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outubro 25, 2024

************* O SEGREDO de LORETTA YOUNG

 

 
Felizmente, a realidade em um filme 
- ao contrário de algumas crenças - 
não se restringe a temas sórdidos ou chocantes, 
nem a uma linguagem grosseira, 
nem à violência gratuita etc. 
A realidade em um filme de bom gosto 
também é saudável, é amor e romance. 
É coragem, aventura, inspiração 
e heroísmo. E todos nós somos 
enriquecidos por causa disso.
LORETTA YOUNG
 
Olhos: azul-acinzentados
Cabelos: castanhos claros
Apelidos: Santa Loretta e A Borboleta de Aço
Altura: 1,67 cm

 
 
Por trás do glamour, do carisma e do estrelato, era uma mulher requintada, de classe e dignidade, cuja verdadeira beleza estava em sua dedicação à família, sua profunda fé católica e sua busca para viver a vida com um propósito. Uma das maiores estrelas de Hollywood dos anos 30 e 40, ela filmou com John Ford, Frank Capra, Cecil B. DeMille e Orson Welles. Sua vitoriosa carreira começou no cinema mudo e terminou com um programa de tevê de sucesso, “The Loretta Young Show”, no horário nobre. No meio tempo, LORETTA YOUNG (1913 – 2000. Salt Lake City, Utah / EUA) ganhou um Oscar de Melhor Atriz em 1948 por “Ambiciosa”. Seus personagens cinematográficos geralmente são amorosos e justos, e na vida real ela era exatamente assim.
 
Nasceu Gretchen Young. Quando tinha três anos, seus pais se separaram e ela e suas duas irmãs foram morar em Hollywood, onde a mãe sobreviveu administrando uma pensão. Todas ajudavam na hospedaria e, com a indicação de um tio, que era assistente de direção, tornaram-se atrizes mirins. Exibida inicialmente no curta-metragem Arthur CardenesThe Only Way” (1914), fazendo uma criança chorosa deitada em uma mesa de operação. Ao filmar “The Primrose Ring” (1917), a super-star Mae Murray se ofereceu para adotá-la e ela viveu com os Murray por um ano e meio. LORETTA YOUNG também teve uma breve cena em “O Sheik / The Sheik” (1921), sucesso do latin lover Rodolfo Valentino. Sua mãe se casaria em 1922 com um de seus inquilinos, George Belzer.
 
Depois de estudar em um internato de freiras, aos 14 anos ela conseguiu um pequeno papel em “Em Maus Lençóis / Naughty But Nice”. Seguindo o conselho da estrela Colleen Moore, mudou seu nome, sendo anunciada como LORETTA YOUNG pela primeira vez em “Pancadas de Amor / The Whip Woman”, em 1928. No mesmo ano, protagonizou “Ria, Palhaço, Ria / Laugh Clown Laugh”, com o lendário Lon Chaney. Tinha uma voz agradável, rouca e fez facilmente a transição para o falado. Ambiciosa e trabalhadora, entre 1929 e 1930 apareceu em 16 filmes. Ao se apaixonar pelo ator Grant Withers, nove anos mais velho que ela, fugiu com ele para Yuma, no Arizona, e viveram juntos por oito meses, mas o casamento foi um fiasco e ela pediu a anulação.
 
Seu esforço profissional valeu a pena quando o produtor Darryl F. Zanuck, da Warner Brothers, a contratou. Ao deixar o estúdio para ir trabalhar na 20th Century Fox, em 1934, ele a levou. LORETTA YOUNG compartilhou as telas com os maiores astros da época - Lon Chaney, Clark Gable, James Cagney, Spencer Tracy, Ronald Colman, Charles Boyer, Warren William, Cary Grant, Tyrone Power, Robert Taylor, Don Ameche, Warner Baxter, Joel McCrea, David Niven, Fredric March, Brian Aherne, Alan Ladd, Gary Cooper, Robert Mitchum, William Holden, Van Johnson e Jeff Chandler, entre outros. Mesmo recatada, teve casos com os casados Spencer Tracy e Clark Gable. Em 1935, ao filmar “O Grito da Selva” (1935) com Gable, deu origem a um dos maiores segredos de Hollywood.
 
