novembro 28, 2011

*********** AGATHA CHRISTIE NO CINEMA


agatha christie 
Os seus livros venderam centenas de milhões de exemplares. Ela é a autora mais publicada de todos os tempos em qualquer idioma, somente ultrapassada pela “Bíblia” e por William Shakespeare. Escreveu oitenta romances policiais, dezenove peças e seis romances escritos sob o pseudônimo de Mary Westmacott. Ao morrer, deixou uma conta bancária com cerca de 20 milhões de dólares. A inventiva AGATHA CHRISTIE (1890-1976) foi pioneira ao fazer com que os desfechos de suas histórias fossem extremamente impressionantes e inesperados, sendo praticamente impossível ao leitor descobrir quem é o assassino. Britânica, conhecida como Duquesa da Morte e Rainha do Crime, dentre outros títulos, criou dois detetives exemplares: Hercule Poirot e Miss Marple. Poirot é um belga feioso, baixinho e com cabeça de ovo que usa de intuição e dedução para resolver seus crimes, sempre irritando os suspeitos, que o xingam de francês metido, ao qual ele responde: “Não. Belga metido”. Miss Jane Marple é uma idosa solteirona dona-de-casa que tem um raro faro policial. A obra instigante de AGATHA CHRISTIE foi sempre bem-vinda ao cinema, sendo retratada em cerca de trinta ocasiões. Mesmo assim, a autora não aceitou muito bem as versões cinematográficas de seus livros, especialmente as que contavam com seus dois mais notórios detetives: Poirot e Miss Marple. Mas o interesse da Sétima Arte nas tramas da Rainha do Crime começou cedo. Já em 1926 apareceu a primeira adaptação, um filme mudo alemão chamado “Die Abenteuer GmbH”, de Rudolph Walther-Fein, do livro  “O Inimigo Secreto”. A mais recente, baseada em “A Casa Torta”, ainda está sendo filmada sob a direção de Neil LaBute e com Julie Andrews, Matthew Goode, Gemma Arterton e Gabriel Byrne no elenco. A história gira em torno do assassinato de um milionário grego, que construiu a casa do título para que nela vivesse toda sua família. O caso é investigado pela neta mais velha em parceria com o namorado, o filho do inspetor chefe da Scotland Yard. Como é comum nos livros da autora, todos os presentes são suspeitos de ter cometido o crime.

12 VEZES A RAINHA DO CRIME

basil rathbone
AMOR DE UM ESTRANHO / Love From a Stranger (1937), de Rowland V. Lee. Com Ann Harding e Basil Rathbone.
Inspirado na peça de mesmo nome, que foi adaptada por Agatha Christie do conto “Philomel Cottage”, publicado em 1934. Uma jovem suspeita que o marido seja bígamo e assassino, e planeja matá-la para ficar com a herança. O diretor constrói uma atmosfera de angústia e terror realçada pelo irrepreensível desempenho de Basil Rathbone como um personagem frio e inalterável.

louis hayward, c. aubrey smith, barry fitzgerald, 
mischa auer e walter huston
O VINGADOR INVISÍVEL / And Then There Were None (1945), de René Clair. Com Walter Huston, Barry Fitzgerald, Louis Hayward, Roland Young, June Duprez, C. Aubrey Smith, Judith Anderson e Mischa Auer.
Adaptado da versão para o teatro de "O Caso dos 10 Negrinhos", escrita pela própria Agatha em 1943. Dez pessoas desconhecidas umas das outras são convidadas para um fim-de-semana em uma ilha incomunicável e uma a uma vão sendo mortas, enquanto a cada morte desaparece uma figura de um negro africano que enfeita o topo de uma lareira. No livro, todos morrem, inclusive o assassino. Agatha avaliou que a versão teatral precisava de um final mais feliz, então determinou que dois personagens sobrevivessem à experiência para construir uma vida juntos. O francês René Clair, em sua fase norte-americana, soube dosar humor e suspense, arrancando interpretações impecáveis de todo o elenco.

