março 16, 2015

******************** FRANCESAS em HOLLYWOOD

michèle morgan

 
O charme das ATRIZES FRANCESAS sempre seduziu público e crítica. Ninguém resiste aos seus encantos e beleza. Isso acontece desde os primórdios do cinema mudo, de Renée Adorée a, mais recentemente, Marion Cotillard. Muitas deixaram sua marca em Hollywood. Quase todas de passagem, fazendo um ou outro filme e voltando à França. Adorée, Lili Damita, Claudette Colbert e Leslie Caron fincaram pé no cinema norte-americano. Entre tantas, selecionei dez, lembrando sua temporada nos EUA.


ANNABELLA
(1907 - 1996. Saint-Maur-des-Fossés / França)

Aos 20 anos participou da obra-prima Napoleão / Napoleon (1927), de Abel Gance. Estrela na França, mudou-se para Hollywood em 1937. Dois anos depois casou-se com o astro Tyrone Power. Os biógrafos dizem que era um casamento de fachada, disfarçando a verdadeira natureza sexual do casal. Filmou nos EUA, entre outros, a comédia A Baronesa e o Mordomo / The Baroness and the Butler (1938), com William Powell, e o épico Suez / idem (1938), ao lado de Tyrone e Loretta Young. Após o divórcio, em 1948, voltou ao seu país de origem, aposentando-se em 1954.


CAPUCINE
(1928 - 1990. Saint Raphael / França)

Modelo requisitada, sofisticada e lembrando Greta Garbo, estreou no cinema em “A Águia de Duas Cabeças / L’Aigle à Deux Têtes” (1948), de Jean Cocteau. Em 1960 protagonizou “Sonata de Amor / Song Without End”, ao lado de Dirk Bogarde. O sucesso chegou em 1963 com a comédia “A Pantera Cor-de-Rosa/The Pink Panther”, de Blake Edwards. Fez também uma angustiada prostituta em “Pelos Bairros do Vício / Walk on the Wild Side” (1962), amante da cafetina interpretada por Barbara Stanwyck. Suicidou-se pulando do 8º andar do edifício em que vivia, após uma crise depressiva.


CLAUDETTE COLBERT
(1903 - 1996. Saint-Mandé / França)

Uma das mais famosas e bem pagas estrelas de Hollywood, ganhou o Oscar por seu carismático desempenho em “Aconteceu Naquela Noite / It Happened One Night” (1934), de Frank Capra. Nascida na França, mas criada em Nova Yorque, começou na Broadway, indo para o cinema no finalzinho dos anos 1920. Conhecida pela versatilidade e talento, estrelou inúmeros filmes de sucesso, de “Cleópatra / idem” (1934) a Mundos Íntimos / Private World” (1935), de “Ao Rufar dos Tambores / Drums Along the Mohawk” (1939) a Desde que Partiste / Since You Went Away” (1944). Na maioria de suas cenas aparece apenas o lado esquerdo do seu rosto. Ela tinha aversão a mostrar o lado direito nas telas. Em 1961 fez seu último filme, mas continuou a atuar em teatro e televisão. Faleceu aos 92 anos, após uma série de acidentes vasculares cerebrais.


CORINNE CALVET
(1925 – 2001. Paris / França)

Nos anos 1940, fez teatro e cinema na França, antes de ser levada para Hollywood pelo produtor Hal B. Wallis. Ele a escalou para o filme Zona Proibida / Rope of Sand (1949), ao lado de Burt Lancaster e Paul Henreid. Apareceu em outros filmes, sempre interpretando francesas, como em Escândalos na Riviera / On the Riviera (1951), Sangue por Glória / What Price Glory (1952), “Uma Aventura na Índia / Thunder in the East” (1952), Região do Ódio / The Far Country (1954) e Três Marujos em Paris / So This is Paris (1955). Na auto-biografia Has Corinne Been a Good Girl? (1983) reclama que os papéis que interpretou em Hollywood nunca desafiaram sua capacidade de atuar.


