novembro 01, 2017

*********** As PERNAS que ABALARAM HOLLYWOOD

cyd charisse e gene kelly

Em uma famosa cena de
“Cantando na Chuva / Singin’ in the Rain” (1952), a câmera mostra as coxas longas, carnudas e sedosas de Cyd Charisse, sentada, com Gene Kelly aos seus pés. Nascia uma estrela com uma poderosa arma feminina. Por muito tempo, ela foi considerada a dona das PERNAS mais belas do mundo e fez seguro milionário desta parte do corpo responsável por sua fama e fortuna - em sua biografia disse que foi uma jogada de marketing da Metro-Goldwyn-Mayer.

Cyd dançava muito bem, mas não tinha talento dramático. Quando os musicais perderam o prestígio no final dos anos 1950, findou-se sua carreira. Não foi a única. Ann Miller, Esther Williams e Mitzi Gaynor tiveram de aposentar lindas coxas com o fim injusto deste gênero. Não só as estrelas que dançavam tinham pernas estonteantes, quando Kim Novak aparecia nas telas a plateia ficava estatelada. Em “Kismet / Idem” (1944), Marlene Dietrich causou furou ao revelar magníficas PERNAS pintadas de dourado. Elas foram colocadas no seguro por um milhão de dólares.


Os registros hollywoodianos dizem que a pin-up Betty Grable, em 1940, foi a primeira atriz a conseguir uma apólice de suas pernas. Conhecida como a dona das coxas de dinamite, a estrela fez escola. Depois seria a vez de Silvana Mangano, Angie Dickinson e outras privilegiadas. As coxas de Marilyn Monroe também são imortais, competindo com o resto do impecável corpo. A sequência do vestido esvoaçante em “O Pecado Mora ao Lado / The Seven Year Itch” (1955) ficou clássica, levando marmanjos do mundo inteiro ao delírio.


A super estrela Ava Gardner tinha um imbatível par de PERNAS, assim como Raquel Welch, que deixou muitos de queixo caído ao levantar a saia em “Homem e Mulher Até Certo Ponto / Myra Breckrindge” (1970). Pensando nestes lampejos carnais ao assistir Rita Hayworth em “Modelos / Cover Girl” (1944), selecionei 13 atrizes do tempo em que o cinema ia melhor das pernas.


ANGIE DICKINSON
(Dakota do Norte, EUA. 1931)


ANN MILLER
(Texas, EUA. 1923 - 2004)


AVA GARDNER
(Carolina do Norte, EUA. 1922 - 1990)


BETTY GRABLE
(Missouri, EUA. 1916 - 1973)


CYD CHARISSE
(Texas, EUA. 1922 - 2008)


ESTHER WILLIAMS
(Califórnia, EUA. 1921 - 2013)


JANE RUSSELL
(Califórnia, EUA. 1921 - 2011)

MARILYN MONROE
(Los Angeles, Califórnia, EUA. 1926 - 1962)

KIM NOVAK
(Chicago, Illinois, EUA. 1933)

MARLENE DIETRICH
(Berlim, Alemanha. 1901 - 1992)

MITZI GAYNOR
(Chicago, Illinois, EUA. 1931)

RAQUEL WELCH
(Chicago, Illinois, EUA. 1940)

RITA HAYWORTH
(Nova Iorque, EUA. 1918 - 1987)

outubro 15, 2017

*********** 17 PROFESSORES, com CARINHO

sandy denis em subindo por onde se desce
Tenho caros amigos professores. Faz tempo que planejo escrever sobre esta profissão valorosa como protagonista de filmes. Finalmente, neste post, viajo em 17 longas estrelados por personagens PROFESSORES. Eles fazem o melhor para educar seus alunos, muitas vezes enfrentando o sistema ou complexas razões pessoais. 

Em uma seleção sempre fica um ou outro de fora, não significando que outras indicações não sejam importantes. O painel de filmes sobre este profissional é extenso, tornando-se complicado abordá-lo com profundidade em poucas linhas. Como habitualmente, as listas deste blog são pessoais e raramente ultrapassam a década de 1970. Destacam, principalmente, clássicos. 

Confira na listagem abaixo 17 títulos nos quais a/o PROFESSORA/O é o eixo da história. 

