agosto 20, 2016

*** DEBORAH KERR: UMA MOÇA BEM COMPORTADA


Ela tinha cabelos ruivos e olhos azul-esverdeados. Atriz versátil, não se encaixava no molde da mocinha típica decorativa da Hollywood da época. Trabalhou com George Cukor, Michael Powell, Elia Kazan, John Huston, Vincente Minnelli, Otto Preminger, Joseph L. Mankiewicz, Charles Vidor etc. – nos mais distintos papéis. E fez sob direção de Fred Zinnemann uma das cenas icônicas do cinema, nos braços do bonitão Burt Lancaster numa praia, em “A Um Passo da Eternidade”. O erotismo discreto e o talento da escocesa DEBORAH KERR (Helensburgh, Escócia. 1921 - 2007) são fundamentais para o filme. Quando ela diz “Ninguém nunca me beijou como você”, acreditamos instantaneamente.

Como a britânica Greer Garson, outra estrela contratada da Metro-Goldwyn-Mayer, elas projetam na tela postura classuda, difícil de encontrar hoje em dia, e também mal compreendida. Refinadas e delicadas, às vezes certinhas e vulneráveis, jamais frágeis; sensuais, sem exibição; e naturalmente belas. Ao lado de Garson e Jean Simmons, a escocesa DEBORAKH KERR foi a “atriz inglesa” por excelência da era de ouro de Hollywood, com o negativo e o positivo que este rótulo implica. Muita gente maldosa contava com um escândalo em sua trajetória vencedora. Nunca aconteceu. Nem mesmo quando, casada, teve discreto romance com Burt Lancaster durante as filmagens de “A Um Passo da Eternidade”.

Sua fértil carreira mostra que nela borbulha paixão sob o exterior controlado. Indicada seis vezes ao Oscar de Melhor Atriz, não levou a cobiçada estatueta. Concertando a injustiça, em 1994 a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood lhe deu o Oscar Honorário, em reconhecimento a “uma artista de graça e beleza impecáveis, uma atriz dedicada cuja imagem sempre foi sinônimo de disciplina, perfeição e elegância”. Além da formosura e classe, esta ruiva de expressivo talento dramático, entregava-se aos personagens. Desses, a professora Anna Leonowens em “O Rei e Eu / The King and I” (1956), ao lado de Yul Brynner, talvez seja lembrado com mais carinho.

Filha de militar, tímida e insegura, com a ajuda de uma tia, estrela do rádio, estreou no teatro londrino aos dezessete anos, no corpo de baile do espetáculo “Prometheus”. Do primeiro papel no cinema, em 1941, como religiosa do Exército da Salvação em “Major Barbara / Idem”, protagonizado pelo carismático Rex Harrison, aos três personagens em “Coronel Blimp – Vida e Morte / The Life and Death of Colonel Blimp” (1943), em pouco tempo se tornou uma das principais estrelas do cinema britânico. Em “Narciso Negro” (1947), de Emeric Pressburger e Michael Powell (ele confessou em sua autobiografia a paixão que sentia pela atriz), vive a orgulhosa irmã Clodagh, líder de um grupo de freiras que tenta estabelecer um espaço católico em antigo harém no Himalaia. Um dos melhores filmes da história do cinema. A atuação de DEBORAH KERR cintila.

Reconhecida pelo Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York como Melhor Atriz do ano por suas performances neste drama religioso denso e no thriller de espionagem “Um Estranho na Escuridão / I See a Dark Stranger” (1946), chama a atenção de Louis B. Mayer, poderoso chefão da M-G-M. Impressionado, ele diz que o sobrenome Kerr rima com estrela, levando-a para Hollywood em 1947, com um dos mais altos salários já pagos pelo estúdio. A estreia acontece ao lado de Clark Gable e Ava Gardner no ambicioso “O Mercador de Ilusões / The Hucksters”. O fraco roteiro desperdiça um elenco de ouro.

Prestigiada como estrela de primeira grandeza, DEBORAH KERR se sentiu constrangida pela sucessão de papéis em que representava mulheres superficiais, honoráveis e reservadas, muitas vezes quase inúteis, em épicos e aventuras. Ganhando a reputação de “lady” – fina, digna, um pouco gélida -, fez uma legião de fãs. Lutando para superar este rótulo, mostrou disposição para outros personagens. 

No clássico “As Minas do Rei Salomão / King Solomon’s Mines” (1950), filmado em locações na África, ela empolgou com sexualidade e vulnerabilidade emocional, trazendo novas dimensões para um filme de ação orientado para o público masculino. No decorrer da trama, corta o cabelo, tem seu guarda-roupa rasgado em tiras e enfrenta diversos perigos. Um divertimento lindamente filmado, captando a nossa atriz em technicolor, cabelo vermelho flamejante ao vento.

