abril 23, 2017

***** GLAUBER ROCHA - os ÚLTIMOS DIAS de VIDA


Publicado na revista pernambucana Continente Multicultural e no jornal baiano A Tarde.


Talvez ele seja um dos derradeiros expoentes de uma maneira de filmar personalíssima, faísca esta ainda encontrada em um Jean-Luc Godard ou um Xavier Dolan. Aos que nunca assistiram GLAUBER ROCHA (1939 - 1981), há que adverti-los que não se pode aspirar a compreender o cinema brasileiro se não viu uma ou duas criações deste cineasta complexo.

“O problema do espectador na obra de arte é um problema que eu não considero, digo-lhe isto com a maior sinceridade. Porque eu acredito que a obra de arte é um produto da loucura, no sentido em que fala o Fernando Pessoa, que fala o Erasmo, quer dizer, a loucura como a lucidez, a libertação do inconsciente. É por isso que eu não me considero um cineasta profissional, porque se fosse teria que atuar segundo o ritual da indústria cinematográfica. Considero-me um amador, como o Buñuel, alguém que ama o cinema”, disse Glauber pouco antes de morrer, num dos seus arroubos verbais de poderosa vitalidade.

De todos os cineastas surgidos com o movimento Cinema Novo – Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Carlos Diegues, Roberto Santos, etc. -, o mais influente foi o baiano GLAUBER DE ANDRADE ROCHA, especialmente depois do seu segundo longa, “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, filmado no mesmo ano do Golpe Militar e considerado um dos grandes filmes de todos os tempos pela revista francesa “Cahiers du Cinema”. Ele eclipsou a todos com sua poesia agreste e personalidade contraditória, ganhando visibilidade internacional.

Em poucos anos, filmou vários curtas, publicou livros, lançou o manifesto “A Estética da Fome” com as bases do Cinema Novo, foi preso em 1965 num protesto contra o regime militar, viajou por inúmeros países e realizou duas obras fundamentais, “Terra em Transe” – classificado de “ópera metralhadora” por Jean-Louis Bory, no “Le Nouvel Observateur”, e proibido em todo o território nacional - e o folhetim revolucionário “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”, apresentadas no Festival de Cannes e recebendo com a segunda o prêmio de Melhor Diretor. Foi o seu auge, parecia ter o mundo aos seus pés. Na década seguinte, entretanto, sua estrela decairia em consequência da personalidade confusa e do triunfo universal do cinema comercial.

O caráter particularmente dotado de GLAUBER ROCHA para perceber o cinema em toda sua complexidade diluiu-se numa estética alarmante e desconcertante. Radicalizou a ideia de narrar o caos, o caótico sustentando a arte, em um efeito artístico ambíguo. Exilado voluntariamente do Brasil, filmou obras impopulares na África (“O Leão de 7 Cabeças”), Espanha (“Cabezas Cortadas”), Cuba (“História do Brasil”) e Itália (“Claro”). Ele que havia bebido em fontes diversas (Eisenstein, Bergman, Visconti, Rossellini etc.) para compor sua lógica, tentando decifrar o Brasil ao filmar o seu avesso.

Mergulhou de cabeça numa utopia cinematográfica marcada por contradições ideológicas, políticas, espirituais e mitológicas. Recusando uma carreira internacional convencional, passou por graves dificuldades financeiras, foi ridicularizado no Brasil por seus próprios colegas, escreveu para o semanário “O Pasquim” – num idioma particular, com y e k no lugar de i e c –, provocando polêmicas e reações furiosas.

O período que vai de 1969 a 1976, os seis anos em que ficou fora do Brasil, são um quebra-cabeças biográfico e geográfico, com dezenas de viagens, mudanças de endereço, de países, mulheres, amigos. Um périplo romanesco, um nomadismo radical e vital, e centenas de cartas escritas de quartos de hotel, apartamentos provisórios de amigos, produtores e amantes. Em 1979, sua atuação no programa “Abertura”, da TV Tupi, virou referência na tevê brasileira. Falava de política, entrevistando artistas e o povo.

Tornou-se uma espécie de profeta, de intelectual que perdeu a razão, e cruelmente seus colegas contavam seus casos privados para quem quisesse ouvir: ele caminhando na praia de Ipanema, enrolado num cobertor como mendigo, falando sozinho; conversando com as paredes do hotel, em Santiago do Chile, com um microfone na mão: “Aqui é Glauber Rocha, eu sei que a Cia está gravando, e a KGB também”; as brigas irreconciliáveis com diversas pessoas, etc.

ana maria magalhães e tarcísio meira
em “a idade da terra”
Em 1979, num último esforço para sair das trevas, vendeu seu único bem, uma casa, para filmar “A Idade da Terra” em Salvador, Brasília e Rio de Janeiro com um elenco popular (Norma Bengell, Tarcísio Meira, Antônio Pitanga, Danuza Leão, Ana Maria Magalhães). “Esse filme materializa os símbolos mais representativos do Terceiro Mundo, ou seja: o imperialismo, as forças negras, os índios massacrados, o catolicismo, o militarismo revolucionário, o terrorismo urbano, a prostituição da alta burguesia, a rebelião das mulheres, as prostitutas que se transformam em santas e de santas em revolucionárias. Tudo isso está no filme dentro do grande cenário da História do Brasil”, disse no lançamento.

