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março 11, 2017

*************************** As OITO NÚPCIAS de LIZ


É difícil encontrar olhos mais sedutores que os da inglesa ELIZABETH Rosemond TAYLOR (1932 - 2011). De uma rara cor violeta, eles foram a marca da atriz considerada uma das mulheres mais lindas do mundo. Linda e talentosa, ela estreou com apenas dez anos. Aos doze já era uma estrela em Hollywood. Participou de mais de 50 filmes, e teve vários papéis marcantes. Reconhecida como a última grande estrela da era de ouro do cinema, reinou soberana durante quatro décadas, sendo seu período áureo de 1951 a 1969.

Ganhou dois Oscars de Melhor Atriz. Um em 1960 com a prostituta Gloria Wandrous em “Disque Butterfield 8 / Idem”. Outro, seis anos depois, como a envelhecida, alcoólatra e neurótica Martha do drama clássico “Quem Tem Medo de Virgínia Woolf? / Who's Afraid of Virginia Woolf?”. Ela raramente me comove, talvez por sua voz curta e enjoativa, mas respeito a trajetória vitoriosa. Esteve admirável como anti-heroína fitzgeraldiana em “A Última Vez que Vi Paris” e a esposa desprezada de Paul Newman em “Gata em Teto de Zinco Quente”, baseado em uma famosa peça de Tennessee Williams.


Compulsiva colecionadora de joias, alcoólatra e com inúmeros problemas de saúde, tornou-se a atriz mais bem paga do mundo na década de 1960. LIZ TAYLOR encheu páginas e mais páginas de tabloides e colunas de fofocas com seus rumorosos casamentos. Oito ao todo. Relações apaixonadas, intensas, quase sempre atribuladas. “Para mim, a felicidade se resume em colecionar amores”, confessou numa entrevista.

Os fracassos no amor, o alcoolismo e o abuso de drogas minaram a saúde dela, que passou por vinte cirurgias ao longo da vida. Apesar da fragilidade física, a estrela participou ativamente na luta contra a epidemia de AIDS no mundo. Uma causa que abraçou depois da morte de um amigo, o ator Rock Hudson. Em uma das declarações espirituosas que deu ao longo da vida, LIZ TAYLOR disse, a respeito de seus relacionamentos: “Apenas dormi com homens com os quais me casei. Quantas mulheres podem dizer o mesmo?.


As BODAS de LIZ

01
Aos 18 anos, em 1950, casou-se com o playboy Conrad Hilton Júnior, rico herdeiro de uma cadeia de hotéis e tio-avô de Paris Hilton. Quando abortou involuntariamente, depois de ter sido espancada pelo marido quase sempre embriagado, pediu o divórcio. O badalado casamento durou nove meses (de maio de 1950 a fevereiro de 1951).


02
Em 1952, foi a vez do empostado ator inglês Michael Wilding, 20 anos mais velho e bissexual, com quem teve dois filhos: Michael (1953) e Christopher Wilding (1955). O casamento chegou ao fim em 1956.


03
O terceiro na lista, o milionário e produtor de cinema Mike Todd (Oscar por “A Volta ao Mundo em 80 Dias / Around the World in Eighty Days”), uma grande paixão da diva, morreu num acidente aéreo antes de completar um ano de casados, em 1958. O casal, que vivia um relacionamento conflituoso, teve uma filha, Elizabeth Frances (Liza).


04
Viúva, não desistiu do casamento e em 12 de maio de 1959 – um ano após a morte do último marido – casou-se de novo, desta vez com o cantor Eddie Fisher, viciado em drogas. A união durou três anos e foi um escândalo, já que o novo marido era o melhor amigo do ex-marido da atriz, Mike Todd, além de ser casado com Debbie Reynolds, amiga de Liz. Ela foi mundialmente chamada de “destruidora de lares”.

liz, eddie fischer e debbie reynolds
05 e 06
Ainda estava casada com o terceiro marido quando se apaixonou perdidamente por Richard Burton nos sets de filmagem de “Cleópatra / Idem”, em 1962. O ator britânico era casado há muitos anos. Como seus personagens, Cleópatra e Marco Antonio, o amor começou com uma traição. Eles se uniram legalmente em março de 1964. A primeira boda durou quase 10 anos, marcados por acontecimentos positivos e negativos de igual intensidade. Do lado bom havia amor, paixão, admiração e muitos diamantes. Do lado mau estavam discussões homéricas, ciúmes, as infidelidades de Burton, descontrole de drogas e excesso de bebida.


