junho 16, 2015

****** M-G-M: mais ESTRELAS do que HÁ no CÉU

jean harlow
Na época de ouro de Hollywood poucos estúdios tinham tanto poder quanto o de Louis B. Mayer, um dos maiores criadores de estrelas da meca do cinema. O logotipo da empresa, um leão legendado com a expressão Ars Gratia Artis (Arte pelo Amor da Arte), utilizado pela primeira vez em 1928, era sinônimo da qualidade cinematográfica. A produtora passou a chamar-se METRO-GOLDWYN-MAYER em 1924. Teve seu primeiro grande sucesso em 1926, o épico “Ben-Hur / Idem”, de Fred Niblo, com o “latin lover” mexicano Ramon Novarro como protagonista. Nomes consagrados – Lillian Gish, Lon Chaney, Buster Keaton, Mae Murray, John Gilbert, Wallace Beery etc. - foram pescados em estúdios concorrentes, seduzidos por contratos milionários. 

A produtora também começou com excelentes diretores (King Vidor, Clarence Brown, Erich von Stroheim, Tod Browning, Victor Seastrom etc.) e tinha o criativo Irving G. Thalberg como diretor de produção - o sucesso neste período inicial deve-se muito a ele, cuja aposta em produções de categoria permitiu a realização de longas importantes, geralmente adaptações literárias.

louis b. mayer
Nas décadas de 1930 e 1940, a produtora ditou as tendências do cinema, lançando cerca de 50 filmes anuais e empregando para isso centenas de artistas. Ostentava o slogan publicitário “Mais estrelas do que há no céu”, à custa do carisma de nomes como Spencer Tracy, Norma Shearer, Joan Crawford, Greta Garbo, Clark Gable etc. Não só eram as principais estrelas do estúdio, mas de toda Hollywood.

Na época, Mayer contratou a The American Musical Academy of Arts Association (AMAA) para lidar com a imprensa e com o desenvolvimento de seu cast all-star, assessorando e orientando para que este se tornasse mais atraente ao público. A M-G-M acolheu um vasto leque de técnicos talentosos, cujos trabalhos eram a marca do estúdio: Cedric Gibbons, diretor de arte; Douglas Shearer, engenheiro de som; William H. Daniels, fotógrafo; Herbert Stothart, compositor; Adrian, figurinista; entre muitos outros. Durante duas décadas foi o maior e mais rentável estúdio de cinema, conhecido pelo glamour, além de contar com as instalações mais sofisticadas. Fazia filmes de prestígio, premiados, mas também produções de menor orçamento, de valoroso impacto junto do público - como as séries “Andy Hardy”, “Dr. Kildare” e “Tarzan”. Quase todos os seus filmes pretendiam apenas divertir e qualquer referência a temas sociais controversos era evitado ou suavizado.

irving g. thalberg, norma shearer
e louis b. mayer
Tendo decaído lentamente de 1950 a 1960, mesmo com o sucesso de seus fabulosos musicais, a METRO-GOLDWYN-MAYER encerrou suas produções em 1973, passando a somente distribuir filmes e só retornando a realizá-los em 1980. O temido Louis B. Mayer esteve na presidência do estúdio até 1951, quando inesperadamente – e contra sua vontade – foi substituído por um antigo assistente, Dore Schary. Em 1950 recebeu um Oscar Honorário pelos notáveis serviços prestados à indústria do cinema. Morreu em 1957, aos 73 anos.

Listo algumas estrelas da M-G-M, indicando o primeiro e o último filme feito no estúdio enquanto contratados, o número de filmes que rodaram no mesmo estúdio e o melhor deles em minha opinião.

CYD CHARISSE
(1943 a 1957)

Filme de estreia no estúdio: “A Filha do Comandante / Thousands Cheer” (1943), direção de George Sidney
Último filme: “Meias de Seda / Silk Stockings” (1957), direção de Rouben Mamoulian
Número de filmes: 22
Melhor momento: “A Roda da Fortuna / The Band Wagon” (1953), direção de Vincente Minnelli

CLARK GABLE
(1931 a 1954)

Filme de estreia no estúdio: “Tentação do Luxo / The Easiest Way” (1931), direção de Jack Conway
Último filme: “Atraiçoado / Betrayed” (1954), direção de Gottfried Reinhardt
Número de filmes: 53
Melhor momento: “...E o Vento Levou / Gone with the Wind” (1939), direção de Victor Fleming