O público e a crítica rejeitaram a desintegração da sequência narrativa, embora sem a perda do discurso, e o longa foi um fracasso, sendo vaiado no Festival de Veneza. Alucinado e magoado, o cineasta fez passeata, ofendeu o júri e o vencedor - o francês Eric Rohmer -, sempre defendendo sua obra: “Busco um outro cinema. Um filme que o espectador deverá assistir como se estivesse numa cama, numa festa, numa greve ou numa revolução. É um novo cinema, antiliterário e metateatral, que será gozado, e não visto e ouvido”.

jorge amado e glauber
No final de 1980, GLAUBER ROCHA se encontrava em Roma, hospedado no palacete de Luchino Visconti, e por fim, em Paris, acompanhando uma retrospectiva dos seus filmes. Sua câmara havia revelado a essência de um país, fugindo da beleza defunta tipo cartão-postal, e pousando na loucura e desespero, na crueza e mazelas sociais. Mesmo assim, aos 41 anos, as portas estavam fechadas para ele e vivia numa terrível penúria econômica. Tentando colocar a cabeça em ordem, resolveu viver em Sintra, Portugal. “O lugar mais bonito do mundo”, como dizia.

Levou a esposa colombiana, Paula Gaitán, fotógrafa e atriz, e os dois filhos de menos de dois anos de idade, Ava Patria Yndia Yracema Gaitán Rocha e Erik Arouak (seu primeiro casamento também foi com uma atriz, Helena Ignez, e teve um romance intenso com outra atriz, a francesa Juliet Berto, ícone da Nouvelle Vague). Definindo-se como sebastianista e apocalíptico, amargurado, decepcionado, com problemas políticos e de saúde frágil, GLAUBER ROCHA se sentia cansado e doente. Como os mais íntimos conheciam sua antiga mania de doença, nunca levaram a sério a suposta hipocondria.

Quando este espírito independente, conhecido em todo o mundo por sua intransigência e temperamento apaixonado, chegou ao Monte da Lua, era um inverno rigoroso. As névoas cobriam as ruelas de pedra, as montanhas e os jardins. Chovia quase sempre. Sintra, conhecida como um reduto de artistas e pensadores, neste mesmo inverno, recebeu Wim Wenders, que rodou parte de “O Estado das Coisas / Der Stand der Dinge” (1982) na Praia Grande, o chileno Raoul Rouiz e o moçambicano-brasileiro Ruy Guerra, um inimigo de Glauber, que também filmaram nas redondezas.

Sempre reservado, distante do mundano, o diretor finalizava “Revolução do Cinema Novo”, uma antologia de textos críticos produzidos entre 1958 e 1980, que seria publicado poucos dias antes de sua morte, e escrevia o roteiro para um próximo filme, “O Império de Napoleão”, planejando um elenco estelar encabeçado por Jack Nicholson e Jane Fonda, e que já tinha a confirmação de Orson Welles como um dos protagonistas (sem cachê, apenas pediu uma hospedagem confortável e garrafas de uísque).

Diante da paisagem deslumbrante de Sintra, que Eça de Queiroz dizia não há um só recanto que não seja um poema, GLAUBER ROCHA absorveu o paraíso, partindo para a máquina de escrever como se estivesse numa terrível batalha. Muito disciplinado, acordava cedo, tomava o café da manhã e escrevia até as 13 horas os seus textos, roteiro e artigos para jornais, enquanto ouvia Villa-Lobos. Não gostava de visitas, sendo praticamente arrastado por colegas para jantares ou eventos em Lisboa.

Ainda assim, aparecia muita gente: cineastas brasileiros e portugueses, críticos de cinema, os escritores Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro, o ator francês Patrick Bauchau, o produtor Luiz Carlos Barreto e até o Presidente (do Brasil) Figueiredo. A maior parte do tempo estava sozinho, em casa. Vez ou outra, passeava pela praça do Castelo, caminhando de mãos dadas com os filhos e lendo jornais no Café Paris. Parecia bem, tranquilo, almoçando nos restaurantes locais, tomando vinho tinto, fumando haxixe. Mas a depressão era uma constante no seu cotidiano. “Vim para morrer em Portugal”, dizia.