john hodiak
RECEIOS / Love From a Stranger (1947), de Richard Whorf. Com John Hodiak, Sylvia Sidney, Ann Richards e John Howard.
Remake hollywoodiano do filme inglês de 1937, com roteiro do escritor de livros de mistério Philip MacDonald. Inferior à obra de Lee, o resultado é lastimável, fracassando nas bilheterias. Como compensação, os ótimos Hodiak e Sidney.

marlene dietrich
TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO / Witness for the Prosecution (1957), de Billy Wilder. Com Tyrone Power, Marlene Dietrich, Charles Laughton, Elsa Lanchester, John Williams, Henry Daniell e Una O’Connor.
Acusado de matar uma senhora rica vai a julgamento, escolhendo um arrogante e inteligente advogado para defendê-lo, num enredo cheio de surpresas e reviravoltas. Com elenco magnífico e direção ardilosa, foi sucesso de crítica e público.

margareth rutherford
SHERLOCK DE SAIAS / Murder at the Gallop (1963), de George Pollock. Com Margareth Rutherford, Robert Morley e Flora Robson.
Em 1962, a MGM lançou uma série de quatro filmes estrelados por Miss Marple. Sucessos de público, eram odiados pela escritora. A começar pelos títulos, modificados totalmente apenas para ter mais apelo comercial. “After the Funeral / Depois do Funeral” se tornou “Murder at the Gallop” (aqui, Sherlock de Saias). Diferente do texto original, o caso era desvendado por Hercule Poirot. Substituído por Miss Marple, ela investiga a morte de um homem de meia idade. Após o enterro, a família se reúne em um clube de hipismo, onde surgem as primeiras insinuações de assassinato. 

anita ekberg
OS CRIMES DO ALFABETO / The Alphabet Murders (1966), de Frank Tashlin. Com Tony Randall, Anita Ekberg, Robert Morley e Margareth Rutherford.
Do livro “Os Crimes ABC”, publicado em 1936, essa produção adicionou elementos de comédia ao texto original. A trama básica foi mantida, mas as interpretações beiram à caricatura. Poirot às voltas com um assassino que mata pessoas cujos nome e sobrenome tenham a mesma inicial da cidade onde moram. Agatha não aprovou o primeiro roteiro, que continha muita violência e uma cena de amor de Poirot, apenas autorizando o filme depois da exclusão das cenas de violência e sexo, além da substituição do ator que havia sido originalmente escolhido para o papel principal, o comediante Zero Mostel.


NOITE INTERMINÁVEL / Endless Night (1971), de Sidney Gilliat. Com Hayley Mills, Hiwell Bennett, Britt Ekland, Per Oscarsson e George Sanders.
O romance homônimo publicado em 1967 conta sobre o casamento de um trabalhador com uma jovem herdeira e o mal que uma maldição cigana joga sobre eles. O filme segue basicamente o livro, mas a tentativa de deixar a história mais atrativa com cenas sexuais desagradou à autora.

albert finney
ASSASSINATO NO EXPRESSO ORIENT / Murder on the Orient Express (1974), de Sidney Lumet. Com Albert Finney, Lauren Bacall, Martin Balsam, Ingrid Bergman, Jacqueline Bisset, Jean-Pierre Cassel, Sean Connery, John Gielgud, Wendy Hiller, Anthony Perkins, Vanessa Redgrave, Rachel Roberts, Richard Widmark e Michael York.
Em um cenário extremamente restrito - um trem ilhado pela neve -, apoiou-se em interpretações marcantes de talentosos nomes do cinema. Apesar da maestria da direção, entre sete indicações para o Oscar, somente Ingrid Bergman levou o de Melhor Atriz Coadjuvante. Sucesso de público e crítica, baseou-se no romance de mesmo nome publicado em 1934. Fiel ao texto original, não poupou esforços para caracterizar o glamour da época, com figurinos impecáveis e vagões reais do Expresso Oriente como cenário. Na trama, Poirot procura descobrir o assassino de um milionário norte-americano em um trem luxuoso.