DEBORAH KERR
(1947 a 1953)

Filme de estreia no estúdio: “Mercadores de Ilusões / The Hucksters” (1947), direção de Jack Conway
Último filme: “Quem é meu Amor? / Dream Wife” (1953), direção de Sidney Sheldon
Número de filmes: 10
Melhor momento: “Meu Filho / Edward, My Son” (1949), direção de George Cukor

GENE KELLY
(1942 a 1957)

Filme de estreia no estúdio: “Idílio em Do-Re-Mi / For Me and My Gal” (1942), direção de Busby Berkeley
Último filme: “Les Girls / Idem” (1957), direção de George Cukor
Número de filmes: 25
Melhor momento: “Cantando na Chuva / Singin' in the Rain” (1952), direção de Stanley Donen e Gene Kelly

GREER GARSON
(1939 a 1954)

Filme de estreia no estúdio: “Adeus, Mr. Chips / Goodbye, Mr. Chips” (1939), direção de Sam Wood
Último filme: “Os Homens de sua Vida / Her Twelve Men” (1954), direção de Robert Z. Leonard
Número de filmes: 18
Melhor momento: “Rosa da Esperança / Mrs. Miniver” (1942), direção de William Wyler

GRETA GARBO
(1926 a 1941) 

Filme de estreia no estúdio: “Os Proscritos / Torrent” (1926), direção de Monta Bell
Último filme: “Duas Vezes Meu / Two-Faced Woman” (1941), direção de George Cukor
Número de filmes: 25
Melhor momento: “Ninotchka / Idem” (1939), direção de Ernst Lubitsch

HEDY LAMARR
(1939 a 1944)

Filme de estreia no estúdio: “Flor dos Trópicos / Lady of the Tropics” (1939), direção de Jack Conway
Último filme: “Um Rival nas Alturas / The Heavenly Body” (1944), direção de Alexander Hall
Número de filmes: 11
Melhor momento: “O Inimigo X / Comrade X” (1940), direção de King Vidor

JEAN HARLOW
(1932 a 1937)

Filme de estreia no estúdio: “A Fera da Cidade / The Beast of the City” (1932), direção de Charles Brabin
Último filme: “Saratoga / Idem” (1937), direção de Jack Conway
Número de filmes: 15
Melhor momento: “Jantar às Oito / Dinner at Eight” (1933), direção de George Cukor

JEANETTE MACDONALD
(1934 a 1942)

Filme de estreia no estúdio: “O Gato e o Violino / The Cat and the Fiddle” (1934), direção de William K. Howard
Último filme: “Cairo / Idem” (1942), direção de W.S. Van Dyke
Número de filmes: 15
Melhor momento: A Viúva Alegre The Merry Widow (1934), direção de Ernst Lubitsch

JOAN CRAWFORD
(1925 a 1943)

Filme de estreia no estúdio: “Pretty Ladies” (1925), direção de Monta Bell
Último filme: “Os Insupeitos / Above Suspicion” (1943), direção de Richard Thorpe
Número de filmes: 56
Melhor momento: “Um Rosto de Mulher / A Woman’s Face” (1941), direção de George Cukor

JOHN GILBERT
(1924 a 1933)

Filme de estreia no estúdio: “He Who Gets Slapped” (1924), direção de Victor Sjostrom
Último filme: “Rainha Cristina / Queen Christina” (1933), direção de Rouben Mamoulian
Número de filmes: 26
Melhor momento: “O Grande Desfile / The Big Parade” (1925), direção de King Vidor

JUDY GARLAND
(1937 a 1950)

Filme de estreia no estúdio: “Melodia da Broadway de 1938 / Broadway Melody of 1938” (1937), direção de Roy Del Ruth
Último filme: “Casa, Comida e Carinho / Summer Stock” (1950), direção de Charles Walters
Número de filmes: 27
Melhor momento: “Agora Seremos Felizes / Meet Me in St. Louis” (1944), direção de Vincente Minnelli

KATHARINE HEPBURN
(1940 a 1952)

Filme de estreia no estúdio: “Núpcias de Escândalo / The Philadelphia Story” (1940), direção de George Cukor
Último filme: “A Mulher Absoluta / Pat and Mike” (1952), direção de George Cukor
Número de filmes: 12
Melhor momento: “Núpcias de Escândalo / The Philadelphia Story”