Preocupava-se com os problemas financeiros, a política e o cinema brasileiros, e não conseguia esquecer a morte trágica da irmã, a atriz Anecy Rocha (“A Lira do Delírio”, 1978), que caíra no poço de um elevador em 1977. Sentia-se incompreendido e não aceitava a proibição, pela própria família do retratado, do documentário “Di Cavalcanti” (1976), premiado em Cannes. Também tinha saudades da mãe, Lúcia Mendes de Andrade Rocha, escrevendo sempre para ela, numa ligação profunda.

othon bastos em
“deus e o diabo na terra do sol”
O casamento ia mal das pernas. Paula, uma loura sofisticada e inteligente, mais jovem do que ele, desejava voltar ao Brasil, e mesmo admirando o marido, não entendia seus enigmas. Bela e mimada, não se situava completamente na pele de mãe de família, e ainda mais passando dificuldades financeiras. Recebia ajuda dos pais ricos, não acreditava numa suposta enfermidade do companheiro e vivia implicando para que ele superasse suas angústias.

A imprensa portuguesa deu intensa cobertura a temporada de Glauber em Sintra, com manchetes e longas entrevistas. O cineasta, em eterna preocupação com a preservação das cópias dos seus filmes, entusiasmou-se com o ciclo em sua homenagem programado pela Cinemateca Portuguesa, em abril de 1981. No primeiro dia de exibição, a sala de projeções pegou fogo destruindo totalmente a obra do cineasta. Desesperado, viu o incêndio como um sinal do fim. A sua queda foi instantânea.

Logo depois foi internado no Hospital de Sintra com suspeita de uma doença broncopulmonar, talvez uma tuberculose. Esverdeado e abatido, olhos amarelados, foi transferido para o Hospital da CUF, em Lisboa, melhorando a olhos vistos. Lúcido, brincalhão, recebendo visitas, lendo jornais e vendo televisão, gozava das autoridades e políticos que apareciam: “Esses engravatados não me deixam em paz”. Ainda acamado, recebeu os primeiros exemplares de “Revolução do Cinema Novo”, o que o deixou contente. Parecia estar bem, como se tudo não passasse de uma elaborada encenação para ajudá-lo a renascer das cinzas.

Paula Gaitán, que havia mudado com os filhos para um hotel próximo, tirava fotos polaroid do companheiro e de seus amigos, circulava por Lisboa, e não parecia ter consciência da gravidade da enfermidade do marido. Ele próprio não sabia qual era o seu mal. Contraditórios, os médicos não entravam num acordo. Havia rumores não confirmados de um câncer.

No dia 20 de agosto, após uma série de exames rigorosos, GLAUBER ROCHA disse que não gostaria de ficar sozinho naquela noite, pedindo a Paula que o fizesse companhia. Ela recusou, pois não podia deixar os filhos sozinhos no hotel. Ele parecia bem, radiante e conversador como nos seus melhores dias. Na mesma noite entrou em coma. No dia seguinte, levado para o Brasil em estado crítico, morreu logo depois, em 22 de agosto de 1981.

O talento incompreendido, leitor de Nietzsche e Schopenhauer aos 13 anos, foi velado no Parque Lage, no Rio de Janeiro, cenário de “Terra em Transe”, em meio a grande comoção. Poucos dias após, exibiram seus filmes em mostras retrospectivas na Inglaterra (National Film Institute), Estados Unidos (American Film Institute) e França (Instituit Nacional d’Estudes Cinematographiques). A causa da morte ainda hoje é nebulosa, fala-se inclusive em Aids. O mais provável, contaminação ao passar por uma biópsia com equipamento não esterilizado.

Tinha 42 anos. Ele desde adolescente dizia que morreria aos 42 anos, o inverso de 24, idade em que morreu Castro Alves. O poeta fazia aniversário no seu mesmo dia e era o seu favorito. Foi-se subitamente, levando sua mensagem exuberante. Se continuasse filmando possivelmente ainda estaria vivo. A arte seria sua cura. Mas não deixaram. Incomodava demais aos conservadores.

odete lara e joffre soares em “o dragão da maldade contra o santo guerreiro”

FILMOGRAFIA de GLAUBER

CRUZ NA PRAÇA 
(CM, inacabado, 1959)

BARRAVENTO 
(1960)

DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL 
(1964)

AMAZONAS AMAZONAS 
(CM, 1965)

MARANHÃO 66
 (CM, 1966)

TERRA EM TRANSE
 (1967)

O CÂNCER 
(1968-72)

O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO
 (1969)

O LEÃO DE SETE CABEÇAS 
(1969)

CABEZAS CORTADAS 
(1970)

HISTÓRIA DO BRASIL 
(1972-74)

AS ARMAS E O POVO 
(MM, 1975)

CLARO 
(1975)

DI CAVALCANTI 
(CM, 1976)

JORGAMADO NO CINEMA 
(MM, 1977)

A IDADE DA TERRA 
(1979)

programa "abertura"
(tv tupi)


caderno cultural do jornal a tarde


GALERIA de FOTOS

abril 13, 2017

***************************** ÍDOLOS do CINEMA NAZI

zarah leander

No cinema, o espectador deve saber,
com maior certeza do que no teatro, 
quem deve  amar e quem deve odiar.
FRITZ HIPPLER
diretor do antissemita “O Judeu Eterno”


Ele era obcecado por cinema. Compreendia o poder da máquina cinematográfica de moldar a opinião das pessoas. Em 13 de março de 1933, na Alemanha, Adolf Hitler (1889 - 1945) criou o Ministério do Reich para Esclarecimento Popular e Propaganda, cujo titular, Joseph Goebbels (1897 - 1945), foi encarregado de controlar todos os aspectos da propaganda política e da comunicação de massa. O departamento de cinema desse Ministério supervisionava a produção cinematográfica, da concepção à exibição de filmes.