DANIELLE DARRIEUX
(1917 - 2017. Bondéus / França)

Sua carreira de oito décadas está entre as mais longas da história do cinema. Aos 14 anos participou do musical "Le Bal" (1931). Talento combinado com sofisticação e habilidade em cantar e dançar, levou-a a numerosas ofertas de trabalho. Em 1935, casou-se com o diretor Henri Decoin, que a encorajou a tentar a sorte em Hollywood. Assim o fez, filmando em 1938 A Sensação de Paris / The Rage of Paris (1938), ao lado de Douglas Fairbanks Jr., mas não deu certo. Ainda filmaria nos EUA Rica, Bonita e Solteira / Rich, Young and Pretty (1951), o thriller de Joseph L. Mankiewicz, Cinco Dedos / Five Fingers (1952); e o épico “Alexandre, o Grande / Alexander the Great” (1955), de Robert Rossen. No final dos anos 1960 substituiu Katharine Hepburn no musical da Broadway, Coco, baseado na vida de Coco Chanel.


LILI DAMITA
(1904 - 1994. Blaye / França)

Sucesso instantâneo na Europa, apareceu em 34 filmes entre 1922 e 1937. Em 1928, a convite do produtor Samuel Goldwyn, partiu para Hollywood, fazendo sua estreia norte-americana em “O Corsário / The Rescue” (1929), ao lado de Ronald Colman. Emprestada a vários estúdios, atuou com estrelas como Gary Cooper, Maurice Chevalier, Laurence Olivier e Cary Grant. Casou-se com o diretor Michael Curtiz e a seguir com o ator Errol Flynn. Morreu de Alzheimer aos 90 anos de idade.


MICHÈLE MORGAN
(1920 - 2016. Neuilly-sur-Seine / França)

Beleza clássica, estonteante. Uma das mais populares e importantes atrizes do cinema francês por muitas décadas. Começou como atriz aos 15 anos. Em Hollywood protagonizou “E as Luzes Brilharão Outra Vez / Joan of Paris” (1942), com Paul Henreid; “Passagem para Marselha / Passage to Marseille” (1944), interpretando a esposa de Humphrey Bogart, e o policial noir “Perseguição / The Chase” (1946), ao lado de Robert Cummings. De volta à casa, recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes, em 1946. No seu tempo em Hollywood construiu a mansão que décadas mais adiante seria palco do famoso assassinato de Sharon Tate e amigos.


MICHELINE PRESLE
(n. em 1922. Paris / França)

Estreou cinema francês em 1937, nunca mais parando de filmar. No final dos anos 1940 foi viver nos Estados Unidos, assinando contrato com a 20th Century-Fox e conhecendo o ator William Marshall, com quem teve uma filha, Tonie Marshall, que se tornaria cineasta. Dona de longa e próspera carreira, protagonizou com John Garfield “Vingança do Destino / Under My Skin” (1950), de Jean Negulesco. Neste mesmo ano, faria o drama de guerra “Guerrilheiros das Filipinas / American Guerrilla in the Philippines”, de Fritz Lang, e em 1951, “As Aventuras do Capitão Fabian / Adventures of Captain Fabian”, ao lado de Errol Flynn. Atuou em outras produções norte-americanas, trabalhando no total em mais de 170 filmes. Ainda hoje faz cinema e televisão.


RENÉE ADORÉE
(1898 - 1933. Lille / França)

Fugindo da Primeira Guerra Mundial, ela foi parar em Nova York, onde apareceu uma oportunidade de trabalhar no cinema. Embora baixinha, possuía uma beleza sensual e olhos penetrantes que marcavam presença na tela. Estreou em 1918 e em 1925 protagonizaria um dos clássicos do cinema mudo, O Grande Desfile / The Big Parade, de King Vidor, com John Gilbert. Em Força Que Seduz / The Mating Call (1928) apresentou uma rápida cena de nudez que causou comoção. No cinema falado continuou filmando com sucesso. No entanto, uma tuberculose a matou aos 35 anos de idade.