Ao ser emprestada a Columbia Pictures para o drama “A Um Passo da Eternidade”, substituindo Joan Crawford, teve oportunidade de provar sua versatilidade, seduzindo os críticos e chocando o público como Karen Holmes, a infeliz e adúltera esposa de um militar. A cena do beijo apaixonado entre ela e Burt Lancaster na praia do Havaí, no meio das ondas, fez história. A partir daí, a atriz deixou um legado de inesquecíveis atuações.

deborah kerr e yul brynner em o rei e eu
Em 1953, estreou na Broadway com a peça “Chá e Simpatia”, de Robert Anderson, fazendo o mesmo papel no cinema sob a direção de Vincente Minnelli: a esposa de professor, simpatizante de um estudante (John Kerr) inseguro da sexualidade. Com discurso homossexual datado, o ousado filme encanta com as performances notáveis de ambos os Kerr (eles não eram parentes). Batendo recordes de bilheteria, ela protagonizou o romântico e charmoso melodrama “Tarde Demais para Esquecer”, ao lado do galã Cary Grant. Remake de “Duas Vidas / Love Affair” (1939), com Charles Boyer e Irene Dunne, inspiraria no futuro outra versão menos bem sucedida, “Segredos do Coração / Love Affair” (1994), com Warren Beatty, Annette Bening e Katharine Hepburn.

Ainda na década de cinquenta, DEBORAH KERR brilha no musical “O Rei e Eu”, dublada por Marian Nixon (Maureen O'Hara foi inicialmente convidada para o papel, mas Yul Brynner exigiu Deborah), e no drama “Vidas Separadas”, adaptação da peça de Terence Rattigan, como uma solteirona solitária alienada por uma mãe dominadora (fabulosa Gladys Cooper). O desempenho, reservado e discreto, comove. Está também muito bem no intimista “O Céu por Testemunha”, sobre freira e fuzileiro juntos em uma ilha no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial. Neste belo filme, a química entre a atriz e Robert Mitchum, aparentemente díspares, é inquietante. No inicio das filmagens, o astro irreverente se preocupou com a fama de “moça bem comportada” da colega. Depois que ela xingou o diretor John Huston durante um take, ele caiu na risada e se tornaram amigos (a amizade durou até a morte do ator, em 1997).

deborah e o segundo marido, peter viertel
“A Noite do Iguana”, de Tennessee Williams, foi outro bom momento da atriz. Faz uma quarentona lésbica, enfrentando Richard Burton, padre depravado e ébrio acusado de seduzir a adolescente Sue Lyon na costa do México. Em 1969, depois de filmar com Elia Kazan e John Frankenheimer, em obras injustamente atacadas pelos críticos, ela decidiu deixar o cinema e morar na Suíça – depois na Espanha -, decepcionada com a sexualidade e a violência em excesso nas telas de então. No período que se seguiu, participou de peças teatrais na Broadway – entre elas, a Prêmio Pulitzer “Seascape” (1975), de Edward Albee - e de um punhado de bem cuidados filmes para a televisão.

Na vida pessoal, casou-se com o inglês Anthony Bartley em 1945, piloto de caça condecorado durante a Segunda Guerra Mundial, divorciando-se em 1959. No ano seguinte, novo casamento com o escritor e roteirista Peter Viertel (Sabotador / Saboteur, de Hitchcock, 1942; Resgate de Sangue /We Were Strangers, de John Huston, 1949; E Agora Brilha o Sol / The Sun Also Rises, de Henry King, 1957), cuja mãe era a melhor amiga de Greta Garbo, ficando com ele o resto da vida. A meiga e inteligente DEBORAH KERR morreu em Suffolk, na Inglaterra, por problemas decorrentes do Mal de Parkinson. Ela, seu marido e o biógrafo dela, Eric Braun, morreram no espaço de cinco semanas, no outono de 2007. Todos aos 86 anos.

a estrela recendo o oscar honorário
A última aparição pública da estrela aconteceu em 1994, ao ser premiada com o Oscar Honorário. Na noite da cerimônia, Glenn Close apresentou a homenagem especial ao seu trabalho, e o público assistiu clipes de seus lendários filmes. DEBORAH KERR apareceu por trás da tela, em alinhado modelo azul-turquesa, e recebeu ovação de pé. Timidamente, disse: “Eu nunca estive tão assustada na minha vida, mas me sinto melhor agora, porque eu sei que estou entre amigos. Obrigada por me darem uma vida feliz”. Após o discurso emocionado, outra ovação. Foi o adeus oficial a Hollywood.

Uma das duas filhas da estrela, Francesca Schrapnel, garante que a mãe nunca teve um filme favorito entre os cerca de 50 que estrelou. A família, no entanto, tem predileção por “O Peregrino da Esperança”, um belo, elogiado e premiado drama que se passa no interior australiano.

deborah e as filhas francesca e melanie jane

Fontes: Deborah Kerr” (1977), de Eric Braun; e “Deborah Kerr – A Biography” (2010), de Michelangelo Capua.

deborah e burt lancaster em a um passo da eternidade

10 FILMES de Miss KERR
(por ordem de preferência)

01
NARCISO NEGRO
(Black Narcissus, 1947)

de Michael Powell e Emeric Pressburger
com David Farrar, Flora Robson, Sabu
e Jean Simmons
Melhor Atriz do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York

02
OS INOCENTES
(The Innocents, 1961)

de Jack Clayton
com Michael Redgrave, Martin Stephens e Pamela Franklin

03
O CÉU POR TESTEMUNHA
(Heaven Knows, Mr. Allison, 1957)

de John Huston
com Robert Mitchum
Melhor Atriz do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York

04
TARDE DEMAIS PARA ESQUECER
(An Affair to Remember, 1957)

de Leo McCarey
com Cary Grant e Cathleen Nesbitt

05
A UM PASSO DA ETERNIDADE
(From Here to Eternity, 1953)

de Fred Zinnemann
com Burt Lancaster, Montgomery Clift, Donna Redd
e Frank Sinatra