A indústria cinematográfica alemã foi a melhor do mundo no cinema mudo, deixando um legado de diversas obras-primas. Cortejando a população através das emoções e utilizando a sétima arte como instrumento de poder mediático, nos anos 1933 a 1945 o Terceiro Reich promoveu o escapismo fácil, distraindo e doutrinando o povo. Do pouco que conheço, considero os documentários de Leni Riefenstahl e o colossal “Titanic / Idem” (1943) como excelentes contribuições para a história do cinema. A maioria dos filmes do CINEMA NAZI possui qualidade técnica e proporciona bom entretenimento.

adolf hitler
Nos primeiros anos do falado, o cinema germânico passou por uma grave crise. Seus atores, cineastas e técnicos mais conceituados deixaram o país após a ascensão do nazismo. “Não-arianos” foram excluídos, afetando cerca de 3 mil pessoas que ficaram sem trabalho. Alguns profissionais aproveitaram a oportunidade oscilante para exigir salários mais elevados, aumentando consideravelmente os orçamentos de produção. Por fim, a exportação de filmes caiu drasticamente devido aos boicotes internacionais.

Em 1933, ano em que os nazistas chegaram ao poder, havia 5.071 cinemas em toda a Alemanha. Seis anos depois, em 1939, o número de cinemas aumentou para 6.923. Somente a produtora UFA (Universum Film Aktien Gesellschaft) tinha 159 cinemas em 69 cidades – um total de 162.171 lugares. O UFA Palast am Zoo, em Berlim, o maior deles, com mais de dois mil lugares, era onde acontecia a maioria das pré-estreias.

Num esforço para atingir segmentos mais amplos da população, o ministro da propaganda instituiu o “Dia do Filme Popular”, no qual o público podia assistir exibições especiais por um preço simbólico. Os filmes eram exibidos como parte de um programa obrigatório, que consistia de cine-jornais politizados e documentários educativos. Nas “Horas de Filmes para a Juventude”, organizadas pela Juventude Hitlerista, mostravam-se documentários especificamente direcionados para crianças a adolescentes.

cinema da ufa em berlim
Durante o nazismo, vários estúdios faliram, restando apenas 38 de 114. Os sobreviventes trabalharam em dobro, produzindo inúmeros filmes, numa tentativa infundada de fortalecer o CINEMA NAZI. Goebbels comprou as ações das produtoras, inclusive da poderosa UFA, e estatizou a indústria cinematográfica. “Quando compramos a UFA”, se vangloriou em meados de 1937, “nos tornamos a maior união mundial de   cinema,   imprensa,    teatro   e   rádio. Agora  eu   tenho um    instrumento    muito    útil    à    minha    disposição”. Gradualmente, ele fundou uma escola estatal para cineastas politicamente confiáveis; e uma organização profissional oficial e obrigatória para atores, cineastas, técnicos e distribuidores. Goebbels censurava previamente manuscritos e roteiros; criou prêmio de incentivo a produção de filmes; empréstimos a juros baixos e benefícios fiscais.

A crítica de cinema foi proibida. Jornalistas informavam sobre o conteúdo do filme, sem qualquer julgamento artístico, político ou ético. No comando, o brilhante e cruel Goebbels demonstrou sensibilidade para o espetáculo fílmico e manipulação do espectador digno de um David O. Selznick. Afinal, o CINEMA DO TERCEIRO REICH era dominado pelas estrelas. Adoradas pelos fãs, elas propiciavam o glamour. As mais famosas: as grandes atrizes Marianne Hoppe e Lil Dagover, Zarah Leander (anunciada como a “Garbo Alemã”), o premiado Emil Jannings, o comediante Heinz Rühmann, Kristina Söderbaum (“a ariana ideal”), Marika Rokk, Lilian Harvey etc.

marlene dietrich e os aliados
Cerca de 1.500 diretores, produtores, atores e outros profissionais de cinema emigraram da Alemanha no período pré-nazista ou logo depois. Entre eles, figuras míticas. Em Hollywood, esses refugiados iniciaram um trabalho de conscientização anti-nazi. A alemã Marlene Dietrich, convidada por Hitler para estrelar filmes na Alemanha, deu banana e foi para o outro lado da guerra fazer campanha pelos norte-americanos, causa que lhe granjeou ódio eterno em sua terra natal. O ditador tomou a recusa da atriz como um desrespeito à pátria, e a acusou publicamente de traição. Marlene foi ao encontro das tropas aliadas, cantando para divertir e aliviar a dor dos soldados. Acabou condecorada com medalha do governo norte-americano.