SIMONE SIMON
(1910 - 2005. Marselha / França)

Conhecida pela Irene Dubrovna do thriller “Sangue de Pantera / Cat People” (1942), de Jacques Tourneur, estreou no cinema em 1931 e rapidamente se estabeleceu como uma das atrizes mais bem sucedidas da França. Darryl F. Zanuck a levou a Hollywood, em 1935, com uma agressiva campanha publicitária. Mas a Fox nao soube encontrar papéis adequados para ela. Ainda assim, a atuação em “Dormitório de Garotas / Girl’s Dormitory” (1936) provocou sensação entre os críticos. Temperamental, teve conflitos com diretores e atores. O forte sotaque francês também limitou sua carreira nos EUA. Dessa época, seu melhor momento aconteceu no remake de “O Sétimo Céu / Seventh Heaven” (1937), de Henry King, co-estrelado por James Stewart. No final da década de 1930, insatisfeita com a letargia da sua trajetória no estrangeiro, voltou para sua terra natal. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, tentou outra vez Hollywood, trabalhando na RKO Radio Pictures, onde alcançou seus maiores sucessos: “O Homem que Vendeu a Alma / All That Money Can Buy” (1941), “Sangue de Pantera” (1942), “Mademoiselle Fifi / idem” (1944) e “Maldição do Sangue da Pantera / The Curse of the Cat People” (1944). Morreu em 2005, aos 94 anos, de causas naturais.

março 08, 2015

*************** O IRRESISTÍVEL ROCK HUDSON




Roy Harold Scherer Júnior foi abandonado pelo pai aos oito anos de idade, sendo educado com dificuldade pela mãe, uma empregada doméstica. Trabalhou como carteiro, mecânico de aeronaves da marinha e motorista de caminhão antes de ser conhecido como ROCK HUDSON (1925 - 1985. Winnetka, Illinis / EUA). Um dos maiores sucessos de bilheteria dos anos 1950 e 60, não era bom ator, mas tinha carisma e bela estampa. Durante a ascensão ao estrelato, a Universal o escalou para pequenos papéis, geralmente em faroestes. Tornou-se protagonista em “Bando de Renegados / The Lawless Breed” (1953). O melodrama “Sublime Obsessão”, do mestre Douglas Sirk, transformou-o em astro, posição que manteve por mais de uma década. Seu principal desempenho, indicado ao Oscar, foi o fazendeiro casado com Elizabeth Taylor em “Assim Caminha a Humanidade”, e os mais populares, a série de comédias românticas com Doris Day, destacando-se “Confidências à Meia-Noite”. Ganhou quatro vezes o Globo de Ouro. Nos anos 1970, fez sucesso na série de tevê “O Casal MacMillan”.


Moreno, muito alto (1,93 m), másculo, belo corpo e voz viril, ele estava acima de qualquer suspeita, ocultando habilmente suas inclinações sexuais. Em 1946, após dar baixa da marinha, mudou-se para Los Angeles, tornando-se amante do produtor musical Ken Hodge. Ken fez tudo o que pode por ele, inclusive transferindo-se para mais perto de Hollywood e dando festas para apresentá-lo aos caçadores de talento. Um deles, o sórdido Henry Willson, contratou o inexperiente Rock. Willson era um homossexual notório, vivia rodeado de rapazes aos quais prometia as luzes da ribalta. Enquanto elas não se acendiam, circulava com eles e os levava para a cama. No seu cast, Robert Wagner, Rory Calhoun, Tab Hunter, Troy Donahue, John Saxon e George Nader. Rock se deixou seduzir em nome da carreira. O agente arrumou seus dentes e pagou lições de interpretação, dança, desinibição e dicção. Inicialmente nada adiantou. Raoul Walsh deu-lhe uma fala num filme e foram necessárias trinta e seis tomadas para que ROCK HUDSON a pronunciasse corretamente. Percebendo que seu rosto era bom para a câmera, o diretor contratou-o, negociando o contrato mais adiante com a Universal.

