Celebridades
hollywoodianas têm suas vidas invadidas e controladas pela mídia o tempo todo.
Isso porque o público quer saber o que se passa com elas, o que vestem, que carro usam e que lugares frequentam, entre outras coisas.
O universo infantil cinematográfico faz parte dessa obsessão. A pequena
Shirley Temple, na sua época a criança mais influente do mundo, era perseguida por milhares de fãs.
Aproveitando
a Semana das Crianças, relembro astros e estrelas guris. A maioria desapareceu da mídia e de Hollywood
com o passar dos anos. Alguns desistiram do mundo do cinema, outros tentaram conseguir um papel de destaque em seriados de televisão, mas
raros superaram os personagens que fizeram na infância.
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| jackie cooper, mickey rooney e freddie bartholomew |
Confira looks de celebridades mirins. Uma lista com 15
crianças prodígios que encantaram e marcaram a história de Hollywood:
BOBBY DRISCOLL
(1937 - 1968)
Ganhou
um Oscar Especial pela atuação em “Ninguém Crê em Mim / The Window” (1949) e
foi o primeiro ator ainda menino a ter contrato exclusivo com os estúdios
Disney. Lembrado também pelo sucesso “A Canção do Sul / Song of the South”
(1946), com o amadurecimento e a diminuição das ofertas de trabalho,
envolveu-se com drogas, o que arruinou sua saúde e o reduziu à pobreza. Morreu
aos 31 anos, sozinho, de um ataque cardíaco, numa construção abandonada em Nova
York, tendo sido sepultado numa cova comunitária. Um ano e meio depois de sua
morte, sua mãe realizou uma busca, localizando sua cova, onde o indesejado,
esquecido e pobre Driscoll foi enterrado.
O
público não se soube do seu fim trágico até que “Canção do Sul” foi relançado
em 1971. Repórteres estavam procurando seu paradeiro, quando a mãe do ator
revelou a tragédia. “Eu descobri que o passado não é muito útil”, disse Driscoll.
“Eu foi lançado em uma bandeja de prata ... e depois despejado no lixo.” Ele
apareceu em 22 filmes entre 1943 e 1958. Seu papel em “A Ilha do Tesouro /
Treasure Island” (1950) rendeu-lhe uma estrela na Calçada da Fama. Também atuou
como a voz de Peter Pan no clássico animado.
BRANDON de WILDE
(1942 - 1972)
Estreou
de forma consagradora nos palcos no retumbante sucesso “Cruel Desengano / The
Member of the Wedding”. Repetiria em 1952 o mesmo personagem quando o diretor
Fred Zinnemann o convidou para a versão cinematográfica da peça, mas foi George
Stevens quem lhe deu o papel de sua vida, o do pequeno Joey, fascinado pelo
misterioso pistoleiro interpretado por Alan Ladd no faroeste clássico “Os
Brutos Também Amam / Shane” (1953). A atuação valeu-lhe uma indicação ao Oscar
de Melhor Ator Coadjuvante. Teve sua
própria série na televisão, “Jamie” (1953-1954). Sem o êxito da infância,
tentou a carreira musical, abortada ao morrer num trágico acidente de carro,
aos 30 anos de idade.
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CLAUDE JARMAN JR.
(n. em 1934)
Descoberto
por um caçador de talentos, estreou com pé direito no poético “Virtude Selvagem
/The Yearling” (1946), ao lado de Gregory Peck e Jane Wyman, numa atuação que
recebeu críticas entusiasmadas, rendendo-lhe um Oscar Especial. Terminado o
contrato com a Metro-Goldwyn-Mayer, fez filmes B na Republic Pictures e logo
após a adolescência, desanimado, abandonou a profissão para trabalhar
nos bastidores, como produtor executivo. Outro grande momento seu
aconteceu no anti-racista “O Mundo Não Perdoa / Intruder in the Dust”,
adaptação do romance de William Faulkner.
DEAN STOCKWELL
(n. em 1936)
Começou
a atuar ainda criança, aos nove anos de idade, brilhando em “Marujos do Amor / Anchors
Aweigh” (1945), “O Menino dos Cabelos Verdes / The Boy With Green Hair” (1948)
e “Kim / idem” (1950). Muito popular devido ao ar de inocência e rosto de
querubim com covinhas e olhos brilhando. Durante a adolescência ficou cinco
anos sem filmar, retornando em 1956 e nunca mais parando, colecionando sucessos
como “Estranha Compulsão / Compulsion” (1959), “Filhos e Amantes / Sons and
Lovers” (1960) e “Paris, Texas / idem” (1984).