Eles se envolveram durante meses. Gable era casado e não planejava se divorciar. Ela engravidou e por causa das rígidas cláusulas de moralidade em seu contrato ninguém poderia ficar sabendo. Para evitar o escândalo que poderia arruinar a carreira de ambos, viajou “de férias com sua mãe para a Europa, onde teve secretamente uma menina e depois a entregou a um orfanato. Dois anos depois, simulou a adoção de um bebê. O pai viu a garota apenas uma vez, quando ela tinha quinze anos. Ele nunca a reconheceu como filha, mas era visível a semelhança física entre ambos. No livro de memórias “Conhecimento Incomum”, Judy Lewis conta que no encontro trocaram algumas palavras e na despedida ele a beijou na testa. Nunca mais voltou a vê-lo.
 
loretta young e clark gable em 1935
Católica fervorosa, LORETTA YOUNG escondeu a gravidez de um homem casado o máximo que pôde. Ela sempre negava a história, dizia que era uma das lendas de Hollywood. Somente nos anos 90, aos 85 anos, confessou ao seu amigo e biógrafo Edward J. Funk e à sua nora Linda Lewis que ela e Clark Gable tiveram um romance sem sexo, mas quando terminaram as filmagens e estavam de volta a Los Angeles, dentro de um comboio, ele a estuprou e ela ficou grávida. O trauma do episódio fez com que mantivesse o segredo até a sepultura. A nora só contou a informação sigilosa quando a sogra já havia morrido. Foi o maior segredo da estrela, algo que ela não conseguia admitir publicamente tampouco na intimidade.
 
A atriz recusou o papel de Ellie Andrews em “Aconteceu Naquela Noite / It Happened One Night” (1934), dando a Claudette Colbert a oportunidade de ganhar o Oscar de Melhor Atriz. Recusou também “Os Inocentes / The Inocents” (1961) e “Com a Maldade na Alma / Hush...Hush, Sweet Charlotte” (1964). No total, atuou em 90 filmes durante uma carreira de 26 anos. Na década de 1930, ela era a queridinha da América. Em 1938, teve um sucesso notável com “Romance do Sul / Kentucky”. Nos anos 1940, ainda era uma das mulheres mais bonitas de Hollywood. Consolidando sua reputação, causou impacto em 1946 como a esposa de um nazista em “O Estranho’’, de Orson Welles.
 
Em 1947, a comédia “Ambiciosa” foi um sucesso de crítica e bilheteria. Também em 1947, estrelou “Um Anjo Caiu do Céu, com Cary Grant e David Niven, outro estrondoso sucesso. Outra comédia bem recebida foi “Mamãe, Ele e Eu / Mother Is a Freshman (1949), com Van Johnson, e no mesmo ano ela recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz por sua participação em “Falam os Sinos / Come to the Stable”, ao lado da excelente Celeste Holm. O último papel de LORETTA YOUNG no cinema foi em 1953 na comédia “O Amor Resolve Tudo / It Happens Every Thursday”. Ao abandonar a sétima arte, começou uma segunda carreira igualmente bem-sucedida como apresentadora do “Letters to Loretta”, em 1953 - mais tarde “The Loretta Young Show”.
 

O triunfante programa de variedades foi perfeito para seu estilo conservador, voltado para a família, com a estrela lendo um poema ou uma passagem bíblica no final de cada edição. Ganhou três prêmios Emmy em oito anos. Ela fazia uma entrada espetacular, em vestidos deslumbrantes, e se tornou ainda mais famosa durante oito temporadas, finalizando em 1961. Após o fim do trabalho na TV, LORETTA YOUNG se aposentou, dedicando seu tempo ao serviço voluntário para instituições de caridade católicas, junto com suas amigas atrizes Jane Wyman e Maureen O'Hara. Saiu da aposentadoria para aparecer em dois filmes de televisão,
“O Último Natal / Christmas Eve”, em 1986, pelo qual ganhou um Globo de Ouro, e “Lady in a Corner”, três anos depois.
 