liz e rock
O estúdio divulgou romances do novo contratado - com as atrizes Vera Ellen e Marilyn Maxwell - para que os fãs não fizessem uma ideia errada a seu respeito. Ele logo passou a receber uma média de cento e cinqüenta propostas de casamento por semana. As revistas de cinema não paravam de perguntar: “Quando Rock escolherá uma noiva?”. Isso o tornou cuidadoso. Passou a encarnar o herói romântico e sua carreira terminaria se o público tivesse a mais leve suspeita de sua homossexualidade. 

O problema era a inesgotável energia sexual de ROCK HUDSON. Ele necessitava de sexo diariamente e não apreciava sujeitos masculinos, de preferência bissexuais. Enquanto isso, seus filmes destacavam seu vigoroso físico. As publicações estampavam fotos suas dedicando-se a tarefas típicas masculinas, entre elas lavando seu conversível vermelho. Sem camisa, para exibir o formoso tronco. Uma delas vinha com a legenda: “Olhando-o de qualquer ângulo, a conclusão é: que homem!”. Liz Taylor admitiu que, durante as filmagens de “Assim Caminha a Humanidade”, sentiu-se atraída por ele. Foi inútil, ele preferiu cair nos braços de James Dean. 

rock e jane wyman 
em sublime obsessão
Quando a revista “Confidential” passou a farejar a vida privada do astro, o estúdio resolveu casá-lo. A escolhida, uma ingênua secretária, Phyllis Gates, não tinha ideia da farsa, apenas se deliciava por ser a esposa do homem que todas as mulheres cobiçavam. Ele aguentou o máximo que pode, mas a união só durou três anos.

Durante as filmagens de “Adeus às Armas / A Farewell to Arms” (1957), teve tórrido caso de amor com um ator italiano (seria Franco Interlenghi?), beirando o escândalo. Para concretizar sua imagem heterossexual, foi colocado ao lado da comportada Doris Day em “Confidências à Meia-Noite”. A comédia custou um milhão e arrecadou 25 milhões de dólares. Ele passou a ser o ídolo número um do mundo. Em 1962, ROCK HUDSON conheceu um jovem chamado Lee Garlington e o convidou para viver com ele. O caso se arrastou por nove anos, e o ator revelou que Lee foi uma das poucas pessoas que realmente amou. No entanto, isso não o impedia de traí-lo. 

doris day e rock em confidências à meia-noite
Rock teve inúmeros parceiros e frequentava discretas festas exclusivamente masculinas, principalmente aquelas em que não conhecia quase ninguém. Com o declínio, a partir dos anos 1970, ele direcionou toda a sua energia para o sexo. Nas suas festas enchia a piscina com dezenas de belos jovens, nus e bronzeados. “Os louros são os Scott e os morenos são os Grant”, dizia aos raros convidados. Ninguém desconhecia o famoso romance entre Randolph Scott e Cary Grant. Nos anos 1980, numa sauna, conheceu o oportunista Marc Christian, de 29 anos. ROCK HUDSON o levou pra casa, deu-lhe um salário mensal, pagou um tratamento para melhorar seus dentes, arranjou-lhe um personal trainer, um carro e lições de tênis. 

Nesta época que apareceram os primeiros sintomas de que sua saúde não estava bem. Logo descobriu a Aids. Quando a “Variety” revelou sua doença, o mundo ficou estupefato. No entanto, morreu cercado de amigos, entre eles, Elizabeth Taylor. Depois da sua morte, o ex-amante foi aos tribunais, alegando que o ator fazia sexo com ele sabendo que podia contaminá-lo. Ganhou a causa, embolsando 14,5 milhões de dólares. Sua última aparição no cinema foi em “O Embaixador / The Ambassador” (1984), de J. Lee Thompson, co-estrelado por Robert Mitchum.