DICKIE MOORE
(1925 – 2015)
Estreou
em 1927 com apenas 18 meses de idade como bebê François em “Amor de Boêmio /
The Beloved Rogue”, ao lado de John Barrymore. Estrela infantil requisitada, foi
o filho de Marlene Dietrich em “A Vênus Loura / Blonde Venus”, de 1932, e
interpretou o papel-título de “Oliver Twist / Idem”, de 1933. No mesmo ano
rodou “O Paraíso de Um Homem / Man's Castle”, ao lado de Spencer Tracy e Loreta
Young. Esteve em “A História de Louis Pasteur / The Story of Louis Pasteur” (1936)
e “A Vida de Emile Zola / The Life of Emile Zola” (1937), ambos de William
Dieterle. Adolescente, continuou filmando, fazendo praticamente pontas em “Sargento
York / Sergeant York” (1943), “A Canção de Bernadette / The Song of Bernadette”
(1943) e “O Diabo Disse Não / Heaven Can Wait” (1943), entre outros. Nos anos
1950 atuou com sucesso em séries de TV. Por fim, abandonou a carreira,
dedicando-se a publicidade.
ELIZABETH TAYLOR
(1932 - 2011)
Descoberta
aos dez anos de idade, filmou a fracassada comédia “There's One Born Every
Minute” (1942). Contratada pela Metro para uma pequeno participação em “A Força
do Coração / Lassie Come Home” (1943), teve seu primeiro momento de glamour em
“A Mocidade é Assim Mesmo / National Velvet” (1944), de Clarence Brown, ao lado
de Mickey Rooney e de outro excelente ator tampinha, o sardento Jackie “Butch”
Jenkins (1937-2001). Liz foi uma das raras crianças que se tornou super star
quando adulta.
FREDDIE BARTHOLOMEW
(1924 - 1992)
Um
dos atores mirins mais famosos de todos os tempos, popular na década de 1930,
protagonizou clássicos como “David Copperfield / idem” (1935) e “Marujos
Intrépidos / Captains Courageous” (1937). A beleza delicada, dicção refinada e
olhar angelical fizeram dele um campeão de bilheteria. Criado por uma tia,
enfrentou uma batalha nos tribunais com seus pais - que desejavam sua custódia
e administrar sua fortuna - durante sete anos, resultando em problemas com a Metro-Goldwyn-Mayer
e um enorme custo com advogados e despesas legais que abalou suas finanças. Ao
exigir aumento de salário, foi castigado pelo estúdio, que deixou de se
interessar por ele. Depois de alguns longas de baixa qualidade, abandonou a
carreira, tornando-se na idade adulta produtor e diretor de programas de tevê.
JACKIE “BUTCH” JENKINS
(1937 - 2001)
Atuou
em onze filmes entre 1943 e 1948, sendo os mais famosos “A Comédia Humana / The
Human Comedy”, “A Mocidade é Assim Mesmo / National Velvet”, “O Roseiral da
Vida / Our Vines Have Tender Grapes” e “Meu Irmão Fala com Cavalos / My Brother
Talks to Horses”. Filho de uma atriz e contratado da Metro-Goldwyn-Mayer,
carismático, talentoso, seus ganhos de infância foram bem investidos, deixando-o
rico. Aos onze anos desenvolveu uma gagueira nervosa que nunca o abandonou. Sem
poder atuar, montou próspera empresa de lavagem de carro.
JACKIE COOGAN
(1914 - 1984)
Descoberto
por Charlie Chaplin, começou no cinema mudo, em 1917, aos três anos de idade.
Lembrado por seu papel no clássico “O Garoto / The Kid” (1921) e pelo
papel-título de “Oliver Twist / idem” (1922), dirigido por Frank Lloyd, foi o
primeiro ator mirim a ter sua imagem fortemente comercializada (figurinhas,
manteiga de amendoim, bonecos, discos, estatuetas e outros produtos). Famoso
por seu corte de cabelo e o macacão velho que usava em cena, viajou pelo mundo,
sendo recebido por multidões. Com o sucesso, arrecadou milhões de dólares, mas
a fortuna desapareceu nas mãos da mãe e do padrasto. Coogan processou-os em
1938. Depois das despesas legais, recebeu $ 126.000 dos cerca de 250.000
dólares restantes. Anos depois, sem trabalho e enfrentando dificuldades
financeiras, Chaplin lhe deu apoio. Após a Segunda Guerra, voltou a atuar como
coadjuvante e em seriados de tevê, chamando a atenção como Tio Funéreo em “A
Família Addams”, nos anos 1960.