ROBERT DONAT
Mr. Chips em ADEUS MR, CHIPS
(Goodbye Mr. Chips, 1939)
direção de Sam Wood


Na década de 1920, Arthur Chips Chipping é um dedicado e severo professor de latim de tradicional escola inglesa. Casa-se com uma atriz de musicais, Katherine Bridges (a inglesa Greer Garson, no papel que a levaria ao estrelato, lançada em Hollywood como a “Nova Garbo”), que deixa o palco para ser sua esposa e acaba conquistando os alunos do marido com sua alegria e espontaneidade. Ela também transforma o parceiro, que deixa de ser intransigente e passa a ser admirado. 

Primeira das quatro vezes em que o livro de James Hilton foi adaptado às telas. As posteriores, também com o mesmo título, foram produzidas em 1969, 1984 e 2002, sendo que as duas últimas foram feitas para a TV. O inglês Robert Donat levou o Oscar de Melhor Ator.

MARTHA SCOTT
Ella Bishop em DONA DE SEU DESTINO
(Cheers for Miss Bishop, 1941)
de Tay Garnett


Dedicada professora sofre quando seu amado noivo foge com sua prima (Mary Anderson). A rival morre no parto e sua filha é deixada para ser cuidada por ela. Excelente atuação de Martha Scott, grande atriz que não chegou ao estrelato.

BETTE DAVIS
Miss Lilly Moffat em O CORACAO NAO ENVELHECE
(The Corn is Green, 1945)
de Irving Rapper


A professora Lily Moffat se revolta com as condições nas quais um povoado do país de Gales é governado e decide montar uma escola para seus habitantes. No entanto, as autoridades governamentais se opõem ao projeto e a impedem de encontrar um local propício para a instituição. Outra soberba atuação de Davis. Katharine Hepburn faria o remake nos anos 1970.

MICHAEL REDGRAVE
Andrew Crocker-Harris em NUNCA TE AMEI
(The Browning Version, 1951)
de Anthony Asquith


Após lecionar 18 anos em uma escola preparatória na Inglaterra, Andrew Crocker-Harris, um enérgico e pouco amigável professor de latim e grego, é forçado a se aposentar. O pretexto é sua saúde. Ele é visto pelos alunos como uma espécie de Hitler e seu casamento está no fim, pois vem senso traído pela esposa Millie (Jean Kent) com Frank Hunter (Nigel Patrick), outro professor. Texto afinado de Terence Rattingan e expressiva atuação de Michael Redgrave, pai de Vanessa e Lynn, levando o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes

ROSALIND RUSSELL
Miss Rosemary Sydney em FÉRIAS DE AMOR
(Picnic, 1955)
de Joshua Logan


Hal Carter (William Holden, no auge do poder de sedução) é um viajante que chega em uma pequena cidade do Kansas para tentar conseguir emprego com um rico colega de faculdade, Alan (Cliff Robertson). Porém, ele se apaixona por Madge Owens (Kim Novak), a linda namorada de Alan. Quando a mãe da jovem sente que esta paixão é correspondida, entra em desespero. 

Com seu estilo aventureiro, Hal exerce fascínio sobre as mulheres locais, inclusive a professora solteirona Rosemary (sensacional Rosalind Russell), também interessada em um comerciante local. Na famosa cena da dança, ela se sente atraída pelo estranho e provoca um escândalo. Baseado na peça teatral homônima de William Inge, vencedor do Prêmio Pulitzer.

SIMONE SIGNORET
Nicole Horner em AS DIABÓLICAS
(Les Diaboliques, 1955)
de Henri-Georges Clouzot



Michel Delassalle (Paul Meurisse) é o sádico diretor da escola de Christina (a brasileira Vera Clouzot), sua esposa. Ele tem um caso com Nicole, uma professora sua amante há muito tempo. Ele a trata tão mal quanto a sua própria esposa, assim, as duas resolvem se unir contra ele e, juntas, elaboram um plano para eliminar seu tormento. 

Adaptação do romance policial de Pierre Boileau e Thomas Narcejac, dupla responsável pelo livro que originou Um Corpo que Cai / Vertigo (1958). Hitchcock tentou comprar os direitos, mas Clouzot foi mais rápido. Um clássico genial, Prix Louis Delluc de Melhor Filme e Melhor Filme Estrangeiro do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York.