mia farrow e olivia hussey
MORTE SOBRE O NILO / Death on the Nile (1978), de John Guillermin. Com Peter Ustinov, Jane Birkin, Bette Davis, Mia Farrow, Jon Finch, Olivia Hussey, George Kennedy, Angela Lansbury, David Niven e Maggie Smith.
Com roteiro do dramaturgo Anthony Schaffer, o longa se manteve fiel à trama original, na qual uma jovem norte-americana milionária é morta em um barco de turistas que navega no rio Nilo, no Egito dos anos 20. Todos a bordo tem motivos para matá-la.  

vanessa redgrave
O MISTÉRIO DE AGATHA / Agatha (1979), de Michael Apted. Com Dustin Hoffman, Vanessa Redgrave e Timothy Dalton.
De um fato real, o filme fala do desaparecimento de Agatha Christie no auge de sua fama. Ela simplesmente some sem deixar qualquer pista, enquanto 550 policiais procuram-na por toda a Inglaterra. Destaque para a fotografia e os efeitos luminosos do mestre Vittorio Storaro e para o desempenho hipnotizante de Vanessa.

elizabeth taylor
A MALDIÇÃO DO ESPELHO / Mirror Crack’d (1980), de Guy Hamilton. Com Angela Lansbury, Edward Fox, Elizabeth Taylor, Geraldine Chaplin, Rock Hudson, Kim Novak e Tony Curtis.
Baseado no romance lançado em 1962, narra os esforços de Miss Marple em descobrir o assassino de uma mulher envenenada em uma festa beneficente promovida por uma estrela de cinema que filma na cidade.

maggie smith
ASSASSINATO NUM DIA DE SOL / Evil Under the Sun (1982), de Guy Hamilton. Com Peter Ustinov, Jane Birkin, James Mason, Roddy McDowall, Sylvia Miles, Diana Rigg e Maggie Smith.
Adaptado para as telas do romance homônimo publicado em 1941, manteve-se fiel ao original. Nele, a proprietária de um hotel, que fora uma atriz sem sucesso, recepciona os clientes, que, na maioria, tem algum relacionamento com o universo teatral. Todos são suspeitos quando um corpo é encontrado na praia.


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QUEM SE FOI

KEN RUSSELL

Responsável por imagens surrealistas e deslumbrantes, Ken Russell foi durante muitos anos considerado o enfant terrible do cinema britânico, devido ao modo irreverente como abordava temas como sexo e religião. Ele morreu esta semana, aos 84 anos de idade. Agressivo e cínico, autor de filmes perturbadores, por vezes ruins, mas nunca indiferentes, tornou-se conhecido por trabalhos marcantes como “Mulheres Apaixonadas / Women in Love” (1969), sua obra-prima, onde os atores Oliver Reed e Alan Bates protagonizam uma ambígua cena de luta, totalmente pelados. Por esse filme foi nomeado ao Oscar de Melhor Diretor, mas quem levou a estatueta foi a atriz protagonista Glenda Jackson. Logo a seguir gerou controvérsia com "Os Demônios / The Devils” (1971), proibido pela censura brasileira e norte-americana, um drama com cenas de exorcismo e nudez sobre o autoritarismo da igreja, inspirado num livro de Aldous Huxley e com Vanessa Redgrave no elenco. A homossexualidade de Tchaikovsky em “Delírio de Amor / The Music Lovers” (1970) também foi um escarcéu na época. Mas o diretor só se popularizou definitivamente com o musical "Tommy / Idem" (1975), baseado na ópera-rock do The Who e estrelado por Roger Daltrey, Ann-Margret, Elton John, Tina Turner, Eric Clapton e Jack Nicholson. Foi um imenso sucesso de bilheteira. Nascido em Southampton, Inglaterra, em 1927, iniciou a sua carreira como fotógrafo na BBC. Como cineasta, explorou uma fórmula básica - edição frenética, cenas chocantes, despudor, alguma histeria e notável senso cinemático -, escandalizando meio mundo. Ao envelhecer, controlou sua fúria criativa, passando a atuar e a dirigir filmes banais. Estava praticamente esquecido, mas é uma figura imprescindível para entender a modernidade do cinema europeu e sua relação com outras artes como a música clássica, a dança e a pintura. Um cineasta viril, inclassificável e fascinante.