Em 1940 ela se casou com Tom Lewis, produtor e roteirista, com quem teve dois filhos, Christopher e Peter Charles. Se divorciaram no início dos anos 1960. Em 1961 lançou a autobiografia
“As Coisas que Tive que Aprender / The Things I Had to Learn”, sem citar o caso com Clark Gable. Em 1972, processou a rede NBC por transmitir ilegalmente seus programas de TV no exterior, ganhando 600 mil dólares. Foi dona de uma empresa de cosméticos na década de 1960, com sede em Nova York. Conservadora, republicana, apareceu em anúncios em apoio a presidentes como Dwight D. Eisenhower, Gerald Ford, Ronald Reagan e George W. Bush. Doou dinheiro ao Comitê Nacional Republicano e, com sua amiga Irene Dunne, foi ativa em eventos políticos de direita.
 

Casou pela terceira vez em 1993, aos 80 anos, com Jean Louis, um estilista vencedor do Oscar. Suas criações mais famosas incluem o vestido negro sem alças de Rita Hayworth em “Gilda / Idem” (1946), bem como o vestido de lantejoulas de Marilyn Monroe usado para cantar “Parabéns, sr. Presidente” para John F. Kennedy. Ele morreu em 1997. LORETTA YOUNG viveu uma aposentadoria tranquila em Palm Springs, Califórnia, até sua morte em 2000, de câncer de ovário, aos 87 anos.
 
FONTES
Behind The Door: the Real Story of Loretta Young (2016)
de Edward J. Funk
 
As Coisas que Tive que Aprender /
The Things I Had To Learn (1961)
de Loretta Young
 
Conhecimento Incomum /
Uncommon Knowledge (1994)
de Judy Lewis

Forever Young: The Life, Loves, and Enduring Faith 
of a Hollywood Legend (2000)
de Joan Wester Anderson
 
loretta young e tyrone power em café metrópole
DEZ FILMES de LORETTA YOUNG
(por ordem de preferência)
 
01
As CRUZADAS
(The Crusades, 1935)

direção de Cecil B. DeMille
elenco: Henry Wilcoxon, C. Aubrey Smith, 
Joseph Schildkraut e Alan Hale
 
02
O ESTRANHO
(The Stranger, 1946) 
 

direção de Orson Welles
elenco: Orson Welles e Edward G. Robinson
 
03
Um ANJO CAIU do CÉU
(The Bishop's Wife, 1947)
 

direção de Henry Koster
elenco: Cary Grant, David Niven, Monty Woolley, 
Gladys Cooper e Elsa Lanchester
 
04
O PARAÍSO de um HOMEM
(Man's Castle, 1933) 
 

direção de Frank Borzage
elenco: Spencer Tracy, Marjorie Rambeau, Glenda Farrell 
e Walter Connolly
 
05
O GRITO das SELVAS
(The Call of the Wild, 1935) 
 

direção de William A. Wellman
elenco: Clark Gable e Jack Oakie
 
06
A CONQUISTA de um IMPÉRIO
(Clive of India, 1935) 
 

direção de Richard Boleslawski
elenco: Ronald Colman, Colin Clive e C. Aubrey Smith
 
07
SUEZ
(Idem, 1938) 
 

direção de Allan Dwan
elenco: Tyrone Power, Annabella, Joseph Schildkraut 
e Nigel Bruce
 
08
AMBICIOSA
(The Farmer's Daughter, 1947)

direção de H. C. Potter
elenco: Joseph Cotten, Ethel Barrymore, Charles Bickford 
e Lex Barker
 
09
O PASSADO de uma MULHER
(Midnight Mary, 1933) 
 

direção de William A. Wellman
elenco: Franchot Tone, Ricardo Cortez, Andy Devine 
e Una Merkel
 
10
MULHER, a QUANTO OBRIGAS
(Key to the City, 1950) 
 

direção de George Sidney
elenco: Clark Gable, Frank Morgan e Marilyn Maxwell
 
GALERIA de FOTOS


Bette Davis e Ingrid Bergman foram as melhores atrizes da minha época. Eram honestas, cheias de integridade, vulneráveis. Acho que nunca veremos uma atuação melhor no cinema do que Bette Davis em “Pérfida” ou “A Estranha Passageira”.
LORETTA YOUNG
 

abril 19, 2024

*********** JOHN GILBERT: o GRANDE AMANTE

 
 