06
CHÁ E SIMPATIA
(Tea and Sympathy, 1956)

de Vincente Minnelli
com John Kerr

07
BOM DIA, TRISTEZA
(Bonjour Tristesse, 1958)

de Otto Preminger
com David Niven, Jean Seberg e Walter Chiari

08
VIDAS SEPARADAS
(Separates Tables, 1958)

de Delbert Mann
com Rita Hayworth, David Niven, Wendy Hiller
e Burt Lancaster
David di Donatello de Melhor Atriz Estrangeira

09
O PEREGRINO DA ESPERANÇA
(The Sundowners, 1960)

de Fred Zinnemann
com Robert Mitchum, Peter Ustinov e Glynis Johns
Melhor Atriz do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York

10
A NOITE DO IGUANA
(The Night of Iguana, 1964)

de John Huston
com Richard Burton, Ava Gardner e Sue Lyon

GALERIA de FOTOS


agosto 06, 2016

*** CREPÚSCULO dos DEUSES: NA MISÉRIA - Parte II


Publicado em 5 de junho de 2011, o texto “Crepúsculo dos Deuses: Na Miséria - Parte I” (http://ofalcaomaltes.blogspot.com.br/2011/06/crepusculo-dos-deuses-estrelas-na.html) lista alguns famosos do cinema que perderam tudo o que tinham e terminaram seus dias na pobreza. Na época, expressei o desejo de escrever uma segunda parte. Mais de cinco anos depois, o cinéfilo cearense ERALDO URANO faz a continuação, “honrando o convite que este meu amigo me dá pra escrever um texto pro seu blog, listando mais nomes que ficaram de fora no primeiro texto”.

ANITA EKBERG
(1931 - 2015)

Símbolo sexual da década de 1960, assim conhecida após sua aparição no clássico “A Doce Vida / La Dolce Vita” (1960). Eleita Miss Suécia em 1951, foi para os Estados Unidos representar o país no Miss Universo. Não venceu o concurso, mas ganhou um contrato em Hollywood. Depois do sucesso de “A Doce Vida”, ela permaneceu na Itália. Durante os anos 1970, os papéis tornaram-se menos frequentes e a imprensa noticiou que Anita estaria trabalhando como empregada doméstica. Nessa época, ela engordou muito.

Culpava seu segundo marido, Rick van Nutter, de ter roubado grande parte de seus bens. Ela conseguiu emagrecer e voltou ao cinema como protagonista de um filme medíocre, “A Freira Assassina / Suor Omicidi” (1979). Em 2011, a imprensa revelou que, aos 80 anos, a ex-estrela de cinema teria se visto obrigada a pedir ajuda financeira à Fundação Fellini. Ela passou a viver então em uma residência para idosos, perto de Roma, depois de sofrer uma fratura no fêmur.

BELA LUGOSI
(1882 - 1956)

Um ícone dos filmes de horror, esse ator húngaro ficou famoso interpretando o papel do vampiro em “Drácula / Dracula” (1931). Porém, estereotipado como Drácula, seus papéis foram diminuindo em importância gradativamente até ficar desempregado. Viciado em morfina e metadona e vivendo na semi-pobreza, terminou sua carreira trabalhando para o lendário pior diretor de todos os tempos, Ed Wood.

BOBBY DRISCOLL
(1937 - 1968)

Ator mirim, ganhou um Oscar especial por sua atuação em “Ninguém Crê em Mim / The Window” (1949) e foi o primeiro ator criança a ter contrato exclusivo com os estúdios Disney. Com o seu envelhecimento e a diminuição das ofertas de trabalho, ele se envolveu com drogas, o que por fim arruinou sua saúde e o reduziu à pobreza. Anos de abuso severo de drogas enfraqueceram seu coração e ele morreu sozinho de um ataque cardíaco numa construção desocupada em Nova York, tendo sido sepultado numa sepultura comunitária.

GAIL RUSSELL
(1924 - 1961)

De rara beleza, essa morena de olhos azuis melancólicos e angelicais, enquadrados em um rosto oval perfeito, foi preparada para ser uma das estrelas da Paramount nos anos 1940. Entretanto, durante as filmagens de “O Solar das Almas Perdidas / The Uninvited” (1944), adquiriu o hábito de ingerir bebida alcoólica para anular sua insegurança e medo de palco. O hábito tornou-se vício e seu contrato não foi renovado. 

Ficou com a reputação manchada: envolveu-se em um pretenso adultério com John Wayne e teve problemas com a lei por dirigir embriagada. Casou-se em 1949 com o belo galã Guy Madison, mas o divórcio veio em 1954. Quase sem encontrar mais trabalho como atriz, foi encontrada morta no pequeno apartamento alugado em que vivia, cercada de garrafas de vodka vazias. Desnutrida e envelhecida, não chegou a ver seu último filme, “The Silent Call” (1961), uma produção modesta.

LOUISE BROOKS
(1906 - 1985)

Lendária atriz do cinema mudo, teve uma carreira breve em Hollywood, participando de 24 filmes entre os anos 1925 e 1938. Sua imagem e atitudes permanecem, no entanto, como símbolo de uma época, e uma de suas características mais lembradas será sempre o corte de cabelo liso e curto, que lançou moda e tornou-se um ícone dos anos 1920.  Uma atriz à frente de seu tempo, era dona de uma beleza incomum e de uma personalidade fortíssima. Deixou Hollywood e entrou numa lista negra, viajando para a Europa, onde fez seus filmes mais memoráveis, dentre eles “A Caixa de Pandora / Die Büchse der Pandora” (1929). 