novembro 26, 2011

******* OS MELHORES ATORES BRITÂNICOS


james mason

Hollywood sempre teve no Reino Unido uma fonte inesgotável de matéria prima artística. Com tradição teatral shakespeariana, os intérpretes da Inglaterra impressionam pela densidade dramática e versatilidade, roubando quase sempre a cena. É exemplar a resposta de Laurence Olivier a Marlon Brando quando este perguntou quantos horas ele precisava para assumir o caráter de Hamlet, um personagem atormentado. Brando vinha da escola do Actor´s Studio, onde o ator mergulha no personagem e o assume como se fosse o próprio, um método ensinado por Lee Strasberg e que virou moda entre os atores norte-americanos. Oliver respondeu: “Não perco nenhum minuto em ser Hamlet, eu apenas represento, é muito mais fácil”. Os ATORES BRITÂNICOS têm em cena uma presença clássica, impecável e invejável. É infindável a quantidade e a qualidade deles, tornando super difícil selecioná-los numa lista reduzida de favoritos (e por ordem de preferência). Deixei de lado atores magníficos como Michael Caine, Ralph Richardson, Paul Scofield, Charles Chaplin, Herbert Marshall, Cary Grant, Robert Donat, Oliver Reed, David Niven, Robert Newton e Peter Sellers. Também não coloquei no páreo atores contemporâneos como Jeremy Irons, Ben Kingsley, Anthony Hopkins, Daniel Day-Lewis, Gary Oldman, Ralph Fiennes, Jude Law e James McAvoy. Qual a sua opinião?

(01)
CHARLES LAUGHTON
(1899-1962)

(02)
LAURENCE OLIVIER
(1907-1989)

(03)
REX HARRISON
(1908-1990)

(04)
ALEC GUINNESS
(1914-2000)

(05)
ALBERT FINNEY
(n. em 1936)

(06)
JOHN GIELGUD
(1904-2000)

(07)
RONALD COLMAN
(1891-1958)

(08)
DIRK BOGARDE
(1921-1989)

(09)
JAMES MASON
(1909-1984)

 (10)
PETER FINCH
(1916-1977)

(11)
ALAN BATES
 (1934-2003)

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O QUE ESTÁ FAZENDO

DUSTIN HOFFMAN


O ator Dustin Hoffman, ganhador de dois prêmios Oscar de Melhor Ator (por "Kramer vs. Kramer / Idem", 1979, e "Rain Man / Idem", 1988), estreia como diretor aos 74 anos com o filme "Quartet", baseado em uma peça de teatro de Ronald Harwood e com um elenco de veteranos atores britânicos. A produção começou a ser gravada recentemente no sul da Inglaterra, em Buckinghamshire, e conta a história de três cantores de ópera aposentados que vivem em um asilo dedicado a esse tipo de profissional. A rotina dos personagens muda com a chegada de uma nova moradora no local. No elenco, os veteranos Maggie Smith ("Assassinato em Gosford Park / Gosford Park", 2001), Tom Courtenay ("Doutor Jivago / Doctor Jhivago”, 1965), Michael Gambon, Billy Connolly e Pauline Collins, conhecida por seu papel em "Shirley Valentine / Idem" (1989). Dustin Hoffman queria que um dos papéis principais ficasse com Albert Finney, de 75 anos, mas o ator se encontra filmando “Skyfall”, de Sam Mendes, ao lado de Ralph Fiennes, Javier Bardem e Judi Dench. Produzido pelo próprio ator, o filme é financiado pela BBC Films, DCM Productions e Decca. O roteiro é do próprio autor da peça de teatro, Harwood, roteirista também do premiado "O Pianista / The Pianist" (2002). A estréia está prevista para o segundo semestre de 2012, nos Estados Unidos.

