indecifráveis até o momento em que lhe vi. Em verdade, esses pensamentos são como seres ou entidades ou sentimentos esdrúxulos que habitam nossas mais abissais regiões. Como nos dão trabalho! O consolo é que eles não estão apenas comigo e com você, mas com todos os seres viventes e pensantes que desde que “encarnam” já vêm com a carga de raiva, tristeza e medo e suas polaridades como se fosse uma maldição passada de geração em geração.

charlotte gainsbourg
Pois bem, acompanhei seus últimos e impressionantes passos naqueles dias da transformação compulsória – digamos assim, eufemisticamente. Confesso que no primeiro momento da sua aparição não lhe entendi muito bem. Você deveria estar feliz, afinal estava casando com um homem bom e bonito e que parecia realmente lhe amar. Por que você o rejeitou? Será porque você quis poupar-se ou poupá-lo de dores? Ou  não o amava o bastante para juntos enfrentarem o que estaria por vir? Seu casamento deu uma espécie de prazer – de hora última - à sua irmã e ao seu cunhado que não economizaram dinheiro nem trabalho para que sua festa fosse a mais linda. Perfeita. Sua mãe, pra variar, transbordava o amargor de sempre; seu pai, amoroso e generoso, mas na dele... provavelmente nunca quis se comprometer com a vida. Talvez aí esteja a explicação do comportamento de sua mãe. Os outros parentes, como todos. Sabe, o seu chefe - pobre coitado -, mereceu os desaforos corajosos que você despejou sobre ele, um carcará hipócrita, que nunca se preocupou com as suas questões existenciais – nem com as de ninguém. Nem nunca atentou para os motivos da irreverência contida nas suas peças publicitárias. Naquela hora você vingou os desrespeitados nas empresas sem precisar apoio nos famigerados sindicatos de trabalhadores.

kirsten dunst
Depois da festa pude voltar a me concentrar somente em você, inclusive lembrando-me da cópula – tenho que dizer esse nome sem graça – com o cara contratado pra lhe arrancar um “slogan”. Parecia que você estava com muita raiva porque sobre a terra você o fez derramar o sêmem que não poderia mais frutificar. Inútil semear numa terra infértil. Você humilhou a mãe-terra. Mas não pense que estou lhe julgando, apenas tentando dizer da minha compreensão. Raiva é raiva, irmã gêmea da impotência. Você estava tão impotente como qualquer pessoa que conhece, sente e capta, pelas pontas dos dedos-antenas, as energias do universo, mas com a consciência de que não mais poderia contar com elas, as energias. Definitivamente você estava mais abandonada de si mesma do que nunca. Entendo, de verdade, a sua depressão. A dor que provém da alma dos ossos e dos nossos centros todos inacessíveis por isso incurável. Essa era a sua tristeza. A dor do exilado. A saudade do não-sei-onde. A Melancolia metafórica, mas ao mesmo tempo muito real, que lhe esmagaria sem piedade num futuro bem próximo. Justine, a Melancolia carrega o medo nas letras que compõem essa palavra. Melancholia que não agradava nem no latim nem no grego desde quando nasceu e foi registrada em sua certidão já com um significado doloroso: melan(ós) ‘negro’, ‘funesto’, ‘triste’, ‘sombrio’ + cholē ‘bílis’, ‘fel’,’veneno’. Quem não tem medo disso tudo que faz o vivente carregar um fardo pesado e invisível dentro de um exílio imaginário que pune o melancólico por um crime que desconhece ter cometido? Vi você assim, Justine... desnuda literalmente, sendo carregada para o banho sem sentido, pernas que recusavam suportar o corpo, pés sem impulso cósmico para a passada necessária ao minuto seguinte.