Nem todos os ameaçados pelo regime nazista tiveram a sorte de escapar. O ator e diretor de origem judaica Kurt Gerron morreu em um campo de concentração, aos 47 anos de idade. Ele participou de “O Anjo Azul / Der Blaue Engel” (1930) e dirigiu vários filmes. Depois que a Gestapo o prendeu em Amsterdam, onde ele dirigia o Teatro Judeu, foi obrigado a supervisionar a produção de um documentário de propaganda, “Theresienstadt: Ein Dokumentarfilm aus dem Jüdischem Siedlungsgebiet”. Assim que o filme ficou pronto, Gerron e outros que haviam trabalhado nele foram assassinados em câmara de gás.

renate muller em “victor ou vitória”
Sacerdotisa que cantava, atuava no cinema e era admirada por uma multidão, a popular e conceituada Renate Müller, aos 31 anos, em 1937, estava no auge do sucesso quando foi jogada por uma alta janela de um prédio em Berlim e se estatelou no chão, morrendo e deixando o mundo germânico de boca aberta. Pior, sem saber o que aconteceu. Ela seria lembrada na história do cinema, principalmente o alemão, por ser a primeira intérprete de “Victor ou Vitória / Viktor und Viktoria” (1933), um dos 26 filmes que interpretou e teve remake em 1982, com sensacional atuação de Julie Andrews.

Há versões de que Hitler pessoalmente tentou persuadi-la a fazer filmes de propaganda, e ela não aceitou. Ao recusar a proposta de musa nazista, teria passado a condição de suspeita vigiada pela Gestapo. Ela ainda fez “Togger” (1937), filme de propaganda política, mas as coisas continuaram mal resolvidas, porque em seguida foi morta. O anúncio oficial atribuiu a morte à epilepsia. Outra, não oficial, era a de que foi jogada pela janela por oficiais da Gestapo. Depois de sua morte, como se tratava de atriz popular, os nazis espalharam que era uma viciada que se entupiu de drogas - no caso, morfina – e por esta razão, veio a óbito. Uma grande mentira.

Cerca de 500 artistas de cinema foram vítimas do terror do Terceiro Reich. O famoso humorista judeu Otto Wallburg foi um deles. Preso após a invasão das tropas alemãs na Holanda, morreu aos 55 anos na câmara de gás de Auschwitz, em 1944. O mesmo aconteceu com os atores Fritz Grünbaum (1880 – 1941) e Paul Morgan (1886 – 1938). Joachim Gottschalk (1904 - 1941) até 1940 desempenhava papéis principais no cinema, ao rejeitar a sugestão de se separar da esposa judia, passou a ser descartado. Em maio de 1941, na noite anterior à deportação a um campo de concentração, ele, esposa e filho de oito anos se suicidaram. Lale Andersen (1905 - 1972), uma das cantoras mais famosas, gravou em 1939 a canção “Lili Marleen”, popular na guerra, tanto entre alemães como entre aliados, mas foi impedida pelos nazistas em 1942 de cantar em público por se corresponder com imigrantes judeus.

joachim gottschalk
O grande ator Curd Jürgens (1915 - 1982), crítico do regime nazista, foi enviado a um campo de concentração com o rótulo de cidadão “politicamente incorreto”, mas sobreviveu à guerra. Herbert Selpin, diretor de “Titanic”, não engoliu o famoso naufrágio como propaganda anti-britânica, entrando em conflito nas filmagens com Goebbels. Acabou assassinado em 1942, aos 40 anos. O filme foi finalizado por Werner Klingler (1903 - 1972). O mítico diretor Fritz Lang (1890 - 1976) conseguiu fugir, antes se divorciando da esposa e roteirista nazista Thea Von Harbou (1888 - 1954). Eles fizeram juntos, entre outros, o clássico imortal “Metrópolis / Idem” (1927).

Para maquiar a imagem da Alemanha sanguinária, Goebbels não poupou esforços ao promover novas estrelas. O exemplo mais conhecido é o da sueca Zarah Leander. Contratada em 1937 pela UFA, tornou-se a atriz mais importante e bem paga do país. Protagonizou dez filmes alemães entre 1937 e 1943, quase sempre como mulher fatal. Suas canções e filmes são melodramas apaixonados e trágicos. Elegância, beleza e voz poderosa contribuíram para sua consagração. Em 1943 regressou a Suécia, continuando a carreira sem o sucesso de antes.