Com as portas fechadas em Hollywood decretou falência em 1932 e terminou sua carreira no cinema em 1938. Nos anos seguintes, esquecida pelo cinema e pelo público, ganha seu sustento de várias formas, inclusive como vendedora da loja Sak's Fifth Avenue, por volta de 1946, recebendo 40 dólares por semana, e como “escort”. Na década de 1950, seus filmes foram redescobertos com grande sucesso. Seu status como uma das grandes atrizes e beleza do cinema permanece até hoje.

MARIE PREVOST
(1898 - 1937)

Popular estrela do cinema mudo, com o advento do som sua carreira entrou em declínio. Problemas pessoais levaram-na à depressão, com um aumento de peso crescente e alcoolismo. Morreu aos 38 anos, em Hollywood, de uma combinação de alcoolismo agudo e desnutrição extrema, praticamente sem dinheiro e vivendo em um apartamento em ruínas. Sua morte foi descoberta dois dias depois, quando os vizinhos reclamaram de latidos incessantes de seu cachorro.

MARISA MELL
(1939 - 1992)

Uma figura “cult” de filmes italianos B dos anos 1960, a bela austríaca Marisa Mell é mais conhecida pelo papel em “Perigo: Diabolik / Diabolik” (1968), de Mario Bava. No final dos anos 1980, os papéis no cinema foram desaparecendo e ela voltou para a Áustria. Morreu de câncer de garganta, em situação de pobreza, com apenas alguns amigos presentes no seu funeral.

OLIVE BORDEN
(1906 - 1947)
 

Considerada uma das mais belas atrizes do cinema mudo, era uma das beldades (“bathing beauties”) de Mack Sennett aos 15 anos e atingiu o auge de sua carreira em 1926, quando ela fez 11 filmes da Fox Studios e ganhou US $ 1.500,00 por semana. Apelidada “A Garota da Alegria”, viveu um estilo de vida luxuoso, com mansões, criados e uma dúzia de casacos de peles. Em 1927, ela deixou a Fox depois de uma disputa salarial. 

Como muitas estrelas do cinema mudo, ela teve dificuldade em fazer a transição para os “talkies”. Seu último filme foi feito em 1934. Durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou como enfermeira. Com a idade de 41 ela era uma alcoólatra sem um tostão. Morreu de uma doença do estômago num lar para mulheres carentes em Los Angeles.

TROY DONAHUE
(1936 - 2001)

Ídolo adolescente no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, atingiu o estrelato em “Amores Clandestinos / A Summer Place” (1959), com Sandra Dee. Outros filmes destacados em sua carreira foram “No Vale das Grandes Batalhas / Parrish” (1961), com Claudette Colbert e “Candelabro Italiano / Rome Adventure” (1962), com Suzanne Pleshette. Troy e Suzanne se casaram, mas a união só durou nove meses. Seu belo rosto, de cabelos loiros e olhos azuis, aparecia frequentemente nas capas de revistas de cinema. Em poucos anos, sua carreira entrou em declínio e Donahue começou a abusar de drogas e álcool. 

Ele declarou falência em 1968 e perdeu sua casa. Arruinado financeiramente, passou a viver em apartamentos miseráveis e chegou a passar uma temporada como sem-teto no Central Park. Ele disse que vivia num arbusto e mantinha tudo o que tinha numa mochila. Com quatro casamentos fracassados, procurou ajuda para seu uso de bebida e drogas, juntando-se aos Alcoólicos Anônimos. Continuou a atuar em filmes, em pequenos papéis ou filmes de baixo orçamento. Morreu de um ataque cardíaco. Vivia com a noiva num modesto prédio de apartamentos.

CONFIRA

Parte I
CREPÚSCULO DOS DEUSES: NA MISÉRIA

julho 24, 2016

********** NA PRISÃO: 33 FILMES

burt lancaster em brutalidade
O universo cruel do sistema carcerário desde sempre foi denunciado pelo cinema. Geralmente conquista o espectador, resultando em campeões de bilheterias. Muitos desses filmes criminais são clássicos, cults, agradam legiões de cinéfilos. Numa temática focada na ambiguidade humana, joga-se a liberdade individual limitada versus a justiça (às vezes, injusta), vingança versus redenção, violência versus tensão.

Histórias duras, difíceis de engolir, conduzindo excelentes filmes e interpretações à flor da pele. Narrativa sufocante retratando celas claustrofóbicas, detentos inconformados, ambiente sórdido, refeitório barulhento, dinâmica neurótica entre prisioneiros e guardas, amizades que se estreitam, gangues rivais, tumultos, planos de fuga, traições, visitas emocionadas, violência, tortura, estupro, motins, suicídio, morte.

Ao rever o sombrio “O Expresso da Meia-Noite” (1978), de Alan Parker, descubri que faço parte dos fãs do tema carcerário traduzido em expressão cinematográfica. Aproveitei o embalo, listando os mais marcantes filmes “entre grades” que eu me lembro. Deixei de fora campos de concentração na Primeira ou Segunda Guerra Mundial. Desse tema barra-pesada, recomendo 33 filmes e, naturalmente, muitos ficaram de fora. A ideia é esboçar um panorama consistente do drama criminal presidiário cinematográfico. O que acha? Qual desses filmes já assistiu? A democrática listinha a seguir, unida pela temática, reúne longas-metragens para todos os públicos.