JENNIFER JONES
Miss Dove em O OCASO DE UMA ALMA
(Good Morning, Miss Dove, 1955)
de Henry Koster


Internada em um hospital, uma rígida e madura professora reflete sobre sua trajetória profissional e seus alunos. Solitária, somente conta com a visita de ex-alunos.

GLENN FORD
Richard Dadier em SEMENTES DA VIOLENCIA
(Blackboard Jungle, 1955)
de Richard Brooks


Na ousada trama para a época, Richard Dadier (Glenn Ford em desempenho digno de Oscar) é um veterano de guerra expulso do exército e recém contratado pela escola North Manual, no subúrbio de Nova York, para ensinar inglês. Idealista, encara bravamente as gangues que dominam a instituição e ameaçam as mulheres que lá trabalham – a tentativa de estupro de uma delas na biblioteca é chocante. Ele pensa em desistir, mas segue em frente, mesmo com o desinteresse dos colegas, que chamam os estudantes de animais. 

Um dos maiores problemas do mestre é lidar com o jovem irlandês Artie West (Vic Morrow), líder dos baderneiros envolvidos com bebedeiras e roubo de automóveis. Dadier prova que, mesmo pagando um alto preço, a responsabilidade de educar fala mais alto, até mesmo quando sua esposa grávida é aterrorizada. Quem rouba a cena é Sidney Poitier fazendo um líder rebelde que acaba por se redimir – no filme, ele tem convincentes 17 anos, na vida real, 28. 

No Brasil, o filme provocou uma reação curiosa: quebradeiras em salas de cinema de todo o país por adolescentes impressionados com o rock e o grau de rebeldia e agressividade dos personagens.

DORIS DAY
Erica Stone em UM AMOR DE PROFESSORA
(Teacher's Pet, 1958)
de George Seaton



Em Nova York, James Gannon (impecável Clark Gable), editor do jornal Evening Chronicle, não cursou o 2º grau e acredita que a única forma de aprendizado é a escola da vida. Em resposta ao convite para dar uma palestra na faculdade, envia uma carta ríspida ao professor responsável. Porém, trata-se de uma professora e seu chefe o obriga a pedir desculpas, pois ele é membro do conselho da faculdade. Gannon tenta consertar a situação, mas antes que possa fazer qualquer coisa sua carta é lida e ridicularizada pela professora. Ele se sente atraído e se torna aluno dela sem revelar sua identidade. 

Partindo de um bom roteiro, Seaton realiza uma ótima comédia romântica, ajudado por um elenco de primeira linha. Apesar da diferença de idade, 23 anos, Clark Gable e Doris Day demonstram uma grande química em cena.

AUDREY HEPBURN
Karen Wright em INFÂMIA
(The Children's Hour, 1961)
de William Wyler



Duas professoras (magistrais Shirley MacLaine e Audrey Hepburn) de escola particular têm suas vidas viradas do avesso quando uma das meninas denuncia um sentimento um pouco maior que amizade entre as duas. A avó da garota, poderosa na cidade, trata de espalhar a história e fazer com que todos se voltem contra as pecadoras

Ainda em 1936, apenas dois anos após a estreia da peça de Lillian Hellmann, que deu origem ao filme, o mestre William Wyler dirigiu a história pela primeira vez, fazendo tremendas concessões à censura da época (nos anos 30, o rigoroso Código Hays estabelecia o que podia e não podia ser mostrado em filmes). 

Como diz o livro “The United Artists Story”, “de acordo com Hollywood, homossexualismo não existia na América até os anos 60, e por isso These Three foi despojado de seu tema de lesbianismo”. Esta versão é mais audaciosa. Conta com a surpreendente cena de Shirley MacLaine declarando seu amor frustrado por Audrey. Comovente.

LAURENCE OLIVIER
Graham Weir em MENTIRA INFAMANTE
(Term of Trial, 1962)
de Peter Glenville


O professor Graham Weir, devido ao seu jeito tímido e reservado, é tratado com desdém por colegas, alunos e esposa. Uma de suas alunas, Shirley Taylor (Sarah Miles, estreando muito bem), é a única que o aprecia. Tomando aulas particulares com ele, a garota se encanta ainda mais. Ela termina expondo seus sentimentos, propondo sexo. No entanto, o acusa de estrupo, a fim de destruir o que resta de sua vida.  

