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março 03, 2012

************************* o MELHOR dos ÉPICOS

yul brynner em os dez mandamentos

 
Super-produções como “Ben-Hur” ou “A Queda do Império Romano” são títulos lembrados quando penso em ÉPICOS. Esse gênero cinematográfico não é por definição exato, abrangendo proporções grandiosas, tempos turbulentos e personagens nobremente heroicos. Geralmente a trama se centra em metas ou buscas, muitas vezes de fundo religioso ou político, as quais devem ser alcançadas por um super-homem ou um grupo de pessoas bem intencionadas. Alcançou o seu ápice nas décadas de 50 e 60, quando Hollywood passou a colaborar habitualmente com estúdios cinematográficos estrangeiros (por exemplo, o italiano Cinecittà) para utilizar paisagens “exóticas” em países como Espanha ou Marrocos. O lendário Cecil B. DeMille é o diretor por excelência desse gênero, destacando-se com “O Sinal da Cruz / The Sign of the Cross” (1932) e “As Cruzadas / The Crusades” (1935), em uma carreira de cinco décadas. Ele dirigia multidões compostas de milhares de figurantes, registrando planos de beleza monumental. D. W. Griffith e David Lean também fizeram história. Como o ÉPICO me seduz, listo meus favoritos no gênero. Confira.

CABÍRIA
(Idem, 1914)
direção de Giovanni Pastrone
  elenco: Carolina Catena, Lidia Quaranta e Dante Testa

Um dos filmes preferidos de Federico Fellini, influenciou o revolucionário “O Nascimento de um Nação / The Birth of a Nation” (1915), de D. W. Griffith. Três séculos antes de Cristo, Cabíria é raptada por piratas durante a erupção do Etna e vendida como escrava. Antes de ser sacrificada para o deus Moloch, acaba sendo salva por um nobre romano.

INTOLERÂNCIA
(Intolerance: Love's Struggle Throughout the Ages, 1916)
direção de D. W. Griffith
  elenco: Mae Marsh, Robert Harron e Lillian Gish

Quatro histórias que tem em comum a intolerância, a falta de solidariedade entre as pessoas e o pecado. A linha do tempo se estende da época babilônica até o presente. Considerado o principal pioneiro da história do cinema, Griffith tem em “Intolerância” seu filme mais ambicioso, seduzindo com cenários impressionantes.

Os NIBELUNGOS
(Die Nibelungen: Siegfried, 1924)
direção de Fritz Lang
  elenco: Gertrud Arnold, Margarete Schön e Paul Richter

O mestre Lang realizou uma excepcional recriação do mais célebre episódio da mitologia germânica, com efeitos especiais impactantes, principalmente na cena do dragão.

BEN-HUR
(Ben-Hur: A Tale of the Christ, 1925)
direção de Fred Niblo
  elenco: Ramon Novarro, Francis X. Bushman  
e May McAvoy
ramon novarro

A trama central gira em torno da disputa entre dois homens: um aristocrata e seu amigo de infância romano. Surpreende pelos efeitos especiais e exuberância majestosa de algumas sequencias. Repare na audácia de exibir moças despidas da cintura para cima, jogando pétalas de flor em um cortejo triunfal, além de outras cenas sensuais, que seriam impensáveis, anos mais tarde, com a implantação do Código Hays.

NAPOLEÃO
(Napoléon, 1927)
direção de Abel Gance
  elenco: Albert Dieudonné, Vladimir Roudenko 
e Antonin Artaud
albert dieudonné

Colossal e deslumbrante exercício cinematográfico sobre um homem que fundou um império. De extraordinária força visual, com poderosas cenas de batalhas, foi criado para ser exibido em um sistema de três telas unidas chamado Polyvision.

CLEÓPATRA
(Cleopatra, 1934)
direção de Cecil B. DeMille
  elenco: Claudette Colbert, Warren William, Henry Wilcoxon 
e Joseph Schildkraut
claudette colbert
Não é tão conhecida como a lendária versão de Mankiewicz, mas a história da fascinante rainha do Egito retratada por DeMille tem uma estrutura dramática mais convincente. Claudette Colbert, belíssima, conjuga majestade com adequados momentos pícaros. A atriz já havia trabalhado com DeMille em outro épico, “O Sinal da Cruz”.