(por ordem cronológica)

20.000 MIL ANOS EM SING SING (20.000 Years in Sing Sing, 1932), de Michael Curtiz. País: EUA. Com Spencer Tracy, Bette Davis e Louis Calhern.

Baseado em um livro de Lewis E. Lawes, diretor da legendária penitenciária de Sing Sing de 1920 a 1941. Na trama, condenado ao infernal local espera que amigos influentes consigam sua liberdade. Quando finalmente acontece, presencia a namorada (Davis em início de carreira) assassinar um mafioso e fugir. Ele é responsabilizado pelo crime. O papel do arrogante presidiário inicialmente foi oferecido a James Cagney. Davis adorou Tracy, declarando que seria um prazer voltar a atuar com ele. Infelizmente não aconteceu.


O PRISIONEIRO DA ILHA DOS TUBARÕES (The Prisoner of Shark Island, 1936), de John Ford. País: EUA. Com Warner Baxter, Gloria Stuart, Harry Carey e John Carradine.

Poucas horas depois do assassinato do presidente Abraham Lincoln, médico cuida de um ferido que bate na sua porta. Ele não tem ideia de que o presidente está morto e que trata do seu assassino. É preso por cumplicidade, condenado à prisão perpétua. Nas mãos do mestre John Ford, a implacabilidade da verdade contra a máquina trituradora da (in) justiça e da mentira. Gloria Stuart tinha 26 anos na época. Em 1997, aos 87 anos de idade, faria a idosa Rose de “Titanic / idem”.


SAN QUENTIN (idem, 1937), de Lloyd Bacon. País: EUA. Com Pat O’Brien, Ann Sheridan e Humphrey Bogart.

Ex-oficial do exército aceita emprego como guarda da prisão de San Quentin. O irmão de sua namorada, preso por roubo, tenta utilizá-lo a seu favor. Num dos seus primeiros papéis de destaque, Bogart faz o cínico marginal de plantão. Filmado em locações na San Quentin State Prison .


CHÉRI-BIBI - DE VOLTA À ILHA DO DIABO (Chéri-Bibi, 1938), de Léon Mathot. País: França. Com Pierre Fresnay, Jean-Pierre Aumont e Marcel Dalio.

Segunda versão do famoso romance de Gaston Leroux. Além de três filmes, o livro seria adaptado pela quarta vez nos anos setenta, desta vez como uma minissérie. Aumont, astro romântico da época, faz o sobrinho de um milionário, falsamente acusado do assassinato de seu tio. Na colônia penal faz amizade com o líder dos encarcerados e juntos planejam fugir.  A história é meio confusa e o bom elenco não está nos seus melhores dias, mas o filme tem seu interesse. No elenco, o talentoso Marcel Dalio, pouco antes de se mudar para Hollywood fugindo dos nazistas. 


DIAS SEM FIM (Castle on the Hudson, 1940), de Anatole Litvak. País: EUA. Com John Garfield, Ann Sheridan, Pat O’Brien e Burgess Meredith.

Mafioso condenado à prisão de Sing Sing espera a liberdade condicional prometida por amigos políticos. Problemático, ao admitir que foi abandonado se esforça para melhorar sua conduta. Quando a namorada é ferida em um acidente, ele consegue autorização para vê-la. A situação se torna crítica ao encontrar o responsável por sua prisão. Direção competente de Litvak. O primeiro papel protagonista do excelente Garfield, que morreria jovem, aos 39 anos.


BRUTALIDADE (Brute Force, 1947), de Jules Dassin. País: EUA. Com Burt Lancaster, Hume Cronyn, Charles Bickford, Yvonne De Carlo, Ann Blyth e Ella Raines.

O filme máximo abordando o tema. Liderado por gangster, seis homens que dividem uma cela planejam se vingarem do sádico diretor da prisão. O talentoso Dassin, injustamente esquecido, logo depois teria de ir embora dos EUA ao cair na malha fina da “caça às bruxas” do macarthismo. Fez carreira na Europa. À exceção das lembranças, todo o resto da história se passa na prisão, uma sociedade repressiva e masculina cercada por muros. Elenco perfeito. Roteiro de Richard Brooks.


À MARGEM DA VIDA (Caged, 1950), de John Cromwell. País: EUA. Com Eleanor Parker, Agnes Moorehead, Hope Emerson, Jan Sterling e Jane Darwell.

Aos 19 anos, garota é presa por cumplicidade de assalto a banco. Apesar dos esforços amigáveis da diretora da penitenciária, ela sofre nas mãos da perversa carcereira, mudando seu comportamento afável ao encarar a nova realidade. Taça Volpi de Melhor Atriz no Festival de Veneza. Hope Emerson brilha como a carcereira sádica e lésbica. Ela e Parker concorreram, respectivamente, ao Oscar de Atriz Coadjuvante e Atriz.


CANÇÃO DE AMOR (Un Chant d’Amour, 1950), de Jean Genet. País: França. Com Java e Coco Le Martiniquais.

Dois presos em completo isolamento, separados por paredes de grossa espessura, necessitados de contato humano, concebem um jogo amoroso de comunicação. Único filme - um curta de 26 min. - dirigido pelo escritor maldito francês Jean Genet. Poético e audacioso.