charlotte, lars e kirsten
Ontem, de novo, pensei em você quando uma amiga me falou que não estava se preocupando com mais nada. Entregava os incômodos ao universo e dizia “tudo passa”. Repetia “tudo passa”. Olhei nos olhos dela e revi os seus. Tudo realmente passa mesmo que seja por cima de nós. Cada ser – humano - tem que viver com seu próprio momento, bom ou ruim, embora alguns procurem e sejam ajudados quando tudo parece nada. Mas não adianta porque nós sabemos o que sentimos. Os outros seres apenas sentem e percebem a si e ao mundo, mas não têm ciência disso. Saber sentir. Saber que sente. Elaboramos o que vemos e sentimos pelo tal do “eu”. É a isso que chamamos de consciência. Penso no seu criador agora. O deprimido Lars. Ele disse que nascemos com uma sentença de morte, ou seja, a consciência de que a existência tem fim e que ninguém quer ser finito. Em verdade ele usou você para dizer isso ao mundo naquele dia. Muitos não ouviram e preferiram viver na ilusão. Achei muito engraçado, porém verdadeiro, ele dizer que os psicoterapeutas, quando consultados, dizem que a ansiedade e a depressão são perigosas, mas não significam o fim do mundo. No entanto, estão enganados. Redondamente, assim como Terra e Melancolia. Claro que você fez o papel que ele quis. Interessante essa relação entre criador e criatura. Mas você contra-atacou ao tomar consciência de que lutar com o inevitável é mais desgraçado do que tudo. Aí você entra num invejável estado de serenidade e de ajudada passa a ser ajudadora. Foi ótima a sua mudança. Lembra de quando você se despe, simbolicamente despojando-se das vestes, e vai andando pelo bosque e deita-se sobre um pedaço significativo de rocha à beira de um rio? Perfeito momento de entrega e conexão com o universo. É isso. A serenidade nasce da aceitação e da entrega. Entenda que falo de aceitação e não de resignação. Num outro dia, distraidamente você se senta na murada dos jardins do castelo e fica balançando as pernas como uma criança que aguarda. Você olha para os longes celestes... e parece nem pensar em nada, em ser nada. Naquele momento apenas é. Acontece então o já sabido. Tudo o que se passa naquele dia passa sobre você. É o esmagamento de tudo. É o fim. Bem que eu queria lhe falar sobre esse fim que não é fim, porém recomeço. Mas não sei onde está agora nem como está.

alexander skarsgard e kirsten dunst
Vou depositar esta carta sobre uma montanha bem alta, se eu tiver coragem suficiente para escalá-la, e esperar que você a recolha e leia. Não posso ir ao correio ou enviar pela internet porque não tenho o seu endereço exato... Pode ser que as conexões todas tenham caído. Ou pode ser que as conexões todas se iniciem agora. Antes de finalizar quero agradecer a sua companhia naqueles dias que duraram apenas duas horas para mim e para outros que realmente lhe viram e lhe sentiram. Quando eu crescer, quero ser valente como você apesar de todos os pesares. Também quero dizer que tive um ancestral com o seu nome o que nos faz ter algo em comum. Chamava-se Justinus Kerner, viveu no século XVIII, alemão, poeta, médico que se interessou por um monte de coisas que diziam ser estranhas – porque não compreendiam. Onde você estiver e se por acaso o encontrar, pergunte-lhe sobre A Vidente de Prevorst. Daqui a três dias (18) seria seu aniversário de nascimento, caso estivesse entre nós. Talvez esteja e não saibamos, amiga. Um abraço cheio da luz que você merece por tudo o que viveu e o que ensinou.

texto de 
NEUZAMARIA KERNER
poeta
www.neuzamariakerner.blogspot.com

lars von trier


abril 30, 2011

*********** TODAS as MULHERES de CHAPLIN


 