LANA TURNER
(1938 a 1955)

Filme de estreia no estúdio: “O Amor Encontra Andy Hardy / Love Finds Andy Hardy” (1938), direção de George B. Seitz
Último filme: “O Filho Pródigo / The Prodigal” (1955), direção de Richard Thorpe
Número de filmes: 30
Melhor momento: “Assim Estava Escrito / The Bad and the Beautiful” (1952), de Vincente Minnelli

LILLIAN GISH
(1926 a 1928)

Filme de estreia no estúdio: “La Bohème / Idem” (1926), direção de King Vidor
Último filme: “Vento e Areia / The Wind” (1928), direção de Victor Sjöström
Número de filmes: 5
Melhor momento: “Vento e Areia / The Wind”

LON CHANEY
(1924 a 1930)

Filme de estreia no estúdio: “Ironia da Sorte / He Who Gets Slapped” (1924), direção de Victor Sjöström
Último filme: “Trindade Maldita / The Unholy Three” (1930), direção de Jack Conway
Número de filmes: 17
Melhor momento: “O Monstro do Circo / The Unknown” (1927), direção de Tod Browning

MAE MURRAY
(1925 a 1927)

Filme de estreia no estúdio: “A Viúva Alegre / The Merry Widow” (1925), direção de Erich Von Stroheim
Último filme: “Altars of Desire” (1927), direção de Christy Cabanne
Número de filmes: 4
Melhor momento: “A Viúva Alegre / The Merry Widow” (1925)

MICKEY ROONEY
(1934 a 1948)

Filme de estreia no estúdio: “Vencido Pela Lei / Manhattan Melodrama” (1934), direção de W.S. Van Dyke
Último filme: “Minha Vida é uma Canção / Words and Music” (1948), direção de Norman Taurog
Número de filmes: 48
Melhor momento: “A Comédia Humana / The Human Comedy” (1943), direção de Clarence Brown

MYRNA LOY
(1933 a 1945)

Filme de estreia no estúdio: “Uma Noite no Cairo / The Barbarian” (1933), direção de Sam Wood
Último filme: “A Canção dos Acusados / Song of the Thin Man” (1947), direção de Edward Buzzell
Número de filmes: 31
Melhor momento: “A Ceia dos Acusados / The Thin Man” (1934), direção de W.S. Van Dyke

NORMA SHEARER
(1924 a 1942)

Filme de estreia no estúdio: “Broken Barriers” (1924), direção de Reginald Barker
Último filme: “Idílio a Muque / Her Cardboard Lover” (1942), direção de George Cukor
Número de filmes: 40
Melhor momento: “As Mulheres / The Women” (1939), direção de George Cukor

ROBERT TAYLOR
(1935 de 1958)

Filme de estreia no estúdio: “A Wicked Woman” (1935), direção de Charles Brabin
Último filme: “A Bela do Bas-Fond / Party Girl” (1958), direção de Nicholas Ray
Número de filmes: 52
Melhor momento: “Quo Vadis / idem” (1951), direção de Mervyn LeRoy

SPENCER TRACY
(1935 a 1955)

Filme de estreia no estúdio: “Ladra Encantadora / Whipsaw” (1935), direção de Sam Wood
Último filme: “Conspiração do Silêncio / Bad Day at Black Rock” (1955), direção de John Sturges
Número de filmes: 38
Melhor momento: “Fúria / The Fury” (1936), direção de Fritz Lang

WALLACE BEERY
(1930 a 1949)

Filme de estreia no estúdio: “O Presídio / The Big House” (1930), direção de George W. Hill
Último filme: Big Jack (1949), direção de Richard Thorpe
Número de filmes: 44
Melhor momento: “O Campeão / The Champ” (1931), direção de King Vidor

WILLIAM POWELL
(1934 a 1947)

Filme de estreia no estúdio: “Vencido Pela Lei / Manhattan Melodrama” (1934), direção de W.S. Van Dyke
Último filme: “A Canção dos Acusados / Song of the Thin Man” (1947), direção de Edward Buzzell
Número de filmes: 22
Melhor momento: “A Ceia dos Acusados / The Thin Man” (1934), direção de W.S. Van Dyke


estrelas da m-g-m em 1949