Estrela atraente e atlética dos filmes de montanha de Arnold Fank, ela estreou no cinema nos anos vinte. Quando os nazistas chegaram ao poder, Leni Riefenstahl, ardente admiradora e amiga pessoal de Hitler, realizou o extraordinário documentário “Triunfo da Vontade / Triumph des Willens” (1935), promovendo o orgulho nacional. Uma visão impressionante de um espetáculo de massa e glorificação da figura do Führer. Após a Segunda Guerra Mundial, foi presa, acusada de ser amante do ditador e simpatizante do nazismo. Negou as acusações, mas jamais demonstrou sinal de arrependimento pela proteção especial nazista. Com a estética de seus filmes, ela determinou como nenhum outro cineasta a imagem do Terceiro Reich. Em 1952, uma corte a libertou e ela pode trabalhar de novo, passando a maior parte do resto da vida fotografando na África. Nunca se soube até que ponto Riefenstahl se comprometeu com a ideologia ou se ela era uma oportunista política.

leni riefenstahl
Hitler, Goebbels e o líder do Partido Nazi, Hermann Göring (1893 – 1946), apareciam em público com atrizes populares, sendo as preferidas Olga Tschechowa, Marika Rökk e Lil Dagover. As relações amorosas de Goebbels com várias estrelas são notórias. No topo dos atores do CINEMA NAZI, primeiro vencedor do Oscar de Melhor Ator, o magnífico Emil Jannings estrelou muitos filmes com a pretensão de promover a filosofia nazista. Goebbels o apelidou de “Artista do Estado”, em 1941. Quando as tropas aliadas invadiram a Alemanha, em 1945, conta-se que ele mostrou seu Oscar como prova da antiga associação com Hollywood. O papel ativo na propaganda nazista o condenou ao desemprego, passando a viver numa fazenda na Áustria.

Outro importante aliado de Adolf Hitler foi o popular comediante Heinz Rühmann. As conexões entre ele e o nazismo não o impediram de ser escolhido, numa pesquisa recente, como “o ator mais querido dos alemães”. Gozando de certa reputação como ator de teatro e cinema, após a ascensão do partido nazista ele não se distanciou do regime. Pelo contrário, as comédias que estrelou, em tempos de terror e genocídio, serviram perfeitamente à causa local. Em 1940, nomeado “Ator Nacional” e sob pressão,  separou-se da esposa judia, Maria Bernheim. No pós-guerra, sua carreira foi prejudicada pela denúncia do compromisso nazista, caindo no ostracismo. Na década de 1950 recuperou o sucesso. Poucos meses antes de morrer trabalhou em “Tão Longe, Tão Perto / In Weiter Ferne, so Nah!” (1993), de Wim Wenders. Apesar do vínculo nazista evidente, Rühmann sempre se definiu como apolítico.

goebbels
Importantes para a imagem do governo nacional-socialista, atores e diretores de destaque foram premiados, em 1938, com a isenção fiscal. Na guerra, eles fizeram shows para as tropas ou recolheram dinheiro da iniciativa privada. A maioria dos astros de cinema foi dispensada do serviço militar, mas um ou outro - como Heinz Rühmann – se alistou. O Terceiro Reich convidou vários artistas para atuar no CINEMA NAZI. Quem recusasse a oferta, caia em desgraça. Dezenas escaparam através da emigração. Quem ficou, cedeu à ditadura. Ingenuidade, ideologia, medo ou oportunismo? Possivelmente um pouco de cada. Os ídolos se prestaram ao culto nazista – até certo ponto, voluntariamente – e souberam se beneficiar dele.

As salas de exibição seguiam regras e regulamentos. A importação de fitas dos países inimigos foi completamente proibida. Fornecendo exibições cinematográficas em áreas rurais e remotas, o Departamento de Propaganda do partido operava 300 caminhões e dois trens levando o equipamento necessário para as projeções. Mesmo sob as condições severas dos últimos anos da II Guerra, os cinemas alemães funcionavam perfeitamente. Em Berlim, unidades antiaéreas os protegiam contra bombardeios.

documentário “o judeu eterno”
A ausência de crítica ao regime, predileção por musicais e comédias, diálogos conformistas e uma narrativa clássica são o perfil do cinema germânico daqueles anos. Nos dramas de guerra, o CINEMA NAZI exalta o heroísmo local e a brutalidade do inimigo. Os ingleses são apresentados como fracos, ridículos, imperialistas, opressores; os russos, brutos e bêbados; os judeus, “sub-humanos” que se infiltraram na sociedade ariana. De 1940, o documentário “O Judeu Eterno / Der Ewige Jude”, direção Fritz Hippler, mostra os judeus como parasitas culturais ambulantes, consumidos pelo sexo e amor ao dinheiro. Alguns longas glorificam Hitler e o movimento Nacional Socialista.