 

Oh, que diabos, o público gostou de mim certa vez. 
Seria um idiota se reclamasse da vida. Fui um astro!
JOHN GILBERT 
1933
 
Apelido: Jack
Altura: 1,80 cm
Cabelos: castanhos escuros
Olhos: castanhos

 
 
Bonito, cabelos escuros encaracolados, olhos cintilantes. O público feminino suspirava com suas cenas de amor. De presença magnética, intenso, sinceramente dedicado ao seu ofício. No auge da carreira, como estrela da Metro-Goldwyn-Mayer, saboreava a realeza de Hollywood. Alcançou o estrelato aos 28 anos, mas seis anos depois decaiu, após vários filmes falados desastrosos. No famoso “A Carne e o Diabo”, de 1926, iniciou romance com a diva Greta Garbo. Alcoólatra crônico com alterações de humor, mergulhava muitas vezes na depressão. Arruinado pela bebida, JOHN GILBERT (1897 – 1936. Logan, Utah / EUA) morreu aos 38 anos. Desde o início da sua trajetória cinematográfica, em 1915, trabalhou ao lado de diretores importantes, incluindo Thomas Ince, Maurice Tourneur e John Ford. Na Metro-Goldwyn-Mayer, sua lista de diretores cresceu para Victor Sjöström, King Vidor, Erich von Stroheim, Edmund Goulding, Fred Niblo, Tod Browning e Rouben Mamoulian. Seus pais eram atores e ele estreou nos palcos ainda garoto. Apareceu em seu primeiro filme, sem crédito, em 1915. De 1916 a 1921, com o nome de Jack Gilbert, representou pequenos papéis em mais de 40 filmes, incluindo “Heart O'the Hills” (1919), com Mary Pickford. Em seu primeiro protagonismo, em “Shame” (1921), na Fox Film Corporation, já era JOHN GILBERT. Dos 21 filmes na Fox, sobreviveram apenas “Monte Cristo” (1922) e “Sota, Cavalo e Rei” (1923).
 
Contratado pela Metro-Goldwyn-Mayer em 1924, foi lançado como uma super estrela em 1925 interpretando um soldado traumatizado em “O Grande Desfile”, um dos dramas mais lucrativos da década de 1920, e a mais gratificante de suas cinco colaborações com King Vidor. Aclamado como “O Grande Amante”, fez “A Viúva Alegre” (1925), dirigido por Erich von Stroheim e coestrelado por Mae Murray, outro sucesso. A seguir, “O Cavalheiro dos Amores / Bardelys the Magnificent” (1926), aplaudido pela crítica e o público. Segundo o “New York Times”, “John Gilbert salta para o reino ativo de Douglas Fairbanks, John Barrymore… e daquele cowboy milionário, Tom Mix”. A “Time” postou: “John Gilbert dando saltos fairbanksianos”, elogiando a fotografia de William H. Daniels, incluindo a cena romântica entre os salgueiros.
 
Conhecido como perfeccionista e difícil de trabalhar, ele tinha verdadeiros embates no set com seus diretores e colegas atores. Em “A Carne e o Diabo”, um melodrama dirigido por Clarence Brown, viveu um explosivo triângulo amoroso com Greta Garbo e Lars Hanson. O erotismo foi, na verdade, alimentado pela paixão nos bastidores entre o ator e Garbo. As cenas de amor escaldantes emocionaram o público. Seu segundo filme com ela, “Anna Karenina / Love” (1927), versão do romance clássico de Leon Tolstoi, foi outro grande sucesso. O último filme mudo deles, “Mulher de Brio / A Woman of Affairs” (1928), também foi bem-sucedido. No final das filmagens de “A Carne e o Diabo”, ele pediu a sueca Greta Garbo em casamento. De acordo com Clarence Brown, pareciam apaixonados, mas o ator muito mais apaixonado do que ela. King Vidor estava prestes a se casar com a atriz Eleanor Boardman, e em 1927 JOHN GILBERT , amigo deles, planejou um casamento duplo que encheu as páginas de revistas de cinema e enlouqueceu os fãs. Garbo teve medo de perder sua liberdade, não apareceu na cerimônia e nem mesmo avisou. O astro ficou perturbado. De acordo com Boardman, ele foi chorar no banheiro e Louis B. Mayer procurou consolá-lo, aconselhando: “Durma com ela, não se case”. Revoltado, ele deu um soco no rosto do poderoso chefão da M-G-M, que caiu, com os óculos quebrados, ameaçando: “Eu vou destruir você”.
 