JACKIE COOPER
(1922 - 2011)
De
uma família de artistas, indicado ao Oscar por “Skippy / idem” (1931), dirigido
por seu tio Norman Taurog. Em “O Campeão / The Champ” (1931), atuou ao lado de
Wallace Beery, destacando-se também em “A Ilha do Tesouro / Treasure Island”
(1934), adaptação do clássico literário de Robert Louis Stevenson. Como
aconteceu com diversas crianças que trabalharam no cinema, seu êxito findou-se
com a chegada da adolescência. Adulto, participou de inúmeras séries e
trabalhou como produtor de TV.
MARGARET O’BRIEN
(n. em 1937)
Aos
quatro anos de idade atuou em “Calouros na Broadway / Babes on Broadway” (1941),
assinando contrato com a Metro. Seu papel mais memorável foi a Tootie do
musical “Agora Seremos Felizes / Meet me in St. Louis” (1944), com o qual
ganhou um Oscar como Melhor Atriz Infantil. Brilhou também em “Jane Eyre / idem”
(1943) e “O Fantasma de Canterville / The Canterville Ghost” (1944). A partir
dos anos 1950, com a adolescência, a carreira declinou. Ainda fez algumas
tentativas frustradas de reconquistar o sucesso, mas não funcionou. Segundo
Vincente Minnelli, a excelente atriz era uma criança neurótica, com reações
emocionais surpreendentes e assustadoras.
NATALIE WOOD
(1938 - 1981)
Rodou
o primeiro filme quando tinha apenas cinco anos de idade. Em 1947 filmou “De
Ilusão Também se Vive / Miracle on 34th Street”, considerado um clássico
natalino. Muito ativa como atriz infantil, apareceu em mais de uma dezena de
filmes, entre eles a sensacional comédia “O Fantasma Apaixonado / The Ghost and
Mrs. Muir” (1947). Em 1955, aos 17 anos, estrelou “Juventude Transviada / Rebel
Without a Cause”, com James Dean e Sal Mineo, garantindo-lhe a primeira
indicação ao Oscar e o seu desenvolvimento como atriz adulta. Suzanne Finstad,
sua biógrafa, narrou que a atriz, ainda menor de idade, dormiu com o diretor do
filme, Nicholas Ray, para conseguir o papel de protagonista.
REX THOMPSON
(n. em 1942)
Estreou
no cinema no drama histórico “A Rainha Virgem / The Young Bess” (1953), de
George Sidney, no papel do príncipe Edward. Carismático e com cara de bom
menino, atuou com competência em “Melodia Imortal / The Eddy Duchin Story”
(1956), “O Rei e Eu / The King and I” (1956) e “Em Cada Coração Uma Saudade / All
Mine to Give” (1957), seu último filme, além de participar em várias séries de
tevê. Desiludido com a profissão de ator, em 1966, aos 24 anos, largou a
carreira.
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| rex em “a rainha virgem” |
RODDY McDOWALL
(1928 - 1998)
Com
dez anos de idade atuou no seu primeiro filme, ainda na Inglaterra. Em
Hollywood destacou-se no famoso drama “Como Era Verde o Meu Vale / How Green Was My Valley” (1941), dirigido
por John Ford, e em filmes como “Minha Amiga Flicka / My Friend Flicka” (1943),
“A Força do Coração / Lassie Come Home” (1943) e “As Chaves do Reino / The Keys
of the Kingdom”. Adulto, trabalhou em peças na Broadway, sem nunca deixar de
filmar. Foi um dos primeiros atores a assumir abertamente a homossexualidade, confessando
que ainda menino se relacionava sexualmente com colegas de profissão do mesmo
sexo e bem mais velhos.
SHIRLEY TEMPLE
(1928 - 2014)
Maior
estrela infantil de todos os tempos, a menina dos cachinhos dourados estreou no
cinema aos quatro anos de idade e teve sua imagem comercializada em produtos
como bonecas, vestidos, canecas e bonés. Com um sorriso encantador e
personalidade otimista, faturou milhões, salvando a 20th Century-Fox da
falência e ganhando um Oscar Especial aos seis anos. Participou de filmes como
“A Mascote do Regimento / The Little Colonel” (1935), “Heidi / idem” (1937) e
“O Pássaro Azul / The Blue Bird” (1940). Depois de adulta, não teve o mesmo
sorte e se aposentou do cinema em 1949, provando a carreira política e
diplomática.









