Como os alemães em geral, diretores e atores aderiram ao nazismo ou suportaram a situação insustentável. Passando a guerra, ninguém se identificou com os derrotados e mentiram, negando envolvimento.  O ator e diretor Veit Harlan, um dos gigantes do seu tempo, foi o único a enfrentar um tribunal de Justiça, sob a acusação de crimes contra a humanidade, principalmente por ter feito o antissemita “Judeu Süss / Jud Süss” (1940). Depois de dois interrogatórios, ele foi absolvido das acusações. Escapou com a defesa de que teria agido sob coerção. Em 1950, voltou a dirigir.

Historiadores criaram uma imagem do CINEMA NAZI como um cinema de ódio e de terror. Enganam-se. Está mais para um cinema de ilusão. Nesse escapismo, muitas vezes interfere a propaganda subliminar, diluindo nos enredos valores básicos da ideologia nazista como obediência, auto-sacrifício, ordem, camaradagem, liderança etc. Mas nem sempre. No período 1933 a 1945, os filmes de entretenimento dominam o mercado. Dos 1094 filmes de longa-metragem produzidos na Alemanha Nazista, somente 153 são diretamente políticos ou propagandísticos. Os outros 941 filmes são tradicionais, no estilo Hollywood na mesma ocasião.

willi forst e olga tschechowa em “bel ami”
No fim do conflito bélico, em 1945, com a Alemanha devastada e reduzida a escombros, filmes eram produzidos, entre eles “Kolberg” (1945), de Veit Harlan. Superprodução a cores, ambientada nas guerras napoleônicas, narra a resistência de uma cidade alemã diante das tropas francesas, numa tentativa de animar a destroçada moral nacional. Certamente, este objetivo não se concretizou, entretanto, comprova que, mesmo em plena e irreversível queda, o Terceiro Reich acreditou, protegeu e explorou a indústria cinematográfica até os últimos instantes.

FONTE
“A Critical History of German Film”, de Stephen Brockmann; “Cinema no Terceiro Reich”, blog “Histórias de Cinema”; “Histoire du Cinéma Nazi”, de Francis Courtade e Pierre Cadars; “Hitler`s Heroines – Stardom and Womanhood in Nazi Cinema”, de Antie Ascheid; “Nazi Cinema as Enchantment: The Politics of Entertainment in the Third Reich”, de Mary-Elizabeth O’Brien; “Popular Cinema in the Third Reich”, de Sabine Hake; “The UFA Story”, de Klaus Kreimeier; “The Ministry of Illusion”, de Eric Rentschler.

camilla horn
ESTRELAS do CINEMA NAZISTA

BRIGITTE HORNEY
(Dahlem, Alemanha. 1911 - 1988)

Filmes Selecionados
“Der Gouverneur” (1939)
“Barão de Münchhausen / Münchhausen” (1943)

CAMILLA HORN
(Frankfurt, Alemanha. 1903 - 1996)

Filmes Selecionados
“Maria / Sein Letztes Modell” (1937)
“Guerra nas Sombras / Rote Orchideen” (1938)

EMIL JANNINGS
(Rorschach, St. Gallen, Suíça. 1884 - 1950)

Filmes Selecionados
“O Governante / Der Herrscher” (1937)
“O Presidente Krüger / Ohm Krüger” (1941)

GUSTAF GRUNDGENS
(Düsseldorf, Alemanha. 1899 - 1963)

Filmes Selecionados
“Santa Joanna D'Arc / Das Mädchen Johanna” (1935)
“Friedemann Bach” (1941)

GUSTAV FRÖHLICH
(Hannover, Lower Saxony, Alemanha. 1902 - 1987)

Filmes Selecionados
“Terra em Chamas / Stadt Anatol” (1936)
 “O Grande Rei / Der große König”(1942)

HEINRICH GEORGE
(Stettin, Pomerania, Polônia. 1893 - 1946)

Filmes Selecionados
“Judeu Süß” (1940)
“Nostalgia, O Caminho da Perdição / Der Postmeister” (1940)

HEINZ RÜHMANN
(Essen, Alemanha. 1902 - 1994)

Filmes Selecionados
“O Chapéu Florentino / Der Florentiner Hut” (1939)
“Ich Vertraue Dir Meine Frau Na” (1943)

HENNY PORTEN
(Magdeburg, Alemanha. 1890 – 1960)

Filmes Selecionados
“Komödianten” (1941)
“Symphonie eines Lebens” (1943)

JENNY JUGO
(Mürzzuschlag, Styria, Áustria. 1904 – 2001)

Filmes Selecionados
“Pygmalion” (1935)
“Unser Fräulein Doktor” (1940)

JOHANNES HEESTERS
(Amersfoort, Utrecht, Holanda. 1902 - 2011)

Filmes Selecionados
“Nanon” (1938)
“Immer Nur-Du!” (1941)

KARL-LUDWIG DIEHL
(Halle, Saxony-Anhalt, Alemanha. 1896 - 1958)

Filmes Selecionados
“Romance em Viena / Episode” (1935)
“Die Entlassung” (1942)

KRISTINA SÖDERBAUM
(Estocolmo, Suécia. 1912 - 2001)