Fontes
“Rock Hudson – História de Sua Vida”
de Rock Hudson e Sara Davidson
 
 “A Vida Sexual dos Ídolos de Hollywood”
de Nigel Cawthorne


DEZ FILMES de ROCK
(por ordem de preferencia)

01
ASSIM CAMINHA a HUMANIDADE
(Giant, 1956)
direção de George Stevens
  elenco: Elizabeth Taylor, James Dean,Carroll Baker,
Mercedes McCambridge, Dennis Hopper e Sal Mineo

02
TUDO o QUE o CÉU PERMITE
(All that Heaven Allows, 1955)
direção de Douglas Sirk
  elenco: Jane Wyman, Agnes Moorehead e Conrad Nagel

03
SUBLIME OBSESSÃO
(Magnificent Obsession, 1954)
direção de Douglas Sirk
  elenco: Jane Wyman, Agnes Moorehead e Barbara Rush

04
E o SANGUE SEMEOU a TERRA
(Bend of the River, 1952)
direção de Anthony Mann
  elenco: James Stewart, Arthur Kennedy e Julie Adams

05
CONFIDENCIAS a MEIA-NOITE
(Pillow Talk, 1959)
direção de Michael Gordon
  elenco: Doris Day, Tony Randall, Thelma Ritter
e Marcel Dalio

06
PALAVRAS ao VENTO 
(Written on the Wind, 1956)
direção de Douglas Sirk
  elenco: Lauren Bacall, Robert Stack, Dorothy Malone
e Robert Keith

07
VOLTA, MEU AMOR
(Lover Come Back, 1961)
direção de Delbert Mann
  elenco: Doris Day, Tony Randall, Edie Adams
e Jack Oakie

08
O SEGUNDO ROSTO
(Seconds, 1966)
direção de John Frankenheimer
  elenco: Salome Jens, John Randolph e Will Geer

09
QUANDO SETEMBRO VIER
(Come September, 1961)
direção de Robert Mulligan
  elenco: Gina Lollobrigida, Sandra Dee, Bobby Darin
e Walter Slezak

10
O ÚLTIMO POR-DO-SOL
(The Last Sunset, 1961)
direção de Robert Aldrich
  elenco: Kirk Douglas, Dorothy Malone, Joseph Cotten
e Carol Lynley

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março 02, 2015

***** BURTON & TAYLOR: um AMOR para SEMPRE

                      

 
Os dois se apaixonaram nos imponentes sets de filmagem de “Cleópatra”, em 1962. Ela, casada com o ator e cantor Eddie Fischer, ele, com Sibil, sua mulher de muitos anos. “Elizabeth olha para você com aqueles olhos, e seu sangue se agita”, declarou o ator na ocasião. O caso agitou as colunas de fofoca. Como seus personagens Cleópatra e Marco Antonio, o amor começou com um escândalo de traição e terminou em casamento. Seria o quinto do histórico matrimonial de ELIZABETH TAYLOR. Temperamental, carismática e rebelde, ela casou-se oito vezes, duas delas com Burton, e teve quatro filhos, que lhe deram dez netos e quatro bisnetos. Elizabeth não deixava suas paixões passarem em branco, começava de novo como se fosse a primeira vez: com festa, convidados, flores, cerimônia e lua de mel. Suas relações eram apaixonadas, intensas, quase sempre atribuladas. Foi com o ator inglês RICHARD BURTON que protagonizou os maiores altos e baixos de sua vida amorosa. Muitos outros casamentos depois, eles continuavam a afirmar o grande amor que sempre os uniu e também separou.