MULHERES CONDENADAS (Women’s Prision, 1955), de Lewis Seiler. País: EUA. Com Ida Lupino, Jan Sterling, Audrey Totter, Phyllis Thaxter e Juanita Moore.

O cotidiano de uma penitenciária feminina de segurança máxima, separada da ala masculina por um alto muro. Uma nova prisioneira, frágil e decente, descobre estar grávida. Realismo e interpretações explosivas de todo o elenco, destacando-se Ida Lupino como a diretora sádica e inflexível, Sterling e Totter.


QUERO VIVER (I Want to Live!, 1958), de Robert Wise. País: EUA. Com Susan Hayward, Simon Oakland e Theodore Bikel.

Prostituta acusada de assassinato, apesar de se declarar inocente e apresentar álibi, acaba sendo sentenciada à morte. O caso é acompanhado por um psiquiatra e um repórter, que acreditam na inocência da ré. Baseado em fatos reais. Drama muito bom. Expressiva direção de Wise. Ganhou o Oscar, Globo de Ouro, David di Donatello e Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York de Melhor Atriz.


INFERNO NA CIDADE (Nella Città L’Inferno, 1959), de Renato Castellani. Países: Itália e França. Com Anna Magnani, Giulietta Masina, Renato Salvatori e Saro Urzi.

Dona de casa, injustamente acusada de roubo e trancada numa prisão em Roma, corrompe-se entre prostitutas, assassinas e ladras. Poderosas atuações de Magnani (David di Donatello de Melhor Atriz) e Masina. Drama duro, realista.


A UM PASSO DA LIBERDADE (Le Trou, 1960), de Jacques Becker. Países: França e Itália. Com Michel Constantin e Philippe Leroy.

Quatro companheiros de cela planejam uma meticulosa fuga quando são surpreendidos pela introdução de mais um preso no cubículo. A dúvida assombra o grupo. Podem confiar no estranho que acabou de ser transferido? Tensão e realismo no último filme dirigido pelo magistral Becker. Revela a arte de filmar, de contar uma fuga.


O HOMEM DE ALCATRAZ (Birdman of Alcatraz, 1962), de John Frankenheimer. País: EUA. Com Burt Lancaster, Karl Malden, Thelma Ritter e Edmond O’Brien.

Condenado injustamente à prisão perpétua, isolado numa cela, encontra um filhote de pardal que lhe dá uma razão para viver. Torna-se especialista em pássaros, reconhecido internacionalmente. Ainda assim sua liberdade é negada. Pelo trabalho denso, Lancaster levou a Taça Volpi de Melhor Ator em Veneza e concorreu ao Oscar.


A SANGUE FRIO (In Cold Blood, 1967), de Richard Brooks. País: EUA. Com Robert Blake, Scott Wilson e John Forsythe.

Tenta compreender as motivações por trás de um massacre sem sentido. No caso, a morte a sangue frio de quatro membros de uma família, em 1959. O fato, real, foi documentado em forma de romance por Truman Capote em 1966 e tornou-se um sucesso editorial. A fim de conseguir maior realismo, o filme foi rodado quase inteiramente nos locais onde aconteceram os fatos e em austero preto e branco. O diretor construiu uma narrativa sem sensacionalismo, sóbria. Recebeu quatro indicações ao Oscar da Academia, duas para a direção e o roteiro de Brooks, uma para a fotografia de Conrad L. Hall e a outra para a trilha sonora de Quincy Jones. Melhor Direção do National Board of Review.


REBELDIA INDOMÁVEL (Cool Hand Luke, 1967), de Stuart Rosenberg. País: EUA. Com Paul Newman, George Kennedy, Jo Van Fleet e Dennis Hopper.

Num de seus melhores papéis, o belo Newman é preso por dirigir embriagado. Durão, enfrenta a todos e se recusa a ser quebrado, escapando e sendo preso novamente várias vezes. Ao desafiar a realidade da prisão acaba se tornando um exemplo de resistência e perseverança para seus colegas. O astro de olhos azuis vive o prisioneiro mais sagaz do cinema, totalmente sem limites. Ganhou aqui uma de suas dez indicações ao Oscar, mas só venceria o prêmio em 1987, por “A Cor do Dinheiro / The Color of Money”.


PAPILLON (idem, 1974), de Franklin J. Schaffner. Países: França e EUA. Com Steve McQueen, Dustin Hoffman e Victor Jory.

Grande sucesso marcado por atuações inesquecíveis de McQueen e Hoffman. “Papillon”, que em francês quer dizer borboleta, mostra a saga de prisioneiro que, na luta contra um sistema desumano e cruel, faz o impossível para fugir da terrível Ilha do Diabo, cercado por uma floresta impenetrável na Guiana Francesa. Roteiro de Dalton Trumbo baseado em autobiografia do fugitivo Henri Charrière, narra também os retornos dolorosos ao presídio e a brutalidade do confinamento. Magnífico. Injustamente esquecido pelas premiações.


O EXPRESSO DA MEIA-NOITE (Midnight Express, 1978), de Alan Parker. Países: Inglaterra e EUA. Com Brad Davis, Irene Miracle, Bo Hopkins e John Hurt.

