Reconhecido
como o melhor diretor de atrizes de Hollywood (um exagero, William Wyler era superior), GEORGE CUKOR (1899–1983) em
mais de 50 anos de atividade foi indicado cinco vezes ao Oscar de Melhor Diretor:
em 1933, por “Quatro Irmãs”; em 1940, por “Núpcias de Escândalo”; em 1947, por “Fatalidade”;
em 1950, por “Nascida Ontem”, e em 1964 por “Minha Bela Dama”. Com esse musical,
em que o refinamento de sua linguagem é evidente, finalmente levou a estatueta
para casa. Culto, afirmou-se não apenas como um ótimo profissional capaz de cumprir
prazos e orçamentos como também capaz de captar os mais profundos sentimentos
da mulher e de obter o melhor rendimento possível das atrizes.
Ele
passou a ser o cineasta preferido das estrelas e de produtores em função delas.
Por isso, Irving Thalberg, o poderoso chefão da Metro-Goldwyn-Mayer, não
vacilou em chamá-lo para dirigir “Romeu e Julieta”, superprodução estrelada por
Norma Shearer (esposa de Thalberg) e Leslie Howard. Pena que o casal central já
estivesse à beira dos quarenta anos, o que comprometeu bastante esta adaptação
da peça de Shakespeare. Mas o filme impressionou e David O. Selznick o chamou
para dirigir “... E o Vento Levou”. Muitas das cenas editadas na versão final
foram feitas sob as ordens de GEORGE CUKOR. Caso da sequência do incêndio em
Atlanta e a primeira aparição de Scarlett O’Hara, quando flerta com os dois
irmãos. Dizem que Clark Gable não o via com bons olhos, alegando que ele dava
mais atenção às atrizes, mas as más línguas garantem que gay, o diretor conhecia o
passado de garoto de programa do astro. Nesse clima, após 18 dias de trabalho, foi
substituído por Victor Fleming. O incidente não abalou a sua carreira. Até 1981
ele construiu uma filmografia com cerca de 50 títulos entre comédias, musicais e
dramas, em que pôde orientar grandes estrelas.
Embora
fosse um artesão obediente às regras da indústria cinematográfica e dono de um
senso ético que o levava a ser fiel ao roteiro sem se preocupar com o brilho
fácil, GEORGE CUKOR fez algumas intervenções ousadas para os padrões de Hollwyood.
Caso de “A Vida Íntima de Quatro Mulheres”, em que, pela primeira no cinema
norte-americano, as personagens femininas falavam abertamente sobre orgasmo e
frustração sexual. A cena em que a fogosa Glynnis Johns avança sobre o musculoso
leiteiro é antológica. “Ricas e Famosas”, o seu canto do cisne, também foi
atrevido ao mostrar mulheres maduras seduzindo homens mais jovens para rápidos
momentos de sexo. Já afastado do cinema, o poeta da alma feminina, como diziam
muitos críticos, morreu em 1983, vítima de um enfarte. A lista de grandes atrizes
que foram dirigidas por ele é longa. Confira.