novembro 21, 2011

*********** AS MELHORES ATRIZES BRITÂNICAS

merle oberon
A Inglaterra sempre colaborou com estrelas no mercado cinematográfico mundial. Elas se tornam eternas, principalmente pela qualidade dramática de suas interpretações. Recentemente, o conceituado jornal britânico “Times” fez uma pesquisa, elegendo “As Melhores ATRIZES BRITÂNICAS de Todos os Tempos”. Maggie Smith ocupa o topo da lista, ficando a senhora Tim Burton, Helena Bonham Carter, em segundo lugar. A publicação lembrou também Julie Andrews, Helen Mirren e Dame Judi Dench, entre outras. Como tenho fascínio por listas, criei a minha, por ordem de preferência. Deixei de fora sensacionais atrizes inglesas de hoje – Kate Winslet, Kristin Scott Thomas, Tilda Swinton, Helen Mirren e a própria Bonham Carter -, situando-me no universo clássico. A polêmica está lançada. Confira, revelando suas favoritas.

01
JULIE CHRISTIE
(nasceu em 1941)

02
MERLE OBERON
(1911 – 1979)

03
JEAN SIMMONS
(1929 – 2010)

04
DEBORAH KERR
(1921 – 2007)

05
WENDY HILLER
(1912 – 2003)

06
FLORA ROBSON
(1902 - 1984)

07
VANESSA REDGRAVE
(nasceu em 1937)

08
MAGGIE SMITH
(nasceu em 1934)

09
CHARLOTTE RAMPLING
(nasceu em 1946)

10
CLAIRE BLOOM
(nasceu em 1931)

11
GLENDA JACKSON
(nasceu em 1936)

novembro 20, 2011

***** O CINEMA EXISTENCIALISTA DE KIESLOWSKI


krzystof kieslowski
Um dos grandes cineastas europeus a beber na fonte do existencialismo, de Soren Kierkegaard a Jean-Paul Sartre - a exemplo de Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni -, o diretor KRZYSZTOF KIESLOWSKI (1941-1996) compõe ao lado de Andrzej Wajda e Roman Polanski, a santíssima trindade do cinema polonês. Construiu em torno de 30 anos de carreira – principalmente a partir da segunda fase de sua vida, nos anos 80, quando se desiludiu com a política – uma cinematografia mergulhada nos mistérios e misérias do ser humano, nos seus medos e angústias mais profundos. “Quero filmar as dores universais”, disse o diretor em entrevista. Tudo começou nos anos 60, quando a vontade de fazer cinema bateu forte no jovem que era contra o comunismo que dominava o seu país. Simpatizante das idéias defendidas pelo Sindicato Solidariedade (que liderava a oposição ao regime), passou a realizar curtas politicamente engajados, resolvendo estudar cinema para melhor realizar o trabalho e, em 1969, graduou-se na Lodz State Theatrical and Film College, a mesma escola em que Polanski estudou.