Ao visitar a Turquia, um estudante norte-americano trafica haxixe, prendendo-o debaixo de suas roupas. O plano acaba não dando certo e ele é detido, com sua vida se transformando em um pesadelo. Brutalmente espancado e jogado em uma imunda prisão, espera ser libertado. Levado a um novo julgamento, é condenado a uma longa pena. Só lhe resta mergulhar num inferno de torturas, atrocidades e loucura. Roteiro do futuro cineasta Oliver Stone. O resultado é um filme vigoroso, ganhador de dois Oscar e seis Globo de Ouro (Inclusive Melhor Filme-Drama). Atenção para a famosa trilha sonora de Giorgio Moroder e a comovente atuação do inglês John Hurt.


ALCATRAZ – FUGA IMPOSSÍVEL (Escape from Alcatraz, 1979), de Don Siegel. País: EUA. Com Clint Eastwood, Patrick McGoohan e Roberts Blossom.

Última parceria de Eastwood com o talentoso diretor Siegel. Ele é um condenado que já escapou de várias prisões enviado para a ilha de Alcatraz, de onde ninguém escapa com vida. Pacientemente arquiteta seu plano de fuga. O filmaço dramatiza a fuga real ocorrida em 1962. Marca a estreia de Danny Glover no cinema.


BRUBAKER (Idem, 1980), de Stuart Rosenberg. País: EUA. Com Robert Redford, Yaphet Kotto e Morgan Freeman.

Na prisão sulista de Wakefield, o novo diretor chega disfarçado de prisioneiro e assim convive com os detentos, podendo apurar todos os tipos de corrupções e ilegalidades que imperam na instituição. Quando ele se revela, encontra uma oposição velada, pois suas ideias reformistas contrariam vários interesses políticos e financeiros. Baseado em fatos reais, esse longa foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original. Boa atuação de Redford.


FUGA DE NOVA YORK (Escape from New York, 1981), de John Carpenter. Países: Inglaterra e EUA. Com Kurt Russell, Lee Van Cleef, Ernest Borgnine e Donald Pleasence.

No futuro, ano de 1997, Manhattan foi transformada em uma prisão de segurança máxima.  O avião presidencial cai nela e um ex-combatente de guerra, condenado por roubo, é enviado para em 24 horas resgatar o presidente em troca da sua liberdade. Eletrizante ficção-científica. Gerou a sequência “Fuga de Los Angeles / Escape from L.A.” (1996), também dirigida pelo mestre Carpenter.


DAUNBAILÓ (Down by Law, 1986), de Jim Jarmusch. Países: EUA e Alemanha. Com Tom Waits, John Lurie e Roberto Benigni.

Ao caírem numa armação da polícia, dois sujeitos vão dividir uma cela na prisão. Um é cafetão de baixa categoria que se envolveu erroneamente num esquema de corrupção de menores, enquanto o outro é um ex-radialista que, expulso de casa pela namorada, aceita um serviço de transportar um carro, sem saber que tinha um defunto no porta-malas. Mais um filme excêntrico de Jarmusch, mostrando a estranha e cômica relação da dupla, acrescentando mais um companheiro de cela. Os três planejam uma fuga inusitada. Aplaudido pela crítica. Fotografia intensa de Robby Müller.


EM NOME DO PAI (In the Name of the Father, 1993), de Jim Sheridan. Países: Irlanda, Inglaterra e EUA. Com Daniel Day-Lewis, Pete Postlethwaite e Emma Thompson.

Em 1974, um atentado a bomba organizado pelo IRA (Exército Republicano Irlandês) mata cinco pessoas num pub nos arredores de Londres. Um jovem rebelde irlandês é injustamente preso e condenado pelo crime. Seu pai tenta ajudá-lo e também é condenado, mas pede ajuda a uma advogada que investiga as irregularidades do caso. Baseado em fatos reais, este drama tem interpretações de tirar o chapéu de Daniel Day-Lewis, Emma Thompson e Pete Postlethwaite. Leão de Ouro em Berlim, entre outros prêmios e indicações, como sete ao Oscar e quatro ao Globo de Ouro.


UM SONHO DE LIBERDADE (The Shawshank Redemption, 1994), de Frank Darabont. País: EUA. Com Tim Robbins e Morgan Freeman.

Em 1946, um jovem e bem sucedido banqueiro tem a sua vida radicalmente modificada quando passa a cumprir prisão perpétua por ter assassinado sua mulher e o amante dela. No presídio, faz amizade com um prisioneiro que cumpre pena há 20 anos e controla o mercado negro do presídio. Enquanto pensam em fuga, ambos lidam com um cotidiano opressor e violento. Inspirado em conto de Stephen King. Indicado a sete Oscar, entre eles o de Melhor Filme. Fabulosas interpretações de Robbins e Freeman.


À ESPERA DE UM MILAGRE (The Green Mile, 1999), de Frank Darabont. País: EUA. Com Tom Hanks, Michael Clarke Duncan e David Morse.

Baseado em história de Stephen King, apresenta o chefe da guarda de um corredor da morte durante o ano de 1935. Ele faz amizade com um prisioneiro acusado de estuprar e matar duas meninas. Quatro indicações ao Oscar e uma ao Globo de Ouro são apenas alguns reflexos desse sucesso, com Hanks e Duncan em atuações memoráveis.


A ÚLTIMA FORTALEZA (The Last Castle, 2001), de Rod Lurie. País: EUA. Com Robert Redford, James Gandolfini e Mark Ruffalo.