Sir Laurence Olivier, aos 54 anos, e Sarah Miles, 19 anos, tiveram um caso durante as filmagens. A personagem da aluna sedutora foi pensada para Natalie Wood, mas a atriz norte-americana não queria ficar o tempo necessário para as filmagens fora do seu país. Olivier foi indicado ao BAFTA de Melhor Ator.

ANNE BANCROFT
Annie Sullivan em O MILAGRE DE ANNIE SULLIVAN
(The Miracle Worker, 1962)
de Arthur Penn



A incansável tarefa da professora Anne Sullivan, ao tentar fazer com que Helen Keller (Patty Duke), uma garota cega, surda e muda, adapte-se e entenda (pelo menos em parte) as coisas que a cercam. Para isto entra em confronto com os pais da menina, que sempre sentiram pena da filha e a mimaram. 

Oscar, BAFTA e National Board of Review de Melhor Atriz. Refilmado duas vezes, ambas para a televisão, em 1979 e 2000. Patty Duke, que interpreta a garota Helen Keller, interpretou Anne Sullivan na primeira refilmagem.

SANDY DENNIS
Sylvia Barrett em SUBINDO POR ONDE SE DESCE
(Up the Down Staircase, 1967)
de Robert Mulligan


Uma jovem professora de literatura, Sylvia Barret, chega a Calvin Coolidge cheia de ideias e entusiasmo. Pela sua falta de experiência, termina por cometer deslizes que atrapalham seus planos em transformar o comportamento dos alunos. Dos dramas cinematográficos que retratam o relacionamento entre jovens desordeiros e docentes, esse é um dos maiores representantes do gênero. 

Bela obra, baseada no romance de Bel Kaufman e filmada nos subúrbios de Nova York. Influenciou um bom número de cineastas a realizarem filmes sobre o tema. Sandy Dannis, no auge da carreira, tem atuação antológica, levando o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Moscou.

SIDNEY POITIER
Mark Thackeray em AO MESTRE, COM CARINHO
(To Sir with Love, 1967)
de James Clavell


O negro Mark Thackeray é engenheiro, fica desempregado e resolve dar aulas em Londres, ensinando alunos brancos em uma escola no bairro operário de East End. Depara-se com adolescentes indisciplinados e desordeiros, determinados a impedir suas aulas. Ele, acostumado com hostilidades, não se amedronta e enfrenta o desafio de ensinar a uma turma de baderneiros. Ao receber um convite para voltar a trabalhar como engenheiro, tem que decidir se segue como mestre ou volta ao antigo cargo. 

O drama foi inesperadamente bem nas bilheterias. Judy Geeson e Lulu se reuniriam novamente com Sidney Poitier na sequência para a televisão, “To Sir, With Love II”, dirigida por Peter Bogdanovich. Foi banido na África do Sul, com as autoridades alegando que era ofensivo ver um homem negro ensinando uma classe de crianças brancas.
                                                                                     
MAGGIE SMITH
Jean Brodie em PRIMAVERA DE UMA SOLTEIRONA
(The Prime of Miss Jean Brodie, 1969)
de Ronald Neame



Uma professora em uma escola para meninas inspira suas alunas com suas ideias sobre arte, música e política, sendo que a última é baseada em noções românticas, que a levam a expressar admiração pelo fascismo italiano. Amorosamente envolvida com Teddy Lloyd (Robert Stephens), professor que se dedica a pintura, Jean tem um pequeno círculo social de alunas que a adoram. Paralelamente, a senhorita MacKay (Celia Johnson), séria diretora da escola, desaprova a influência da professora, tendo suspeitas sobre a impropriedade das suas ações. Oscar e BAFTA de Melhor Atriz.

ALAIN DELON
Daniele Dominici em A PRIMEIRA NOITE DE TRANQUILIDADE
(La Prima Notte di Quiete, 1972)
de Valerio Zurlini


No início dos anos 70, um angustiado professor de literatura, em crise no casamento, envolve-se afetivamente com uma de suas alunas, numa tentativa de preencher seu vazio existencial. Conhecido como O Poeta da Melancolia, Zurlini teve uma carreira de apenas oito filmes, todos de grande qualidade. Esta obra-prima se tornou um marco na prolífica carreira de Delon, cuja atuação brilhante rendeu excelentes elogios da crítica.