ANN DVORAK
Perdidamente Tua (A Life of Her Own,
1950)
ANNA KARINA
Justine (Idem, 1969)
ANNA MAGNANI
A Fúria da Carne (Wild Is the Wind, 1957)
ANOUK AIMÉE
Justine (Idem, 1969)
AUDREY HEPURN
Minha Bela Dama (My Fair Lady, 1964)
AVA GARDNER
(1922–1990)
A Encruzilhada dos Destinos (Bhowani Junction, 1956)
CANDICE BERGEN
Ricas e Famosas (Rich and Famous,
1981)
CLAIRE BLOOM
A Vida Íntima de Quatro Mulheres (The Chapman Report, 1962)
CLAUDETTE COLBERT
Zazá (Zaza, 1938)
CONSTANCE BENNETT
Hollywood (What Price Hollywood?, 1932)
Caluniada (Rockabye, 1932)
Our Betters (1933)
Duas Vezes Meu (Two-Faced Woman, 1941)
Demônio de Mulher (It Should Happen
to You, 1954)
DEBORAH KERR
Meu Filho (Edward, My Son, 1948)
ELIZABETH TAYLOR
(1932–2011)
O Pássaro Azul (The Blue Bird, 1976)
FRANCES DEE
As Quatro Irmãs (Little Women, 1933)
GRETA GARBO
(1905–1990)
A Dama das Camélias (Camille, 1936)
Duas Vezes Meu (Two-Faced Woman, 1941)
INGRID BERGMAN
À Meia Luz (Gaslight, 1944)
JACQUELINE BISSETT
Ricas e Famosas (Rich and Famous, 1981)
JANE FONDA
A Vida Íntima de Quatro Mulheres (The Chapman Report, 1962)
O Pássaro Azul (The Blue Bird, 1976)
JEAN HARLOW
Jantar às Oito (Dinner at Eight, 1933)
JEAN SIMMONS
(1929–2010)
Papai Não Quer (The Actress, 1953)
JEANNE CRAIN
Encontro nos Céus (Winged Victory,
1944)
A Modelo e a Casamenteira (The Model
and the Marriage Broker, 1951)
JOAN BENNETT
(1910–1990)
As Quatro Irmãs (Little Women, 1933)
JOAN CRAWFORD
As Mulheres (The Women, 1939)
Uma Mulher Original (Susan and God, 1940)
Um Rosto de Mulher (A Woman's Face, 1941)
JOAN FONTAINE
(1917–2013)
As Mulheres (The Women, 1939)
JUDY GARLAND
Nasce Uma Estrela (A Star Is Born, 1954)
JUDY HOLLIDAY
Encontro nos Céus (Winged Victory, 1944)
A Costela de Adão (Adam's Rib, 1949)
Nascida Ontem (Born Yesterday, 1950)
Demônio de Mulher (It Should Happen
to You, 1954)
KATHARINE HEPBURN
(1907–2003)
Vítimas do Divórcio (A Bill of Divorcement, 1932)
As Quatro Irmãs (Little Women, 1933)
Vivendo em Dúvida (Sylvia Scarlett, 1935)
Boêmio Encantador (Holiday, 1938)
Núpcias de Escândalo (The Philadelphia Story, 1940)
O Fogo Sagrado (Keeper of the Flame,
1942)
A Costela de Adão (Adam's Rib, 1949)
A Mulher Absoluta (Pat and Mike, 1952)
Amor Entre Ruínas (Love Among the
Ruins, 1975)
O Coração não Envelhece (The Corn Is Green, 1979)
KAY FRANCIS
Coragem de Amar (The Virtuous Sin, 1930)
Pra que Casar? (Girls About Town, 1931)
KAY KENDALL
(1926–1959)
Les Girls (Idem, 1957)
LANA TURNER
Perdidamente Tua (A Life of Her Own, 1950)
MAGGIE SMITH
(1934)
Viagens com a Minha Tia (Travels with My Aunt, 1972)
MARILYN MONROE
Adorável Pecadora (Let's Make Love, 1960)
NORMA SHEARER
(1902–1983)
Romeu e Julieta (Romeo and Juliet, 1936)
As Mulheres (The Women, 1939)
Idílio a Muque (Her Cardboard Lover, 1942)
PAULETTE GODDARD
(1910–1990)
As Mulheres (The Women, 1939)
ROSALIND RUSSELL
(1907–1976)
As Mulheres (The Women, 1939)
SHELLEY WINTERS
(1920–2006)
Fatalidade (A Double Life, 1947)
A Vida Íntima de Quatro Mulheres (The Chapman Report, 1962)
SIGNE HASSO
Fatalidade (A Double Life, 1947)
SOPHIA LOREN
(1934)
Jogadora Infernal (Heller in Pink
Tights, 1960)
TALLULAH BANKHEAD
Casamento Singular (Tarnished Lady, 1931)
TERESA WRIGHT
(1918–2005)
Papai Não Quer (The Actress, 1953)





















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