Um militar de alta patente, condenado injustamente à prisão, passa a enfrentar os métodos pouco convencionais do diretor da penitenciária, começando uma guerra de consequências inimagináveis. Ele e os seus aliados decidem forçar a exoneração do diretor. Trilha sonora do talentoso Jerry Goldsmith. Redford, como sempre, rouba a cena.


CARANDIRU (2003), de Hector Babenco. Países: Brasil, Argentina e Itália. Com Rodrigo Santoro, Caio Blat, Lázaro Ramos e Wagner Moura.

Médico se oferece para realizar um trabalho de prevenção a AIDS no maior presídio da América Latina. Convive com a realidade atrás das grades, que inclui violência, superlotação das celas e instalações precárias. Apesar de todos os problemas, ele logo percebe que os prisioneiros não são figuras demoníacas, existindo dentro da prisão solidariedade, organização e uma grande vontade de viver. Várias histórias são contadas em paralelo. Ótimas atuações. Escolhido como representante brasileiro para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas ficou de fora. Melhor Diretor do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.


FOME (Hunger, 2008), de Steve McQueen. País: Irlanda e Inglaterra. Com Michael Fassbender.

Em 1981, ocorre um dos mais violentos motins no presídio Maze Prison, na Irlanda do Norte. O evento ganha proporções alarmantes e no epicentro da rebelião está um prisioneiro que, disposto a levar a mente e o corpo aos limites da capacidade humana, inicia uma greve de fome. Baseado numa história real. Fassbender teve acompanhamento médico, devido a perda de peso para o papel. Drama pesado, desagradável, difícil de assistir, mas brilhante. Fantástica estreia do inglês Steve McQueen. Interpretação corajosa e dedicada de Fassbender.


BRONSON (Idem, 2008), de Nicolas Winding Refn.  País: Inglaterra. Com Tom Hardy, Kelly Adams e Luing Andrews.

Em 1974, rapaz de 19 anos com uma espingarda caseira serrada e uma cabeça cheia de sonhos, tenta roubar uma agência postal. Pego e condenado a sete anos de prisão, com o pseudônimo de Charles Bronson, fica preso trinta e quatro anos, trinta dos quais em isolamento. Baseado em fatos reais, tem interpretação hipnotizante de Tom Hardy no papel de um dos bandidos mais perigosos do Reino Unido, também famoso por sua fúria. O ator se encontrou com o cinebiografado mais de uma vez, tendo total apoio dele. Drama criminal forte e perturbador.


LEONERA (Idem, 2008), de Pablo Trapero. Países: Argentina, Coréia do Sul, Espanha e Brasil. Com Martina Gusman, Elli Medeiros e Rodrigo Santoro.

Uma mulher grávida acorda rodeada pelos corpos ensanguentados de dois homens. É presa e enviada a uma penitenciária específica para mães e grávidas sentenciadas, chamada “leonera”, a “toca das leoas”. O filme jamais deixa claro se a personagem é culpada ou não, centrando-se na maternidade atrás das grades. Produzido pelo brasileiro Walter Salles. Destaque para a sensível interpretação de Martina Gusman.


O ESCAPISTA (The Escapist, 2008), de Rupert Wyatt. Países: Inglaterra e Irlanda. Com Brian Cox, Damian Lewis, Joseph Fiennes e Seu Jorge.

Um prisioneiro condenado a prisão perpétua, sem direito a condicional, sabendo que a filha tornou-se uma drogada e está prestes a morrer, decide fugir. Um bom filme, tenso e bem dirigido, com participação do brasileiro Seu Jorge.


O PROFETA (Un Profete, 2009), de Jacques Audiard. Países: França e Itália. Com Tahar Rahim, Niels Arestrup e Adel Bencherif.

Na cadeia, jovem árabe, preso por seis anos, por conta de pequenos delitos, sobrevive e ascende na hierarquia carcerária, protegido pelo grupo corso, que domina o local. Logo se vê enredado nas lutas de gangues, com uma série de “missões” que deverá executar para um dos líderes. Excelente longa, super premiado, ganhador de nove prêmios César, BAFTA de Melhor Filme Estrangeiro, prêmio do júri em Cannes e indicado ao Oscar, entre outros. Seu protagonista, Tahar Rahim, conquistou muitos prêmios, entre eles o César de Melhor Ator, considerado o Oscar francês.


CELA 211 (Celda 211, 2009), de Daniel Monzón. Países: Espanha e França. Com Luis Tosar, Alberto Ammann e Antonio Resines.

Agente penitenciário, logo em seu primeiro dia de trabalho, se vê envolvido em uma rebelião de presos, liderada por um perigoso detento. Acaba ferido e deixado para trás. Como não o conhecem, ele se faz passar por detento e acaba se envolvendo muito mais do que deveria no confronto. Tenso e bem dirigido.


CÉSAR DEVE MORRER (Cesare deve Morire, 2012), de Paolo Taviani Vittorio Taviani. País: Itália. Com Cosimo Rega, Salvatore Striano e Giovanni Arcuri.

Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim e David di Donatello de Melhor Filme. Mistura teatro, documentário e drama. Os veteranos irmãos Taviani levam sua câmera a uma ala de segurança máxima da prisão de Rebibbia, na Itália, onde os presos são os atores. Encenam uma versão livre da peça “Júlio César”, um das grandes criações de William Shakespeare. A montagem teatral na trama e o impacto que a arte tem sobre os condenados fazem deste filme uma obra-prima.


20.000 mil anos em sing sing