Não há dúvidas de que foi o homem da vida de Liz. Além dos filmes que fizeram juntos - oito ao todo - as cartas escritas pelo ator provam o profundo e louco amor. Foram reunidas no livro “Furious Love: Elizabeth Taylor, Richard Burton, and the Marriage of the Century”. “Se você me deixar, eu me mato. Não há vida sem você”, escreveu ele em uma das primeiras cartas. Em outra, ele se refere ao talento e à beleza da amada.  “Você é provavelmente a melhor atriz do mundo, o que, somado à sua beleza extraordinária, faz você ser única.” Richard Burton também declarou seu amor inúmeras vezes em forma de joias poderosas com que a presenteava, e que rechearam a coleção particular da estrela.

Eles se separaram em 1973, depois de muitas reconciliações e brigas, provocadas principalmente pelo alcoolismo de ambos. Em 1975, decidida a dar uma segunda chance ao seu grande amor, ela se casou com ele novamente. A segunda união durou menos de um ano. Durante esse período o casal adotou Maria Burton. Eles continuaram amigos, se falavam longamente pelo telefone, e trocaram cartas de amor até a morte dele, em 1984. Dias antes de morrer na Suíça, vítima de uma hemorragia cerebral, Burton escreveu a última carta, que ela recebeu na Califórnia quando voltou para casa, após comparecer ao funeral do ex-marido.


07
Em 4 de dezembro de 1976, mesmo ano em que se separou definitivamente de Burton, Liz casou-se com seu sétimo e penúltimo marido, o ex-senador republicano John Warner, ainda vivo. Os dois ficaram juntos até 1982.


08
Em 1991, depois de quase dez anos solteira, ela se entregou de novo ao casamento, desta vez com o caminhoneiro e operário de construção Larry Fortensky, 22 anos mais jovem. Eles se conheceram na Betty Ford Clinic, tratando-se de alcoolismo, e em 1998, dois anos depois de se separar de Liz, foi preso por assaltar uma namorada. A cerimônia foi realizada no rancho Neverland, de um dos grandes amigos da atriz, o pop-star Michael Jackson, e custou uma fortuna. Com o fim do oitavo casamento, em 1996, a estrela jurou nunca mais se casar.


Quase cumpriu a promessa. Não se casou oficialmente, mas de 2008 até a morte viveu com o empresário Jason Winters. “É um dos homens mais maravilhosos que conheci”, disse Liz, que conheceu o namorado numa viagem ao Havaí.

OITO ROMANCES de LIZ TAYLOR no CINEMA

01

Angela Vickers e George Eastman (MONTGOMERY CLIFT)
em “Um Lugar ao Sol / A Place in the Sun (1951)
de George Stevens

02

Lady Patricia e Beau Brummell (STEWART GRANGER)
em Beau Brummell / Idem” (1954)
de Curtis Bernhardt

03

Helen Ellswirth e Charles Wills (VAN JOHNSON)
em “A Última Vez que Vi Paris / The Last Time I Saw Paris” (1954)
de Richard Brooks

04

Leslie Benedict e Jordan 'Bick' Benedict Jr. (ROCK HUDSON)
em “Assim Caminha a Humanidade / Giant” (1956)
de George Stevens

05

Maggie Pollitt e Brick Pollitt (PAUL NEWMAN)
em “Gata em Teto de Zinco Quente / Cat on a Hot Tin Roof” (1958)
de Richard Brooks

06

Laura Reynolds e Dr. Edward Hewitt (RICHARD BURTON)
em “Adeus às Ilusões / The Sandpiper” (1965)
de Vincente Minnelli

07

Katharina e Petruchio (RICHARD BURTON)
em “A Megera Domada / The Taming of the Shrew” (1967)
de Franco Zeffirelli

08

Fran Walker e Joe Grady (WARREN BEATTY)
em “Jogo de Paixões / The Only Game in Town” (1970)
de George Stevens