Zurlini apresenta ecos de um movimento influente na época, o existencialismo. Filósofos como Albert Camus e Sartre escreveram sobre homens que vivem sem rumo, nômades ateus que escondem seu passado e ignoram seu futuro. Essas características definem o protagonista Dominici, um intelectual introvertido, cuja psique casa perfeitamente com o ideal do existencialismo. Maravilhoso sob todas as óticas, um filme inesquecível e indispensável.

JON VOIGHT
Pat Conroy em CONRACK
(Idem, 1974)
de Martin Ritt 


Numa pequena ilha na Carolina do Sul (EUA), vive uma comunidade negra praticamente isolada do mundo. Em 1969, um novo professor chega à escola local, branco, recebido de modo pouco amistoso pela diretora negra. Logo na primeira aula, ele percebe a falta de repertório das crianças, não somente em relação ao conhecimento escolar como também em relação à vida. 

Conrack (esse é o nome que os estudantes adotam para o professor, pois não sabem pronunciar a última sílaba do nome irlandês!) apresenta esse problema para a diretora, que responde de forma incisiva: Crianças negras são lentas, elas só entendem o chicote e… querem o chicote!. Aos poucos, ele conquista a confiança dos alunos e da comunidade, resgatando a autoestima de muitos. 

Retrato sensível das mudanças sociais nos EUA no final dos anos 1960, com destaque para a infeliz Guerra do Vietnã e a luta pelos direitos civis da minoria negra.

setembro 10, 2017

******** FRANCES - a “BAD GIRL” de HOLLYWOOD



Altura: 1,68 m
Olhos: verdes

 A TRISTE HISTÓRIA de FRANCES FARMER

Loira, inteligente, inconformada. Ela é uma lenda, com uma história de rebeldia, tragédia, confinamento. Desde garota suas leituras de dramaturgia eram de autores sofisticados e com elas o sonho de se tornar uma renomada atriz de teatro. Ganhou um concurso para participar de uma peça e na sequência, em 1935, a Paramount Pictures lhe ofereceu um contrato de sete anos. Ela aceitou. Era o mais próximo daquilo que queria: fazer teatro e ser uma boa atriz. Lançada como “a nova Garbo”, a belíssima FRANCES FARMER (Seattle, Washington, EUA. 1913 - 1970) tinha tudo para se tornar uma estrela de primeira grandeza, mas não foi bem aproveitada pelo estúdio, atuando em filmes inexpressivos. Além disso, negava-se a interpretar, fora das telas, o papel da moça diva, linda, etérea, sensual e quase tola, esnobando o Star System hollywoodiano.

Hollywood explorou a sua beleza em fitas supérfluas e desprovidas de valor. Tentaram glamourizá-la. Torná-la numa estrela de estilo, elegância e vestidos bonitos. Mas tudo o que ela queria era representar com qualidade. Emprestada ao produtor independente Samuel Goldwyn, atuou em seu melhor filme, “Meu Filho é Meu Rival / Come and Get It” (1936), dos grandes cineastas Howard Hawks e William Wyler. Sem brilho maior faria outros filmes, sendo um dos últimos o simpático “Ódio no Coração / Son of Fury” (1942), de John Cromwell, com Tyrone Power e Gene Tierney. Negando o mundo de glórias, dinheiro e fama oferecidos pelo cinema, a atriz resolveu investir nos seus velhos sonhos e trabalhar nos palcos da Broadway. Destacou-se numa peça ao lado de John Garfield e Elia Kazan, resultando em um confronto brutal com a mãe e o estúdio. Hollywood não admitia uma retirada de cena tão inesperada. Sua mãe projetava nela sua ambição de grandeza e sucesso, e terminou por condená-la a tratamentos em hospícios, suplícios e maltratos. Além de uma lobotomia, não oficialmente confirmada, com o objetivo de aplacar seu suposto comportamento antissocial, agressivo e os problemas com álcool.

Seu temperamento forte, a própria bebida e algum infortúnio no amor a levaram a comportamento escandaloso. Aos 28 anos, repreendida por dirigir embriagada e sem licença, FRANCES FARMER insultou os patrulheiros, agravando sua situação por desacato à autoridade e sentenciada a 180 dias de prisão. Em liberdade condicional, poucas semanas depois foi novamente autuada por ter deixado de se apresentar à justiça. Histérica e furiosa, descontando em qualquer um, deslocou o maxilar da cabeleireira do salão de beleza onde se encontrava e fugiu de carro com os seios à mostra. Perseguida pelos policiais, lutou selvagemente com eles, sendo levada para a delegacia nua, onde chocou as autoridades ao escrever “piranha” no espaço destinado a sua ocupação profissional.