Filmes Selecionados
“Cidade da Ilusão / Die Goldene Stadt” (1942)
“O Grande Rei / Der Große König” (1942)

LA JANA
(Viena, Áustria. 1905 - 1940)

Filmes Selecionados
“Mistérios da Índia / Der Tiger von Eschnapur” (1938)
“Ouvindo Estrelas! / Es Leuchten die Sterne” (1938)

LENI RIEFENSTAHL
(Berlim, Alemanha. 1902 - 2003)

Filmes Selecionados
“O Triunfo da Vontade / Triumph des Willens” (1935)
“Olimpíadas e Mocidade Olímpica 1 e 2 / Olympia 1 e 2” (1938)

LÍDA BAAROVÁ
(Praga, Hungria. 1914 - 2000)

Filmes Selecionados
“Hora de Tentação / Die Stunde der Versuchung” (1936)
“Os Homens Devem Ser Assim / Männer Müssen so Sein” (1939)

LIL DAGOVER
(Madioen, Indonésia. 1887 - 1980)

Filmes Selecionados
“A Sonata de Kreutzer / Die Kreutzersonate” (1937)
“Bismarck” (1940)

LILIAN HARVEY
(Hornsey, Londres, Inglaterra. 1906 - 1968)

Filmes Selecionados
“Morrer de Amor / Fanny Elssler” (1937)
“Capricho / Capriccio” (1938)

LUIS TRENKER
(St. Ulrich, Tyrol, Itália. 1892 - 1990)

Filmes Selecionados
“Condottieri” (1937)
“Der Berg Ruft!” (1938)

MAGDA SCHNEIDER
(Augsburg, Bavaria, Alemanha. 1909 - 1996)

Filmes Selecionados
“Redenção / Liebelei” (1933)
“Wer küßt Madeleine?” (1939)

MARIANNE HOPPE
(Rostock, Mecklenburg-Vorpommern, Alemanha. 1909 - 2002)

Filmes Selecionados
“Até a Vista Francisca / Auf Wiedersehn, Franziska!”(1941)
“Romanze in Moll” (1943)

MARIKA RÖKK
(Cairo, Egito. 1913 - 2004)

Filmes Selecionados
“Noite de Baile / Es War eine Rauschende Ballnacht” (1939)
“Kora Terry” (1940)

MARTHA EGGERTH
(1912. Budapeste, Hungria. 1912 - 2013)

Filmes Selecionados
“Canção da Lembrança / Das Hofkonzert” (1936)
“Quando Canta o Rouxinol / Wo die Lerche Singt” (1936)

OLGA TSCHECHOWA
(Alexandropol, Erivan Governorate, Rússia. 1897 - 1980)

Filmes Selecionados
“Absolvida / Unter Ausschluß der Öffentlichkeit” (1937)
“Quatro Mulheres é Demais / Bel Ami” (1939)

POLA NEGRI
(Lipno, Polônia. 1897 – 1987)

Filmes Selecionados
“A Mulher que Amou Demais / Madame Bovary” (1937)
“A Falsária / Die Fromme Lüge” (1938)

RENATE MÜLLER
(Munique, Bavária, Alemanha. 1906 - 1937)

Filmes Selecionados
“Victor ou Vitória / Viktor und Viktoria” (1933)
“Allotria” (1936)

SABINE PETERS
(Berlim, Alemanha. 1912–1982)

Filmes Selecionados
“Segundo Amor / Das Mädchen Irene” (1936)
“Preußische Liebesgeschichte” (1938)

SYBILLE SCHMITZ
(Düren, North Rhine-Westphalia, Alemanha. 1909 - 1955)

Filmes Selecionados
“Clarissa” (1941)
“Titanic / Idem” (1943)

VIKTOR STAAL
(Frankenstadt, Moravia, República Tcheca. 1909 - 1982)

Filmes Selecionados
“Recomeça a Vida / Zu Neuen Ufern” (1937)
“Die Große Liebe” (1942)

WERNER KRAUSS
(Gestungshausen, Sonnefeld, Bavaria, Alemanha. 1884 - 1959)

Filmes Selecionados
“Judeu Süß” (1940)
“Paracelsus” (1943)

WILLY BIRGEL
(Colônia, North Rhine-Westphalia, Alemanha. 1891 - 1973)

Filmes Selecionados
“Recomeça a Vida / Zu Neuen Ufern” (1937)
“Das Herz der Königin” (1940)

WILLY FRITSCH
(Kattowitz, Upper Silesia, Polônia. 1901 - 1973)

Filmes Selecionados
“A Pequena de Outra Noite / Das Mädchen von Gestern Nacht” (1938)
“Wiener Blut” (1942)

ZARAH LEANDER
(Karlstad, Värmlands län, Suécia. 1907 - 1981)

Filmes Selecionados
“La Habanera” (1937)
“Noite de Baile / Es War eine Rauschende Ballnacht” (1939)


MARLENE e os SOLDADOS