IVAN, o TERRÍVEL
(Ivan Groznyy, 1944)
direção de Sergei M. Eisenstein
elenco: Nikolai Cherkasov e Lyudmila Tselikovskaya

Painel histórico sobre o primeiro czar de Rússia, de fulgurante beleza plástica e comovente patetismo. Eisenstein o planejou em duas partes. A primeira, ao exaltar a unidade patriótica, contou com a benção das autoridades comunistas, porém a segunda dormiu no limbo da censura mais de 12 anos, pois mostra a um Ivan bem mais complexo.

QUO VADIS
(Idem, 1951)
direção de Mervyn LeRoy
  elenco: Robert Taylor, Deborah Kerr, Leo Genn, 
Peter Ustinov e Patricia Laffan
robert taylor
Guerreiro regressa a Roma depois de três anos de batalha e se enamora de escrava cristã. Mas os acontecimentos históricos impedem o romance. Superprodução da Metro baseada no best-seller de Henryk Sienkiewicz, obteve oito nomeações ao Oscar, incluindo Melhor Filme. Com ótimas interpretações, cenas gloriosas e cenários luxuosos, mistura religião, história e romantismo. Sophia Loren e Elizabeth Taylor fazem pontas.

O MANTO SAGRADO
(The Robe,1953)
direção de Henry Koster
  elenco: Richard Burton, Jean Simmons, 
Victor Mature e Michael Rennie
jean simmons e richard burton

Durante o Império Romano, o filho de senador ofende o sobrinho do imperador e é despachado para Jerusalém, mudando sua vida ao conhecer Jesus Cristo. Seu sucesso gerou uma continuação, “Demetrius e os Gladiadores / Demetrius and the Gladiators” (1954), com Susan Hayward, Anne Bancroft e Victor Mature repetindo seu papel.

ULISSES
(Ulisse, 1954)
direção de Mário Camerini e Mario Bava
  elenco: Kirk Douglas, Silvana Mangano, Anthony Quinn, 
Rossana Podestà e Franco Interlenghi
kirk douglas

Adaptação de “A Odisséia”, de Homero. Terminada a guerra de Tróia com a vitória dos gregos, herói navega durante dez anos antes de chegar ao seu palácio em Ítaca.

TERRA dos FARAÓS
(Land of the Pharaohs, 1955)
direção de Howard Hawks
  elenco: Jack Hawkins, Joan Collins e Dewey Martin

Tudo gira em torno da construção da pirâmide do faraó Keops, planejada para que supere qualquer outra. A atriz britânica Joan Collins está irresistível como a ambiciosa princesa Nellifer. Mesmo longe das melhores obras de Hawks, logra uma enorme intensidade dramática, mas erra feio com o figurino e os cenários pouco realistas.

O DEZ MANDAMENTOS
(The Ten Commandments, 1956)
direção de Cecil B. DeMille
  elenco: Charlton Heston, Yul Brynner, Anne Baxter, 
Edward G. Robinson, Yvonne De Carlo, Debra Paget, 
John Derek, Cedric Hardwicke, Nina Foch, 
Martha Scott, Judith Anderson e Vincent Price
charlton heston e anne baxter

Moisés enfrenta o faraó, tentando libertar seu povo da escravidão.  Trinta e três anos depois de sua primeira versão, DeMille repete a conhecida história com uma força narrativa superior. No elenco de estrelas, destacam-se Brynner (no seu melhor papel), Anne Baxter, Edward G. Robinson e Nina Foch.

ALEXANDRE, o GRANDE
(Alexander the Great, 1956)
direção de Robert Rossen
  elenco: Richard Burton, Fredric March, Claire Bloom 
e Danielle Darrieux
richard burton

Antes de dirigir sua obra-prima, “Desafio à Corrupção / The Hustler” (1961), Rossen realizou o biopic de Alexandre Magno, um monumental peplum de suas façanhas guerreiras. Superior à versão de Oliver Stone, conta com elenco de primeira qualidade.

BEN-HUR
(Idem, 1959)
direção de William Wyler
  elenco: Charlton Heston, Jack Hawkins, Haya Harareet, 
Stephen Boyd, Hugh Griffith, Cathy O’Donnell, 
Martha Scott e Sam Jaffe

Um conterrâneo de Jesus é escravizado e condenado a galeras, enquanto sua mãe e irmã são atiradas num leprosário. Ajudante de direção da versão muda, Wyler ganhou mais uma vez o Oscar de Melhor Diretor. A junção de intimismo e grandiosidade cativou o público. Além disso, Charlton Heston nunca esteve melhor em cena (num precioso papel recusado por Rock Hudson, Marlon Brando e Burt Lancaster).