greta garbo e john gilbert em 1926
Durante meses, perseguiu Garbo, querendo forçá-la ao casamento, mas ela sempre recusava. Ele enchia a cara e ia atrás dela. Chegou a passar uma noite na prisão por invadir um hotel onde ela estava com o diretor sueco Mauritz Stiller. Com o tempo, a tensão diminuiu, em parte porque a atriz afirmou que não casaria com ele nem com ninguém. Décadas depois, Greta Garbo confessou ao dramaturgo S. N. Behrman que nunca amou JOHN GILBERT e se envolveu com ele porque havia chegado recentemente da Suécia, se sentia solitária e não bem o inglês. Garantiu que nada nele despertava interesse nela.
 
Ele casou-se com Olivia Burwell em 1918, mas separaram-se um ano depois. Seu segundo casamento, com a atriz Leatrice Joy, de 1922 a 1925, terminou em meio a acusações de alcoolismo e infidelidade. A filha deles, chamada Leatrice, nasceu em 1924. Teve mais duas esposas, também atrizes, Ina Claire (1929 a 1931) e Virginia Bruce (1932 a 1934). Em 1928, renegociou seu contrato com a M-G-M, estipulando US$ 250.000 por filme, com um limite de dois filmes por ano. Infelizmente, o primeiro filme falado do astro, “Sua Noite Gloriosa / His Glorious Night” (1929), foi mal recebido pelo público. Rapidamente adquiriu o status mítico como o filme que o destruiu. Hollywood é um lugar inconstante e ele se tornou uma das vítimas na transição do cinema mudo para o sonoro. Alguns suspeitam que Louis B. Mayer conspirou contra a sua estreia falada. Mayer desprezava o estilo de vida irresponsável do seu contratado e não perdoava o murro que tomou. Mas será que teria arriscado sua maior fonte de dinheiro por causa de uma egoísta vingança pessoal? King Vidor não pensava assim, dando sua versão da decadência de JOHN GILBERT: “Ele não era centrado em um papel próprio na vida. Os caminhos que seguia no seu dia a dia eram influenciados pelos personagens que haviam escrito para ele. Seja qual fosse o papel que estava desempenhando, literalmente continuava a vivê-lo fora da tela. Era uma existência claramente precária.”
 
ina claire e gilbert
Perdeu repentinamente sua posição de superstar no final de 1930. A queda é atribuída a uma de duas causas: o fato de ter uma voz estridente ou de ter sido sabotado por Louis B. Mayer. Nenhuma das teorias se sustentam pelas evidências. Sua voz tinha um tom normal. Não se dava bem com Mayer, eles se odiavam e o ator debochava do chefe por pura diversão. Os dois se envolviam em discussões ruidosas, mas seria injusto o produtor levar a culpa pela descida do ator. Assim, pode-se concluir que o fracasso não foi calculado, simplesmente aconteceu.
 