GALERIA de FOTOS


junho 15, 2011

******* LOUELLA E HEDDA, AS MEXERIQUEIRAS


hedda hopper
Na imprensa da era clássica hollywoodiana, LOUELLA PARSONS (1893-1972) e HEDDA HOPPER (1890-1966) deixavam os fãs a par de cada passo de suas estrelas favoritas, através de colunas publicadas em jornais de costa a costa dos Estados Unidos e reproduzidas mundo afora. Inimigas declaradas, chegaram algumas vezes quase às vias de fato. Disputavam quem exibia o chapéu mais espalhafatoso, as notícias mais sensacionalistas e o título de “Rainha de Hollywood”. Uma das formas de passar a perna na concorrente era acatar uma espécie de apadrinhamento com determinadas celebridades. Hedda, por exemplo, tinha certa intimidade com Liz Taylor, que sempre a procurava para confidenciar sobre sua atribulada vida pessoal, de inúmeros casamentos e separações. Já Louella identificava-se com Marilyn Monroe. Os seus textos não eram escritos como se fossem fofocas cruéis, mas “conselhos simpáticos” de veteranas senhoras. Ambas irritavam a meca do cinema, mas todos compreendiam que ser citado por elas podia ser muito útil como divulgação. O poder dessas duas mulheres era legendário e ainda que venenosas, respeitavam alguns aspectos da privacidade dos atores e atrizes, a fim de não macular totalmente suas imagens. Afinal de contas, elas faziam parte do sistema. Temidas e reverenciadas, HEDDA HOPPER e LOUELLA PARSONS contavam com uma incrível rede de informantes infiltrados nos estúdios e nos lugares mais freqüentados, descobrindo diariamente novidades sórdidas para o gozo de seus leitores, num estilo mexeriqueiro copiado no mundo todo.


Atriz da fase muda do cinema e de algumas produções sonoras, HEDDA HOPPER atuou em mais de 120 filmes, quase sempre como esnobes damas da alta sociedade. Inclusive fez uma ponta em “Crepúsculo dos Deuses/Sunset Boulevard” (1950), de Billy Wilder.  Tudo começou com o fim do seu casamento com o ator DeWolf Hopper. Beirando os 50 anos, sobrevivendo de pequenos papéis, em 1937 aceitou a oferta para redatar uma coluna periodística sobre a sociedade cinematográfica. Esta coluna, chamada “Hedda Hopper’s Hollywood”, debutou no “Los Angeles Times” em 14 de fevereiro de 1938. No ano seguinte, fazia comentários e entrevistava estrelas no seu próprio programa radiofônico, “The Hedda Hopper Show”. Logo comprou uma mansão em Beverly Hills que passou a ser chamada “The house that fear built” (A casa que o medo edificou). Ela inúmeras vezes recordou a preferência de Charles Chaplin por garotinhas; denunciou o romance adúltero de Katharine Hepburn e Spencer Tracy; e o caso secreto de Joseph Cotten com a jovem Deanna Durbin. Brigou ferozmente com John Ford, a quem chamava de “irlandês filho da puta”. Sofreu – e perdeu! – um processo de calúnia e difamação por parte do ator inglês Michael Wilding, segundo marido de Liz Taylor. A amizade dele com o também ator Stewart Granger foi inúmeras vezes mencionada na coluna de HEDDA HOPPER como um caso amoroso. Cary Grant também foi citado por ela como gay, no famoso affair com Randolph Scott, mas o galã era tão querido que tais declarações não arranharam sua imagem. Se na imprensa ela tinha uma postura que poderia ser considerada homofóbica, particularmente era simpatizante, mantendo amizade com gays e lésbicas sem jamais tocar no assunto publicamente. Ela teve o seu próprio programa de televisão nos anos 60, e seguiu escrevento até morrer, produzindo colunas diárias para o “Chicago Tribune”, assim como incontáveis artigos para revistas como a “Photoplay”. Faleceu aos 75 anos de idade, de pneumonia.

louella e marilyn
Dizem que LOUELLA PARSONS era bem mais ferina do que a adversária. Tinha tanto poder que um comentário seu bastava para arruinar a carreira de um ator ou de um projeto cinematográfico em andamento. Durante 40 anos sua coluna foi imediatamente reproduzida em mais de 500 jornais de todo o planeta. No entanto, não era vista como uma insignificante coluna de fofocas, e sim um painel de verdades absolutas. Apoiada pelo império jornalístico de William Randolph Hearst, suas palavras aterrorizavam estrelas, diretores e produtores. Todos temiam o inferno de seu conhecido “tratamento silencioso” ou, pior ainda, as suas críticas ácidas. Com uma pequena nota interrompia filmes, obrigava amantes ocasionais a se casarem ou incentivava divórcios. Um comentário negativo escrito por ela destruía o futuro de debutantes de talento. LOUELLA PARSONS iniciou sua carreira em 1914, como cronista do “Chicago Record Herald”, mas jamais teria tanto poder caso não estivesse no luxuoso iate de William Randolph Hearst, o “Oneida”, em 18 de novembro de 1924. Entre os convidados estavam Chaplin e as atrizes Marion Davies e Aileen Pringle. No meio da farra homérica, assassinaram a tiros o diretor Thomas Ince (supostamente o magnata Hearst o confundiu com Chaplin, amante de sua amada Marion). Abafando o crime, Hearst colocou imediatamente a colunista na sua equipe jornalística, num contrato vitalício. Reinando na mídia, ela foi responsável pela queda definitiva de Frances Farmer, a beleza apontada como “a nova Greta Garbo”. Quando detiveram a atriz conduzindo embriagada e sem licença, LOUELLA PARSONS tornou público o incidente e pediu a sua cabeça. Na sua lista negra, passaram nomes como Clara Bow, Alma Rubens, Judy Garland e Spencer Tracy (dizia que o ator era incapaz de trabalhar sóbrio).