Considerado por muitos o maior comediante da história do cinema, genial no uso de mímica e na comédia pastelão, o inglês
CHARLES CHAPLIN (1889 - 1977. Londres / Reino Unido) conquistou milhões de pessoas com o personagem Carlitos, um vagabundo andarilho, irreverente e sensível, que possui maneiras refinadas, andar errático e ar angelical, usando fraque, calças e sapatos desgastados e mais largos que o seu número, chapéu-coco, bengala e um pequeno bigode. Ele dirigiu, escreveu, atuou, produziu e financiou seus próprios filmes, sendo fortemente influenciado pelo comediante francês Max Linder
. Sua vida pública e privada abrangia adulação, controvérsias e escândalos, pouco se assemelhando ao encantador andarilho das telas. Namorador incorrigível e fascinado por mocinhas, ele se orgulhava de ser bem-dotado, chamando seu pênis de “a oitava maravilha do mundo” e se considerava uma máquina sexual, gabando-se de ser capaz de ter cinco ou seis orgasmos seguidos. Galante e volúvel, envolveu-se com dezenas de mulheres. Listo abaixo seus relacionamentos mais famosos.


EDNA PURVIANCE
(1895 - 1958. Nevada / EUA)

Nos seus primeiros anos em Hollywood, ainda na década de 10, à procura de uma estrela para o seu estúdio, recomendaram a CHAPLIN uma loura de São Francisco. Foi amor à primeira vista. Talentosa, ela estrelou 35 filmes com ele. No entanto, os dois não foram exatamente fiéis e se separaram, mas continuaram amigos e Edna permaneceu na folha de pagamento do ator até sua morte, vítima de câncer.


MIL
DRED HARRIS
(1901 - 1944. Wyoming / EUA)

Ele a conheceu numa festa. A garota tinha 14 anos, mas desde os 10 era atriz e já havia aparecido nua numa cena babilônica de “Intolerância / Intolerance”, de D. W. Griffith. Em 1916, com a sua suposta gravidez, ele se viu obrigado a casar, receoso de ser processado por estupro. Era uma armadilha, Mildred só ficou grávida dele em 1920, gerando uma criança deformada que morreu três dias após o nascimento. No mesmo ano se separaram, num divórcio marcado por acusações de crueldade e de infidelidade.


PEGGY HOPKINS JOYCE
(1983 - 1957. Norfolk, Virginia / EUA)

Depois desse primeiro escândalo, CHAPLIN namorou essa experiente milionária, que havia trabalhado no célebre Ziegfeld Follies, conhecida também por seus golpes do baú. Os banhos que tomavam pelados numa praia na ilha Catalina foram noticiados em jornais de todo o mundo. O breve interlúdio amoroso inspirou o comediante em “Uma Mulher de Paris / A Woman of Paris: A Drama of Fate” (1923).


PO
LA NEGRI

(1894 - 1987. Lipno / Polônia)

CHAPLIN paixonou-se perdidamente pela vamp polonesa ao conhecê-la em Berlim, em 1921, embora ela ainda não falasse inglês. Ficaram quatro dias “in love”, mas só voltaram a se reencontrar no ano seguinte, em Hollywood. Tornaram-se inseparáveis. Na imprensa o caso entre os dois era divulgado como “O Rei da Comédia seduz a Rainha da Tragédia”. Numa entrevista coletiva, anunciaram o noivado e falaram dos planos para o casamento. Cinco semanas depois, tudo estava acabado. Pola mostrou-se arrasada, declarando: “Ele é muito temperamental e tão instável quanto o vento. Dramatiza tudo. E faz experiências com o amor”. A diva faleceu de pneumonia no seu rancho no Texas.


LITA GREY
(1908 - 1995. Los Angeles, Califórnia / EUA)

Aos 35 anos, durante a rodagem de “Em Busca do Ouro / The Gold Rush (1925), ele seduziu Lita, que tinha apenas 15 anos e interpretava o principal papel feminino do seu filme. A mocinha ficou grávida e ele foi forçado a se casar, em 1924, no México, mesmo tentando de tudo para evitá-lo, desde a sugestão de um aborto a uma oferta de 20 mil dólares. O relacionamento infeliz gerou dois filhos, culminando no divórcio em 1926, com a jovem atriz alegando publicamente que ele havia tentado filmar suas relações sexuais, sugerira uma outra mulher entre eles no leito conjugal e lhe pedira que aceitasse a felação, sendo que o sexo oral era crime na Califórnia. O depoimento cáustico se transformou num popular panfleto, vendido aos montes, e vários filmes pornográficos foram rodados, mostrando sósias de CHARLES CHAPLIN representando os atos que sua esposa descrevera. Ele teve que desembolsar 650 mil dólares para se livrar dela.