"decálogo"
Durante os tempos de estudante, casou-se com Marysia, com quem viveu até o fim da vida e teve uma filha. Ao sair da faculdade, passou a dirigir uma série de documentários políticos como “Fabryka” (curta, 1971), “Murarz” (curta, 1973) e “Zyciorys” (curta, 1975). Em 1976, realizou a primeira obra de ficção, “Blizna”. A partir de 1979, a carreira de KRZYSZTOF KIESLOWSKI começou a ganhar reconhecimento internacional, com a realização de “Amador / Amator”, premiado nos Festivais de Cinema de Moscou e Chicago. Este filme, que conta a história de um cineasta abandonado pela mulher, marcou nova, e definitiva, fase na sua carreira: uma cinematografia que foge de uma abordagem mais social e política e se aprofunda de vez nos dramas e tragédias pessoais que sufocam os seres humanos, independentemente dos regimes políticos a que estão submetidos. Foi o tempo de “Przypadek” (1981) e “Sem Fim / Bez Konca” (1985). Em 1988, realizou “Não Amarás / Krótki Film o Milosci” e “Não Matarás / Krótki Film o Zabijaniu” (Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes), consagrando-se como um dos maiores cineastas do mundo. No primeiro, um funcionário do correio obcecado por uma mulher madura e independente, tenta uma aproximação. O segundo, narra uma visão amarga da vida.


irène jacob em "a dupla vida de veronique"
Entre 1989 e 1990, rodou o “Decálogo / Decalogue”, filmes magistrais realizados para a tevê, livremente inspirados nos dez mandamentos bíblicos. Um trabalho monumental que reúne em dez filmes, de cerca de uma hora cada, a vida de vários moradores de um condomínio em Varsóvia. O acaso, a tragédia e a beleza das coisas simples são o mote para o diretor polonês criar talvez o maior panorama do cotidiano já realizado na história do cinema. Ele filmou os episódios de “Decálogo” com diferentes diretores de fotografia, mas a unidade visual é bastante evidente. Também providenciou que os diferentes protagonistas de cada episódio aparecessem, como figurantes, em outros; assim, o espectador atento pode reconhecer o médico do episódio dois dividindo um elevador com o casal que protagoniza o episódio três, e assim por diante. Há ainda um personagem misterioso, que não tem nome e jamais abre a boca, que aparece nos dez episódios, observando a ação sem nunca tomar parte dela. O sujeito é um mistério que KIESLOWSKI nunca quis elucidar, apenas pediu que o “homem sem nome” não servisse de distração para os verdadeiros enigmas que quis apresentar nos enredos de cada história. “Decálogo” é cinema em um nível de excelência rara, obrigatório na coleção de qualquer cinéfilo que se interessa pelos segredos da natureza humana.

juliette binoche em "a liberdade é azul"

No inicio dos 90, KRZYSZTOF KIESLOWSKI trocou Varsóvia por Paris e começou a mais importante fase da carreira, realizando suas obras mais fundamentais: “A Dupla Vida de Véronique / La Double Vie de Véronique” (1991) e a trilogia baseada nas cores da bandeira francesa: “A Liberdade é Azul / Trois Couleurs: Bleu” (1993), “A Fraternidade é Vermelha / Trois Couleurs: Rouge” (1994) e “A Igualdade é Branca / Trois Couleurs: Blanc” (1994). Em “A Liberdade é Azul”, o meu favorito, Leão de Ouro no Festival de Veneza, o drama toma conta da história. Conhecemos Julie (sensacional Juliette Binoche), que após perder o marido e a filha em um acidente de carro, renega tudo e todos e passa a viver evitando tudo que lhe cause qualquer emoção. O silêncio dá o tom, focando em objetos e pontos aparentemente vazios para explorar a solidão da protagonista. Já “A Igualdade é Branca”, Urso de Prata de Melhor Diretor no Festival de Berlim, é um filme mais leve, mas não menos tenso. Nele, Karol (Zbigniew Zamachowski) leva a vida com uma incrível falta de tato e principalmente de sorte. Sua mulher Dominique (Julie Delpy), o abandona às traças porque simplesmente ele não dá mais conta do recado de satisfazê-la. Karol então volta para a Polônia e trama calmamente sua vingança contra a ex-mulher. Em “A Fraternidade é Vermelha”, prêmio César de Melhor Diretor e indicado ao Oscar na mesma categoria, Valentine (Irène Jacob) é uma modelo que vive em Paris, longe do namorado e da sua família em ruínas. Ao conhecer um juiz aposentado (um extraordinário Jean-Louis Trintignant), que passa o tempo espionando os vizinhos, Valentine vê sua vida mudar e tomar rumos inesperados. Nesses três filmes da trilogia, KIESLOWSKI uniu emoção, sentimentos e degradação humana.

