outubro 18, 2010

********** JEAN RENOIR E LUCHINO VISCONTI



O CINEMA POÉTICO DE RENOIR

Dono de um estilo satírico, realista e poético, JEAN RENOIR nasceu em Paris, em 1894, filho do famoso pintor impressionista Auguste Renoir. Passou a infância em Montmartre, bairro boêmio parisiense, onde conheceu vários artistas. Depois de escrever roteiros para o cinema mudo, dirigiu em 1924 seu primeiro trabalho, “A Filha da Água”, estrelado por sua mulher, Catherine Hessling, ex-modelo de seu pai. Inspira-se no romance de Émile Zola para o elaborado “Naná” (1926) e em Flaubert para “Madame Bovary” (1933). Um dos seus maiores sucessos, “A Grande Ilusão” (1937), mostra como as afinidades entre as classes sociais são maiores que as diferenças entre elas. Em 1938, dirige “A Marselhesa” e “A Besta Humana”, também adaptado de Zola e protagonizado por Jean Gabin. No ano seguinte filma o magistral “A Regra do Jogo”, que apresenta oito personagens principais, nenhum em posição central.

Depois da invasão da França pelas tropas nazistas, no começo da Segunda Guerra Mundial, muda-se em 1940 para os Estados Unidos e adquire a nacionalidade norte-americana. Trabalha em Hollywood, mas por não se adaptar às normas dos estúdios, seus filmes não alcançam êxito. Mesmo assim, fez os espetaculares “Esta Terra é Minha” (1943), com Charles Laughton, e “A Mulher Desejada” (1947), com Joan Bennett e Robert Ryan. De volta à Europa, dirige “French Cancan” (1954) e diversos outros filmes. Seu último filme, "O Cabo Ardiloso", de 1962, lembra a temática de "A Grande Ilusão". Em 1975, finalmente recebeu o Oscar pelo conjunto de sua obra. Morreu em 1979, aos 85 anos.

pierre fresnay e erich von strohein 
em "a grande ilusão"

o ator helmut berger e visconti

ARTE SOFISTICADA VERSUS ADAPTAÇÕES LITERÁRIAS

As versões cinematográficas de obras literárias, transformadas em imagens sofisticadas e apaixonadas recriando a morte e a decadência, deram fama internacional ao italiano LUCHINO VISCONTI. "O Leopardo" (1962), de Leopardi, mostra a mudança de rumo da nobreza siciliana para a nova sociedade burguesa, e "Morte em Veneza" (1971), a adaptação do romance de Thomas Mann, narra os últimos dias de um músico na cidade dos canais. São os seus filmes mais conhecidos. Talvez os menos valorizados sejam "Noites Brancas" (1957), baseado em Fiodor Dostoievski, e "O Estrangeiro" (1967), inspirado no título homônimo de Albert Camus.

Nascido em Milão em 1906, descendente de uma família aristocrata, politicamente antifascista, co-fundador e um dos principais representantes do neo-realismo italiano, Visconti denunciou a realidade social por meio de uma elaboração acentuadamente estética. Homossexual assumido, alguns biógrafos retrataram affairs do diretor com Franco Zefirelli, Alain Delon, Mario Girotti (depois Terence Hill), Giuliano Gemma e Helmut Berger. Destacou-se também como excepcional diretor de peças teatrais e óperas. Em sua filmografia, convivem atrizes lendárias como Anna Magnani, Silvana Mangano, Romy Schneider, Alida Valli, Maria Schell, Annie Girardot, Ingrid Thulin, Clara Calamai, Florinda Bolkan, Charlotte Rampling e Claudia Cardinale, em filmes como "Sedução da Carne" (1954), "Rocco e seus Irmãos" (1960), “Ludwig – A Paixão de um Rei” (1972) e "Violência e Paixão" (1974). Morreu em 1976, aos 70 anos.

bjorn andressen e silvana mangano 
em "morte em veneza"

14 comentários:

Sibely Vieira disse...

Belo Blog querido, com mais tempo eu vou participar ok?
beijos

Evelyn Bush disse...

Olá.. bem-vindo!!
O blog é bom, parabéns, ja estou seguindo !!

Alesselma disse...

Amei o blog. Divulgarei e pedirei uns títulos!!
Parabéns!
Abraço

Izabel Cristina disse...

Parabéns pela iniciativa!!

Viveca Hamati Gonçalves disse...

Parabéns, adorei. Sou cinéfila assumida, serei sua seguida mais assídua.
Viveca

Hugo Roberto Tocafundo disse...

Perfeito. Parabéns, voce me reconduziu aos anos 50, melhor época do seculo passado. Abraços. Tocafundo

Antônio Augusto dos Santos disse...

Acabo de ver o seu blog, de novo. Excelente!

Grito Interno disse...

Ah! Os filmes do Visconti são tão prazerosos quanto um almoço de Domingo com os amigos *-*

annastesia disse...

Amo o mestre Billy Wilder.

annastesia disse...

Amo Morte em Veneza (e Tadzio) e amo A regra do jogo. Não tem como não ser apaixonada pela 7a arte.

Danielle disse...

Também amo o Billy Wilder por seu senso de ironia e sua vesatilidade. O que é aquele "Crepúsculo dos Deuses" (a propósito, maravilhoso esse cartaz do filme - vou botá-lo como papel de parede do meu computador). E "Quanto mais quente melhor", "Ninotchka". Ele dirigiu a Ginger na comédia "The Major and the minor". Você a viu? Se eu não me engano, esse foi seu primeiro trabalho como diretor.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Danielle, Billy é um dos meus cineastas favoritos. Nunca vi A INCRÍVEL SUZANA. Imagino que deve ser uma loucura a união dos hilários Wilder-Ginger. É o segundo filme dele, o primeiro foi A SEMENTE DO MAL, ainda na Europa.

Anônimo disse...

Só uma correcção:A obra literária "O Leopardo" não é de Leopardi mas sim de Tomasi de Lampedusa. O resto está OK.Felicitações pelo blogue

albertino.ferreira@mne.pt disse...

o romance "O Leopardo" não é de Leopardi, poeta suicida italiano, mas sim de Tomaso di Lampedusa.Parabéns pelo blogue e seu imenso background de informação sobre historia do cinema.