O GRANDE AMOR de suas VIDAS

Durante a filmagem de “Cleópatra”, à vista do marido, Elizabeth começou abertamente a ter um caso com Burton. Os dois se entregavam a noitadas de bebedeira homérica e sexo, que acabavam muitas vezes em brigas e, pelo menos uma vez, numa “ameaça de suicídio” de Elizabeth. Impotente diante da insobordinação hedonista de seus astros, o diretor Joseph L. Mankievicz teria se queixado aos executivos da Fox enviando-lhes um bilhete: “Liz e Burton não estão apenas 'interpretando' Cleópatra e Marco Antônio”. Com uma divulgação focada nos escândalos da vida dos protagonistas fora das telas, o épico foi um sucesso de bilheteria, embora tenha deixado a Fox no prejuízo, pois os US$ 26 milhões que arrecadou ficaram longe de cobrir seu custo assombroso de US$ 44 milhões.

Eles se casaram em março de 1964. Levaram uma vida de luxúria, regada a álcool e abrilhantada por muitas jóias, presentes de Richard para Elizabeth, entre elas o famoso diamante Krupp (anel), de 33,19 quilates, e o diamante Taylor-Burton (pingente), em forma de gota, com 69,42 quilates. A primeira união durou quase 10 anos, marcada por acontecimentos positivos e negativos de igual intensidade. Do lado bom havia muito amor, paixão e admiração. Do lado mau estavam discussões, ciúmes, tapas, ofensas, descontrole de drogas e excesso de bebida. Mas não há dúvida de que RICHARD BURTON foi o homem da vida de ELIZABETH TAYLOR, e vice-versa. Em 2010, ela divulgou as cartas que recebeu dele, oferecendo vislumbres do romance apaixonado e turbulento que se estendeu por 15 anos. Mais tarde elas seriam reunidas no livro “Furious Love: Elizabeth Taylor, Richard Burton, and the Marriage of the Century”.

CARTAS de um APAIXONADO

Nas cartas, Burton brinca com Taylor chamando-a de apelidos carinhosos como “Twit Twaddle” e “My Lumps” (minhas bolotas). “Se você me deixar, eu me mato. Não há vida sem você”, ele escreveu em uma das primeiras cartas. “O fato fundamental e mais terrível, fatal e impossível de mudar é que nós não nos compreendemos de maneira alguma. Operamos em comprimentos de ondas diferentes. Você está à distância de Vênus - o planeta, quero dizer - e eu não tenho ouvido para captar a música dos astros”, escreveu o ator sobre os desentendimentos do casal. Em outra, ele se refere ao talento e à beleza da diva.  “Você é provavelmente a melhor atriz do mundo, o que, somado à sua beleza extraordinária, faz você ser única.”  Na época em que revelou as cartas, ELIZABETH TAYLOR disse em entrevista à revista “Vanity Fair” que “Richard foi magnífico em tudo o que fez. Ele era o pai mais carinhoso, divertido e gentil. Todos meus filhos o adoravam. Atencioso, amoroso - assim era Richard - desde aqueles primeiros momentos em Roma, sempre estivemos loucamente e poderosamente apaixonados.”

RICHARD BURTON também declarou seu amor pela atriz inúmeras vezes. Chegou a dizer que seus famosos olhos cor de violeta eram “tão sexy que equivaliam a pornografia”. Separaram-se em 1973, depois de muitas reconciliações e brigas, provocadas principalmente pelo alcoolismo dele. O divórcio veio em 1974. No ano seguinte, casaram-se novamente. A segunda união durou menos de um ano. Durante esse período o casal adotou a quarta filha da atriz, Maria Burton. Em 4 de dezembro de 1976, mesmo ano em que se separou definitivamente de Burton, Elizabeth casou-se com seu sétimo e penúltimo marido, o político conservador e atual senador republicano John Warner. Ficaram juntos até 1982. Elizabeth e Burton continuaram amigos, se falavam pelo telefone, e trocaram cartas de amor até a morte dele, em 1984. Dias antes de morrer na Suíça, vítima de hemorragia cerebral, ele escreveu. Ela recebeu a carta na Califórnia, após comparecer ao funeral do ex-marido.  Dizia: “Nós nunca nos separamos realmente”.