julie delpy em "a igualdade é branca"
Consagrado, KRZYSZTOF KIESLOWSKI surpreendeu o mundo dizendo que iria deixar de realizar filmes. “Estou cansado, achando tudo muito chato. Para mim, atualmente viver é mais importante que fazer cinema. E quero viver!”, disse em entrevista em 1995. Ele cumpriu a promessa: não fez mais filmes. Não teve tempo: morreu de enfarte, às vésperas de completar 55 anos, em 1996. Mesmo assim, escreveu o roteiro da trilogia “Paraíso, Purgatório e Inferno”, baseada na “Divina Comédia”, de Dante Alighieri. Em 2002, o alemão Tom Twyker filmou o roteiro de “Paraíso / Heaven”; o bósnio Danis Tanovic dirigiu "Inferno / L'Enfer" em 2005; e o polonês Stanislaw Mucha completou a trilogia do mestre com "Purgatório / Nadzieja", de 2007. 


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CINE JORNAL

NATALIE WOOD

A polícia de Los Angeles reabriu, 30 anos depois, a investigação da estranha morte de Natalie Wood, protagonista do famoso musical "Amor, Sublime Amor / West Side story” (1961), garantindo ter recebido novas informações sobre o caso, que acusam Robert Wagner de ter responsabilidade na morte da atriz. O corpo da estrela de 43 anos apareceu, em 1981, flutuando nas proximidades da ilha de Catalina, na Califórnia, onde ela passava um fim de semana ao lado do marido, Robert Wagner, e do amigo (ou amante, segundo alguns), Christopher Walken. Na época, as autoridades policiais determinaram que a atriz bebeu demais antes de sua morte, caindo nas águas da enseada enquanto tentava saltar para um bote de borracha, atracado ao iate onde viajavam. Apesar da conclusão policial, começaram a circular rumores de suicídio ou assassinato, e teorias sobre brigas antes dela cair na água, motivadas por uma suposta crise de ciúmes do marido pela amizade da atriz com Walken. Uma testemunha, que estava em um iate nas proximidades, alegou que ouviu um choro em torno da meia-noite e discussões violentas a bordo do barco no momento da morte.  A irmã de Natalie, Lana Wood, e o capitão do barco, David Davern, já tinham feito tentativas para reabrir o caso, mas sem sucesso. De acordo com Lana, as causas em que se deram a morte são pouco claras. A atriz tinha se casado com Robert Wagner em 1957, tendo se divorciado em 1962, e voltado a casar com ele em 1972. O casal tinha por hábito viajar no iate Splendour pela costa da Califórnia e num fim de semana do feriado de Ação de Graças, convidaram Walken para acompanhá-los. Ele tinha filmado recentemente “Projeto Brainstorm / Brainstorm” (lançado em 1983) com Natalie Wood. Num livro publicado por Wagner, o ator admite que na noite trágica houve uma discussão entre o casal, tendo chegado a partir uma garrafa de vinho. O capitão da embarcação, Dennis Davern, afirmou em livro que houve também uma discussão entre Wagner e Walken, depois a atriz se dirigiu para o seu camarote, e o marido a seguiu, enquanto Walken foi para outro quarto. Logo após, ouviu o casal discutindo. Pouco tempo depois, Wagner disse a Davern que não conseguia encontrar sua esposa. Já o acusado garante que, após a discussão, Natalie foi se deitar e ele ficou no convés para tentar se acalmar, quando voltou para o camarote deles, ela já não estava lá. Recentemente, no programa “Today”, da NBC, o capitão Davern confessou que foi uma noite atribulada, “com discussões e garrafas de vinho partidas”, e responsabilizou Robert Wagner pela morte da atriz.