SPARTACUS
(Idem, 1960)
direção de Stanley Kubrick
  elenco: Kirk Douglas, Jean Simmons, Laurence Olivier, 
Charles Laughton, Tony Curtis, Peter Ustinov, 
John Gavin e Woody Strode
jean simmons

Escravo lidera rebelião contra o todo poderoso Império Romano, depois de fugir de uma escola de gladiadores com 70 homens. Produzido por Kirk Douglas, começou a ser dirigido por Anthony Mann, que foi substituído por Kubrick sem motivo aparente. Douglas se esforçou muito, porém seu personagem foi mal elaborado, dando espaço para as sensacionais atuações de Olivier, Laughton e Ustinov.

EL CID
(Idem, 1961)
direção de Anthony Mann
  elenco: Charlton Heston, Sophia Loren, Raf Vallone 
e Geneviève Page
charlton heston

A mítica história de Rodrigo Díaz de Vivar, El Cid, um dos heróis da Espanha. Ele enfrenta os mouros para reconquistar sua Península. Sophia Loren, no auge da beleza, faz sua esposa, Doña Jimena. Dirigido com talento, contagia o espectador.

LAWRENCE da ARÁBIA
(Lawrence of Arabia, 1962)
direção de David Lean
  elenco: Peter O’Toole, Alec Guinness, Anthony Quinn, 
Jack Hawkins, Omar Sharif, José Ferrer, 
Anthony Quayle, Claude Rains e Arthur Kennedy
peter o'toole

Jovem oficial do Império Britânico lidera a luta das tribos árabes contra os turcos. O filme se centra em suas relações com chefes árabes e nas conquistas das cidades de Aqaba e Damasco. Para interpretar o protagonista Lean havia pensado em Albert Finney, porém Katharine Hepburn aconselhou ao produtor Sam Spiegel que contratasse O'Toole, um ator shakespeariano de 27 anos. A sua interpretação é insuperável. Previsto para ser filmado em cinco meses, durou dois anos e três meses, mas ganhou sete Oscars.

CLEÓPATRA
(Cleopatra, 1963)
direção de Joseph L. Mankiewicz
  elenco: Elizabeth Taylor, Richard Burton, Rex Harrison, 
Hume Cronyn, Roddy McDowell e Martin Landau
elizabeth taylor

Lembrado por polêmicas que envolveram a sua produção, levou a Fox à falência devido aos custos astronômicos (cerca de 45 milhões de dólares na época), e foi responsável pelo início de um dos relacionamentos mais emblemáticos dos bastidores do cinema: Liz Taylor e Richard Burton. É um bom filme, embora exagerado e pretensioso. Liz deslumbra como Cleópatra, porém quem rouba a cena é Rex Harrison como Júlio César, e não foi a toa que recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator.

A QUEDA do IMPÉRIO ROMANO
(The Fall of the Roman Empire, 1964)
direção de Anthony Mann
  elenco: Sophia Loren, Christopher Plummer, Stephen Boyd, 
Alec Guinness, James Mason, Anthony Quayle, 
John Ireland, Omar Sharif e Mel Ferrer

Absolutamente assombroso, capta a aura de decadência do império romano com verossimilhança e extraordinárias interpretações de Alec Guiness, Christopher Pulmmer e James Mason. Apaixonante, concebe um magnífico retrato sobre a ambição desmedida. Sem envelhecer com o passar dos anos, alcançou o panteão da imortalidade. É, sem sombra de dúvida, um dos melhores épicos de todos os tempos.

FARAÓ
(Faraon, 1966)
direção de Jerzy Kawalerowicz
  elenco: Jerzy Zelnik, Wieslawa Mazurkiewicz 
e Barbara Brylska
jerzy zelnik

No antigo Egito, a luta de Ramsés XIII contra o poder dos sacerdotes, a quem o jovem faraó responsabiliza pelo declínio do país, em produção suntuosa indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, depois do sucesso no Festival de Cannes.