Decidida a destruir a carreira de Mamie van Doren, que acabava de assinar contrato para atuar em “Um Lugar ao Sol/A Place in the Sun” (1951), LOUELLA PARSONS telefonou para o chefão da Paramount ameaçando passar a não dar uma linha de publicidade para os filmes do estúdio caso a atriz permacesse sob contrato. Logo a seguir substituíram Mamie por Shelley Winters. “Eles alegaram que eu era muito parecida com Marilyn Monroe. Mas eu sabia que Louella era a responsável por minha demissão. Ela foi o monstro que fechou todas as portas profissionais tão necessárias para o meu trabalho, simplesmente porque acreditava que eu tinha um passado como meretriz. Tive pena dela. Era apenas uma louca que imaginava coisas e acreditava na sua diabólica imaginação”, desabafou a atriz muitos anos depois. A influência da colunista era tão poderosa que ela conseguiu proibir a projeção de “Cidadão Kane/Citizen Kane” (1941) em 17 estados norte-americanos, porque o considerava um insulto a seu patrão Hearst. Nas palavras de Joan Crawford, “cada vez que Lolly dizia que uma belíssima atriz de cinema havia sido surpreendida em um lugar de fama duvidosa, a acusação abalava a reputação de todas as atrizes, sem exceção. Todas sofriam as conseqüências”. Maldosa, invejosa e moralista, LOUELLA PARSONS escondia uma vida sexual promíscua e seu próprio alcoolismo. Escreveu dois livros de memórias, “The Gay Illitarate” (1944) e “Tell it to Louella” (1961), ambos recheados de mentiras. Apareceu também em alguns filmes, sempre como ela mesma, como “Hollywood Hotel” (1937) e “Without Reservations” (1946). No final de sua vida, internada numa clínica geriátrica, gritava e insultava os atores que apareciam em filmes exibidos no local. Morreu em 1972, aos 80 anos. “Fui ao seu enterro somente para comprovar que finalmente estava morta”, garantiu Joan Crawford.


hedda
“No fundo”, explicou o escritor Truman Capote, “a fórmula profissional de LOUELLA PARSONS e HEDDA HOPPER era tão simples como demoníaca: elas descobriram que a intimidade, o mais secreto do secreto, o vergonhoso, faz com que o cotidiano das vidas ordinárias adquira relevância”. Diante desse panorama, elas criaram através de seus artigos uma espécie de crime consentido, a partir do anonimato da acusação. Muitas vezes sem escrever o nome do acusado, elas davam somente indícios, pistas, rascunhos; de tal forma que o leitor prontamente identificasse a estrela apunhalada por suas palavras ferinas. Elas viveram sob o domínio da extorção, da ameaça e do medo. Tinham uma obscura satisfação em revelar o lado desprezível e feio do que aparentemente era formoso. A estratégia do refinamento da maledicência manobrada por essas duas mulheres fez escola e até hoje pode ser vista em muitas publicações. São as(os) novas(os) Louellas e Heddas. Em 1985, suas existências ordinárias foram representadas por Elizabeth Taylor e Jane Alexander no telefilme “Malícia no País das Maravilhas/Malice in Wonderland”.



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O QUE ESTÁ FAZENDO

JEAN-LUC GODARD

Sete anos depois de seu último longa-metragem, “Nossa Música” (2004), o irreverente Jean-Luc Godard (de 80 anos de idade), um dos criadores da Nouvelle Vague, aparece com força total na mídia francesa. Primeiro graças ao lançamento de sua primeira biografia escrita por um intelectual francês: “Godard”, de Antoine de Baecque – responsável também pela biografia mais respeitada de François Truffaut. A obra disseca em detalhes a criação de todos os filmes do cineasta, além de vasculhar boa parte de suas amizades e relações amorosas. Tantos detalhes resultaram em um livro de 940 páginas. O segundo motivo de alegria para seus fãs é o “Filme Socialismo”, que teve sua primeira exibição no Festival de Cannes do ano passado. O filme segue a linha do anterior e faz uma reflexão sobre a crise de valores e da falência das ideologias de esquerda neste início de século 21. Em um navio, viajam personagens tão diversos como a cantora Patti Smith, o filósofo francês Alain Badiou e o historiador palestino Elias Sanbar.