Carismático na cena muda, tornou-se rígido, artificial e tenso ao trabalhar com o som. Em 1930, o gosto do público mudou significativamente em relação aos ingênuos filmes mudos e a imagem do ator se desatualizou. Ainda assim, protagonizou dez longas falados. Nenhum deles restaurou sua antiga glória. Com a saúde em declínio. admitiu que fez muita besteira e abusou do álcool a maior parte de sua vida. Em 1933, Greta Garbo exigiu tê-lo como parceiro romântico em “A Rainha Cristina”, possibilitando um retorno glorioso. Ele se recompôs, parou temporariamente de beber, e se dedicou ao papel com afinco, mas não houve reconhecimento. O contrato com a M-G-M findou em 1933 e não foi renovado. Em 1931, reportagem do “L.A. Times” o chamou de “o ator mais infeliz de Hollywood”, relatando que se esgueirava envergonhado pela cidade com o chapéu sobre os olhos. Na edição de março de 1934 da “Variety”, desesperado, ele publicou um anúncio: “A Metro-Goldwyn-Mayer não quer mais me oferecer trabalho.”. Paranoico, se sentia humilhado, acreditando que todos riam da sua decadência. Com a carreira cinematográfica de sua esposa Ina Claire, famosa nos palcos da Broadway, em ascensão, o casamento desmoronou. No seu último filme, “O Capitão Odeia o Mar / The Captain Hates the Sea” (1934), na Columbia Pictures, interpreta um escritor bêbado em um navio. Resultou em indiferença geral e ele não atuou mais em outro.
 
marlene dietrich e gilbert
Nos últimos meses de vida, namorava Marlene Dietrich. Fazia sexo com ela no momento do seu segundo e fatal ataque cardíaco. Maria Riva, em um livro sobre a mãe, disse que ela chamou um médico, pegou as suas coisas e foi embora, evitando um escândalo. Tudo começou quando o diretor Lewis Milestone contou à estrela alemã que seu vizinho JOHN GILBERT estava desempregado e melancólico. Sem pensar duas vezes, ela foi até a casa dele e disse: “Vim para salvá-lo.” Iniciaram um caso. Marlene conseguiu escalá-lo para contracenar com ela na comédia sofisticada da Paramount Pictures, “Desejo / Desire” (1936), direção de Frank Borzage. Infelizmente aconteceu o primeiro ataque cardíaco do ator, pouco antes do início da produção, e ele foi substituído por Gary Cooper. O fim chegou em sua mansão no topo de uma colina, em Beverly Hills, na madrugada de 9 de janeiro de 1936, quando seu coração ferido parou de bater. Na época, bebia cada vez mais, danificando sua saúde. Retratos confirmam seu declínio físico. Por fim, JOHN GILBERT foi bem definido pela historiadora de cinema Jeanine Basinger: “Amaldiçoado triplamente: esquecido, incompreendido e subestimado”.
 
john gilbert e lillian gish em a boêmia

DEZ FILMES de JOHN GILBERT
(por ordem de preferência)
 
01
A VIÚVA ALEGRE
(The Merry Widow, 1925)
 

direção: Erich von Stroheim
elenco: Mae Murray
 
02
O GRANDE DESFILE
(The Big Parade, 1925)

direção: King Vidor
elenco: Renée Adorée
 
03
A RAINHA CRISTINA
(Queen Christina, 1933) 
 

direção: Rouben Mamoulian
elenco: Greta Garbo, Lewis Stone e C. ubrey Smith
 
04
A BOÊMIA
(La Bohéme, 1926)
 

direção: King Vidor
elenco: Lillian Gish e Renée Adorée
 
05
A CARNE e o DIABO
(Flesh and the Devil, 1926)
 

direção: Clarence Brown
elenco: Greta Garbo e Lars Hanson
 
06
LÁGRIMAS de PALHAÇO
(He Who Gets Slapped, 1924) 
 

direção: Victor Sjöström
elenco: Lon Chaney e Norma Shearer
 
07
Nos DOMÍNIOS das ILUSÕES
(The Masks of the Devil, 1927) 
 

direção: Victor Sjöström
elenco: Alma Rubens
 
08
SOTA, CAVALO e REI
(Cameo Kirby, 1923) 
 

direção: John Ford
elenco: Alan Hale e Jean Arthur
 
09
MONTE CRISTO
(Idem, 1922) 
 

direção: Emmett J. Flynn
elenco: Estelle Taylor
 
10
Os COSSACOS
(The Cossacks, 1928) 
 

direção: George W. Hill
elenco: Renée Adorée, Erneste Torrence e Nils Asther
 
FONTES 

“Dark Star: The Untold Story of the Meteoric 
Rise and Fall of Silent Screen Star John Gilbert” (1985)
de Leatrice Gilbert Fountain;
 
“John Gilbert: The Last of the Silent Film Stars”
(2013)
de Eve Golden.
 
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