MARION DAVIES
(1897 - 1961. Nova Iorque / EUA)

Ele supostamente traía Lita com Marion Davies, carismática atriz amante do magnata da imprensa William Randolph Hearst. Nos piores momentos do seu casamento, ele se consolava com ela. No entanto, o casal infiel terminou por protagonizar um tenebroso caso no iate de Hearst, durante uma festa que resultou no fim trágico do produtor Thomas Ince. Hearst encontrou Marion tendo relações sexuais com CHAPLIN, saiu para buscar uma arma, Marion começou a gritar e seu companheiro aproveitou para escapar. Ince veio consolar a atriz. Retornando, Hearst interpretou equivocadamente a situação, atirou e matou Ince. A história foi abafada na mídia, mas correu de boca em boca. Marion faleceu vítima de câncer, deixando uma fortuna estimada em 30 milhões de dólares.


P
AULETTE GODDARD

(1910 - 1990. Nova Iorque / EUA)

Passado os anos, CHAPLIN voltou a se casar, desta vez secretamente, aos 47 anos, em 1936, com uma milionária de 25 anos que estava decidida a ser uma estrela de cinema. Ele a escalou para trabalhar em duas de suas obras-primas, “Tempos Modernos / Modern Times” (1936) e “O Grande Ditador / The Great Dictador” (1940). Depois de alguns anos felizes, este casamento também terminou em divórcio, em 1942, devido aos terríveis ciúmes que ele sentia da juventude e beleza de sua parceira. Pouco antes, havia tentado com afinco conseguir para ela o papel de Scarlett O’Hara em “...E o Vento Levou / Gone with the Wind” (1939). Como não foi a escolhida, concluiu que seu marido era mais um estorvo do que um auxílio e os dois se separaram. Viúva do escritor Erich Maria Remarque, Paulette morreu de enfisema na Suíça, onde vivia.


JOAN BARRY
(1920 - 1996. Detroit, Michigan / EUA)

Após a separação, ele deu umas saídas com a star Hedy LaMarr, mas terminou por namorar uma jovem aspirante a atriz, de 22 anos (ele tinha 52). Essa relação terminou quando ela passou a perturbá-lo com ciúmes e perseguições. Depois de alguns abortos e inúmeros abusos, como dançar nua no gramado da casa de CHAPLIN a ameaçá-lo com um revólver, Joan levou o ator a julgamento em 1943. Ele foi preso e teve suas impressões digitais registradas. Ela exigia que assumisse a paternidade, mas exames de sangue comprovaram que o comediante não era o pai, porém a lei exigia que, por ele ter sido o último parceiro com quem ela apareceu em público, mesmo não sendo o pai biológico, teria que assumir a criança, sendo condenado a pagar uma pensão de cem dólares por semana para a criança por fim registrada com seu sobrenome. Durante o julgamento, o ator confirmou sua potência sexual excessiva.


O
ONA O'NEILL

(1925 - 1991. Warwick / Bermudas)

Pouco tempo depois, ainda em 1943, casou-se com Oona, não agradando ao pai dela, o famoso dramaturgo Eugene O’Neill. Ele tinha 55 anos e ela somente 17, mas a enorme diferença de idade não afetou negativamente a união. Foram viver na Suíça e tiveram oito filhos, entre eles a atriz Geraldine. O último nasceu quando CHARLES CHAPLIN já estava nos setenta anos. Este casamento feliz durou até o fim da vida do comediante. “Se tivesse conhecido Oona ou alguém como ela há muito tempo, nunca teria tido problemas com as mulheres”, declarou ele. Oona faleceu de um câncer no pâncreas.

FONTE
A Vida Sexual dos Ídolos de Hollywood”, de Nigel Cawthorne

paulette e chaplin