Na corte, atirou um tinteiro na cabeça do juiz. Condenada a seis meses de prisão, agrediu um policial e foi levada a uma cela metida em camisa-de-força. A atriz andava com o coração destroçado com o seu recente divórcio do ator Leif Erickson e o fim do caso com o dramaturgo Clifford Odets. Em cana, recusou-se a fazer qualquer trabalho voluntário. Cada vez mais agressiva e revoltada com sua condição, passou meses em sanatórios, acabando por ser considerada insana e confinada num hospício. Voltaria a fazer um modesto filme em 1958. Ela viveu seu martírio pessoal com as internações, em um tempo em que a psiquiatria engatinhava e os tratamentos eram cruéis. Nascia a lenda, enquanto confinada, constantemente dopada, ia perdendo a fibra e a força moral. Foi o preço por sua rebeldia indomável e por renegar a imagem de glamour cultuada pelos estúdios.

Vista pelos colegas de Hollywood como uma ingrata e uma louca desbocada, FRANCES FARMER viveu atormentada pela solidão e por sua própria mãe, que não entendia seu desprezo ao mundo do glamour. Ela foi casada três vezes, a primeira delas com Leif Erickson, de 1936 a 1942. Não teve filhos. Em 1970, aos 56 anos, morreu vitimada pelo câncer. Após a sua morte, foi assunto de filmes, livros, canções, poemas e artigos. O cantor Kurt Cobain, da banda Nirvana, confessou admirar esta atriz que ousou quebrar as regras de Hollywood com a sua personalidade forte. No álbum “In Utero”, uma das faixas se chama “Frances Farmer will Have her Revenge on Seattle.

O mais horrível que aconteceu a FRANCES FARMER foi nunca ter sido compreendida e respeitada como ser humano com vontade própria. O preço exigido por Hollywood foi demasiado alto, resultando numa melancólica trajetória que rendeu o desconcertante “Frances / Idem” (1983), de Graeme Clifford, com Jessica Lange em atuação memorável, nomeada ao Oscar de Melhor Atriz, e um dos três filmes sobre sua vida. Um longa inesquecível e uma reverência a atriz que morreu longe de seus ideais de juventude, o palco que tanto amava, fazendo apenas algumas aparições esporádicas na televisão. Entretanto, sua história permanece além dos filmes e da decadência imposta.

tyrone power e frances farmer em “ódio no coração”

10 FILMES de FRANCES

01
O ÚLTIMO ROMÂNTICO
(Rhythm on the Range, 1936)

direção de Norman Taurog
com Bing Crosby

02
MEU FILHO É MEU RIVAL
(Come and Get It, 1936)

direção de Howard Hawks e William Wyler
com Edward Arnold, Joel McCrea e Walter Brennan

03
REPORTAGEM DE SANGUE
(Exclusive, 1937)


direção de Alexander Hall
com Fred MacMurray e Lloyd Nolan

04
ÍDOLO DE NOVA IORQUE
(The Toast of New York, 1937)

direção de Rowland V. Lee
com Edward Arnold, Cary Grant e Jack Oakie

05
SANGUE DE COSSACO
(Ride a Crooked Mile,1938)

direção de Alfred E. Green
com Akim Tamiroff

06
AO SUL DE PAGO-PAGO
(South of Pago Pago,1940)

direção de Alfred E. Green
com Victor McLaglen e Jon Hall

07
OURO LÍQUIDO
(Flowing Gold, 1940)

direção de Alfred E. Green
com John Garfield e Pat O’Brien

08
ESPIÕES DO EIXO
(World Premiere, 1941)

direção de Ted Tetzlaff
com John Barrymore e Ricardo Cortez

09
HERANÇA DE ÓDIO
(Among the Living, 1941)

direção de Stuart Heisler
com Albert Dekker e Susan Hayward

10
ÓDIO NO CORAÇÃO
(Son of Fury: The Story of Benjamin Blake, 1942)

direção de John Cromwell
com Tyrone Power, Gene Tierney, George Sanders
e Roddy McDowall

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