Depois de um Oscar  bastante questionado em 1960, por Disque Butterfield 8 / Butterfield 8”, o segundo – e merecido! - Oscar de ELIZABETH TAYLOR veio com “Quem Tem Medo de Virginia Woolf” (1966), seu filme favorito dentre todos os que fez, e em que contracena com Burton. O ator nunca ganhou a estatueta da Academia, embora tenha sete indicações: “Minha Prima Raquel / My Cousin Rachel” (1952), “O Manto Sagrado / The Robe” (1953), “Becket, O Favorito do Rei / Becket” (1964), “O Espião que Veio do Frio / The Spy Who Came in from the Cold(1965), “Quem Tem Medo de Virginia Woolf”, “Ana dos Mil Dias / Anne of the Thousand Days” (1969) e “Equus / Idem” (1977). Além de estrelarem “Cleópatra” e “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, os dois apareceriam juntos em mais seis filmes, entre eles o romântico “Adeus às Ilusoes”, a bonita comédia “A Megera Domada” e o tresloucado “O Homem Que Veio de Longe”, baseado numa peça de Tennessee Williams.

REENCONTRO nos PALCOS

Em 1983, a atriz – então com 50 anos – propôs a Burton que fizessem uma peça juntos, “Vidas Privadas / Private Lives”, do sofisticado dramaturgo inglês Noel Coward. Ele topou, resultando numa conturbada temporada na Broadway, arrasada pela crítica e glorificada pelo público que lotava o teatro todos os dias, aplaudindo de pé quando Elizabeth entrava em cena. Trata-se de uma comédia sobre a história de um casal divorciado há cinco anos, que, ao se reencontrar durante a lua de mel, com seus respectivos novos pares, vê o amor renascer e resolvem fugir para Paris. O fato desencadeia uma hilária trajetória com diálogos divertidíssimos. O charme da história real, vivida por uma das duplas mais famosas do cinema, alimentou o noticiário sobre a intimidade de celebridades. Nos bastidores, a tensão era grande. Com o fim do espetáculo, Elizabeth internou-se numa clínica e Burton morreu nove meses depois, aos 59 anos.

 
ELIZABETH e RICHARD no CINEMA

CLEÓPATRA
(Cleopatra, 1963)
 
direção de Joseph L. Mankiewicz
  elenco: Rex Harrison, Pamela Brown e Hume Cronyn

GENTE MUITO IMPORTANTE
(The V.I.P.s, 1963)
 
direção de Anthony Asquith
  elenco: Louis Jourdan, Elsa Martinelli, Margaret Rutherford,
Maggie Smith, Rod Taylor e Orson Welles

ADEUS às ILUSOES
(The Sandpiper, 1965)
 
direção de Vincente Minnelli
  elenco: Eva Marie Saint e Charles Bronson

QUEM tem MEDO de VIRGINIA WOOLF?
(Who's Afraid of Virginia Woolf?, 1966)
 
direção de Mike Nichols
com George Segal e Sandy Dennis

A MEGERA DOMADA
(The Taming of the Shrew, 1967)
 
direção de Franco Zeffirelli
  elenco: Cyril Cusack e Michael York

DOUTOR FAUSTUS
(Doctor Faustus, 1967)
 
direção de Richard Burton e Nevill Coghill

Os FARSANTES
(The Comedians, 1967)
 
direção de Peter Glenville
  elenco: Alec Guinness, Peter Ustinov, Paul Ford,
Lillian Gish, James Earl Jones e Cicely Tyson

O HOMEM que VEIO de LONGE
(Boom!, 1968)
 
direção de Joseph Losey
  elenco: Noel Coward, Joanna Shimkus, Michael Dunn
e Romolo Valli

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